Princesa de Mármore

1 • Capítulo I | Sacrifício •


A noite já reinava em Darkness quando a lua de sangue apareceu, todas as famílias reais e convidados de outros reinos estavam presentes para comemorar o ano novo e também o nascimento da Princesa Maria Catherine. Todos os olhares bajuladores estavam voltados para a pequena princesinha nos braços da Rainha Eileen, uma mulher muito corajosa que decidiu criar a filha e reinar sem um rei ao seu lado. Ninguém sabia quem realmente era o pai da futura herdeira do trono mas Eileen deixou bem claro que Maria tinha apenas mãe e todos não ousaram confrontar a rainha que se mostrou uma governante forte e confiante.

— Oh, ela sorriu para mim — Esyeni DarkBloom pegou na mãozinha da sobrinha sorrindo.

Eileen revirou os olhos divertidamente rindo da irmã gêmea.

— Ela está sonhado Esy, acho melhor ir para os meus aposentos, estou cansada.

— Tudo bem, se quiser aviso a todos que vai se retirar — Esyeni olhou para a irmã soltando a mãozinha da sobrinha.

— Não precisa, eu mesma avisarei. Licença irmã — Eileen se despediu de Esyeni e saiu andando observando os convidados com suas roupas extravagantes, joias brilhantes, cada um com a cor representada pelo brasão de seu reino.

Eileen andou até a parte mais distante do jardim onde seus pais, Melissa e Aaron conversavam com a família real de elfos. Enquanto se aproximava ela observou o quanto era bom ver sua mãe sorrir átoa sem nenhuma preocupação a rondando.

— Você está se divertindo mãe — Eileen sorriu parando ao lado de Melissa.

— Oh querida, as vezes é bom deixar os problemas de lado — Melissa sorriu colocando a mão no braço do marido, Aaron.

— E a pequenina não está dando trabalho pelo que vejo — A rainha elfa Leda Greenleaf se aproximou de Eileen tocando de leve a bochecha de Maria Catherine.

— Ela é um anjinho — Eileen sorriu encarando a filha. — E cadê a Laureen?

— Laureen está brincando com as outra crianças — O rei elfo Archie Greenleaf respondeu enquanto levava a taça até seus lábios.

— Aquela menina não consegue ficar parada por um segundo se quer — Leda suspirou dando um leve sorriso.

Eileen sorriu desviando seu olhar para Aaron que mantinha o olhar focado nos convidados.

— Vou para os meus aposentos, estou cansada.

— Mas já Eileen? Deixe Maria com a ama e vá se divertir querida — Melissa olhou para a filha.

— Não, eu peço que me perdoem mas eu realmente preciso descansar. — Eileen olhou para o casal de elfos.

— Tudo bem majestade, feliz ano novo — Archie falou meneando a cabeça.

— Feliz ano novo — Eileen sorriu.

— Feliz ano novo minha princesinha — Melissa falou passando a mão pelos cabelos castanhos claros da neta.

Eileen sorriu com o ato da mãe e logo ergueu o olhar até seu pai, Aaron a encarou de volta e apenas meneou a cabeça. A rainha mordeu o lábio discretamente o olhando de cima a baixo e se virou logo adentrando o castelo que estava um pouco vazio já que a maioria dos convidados estavam no jardim admirando a lua de sangue do ano novo. Eileen adentrou seu quarto e colocou Maria em seu berço, a pequena ronronou baixinho se aconchegando em seu berço.

Um longo suspiro escapou dos lábios de Eileen enquanto ela andava até a mesa para pegar a taça de sangue que sua criada havia deixado, a rainha saboreou o gosto do sangue e fechou os olhos sentindo seu corpo relaxar por completo. Após beber o liquido da taça Eileen se aprontou para dormir mas quando se deitou na cama ela não conseguiu pregar os olhos como se algo a impedisse.

Quando finalmente estava se deixando levar pelo sono que chegava aos poucos a porta do quarto foi bruscamente aberta fazendo a rainha dar um pulo da cama meio desnorteada enquanto olhava com os olhos semicerrados para Aaron parado ao lado da porta.

— Você esta maluco? — Eileen falou entredentes se aproximando dele, Aaron fechou a porta.

— Pensei que estivesse dormindo.

— Eu estava até você aparecer feito um louco em meu quarto, pai.

Aaron sorriu de lado olhando o decote da camisola de Eileen.

— Não me chame assim quando estamos a sós, como você sabe, eu não sou seu pai.

— Não — Eileen sorriu perversa e se jogou nos braços de Aaron o beijando.

O beijo dele estava frio, sua mente parecia distante Eileen sentiu um aperto no coração e logo se afastou o encarando com os olhos arregalados. Aaron a encarou de volta com a expressão indescritível, a rainha abaixou o olhar para as mãos dele vendo a seringa de verbena que ele havia injetado em seu coração.

