Prison of Love

47 Lembranças - parte II


Notas iniciais
Oi... Eu sei que sou uma péssima autora, não precisam me falar ok? Perdão pela demora!! Desculpa mesmo gente... Eu sei que não fiz porra nenhuma, não postei, não respondi comentários, não respondi MP's... Meu netbook tinha pifado, agora por um milagre divino ele ligou e eu estou postando. Amo vocês, boa leitura Ah, capítulo dapa a diwa linda perfeita sdç da Shadowhunter pela recomendação D-I-V-A!

Sinto-me confortável de mãos dadas com John enquanto ele me conduz pela rua.

Carrego minha mala com certa satisfação ao fazer isso sozinha, sem a ajuda dele e sorrio, mais para mim mesma do que para ele.

Chegamos em uma rua deserta, não vejo ninguém passando por aqui e isso me assusta, pois parecem aqueles cenários de filmes de terror medonhos.

Eu não gosto de filmes de terror, nunca consegui dormir depois de assistir um.

Estremeço quando tio John para em frente a uma casa horrível e com o aspecto de abandonada. Ele não quer que eu entre aí, quer?

Engulo em seco quando ele solta minha mão e abre o portão, que range sombriamente.

– Vamos Annabeth – chama ele, sorrindo.

Faço que não com a cabeça, apavorada demais para falar ao ver a escuridão sinistra da casa, e o silêncio medonho.

Sinto um frio na barriga e olho para ele. Tio John parece impaciente.

– E se tiverem... Se tiverem fantasmas? – pergunto tremula, minha voz falhando.

– Os fantasmas só existem na sua cabeça, minha querida Annabeth – responde ele pacientemente, ainda que sua postura diga o contrário.

Os fantasmas só existem na minha cabeça. Só na minha cabeça. Não tenho por que ter medo, tio John esta comigo, ele vai me proteger como sempre disse que o faria.

Assim como ele me protegeu do meu pai.

Avanço, ainda meio que hesitante, puxando minha mala.

Entro pelo portão e chegamos na casa. Sinto um impulso de sair correndo, e quase o faço, mas tio John parece adivinhar meus pensamentos quando coloca a mão no meu ombro.

– Só na sua cabeça, meu bem – sussurra ele, empurrando-me delicadamente para dentro.

Entro tremendo, mas entro. A casa por dentro é bonita e enorme, e se eu me esforçar bastante, posso até pensar em defini-la como aconchegante.

Tenho doze anos. Não chamo mais John como tio, pois ele simplesmente não me trata mais como uma sobrinha.

Desde que eu cheguei, ele tem mudado muito comigo. Não fala sobre meu pai, e as duas vezes que eu tentei puxar assunto sobre Frederick, ele simplesmente calou-me com um tapa.

Parei de insistir, isso não me levaria a nada.

Ele tenta me ensinar a ser delicada, silenciosa e graciosa, mas eu não consigo, e sempre levo um castigo.

Seja esse passar a semana lavando toda a casa com uma escova de dentes, seja um combate corpo-a-corpo com John que eu sempre saio arrebentada ou até mesmo, quando ele esta de bom humor, não receber o jantar por três dias.

Não olho-o nos olhos nunca, pois segundo ele, isso é sinal de desrespeito.

– Vamos lá, Annabeth. Se esforce um pouco mais – ralha ele.

Estico-me o máximo que posso, ficando na ponta dos pés.

Meu desafio de hoje é até simples, comparado a outros. Tenho que pegar uma maçã, que seja meu jantar. A maçã está em uma prateleira alta, que normalmente eu alcançaria sem problemas.

Mas eu tenho que pegar a maçã sem sair do circulo que estou, que está a uns dois metros da prateleira.

Não é fácil. Me estico toda, e tento ser graciosa para me equilibrar em um pé só, usando toda a extensão do meu tronco e meu braço para tentar alcançar a maçã.

Estou quase conseguindo, quase lá...

E caio. Não sou graciosa, não sou delicada e muito menos silenciosa.

Caio com a graciosidade de uma jaca madura, me esparramando no chão com um baque mudo. Encosto a cabeça no chão sentindo-a latejar.

Não como a dois dias, e não comerei hoje, pois não consegui pegar a maçã. E ficarei sem comer até conseguir pegar a maldita maçã.

Levanto me sentindo fraca, quase sem força nos braços depois do esforço que fiz para pegar a maçã e sem ter nada no organismo para repor a energia gasta.

– Amanhã tentamos de novo – é a única coisa que John me diz, e então saí da sala.

Saio também, indo para o meu quarto improvisado. Desabo na cama, pensando na maçã, e pensando na fome que ameaça dilacerar meu estomago.

