Procurando a felicidade.
1 Capítulo 1- ONE SHOT.
Notas iniciais
O sol bateu na janela do carro, iluminando o rosto dela. A muito tempo ela não tinha uma cama descente, mas não se importava. Ela se levanta e liga o carro. Não tinha rumo e não se importava com isso.
Logo encontra uma lanchonete de beira de estrada. Ela para e pede para usar o banheiro. Se olha no espelho, ele estava trincado em alguns lugares mas dava para enxergar. Seu cabelo estava emaranhado e sua expressão estava cansada. Mas ela não se importava, ela estava fazendo aquilo que mais desejava.
Ela penteia o cabelo com os dedos, escova os dentes e lava o rosto. Compra um café na lanchonete e umas panquecas para comer no caminho. Ela volta para o carro e continua a viagem.
Após terminar a faculdade, Amélia roubou o carro do pai e começou sua viagem. Sem destino, sem regras, sem pessoas. Apenas ela e seu carro. A garota, por onde parava, trabalhava. Podia ser de professora de primário ou de faxineira. Fazia de tudo um pouco. Mas era feliz. Conhecia pessoas e suas histórias, fazia amigos, mas não levava nenhum deles para a viagem. Ela estava numa constante busca para descobrir quem ela era de verdade .
Quando queria, parava em uma lan house e mandava um e-mail para sua mãe. Nunca dizia onde estava, mas dizia que estava bem e que sentia saudade. As vezes contava de suas aventuras, como quando foi detida pela policia, mas pagou a fiança, ou quando tirou racha na estrada com uns garotos que conheceu no caminho...
Ela sabia que sua mãe não a entendia, sabia que ela era a ovelha negra da família, sabia que nunca seria como seu irmão, um doutor. Mas ela era feliz com ela mesma. Sua mãe dizia que tinha orgulho dela, mas não como tinha orgulho do irmão.
O que Amélia realmente queria? Ela queria escrever. Queria escrever um livro que mudasse a vida das pessoas. Que mostrasse para as pessoas o que é viver. Que não tinham que seguir o que a sociedade achava politicamente correto. Que o correto era seguir o que os faziam felizes. Nem que isso significaria largar tudo e recomeçar do zero.
Amélia sofreu muito na vida. O pai dela bebia e batia na esposa, até que ele morreu quando ela tinha 7 anos. Logo depois começou a sofrer com os colegas na escola por ser gordinha. E então, finalmente, chegou o colegial. A garota emagreceu e começou a ser popular. Ela odiava aquilo. Será que somente ela enxergava como as pessoas eram superficiais? Pessoas se preocupando com aparência enquanto milhares de crianças morriam na guerra. Pessoas não comendo para emagrecer enquanto crianças morrem de fome todos os dias. Ninguém realmente gostava dela, era tudo por aparência. Ninguém sabia o que ela pensava, e ninguém se importava com aquilo.
Quando terminou a faculdade ela se sentiu livre, como nunca tinha se sentido antes. Ela soube que, qualquer decisão que tomasse, não se importaria com o que os outros iriam pensar, ela tinha feito tudo certo, tinha andado na linha. Aquela era a hora de ela ser a verdadeira Amélia.
Na noite da formatura, enquanto a mãe dela se gabava que os dois filhos tinham se formado em medicina, ela foi até sua casa, abriu o portão da garagem e roubou o carro do pai dela. Pelo menos ele tinha deixado algo de bom para ela. Um Impala 67. Deixou um bilhete para a mãe, pegou sua mala que já estava pronta e um caderno, novinho em folha.
Isso foi a um ano. Amélia está agora atravessando o estado do Texas, no rádio toca Ready For Love. Ela esta realmente feliz. O cabelo loiro, que na época no colegial era enorme, está gora curto. As roupas, que antes eram todas da moda, se resume a all star, jeans e uma camiseta básica e um moletom. Os olhos pretos estão sempre cobertos com os óculos escuros e a boca, sempre curvada em um sorriso.
Ela ainda não sabe qual é o rumo dela. Ela não sabe qual o destino dela. Não sabe onde vai passar a noite, onde vai comer ou onde vai tomar banho. Ela não tem a mínima ideia do que está fazendo, e ela sabe que as pessoas a chama de louca. Sabe que as pessoas falam que deveria estar namorando, quase casando afinal, ela já tem 23 anos e as pessoas falam isso como se fosse uma obrigação de toda mulher. Mas ela esta feliz.
Todo os dias quando acorda, ela sorri por estar viva e com saúde. Sorri por se amar e por amar o que está fazendo. Toda noite antes de dormir, ela pega o caderno e escreve. Escreve pensamentos, histórias, o que fez o dia inteiro e as coisas que viu. Ela encara um dia de cada vez e não pensa no amanhã. Ela vive o agora, vive o momento. Ela está feliz.
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