— O qu... Não... — Ela falou pausadamente empurrando Aaron para longe.

— Me desculpe Eileen, mas eu não posso arriscar que descubram que Maria Catherine é minha filha — Aaron soltou a seringa e caminhou até o berço da menina sendo impedido por Eileen que o jogou contra a parede usando magia.

— Não ouse tocar um dedo na minha filha Aaron, estou avisando — Eileen gemeu com a mão apoiada na parede, estava sentindo sua força se esgotar mas não iria deixar nada acontecer com seu bebê.

— Eu sinto muito — Aaron se levantou usando sua velocidade de vampiro e começou a enforcar Eileen que se debatia contra ele.

A rainha já estava perdendo o ar quando usou a pouca força que tinha para jogar Aaron do outro lado do quarto, Eileen correu até a filha e começou a recitar um feitiço. Seu nariz começou a sangrar, o medo de que algo acontecesse com a menina fez ela usar todas suas forças para abrir um portal para outra dimensão, com cuidado ela pegou Maria no colo que logo começou a chorar fazendo biquinho.

— Eu vou morrer para que você viva por mim — Eileen sussurrou com a voz fraca — Viva por mim pequena.

Aaron abriu os olhos levando a mão a cabeça e olhou no rumo de Eileen vendo o portal já aberto, os olhares dos dois se encontraram e Eileen colocou rapidamente a menina dentro do portal.

— NÃÃO — Aaron gritou indo até elas em velocidade de vampiro mas o portal já havia se fechado.

Eileen caiu em seus braços já não aguentando mais ficar em pé, Aaron se sentou no chão com ela apoiada em seu colo sem conter as lágrimas enquanto passava a mão pelos cabelos dela que o encarava com aqueles belos par de olhos verdes.

— Não morra, por favor, você não.

A rainha segurou na mão dele enquanto tremia e aos poucos seus olhos perderam o brilho, perderam a vida. Eileen DarkBloom estava morta e Aaron era o culpado, estava condenado a viver eternamente com a culpa da morte de sua amada.

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Nova Orleans 08/12/2000

Max entrelaçou sua mão com a de Kate que sorriu o encarando, os olhares apaixonados dos dois se encontraram e Max abaixou o olhar soltando um suspiro, Kate prensou os lábios colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.

— Max, você precisa esquecer isso, eu quero esquecer então me ajude — Kate falou se virando para o marido.

— Eu sei, me desculpe eu estou tentando me livrar da culpa pelo que eu fiz co...

— Está tudo bem, vamos superar isso juntos, eu já te perdoei — Kate sorriu colocando as mãos no rosto de Max — Estamos casados a quatro anos, ainda somos jovens e...

— Eu sei meu amor, eu sei — Max sorriu fraco e beijou kate de uma forma tão doce para que ela sentisse todo o amor que ele sentia por ela.

O inverno rigoroso de dezembro era uma das épocas preferidas de Kate, então Max decidiu passar uns dias na casa de campo com ela sem o resto da família por perto. Uma luz branca surgiu em meio a floresta coberta por neve fazendo kate e Max se afastar, a ventania aumentou fazendo o casal tremer de frio.

— O que foi isso? — Kate perguntou olhando no rumo da floresta onde a luz branca já havia sumido.

— Não faço ideia, fique aqui, vou ver oque está acontecendo.

— Ta bom, tome cuidado — Kate cruzou os braços e observou o marido adentrar a floresta logo sumindo do seu campo de visão, a ventania já estava mais fraca e a mulher olhava impaciente para a floresta.

— Max — Kate gritou se aproximando da floresta já que o marido estava demorando, ela engoliu em seco — Max.

Kate olhou para os lados quando ouviu um choro e logo Max surgiu com um bebê no colo, a mulher arregalou os olhos enquanto Max estava atônito olhando para a menina em seus braços.

— Oh meu Deus — Kate se aproximou do marido e pegou a menina nos braços — Shh... Não chora bebê.

Max a encarou sem reação.

— Quem foi o desalmado que abandonou esse lindo bebê sozinho na floresta? — Kate falou indignada e olhou para Max que ainda a encarava — Max? Procure pelas redondezas quem a abandonou não deve estar muito longe.

Ao ouvir a voz dela Max pareceu acordar para a vida e assentiu entrando na floresta novamente. Kate balançou a menina que aos poucos parava de chorar.

— Está tudo bem, eu vou cuidar de você — Kate andou até a casa e logo adentrou indo com a menina para perto da lareira — Pronto, aqui está quentinho.

Kate sorriu e observou que na manta branca que aquecia a menina estava escrito um nome, o nome dela, Maria Catherine. Kate desviou o olhar quando sentiu a mãozinha da menina tocar seu rosto, seu coração deu um pulo, ela sentiu algo que nunca havia sentido em toda sua vida. Mas naquele momento ela soube que havia criado um laço com aquela menina. Para sempre.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.