Prison of Love
38 Last Hope - Paramore
Notas iniciais
POV Annabeth
Suspiro e saio da sala. Vejo o professor trancar a porta e sair para o outro lado do corredor, provavelmente para a sala dos professores.
Viro-me para andar e quase grito ao dar de cara com Gabriel.
– Calma loirinha, se assustou? – pergunta ele, rindo levemente.
Reviro os olhos.
– Sim, me assustei – respondo.
– Quem diria que é tão fácil assustar a melhor assassina do estado. Não, melhor assassina do país, arrisco-me dizer.
– Não é para tanto, menino.
– Te garanto que sim – responde ele.
Em um momento ele agarra meu braço e puxa-me com força.
– O que diabos você...
Antes que eu conclua minha frase, ele tampa minha boca.
Coloca sobre meu nariz um pano e eu prendo a respiração.
Olha-me de um jeito que me deixa paralisada.
Não aguento e respiro.
– Shiii – sussurra ele – Prometo que não vou machucar você.
Então continua andando, levando-me consigo.
Não consigo me soltar, é quase como se eu não tivesse controle do meu corpo.
O pano... o que merda tinha naquilo?
Não sei, mas tudo começa á rodar.
A última coisa que vejo antes de apagar são os lábios de Gabriel mexendo-se, pronunciando “relaxe, querida”.
Mas eu não consigo ouvi-lo.
(...)
Abro lentamente os olhos.
Não consigo pensar direito e sinto que não tenho total controle sobre meu corpo.
Tento puxar minhas mãos, mas descubro que elas estão amarradas.
Desespero-me. Começo á tentar puxá-las desesperadamente, mas não consigo. Olho para minha frente e vejo Gabriel em pé.
Tento chutá-lo. Em vão, minhas pernas estão amarradas também.
– O que você...
– Fique quieta, Annabeth.
Grito. Uso todo o ar presente em meus pulmões para gritar, tentar chamar a atenção de alguém.
– Cale a boca! – branda uma voz feminina – Está me irritando.
Olho para o lado.
– O que vocês querem? – rosno, puxando á todo custo meus pulsos tentando livrar-me.
– Que você cale a boca é pedir demais? – pergunta Amanda ironicamente.
– Cale a boca você, Mandy. Que droga, eu disse que eu resolvia essa merda! – exclama Gabriel, voltando-se para Amanda.
Olho-os confusa.
– Quem são vocês?
– Você não nos conhece, mas conhecemos você, querida – diz Gabriel, agachando-se na minha frente. Põe a mão no meu joelho e aperta-o carinhosamente – Lembra-se de Joshua, não é?
– O cara que cuidou de mim quando meu pai morreu?
– Ele mesmo – diz Gabriel – Ele... Bem, eu e Amanda somos filhos dele.
– O que? – arquejo. Não sabia que Joshua, o cara que meu treinou para ser assassina tinha filhos.
– Isso não é tão importante – diz ele, fazendo pouco caso – O que importa é que... Você tem flashbacks Annabeth. Flashbacks do que aconteceu com você quando era pequena... Dos dez aos quatorze anos, mais ou menos.
– O que é isso? – pergunto aterrorizada.
Do que diabos ele está falando?
– Annabeth... Você não se lembra deste período da sua vida por que... Bem, você não esteve onde uma adolescente normal estaria.
– Eu não sou normal.
– Nunca foi – concorda ele – E por isso eu estou aqui. Você tem um trauma, Annabeth, e eu devo descobrir qual é.
– Por que?
– Preciso, querida. Preciso descobrir qual seu trauma para que você tenha acesso á suas memórias e... E entenda quem realmente quer te matar nesta história.
– O que?
– Confie em mim, Annabeth. Fomos treinados pelo mesmo homem.
Então ele segura minha cadeira e a levanta.
Não tenho tempo de pensar – não tenho tempo nem de respirar.
Ele vira a cadeira e me mergulha em um balde de água.
Começo á me debater tentando sair da água, em vão.
Depois de um tempo, quando estou quase me afogando, ele me tira da água.
Puxa meu cabelo para trás, tirando-o do meu rosto.
– E então?
– Me desamarre Gabriel – peço.
Ele me mergulha novamente.
Desta vez não me debato, nem tento sair.
Fecho os olhos e sinto a água gelada passar pelo meu rosto.
Uma tarde. Um menino. Uma piscina.
Uma brincadeira. Um erro.
Uma morte.
Volto para a realidade quando sou puxada da água.
– Me desamarra – digo novamente.
Não peço desta vez, eu mando.
E assim ele faz. Me desamarra e senta ao meu lado.
Amanda senta do outro. Tem em mãos uma arma e deixa o dedo sobre o gatilho.
– Quer conversar? – pergunta-me Gabriel.
Concordo lentamente com a cabeça.
Amanda me estende um pano e eu seco meu rosto com calma e delicadamente.
– Eu tinha um irmão – começo – Mais velho que eu.
– Prossiga – diz Gabriel.
Estou narrando o que aconteceu, mas estou longe.
Eu voltei para aquele dia. Aquele maldito dia.
Era uma tarde de sol. Eu tinha uns três anos, eu acho.
Atena estava com um biquíni vermelho, sentada em uma espreguiçadeira e tomava sol.
Frederick passava protetor solar em seus ombros.
Malcom, meu irmão mais velho, estava comigo na piscina.
Brincávamos como irmãos, um implicando com o outro.
Ele jogava água em meu rosto, eu revidava.
Eu estava na piscina rasa, ele pulava na piscina funda.
Sentindo-me corajosamente estúpida, eu pulei na piscina funda.
Lembro-me dos gritos da minha mãe e do desespero do meu pai.
Mas o pior para mim foi lembrar da expressão de preocupação de meu irmão.
E, no final das contas, quem pulou para me salvar foi ele.
Nadou á braçadas rápidas até onde eu me afogava e enlaçou minha cintura.
Mas eu me debatia muito, estava muito desesperada. Tentava á todo custo nadar, mas não percebia que isto estava atrapalhando ele de me salvar.
– O que aconteceu depois, Annabeth? – sussurra Amanda.
Na verdade, acho que é a primeira vez que a ouço usar um tom amável comigo.
Na maioria da vezes, Gabriel que cuida disso.
Olho para os dois. Acho que, na verdade, somos irmão de certa forma.
Fomos criados pela mesma pessoa. Treinados pela mesma pessoa. Amados pela mesma pessoa.
Olho para os dois.
Tenho vontade de inventar algo, contar-lhes uma mentira e ficar tudo bem. Mas não consigo.
Não com eles.
Eles me entendem e vieram me ajudar mesmo sem me conhecer.
E eles não merecem de mim nada menos do que a verdade.
Olho-os, mas não tenho coragem de falar olhando-os.
Desvio os olhos e fixo o olhar em algum ponto qualquer da parede.
– Eu matei meu irmão – confesso.
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