Notas iniciais
Primeiramente...desculpem a demora pra postar esta atualização. Tem toda aquela coisa de inspiração indo embora, paixão indo embora, mas elas estão voltando aos poucos e espero que a espera tenha valido um pouco a pena. Imensos agradecimentos a todos que comentam e o que favoritam sem comentar. Espero que se divirtam lendo a minha fic. Stay with the show

Quanto tempo havia se passado? Um dia, uma semana, um mês, um ano? Cana não sabia dizer. Ela realmente perdeu a noção do tempo. Levantou-se rapidamente e estendeu a mão no lado da cama, que por sinal não sabia como tinha chegado ali e lá estava ele. Laxus Dreyar, dormindo como um anjo.

Só de colocar a palavra anjo e Laxus na mesma frase, Cana corou violentamente. Não, este homem não é um anjo. É um demônio, um deus, eu não sei dizer.

Estava admirada de como ficaram juntos naquela noite, como ela simplesmente tinha se deixado levar e gostado disso, mas tinha um vazio que insistia em chamar a morena pra realidade. Eles não eram nada um do outro além de colegas de trabalho. E isso deixava Cana em um estado de nervos deplorável.

Mesmo com todas aquelas frases que ele disse que queria conhece-la, que queria admirá-la, tinha algo que a incomodava profundamente, uma cisma, uns detalhes, uma insegurança que insistia em chegar nos piores momentos.

Eles não dormiram abraçados, então foi fácil para a mulher se virar e ficar admirando seu amante. Sim, amante pode, lover em inglês, certo? Se bem que amante denota amor...e não tem amor nisso. Tem paixão, luxúria, sim muita luxúria, mas amor não. Tem posse também. A frase que eu mais ouvi foi que eu era dele. Mas amor ? Ah não. E por que pensar nisso agora? Por que não aproveitar o momento? É o mais óbvio a se fazer. Eu podia sair correndo. Definitivamente eu poderia sair correndo agora e ele nem perceber, não é? Está dormindo tão profundamente...vou me levantar.

Cana levantou-se, mas colocou a camiseta de Laxus, como um lembrete que ela teria que voltar pelo menos pra devolver isso. Abriu a porta silenciosamente e saiu na ponta dos pés. Nem sabia como chegou ali e a porta era estranhamente velha, entalhada com trovões.

Foi caminhando e sentindo a dor da atividade anterior e reparou em suas coxas, repletas de marcas arroxeadas. Adoração ao deus egípcio. Ele nem sabe quem era Ísis e beijou esse gato como se fosse a última coisa que faria na vida. Incrível como que pareceu mesmo uma espécie de adoração.

Conforme foi caminhando, os sussurros de Laxus retumbavam em sua mente. Minha adorada, minha deusa. Eu estou completamente alucinado por você.

Aquilo não parecia ser possível e alucinações nunca eram coisas boas. E continuou a caminhar. O cabelo estava incomodando e quando foi prendê-lo, lembrou-se de como Laxus o puxava e a conduzia ao seu bel-prazer, como ele cheirava o cabelo dela, como emaranhava os dedos nas madeixas encaracoladas e emoldurava o rosto dela entre as mãos.

Os olhos dele, era do que ela queria se lembrar. Laxus não a deixava encará-lo de forma alguma, mesmo quando ela tentava se manter no eixo, ele a desviava, seja com um leve puxão ou com um movimento mais vigoroso. Ela não o conheceria assim, os olhos eram o limite, limite que ela conseguiu ultrapassar com muito esforço e contorcionismo.

Mas por quê?

E continuou explorando a casa. O corredor era muito engraçado, tinham palhaços por toda a parte, parecia até mesmo uma loja de brinquedos e enquanto estava fascinada pelos objetos coloridos, não prestou atenção quando Bacchus apareceu atrás dela.

“Que susto Bacchus, o que está fazendo aqui?”

“Hey Nee, tá acabada, hein?”

“Não sou a única. Será que tem comida neste lugar?”

“Acho que sim. Tem sim, Kagura vive aqui.”

“Uai, mas ela disse que isso era um lugar de jogos.”

“Faz parte do ato fodástico dela, mas ela mora aqui.”

“Quer dizer que você conversou com ela?”

“E eu não conversaria por que? Ela é ótima, muito divertida e sexy, mas tem uma doçura que é assustadora.”

“Doçura assustadora? Como é isso?” Cana perguntou com interesse.

“Oras, ela tem um jeito de quem pode dominar o mundo com apenas uma mão e está dormindo como uma criança doce. Como se ela fosse a mulher mais meiga do mundo e não aquele furacão.

“ E o que é real? O sono ou o que a gente vê?”

“Tô percebendo que alguém ficou embasbacada e confusa.” Bacchus riu.

“E você não? Vai me dizer que você não ficou no mínimo mexido com tudo isso.”

“Eu estou impressionado, chocado, arrebatado e me atrevo a dizer apaixonado. Queria muito beber neste momento. Beber e não acordar tão cedo, mas uma hora ou outra teremos que lidar com isso, você não acha? E você sabe o que está sentindo? Se ao menos está sentindo alguma coisa?”

“Claro que eu estou. Como pode perguntar isso? Eu estou confusa sim, isso é tudo muito além do que eu esperava. Meu corpo tá tremendo todo. Eu não sei como lidar.com tudo o que eu senti. E eu queria saber se ele sentiu o mesmo.”

“Pra que saber se ele sentiu o mesmo ou não? O importante não é você sentir? Você passar por isso? Você saber o que sente? Pra que saber dele?”

“Eu quero ser correspondida, merda. Não quero ficar a vida toda pulando de galho em galho e ser esquecida e morrer sozinha.” Cana explodiu em lágrimas.