Tenho quatorze anos agora.

Consegui pegar a maçã, e a peguei diversas vezes depois da primeira.

Aprendi a ser silenciosa, aprendi a ser graciosa.

Porém todos temos falhas e cometemos erros, e em uma noite, novamente não consigo pegar a maçã.

Caio no chão, e sinto meus seios doerem, pois eles já estão crescidos e o impacto com o chão é forte sobre eles.

Mordo com força o lábio para evitar um gemido de dor e frustração, pois isso só iria piorar a situação.

– Amanhã tentamos de novo – diz John, e saí.

Reviro os olhos e saio atrás, depois de me levantar.

Deito na cama do meu quarto, e durmo.

Acordo de madrugada. Olho o relógio da minha parede, são três da manhã.

Sinto fome. Sei que só posso comer a noite, quando John me fará pegar a maçã de noite, mas não sei se posso aguentar até de noite.

Já passei mais dias sem comer, isso eu sei, mas agora... Se habituar a comer todo o dia e isso ser tirado de você é pior do que se habituar a dias sem comer.

Levanto, pensando que sou uma pena, e não faço barulho nenhum.

Apesar da madeira velha da casa que range quase sempre, já decorei onde pisar sem fazer barulho e sigo silenciosamente até a sala.

Chegando lá, vejo a maçã em cima da prateleira. Vou até ela e ergo o braço, pegando-a sem esforço nenhum.

Levo-a aos lábios e a mordo. Ela parece incrivelmente deliciosa, mais deliciosa do que o normal.

Talvez por que eu esteja fazendo algo errado, algo que nunca fiz antes. É excitante e apavorante a ideia de que John pode chegar a qualquer momento e me ver comendo a maçã.

Quase acabando a maçã, ouço passos. Escondo-me atrás do sofá, praguejando mentalmente.

– Sim – diz John, e olhando por uma brecha, vejo-o ao telefone – Quero. Você sabe que odeio os Chase, claro que quero Frederick morto. Se possível, Atena também.

Ele quer meu pai morto? E minha mãe, já não está morta?

Ele se vira e eu sei que é minha chance de sair daqui antes que ele me veja. Mas não consigo, pois a curiosidade sobre os meus pais é maior do que eu.

– Annabeth? Cuido dela depois – diz ele e eu me apavoro.

Por puro impulso, lanço-me de trás do sofá para onde ele está. Não esperando isso, surpreso, John caí no chão.

Bato nele até sentir minha mão doer, mas ele é mais forte e mais rápido que eu. Vira-nos com facilidade, e segurando minha cabeça, bate-a contra o chão uma vez.

Sinto dores que nunca senti antes serem enviadas por todo o meu crânio, fazendo com que eu queira desmaiar para não senti-la.

Bate-a outra vez contra o chão e eu arfo de dor.

– Não se preocupe, pequena Annabeth – diz ele sorrindo e eu estremeço, pois desde os nove anos ele nunca mais me chamou de pequena, e eu realmente me sinto pequena agora, mas não de um jeito bom – Você será a próxima, pois eu quero todos os Chase mortos.

Então bate pela última vez minha cabeça contra o chão, e o que eu queria se realiza, pois eu desmaio.

Acordo tonta. Meus olhos doem, as lembranças passam vivas pela minha cabeça.

Pisco excessivamente para me adaptar a luzes tão brancas. Hospital, estou em um hospital.

Aos poucos me lembro do que aconteceu. Meu pai surtando, me batendo com um martelo, uma mulher invadindo o quarto e atirando nele...

Percy gritando, Percy entrando no quarto...

Apenas alguns flashes, que me deixam confusa.

– Ela acordou! – exclamações de vozes conhecidas, mas minha cabeça dói demais para identificar de quem.

Percy aparece no meu campo de visão e eu quase sorrio, se não doesse tanto.

Logo as meninas também aparecem, e os meninos juntos.

Uma mulher atrás, e quando vejo seu rosto e olhos cinzentos, não tenho dúvida que a conheço.

Posso estar com a cabeça doendo, mas me lembro muito bem da pessoa que atirou no meu pai e me salvou.

Me lembro muito bem da minha mãe.

Notas finais
É, acabaram as lembranças da Annabeth gente... Qualquer dúvida perguntem aí ou mandem MP's ok? Prometo não demorar a postar, quero acabar a fic ainda essa semana. Bom, isso se vocês cooperarem com o número de reviews ok? Mais uma vez, obrigada Shadowhunter pela recomendação perfeita sz Amo vocês, até os comentários meus divos e divas