Notas iniciais
Provavelmente ninguém liga para isso mesmo, porque bem, não é como se eu tivesse leitores. Mas eu tinha começado a postar uma fics de capítulos que não acho que vou conseguir terminar tão cedo porque eu sou enrolada.
Então vamos enrolar com outra coisa, tipo presente de aniversário para outra pessoa!
Feliz aniversário, Pudim!
(Atrasado, mas espero que goste mesmo assim. Eu te devia um DenNor a muuuuuuito tempo ;A;)
Agradecimentos para a Poteto que me deu força de vontade para escrever isso.

Havia muitas coisas que ele poderia ser culpado. Claro, isso não era uma surpresa e Lukas mesmo reconhecia que ninguém era perfeito. E longe dele de dizer que não cometia erros, o norueguês bem reconhecia os seus enganos.

Mas isso não significava que gostava de tê-los apontados diretamente para si.

Especialmente se fosse Mathias.

Especialmente porque Mathias não era do tipo que comumente criticava qualquer de suas atitudes. Então, certo, provavelmente Lukas estaria apenas pensando demais. Não seria a primeira vez e este poderia muito bem ser um dos seus defeitos, além da sua própria teimosia que o impediam de entender o que o dinamarquês realmente queria dizer. O que não seria um problema se Mathias dissesse as coisas direito.

Ou talvez fosse apenas Lukas que não fosse realmente bom em comunicação.

Bem, de qualquer forma, tudo havia acontecido em um sábado, tarde de neve forte e nenhum sol, era um daqueles dias escuros que mais pareciam convidar as pessoas para passar o dia em casa. Aconchegados no sofá, com uma coberta sobre o colo e uma boa xícara de café em mãos enquanto assistiam algo documentário na televisão. A lareira na sala estaria apagada, servindo agora como apenas um item de decoração enquanto o aquecedor elétrico era sabiamente ligado a uma temperatura ideal.

Sendo uma ocasião rara para descansar, Lukas teria tomado a decisão de passar à tarde exatamente daquela forma, dando a si o merecido descanso após dedicar-se ao trabalho com tanto afinco durante a semana. Era, portanto, um descanso merecido. Mais do que merecido, era uma oportunidade pela qual o norueguês esperava há semanas.

O único problema, talvez fosse que Lukas não estava exatamente livre naquele dia. O que o norueguês fora lembrar apenas quando um desesperado dinamarquês ligara preocupado com o possível paradeiro de Lukas. Porque nevava forte – o que não era assim tão incomum e, portanto, preocupação desnecessária – e porque eles haviam marcado um encontro naquele exato sábado à tarde.

– Um encontro? – O norueguês preparava uma nova xícara de café, apoiando o celular no ombro enquanto isso. Sua voz ressoava duvidosa, pensando com o que diabos Mathias estava delirando dessa vez. A lembrança viera à mente apenas quando desviara o olhar e encarara o calendário na parede. De repente, Lukas ficara mudo.

– É, isso aí. A gente tinha um encontro. Mas sério, sem problemas! – Mathias parecia tão animado quanto sempre, mas Lukas ainda podia sentir o tom de cobrança na voz do outro, ele mordeu os lábios, prestes a interrompê-lo.

Só que Mathias mudara a tonalidade de voz, uma mais séria e preocupada e Lukas calou-se antes mesmo de falar qualquer coisa.

– Eu só... Eu só queria saber, você está bem? — Mathias perguntou e um longo suspiro escapou dos lábios do norueguês.

– Eu estou ótimo, hoje é meu dia de folga e queria descansar. Ao acaso, acabei me esquecendo de vê-lo. — Tentara explicar enquanto passava a mão pelos cabelos em um gesto nervoso.

– Ah, certo. Isso acontece o tempo todo, né? Preocupa mesmo não. – Uma risada longa ecoara pela linha do telefone, e Lukas afastou o objeto do ouvido por um instante, levantando uma sobrancelha – Então a gente se fala depois? Te ligo e a gente marca, tenta marcar de novo, tchau!

