Probabilidade

6 Quadribol e mãos suadas


Notas iniciais
Olá, amados!!! Gostaria de dar as boas-vindas aos leitores novos, espero que estejam gostando da história e não tenham medo de deixar comentários com suas opiniões e sugestões hihihi. Pari esse capítulo rapidinho e foi, provavelmente, um dos meus favoritos pra escrever até agora! Espero que gostem e vejo vocês nas notas finais :)

CAPÍTULO CINCO

No outono do quarto ano de Albus, Scorpius e Rose, alguns acontecimentos foram um tanto marcantes.

O primeiro foi que Albus Potter decidiu tentar entrar no time de quadribol da Sonserina.

A ideia surgiu no segundo dia de aulas, logo após o café da manhã, enquanto ele estava andando com o amigo até a aula de Trato das Criaturas Mágicas, acompanhados por Rose, que ia para sua aula de Adivinhação em poucos momentos. Albus parou na frente do grande quadro de avisos no corredor principal apinhado de alunos e o encarou em silêncio, enquanto Scorpius e Rose o observavam com cuidado.

— E se eu tentar entrar para o time de quadribol da casa? — A voz do moreno perguntou, enquanto ele olhava para os amigos com olhos ansiosos.

— Quê? — Scorpius levantou as sobrancelhas e recebeu uma cotovelada nas costelas nada discreta de Rose. — Ai! Digo, como assim? Você teve essa ideia agora?

— Bem — Albus virou-se completamente para os dois, passando uma das mãos pelo cabelo e mexendo nas unhas. — Na verdade, eu penso nisso há um tempo, mas nunca tive muita coragem. Não sei, o James é um artilheiro tão bom, não queria que comparassem a ele… E a Lily me disse que também vai tentar entrar no time da Grifinória esse ano, e se eu estiver só desviando a atenção dela? — A voz do moreno estava mais nervosa e apressada que o normal, e Scorpius logo se aproximou do amigo e colocou uma mão no ombro dele, o olhando nos olhos.

— Cara, se você quer mesmo entrar no time de quadribol, pelo menos tenta. Ninguém vai ficar com raiva de você por causa disso.

— Tenho certeza que o James iria adorar te ajudar a praticar, assim como a Lily! — Rose completou, com um sorriso reconfortante.

Albus respirou fundo algumas vezes e assentiu. Virou-se nos calcanhares, pegou uma pena da mochila e escreveu seu nome na lista de inscrição. O capitão do time, Felix Pucey, marcou os testes para a segunda sexta-feira do mês, e com o incentivo de Rose, Albus pediu para que James o ajudasse a treinar — não que ele precisasse muito, mas jamais admitiria isso. Tinha um talento natural, herdado dos pais, como apanhador, mas ainda era inseguro demais, e seu irmão mais velho tentou trabalhar exatamente isso todas as vezes que eles foram para o campo enlameado depois das aulas para praticar.

E Scorpius e Rose, como bons amigos, estavam sempre lá para apoiá-lo.

Rose realmente não via muita graça em jogar quadribol; de fato, ela odiava ter que se equilibrar numa vassoura e voar atrás de bolas, mas aprendera desde cedo com seu pai a magia de assistir quadribol e torcer para seu time favorito, a não-tão-incrível equipe de terceira divisão, Chudley Cannons, então adorava acompanhar os treinos de seus primos e forçava Scorpius a acompanhá-la para que ela não tivesse que ficar sozinha nas arquibancadas.

— Rose, eu odeio quadribol — O loiro resmungava enquanto ela o arrastava pelos jardins em direção ao campo.

— E eu amo, e você jamais me deixaria sozinha lá, não é mesmo, Scorp? — Ela cantarolou, sem se importar com as reclamações do amigo.

— Por que não podemos simplesmente ficar na biblioteca e encontrar o Albus depois do treino? Ele nem liga se estamos lá ou não.

Rose se virou para o loiro com uma expressão perplexa.

— Claro que ele liga! Você realmente não percebe que ele fica fazendo perguntas pra gente depois sobre o desempenho dele? O nosso apoio é importante pra ele.

— Sim, mas ele também fica nervoso com a nossa presença e não ajuda muito quando você diz todos os dias que ele tem tendência de puxar a vassoura para a esquerda quando ele voa e que seria bom evitar isso. — Rose corou e cruzou os braços.

