Prison of Love
7 Someone Like You - Adele
Notas iniciais
POV Annabeth
Sai andando daquele lugar.
O lugar que o Jackson me levou era até bonito, mas eu não pretendo votar lá tão cedo.
Quem ele pensa que é? Ele acha que é só me levar em um lugar bonitinho e me beijar? Que vou cair aos pés dele? Ah, até parece que eu sou esse tipo de garota.
Vou para o refeitório e pego uma bandeja e um prato, junto com talheres.
Coloco no prato arroz, feijão preto, batata palha e hambúrguer de frango.
Sigo até a mesa de Thalia e sento. A morena a minha frente encara a comida, sem me olhar.
– Oi? Terra para Thalia – chamo. Ela continua encarando a comida – Lia? Thalia? Grace?
Nada. Tá ok, estou ficando preocupada.
– Branca de Neve? – chamo em uma última tentativa. Thalia finalmente me olha, ou melhor, ela me lança um olhar fulminante.
– Branca de Neve teu cu.
– Cade a educação Lia? – finjo-me de indignada.
– Na puta que pariu, Annabeth. Ficou na puta que pariu – responde ela irritada.
– Eita! O que que foi, morena? – pergunto cautelosamente.
– Ah, desculpa Annie. Estou estressada, minha mãe veio me visitar. Meu pai está no hospital. Sofreu um acidente de carro e está muito mal.
– Ah puxa. Tudo bem Lia.
– Enfim Annie, hoje uma galera vai se reunir no pátio. Vamos jogar um jogo que é assim: uma pessoa faz uma pergunta e todas da roda tem que responder. Quer ir?
– Não sei. Você vai?
– Sim.
– Eu vou então – respondo sorrindo. É, acho que vai ser divertido.
Terminamos de comer em silêncio, eu desconfio que ela está pensando no pai dela.
Vamos juntas para o quarto e ela vai para o banheiro. Olho meu guarda roupa e percebo que não tenho muitas roupas. Somente as que o reformatório deixou no meu aqui, que são calças jeans largas e blusas enormes.
Olho o guarda roupa da Thalia e percebo que ela tem muitas roupas. Obviamente, alguém do lado de fora trouxe para ela. Eu não tenho ninguém para me trazer roupas.
Será que se eu pegar algumas roupas dela emprestadas ela vai se importar? Não, acho que ela não vai ligar.
Pego uma calça jeans escura que tem umas correntes penduradas nos bolsos e uma blusa azul escura com uns desenhos de rosas vermelhas que tem algo escorrendo, dando impressão que as rosas são feitas de sangue.
Coloco minha sapatilha preta, eu estava com ela quando cheguei aqui.
Thalia sai do banheiro pronta, usando um short jeans curto com alguns spikes e uma blusa preta com uma frase em verde escuro. “Fuck You” é o que está escrito.
Ela me olha e começa a rir.
– O que foi? – indago, confusa. Ela ri mais ainda – Lia?
– Nada Annie. Só é estranho você estar usando minhas roupas.
Sinto minhas bochechas esquentando e tenho certeza que estou corando.
– Desculpe Lia, eu não tenho roupas.
– Tudo bem, Annabeth. Sério mesmo, elas ficaram ótimas em você. Mas bem, vamos? Acho que eles já estão lá – ela já está parada na porta, segurando-a aberta. Passo pela porta preta e Thalia vem logo atrás.
– Quem vai estar lá? – pergunto enquanto vamos andando em direção ao pátio.
– Acho que você ainda não os conhece. Nico Di Ângelo, Luke Castellan, Charles Beckendorf, Silena Beauregard e Luiza Connor. Perseu Jackson também iria, mas não sabemos onde ele se meteu.
– Hum – respondo simplesmente.
Chegamos no pátio e lá já tem um grupinho sentado em roda.
Eu conheço eles só por aparência e nomes.
Nico Di Ângelo tem a pele branca, mas muito branca. Me pergunto se ele nunca tomou sol na vida. Os cabelos pretos dele são compridos e caem por cima de seu olho esquerdo e tem um belo contraste com seus olhos igualmente pretos. Ele está usando uma calça jeans preta folgada e uma blusa preta com algumas listras brancas.
