Notas iniciais
Muito obrigada pelo aumento no número de leitores, sem falar que estamos indo para os 40 comentários. Façam uma ficwriter feliz!! Comentem o que estão achando.
Ah, Gildarts chega em Magnólia, e não é que ele tem um fã? Vejamos.

Cana estava mesmo desesperada. Ligou para o seu pai para ver se ele podia ajudar com o tratamento de Bacchus, mas não só o do hospital, mas também sobre a bebida. Por mais que Gildarts fosse um pai ausente, levando em consideração que seu ofício era explodir coisas por aí, depois da morte de Cornélia e da primeira internação da filha, ele considerou que estava fazendo essa coisa de pai errado. Quando ficou sabendo do transplante, ele teve certeza absoluta.

Em tempo: Cana sempre teve uma tendência para bebidas, mas o seu “namorado” estava passando por uma situação calamitosa. Bacchus estava quase morrendo de cirrose e a única medida que encontraram para salvá-lo foi um semi transplante de fígado e a doadora que se mostrou compatível foi Cana que não tinha um fígado tão bom assim, mas como era melhor pingar do que secar, o órgão foi aceito, como medida emergencial. Ela passou por inúmeros testes e o seu parente mais próximo foi contatado para falar dos riscos, ou seja, papai ficou sabendo que a filha mesmo sem poder, tinha aceitado entrar na faca por um cara que ele nem sabia quem era. Foi quando ele se tocou.

Foi para o hospital no dia do procedimento e quando Cana e Bacchus acordaram, ele estava lá. E ficou sabendo de tudo. Soube das dívidas de jogo, da casa onde eles moravam, ou melhor, a pocilga onde ela morava, os problemas com o álcool e da tal pré-cirrose. Aquilo não era normal pra uma garota com tudo pela frente como ela. Não era normal e finalmente ele percebeu a culpa que ele teve nesse processo. Era hora de reparar a ausência.

Fez toda a contabilidade e chegou à proposta de auxílio paterno e ela não teve saída senão aceitar. E ela não se arrependia, sem falar que fez um bem danado pra Gildarts se sentir necessário para construir ao invés de destruir. Ah, ele era um engenheiro civil especializado em implosões.

E pela segunda vez estava indo ver sua filha em um hospital, mas ao menos sabia o motivo, se bem que não ficou satisfeito com o fato de Bacchus estar rondando sua filha.

Chegou lá e ela estava esperando-o na porta e pela primeira vez, ela pareceu feliz em vê-lo. Lançou-se em seus braços e agradeceu por ele ter vindo.

“Obrigada pai, obrigada mesmo por ter vindo.” Cana disse.

Gildarts não queria estragar o momento, então nem citou o fato dela ter chamado-o de pai ela primeira vez.

“Como você está filha? Você se machucou também? Você voltou com esse cidadão?”

“Pai, calma. Eu não voltei com o Bacchus, na verdade ele era ex da minha chefe, lembra que eu te comentei? A que ficou minha amiga? Então! Aparentemente ele veio tentar voltar com ela.” Cana explicou.

“Bom, então me explica o porquê é você quem está cuidando dele e não ela.” Gildarts perguntou.

“Simples, eu morei com ele recentemente pai. E tem o negócio do fígado, né? A gente tem essa ligação ainda. Eu gosto dele como se fosse meu irmão.”

“Deus que me livre de ter um filho assim, mas tudo bem. Vejamos como ele está.”

Gildarts foi até o médico que estava cuidando de Bacchus e percebeu que o estado dele era bem grave e quando perguntou o motivo pelo qual ele havia apanhado ela só contou a parte de Jellal, porque não sabia bem o que pensar da atitude de Laxus. Eles tinham se beijado sim, sem falar do sexo que ela ainda não tinha esquecido. Tiveram alguns rosnados demandando posse, mas ela estava achando que Laxus estava afim de Erza. Em algum ponto da conexão mental dela, ela considerou mesmo a possibilidade dele estar usando-a para fazer ciúmes para amiga. Ela só deu um suspiro resignado.

Como tinha passado a noite no hospital e soube da suspensão de Jellal, disse a Erza que não podia trabalhar naquele dia. Isso foi incrivelmente compreendido pelo diretor Makarov. O que tinha acontecido, Cana realmente não tinha entendido, tanto que ele mesmo ligou para dizer que ela podia ficar em casa cuidando de seu primo, o tanto que ele precisasse. Cana ficou intrigada, como assim primo? Bom, era bom aproveitar.