Rápido assim, Mathias desligara o telefone, sem qualquer outra explicação. Lukas ficara por um tempo pensando sozinho, ainda de pé e com o telefone em mão. O que fora aquilo de que “isso acontece o tempo todo”? O Norueguês sentia sua irritação aumentar assim como sua própria culpa. Certo, ele estava errado em ter se esquecido... Mas isso não acontecia sempre. Acontecia? Mathias não precisava agir daquela maneira também. Fora apenas um acidente, Lukas não esquecera de propósito.

O norueguês largara o telefone na mesa, pegando sua xícara de café e voltando para o conforto de sua sala. Mas ao levar a bebida aos lábios, sentira um gosto mais amargo que o normal.

Droga, era típico de Mathias estragar seu dia perfeito.



A segunda ligação não aconteceu. Para a própria surpresa de Mathias, que encontrara Lukas na porta de sua casa no começo da noite. A neve já havia parado, mas ainda se acumulava na frente da casa, molhando os calçados do rapaz norueguês.

– Já fez a janta? – a voz monocórdia de Lukas despertara Mathias de seus pensamentos, que ainda surpreso observava o outro rapaz com a boca entreaberta.

– Não, ainda não... – o dinamarquês respondeu ainda embasbacado e com a voz fraca, estranhamente fraca. O norueguês apenas levantou as sobrancelhas, e abrira o caminho para dentro de casa.

Mathias soltara um longo suspiro antes de trancar a porta. Se ele fosse completamente honesto, ele admitiria que nem sempre era fácil, ele diria que havia dias que também se cansava daquele relacionamento que às vezes – na maioria das vezes – parecia ir sempre em uma única direção. Era sempre ele que ia atrás, marcava encontros e dizia que o amava. Na maioria das vezes, aquilo não importava tanto assim — Mathias o amava acima de qualquer outra coisa – só que ele também era capaz de ter medo e sentir-se magoado. E pelo menos uma vez, ele gostaria de saber que Lukas também se importava com o relacionamento de ambos.

Então era uma surpresa vê-lo aparecer tão subitamente em sua casa, ainda mais depois da ligação pelo telefone. Eles não haviam nem mesmo discutido, e o dinamarquês havia tido a certeza de dizer que estava tudo bem, então não havia sentido em Lukas ter se apressado para chegar até ali, ele supostamente não devia se importar.

Mas Lukas era o tipo de pessoa que sempre fazia o que bem entendesse. Mesmo que, sinceramente, Mathias não tinha tanta certeza assim se queria vê-lo.

Ainda assim, ali estavam. Cara a cara, um observando o rosto do outro e perdidos em seus próprios pensamentos. Talvez ele o encarasse por tempo demais, sério demais. Lukas franzia o cenho e logo o dinamarquês se viu obrigado a forçar uma risada – quase natural, não havia como ele segurar qualquer mágoa contra o amado, se não era completamente verdadeira, era apenas porque não sentia vontade de realmente rir.

– Então janta, né? – Ele arregaçou as mangas, um sorriso animado iluminando o seu rosto – Certo, entendi! Só um momento e eu faço algo gostoso para comermos! Espere um pouquinho, ja?

Lukas acenara a cabeça positivamente quando Mathias aproximara, bagunçara seus cabelos. Apenas para se afastar. Deixara-o sozinho, e sabia que fugia. Mesmo assim não pode evitar esconder-se, apenas não queria que o norueguês pudesse ver aquilo que pensava.

Quanto a Lukas, ele continuara parado e em silêncio por um tempo a mais, até perceber que era inútil ficar ali. Ele pôs-se a tirar o grosso casaco e botas, deixando ambos em um canto do hall de entrada. Seus gestos eram calmos, assim como seus passos quando caminhara até a sala e sentara no sofá, abraçando os joelhos e escondendo o rosto.

Apesar da aparente calma, aquilo não era nem um pouco perto do que sentia.

