Primeiro Dia De Trabalho.
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Passados cinco dias, as coisas meio que voltaram aos eixos. Gildarts acabou indo embora de Magnólia por motivos profissionais, mas não sem antes dizer a Cana que estava com planos de morar na cidade. Aquilo deixou a morena intrigada,mas não pode se dizer que ela ficou triste ou incomodada.
No final daquela mesma semana, Erza acabou indo morar com as meninas e como não podia deixar de ser, Bacchus estava passando uns dias por lá, já que o homem não podia ficar ao relento. Cana estava exultante com isso, já sabia como era morar com o moreno, mas Lisanna estava em um desconforto tão palpável, que a garota só faltava desmaiar de vergonha e também tinha aquele rolo com o ex dela. O cara não parava de mandar emails e mais emails perguntando sobre ela, como ela estava, se ela sentia falta dele e a coitada não conseguia nem falar com Natsu sobre isso, nem sobre nada. Era como se ela tivesse ficado muda. Depois de todo aquele amor e fogo, as coisas tinham esfriado dos dois lados. E aquilo partia o coração da Alberona.
Falando em coração, ela tinha decidido ligar pra tal Kagura, mais por curiosidade mesmo e as duas tinham marcado um encontro, que por sinal seria naquela noite e Cana estava se arrumando. Erza estava em uma reunião da chefia e Lisanna estava no quarto, naquele momento.
Não que ela tivesse esquecido Laxus, mas ela queria saber algumas coisas e tinha a plena certeza que somente Kagura poderia responder suas perguntas.
Bacchus que estava observando sua Nee se arrumando, perguntou se ela ia sair com aquela jamanta loira.
“Ah, ele não falou comigo mais e as coisas no trabalho estão corridíssimas. Nem fui falar com ele também.” Cana respondeu resignada.
“Então com quem você vai sair, Nee?”
“Com uma mulher. Kagura. Gatona, hein?” Cana respondeu divertida.
“Espera um pouco. Quer dizer que você gosta de mulher agora, nee?” Bacchus perguntou perplexo.
“Vou sair com ela pra conversar, não é um encontro amoroso, poxa!” Cana respondeu exacerbada.
“Mas pra quem vai só conversar, você não acha que tá muito gostosa, não? Olha essa calça? E onde diabos você arrumou essa calça de zebrinha? Você nunca foi disso! Cadê os vestidos? Suas pernas são melhores Nee, não esconde não. Vai trocar de roupa.” Bacchus falou decidido.
“Oras,mas vai dar uma de estilista?” Cana retorquiu?
“Só quero que você arrase no encontro, Nee. Quem sabe você traz essa mulher pra casa, pra me apresentar? AHAHAHAHAHAHAHAHA” Bacchus respondeu.
“Mas é um interesseiro mesmo. Bom, vou ali trocar de roupa. Você me convenceu.” Cana disse.
Enquanto Cana estava indo para o quarto, Lisanna foi até a sala e se deparou com Bacchus e como a sua excelente educação não permitia que ela se retirasse do recinto, ela sentou no sofá com um olhar desolado. O homem sabia que ela tinha um receio dele e sabia que o apartamento era dela, então achou melhor ficar em silêncio.
A albina não sabendo mais o que fazer, virou-se subitamente para o projeto de halterofilista e começou a falar com ele. “ Me desculpe pelo meu comportamento dos últimos dias, eu não ando bem e nem estou lhe tratando bem. Tem muita coisa acontecendo. Espero que esteja à vontade aqui em casa.” Falou rapidamente.
“Ah..sim. Obrigado Lisanna. Eu estou sendo muito bem tratado, acho que nunca fui tão bem tratado na minha vida. Obrigado mesmo.” Disse Bacchus sorridente.
“Eu posso perguntar uma coisa pra você? Se quiser responder tudo bem.” Lisanna pediu.
“Claro.”
“Por que você veio pra cá? Veio tentar voltar com a Erza ou com a Cana? Você pode me responder?”
“Olha...eu só queria o que era familiar, sabe? Claro que eu não fui o melhor namorado do mundo, eu traí a Erza, mas se a gente pensar bem, ela nunca me amou mesmo. E eu usei a grana da Cana, mas nunca estive com outra mulher enquanto estávamos juntos. O que não significa que eu fui bom pra ela também. Elas são mulheres muito importantes para mim e eu queria aquela sensação do conforto, do bem estar, sabe? Claro que eu não estava me importando muito com o que elas estavam achando no momento. Se for ver bem, foi até bom eu ter levado aquela surra, pra ver que as mulheres que eu realmente considero importante, não iriam ficar esperando até que eu me ajeitasse e na boa, moça, eu não consigo escolher entre nenhuma delas. Eu podia propor um casamento triplo.” Bacchus disse resoluto.
