Notas iniciais
Para você irmã, desculpa pela pegadinha kkkk. Espero que goste da fanfic, amo você demais

Kyo Sohma: Desde quando ouvir meu nome se tornou algo tão especial? Apenas quando você o chamava? Se for para ver você sorrir... Eu faria de tudo ao meu alcance. Desde quando comecei a pensar em idiotices como essa? Desde quando? Quando comecei a te amar assim? Desse jeito que não tem mais volta?
— Fruits Basket

Marinette Dupain-Cheng sabia que o destino era cheio de ironias. Afinal, de todas as garotas da França, como é que justo ela, o verdadeiro desastre em pessoa, acabou se tornando a portadora do miraculous da boa-sorte e criação? Para começar, literalmente não havia uma semana sem que a azulada não estivesse repleta de curativos, como um lembrete de seu jeito desastrado, e por vezes um pouco lerdo. Sério, a garota tinha certeza que era a campeã do seleto grupo de pessoas que conseguia tropeçar no absolutamente nada. Quase parecia que a gravidade tinha um carinho especial por ela.

Isso sem falar nos desastres na padaria, como da vez em que ela conseguiu derrubar uma bandeja inteira de macarons selecionados para uma encomenda de casamento. A única coisa que a salvou da morte certa era que seus pais, que estavam mais familiarizados com a falta de jeito da garota, haviam preparados doces extras, e todos ficaram felizes e satisfeitos no final. Tinha também alguns incidentes sob sua forma de alter-ego, como daquelas inúmeras ocasiões em que, por puro deslize, quase comprometera a sua identidade secreta. E é claro, havia a parte mais vergonhosa de todas: os seus fracassos no mundo do amor.

A azulada estava cansada de viver naquele looping infinito de sofrimento atrás de sofrimento. Quer dizer, qual era a chance de tantas tentativas de confissão darem tão drasticamente errado? O cartão do dia dos namorados. O cachecol azul no aniversário de 14 anos do garoto. E, o memorável, inesquecível da visita ao museu de cera que, sendo franca, ainda a fazia ter pesadelos com o momento em que quase beijou Adrien fingindo ser uma estátua. É, o destino definitivamente tinha um excelente senso de humor. Lady-lucky, certo.

Só que, por mais que Marinette tivesse plena ciência de sua dose diária de azar, ela ainda conseguia se surpreender. Porque, de todos os 365 dias do ano, ela escolheu finalmente ser direta e aberta sobre seus sentimentos por Adrien na pior data de todas, de longe. Primeiro de abril. April fool. O dia da mentira.

— O que? – foi tudo que o loiro conseguiu pronunciar quando uma Marinette extremamente vermelha e nervosa parecia... parecia.... ter acabado de confessar seus sentimentos por ele?

Sua querida e fofa joaninha de todos os dias gostava dele? Gostava de forma romântica? Não, Adrien devia ter ouvido errado. Talvez, a falta de cafeína e de sono o estivessem fazendo alucinar momentaneamente. Porque parte dele acusava que aquilo era bom demais para ser verdade. Quer dizer, por trás daquela máscara estúpida de Agreste-perfeição, ele sabia que não passava de uma espécie de gato vira-lata, inseguro, problemático e extremamente solitário, ainda mais no que se referia à essas questões do amor.

Adrien já havia sido rejeitado por Ladybug tantas e tantas vezes, mais do que o garoto poderia contar. E agora aquela garota, igualmente linda, inteligente e incrível estava dizendo que tinha sentimentos por ele? Que queria ser mais do que uma amiga? Oh, será que era por isso que a azulada parecia estar sempre nervosa e agitada na frente dele? Há quanto tempo Marinette estava se sentindo assim? Há quanto tempo Adrien estava sentado na frente da primeira garota que se apaixonara verdadeiramente por ele, sem nem mesmo saber?

Quanto? Quanto? E mais importante de tudo: o que ele deveria fazer a respeito dessa situação? A última coisa que Adrien queria era iludir, de alguma forma, sua querida amiga. Afinal, ele ainda tinha sentimentos extremamente forte por sua Lady, e não imaginava conseguir enterrar tudo aquilo do dia para a noite. Por outro lado, o modelo também não queria ferir os sentimentos de Marinette. O mero pensamento de poder deixa-la triste ou magoada, fazia com que seu coração doesse.

Será então que o garoto realmente deveria rejeitá-la? Será que ele deveria dizer “sim” para o pedido de sair com ela para tomar um sorvete? Não importava, porque Adrien nem mesmo teve tempo de elaborar uma resposta antes que uma de suas colegas, Lila Rossi, se aproximasse dos dois e começasse a dar uma grande gargalhada:

— O que está acontecendo? – perguntou Marinette, parecendo estar tão confusa quanto Adrien.