Talvez este fosse o problema entre eles. Lukas não sabia como se expressar e iniciar a conversar, e Mathias não sabia como cobrar qualquer tipo de satisfação, mesmo magoado. Lukas saberia pedir desculpas se ao menos dinamarquês expressasse qual era o problema. Então era assim, faltava comunicação.

Saber qual era o problema não tornava as coisas mais fáceis, pois por mais que pensasse e tentasse achar uma solução, o outro lado estava mais do que disposto a fingir que nada aconteceu. Talvez Lukas também devesse ignorar o assunto, mas isso não era realmente uma solução e havia um limite para o que Mathias podia camuflar com um sorriso.

Lukas fechara os olhos, soltando um longo e cansado suspiro. A irritação aumentava à medida que o cheiro de peixe tornava-se mais forte e embrulhava-lhe o estômago. Novamente, ele pensava demais a ponto de fazê-lo se sentir mal, e ainda assim não sabia evitar. Era diferente de Mathias que conseguia sempre ignorar. Aquilo lhe tirava tanto a atenção que nem percebera quando o dinamarquês deixara a cozinha.

E por não percebê-lo chegar à sala, tampouco poderia dizer por quanto tempo ele o observara, e muito menos suas feições tristes e preocupadas — ou talvez irritado e magoado, Lukas não saberia, pois não vira. E no instante que virava, os sentimentos de Mathias estariam sempre escondidos por detrás de um sorriso.

Quando notara sua aproximação, Mathias já inclinava sobre sua cabeça, depositando um leve beijo em seus cabelos. Quando erguera o olhar, o dinamarquês já sorria e o chamava para jantar. Novamente ele bagunçara seus cabelos, e Lukas franzira o cenho – aquele é um hábito irritante que deveria consertar mais tarde.

E era tudo sempre tão irritante. Mathias era tão irritante que não conseguia evitar se sentir assim mesmo após se sentarem à mesa de jantar. O dinamarquês mais do que determinado a evitar o assunto, conversava sobre tudo que passava em sua mente – um novo programa de televisão, neve, algo que ele vira e queria comprar – tudo, menos o que deveriam conversar. Lukas jantara em silêncio, ouvindo-o apenas pela metade. Terminando o seu prato sem quase não sentir o gosto.

– Então você não se incomoda nem um pouco. – o norueguês dissera antes mesmo de perceber, os olhos gelados olhando diretamente para Mathias que o encarava com uma expressão confusa.

– O quê? Não entendi, Lukas-

– Você não se incomoda nem um pouco. – Ele repetiu, levantando-se do seu lugar e carregando o seu prato até a cozinha. – Pouco te importava se eu tivesse aparecido hoje ou não.

A face indignada de Mathias era algo digno de se ver, pena que Lukas havia deixado a mesa, indo até a cozinha e calmamente começado a lavar o prato. Não que demorasse para o dinamarquês também invadir o local, puxando-o pelo braço, tirando-lhe dos afazeres e encará-lo com firmeza.

– Lukas! – Ele começara, perdendo as palavras logo a seguir devido à forma fria que o norueguês o encarou.

– O que é?

Mathias engolira em seco, seus orbes dilatando em indignação. As palavras certas fugiam da mente, ele simplesmente não queria brigar. Mas ao mesmo tempo era cansativo e frustrante tentar manter os pedaços do relacionamento juntos. E havia ainda o impulso de gritar e exigir que Lukas também lhe desse o mesmo tanto – ao menos um pouco – da atenção que o dinamarquês dava ao outro:

– Me solta. – Lukas pedia com a voz seca, e aquele foi o estopim para que o dinamarquês o prensasse contra a pia.

– O que quer que eu faça? Eu estou tentando! Eu faço tudo o que você quer, eu faço tudo por você! Eu te chamei para sair, eu te liguei! O que mais eu tenho que fazer? – Lukas ouvia calado, e diante da falta de reação do outro, o dinamarquês respirou fundo, soltando em um suspiro pesaroso enfim. – Você mal olha pra mim...

