Prison of Love
26 Uma surpresa nada agradável
Notas iniciais
POV Percy
Depois de trigésimas explicações, Nico e Luke ainda não estavam convencidos que Thalia e Annabeth não tinham se beijado de verdade.
– Porra, eu estou dizendo Di Ângelo! – exclama Thalia, indignada.
– Nós não nos beijamos caramba! Isso seria... Sei lá... No mínimo estranho! – reforça Annabeth.
Depois de mais dez minutos explicando como Thalia colocou a mão sobre a boca da Annabeth e eu e Liz ajudando, dizendo que vimos, eles pareciam meio convencidos.
Ainda perplexos, mas meio convencidos.
– Temos que organizar o casamento então! – exclama Luke, se juntando a brincadeira.
– E eu? – pergunta Liz, soltando-se do meu abraço e colocando a mão sobre a testa melancolicamente – Vou ficar aqui, forever alone?
– Tire o olho da Annabeth, ela é minha – diz Thalia.
– Eu sei que a Thalia é ‘mó delícia, mas tem dona – completa Annabeth, apontando para si mesma.
Todos rimos.
– Eu vou ser padrinho de casamento! – diz Nico antes que alguém diga mais algo.
– Eu posso ser o “padre” – oferece Luke, fazendo aspas no ar com os dedos ao se oferecer como padre.
– Eu sou a madrinha então, chatas – reclama Liz, dando língua para as meninas.
Rimos mais ainda.
– E eu... Posso levar alguma das duas até o altar! – digo.
Todos concordam.
– Vamos organizar esse casamento então? – pergunta Liz, rindo.
(...)
Com tudo planejado, nos despedimos.
Annabeth estará no altar e eu levarei Thalia.
Annabeth vai estar (mesmo que a contragosto) vestida de branco e Thalia de preto.
– Por que eu não posso usar o preto? – pergunta Annabeth indignada
– Por que eu vou usar o preto, sua vaca – responde Thalia
– Então eu uso azul – rebate a loira.
– Tem que ser branco – responde Thalia já cansada.
– Pode ser roxo escuro? – suplica Annabeth.
– SE VOCÊ QUISER CASAR COMIGO VAI ESTAR DE BRANCO CASSETE! – grita a morena, já irritada.
– Amorosa você – comenta Annabeth, revirando os olhos.
– Muito – responde Thalia, lançando no ar um coraçãozinho destinado á Annabeth – Tee amo – seguido de um beijo no ar.
Annabeth revira os olhos rindo.
Ainda consigo lembrar as caretas das duas enquanto discutiam as cores dos vestidos.
Por fim, depois de muita insistência, brigas e muito a contragosto, Annabeth concordou em usar a droga do vestido branco.
Porém não me pergunte como elas vão conseguir o vestido.
Nico só disse para as meninas dizerem os tamanhos e os modelos e ele conseguia o resto. Dito isso, porém, ele piscou para Annabeth que riu dizendo que ele conseguia mesmo.
O que eu estou perdendo mesmo?
Andando sem rumo acabo chegando no meu lugar preferido.
Dentro da “florestinha” que temos, tem um lago muito bonito.
Sento na borda e tiro meus tênis, mergulhando os pés na água.
Deito dobre a grama e deixo meus pensamentos vagarem sem rumo.
(...)
Acordo com uma agitação.
Eu dormi? Confuso, levanto.
Reclamo dos meus pés molhados, mas calço os tênis mesmo assim.
Todos estão agitados. Isso é visível.
A tensão é tanta que quase chega a ser papável no ar.
Vou até o pátio.
As meninas estão sentadas em um canto, afastadas dos meninos.
Annabeth, Thalia e Liz estão conversando em voz baixa.
Nico e Luke estão calados.
Acho que, na verdade, nunca vi os dois tão sérios na minha vida.
Ok, consideremos que eu só conheço os caras á alguns meses, mas eles sempre são tão brincalhões.
Ao ver que me aproximo as meninas se calam.
Annabeth me olha com compaixão.
Thalia me olha com pena.
Liz me olha com preocupação.
Sento perto de Nico e Luke, que estão afastados delas.
Eles me olham com uma espécie de tristeza, preocupação e... Medo?
– O que está acontecendo? – pergunto casualmente.
Eles não me respondem.
Sento-me em frente a eles, desconfiado.
As meninas chegam perto da gente.
Liz senta ao meu lado, abraçando-me forte.
Annabeth, que ainda estava um pouco chateada comigo segura minha mão e a aperta.
Thalia senta na minha frente, dizendo ocasionalmente que está tudo bem. Que vai ficar tudo bem.
Nico e Luke continuam calados.
Luke segura a mão de Thalia.
Nico senta ao lado de Annabeth, passando um braço sobre sua cintura.
Ninguém se move.
Continuamos ali, sentados no chão do pátio, somente nos observando enquanto eu tentava decifrar o que estava acontecendo.
Annabeth aperta minha mão com força.
Thalia continua, cada vez mais frenética, repetindo á mim que tudo está bem. Que tudo vai ficar bem.
Liz me abraça com força, parecendo que vai chorar.
Nico aperta Annabeth com intenção de acalmá-la e dizendo-lhe que ela vai esmagar minha mão se continuar a apertá-la de tal modo.
Luke segura a mão de Thalia, vez ou outra acariciando os cabelos negros da mesma e deixando que ela aperte sua mão o quão forte quiser.
Uma policial aparece, pedindo que eu a acompanhe.
Levanto, lutando para soltar Liz de mim, que permanece bem agarrada.
Todos se levantam.
Annabeth beija minha bochecha apertando minha mão.
– Não se preocupe – sussurra ela para mim.
Liz me abraça com força, porém não consegue dizer nada já que se abrir a boca irá se desfazer em lágrimas.
Thalia abraça-me com uma força que sinto minhas costelas doerem
– Tudo vai ficar bem, Percy. Vai ficar tudo bem, moreno – sussurra ela no meu ouvido.
Concordando com a cabeça, afasto-me dela também.
Troco apertos de mão com Nico e Luke, ainda sem entender nada.
A policial aguarda pacientemente.
Ao ver que estou pronto para ir, ela segue na frente.
Nas costas de sua camisa está visível em letras brancas FBI.
– Qual seu nome? – pergunto, tentando distrair-me.
Estou nervoso. O que está acontecendo, afinal?
– Piper McLean – responde ela simplesmente.
Seguimos em silêncio até que chegamos em uma sala.
Ares, o supervisor do reformatório está ali.
Ele suspira ao me ver.
– Visita para você, Perseu Jackson.
Para mim? Quem poderia ser?
Ele abre espaço, revelando uma porta.
Abro-a hesitante.
Ao me deparar com quem está ali, congelo.
Não consigo me mover, estou chocado demais.
Observo, primeiramente, seu cabelo negro que está ficando grisalho devido a idade.
Observo depois seus traços. Iguais aos que eu me lembro.
Seu sorriso caloroso ao me ver.
Seus olhos esverdeados que brilham de empolgação, esperando uma reação de minha parte.
Não pode ser! Ela não está aqui! Isso só pode ser um sonho.
Isso tem que ser um sonho.
Mas, bem no fundo, eu sei que não é.
Que é real.
Sally Jackson está aqui.
Minha mãe veio me ver.
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