O que ela não sabia, era que Makarov tinha visto as fitas de segurança, sabendo o que Laxus e ela tinham feito, sem falar que ele tinha visto que ela estava no hospital. Ele justificou como primo, pra não dar o que falar e também para que a mula do neto não pudesse achá-la, porque certamente ele estaria com a cabeça quente, depois de ter destruído toda a mobília.

A morena tinha ganhado uma semana de licença, pra cuidar da família, já que Bacchus estava sendo considerado como um parente próximo. E Cana estava se dedicando muito mesmo à sua recuperação.

Nem parava em casa, na verdade nem ia. Ficou no hotel com o seu pai por uns dois dias até ele convencê-la a voltar pra casa, na verdade, Gildarts queria conhecer a residência da filha.

Quando ela chegou com o pai em seu apartamento, Lisanna estava em casa com Natsu, mas nada de comprometedor estava acontecendo. Depois do flagra, as coisas tinham ficado confusas entre eles e o rubor era inevitável, sem falar aquelas coisas de gago. Simplesmente deplorável.

Ela entrou enquanto o pai dela ficou na porta, a coisa era tão surreal que ele nem quis entrar. Cana estava morando com gente decente?? Minha nossa! As preces de Cornélia deram resultado.

“O senhor não quer entrar?” Lisanna falou.

“Ah, sim. Com licença.”

Natsu ficou assustadíssimo com o tamanho do homem que estava com Cana e quase saiu correndo, mas da última vez que fez isso se sentiu muito mal. O cumprimentou com um aceno de cabeça e continuou ali, não falando com Lisanna.

“Eu estou atrapalhando o namoro de vocês, jovens?” Gildarts perguntou descontraído.

“Não, não! O senhor não está atrapalhando nada.” – Lisanna apressou em se justificar. “ Estamos aqui só não falando um com o outro. A gente gosta da nossa companhia.”

“Ah, eu me lembro que até mesmo em silêncio eu gostava de ficar ao lado do amor da minha vida. Quando a gente acha alguém que pode ficar sem falar e parece que está tendo a melhor conversa do mundo, pode ter certeza que é o amor da nossa vida.” Gildarts disse saudoso. “Vocês têm sorte. Muita sorte mesmo.”

Natsu ficou mais vermelho do que seu rosto aguentava, mas assentiu. “Sim, pode se dizer que sorte é uma palavra boa, não?”

Lisanna olhou pra ele admirada, enquanto ele se despedia com um beijo leve nos lábios dela e foi trabalhar. Era hora do almoço e Natsu tinha passado lá só pra dar uma olhadinha nela, que graças ao fracasso da noite deles, tinha realmente quebrado o braço e pego mais uma semana de atestado. Gente zicada nessa casa. Lisanna ficou mais rubra ainda, mas tocou os lábios com a ponta dos dedos.

Depois que ele fechou a porta, o silêncio se instalou na sala, somente a água do chuveiro podia ser ouvida.

“O senhor quer café? Almoçar? Algo assim?” Lisanna ofereceu.

“Ah, eu quero um golinho de café. Não precisa de almoço não, vou almoçar com a minha pequena.” Gildarts assentiu.

“Pequena?”

“Ah, não me apresentei. Gildarts Clive, pai de Cana.”

“Oh, muito prazer. Lisanna Strauss.”

“O prazer é todo meu. Espero que Cana esteja se dando bem.”

“Digamos que sua filha, senhor, é um divisor de águas na vida de muita gente.” Lisanna sorriu.

“Eu fico bem feliz de ouvir isso, Lisanna. Muito feliz mesmo.”

Cana saiu do banheiro, se arrumou e foi pra sala para poder almoçar com o seu pai. Ela iria mostrar algumas coisas de Magnólia pra ele.

“Oe Lis, quer vir com a gente?” Cana convidou “ Ah, nem apresentei. Gildarts Clive, Lisanna Strauss, Lis, esse é o meu pai.” Cana apresentou.

Claro que eles não cometeriam a indelicadeza de dizer que se apresentaram antes, então seguiram o procedimento. “Prazer em conhecê-la.” “Igualmente.”

