Notas iniciais
'' Não se prenda a algo que não muda e nem se transforma, mas sim, a algo que te diga e te faça sentir algo e te dizer um caminho, não sem volta, mas sim, com muitas revoltas. '' - Guilherme Bertoncini Bramorski

Era manhã, eu e a Aimme estávamos acordando, de vagar, silenciosamente, sorrindo e olhando um para o outro. Tenho certeza que, assim como eu, ela ainda deve estar se perguntando muita coisa desde a noite passada, mas nessa manhã, ela estava estranha, calada de mais... até de mais.

– Espere aqui Aimee, vou verificar a área e ver um caminho seguro para prosseguirmos. — disse eu já levantando, e claro, sem saber aonde ia, seguindo qualquer direção.

– GABRIEL!!! — gritou Aimee, de forma estérica.

Fui atingido, e quase desmaiando, comecei ouvir vozes formando um certo tipo de conversa e, de forma embaçada, enxergando a Aimee e dois caras com metralhadoras e com bandanas na cabeça com um mesmo símbolo a cercando... um símbolo de um animal... um flamingo:

– Essa menina aqui vai servir direitinho para o show... não é mesmo... Aimee ( falsos risos ).

– VOCÊS NÃO VÃO ENCOSTAR UM SEQUER DEDO EM MIM — disse ela cuspindo no rosto de um dos homens e já sem saída alguma.

– AIMEE, FOGE, SE SALVA — gritei eu, já estando um pouco mais consciente e tentando alguma fuga.

Ela fugiu, como eu disse, já eu... eu fui amarrado num saco de plástico preto, com poucas saídas para ar puro, que na verdade, eram apenas pequenos furos. Todo o trajeto tentei ficar acordado e consciente o suficiente para que conseguisse, pelos pequenos buracos do saco de plástico, visualizar, e assim, achar futuras saídas para futuras tentativas de fuga, mas não consegui. Me drogaram o suficiente para eu apenas conseguir um cochilo durante toda a viajem.

Acordando aos poucos, comecei a ver, de forma nítida, as coisas novamente, mas dessa vez, amarrado numa cadeira, suado e com um pano na boca. De repente uma porta se abre e os mesmos dois caras aparecem, jogam um corpo na minha frente, um corpo de uma menina, e pedem identificação, fazem perguntas e torturas comigo:

– Conhece ela... — pergunta um dos caras com um, provavelmente, documento roubado — Gabriel?

Pra ser bem sincero, era muito difícil ver o rosto dela, por que ela estava toda suja, cheia de barro no rosto, coberta de sangue e cheia de cortes por todo corpo. Provavelmente foi torturada. E estuprada. Ela era muito linda, tinha um corpo muito sexy e estava com roupas sensuais um tanto rasgadas e com marcas de mãos, digitais. Então o homem perguntou mais uma vez a mesma pergunta para mim levantando violentamente o rosto da menina, e eu lhe respondi:

– Eu.. — disse eu ainda não a enxergando direito — eu não a conheço senhor. Aonde estou? O que é isso tudo? Quem são essas pessoas?

– Ah... é uma pena, Gabriel.. — pegou meus documentos para verificar e completar sua frase de suspense — Dhow? Gabriel Dhow?

Eu realmente não entendi o por que da surpresa dele, aliais, era apenas o meu nome. Era apenas o nome de um pobre miserável nascido e criado nas margens da Baía de São Comué.

– Eu sou sobrenome é mesmo Dhow? — disse ele mais surpreso do que eu gostaria que ele tivesse.

– Venha comigo por favor... — disse ele já me desamarrando da cadeira, retirando o pano de minha boca e, finalmente, me dando direitos, pelo menos, sub humanos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.