Prison of Love
10 Capítulo especial
Notas iniciais
Estava escuro ali.
Para que você tenha uma noção, naquele beco, onde se encontravam aqueles dois rapazes, você não conseguia localizar sua mão, mesmo que estivesse a poucos centímetros do seu rosto.
O mais velho suspirou.
– O que vamos fazer? Nós precisamos da loira.
– Mas não podemos simplesmente chegar e dizer: Ah, me desculpe. Foi tudo uma armação, loirinha querida! Esqueça isso e vamos viver felizes para sempre!
– Por Deus, você é muito pessimista!
–Na verdade, eu sou realista, Joshua.
– Temos que pensar que ela vai nos perdoar e que vai entender! Me responda, que adianta pensar que ela não irá compreender a situação que você passou....
– Me chame de sombra – disse o loiro.
– Porque sombra?
– Porque alguns podem me ver, mas não me reconhecem. Na realidade, eu não posso ser reconhecido Joshua, meu caro amigo.
– Certo. Sombra, então. Mas temos que pensar que ela vai te perdoar.
– Sinceramente? Eu espero que ela perdoe. Realmente espero, Joshua. Mas tudo que ela passou, eu não – a voz do mais novo falhou ao pensar na loira que ele tanto amava, mas que teve que abandonar.
– Ele deve estar chegando, sombra. Controle-se.
– Acho que não vou conseguir ficar em um mesmo lugar que ele, Joshua. Você sabe o que ele fez á ela?
– Sim, mas...
– Joshua, ele quebrou os dedos dela quando ela tinha somente doze anos! Ele mentiu para ela e fez ela esquecer de tudo, como se aquilo nunca tivesse existido! Se ela se lembrar.... Lembrar que eu deixei isso acontecer...
– Ela não vai lembrar! O meu cliente faz um bom trabalho, ou você está sugerindo que ele não trabalhe bem, meu velho amigo? – retruca Joshua, começando a ficar irritado com o loiro a sua frente. Mas não por muito tempo, eles são amigos a longa data e não será por uma simples insinuação, gerada pelo nervosismo e pelo medo, que irá desfazer isso.
– Desculpa Joshua. Estou somente pensando que ela nunca vai me perdoar.
–Ela vai, meu amigo – disse Joshua, agora compadecido com as dúvidas e incertezas do amigo. Ele estava sujeito a perder quem ele mais ama no mundo, por causa de uma mentira que precisou ser contada justamente para proteger á ela.
Passos foram ouvidos.
O mais novo, ou sombra, como preferir, ficou tenso de repente. Será que era ele que estava chegando?
Ao chegar a entrada da pequena rua sem saída, com aquela iluminação precoce, não era ele, não á quem estavam esperando.
Ali estava um garoto novo, no máximo Joshua estimaria que ele tem 20 anos. Estava arfante, indicando que teria corrido até ali.
Começou a adentrar na ruazinha devagar, parando vez ou outra para escorar as mãos nos joelhos e recobrar o folego perdido.
– Tem notícias? – perguntou o loiro, fitando o garoto que estava com o corpo dobrado para frente.
– Sim – respira – Tenho – respira – Ela foi... – respira.
– Ela foi o que? – pergunta Joshua, agora meio interessado. Aquela loira foi como uma filha para ele também, mas nunca diria isso ao seu amigo. Ele era bem, um, como dizer? Ah, sim, ele era bem ciumento em relação á ela.
O jovem respira fundo, agora já recuperado.
– Ela foi para o reformatório. Prenderam ela. Correm boatos que ela foi presa depois de negociar com uns caras, os policiais perseguiram ela e a prenderam.
Joshua suspira, agora desanimado.
– Obrigado meu rapaz, sua notícia foi de grande ajuda. Pode ir – dispensa-o.
– Sombra, o que vamos fazer agora? Com ela presa, as coisas se complicam bastante!
– Temos que achar algum menor de idade, dar um jeito de manda-lo para o reformatório e dizer para procura-la e mandar o recado. Depois, acharemos um jeito de tirá-los de lá.
– Isso vai ser difícil.
– Porque?
– Me diga, sinceramente. Se você tivesse, sei lá, dezesseis ou dezessete anos, você iria preso a pedido de dois velhos informar uma garota que tem que sair dali?
Joshua ficou quieto. Ele sabia muito bem a resposta.
Não.