“Ah, Cana, melhor não. Vou deixar você à vontade com o seu pai. Outro dia você chama ele pra almoçar aqui em casa e faremos uma comida especial.” Lisanna responde.

“Pode deixar que eu vou esperar, viu Lisanna. Obrigado por tudo. Vamos Cana?”

“Vamos velho, quer dizer, pai.” E riu.

Laxus estava frustrado. Foi suspenso da fábrica por duas semanas, porque ele conseguiu ser idiota o suficiente em aparecer na empresa e o seu avô o flagrar. Só pra ele descobrir que Cana também estava de licença, tinha até valido a pena ir só pra saber disso, mas ele não seria imbecil em perguntar o motivo e nem quanto tempo ela ficaria fora. Tinha mesmo muita sorte em não ser demitido e mais alguém tinha que amargar com ele.

Bom, os melhores amigos servem pra essas coisas, não?

“Laxus, me diga como foi que eu deixei você me convencer a ajudá-lo a comprar mobilha? Como foi que eu fui sugado pra essa merda?” Jellal esbravejava.

“Eu te pedi ajuda usando o pacto do melhor amigo.” Laxus respondeu sorrindo.

“Por causa dessa merda de melhor amigo, a gente mandou um cara pro hospital. Será que ele morreu? Ai meu Deus, se ele morreu, a gente tá fodido.”

“Relaxa que ele está bem vivo. O velho está cuidando dele no hospital. Pelo menos ele disse que tem alguém de quem ele gosta muito cuidando do cara, deve ser aquela velha com quem ele vive se enroscando.” Laxus respondeu.

“Velha com quem ele vive se enroscando. Laxus, você não tem respeito nenhum, né? Puta que pariu! Ela podia ter sido sua avó!” Jellal estava indignado

“Pior que podia. Uma megera que nem ela teria criado o meu pai direito e ele não teria virado essa merda de homem, mas vamos comprar essa mobília.” Laxus respondeu.

Eles estavam passando na calçada quando olham para dentro do restaurante e Laxus começa a olhar como se fosse um cachorro olhando para o frango do açougue. Jellal se toca que está sozinho e volta para buscar o colega.

“Tá louco Dreyar, que tá fazendo encarando as pessoas assim?”

“Gildarts Clive.”

“Como?”

“Gildarts Clive! O engenheiro mais foda de todo esse mundo! Está ali, sentado no restaurante. Eu vou lá falar com ele! Ele revolucionou muitas bases da engenharia! Você também devia honrar seu diploma e ir falar com ele.”Laxus babou.

Jellal assentiu e entraram no restaurante. Gildarts estava sozinho, já que Cana tinha ido ao banheiro, sem falar que nunca esperava ser abordado por causa de seu trabalho. Geralmente era abordado por suas confusões. Ou ainda pelas confusões da filha.

“Gildarts Clive, eu sou seu fã!! É uma honra sem precedentes vê-lo aqui em Magnólia. Veio pra um congresso? Tem uma implosão programada? Você conseguiu viabilizar aquela nova forma de implodir através da desintegração empregando eletricidade?”

Enquanto Laxus falava e falava, sem dar espaço para Gildarts responder, Cana se aproximou. Em um primeiro momento, ela quis correr, ficou estática mas verdade seja dita, ela não era mulher de sair correndo, apesar de correr muitas vezes, sem falar que ela tinha que saber o motivo que ele fez aquilo com Bacchus. Mas será que ele era tão cara de pau em chamar o chefe? Ela estava tonta. Aquilo iria acontecer de qualquer maneira, claro que ela não esperava que o cara estivesse batendo o maior papo com seu pai.

“Vamos lá Cana, é hora de acabar com esse jogo de gato e rato.

“Então Gildarts, o que você faz aqui em Magnólia?” Antes que Laxus pudesse dizer mais alguma coisa, Jellal tapa a boca dele e o senhor agradece discretamente.

“Vim visitar a minha filha e o meu afilhado. Ele teve um acidente.”

“Sinto muito.” Jellal responde, quase mandando Laxus tomar no rabo porque estava mordendo a sua mão.

“Você está sozinho? Precisa de gente pra te guiar aqui em Magnólia?”