— É só uma observação. E provavelmente é culpa da vassoura, não dele.

Scorpius deu de ombros.

— Só estou dizendo, poderíamos apenas ir para a sessão de livros trouxas na biblioteca e passar um tempo lá em vez de pegar chuva naquele campo sujo.

Rose o olhou, pensou por alguns segundos na proposta do amigo, que a encarava com olhos esperançosos, mas logo agarrou seu braço e voltou a arrastá-lo em direção ao campo.

— Semana que vem podemos fazer isso, depois dos testes, hoje vamos dar apoio ao Albus!

Ela escutou Scorpius suspirando pesadamente atrás de si e riu consigo mesma. Adorava irritar o amigo.

Scorpius achou que iria ficar surdo no dia dos testes do time de quadribol da Sonserina. Rose já era uma pessoa que falava alto por natureza, mas ele nunca tinha visto ela gritar tanto como naquele dia, e esperava não ter que presenciar a cena novamente, apesar de ter um leve pressentimento que aquela personalidade dela apareceria em todos os jogos de Quadribol de Albus, já que ele tinha conseguido a vaga de apanhador do time.

Ela e Alice, que também tinha aparecido naquela tarde para dar apoio ao garoto, deram saltinhos e desceram das arquibancadas correndo para cumprimentar e parabenizar Albus, que sorria enormemente. Scorpius estava extremamente orgulhoso do melhor amigo, e quando as duas finalmente o largaram, ele fez questão de abraçá-lo e lhe dizer que ele tinha sido fantástico.

— Eu não teria conseguido fazer isso sem vocês — A voz meio tímida de Albus disse, olhando para Rose e Scorpius. — E sem o James! Caramba, tenho que ir dar a notícia a ele, licença… — O garoto começou a correr até o castelo, deixando seus amigos para trás, que riram e o observaram ir embora.

— Tenho que ir, gente — Alice disse, olhando para Rose e Scorpius; não era exatamente próxima deles, e normalmente só ficava com eles quando Albus estava por perto também. — Prometi à Melody que iria ajudar ela a achar um livro de Feitiços na biblioteca. Até mais! — Com um aceno, ela se despediu e começou a andar em direção ao castelo, deixando os dois sozinhos.

Os dois logo começaram a caminhar juntos pelo gramado extenso que levava à escola, Scorpius com as mãos nos bolsos devido ao frio.

— O que a gente vai ver em feitiços mesmo essa semana? — Ele se virou para Rose com as sobrancelhas franzidas, afinal ela era muito melhor na matéria que ele.

— Feitiço de mudança de cor — Ela sorriu como se estivesse tendo uma ideia brilhante e desviou o olhar. — Vai ser uma ótima semana, tenho certeza.

Scorpius a encarou com uma sobrancelha erguida, sabendo com certeza que ela iria aprontar alguma com ele (como no dia das cócegas, oh Merlin…), mas preferiu não perguntar nada. Ele se arrependeria amargamente daquela escolha, percebeu, quando, na segunda-feira, na hora do almoço e logo depois da aula de Feitiços daquela semana, todos na mesa da Sonserina começaram a rir dele do nada. Confuso, Scorpius perguntou a Albus e Luke sem parar o que estava havendo, se tinha algo em seu dente ou seu rosto, mas a resposta que recebera era pior do que ele poderia imaginar.

— Cara, seu cabelo tá metade azul, metade rosa — Luke conseguiu dizer entre os risos, enquanto Albus tentava se desengasgar.

Scorpius sentiu as orelhas ficarem vermelhas, contribuindo para a pintura colorida em seus cabelos, e olhou para Rose, sentada na mesa da Grifinória do outro lado do salão, que o encarava de volta e cobria a boca com uma mão, tentando desesperadamente não rir. Scorpius não conseguiu evitar um sorriso e balançou a cabeça para a amiga, dizendo “eu te odeio” com os lábios, apenas fazendo ela rir mais e logo desfazer o feitiço.

E o resto da semana continuou assim: na terça-feira, no jantar, o cabelo de Scorpius ficou amarelo vivo e preto, fazendo algumas pessoas chamarem ele de abelhinha ou dizerem coisas como “não sabia que você gostava tanto assim da Lufa-Lufa, Malfoy!”. Na quarta-feira, no meio dos corredores, um azul turquesa fortíssimo, que fez Dominique Weasley dizer, aos risos, que ele estava igualzinho a seu cunhado Teddy Lupin. Na quinta, durante a aula, uma mistura de violeta e vermelho muito feia, e Scorpius apenas implorou que ela tirasse aquilo dele.