Luke Castellan não tem a pele branca, mas não chega a ser preta. Ele é moreno e tem os cabelos cor de areia que lembram meu pai. Seus olhos azuis tem um brilho divertido ao olhar para quem eu acho que é a Luiza, arrisco a dizer que ele gosta dela. Ele tem uma cicatriz estranha que começa na sua sobrancelha direita e acaba em seu queixo. Ele usa uma bermuda jeans e uma blusa branca com uns detalhes azuis.
Charles Beckendorf é bem moreno, e tem olhos castanhos escuros. Seu cabelo (igualmente castanho, só que claro) é cortado em estilo militar e tem um certo contraste com seus olhos porque o cabelo é castanho claro enquanto seus olhos são castanhos escuros. Ele usava uma calça jeans clara, mas que não chegava a ser branca e uma blusa vermelha.
Silena Beauregard é branca com cabelos castanhos escuros quase pretos. Tem olhos verdes azulados que vez ou outra parecem mudar para um tom de violeta. Tem feições delicadas, parece até mesmo uma boneca. Está usando uma calça jeans branca e uma blusa rosa clara com uns detalhes pretos e brancos.
Luiza Connor é moreninha. Tem olhos castanhos violetas, uma cor linda devo ressaltar. Ela tem um rosto angelical, e se eu encontrasse com ela andando na rua, eu nunca diria que ela já esteve em um reformatório. Ela está usando um short branco alaranjado e uma blusa marrom.
– Hey Lia – acena Luke. Thalia acena de volta, sentando-se e me puxando para sentar ao lado dela.
– Pessoal, essa é minha colega de quarto Annabeth Chase, apresentem-se para ela e mostrem a educação que eu dei para vocês – ela diz brincando e fazendo uma pose repreensiva para eles. Todos riem e Nico é o primeiro a se manifestar, já que está bem ao meu lado.
– Bom Annabeth, posso te chamar de Annie certo? – pergunta ele, assinto lentamente – Meu nome é Nico Di Ângelo, como você já deve saber – ele sorri e beija minha mão. Sorrio de volta. Thalia vira para o lado e finge que está vomitando e Nico bem maduro dá língua para ela.
– Sou Luke Castellan.
– Sou Charles Beckendorf, me chame de Beckendorf por favor – ok, só eu que achei ele estranho?
– Charles, assim você vai assustar a menina – censura Silena.
– É Beckendorf Silena, Beckendorf – responde ele, olhando para ela.
– Charles – repete ela encarando ele desafiadora, mas logo depois desvia o olhar e me olha – Não ligue para ele, Annabeth. Meu nome é Silena Beauregard, pode me chamar de Si ou até mesmo de Lena – ela sorri docilmente e puxa, ela é muito bonita. Tipo, bonita pra caralho.
– Sou Luiza Connor, pode me chamar de Liz.
– Tá ok, vamos começar o jogo? – pergunta Luke, sorrindo. Todos assentimos – Quem pergunta primeiro? – ninguém se manifesta – Posso começar então?
– Sim – respondemos juntos.
– Humm, ok. O que vocês fizeram para vir para o reformatório e porque? – pergunta ele e olha para a esquerda, onde está Nico.
– Bem, eu incendiei a minha antiga casa. Dentro dela da casa estava minha madrasta Perséfone, ela tinha batido na minha irmã mais velha, Bianca, com um cinto. Ela fez isso porque estava estressada. Eu dei um jeito de tirar meu pai e Bianca da casa e coloquei fogo nela, esperando matar Perséfone. Mas minha irmã entrou na casa sem que eu visse e Perséfone conseguiu sair. Eu entrei na casa em busca da Bianca, ela estava no quarto dela, gritando por ajuda. Ela segurava o gatinho dela no colo, ela me disse que ia buscar ele para passear. Um pedaço do teto em chamas caiu em cima dela, e eu até tentei tirá-la de lá, mas ela estava presa. Eu me queimei puxando a madeira que estava por cima dela, quando ela puxou meu rosto e disse para mim ir embora, que ela estava bem ou que ela ia ficar bem pelo menos. Ela implorou para que eu fosse embora, e eu como um covarde fui. Deixei ela lá, morrendo por minha culpa – Nico abaixa a cabeça enquanto todos o encaram chocados. Logo recuperamos a postura e Nico me olha.