“Minha filha está aqui. Oi meu amor, deixa eu te apresentar dois rapazes decentes. Essa daqui é a minha filha Cana. Cana esses são...como é o nome de vocês?”

Laxus não podia acreditar. Aquilo não estava acontecendo, só podia ser brincadeira. Devia ser outra Cana, porque o nome dela não era Cana Clive e sim Alberona, ele se virou com a certeza absoluta que não era ela, mas se frustrou. Sem falar que ela estava linda. E aquele cheiro de canela era inconfundível.

“Pai, já nos conhecemos.”Ela disse incrivelmente calma, “Trabalhamos juntos. Nós três.” Ela completou.

Jellal queria explodir de rir, como assim? “Cana era filha de Gildarts Clive? Agora que Laxus se apaixonava de vez! Bom, achava melhor irem embora. Laxus estava ficando tenso, aquela tensão que ameaçava agarrar a moça, mas ela deveria se sentir segura. O pai é esse gigante e é ídolo do Laxus. Veremos o que vai dar.”

“O..oi Cana. Como vai?” Laxus a cumprimentou estendendo-lhe a mão.

Ela aceitou o cumprimento e percebeu que a mão dele se deteve ali, por alguns momentos ele acariciou o dorso da mão com o polegar e ele estava tremendo. Aquilo a deixou intrigada.

“Bem, apesar de que o meu amigo está no hospital. Ele teve um acidente com dois valentões.” Aquilo podia custar o emprego dela, mas ela teria que saber o motivo.

“Ah, sério! Magnólia está cheia de gente louca, não? Gente que nem conversa pra saber como é, não é verdade? Nem conta nada.” Laxus falou aumentando um tom da voz.

“Nossa, verdade. Concordo. Eu mesma fui agarrada por um desses, sabia? Nem quis falar comigo...” Cana falou

“COMO ASSIM VOCÊ FOI AGARRADA CANA? TE MACHUCARAM? TE BATERAM? QUE MERDA É ESSA? NAQUELE DIA QUE EU TE LIGUEI VOCÊ NÃO CONTOU ISSO.” Gildarts gritava no meio do restaurante.

Ela tinha esquecido que o pai estava à mesa e soltou uma dessas. “ Pai, foi só um modo de dizer. Fica calmo, eu ia te contar caso tivesse acontecido uma coisa assim. Relaxa.”

“Cana, você já mentiu pra mim muitas vezes, mas essa foi a pior de todas. Vou deixar passar porque você tá abalada por causa do Bacchus, se não, iríamos prolongar a conversa. Agora, porque você não chama os seus colegas para almoçar com a gente? É por minha conta”

“Ah, pai, eles devem estar ocupados. Imagina que vão querer ficar aqui, não? Devem ter compromissos.” Cana falou

“Nada disso – Laxus provocou.- “na verdade, estamos de licença. Eu vou comprar mobília, porque aconteceu um acidente com a minha, mas tirando isso, eu nunca que perderia a chance de almoçar com o homem que mudou a minha vida e a forma como eu encaro a engenharia.

Depois daquela declaração de amor, Cana se sentou, simplesmente passada. Claro que o destino e Jellal fizeram com que ela se sentasse de frente pra Laxus que não sabia pra onde olhava.

Jellal estava se divertindo muito, quase tinha se esquecido do fiasco com Erza quando o celular de Cana toca. Ela atende aproveitando o papo descontraído e esquisitíssimo entre seu pai e seu...”deus do sexo” e é Erza.

“Oi Erza, tudo bem?”

Jellal começa a prestar atenção no papo.

“Então, ele melhorou, mas eu chamei o meu pai aqui pra dar uma força.”....”Não contei?”....” meu pai é padrinho dele.” .... ‘batismo.’....’sim, até mesmo ele tem religião.’...’ não sei.’....’tudo bem.’...’você vai lá depois do trabalho?’....’vou dormir em casa mesmo.’...tem certeza que não tem problema você ficar?’...tudo bem, beijo.

Jellal ficou pior ainda. Cana estava cuidando de Bacchus e Erza iria lá também. Essa suspensão e agora Gildarts Clive. Tava tudo uma merda, mas pelo menos ele sabia que Erza iria para o hospital depois do trabalho e que Cana não iria, ou seja, oportunidade perfeita de se desculpar.