Os dedos de Mathias continuavam apertando o pulso de Lukas firmemente. O norueguês achava quase engraçado, a forma como Mathias se irritava para então abaixar o tom, incapaz de gritar consigo. Ele sempre tinha aquela necessidade de receber toda a atenção possível do norueguês. O que ele talvez não percebesse é que Lukas não tinha atenção para mais ninguém.

E seria engraçado, se não fosse também uma sensação horrível saber que Mathias só se sentia assim porque ele não sabia como transmitir o que sentia. Porque tudo poderia se resolver se Lukas o abraçasse, pedisse desculpas e dissesse que o amava. Mas ele não conseguia, ele o magoava e era sempre Mathias quem cedia.

Aquilo era provavelmente muito errado. Era absolutamente injusto. Mas ele ainda não sabia como fazer para demonstrar o que sentia. Se ao menos pudesse abraça-lo e dizer que o amava... Lukas não conseguia.

– O que é amor para você? – A voz do norueguês ressoou tão séria como sempre, e não havia hesitação visível. Pelo menos não aparente, mesmo que sentisse um nervosismo crescente dentro de si.

Mathias o encarava com o canto dos olhos, quase arrependido, quase com medo de olhá-lo. Medo de tê-lo magoado com algo tão pequeno como aquela fala. Talvez tivesse receio de exigir um pouco a mais e Lukas o deixasse. Aquilo era tão tolo que era adorável, Lukas nunca o abandonaria. Mas aí então era quase um segredo, que ele não se atreveria pronunciar em voz alta.

– Confiança? – Mathias balançara a cabeça, concordando.

– Eu confio em você. – Lukas continuara sem qualquer hesitação, esta só veio depois. Apenas uma fração de segundos em que ele desviara o rosto e se sentira subitamente tímido. Mas logo passa ao sentir Mathias afrouxar o aperto em seu pulso – Por que eu confio em você, não preciso me preocupar sempre. Eu sei que vai estar bem, eu sei que me ama. O que mais é amor?

Mathias não respondera, mas isto apenas por que Lukas não o deixara.

– Pensar sobre você, eu também penso. Preocupar, eu também me preocupo. Querer estar com você, eu também quero. Por que acha que vim até aqui hoje à noite? – A voz saía perfeitamente estável, mesmo que os olhos brilhassem com uma energia diferente. – É também desejo? Eu também lhe desejo.

A última frase causara o dinamarquês a esbugalhar os olhos. O rosto pálido adquirira um tom rosado, mas não impedira uma leve risada escapar. Dessa vez é Lukas que corara levemente, e mordera os lábios. Mathias finalmente o soltou, nem por isso o deixara. Avançara e o abraçara, sentindo-se aliviado, Lukas o abraçara de volta.

Mathias o levantara, erguendo no ar. Lukas dobrara os joelhos, e o dinamarquês o carregava sentado em seu colo, em direção ao quarto. Mathias sorria, ria, na verdade. Todos os dentes perfeitamente alinhados em uma risada quase infantil, tão adorável que a resposta do norueguês não fora nada mais além de um sorriso, quase imperceptível. Apenas uma leve curva de seus lábios enquanto entrelaça os braços em volta do pescoço do dinamarquês e o puxava para um beijo terno.

Roçava os lábios, sentindo a respiração quente e descompassada em seu rosto, gentilmente pedindo passagem para aprofundar o carinho. Calmo e lento, assim como os passos que se seguiam até o quarto, o tempo parecia demorar uma eternidade.

E poderia passar o tempo que for e ambos se entregariam àquele relacionamento às vezes errado, às vezes incompleto. Porque não eram bem as palavras que importavam, porque Lukas também era capaz de dizê-las e Mathias capaz de esquecê-las. No fim, tudo se resumir ao ato.

Era necessário acreditar, e entregar-se a um outrem será sempre um gesto de confiança e carinho.


Notas finais
Note-se que era para ter um lemon ali no meio, mas eu fiquei com preguiça. Talvez eu volte e termine, se me der vontade.
Ainda tem muitos erros nisso aí, e não estou satisfeita mas enfim-
Comentários fazem uma escritora preguiçosa feliz ;^;
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!