Prision without Walls.

2 O Pesadelo Começou.


Ez queria poder dizer que o céu estava azul como ele imaginava, mas aos olhos dele o mundo é cinza, totalmente cinza. Ele perdeu a habilidade de ver as cores depois de explodir parte de sua casa na Grécia há quatro anos.

Vestiu o uniforme, sem mesmo saber qual cor era (ele achou melhor imaginar que era cinza mesmo), era uma simples calça jeans, camisa social. Colocou o tapa-olho sobre o olho direito (que por sua boa memória era preto) deixando apenas o grande olho azul amostra e foi em direção ao refeitório.

O Refeitório era um amplo espaço feito de metal e vidro dando uma bela vista uma grande parede de cimento, mesas redondas estavam espalhadas, crianças brincavam e conversavam como se não fossem jovens delinquentes.

A voz do orientador ecoou no grande salão de dois andares.

– Os alunos que cuidarão da limpeza do refeitório hoje são: Sarah Jones, Ethan Night, Selene, Jess Bei Zeimeister, Ez La Devou, Mia O’conner, July e Halt O’Carrick. Muito obrigado e um bom café da manhã.”

Quase não foi possível ouvir o gemido dos oito adolescentes com tantas pessoas comemorando o fato de que não iriam limpar o refeitório.

Os escolhidos para a limpeza se levantaram bufando e saíram do refeitório, logo os murmúrios começaram:

–Já ouvi dizer que o Lorde Cinzento destruiu toda a casa aonde ele morava! — murmurou uma garota. — E depois ele deu uma surra no irmão!

–Sim, sim! Eu ouvi dizer que a Musicista Negra acabou com o clube de boxe inteiro da antiga escola em menos de cinco minutos! — disse outra.

–Soube que o Senhor das Trevas assassinou uma pessoa! Por isso está aqui!

–Serio? O Arqueiro cresceu sozinho na floresta! Quando trouxeram ele pra cá ele pensava que estava em uma época medieval.

–A casula… Dizem que ela já foi pra um hospício!

***De noite***

Os sete adolescentes estavam no refeitório, sentados em mesas diferentes sem se olhavam, agiam como se estivessem sozinhos. Estavam esperando uma das garotas… A tal da Jess;

Sarah tinha uma altura mediana, cabelos pretos e lisos que batiam pouco a baixo do meio das costas, olhos azuis com um brilho profundo e selvagem como um lobo, pele nem branca nem bronzeada. Vestia o uniforme do reformatório, uma camisa social, calça jeans e tênis. Estava escutando musica com headphones e balançava a cabeça conforme o ritmo da musica que ouvia. Ela estava sentada em uma das mesas mais afastadas, escrevia alguma coisa em um caderno.

Ethan tinha altura mediana; olhos cinzas, olhar profundo, cabelo preto nos lados e em cima era prateado, pele clara. com uma meia lua prata tatuada na testa, lia um grande livro sobre magia e cultura africana. Estava desinteressado pelas coisas ao seu redor.

Selene tinha altura mediana, pele muito clara, cabelo escuro, corpo normal, vestia o uniforme, camisa social, calça e coturnos. Tinha um grande sorriso no rosto e estava escrevendo em uma agenda.

Mia tinha cabelo até o ombro acizentados com uma mexa preta na franja, pele clara, magra, unhas pintadas com esmalte preto, camisa social branca, calça, e coturnos. Ela tinha uma cara seria e mexia em uma miniatura de um carro.

Cassandra tinha cabelos ruivos até a cintura, era baixinha — talvez por ter apenas 13 anos- , olhos verde perolados e como os outros usava o uniforme. Ela tinha um pequeno sorriso nos lábios enquanto olhava um relógio de bolso antigo.

Halt tinha cabelos castanho-escuro desgrenhados e olhos negros. Ele estava serio e mexia em, no que parecia ser, uma ponta de uma flecha.

Em pouco tempo uma garota de cabelos roxos que ondulavam até a cintura com as pontas loiras, tinha olhos dourados e um sorriso divertido no rosto, e vestia o uniforme, entrou correndo no refeitório, recebeu olhares frios de Sarah, Ethan e Halt.

– Então, como vieram parar aqui? — perguntou a garota que acabara de entrar no refeitório, sorrindo.

– Não importa — Sarah, Halt e Ethan responderam ao mesmo tempo.

A tensão no ar era tão grande que podia ser cortada com uma faca de cozinha. Mia soltou um risinho baixo como se já soubesse que uma briga aconteceria entre os três.

–Por que estão me imitando? — falaram os três juntos de novo. Sarah fechou seu caderno de capa de couro, colocou os headphones sobre a mesa e se levantou andando até perto dos dois garotos. Halt guardou o pequeno objeto e se levantou. Ethan fez a mesma coisa.

– Cale a boca, sua pirralha — berrou o garoto de cabelos pretos e prateados.

– Repita isso e eu te faço comer por um canudinho! — Sarah disse dando passos pesados.

–Como vocês ousam me repetir? — falou o outro garoto. Os outros dois olharam pra ele mortalmente.

–Ousando… Pare de me imitar! Quer apanhar? — Sarah agarrou a gola da camisa de Ethan, pronta pra soca-lo, e o garoto fez a mesma coisa

– Gente, parem — Cassandra disse baixinho, sua voz mal pode ser ouvida.

