Primeiro Dia De Trabalho.
13 Capítulo 13
Notas iniciais
“Laxus-chan, você sumiu. O que aconteceu? Não apareceu mais e nem você Jellal. Vem aqui, deixa eu te dar uma beijoca também.”
Jellal não conseguiu desviar bem e acabou levando um estalinho nos lábios. E quando a morena se virou, deu de cara com uma mulher com os olhos mais perigosos que já viu em sua vida. E como Kagura adorava coisas selvagens e perigosas, começou um joguinho psicológico. Foi até a outra moça e deu um beijo no rosto dela.
“Me desculpe, eu não me apresentei. Kagura Mikazuchi. Muito prazer.” E estendeu a mão.
Cana ficou naquele dilema, pegava ou não pegava? E por que aquela cisma com aquela mulher? Quem era ela pra ter esse tipo de cisma. Ela não tinha nada com Laxus, era só uma distração e aquele sentimentozinho chato insistia em aparecer. Deixava a morena corada, irritada e completamente perdida naquele olhar estóico e irônico da outra. Mas encarnou a adulta e pegou na mão dela com firmeza.
Kagura estava indo em direção aos lábios de Cana que não sabia bem como reagir, quando a moça voluptuosa sussurou em seus ouvidos: “Não se preocupe querida, dessa água eu não beberei jamais. É dócil demais pra mim, eu curto coisas mais selvagens, sabe como é.”
Quando ela se afastou, deu uma piscadela, começou a gargalhar e Cana estava mais vermelha do que os tão amados morangos de Erza.
“Ah, ah..então...” Cana não sabia o que dizer. Aquela mulher estava flertando com ela? Também? Ela era selvagem? Como assim? Ela tinha percebido? Mas percebido o quê? A pobre Alberona não sabia o que pensar. Estava tão confusa.
“O que vocês estão fazendo? Quebrou a mobília de novo, Laxus-chan? Perdeu de novo?” Kagura tripudiou.
“Não perdi nada e isso não é da sua conta, Kagura. O que está fazendo aqui?”
“Bom, você não é o único que precisa de mobília de vez em quando, você me conhece bem. Sabe o quão selvagem eu posso ser, não?” E piscou pra ele.
Gildarts não sabia bem o que pensar. Em um primeiro momento, achava que a moça morena era algo do loiro que era seu fã, mas viu como a filha ficou desconcertada. Quem sabe seria um bom momento pra conversar com ela sobre isso? Ser um pai mais presente? Só que pensou melhor e aquela era hora de ser um pai de ação e não de palavras.
“Laxus, Jellal, desculpem mas eu e a Cana temos que ir agora. Acabei de lembrar que temos uns compromissos pelo centro e não queremos interromper vocês nas compras da mobília e já que vocês acharam alguém pra ajudá-los, não tem motivos para ficarmos empatando vocês. Foi um prazer imensurável conhecê-los. Vamos Cana?”
A morena que estava estática somente assentiu, mas não antes de receber um bilhetinho de Kagura. “Me liga Cana. Eu gostei de você.”
“Ok.”
Quando eles saíram, Laxus voou em Kagura, sendo contido por Jellal. “Laxus, você já bateu em um cara, quer ser preso por bater em mulheres??”
“Você viu o que essa vaca fez? Viu o que ela fez Fernandes, além de me beijar na frente da Cana fez todo esse teatrinho?”
“Oras Laxus, você não gosta de um pouco de concorrência? Acha que é só você que acha aquela mulher bonita? Eu gostei dela.” Kagura se segurava pra não rir. “ E como ela ficou vermelha, pode se dizer que não ficou indiferente a mim também. Espero que ela me ligue.”
“Você deu o seu telefone pra ela? Você DEU O SEU TELEFONE PRA ELA?” VOCÊ É LOUCA???” Laxus esbravejava.
“Ah, quando a gente tá interessado, é isso que se faz. Dá uma piscadinha e dá o telefone. Aprendeu a lição, loirinho?” Kagura falou. “ Você tinha razão Jellal. Isso daí tá pior do que eu imaginei.”
“Como? O quê?”
“Estou perguntando se você aprendeu a lição de como flertar. Apesar de que do jeito que você fez é mais a minha cara, mas é sempre bom ser cortejada.”
“Lição?”
“É Laxus! Lição! Nossa! Quando o Jellal me ligou dizendo que você precisava de uma lição, eu não achei que ele estivesse falando realmente sério! Será que todas aquelas pancadas na cabeça deixaram você com retardo mental? Vou falar bem devagar pra você entender então. Mulheres gostam de ser cortejadas, nada de rosnar toda hora. Isso só pra ocasiões especiais. Gente do céu. Deus que me perdoe.” Kagura completou
“Jellal, do que essa louca está falando? Por que ela está dizendo que você ligou pra ela?”