Na sexta-feira seria o começo da temporada de quadribol do ano, assim como o primeiro jogo de Albus no time, onde a Sonserina jogaria contra a Corvinal. O time deles era bom, não tão forte quanto o da Grifinória, Rose insistia em dizer, mas a Sonserina ainda teria que ter cuidado em suas jogadas. Scorpius se vestiu com as cores de sua casa estampadas em seu cachecol, camiseta e casaco para o jogo, e quando estava prestes a sair de seu Salão Comunal, encontrou Rose na porta, com o rosto pintado de verde e prata, uma expressão desesperada em seu rosto e a blusa mais vermelha que ele já tinha visto na vida.

— Eu não tenho nenhuma roupa verde, por favor, me ajuda — Ela disse, com um quê de desespero na voz que fez Scorpius rir, mas ele apenas puxou a amiga pela manga da blusa para dentro e levou-a até seu dormitório que estava vazio naquele momento; Albus tinha saído há duas horas para o jogo e seus outros colegas provavelmente já estavam indo para o campo.

— Aqui, usa isso — Ele jogou seu suéter preferido para Rose, o verde de cashmere que sua mãe tinha lhe dado no ano anterior. — E vamos logo antes que não tenha mais nenhum lugar no estádio!

Os dois praticamente correram pelas masmorras, corredores e gramados até o campo de quadribol. Subiram juntos até as arquibancadas onde acharam um lugar onde poderiam se sentar confortavelmente juntos em meio à torcida da Sonserina, que tinha um outro Weasley-Potter disfarçado por ali. Alguns minutos depois, Alice se juntou a eles, também com tinta verde e prateada no rosto, mas os três não tiveram muito tempo de conversar, visto que a voz de Jamie Wood logo trovejou pelo campo anunciando o começo da partida.

Scorpius encontrou Albus entre os jogadores de vestes verdes, tentando acompanhar o número 19 no céu e entender o que estava acontecendo no jogo, que se movia muito mais rápido do que seu cérebro conseguia acompanhar; os jogadores voavam, bolas eram jogadas, a voz de Jamie falava a uma velocidade absurda e ele não entendia nada que o colega dizia.

Rose era muito melhor que ele naquilo, então ele logo se virou para a amiga, extremamente confuso, e gritou por ajuda em seu ouvido.

— Rose, o que diabos está acontecendo? — A ruiva riu e se aproximou dele, apontando para os jogadores acima deles enquanto falava.

— Os artilheiros da Corvinal já fizeram 40 pontos, porque o goleiro de vocês é horrível. Mas em compensação, seus artilheiros são até bons e já marcaram 30 pontos nos últimos dez minutos. Um dos batedores da Corvinal quase acertou o Albus na cabeça, mas ele desviou rápido e o balaço acabou acertando um artilheiro do time deles e… Ah, não!

Scorpius acompanhou o olhar de Rose no céu e viu outro balaço indo em direção a Albus, que olhava para o outro lado do campo, provavelmente procurando o pomo de ouro. Em uma questão de segundos, o balaço voou até Albus e Scorpius prendeu a respiração e agarrou a mão de Rose ao seu lado, mas antes que o amigo fosse atingido, um batedor da Sonserina surgiu do nada e o livrou do impacto. Rose e Scorpius finalmente respiraram, aliviados, então o garoto percebeu que ainda segurava a mão dela.

Ele se virou para Rose, que olhava para suas mãos juntas, e a largou rapidamente.

Rose sentia sua mão, suas orelhas, seu rosto inteiro e seu pescoço queimarem. Não conseguia olhar para Scorpius, então tentou focar na partida, observando enquanto os jogadores da Sonserina viravam o jogo a seu favor, mas sua mente fazia questão de lembrá-la da sensação da mão suada e grande de Scorpius na sua, agarrando-a com firmeza e soltando-a com a mesma rapidez.

