Notas iniciais
Oi, oi, oi... Música: AC/DC Boa leitura

Percy POV

Hoje tenho uma negociação importante. Uma nova investidora quer conhecer algumas drogas barra pesada que eu tenho. Guardo algumas amostras nos meus bolsos e saio porta afora. Tranco a minha pequena casa e vou andando até o local que marquei com ela.

– Prazer, sou a Maggie. Você deve ser o Perseu não? – pergunta uma garota de cabelos castanhos sorrindo docemente.

– O próprio senhorita – respondo sorrindo. Estendo a mão para cumprimentá-la e ela a aperta.

Então sua blusa sem querer se abre um pouco, mas o suficiente para revelar um uniforme de policia.

Solto uma risada e ela me fuzila com o olhar, xingando tudo. Ela tenta agarrar meu braço, mas eu me solto. Sinto suas unhas passarem por meu braço, marcando-o.

Solto um grunhido de dor pelo arranhão, mas mesmo assim saio correndo e ela tenta me alcançar, sem sucesso.

Olho pelo ombro a tempo de ver ela pegando um rádio e ligando para, provavelmente reforços. Pulo um muro e subo o telhado de uma casa que se encontra ali perto, quero ver os policiais chegando. Abro minha mochila e tiro dela meu refrigerante Fruki.

Analiso meu braço. Não está tão feio, é só um arranhão que está vermelho e amanha provavelmente estará roxo.

Bebo um gole do Fruki.

Idiotas.

É o único adjetivo que consigo caracterizar os policias. Estou em frente ao posto de gasolina, olhando para os policiais correndo de uma lado para o outro, procurando-me.

O maior traficante da região. Que já deu uma surra em Bruno, o cara mais barra pesada da cidade. O rapaz cujo qual ninguém quer se meter. O nome mais procurado no departamento de policia. Esse sou eu, Percy Jackson.

Rio sozinho com minha própria descrição. Qualquer um que me olhe diz que sou um simples adolescente, que estuda na Sant Stone School, tendo o nome de Steve Landom. Sim, eu tenho uma identidade falsa.

Ninguém nunca viu meu verdadeiro rosto, pois em minhas negociações sempre utilizo lentes ou máscaras — disfarces.

Por isso a policia nunca me achou, mas fui burro o suficiente para esquecer de colocar lentes hoje, e na negociação estava uma detetive disfarçada, esta que descobriu meus olhos verdes e alguns traços de meu rosto.

Como eu posso ser tão idiota?

Agora lá estão eles, procurando desesperadamente por mim, enquanto estou sentado em um telhado, observando tudo.

Bebo mais um pouco do líquido em minha latinha. O refrigerante é de guaraná.

Suspiro olhando um grupo de adolescentes passando por ali. Eles estão despreocupados, rindo e fazendo palhaçadas. E pensar que eu era assim, antes de minha mãe se tornar o que é hoje.

Sally Jackson era a mãe perfeita, aquela que dá exemplo e te ensina a fazer as coisas direitas. Até que meu pai nos abandonou, quando eu tinha doze anos.

Sally (mulher esta que eu não me atrevo mais á chamar de mãe) ficou desesperada, não conseguia nos sustentar sozinha, e toda vez que olhava para mim chorava, pois dizia que eu era muito parecido com meu pai.

Ela começou a beber, toda noite ela chegava bêbada em casa e tentava me bater. Somente tentava, porque eu me escondia sempre no quartinho embutido no meu armário, cujo qual ela nunca lembrava de procurar.

Até que ela conheceu Paul Bolfis, um professor de história. Ela se apaixonou e ele fazia bem a ela. Isso me deixava feliz, claro, querendo ou não ela era minha mãe e eu gostava de vê-la feliz.

Ela já até tinha se esquecido de mim, se esquecido de seu filho problemático que se parecia muito com seu primeiro amor.

Agora ela estava grávida de Paul, todos felizes não é? Mas Paul não gostava de mim, e convenceu Sally que eu era má influencia para o bebê que iria nascer.

Sally e Paul precisavam de dinheiro. Sally estava desempregada e o salário de Paul era pouco. Então eles fizeram algo cujo qual nunca vou perdoar.

O ato que me fez desconsiderar Sally do posto de “mãe”.

Eles me venderam. Me venderam para o mercado negro, trafico de órgãos. Eu via as pessoas serem abertas vivas, enquanto gritavam por piedade.

Se eu chorava, apanhava. Se eu sequer fizesse uma expressão que denunciasse que eu estava com medo ou pena, eu apanhava. Decidiram um dia que venderiam meus órgãos e eu convenci eles que poderia ser útil.

Eu tinha apenas treze anos, quando abri uma pessoa pela primeira vez. Tive que ser forte e não parar quando a garota começou a gritar. Minha vitima era uma menina, devia ter minha idade.