“Laxus, meu caro. Porque eu liguei mesmo. Kagura é uma das poucas mulheres diretas que eu conheço, que falaria e faria exatamente o que você precisa, então, aproveitei o almoço e mandei umas mensagens pra ela. Simples assim.”
“E isso fez com que ela desse em cima da Cana???”Laxus esbravejou.
“A parte dela dar em cima da Cana foi um bônus maravilhoso, na minha opinião. Mas foi tudo para o seu próprio bem Laxus, pra você aprender a tratar uma mulher. Viu como a Cana saiu daqui com todas as roupas no corpo, com um bilhetinho e querendo ou não até com um certo interesse pela Kagura? Olha que coisa maravilhosa.”
“EU VOU MATAR VOCÊS DOIS!!!!!!!!!!!” Laxus saiu correndo porta afora atrás dos dois amigos.
Os três corriam pela rua como se fossem duas crianças e riam sem parar, pelo menos Jellal e Kagura. Gildarts e Cana avistaram o grupo e ficaram surpresos. Cana viu que não tinha nada ali e se achou uma boba por sentir ciúmes e ficou até feliz por eles parecerem tão amigos. Sem falar que ficou curiosa em relação ao que aquela mulher queria com ela. Iria ligar, não podia dizer que não ficou interessada. Não em algo romântico, mas a frase dela era muito parecida com aquilo que Bacchus dizia. Então...teve uma ideia maluca, mas depois de vê-los correndo pela rua, até achou aquilo possível. Deu um sorriso singelo e olhou para seu pai.
“Pai, obrigada por me tirar de lá. Eu sei o quanto você estava se divertindo com eles.”
“Mas Cana, eu achei que você estava gostando também. Vim aqui pra ficar com você, minha filha e vamos continuar com as nossas compras então?”
“Sim!!!”
A dupla foi em direção a algumas lojas e compraram presentes pra Erza, Lisanna e alguns suprimentos para a casa. Passaram na livraria e Cana comprou uns livros para retomar a leitura e depois foram para uma lanchonete para tomar um cafezinho preto que era o predileto de sua mãe. Uma das tardes mais felizes da vida dela.
Enquanto isso, Erza estava uma pilha de nervos, pois tanto Cana, quanto Lisanna não estavam trabalhando naquele dia. Ela estava sozinha na empresa com um monte de pepinos pra resolver. Aparentemente, a testosterona de Jellal e a briga de Natsu e Laxus reverberou na empresa e se não bastasse a suspensão de dois chefes de setor, Natsu e Gray estavam sentados à sua frente esperando o desfecho da briga deles no refeitório, no horário do café.
“E então, o que vocês dois tem a dizer?”
Silêncio.
“Vocês me ouviram?”
Silêncio.
“Gray, o que o Natsu fez?”
“Por que eu tenho que ter feito alguma coisa Erza? Até parece que eu sou esse idiota que todo mundo pensa. Ele falou da Lisanna e eu dei um soco nele! Só isso!”
“Então Natsu, o que ele falou?”
“Ele falou que ... falou que...eu tenho que dar logo um trato nela, se eu não quiser perdê-la também.” Falou rubro.
“Gray, isso é verdade?”
“Ah, Erza. É! Eu não sabia que essa lagartixa ia se ofender com isso. Eu já falei tanta coisa pra ele e ele mal reagia, eu não to entendendo o motivo dele querer ser machinho agora.”
“Gray, se eu falasse daquela louca que vive entrando aqui, você não ia gostar certo? Então, é a mesma coisa. Não fale coisas das quais você não sabe. Aprenda a respeitar o sentimento dos outros. Sai daqui antes que eu te dê uma advertência.”
“Mas quem me bateu foi ele! Por que eu vou levar a advertência?”
“Porque a dinamite não explode sozinha. Tem que ter um fósforo pra acender. A culpa é do fósforo e o fósforo é você. Sai daqui agora.”
Gray saiu chutando a porta, ou melhor, quase chutando a porta, porque querendo ou não, ele podia ter essa pose de machão mas ainda precisava trabalhar. Saiu com suavidade.
Quando a porta se fechou, Erza ficou em silêncio encarando Natsu. Ela queria e muito se desculpar e não sabia por onde começar. Quando o ruivo fez menção de se levantar, a ruiva pediu pra ele esperar.
