Primeiros Passos De Quinn
1 Superar
Quinn arrastava a cadeira de rodas com dificuldade pelo imenso corredor, esperando e desejando logo chegar na sala da longa e tediosa aula de história.As pessoas a olhavam com piedade, outras soltavam risadinhas.Ela não gostava disso,mas tinha que suportar. Não era feito os tempos das Cheerios, em que todos abriam caminho, os meninos ficavam de queixo caído, e as meninas se mordendo de inveja.Depois da gravidez, tudo mudou.Estava em distantes pensamentos sobre Beth quando notou que já estava dentro da sala e que Mr Schue a carregava para perto da mesa.Ele era um bom homem, e ficava com o coração partido de ver Quinn naquele estado.Pobre garota..
A aula começou.O professor começou a passar um imenso sermão sobre a segunda guerra mundial.A garota, atenta, copiava tudo. Era uma excelente aluna, apesar dos imensos problemas que havia tido nos últimos três anos.Mas se mantinha forte,foi aceita em Yale,ia se formar e não seria uma perdedora.O fim da aula chegou, era a última ,dali ela iria para o glee club. O professor se aproximou e falou:
-Se importa que eu a leve? — Segurando a cadeira de Quinn
-Não precisa não.-Quinn retrucou. Como se não se importasse, apenas não precisasse. Ela já voltava ao corredor. Continuou se arrastando com pensamentos distantes. No caminho, encontrou Rachel e Finn , que caminhavam para a sala do glee se beijando como se não houvesse amanhã. Rachel parou imediatamente e falou:
-Quinn, deixe comigo.- E segurou na cadeira de rodas, levando Quinn para a sala. Finn permaneceu ao lado. Quinn revirou os olhos e fez cara de quem não gostava da situação.E Finn sabia que ela não gostava daquilo, namorou um bom tempo com ela , e sabia como ela não gostava muito de ajuda. Mas Rachel fingiu que não notava, ultimamente tratava a Quinn como uma criança, pois se sentia muito culpada por ela está naquele estado. Logo chegaram a sala do coral, se acomodaram, Quinn colocou a cadeira ao lado da de Artie, e sorriu pela primeira vez naquele dia. Will entrou na sala animado e logo deu as boas vindas a Quinn.Ela sorriu e disse que gostaria de fazer um número. Ele permitiu.Ela começou a cantar skyscraper. Logo existiam lágrimas nos olhos de todos.
-Não chorem-Quinn implorou.-Não é permanente, com muita fisioterapia e oração estarei dançando nas nacionals. Não se preocupem, eu quero muito ganhar, e farei tudo para conseguir. Eu amo vocês. Todos bateram palmas e logo pularam para dar um abraço na garota. Menos Rachel, que permaneceu parada com lágrimas nos olhos. Quinn abriu os braços e sussurrou
-Venha Rachel.-Rachel logo abraçava Quinn bruscamente. Se sentia mal. Quinn agora falava em direção aos outros amigos
- Não foi culpa da Rachel,nem do Finn. Dirigir mandando sms foi uma coisa estúpida. Burrice minha. E abriu um sorriso para Rachel, que o retribuiu.
Algumas semanas se passaram,ninguém mais lembrava do estado de Quinn. Apenas ela. Que se arrastava querendo se acostumar. Ultimamente havia ficado muito próxima de Artie, e algo muito forte sobre ele tomava conta dela. Seria amor? Ela não ligava, “Yale” Eram as únicas quatro letras que a interessavam agora. Também tinha ficado muito próxima de Joe. O novato . Ele era doce como mel com ela,e parecia não sentir tanta pena. Mas dava muita força, ia as fisioterapias, a ajudava a se locomover na escola, e o pior é que Quinn deixava, e gostava. Só faltava essa, dividida entre dois garotos.Quinn estava esperançosa quanto as nacionals. Passava horas orando por sua reabilitação. Um dia voltou para casa,almoçou, normal. Tomou banho com a ajuda da mãe,os remédios, e se deitou na cama. Quando, a cozinheira bateu a porta do seu quarto.
-Quinn, tem alguém querendo te ver.
Quinn acenou com a cabeça. Esperava Joe com alguns livros , ou Finn trazendo algum recado da Rachel. Mas quem entrou, ela não esperava. Era seu pai. Quinn desabou.
-O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? – gritava , como se algum criminoso tivesse entrado no quarto.
-Calma,Quinney,
-Calma? Como pede para ficar calma com um idiota feito você na minha casa ? Sai!
-QUINN , CALA A BOCA, ESSA CASA TAMBÉM É MINHA E VOCÊ VAI ME OUVIR, POR BEM OU POR MAL.
Quinn se calou. Lembrava agora de quando era criança. Quando seu pai gritava com ela. Seja lá pela besteira que tinha feito.O pai sentou no lado da cama. E beijou sua cabeça.
-Eu fui egoísta com você Quinn. Com sua mãe também. Eu não poderia ter feito nada daquilo,que horror. Te colocar para fora de casa.Deixar o mundo cuidar de você. Deixar minha menininha morrer de fome ou frio,só porque ela cometeu um erro. Quinn, por favor, me perdoe.
- Eu não poderia deixar de te perdoar papai, já que perdoei a mamãe. Mas eu quero que saiba, que sofri o máximo naquele ano. E que não quero sofrer mais. Por isso, perdôo o senhor, mas não quero mais você próximo de mim.
-Sim,entendo, só estou aqui porque soube do acidente, e que você ia para Yale.
Em Lima as notícias corriam rápido.
-Eu sabia que você seria alguém-continuou.-Sairia dessa cidade. E eu espero que fique boa logo.Ah!E a criança?
-Não quero falar sobre isso.
- Ok.foi bom ver você Quinney. Vou trabalhar agora. Virei novamente antes de você ir para a faculdade. –E deu outro beijo na bochecha de Quinn
Ela acenou a cabeça , fazendo cara de quem não gostava daquilo. Sem olhar para trás, o homem foi embora.
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