Eles alegavam que órgãos “novos” vendiam mais, a garota tinha olhos castanhos desesperados e cabelos laranjas. E eu lembro de cada grito, cada lágrima e cada suplica dela. Lembro também do quanto eu queria parar, queria largar a faca e cuidar da garota e tirá-la daí.

Mas eu não pude fazer isso, e lembro-me também dos olhos castanhos dela sem vida me encarando, dos “meus companheiros” me parabenizando que eu tinha conseguido e o Chefão dizendo que talvez eu fosse útil. Quando completei quatorze, eles se mudaram, conseguiram uma “mercadoria melhor” na África, e para lá foram.

Dei meu jeito de ficar, e desde então vivo do trafico de drogas. Não quero mais abrir pessoas e arrancar seus órgãos. Mas desde aquela noite, eu nunca mais fui o mesmo. Aprendi a ser frio e calculista, colocando-me sempre em primeiro lugar.

Sem que eu percebesse, a latinha de refrigerante que eu estava bebendo escorrega dos meus dedos e cai no chão. O barulho ecoa pelo local, já que os policias estão em silencio.

Merda, eles me viram.

Pulo do telhado para o chão, adentrando em um beco escuro. Sem saída. Bufo e começo a escalar a parede. Pulo o muro que separa as ruas e suspiro de alivio. Eles não vão me pegar, certo? Adentro em uma lanchonete e peço licença para utilizar o banheiro.

A garçonete sorri e aponta para a esquerda, onde suponho ser o banheiro. Vou até lá e coloco lentes de contato azuis, são as que tenho na minha mochila. Acho nela também um spray de cabelos com a cor vermelha. Passo pelo meu cabelo, que antes preto, agora se encontrava ruivo. Com maquiagem (sim, eu tenho maquiagens para disfarçar meu rosto), faço uma cicatriz em minha testa e uso a maquiagem para fazer um olho roxo também, como se estivesse saindo de uma briga. Me olho no espelho, estou irreconhecível.

Saio do banheiro e vejo policiais no local, dentre eles está a garota que fingiu querer comprar drogas de mim. Desgraçada.

Ela tem longos cabelos castanhos e olhos da mesma cor. Seus olhos param em mim e ela sorri. Gelei. Sinto minhas mãos suando frio. Respira, inspira, respira, inspira. Ela não tem como me reconhecer, certo?

– O que aconteceu com seu olho? – pergunta ela gentilmente se aproximando. Recuo instintivamente – Calma, não vou te fazer mal – um sorriso brincalhão está em seus lábios rosados, enquanto ela levanta as mãos em sinal de rendição de brincadeira. – Meu nome é Maggie – ela se aproxima e eu não tenho para onde recuar, pois tem uma mesa bem atrás de mim – Mas acho que você já sabe disso, já que nem se disfarçar direito você consegue não é, Perseu Jakcson? – o jeito que ela falou meu nome fez com que eu me arrepiasse.

Tento sair, consigo afastá-la, empurrando-a para o lado e passo correndo. Soco o estomago de um policial e o olho de outro. Estou quase na saída, já consigo sentir a liberdade, quando algo me atinge.

Caio no chão, não aguentando o peso do meu próprio corpo olho para trás e vejo Maggie vindo em minha direção, ela em mãos uma arma. Sinto a bala em minhas costas, Maggie parece preocupada. Ela se agacha ao meu lado e encosta a mão onde está o ferimento. Reprimo um grito de dor. Ela suspira e aplica uma injeção em minha coluna.

– Queria que tivesse outro jeito – sussurra ela para si, mas eu acabo ouvindo. Como assim queria que fosse de outro jeito?

Um cara de terno preto chega, logo percebo que ele é o chefe de todos, pois todos param de conversar ou cochichar e olham para ele. Ele está caminhando em minha direção. Dois policiais me erguem e me sentam em uma cadeira. Não consigo sentir minha coluna. O homem a minha frente é gordo e baixinho. Esta com a barba por fazer, tinha cabelos pretos e olhos violetas.

– Sou Dionísio, me chame de Sr. D garoto. Peter não é? – pergunta ele. Trinco os dentes de raiva.

– É Perseu – corrijo, travando o maxilar. Ele me olha com indiferença.

– Que seja, tanto faz. – ele faz um sinal de indiferença com as mãos e depois olha para os policiais – Serio que nós passamos meses atrás disso? – ele pergunta descrente apontando para mim. Ninguém responde e ele suspira. – Mandem ele pro reformatório.

Dito isso ele saiu, deixando-me apreensivo. Como assim reformatório?

Notas finais
Espero que tenham gostado! Se não gostaram também, me digam no que posso melhorar ok? Beijinhos e até o próximo :33