— Eu não sabia que você gostava de piadas Dupain-Cheng, mas essa foi ótima – a italiana falou, com um sorriso – Feliz primeiro de abril, pessoal!

— Primeiro de abril? – falaram Mari e Adrien ao mesmo tempo.

É óbvio, o menino Agreste pensou, é primeiro de abril. A declaração toda de Marinette não devia passar de uma piada. Ainda assim, ele se permitiu ser ingênuo por um momento. Era de sua própria natureza, o loiro gostava de mergulhar em seu mundo perfeitinho e ilusório de vez em quando. Não satisfeito com o comentário da colega, Adrien resolveu partir pra humilhação, e insistiu:

— Então é isso, Mari? – Adrien perguntou com o tom de voz mais neutro possível, aquele que só dedicava aos seus trabalhos de moda – Foi tudo uma piada?

— Ee-ee-er – a garota gaguejou, parecendo ter perdido subitamente a habilidade de falar, até que apenas três palavras escaparam de sua língua – Primeiro de abril?

Aquilo foi mais do que suficiente para tirar Adrien de sua bolha imaginária. Rapidamente, ele murmurou uma desculpa e caminhou para sala, quase não percebendo que, atrás dele, Alya e Nino estavam batendo as mãos na testa e xingando Marinette de vários nomes diferentes. Certo, talvez aquilo fosse uma atitude um pouco estranha, só que o loiro não estava com cabeça para aquilo. O modelo apenas queria fugir dali.

A manhã no Françoise-Dupont pareceu absolutamente interminável, e nem mesmo a aula de física avançada, a sua matéria favorita, conseguiu animá-lo. Sua cabeça parecia um disco, que rodava sem parar a falsa declaração da amiga: “A-Adrien e-eue, er... eu te amo! Desculpe, eu sei que parece repentino, ma-mas eu realmente gosto de você. Muito. Gosto desde o dia em que você me conheceu e me pediu desculpas pelo incidente do chiclete. Eu te amo... e... não porque você é rico, ou famoso. Mas, porque vo-você é a pessoa mais gentil e pura que eu já conheci. E-eu eu sei que você me vê apenas como uma amiga, e não estou esperando que você me dê algo em troca. Só que.... se você quiser tentar..., o que acha da gente tomar um sorvete depois da aula?”.

— Que cara é essa, loirinho? – perguntou o kwami ao seu lado, já na cama do quarto do loiro – Até parece que comeu camembert estragado.

— É a Marinette – ele disse, num suspiro – Eu não consigo tirar ela da cabeça. O que isso Plagg? O que eu estou sentindo? Por que o fato dela ter brincado com uma declaração de amor está me machucando tanto? Eu nunca me sentir assim... é... é quase como se eu estivesse queimando por dentro, incendiando, pouco a pouco. O que é isso? Eu estou doente? Devo procurar um médico?

— Alguns milênios de experiência me dizem que não há cura para o que você está sentido: amor – Plagg falou, enquanto comia um pedaço de seu precioso queijo.

Amor? Isso era amor? Desde... desde quando ouvir ela dizendo seu nome se tornou algo tão especial? O simples pensamento de Marinette o chamando já o fazia sorrir. Desde quando isso estava acontecendo? Tão lentamente que ele nem chegou a perceber? Foi quando eles foram para o cinema juntos, ver o filme da sua mãe? Quando jogaram vídeo game juntos? Quando Marinette adormeceu serenamente no ombro dele, naquela viagem escolar de trem? Ou bem antes de tudo isso, estaria ele se apaixonando gradualmente por ela desde a primeira vez? Desde aquele dia tempestuoso?

— Eu... eu acho que gosto dela.

O garoto admitiu, finalmente, surpreso com a própria constatação. Mas, onde se encontrava a paixão dele por sua Lady? Marinette valia mesmo à pena para que Adrien desistisse, para sempre, de seus sentimentos pela bela e corajosa heroína? Aquele pensamento sombrio desapareceu tão rápido quanto chegou. Era óbvio que Ladybug sempre teria um lugar no seu coração, eles eram parceiros! Contudo, por mais que doesse admitir, ele sabia que um relacionamento com a dama de vermelho era quase impossível.

Enquanto Hawk Moth estivesse na ativa, eles jamais poderiam revelar as suas identidades. Jamais poderiam falar de suas vidas civis, ter encontros reais, ou mesmo conhecerem os amigos e famílias um do outro. Como um namoro desses daria certo? Como? Por outro lado, havia uma garota real e incrível, que de alguma forma parecia ter visto algo além de rótulos nele. Isso é, até que fosse revelado que nada passava de uma brincadeira de mal gosto de primeiro de abril.