“Natsu, eu tenho uma coisa pra dizer, pode se sentar novamente?”
O homem assentiu e sentou-se
“Me desculpe infinitamente por ter atrapalhado o seu momento com a Lis. Eu não sei do seu sentimento, mas eu sei dos dela. Não deveria estar falando isso, acho que ela ia morrer de vergonha, só que ela queria muito ficar com você e quando finalmente consegue, eu atrapalho. Sem falar que teve aquele outro dia onde vocês estavam lá e que provavelmente iria rolar alguma coisa e eu cheguei naquela situação. Pode parecer que eu sou uma enxerida, mas eu precisava delas naquele dia, entende? Eu tava desesperada. Tudo o que eu quero é que as minhas amigas sejam felizes ou se divirtam. Eu só espero que você não desista da Lisanna. Só isso.
Natsu não esperava ouvir nada daquilo. Claro que ele tinha uma cisma da Erza, além do fato dela ser sua chefe e de tudo o que Jellal falava. Era uma entidade a ser respeitada e admirada de longe. Não uma admiração desejosa, mas admiração impessoal. Erza era uma entidade para ser vista, admirada e temida. Muito temida.
Vê-la com essa humanidade toda fez com que ele repensasse a raiva que estava dela porque querendo ou não, não era como se ela tivesse mesmo conspirado para atrapalhar o clima e também saber que Lisanna o queria era mais do que podia esperar. Era mesmo muito.
“Tudo bem Erza. Não tem problema. Não vou desistir dela, não posso. Eu fui vê-la na hora do almoço. Vi a Cana e o pai dela também. Pareceu gente boa. Vou dizer uma coisa pra você: eu estou completamente apaixonado pela Lis. Acho que foi uma daquelas coisas à primeira vista. Acho que foi até por isso que eu não fiquei mais abalado ainda com o meu término e da Lucy. Sabe quando você sabe que é pra ser? Se bem que eu não sei ainda. Eu estou com medo disso tudo, de tudo o que eu estou sentindo, mas eu quero arriscar porque eu nunca me senti tão bem com alguém como eu me sinto com ela e eu nem sei porque eu estou te falando tudo isso. Me desculpe.”
A ruiva ficou encantada, levantou-se e o abraçou. “Boa sorte, Natsu. Sem medo porque vai dar tudo certo.”
Aquilo deixou o homem impressionado, só isso. “Obrigado Erza.” Levantou-se e saiu.
Quando Natsu fechou a porta, Erza se lembrou do compromisso que tinha naquela tarde. Iria cuidar de Bacchus para que Cana pudesse ficar mais com o pai dela. Começou a se lembrar quando foi que o relacionamento dela e de Bacchus começou a degringolar, só que mesmo quando as coisas não estavam mais tão boas, ele ainda era um cara com o qual podia contar, nem que fosse pra fazer tudo errado. E merecia ser cuidado. Se Cana podia, ela também e pelo pouco que viu, Cana ficou com a pior parte do garotão.
Quando o expediente terminou, ela fechou o setor e foi caminhando para a porta quando encontrou Makarov.
“Mestre?”
“Erza, já falei pra você não me chamar assim. Como você está?
“Eu estou indo visitar um amigo no hospital, mas não sei bem como lidar com isso.”
“A pessoa foi importante pra você?”
“Sim! Mas me machucou muito.”
“Você pode ter certeza de que nunca machucou ninguém?”
“Eu..eu...eu acho que machuquei sim.”
“Olha Erza, todo mundo merece uma segunda chance. Não precisa ser pra mesma coisa, mas amizade é bom, raro e todos merecem.Você não acha?”
“Sim mestre. Merecem sim. Obrigada.”
“Já falei pra não me chamar assim, filha. Vai ver seu amigo e se ele te machucou, cuide bem dele para que não se machuque mais. Se ele era bem seu amigo, aposto que doeu mais nele do que em você.”
A ruiva sorriu e foi embora. Entrou no carro e foi para o hospital para cuidar de seu amigo.
Chegando lá, Cana já tinha colocado ela na lista de acompanhantes e foi conduzida para o aposento. Bacchus estava lânguido, sem tubos, ainda bem, mas não era nada comparado ao homem que foi. Erza ficou chocada.
Aproximou-se e colocou sua mão no rosto do homem que acordou e sorriu.
“Erzinha, o que faz aqui?”
“Vim cuidar do meu amigo. Vou ficar aqui com você. Descanse.”
“Obrigado.”
Mal sabia Erza que ela não seria a única a visitar Bacchus naquela hora.
Fale com o autor