– Então, Joshua – prosseguiu o loiro, ao constatar que seu amigo de infância nada falaria – Como vamos fazer? E se talvez, eu disse talvez, conseguirmos alguém? Se ela não acreditar na pessoa? Tanto eu quanto você sabemos que ela é bem teimosa. Não negue.
– Sim, eu sei. Vai ser difícil Fre.... Quer dizer, sombra. Esse apelido é estranho, cara.
– Eu sei. Falta de criatividade é fogo viu?
– Se eu achar algum apelido melhor, eu lhe aviso amigo.
– Certo. Agora, vamos ter que esperar ele chegar?
– Pelo visto, sim. A não ser, meu amigo, que você não queira conhecer o meu cliente.
– Primeiro: eu realmente não quero conhece-lo, Joshua. Mas infelizmente, sou obrigado. Segundo: ele é seu cliente de que?
Joshua suspira pesadamente.
– Meu cliente, é uma forma de dizer. Ele na verdade, já foi meu cliente, quando eu, bem, quando eu ainda matava policiais. Ele me pediu para matar o Carlos, já ouviu falar? – o loiro nega com a cabeça, mas ao se dar conta que o amigo não pode vê-lo devido á escuridão pronuncia um “Não” – Pois bem, eu também não o conhecia. Na época, ele me disse que foi ele quem prendeu seu pai e queria vingança e tal. Porém, eu não consegui mata-lo e foi quando eu dei fim a minha carreira. Eles invadiram minha casa, foi a primeira vez que nossa menininha matou um cara.
O loiro achava estranho que Joshua chama-se sua Annabeth de menininha dele, quando, na verdade, fora ele quem mais enganara ela. Também achava que Joshua não era mais o mesmo que ele conheceu, pois, antigamente Joshua era um bom homem e hoje ele falava com tanto orgulho de quando ensinou a pequena loira.
Ele também sente pesar em se lembrar que ela não é mais sua pequena loira. Agora ela já é quase adulta, tem dezesseis anos. Ele se lembrava como se fosse ontem de sua garotinha com sete anos correndo pela casa e gritando.
Ele suspira e balança a cabeça, para afastar essas lembranças.
Mais passos ecoam pela pequena rua e os dois homens já sabem de quem se trata.
O mesmo cara que sequestrara Annabeth aos dez anos e a manteve lá até os quatorze.
O mesmo cara que depois de tudo que com ela fizera, apagou a memória da garotinha.
O mesmo cara que fez o loiro mentir para ela. Que fez ela aprender a ter sangue frio para ser uma assassina.
O cara, que agora precisava dela, e que, tentaria a qualquer custo, tirá-la do reformatório, apesar de que o loiro tentaria impedir.
Por que ele tentaria impedir? Porque ele se preocupa com ela, e tem absoluta certeza de que ela está mais segura lá.
Muito mais segura do que estaria nas mãos daquele cara. Aquele cara, também conhecido por John Stark.
– Boa noite – pronunciou John, ao entrar na rua, em direção aos caras que já estavam ali a tempos, esperando-o – Perdoem-me a demora. Creio que já sabem porque eu estou aqui – então, ele se virou para o homem loiro – Prazer em conhece-lo, Fredderick Chase. Arrisco dizer que sua filha é uma ótima menina.
A escuridão da rua impediu que os homens notassem o sorriso sarcástico de John. Annabeth realmente não fora uma ótima menina, pois a todo custo tentava escapar de lá, onde ele a manteve presa.
– Não me chame de Fredderick, Stark. Não posso ser reconhecido.
– Como chamá-lo então? O que acha de... Hum... Lobo?
– É melhor que sombra – concordou Joshua.
Fredderick Chase suspirou, concordando em ser chamado de Lobo. Mas de uma coisa ele tinha certeza, mesmo dizendo que iria colaborar, na realidade, tentaria atrapalhar tudo.
– Bem — prosseguiu John — eu já tenho um espião vigiando sua filha. Acho que ele poderá tirá-la de lá sem problemas. Antes de perguntas, sim, ele já está no reformatório, o nome dele é...
– Não quero saber o nome dele — retrucou Lobo — Quero que acabe logo com isso — Seu idiota, completou em pensamento.
Tentaria proteger Annabeth á qualquer custo. Mesmo que isso lhe custasse a própria vida.
Ah, isso ele tinha certeza que faria.
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