– Você tá brincando? Faz tempo que eu não vejo a cor do sangue na cara de alguém, literalmente — Disse Ez sorrindo.

–Fique falando desse jeito comigo e eu quebro suas pernas como dois palitos de dente! — falou Ethan. Sarah lhe mandou um sorriso irônico

–Serio? Eu posso enfiar o seu nariz pra dentro do seu crânio!

Ethan serrou um punho, ainda segurando Sarah acertou um soco em sua cabeça. A garota caiu no chão rindo.

–Isso é o mais forte que consegue? — falou Sarah passando uma rasteira no garoto, que não esperava tal ato.

Sarah levantou-se a atirou uma das cadeiras do refeitório no garoto ainda caído. Infelizmente ela errou — na verdade, Ethan foi inteligente o bastante para sair do caminho — , acertando as pernas de Halt.

Ez vibrou de ansiedade, Cassandra tapou os olhos, Jess e Selene estavam muito perplexas para fazerem algo.

Halt pegou um garfo que estava sobre a mesa e o atirou em Sarah, o garfo ficou cravado alguns centímetros sob a clavícula direita, a garota soltou um grunhido de dor.

– Seu filho da mãe, vou te torturar lenta e dolorosamente! Você vai implorar para alguém te matar! — falou arrancando o garfo do ombro e jogando no chão, uma mancha vermelha apareceu na camisa branca da garota. Ela pegou uma faca de uma bandeja qualquer e a empunhou, apontando para Halt.

Uma mulher asiática de meia idade entrou na sala, Sheng, a monitora. Temida por muitos, por ser “osso duro de roer”.

– O que está acontecendo aqui? — perguntou ela.

– A gente tá fazendo pastel de frango! — Selene falou baixinho. Mia soltou uma risadinha.

– Para a diretoria! Agora! — disse ela — Antes que eu meta um pastel de frango na sua cara, sua abusada.

–A gente tem que limpar o refeitório! — falou Sarah tentando esconder a mancha de sangue em seu ombro e pegando suas coisas.

– Mas eu nem estava brigando — Disse Cassandra.

–Nem eu! Mas como a gente deixou eles brigarem… A gente se ferrou! — falou Jess sorrindo de forma brincalhona.

– Tudo culpa desse cara do tapa-olho que não deixou a gente separar — Disse Selene emburrada.

– Afinal, por que você usa um tapa-olho? — Perguntou Mia.

–Por que ele deve ser cego de um olho! — falou Sarah ironicamente — Ou um dos olhos dele é de vidro, e como o olho fica torto ele usa o tapa-olho!

– Se eu tivesse um olho de vidro eu quebraria ele e faria você comer os cacos — berrou Ez.

–Que medo! Eu recebi uma garfada no ombro! Suas palavras não me assustam! Idiota! — falou a morena andando até Ez.

Sarah arrancou o tapa-olho de Ez, deixando a mostra um olho negro como a noite. Ez entrou em pânico e tapou o olho com a mão. Os únicos que conseguiram ver foram Sarah, Ethan e Cassandra.

–Que bonito Ez! Você tem um olho de cada cor! — falou a ruiva sorrindo.

–Ei pirralha! Isso se chama heterocromia ok? — falou Sarah se afastando, com o tapa-olho.

– Ei, devolva isso, por favor? — Perguntou Ez — Não gosto que os outros percebam que eu sou imperfeito.

–Serio? Você acha isso imperfeição? Ah, ta né cada um, cada um… — falou Sarah dando de ombros e jogando o tapa-olho pro garoto.

– Não te devo satisfações — Disse Ez colocando o tapa-olho novamente.

–Não vão começar os dois né? — falou Selene.

–Ei! Vamos logo! — disse Sheng com irritação. Eles saíram do refeitório e se puseram a caminhar para a diretoria.

–Seu ombro está bem, Sarah? — perguntou Cassandra.

–Te interessa?

–Quero saber! — insistiu a pequena.

–Aff… Já passei por coisas piores!

–QUIETOS! — gritou Sheng, fazendo todos bufarem e virarem a cara.

Chegando na detenção eles se sentaram, bem longe um dos outros.

– Pensei que a gente ia pra diretoria! — falou Selene.

–A detenção é um bom lugar pra vocês! Ficaram aqui por três horas! — falou Sheng fechando a porta e a trancando.

–Dai ela esquece que a gente tá aqui! — disse Jess.

–Eu arrebentaria a porta! — Ez falou deitado a cabeça sobre a mesa.- Ei, o que é isso? — Disse Ez pegando o caderno de Sarah. — Ai meu Deus! Você escreve poesia! Pega essa: A Rosa é Cinza, a violeta também, espero que você queime no fogo do inferno, meu bem.

– Ez! Eu vou arrancar a sua cabeça, colocá-la no lugar só pra arrancar novamente! — Berrou Sarah correndo atrás de Ez que ria sem parar.

–Olha, olha tem outra! Opa! Essa é uma frase romântica… Não… É uma frase depressiva! “Eu continuo passeando sem rumo sobre esse desfocado mundo.”

– Sim! Eu escrevo poesia! — Berrou Sarah tirando o caderno da mão de Ez. — E me orgulho disso, do mesmo modo que você devia se orgulhar do seu olho! Mas duvido que você tiraria esse tapa-olho idiota.

Ez levou a mão até a parte de traz da cabeça desfazendo o frágil laço que prendia o tapa-olho deixando-o cair no chão.