Havia uma explicação óbvia e racional, claro; ele tinha feito aquilo no calor do momento, quando acharam que Albus ia levar uma bolada e cair da vassoura em seu primeiro jogo, o susto e o nervosismo haviam feito ele segurar sua mão, mas por que, então, ele tinha soltado a mão de Rose como se ela tivesse varíola de dragão logo depois? Ele estava com vergonha? Provavelmente. Aquele era Scorpius, afinal, ele mal gostava de ser abraçado, qual era a probabilidade de ele admitir que tinha segurado a mão dela naquele instante, enquanto estava assustado?

Ela finalmente conseguiu se distrair dos pensamentos quando Albus começou a voar, veloz, em direção às arquibancadas do outro lado do campo; aparentemente ele tinha avistado o pomo, e a apanhadora da Corvinal seguia no encalço dele, mas não adiantava. Ela não era tão rápida quanto o Potter. Logo ele conseguiu capturar a bolinha dourada e a arquibancada verde e prateada explodiu em gritos — a Sonserina não ganhava um jogo há muito tempo. Rose e Scorpius observaram enquanto o time ovacionava Albus e o arrastava para os vestiários e logo o estádio começou a se esvaziar, todos prontos para comemorarem a vitória ou, se você fosse da Corvinal, xingar os seus jogadores.

— Rose — Scorpius a chamou enquanto eles desciam as escadas em direção à saída, já sozinhos depois que Alice correu para acompanhar os irmãos e primos de Albus. — Foi bem assustador aquela hora do balaço, né? Com o Albus e tal.

A garota sorriu brevemente e logo entendeu que aquela seria a única coisa que ele diria sobre o assunto.

— Sim, aterrorizante! Achei que ele ia perder um braço ou algo do tipo, e logo no primeiro jogo, você consegue imaginar? — Scorpius riu e balançou a cabeça.

— Teria sido horrível, e Alice teria passado horas ao lado dele na enfermaria chorando — Rose gargalhou, pensando na queda um pouco óbvia que a amiga tinha pelo primo.

Antes que ela pudesse responder, Luke Zabini passou por eles e bagunçou os cabelos de Scorpius, sem parar de andar.

— Adorei o seu espírito de time, Scorp, muito bom!

Scorpius encarou o garoto confuso enquanto ele ia embora, e depois olhou para Rose, que prendia outra risada.

— Você não… — Ele balançou a cabeça, e Rose explodiu em risadas, fazendo-o suspirar.

— Desculpe, não resisti! Não achei que você estivesse usando verde e prata o suficiente, então decidi que era uma boa ideia colocar nos seus cabelos — Ainda rindo, ela lançou o contra feitiço, fazendo os cabelos de Scorpius voltarem à sua coloração normal.

— Você está me dizendo que eu passei o jogo inteiro assim, Rose? — Ele perguntou, boquiaberto.

— Talvez… — Respondeu a ruiva, sem conseguir parar de rir. Ela definitivamente adorava irritar Scorpius.

Depois daquele dia, Rose não pintou mais os cabelos de Scorpius, mas os dois passaram a assistir a todos os jogos de quadribol de Albus juntos. Scorpius não admitiria tão cedo, mas ele adorava ver os olhos de Rose brilharem enquanto ela explicava as estratégias e jogadas, ou escutar seus xingamentos quando algum jogador fazia alguma besteira na vassoura, e definitivamente não reclamava quando, toda vez que Albus estava prestes a sofrer algum acidente, ela agarrava seu braço com força, mesmo que daqui a cinco segundos ela fosse soltá-lo.

Era o melhor momento de todos os jogos.

Notas finais
Gostei muito de focar um pouco desse capítulo no Albus, no próximo vamos ver ainda mais dele, ele é muito meu neném e personagem favorito e não podia deixar de fazer isso. MAS E AÍ O QUE ACHARAMMMMMMMM hmmmmmmm Scorpius segurando a mão da Rose, sem reclamar quando ela faz isso... temos um crushzinho surgindo por aí? Mas será que é correspondido hein? No próximo capítulo também vamos ver um pouquinho mais disso e tentar encontrar algumas respostas, mas quero saber o que vocês acham que vai surgir daí! Muito obrigada a todos que não desistiram e estão acompanhando essa fic, significa muito pra mim, mesmo!!! ♥ AH, mais uma coisa: lá no meu twitter eu às vezes falo da história, solto uns spoilers, aviso de quando vai ter atualização, toda essa coisa, então quem quiser me seguir lá: https://twitter.com/lilvevans Vejo vocês no próximo capítulo e nos comentários!! Beijinhosssssssssss