– Bem, como vocês devem saber eu sou uma assassina de aluguel. Me tornei assassina depois que meu pai morreu, eu tinha quatorze anos. Ele me deixou um endereço, a casa de um amigo dele chamado Joshua. Ele era estranho, e logo eu descobri que ele também era um assassino. Ele me treinou para ser igual a ele, alegando que meu pai deixou o endereço dele porque queria que eu fizesse isso e eu, como uma garotinha de quatorze anos cegada pela dor da perda, acreditei nele. Um dia a “nossa” casa foi invadida e eu matei um cara pela primeira vez, ele ia acertar o Joshua. Ainda lembro do grito de agonia dele, e eu o reconheci. Ele estava por perto no acidente do meu pai, falando com o motorista do carro que atropelou ele. Eu me senti tão bem, senti que estava fazendo o que a justiça não fazia, desde então eu sou o que sou.
Todos me encaram, porém não parecem tão chocados. Olho para Thalia.
– Eu tinha um irmão. Se não me engano, Jason era o nome dele. Morávamos eu, minha mãe e ele. Meu pai tinha ido embora, mas mantínhamos contato com ele. Minha mãe não gostava muito de nós, eu que cuidava dele. Até que um dia estávamos passeando e fomos cercados, Jason estava no meu colo. Apesar de que ele era apenas um ano mais novo que eu, eu adorava pegar ele no colo. Ele era a única pessoa que conversava comigo, pois na escola me chamavam de anormal por causa de minhas roupas pretas e meu estilo. Eu tinha seis anos e Jason cinco na época. Eles queriam dinheiro e minha mãe recusou a entregar. Ela então me ofereceu. “Leve a garota mas me deixe ir. Por favor, moço” foi o que ela disse. Os caras aceitaram, eu era bonitinha na época. Jason ficou indignado e começou a se remexer no meu colo. Eu mandei ele se aquietar, porque tudo ia dar certo. Coloquei ele no chão e fiz minha mãe segurar a mão dele, e lhe disse que cuidasse dele. Ela assentiu e eu fui andando lentamente para o lado dos caras, mas Jason se soltou da nossa mãe e se jogou em cima de um dos caras, o que eu supus ser o líder deles. Ele levou um tiro, lembro-me até hoje do grito dele – nesse ponto da história, Thalia estava com lágrimas nos olhos e eu abracei ela de lado. Ela somente encostou a cabeça no meu ombro, enquanto continuava a história – Depois disso ele ficou imóvel e eu gritei. Ouvimos sirenes de polícia e os caras saíram correndo, mas o cara que atirou no meu irmão deixou a arma cair. Eu peguei a arma e apontei para minha mãe. Eu atirei nela, mas não matei. Apenas atirei nas pernas dela e ela hoje é paraplégica. Eu saí correndo dali, fui para a estação de ônibus. Eu estava com a bolsa dela, já que ela me fazia carregar. Tinha um pouco de dinheiro, então eu usei para uma passagem. Fiquei na casa do meu pai, ele me escondeu. Esse ano, eles me acharam e me trouxeram para cá – ela termina a história chorando, me abraçando mais apertado. Olhamos para a Silena, que está do lado da Thalia.
– Na verdade eu não tenho culpa. Minha mãe matou meu pai e colocou a culpa em mim e é lógico que acreditaram nela – diz ela simplesmente, dando de ombros. Olhamos para Beckendorf.
– Meu primo me fez consumir drogas, me amarrou na cadeira para isso, na verdade. Eu estava sobre efeito de drogas e então um cara chegou e bateu na minha mãe. Meu pai estava na cozinha e chegou com uma faca, mas ele não teve coragem de matar o cara. Eu fui lá e levantei ele pela gola da camisa, e depois enforquei ele. O cara estava quase morto, quando meu pai disse que se eu fizesse isso eu não seria mais seu filho. Eu soltei o cara e ele saiu correndo. O efeito da droga estava passando e eu pedi desculpas, meu pai aceitou. No outro dia policiais invadiram a casa me procurando, acusado de tentativa de homicídio culposo. E aqui estou – termina ele. Olhamos para Luiza.