Lisanna sorriu, mas um sorriso triste. “Então, o meu ex-namorado, que foi o meu primeiro em tudo, me contatou há uns dias atrás e eu sou louca pelo Natsu, o meu colega de trabalho, meu vizinho, mas assim, eu não acho que a recíproca é verdadeira, apesar de termos nos beijado bastante até um tempo atrás.”
“Bom, você pode querer estabilidade no trabalho, mas na vida emocional, mudanças são SEMPRE bem-vindas e o cara te largou, certo? Você gosta de outro, pelo que me disse. Então qual é o problema?” Bacchus falou ternamente.
“Eu sou estranha, sabe? Tenho vergonha de mim, do meu corpo. Eu acho que o Natsu já deve ter se ligado que eu sou uma escrota e nem está me dando bola mais e na boa, eu não quero ficar sozinha. É muito ruim pensar assim?”
“Eu acho que é ruim pensar que é melhor estar mal-acompanhada do que sozinha. Se o cara é ex, é porque ele não era tão bom assim, não é mesmo? Sem falar que onde você é estranha? Você é linda, lê muito, joga esse vídeo-game super bem. Por favor. De onde eu venho, homens matariam para ter uma mulher gostosa e geek como você, Lisanna.” Bacchus falou divertido.
“Você acha isso mesmo? É sério?” Lisanna perguntou.
“Sim, como eu adoro Bukowski e uma boa taça de vinho.” O moreno sorriu.
“Muito obrigada.” E o abraçou.
Cana que os observava, achou muito bom que Bacchus estivesse se dando bem com Lisanna, mas não imaginava a imagem que a moça fazia de si mesma. Como ela não podia acreditar nos sentimentos do Natsu por ela? O pobre só faz perguntar dela na empresa, vai no RH todo dia pra vê-la, mas ela fica enfurnada naqueles arquivos. Sem falar que era perigosíssimo o fato dela realmente estar realmente cogitando voltar com o ex que a largou pra ficar com um homem. Aquilo merecia uma boa observação.
Quando achou que era um momento apropriado, Cana voltou à sala com seu vestido preto matador e saltos altíssimos. O batom dela era vermelho e seus olhos estavam maquiados levemente, deixando a produção no limiar sexy.
“Nee, fica aqui, tira esse vestido e vamos matar a saudade, o que você acha? Eu também acho que a Lisanna podia nos acompanhar, mas não tire esses sapatos. E cadê a parte que não seria um encontro amoroso? Desistiu de regular a mixaria?” Bacchus babava.
Lisanna que nem tinha se dado conta que foi convidada para um “à três”, só conseguia admirar Cana. Como ela era linda! E não pode conter um sentimento de inferioridade. Chacoalhou a cabeça e elogiou a amiga. “ Você está maravilhosa. Boa sorte no encontro. Vai sair com o Laxus?” Lisanna perguntou timidamente.
“Não, vou sair com uma amiga dele, que deu em cima de mim. Ela parecia interessada e como ela faz parte da vida do Laxus, vou seduzi-la até que me conte tudo o que eu quero saber. Acha que vai funcionar, Lis?” Cana perguntou.
“Seduzir uma mulher? Eu estou seriamente questionando a minha heterossexualidade nesse momento, então sim, eu acredito que vai funcionar. E o que quer saber? Já pensou nisso?” Lisanna perguntou.
“Bom, ela conhece bem ele e o Jellal, eu quero ver o que ela vai me falar. Porque quando ela me passou o telefone, eu pensei sinceramente em não falar nada, mas essas viagens do Laxus que não deixaram eu chegar muito perto dele, todo esse rolo da fusão, o trabalho que aumenta a cada dia e até mesmo o fato de você viver enfiada naquele arquivo como se tivesse desistido de viver me impulsionaram a querer saber dela. E o que ela sabe dele e o que eu posso fazer e saber.” Cana disse ruidosamente.
“Bacchus, mudei a tática, fazer o quê? Vou deixá-la aos meus pés! Claro que eu vou conversar antes, mas quem sabe?” e piscou.
O homem só conseguiu rir diante dessa afirmativa. “Bom, ela vem aqui? Você vai lá? O que vai acontecer?”