— Por que você não pergunta pra azuladinha de novo? – Plagg falou, como se estivesse lendo os pensamentos do seu portador – Talvez ela estivesse nervosa ou confusa.

— Eu não sei se é uma boa ideia Plagg – ele falou com um suspiro – Marinette nunca parece ficar muito à vontade perto de Adrien. A menos....

— A menos? – o kwami repetiu.

— A menos que eu a procure como Chat Noir. Plagg, mostrar as garras. — Adrien proferiu com confiança.

— Ei espere, eu não acho que....

Mas, o kwami não foi capaz de completar a frase antes que sua fusão com o garoto fosse completada. Em menos de um minuto, lá estava Chat Noir, cumprimentando os civis sob o fim daquela tarde de primavera. Isto é, até que ele atingiu um telhado familiar, onde havia uma azulada com uma aparência extremamente perturbada. Ela havia chorado? Não, aquilo não parecia combinar com a garota. Marinette não devia chorar. Nunca.

— Está tudo bem, Princesa? – o gatuno disse, com uma voz de galante.

— Cha-cha-chat Noir?! – ela exclamou, surpresa, quase tropeçando para trás.

— Desculpa, eu não queria te assustar –o loiro murmurou, a ajudando a voltar ao equilíbrio.

— Tudo bem, a culpa não é sua. Eu sou o azar em pessoa – a azulada suspirou em frustração.

— Isso é uma competição? Por que eu aposto que eu ganho – ele desafiou – Qual o problema, Princesa? Você pode falar, somos dois azarados no amor esqueceu?

— Hm – Marinette falou, após um grande suspiro – Eu sou uma grande idiota, Chat. Eu passei, literalmente, o ano inteiro correndo atrás de um garoto da minha sala. Sem nunca conseguir ser honesta sobre os meus sentimentos. Até... até que meu encéfalo estúpido decidiu funcionar, justo no pior dia de todos – ela soltou um pequeno gemido de sofrimento – Agora, ele pensa que foi tudo uma piada. Adrien pensa que eu não gosto realmente dele, Chat. O que eu faço?

— Então, não foi uma piada? – o felino perguntou, com uma voz cautelosa. Com medo de ser iludido de novo por suas esperanças – Você gosta mesmo do menino Agreste?

— Foi literalmente o que eu acabei de dizer, Chat – falou a azulada, revirando as sobrancelhas em irritação.

— Por que você não tenta de novo? Amanhã? – ele sugeriu, removendo com sua garra uma mecha azul que estava caindo nos olhos da garota.

— Eu não sei se consigo fazer isso, e-eu eu sempre fico tão nervosa e me embaralho toda quando falo com ele – Mari desabafou, parecendo prestes a cair no choro – Eu nem sei porque eu ainda tento. Talvez, eu devesse desistir e...

— Não! – exclamou o loiro, mais alto do que pretendia – Quero dizer... não, não faça isso. Apenas tente mais uma vez Mari. As coisas vão melhorar amanhã, eu prometo.

— Como pode ter tanta certeza? – a garota perguntou, desconfiada.

— Digamos que esse felino tem instintos muito bons – Chat Noir falou, com um sorriso – Agora vamos esquecer esse assunto. Que tal vermos um filme? Para você se distrair?

Lentamente, Marinette concordou com a cabeça, conduzindo o felino para dentro. Até que a ideia não era tão ruim assim. Nada do mundo poderia apagar as suas estúpidas ações mais cedo, e um filme realmente seria um bom distrator. Afinal, além disso a companhia de Chat não era ruim, bem longe disso, ele era divertido e... um tanto charmoso. No íntimo, a azulada lamentava não poder ter o luxo de compartilhar esses pequenos momentos com ele, em seu alter-ego. Malditas identidades estúpidas!

Em algum momento do filme, ela deve ter adormecido, pois quando se deu conta, Marinette estava já na sua cama, com todas as luzes do quarto apagadas. Chat Noir, a menina pensou, ao receber uma notificação de seu celular. Era uma nova mensagem, de ninguém mais, ninguém menos que Adrien Agreste.

“Dois de abril parece ser um dia tão bom quanto o dia primeiro. Que tal tomarmos um sorvete depois da aula?”. Ai, por que aqueles sonhos sempre tinham de ser com o modelo? Por que o seu coração não lhe dava uma folga sequer? Sem mais forças para lutar contra o cansaço, a azulada fechou os olhos, torcendo para que, por algum milagre, a mensagem ainda estivesse lá quando ela voltasse a abri-los na manhã seguinte.

Notas finais
Feliz Primeiro de Abril a todos!

Como vocês estão hoje? Já enganaram alguém também?

Espero que tenham gostado essa one, comentários sempre são bem-vindos

Bjs e até mais
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!