– Atropelei um cara. Ele tinha estrupado minha mãe, ela estava até grávida – ao ouvir a palavra estrupado sinto meus olhos queimarem, porém não vou chorar – Ele mandou minha mãe se foder com a criança, porque ele não tinha nada a ver. Fiquei cega pelo ódio e atropelei o cara. Minha mãe me disse que eu fiz o certo, mas a justiça não achou isso. Estamos em um país que estrupar alguém e deixar a pessoa grávida é certo e atropelar as outras não. Na verdade, os dois estão errados. Mas por ser alguém que tinha dinheiro e podia subornar o delegado e o juiz, o cara se safou — olhamos para o Luke, o único que faltava e que tinha feito a pergunta.
– Bom, eu sempre fui a ovelha negra da família. Um dia eu estava passeando com a minha namorada, Amanda. Fomos encurralados em um beco por um psicopata, ele era nosso amigo da escola, mas sempre gostou da Amanda. Mas ela não gostava dele.Tobias se afastou, era esse o nome dele. Então, naquele dia eles me amarraram na em um poste e surraram a Amanda na minha frente. Depois, esfaquearam ela disse que me amava. Eu não amava ela, mas gostava dela. Tobias, com um ódio descomunal arrancou o coração dela e colocou ele nas minhas mãos amarradas. Eu ainda conseguia sentir ele pulsando e Tobias disse que se ela me amava, eu deveria ficar com o coração dela. Eu consegui me soltar e matei ele. Os garotos que ajudaram ele fugiram e me denunciaram. E cá estou eu – responde ele.
– Meus Deus, que desumano! – comenta Thalia.
– Gente, qual foi o pior mico de vocês? – pergunta Nico.
– Não tenho – responderam Luke, Thalia, Silena e Charles.
– Ah, qual é que vocês não tem nenhum mico! Nenhumzinho? – pergunta Nico. Eles negam com a cabeça.
– Quando eu tinha doze anos eu deixei cair suco na calça e na escola me zoaram dizendo que eu fiz xixi nas calças – diz Liz, rindo. Rimos também.
– Quando eu tinha treze, tiraram uma foto minha no banheiro trocando de roupa – diz Nico – E você Annabeth?
– Não lembro – confesso. Então percebo que eu não lembro da minha infância, da época entre meus dez e quatorze anos – Gente, não estou me sentindo bem. Vou deitar um pouco
– Ok, até depois então Annie – responde Nico e os outros acenam com a cabeça.
Chego no quarto e deito, tentando me lembrar daquela época, mas não consigo. Acabo adormecendo.
Estou assustada. Tenho doze anos, não me pergunte como, mas eu sei.
Olho para o homem ao meu lado, mas não o reconheço. Na verdade, não consigo ver o rosto dele. Ele me empurra por um corredor escuro.
– Não saia daqui – diz ele, sua voz gentil.
Sento-me e espero. Avisto uma caneta e um caderno.
Pego eles e começo a desenhar. Com a mão esquerda. Espera aí, desde quando eu sou canhota?
Reconheço que estou desenhando meu pai. Suspiro. Eu sei que ele não pode estar comigo, só não sei nem entendo o porquê.
Ouço um barulho e vejo que ele voltou. Só não sei quem é ele.
– Desenhando de novo, Annabeth?
Ele me puxa pelo pulso. Estou apavorada. De algum jeito, sei que ele não me quer desenhando.
– Desculpe querida.Você tem que ser destra.Isso é para o seu bem.
Dito isso, ele prende minha mão esquerda na mesa.
– Por favor não grite – eu sei que ele não está pedindo, e sim mandando. Mordo minha língua.
Ele pega um tijolo e esmaga um de meus dedos. Moro minha língua tão forte para não gritar que já consigo sentir o gosto de sangue.
Logo, todos os meus dedos da mão esquerda estão quebrados. Lágrimas acumuladas nos meus olhos, mas não vou permitir que elas caiam.Ele me olha e suspira.
– Desculpe – eu sei que ele não se sente arrependido do que fez – Espero que tenha aprendido a lição, florzinha.
Acordo assustada e resolvo ir tomar banho.
Isso foi uma lembrança. Sei que foi.
Mas que lugar era aquele? Quem era aquele cara?
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