“Ela vem aqui, na verdade, deve estar chegando.” E nisso a campainha toca.
Lisanna vai abrir e dá de cara com uma morena com a pele mais clara do que a de Cana, com seios fartos e com um vestido vinho, com recortes no lugar certo e um decote generoso, não muito curto e aparentemente confortável. “Será que eu sou lésbica?” foi o que Lisanna disse para a morena que respondeu sensualmente. “Não, só está curiosa. Se eu não fosse sair com a Cana, juro que te levaria pra passear também, você é linda.” Kagura piscou.
Lisanna ficou atônita e conseguiu apenas se afastar para o lado, dando passagem para a moça e sentindo o seu perfume. “Ah, mocinha, isso é pura sedução. Não tem nada a ver com suas preferências sexuais. Eu estou aqui pra seduzir, não se preocupe. Você ainda gosta de homens, ok?” Kagura disse divertida
“Ah, obrigada.” Lisanna respondeu pensando muito em Natsu naquele momento.
Bacchus não se fez de rogado e chegou bem próximo da morena recém-chegada. “Você só gosta de albinas e morenas? Ou topa um moreno ébrio bem selvagem?”
“Eu gosto de selvagens, mas não hoje. Ébrio...deixa um pouco a desejar na performance, mas é sempre bom fazer uns testes, só que hoje não. Está pronta Cana?”
“Estou sim. Vamos?”
E as duas saíram, deixando uma dupla completamente embasbacada. Bacchus estava encantado. Sentiu uma faísca, uma fagulha, mentira, ele estava sendo modesto. Sentiu um turbilhão em seu corpo que só sentiu com duas mulheres em toda a sua vida. Aparentemente, a terceira mulher mais importante de sua existência tinha acabado de aparecer no pedaço.
Lisanna estava realmente com inveja daquelas duas. Queria tanto ser sedutora como elas, queria ter a certeza de estar bem consigo mesma e nem conseguia tomar uma decisão tão óbvia quanto recusar o ex, por causa de uma auto estima distorcida. Mas tomou uma decisão. A melhor que tinha conseguido no momento. Foi até seu quarto, abriu o computador, logou em seu email e começou a responder com toda a delicadeza que conseguiu.
[Caro Bixlow, penso que não temos mais nada a nos falar, não por questão de ressentimentos, que eu particularmente não tenho, mas por questões sentimentais. Eu não sei se a sua bicuriosidade foi sanada nos braços de Freed e você se redescobriu hétero, ou ainda você se viu bissexual. Qualquer uma dessas decisões, eu te felicito. Entretanto, o fato de você ter realmente me traído e não apenas uma vez, ter abalado profundamente as minhas finanças e ainda ter detonado o relacionamento da minha irmã de uma forma que ela nunca mais será a mesma, me faz ter reservas em relação a essa sua vontade repentina de querer saber de mim. Quando você foi embora, levando o carro, levando o talão de cheques e o cartão, você não ligou pra saber de mim, quando você faltou com o respeito com o nosso relacionamento, nas nossas tentativas de amor, você não veio perguntar de mim. Então, eu não quero falar de mim, eu não quero você de volta, de forma alguma. Eu estou bem estranha como sempre fui, não tem nada de interessante e francamente, vai ver se arruma coisa melhor pra fazer.]
E enviou.
A albina nunca sentiu tanto alívio em toda a sua vida e aproveitou para tentar tomar um banho de sal grosso, e quando ia esquentar a água para fazer a mistura, ouviu a porta batendo.
Foi atender e era Laxus Dreyar, acompanhado de Natsu e Gray. A moça não podia abrir a porta, podia? Aquilo não estava acontecendo. Ela estava com a mesma camiseta preta e com aqueles shorts horrorosos. Até pensou em passar um batom, mas o tempo tinha se esvaído e com ele a vontade de se arrumar. Ainda bem que Bacchus estava tomando banho.
As batidas ficaram cada vez mais intensas e a moça, maldizendo a sorte, abriu a porta sem cerimônias.
“Senhor Dreyar, Dragneel, Fullbuster, como vão? Entrem.” Lisanna estendeu a mão solenemente.
Natsu detestou a maneira como ela o chamou e viu que ela parecia triste, mas como era a primeira vez que a via em todos aqueles dias, achou melhor não reclamar. Só que nada era capaz de prevenir a tempestade a seguir.