“São coisas diferentes. Ele se apaixonar por você depois do sexo e querer ficar com você pra sempre. Você não devia querer isso. Sabe bem melhor do que eu, não é?”

“É. Um dia de cada vez, não é?”

“E presta bem atenção. Se não for dessa vez, você não estará sozinha. Você tem a mim, tem seus novos amigos. Sai dessa Nee. Divirta-se com o garotão, leve. Deixa as coisas serem leves.”

“Mas Bacchus, você sabe o tanto de coisa que eu aprontei...e eu não sei se ele vai...”

“Opa, opa, opa. Mas o que é isso? O medo é esse? Medo do seu passado? Que fez você ser quem é hoje? Que fez você valorizar as coisas, que fez seu pai se aproximar? Escuta, ele não é ninguém pra te julgar. Ele por um acaso deu a entender que te julga? Porque se for isso, ele vai se arrepender de ter nascido.”

“Conversamos pouco. Mais sobre sentimentos, não sobre fatos, sobre sensações. Não falei que eu sou uma pessoa que doou o fígado pra você. Eu não contei nada.”

“E ele contou? O que você sabe? Por que está achando que ele é tudo isso? Já pensou que ele pode ser um merda hipertrofiado e nada além disso? Já pensou que ele pode ser tão inseguro quanto você? Que ele é tão inseguro quanto você?”

“Mas eu..eu..”

“Nee, ele me espancou pelo simples fato de eu ser seu ex, correu atrás de você por essa cidade toda, ficou sentido quando você beijou a Kagura. Ele sabe que o jogo não está ganho. Sabe que não vai ganhar, sabe que ele tem que se esforçar. E na boa, esse cara não é perfeito não. Deve ter passado também. Deve ter bagagem. Nee, relaxa e vamos comer.”

Cana sorriu e foi pra cozinha com o seu amigo.

Nesse meio tempo, Laxus acordou e foi abraçar sua morena, quando percebeu que ela não estava por ali. Começou a imaginar se tudo era um sonho e ficou furioso. Procurou a camiseta que vestia e não a encontrava em lugar algum, então, supondo que Cana a vestiu, ficou menos agoniado.

Dirigiu-se ao banheiro para uma suposta higiene e se olhou no espelho. Não se sentia o mesmo homem. Tinha os lábios inchados de tanto beijar e alguns arranhões pelo tórax, braços e costas. Suas mãos ainda conseguiam sentir aquela pele e reparou que tinha uns fios de cabelo grudados nele, cabelo de Cana grudado em sua pele.

Olhou para os lados, como se tivesse se escondendo de alguém e cheirou suas mãos profundamente. O aroma dela estava ali. Aquele cheiro de canela com algo que ele não sabia definir. Sabia que a canela era do shampoo e que ela usava um creme de morango, ao menos o cheiro parecia morango. Ou era algodão? E que cheiro tinha algodão? Não importava. Cana tinha um aroma único que funcionava como uma marca. Ela tinha marcado Laxus pra todo o sempre. Era assim que ele se sentia. E ela não estava ali.

Virou-se para conferir novamente e começou a se orgulhar dos arranhões. Cada um deles funcionava como confirmação que tinha agradado aquele corpo, mas ela não era só um corpo escultural e ele tinha descoberto algo mais , ele queria mais. Precisava de mais e não sabia como conseguir.

Atrevia-se a imaginar que tinha se apaixonado na primeira vez que a viu. Na primeira vez que viu aquele vestido preto e aqueles cabelos emoldurando aquele rosto. Lembrou-se de como queria tocar aquela madeixas, como parecia que tudo se resumia a colocar a mão naqueles cabelos. Interessante que quando a viu pela segunda vez esqueceu completamente daquela necessidade de tocar os cabelos dela.

Saiu do banheiro sem se lavar, pra manter o cheiro dela encravado em sua pele e saiu para observar o quarto. Engraçado como eles tinham chegado ali. Estavam tão absortos um no outro que mal ouviu quando ela pediu para eles irem para uma cama porque ela queria ficar confortável. Achou engraçado ela destacar conforto.

Tudo pedia pra outra coisa, mas conforto...conforto é fofo, familiar. Conforto é a meta. Alguém pra se sentir confortável. Por mais que não tenha nenhum cunho sexual, ouví-la falar em conforto foi a coisa mais sexy que viu na vida.

Sentou-se na cama e começou a rir descontroladamente e não sabia do que estava rindo. Se ria de alegria, felicidade, medo, desespero. Não sabia...sabia que queria ver Cana, falar com ela e ficar confortável ao seu redor e ficou muito animado quando ouviu a porta abrir, mas deu de cara com uma Kagura muito vermelha que vestia uma camiseta preta que ele conhecia bem. Uma roupa que tinha emprestado para Bacchus naquele dia.

“E aí Kagura, se divertiu?”

“Não foi divertido. Foi esquisito.” A morena respondeu lentamente.

“Como assim, o bebum não deu conta do recado não?”

“Foi diferente Laxus” — Kagura foi em direção a cama e sentou-se ao lado do loiro. “Nunca me senti assim, estou desconcertada. Falar que ele deu conta do recado é menosprezar a melhor experiência sexual que eu tive em minha vida. Nunca foi assim, nem com você, que sempre era satisfação garantida. Estou confusa, desconcertada.”

Laxus não pode deixar de se orgulhar, mas se sentia igual. Era como se Cana o tivesse arruinado pra outra mulher. Ridículo, simplesmente ridículo. Mas não seria tão ruim se ele tivesse feito o mesmo com ela, não?

“Acho que temos que encontrar os dois, não é?”

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.