Prison of Love
49 Summertime Sadness
Notas iniciais
POV Autor
Maggie estava melhorando.
Reclamava de não sentir as pernas, e que queria andar. Ninguém tivera a coragem de lhe contar que ficaria paralítica.
Peter ficava no hospital com ela de tarde, mas de manhã e de noite tinha que trabalhar. Sempre que o via, Maggie sorria de um jeito incrível.
Seu pai, Ricardo, que era juiz também passava a maior parte do tempo com a filha, saindo somente quando lhe chamavam para uma emergência no trabalho.
– Oi meu amor – disse ele, entrando no quarto de sua garotinha.
– Oi pai – respondeu ela sorrindo e pegando a sopa que ele levava. Sentou-se com dificuldade, mas recusou a ajuda do pai.
Teimosa igual a irmã, pensou Ricardo, lembrando-se de sua outra filha Lana.
Maggie pegou uma colher e bebeu um pouco da sopa, fazendo uma careta engraçada e largando a colher no mesmo momento, fingindo que ia vomitar.
Ricardo ri, algo que não fazia a muito tempo. Maggie sorri, colocando o prato de sopa de lado.
– Não vou comer isso! – sentencia a morena parecendo uma criança.
– Maggie... Você precisa comer isso! Ajuda na sua recuperação – tenta argumentar o pai, mas ela faz uma careta e insiste:
– Não!
Ouvem uma batida na porta e Peter entra sorrindo.
– Maggie você não acredita no que eu trouxe... – se interrompe ao ver Ricardo ali, e esconde rapidamente uma sacola atrás de si.
Maggie ri e Ricardo olha sugestivamente de Peter para Maggie e vice versa.
– O que você trouxe? – incentiva Maggie, fazendo sinal para que Peter se aproxime.
Sorrindo, Peter vai até o lado dela e entrega-lhe um pacote, Maggie abre animada e tira de lá um sonho de creme.
– Por isso você não quer comer, não é mocinha? – exclama Ricardo fingindo-se de bravo, e Maggie ri revirando os olhos, e começa a comer.
Termina de comer e lambe os dedos lambuzados, Peter rindo dela e arrumando sua franja rebelde que cisma em cair em seus olhos.
O médico entra no quarto momentos após Peter recolher o lixo.
– Posso falar com a paciente, por favor? – pede ele e então Ricardo e Peter saem.
Sentam-se nas fileiras próximas ao quarto, cada um pensando em algo.
Ricardo, pensando em sua filha Lana. Apenas dezesseis anos tinha sua garotinha...
Ah, ela era tão diferente de Maggie em tantos aspectos.
Lana era compulsiva, não gostava se ajuda e sim de ajudar os outros... Egoísta e ciumenta também. Anti-social, quase nunca fazia amizades e quase sempre era grossa (mesmo não querendo ser).
Já Maggie era a doçura em pessoa. Tinha puxado mais o temperamento de sua mãe, estressada demais, mas uma boa pessoa. Comunicativa (até demais, Ricardo bem sabia disso pelas horas que passava ouvindo a filha falar ao telefone) e se socializava fácil.
Lana virou a típica... Adolescente rebelde, mesmo que Ricardo não saiba como isso tenha acontecido exatamente. Em questão de dias, ela se envolveu com drogas.
Logo, estava roubando pelo vício. Maggie virara agente, e Ricardo sabia que era questão de tempo até que sua filha mais velha tivesse que prender sua filha mais nova, mas a ideia o apavorava.
Fingiram que não acontecia nada por certo tempo, mas uma mentira daquele porte não ficaria por muito tempo assim.
Quando Ricardo descobriu que Lana estava matando pessoas pela droga... Foi a gota d’água. Ligou para Maggie, e suas filhas brigaram feio.
No outro dia Maggie ligou para a policia. Lana fora pega em flagrante, presa na hora.
Mesmo aos dezesseis foi ao julgamento, e recebeu uma pena de morte, pois ameaçava a sociedade (palavras do promotor, é claro).
Ricardo achava isso tão injusto. E se eles tivessem levado sua filha para o reformatório? Uma clínica de reabilitação? Ele pagaria! Ela teria melhorado, claro que sim! Lana era uma boa garota, e ele acreditava nela.
Mas ela não teve essa chance.
Ontem, quando lhe chamaram para julgar aqueles adolescentes... Ia culpa-los. Mas quando aquele garoto levantou, defendendo seus amigos e sua namorada, teve absoluta certeza de que tinha mudado, todos eles.
Eles amadureceram, e mereciam a chance que Lana não tivera... Então ele não teve coragem de condená-los.
Não depois de perceber que eles mereciam uma segunda chance, afinal, todos merecem não é mesmo?
Depois de uns minutos, Ricardo se dá conta que Peter está ao seu lado, rodando uma caixinha nas mãos. Ao olha-lo, já entende o que ele pretende fazer. Sorri de leve e o menino olha para ele, que não diz nada, somente confirma com a cabeça.
– Obrigada senhor – agradece Peter sorrindo.
– Não há de quê, rapaz. Ela fica feliz ao seu lado, é isso que eu quero para minha garota. Você vai ser um ótimo genro, eu aposto.
– Farei de tudo para isso – responde e novamente ficam em silêncio.
Quando o médico lhes permitem entrar, eles entram e encontram Maggie chorando.
– Por que não me contaram? – diz ela fungando.
– O que princesa? – pergunta seu pai.
– Que... Que eu nunca mais vou poder andar? Que eu vou ficar paralítica... Por que não me contaram? E por que não me contam o que me deixou assim? – exclama indignada, lágrimas caindo de seus olhos.
– Nós... íamos contar Mag – diz Peter se aproximando.
– Tudo ao seu tempo, princesa, um dia você vai saber a causa desse acidente, só achamos cedo para isso ainda – diz gentilmente Ricardo.
– Só queremos seu bem, amor – diz Peter e Maggie funga.
Parando ao lado dela, Peter limpa delicadamente suas lágrimas e a olha.
– Quero sentar – diz ela.
Peter e Ricardo tiram o ferro que fica ao lado da cama dela e a ajudam a sentar enquanto ela respira fundo.
– Maggie Learn – diz Peter, ajoelhando em frente a Maggie – Você... Você aceita se casar comigo?
Maggie fica em silêncio, absorvendo a ideia. Casar? Ter filhos? Com Peter? A ideia a agradava mais do que deveria.
Num impulso, Maggie saltou da cama usando os braços e Peter gritou ao segurar a garota segundos antes que ela atingisse o chão e cair sentado com ela em seu colo.
– Aceito – diz ela, colocando as mãos no rosto dele e o puxando para um beijo.
– Presumo que seja agora que eu saia – diz Ricardo rindo – Felicidades, casal.
Então saí da sala, e Peter pega Maggie no colo para coloca-la de volta na cama. Vai se sentar na poltrona, mas Maggie puxa-o pelo braço.
– Deita comigo?
– Claro – responde ele deitando ao seu lado, abraçando-a enquanto ela o beija carinhosamente.
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