Bacchus saindo de toalha, muito pimposo do banheiro e desfilando pela sala, dando de cara com mais 3 homens e uma mocinha que tinha se convertido em um tomate
“Lisanna, o que significa isso?” Natsu perguntou irado.
“Esse é o nosso hóspede, Bacchus. Ele foi atacado por uma dupla de debilóides que o deixou em um estado deplorável e ele está ficando aqui nesses dias.”
“Isso não responde o que ele está fazendo de toalha na sua sala.” Natsu perguntou.
Bacchus, achando aquela briga muito divertida, caminhou até o ruivo e disse: “Eu acabei de tomar banho, só isso. Relaxe que a loira aqui é areia demais pro meu caminhão. Sem falar que ela não me daria bola, calma rapaz.” E sorriu.
“É esse o cara que você me falou, Lisanna?” Bacchus perguntou.
“Ah..é sim.” A moça respondeu rubra.
“Bom, aproveita que a Nee não está, a Erza também não..eu me visto e pergunto pra esse loiro aqui, aonde aquela deusa da Kagura pode ter levado a Nee e eu esses dois cavaleiros distintos vamos sair, enquanto você conversa com ele. O que acha?”
“Mas Bacchus-san? Como pode falar essas coisas tão levianamente? Você acha que ele vai ficar aqui depois desse discurso todo?” Lisanna perguntou desesperada.
Bacchus não respondeu e começou a falar com Laxus. “Você conhece uma tal de Kagura?”
Laxus, que estava a ponto de bater nele ali mesmo, mas se refreando depois de tudo o que conversou com Jellal e com todos os rapazes, simplesmente respondeu. “Conheço. Por quê?”
“Eu a quero. Ela é alguma coisa sua? Sua ex?”
“Bom, a gente teve um rolo, nada profundo. Ela gosta de...”
“Caras selvagens...eu to sabendo.”
“O que você tá fazendo aqui?”
“A dona da casa, ou melhor, as donas da casa me chamaram pra ficar aqui por uns dias, até eu me estabelecer. Não vou ficar muito, mas não que isso seja da sua conta.” Bacchus respondeu atrevido.
Natsu que até agora estava dividido entre a ira e entre a luxúria foi até o homem e perguntou: “ O que quer com a Kagura-san? E como assim, pra onde ela levou a Cana?”
“Você sabe o que é desejar alguém, ruivinho? Tipo, com todo o seu corpo, quando você vê a pessoa pela primeira vez, parece que tem uma descarga elétrica percorrendo seu sistema e a coisa continua fluindo?”
Natsu olhou para Lisanna e disse: “Eu acho que sei sim.”
“É isso. Ela veio aqui e saiu com a Cana. Eu quero vê-las. Não é todo dia que duas mulheres estonteantes saem juntas.”
“Espera, então a Kagura chamou a Cana pra um encontro?” Laxus perguntou.
“Na verdade, foi a Cana quem ligou pra ela. E olha...com todo o respeito, loiro, a Nee saiu daqui pra matar. Salto alto e um vestido preto, que minha nossa senhora. Não é verdade Lis?” Bacchus perguntou
“Sim, as duas estavam mesmo gostossíssimas.” Lisanna respondeu e depois se dando um tapa nos lábios.
Natsu ficou em choque com as palavras de Lisanna, mas ele estava interessadíssimo em saber o que ela tinha dito sobre ele ao moreno hercúleo, então escolheu um lado que parecia mais vantajoso.
“Laxus, por que vocês não vão saber onde foi que as duas foram? Eu acho que seria mais proveitoso do que vir aqui sem avisar, sem falar que a coisa parece mais espontânea assim, não?” Natsu disse marotamente.
Bacchus pegou a deixa do ruivo e completou: “Bom, pra deixar tudo em pratos limpos, não que eu esteja no caminho, mas eu não sou muito de trair ninguém. Eu gostei daquela Kagura e eu a quero. Isso me deixa em uma situação melhor com você, não?”
“Vai se vestir e vamos embora. Eu tenho uma vaga ideia de onde elas podem ter ido.” Laxus disse resoluto. “Natsu, você fica aqui, pra...pra ficar aqui, tá bom?” Laxus disse, já que sabia que o ruivo queria conversar com a albina, pra entender esse afastamento.
Bacchus apareceu e Laxus só olhou pra ele e disse: “Bora lá.”
Gray que não tinha falado nada, só ficou pensando pra que lado ia, quando seu celular tocou e como não podia deixar sua musa esperando, foi direto para casa.
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