Primeiro Dia De Trabalho.
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Agora chegamos a um ponto crítico: um começo de um quadrado amoroso. Vejamos se não vão me matar, né?
Cana não podia acreditar naquilo. Era sério! Nunca em sua vida achou que seria preterida por seu pai. Não que quisesse que o loiro nórdico a jogasse na mesa, nada disso. Imagine. Capaz, mas a questão era que ela estava sendo completamente ignorada. Como isso era possível? Puta que pariu!!! Ela deu orgasmos pra esse monstro e ele nem aí?? Sem falar que ele está olhando para o pai dela com tanto desejo, devoção e tudo o mais. Aí tem coisa. Não é possível.
Depois de falar com Erza e desligar, ficou aquele silêncio desconfortável, ok, silêncio era muito. O pai dela e Laxus não paravam de falar. Aquilo era assustador. Ela precisava ser vista. Como assim, não estavam vendo-a? Pensou em uma maneira de chamar a atenção, mas se colocou a pensar. Chamar a atenção de quem exatamente? Do seu pai? De Laxus? Do chefe? Parou pra raciocinar e era deveras interessante estar perto de Laxus e não ser jogada em uma parede e agarrada, claro, ela curtia o agarramento, mas quando ele não estava com aquele olhar de cachorro no cio, ele conseguia ser mais lindo, se é que isso era possível.
Achou por bem ficar quieta e até se esqueceu que o seu chefe estava ali, mas claro, óbvio que ele não iria ficar quieto e comer sua refeição. O chefe iria falar com ela, porque apesar de bater em bêbados era uma pessoa educada e refinada. Provavelmente queria saber de Erza e Cana estava com dó da brochada dele. Até deu um risinho interno, mas não era bom abusar da sorte. Seu pai era importante e aparentemente Laxus o achava um deus, mas Jellal ainda era seu chefe e ela ainda precisava do emprego.
Contou até 5 quando ouviu seu chefe a chamar. “ Cana, como o seu amigo está?” Jellal perguntou desconsolado.
“Está melhor, chefe. Mas a surra foi feia. Ele quebrou uns ossos e vai ter que ficar de observação. Eu vou chamar ele pra morar comigo. Essa Magnólia está perigosíssima."
Antes que Jellal pudesse responder, a mesa cai partida em dois. Sim! Não se sabe quem quebrou a mesa, se foi Laxus, se foi Gildarts, mas a mesa foi partida em uma rapidez astronômica.
Cana só olhou para o lado com um olhar tão blasé, que parecia que não tinha nada acontecendo ali, como se fosse uma coisa muito comum mesas partidas ao meio, durante o almoço.
“Pai....”
“Cana, você não vai chamar aquele ordinário pra morar na sua casa, minha filha. Você está vivendo com tanta gente de bem, aquela mocinha platinada, parece um amorzinho. Duvido que ela acabaria com o seu dinheiro, colocaria traficantes na sua cola e ainda pediria um pedaço do seu fígado, meu amor. Sem falar que aquela mocinha é muito mais bonita do que aquele idiota do Bacchus.”
“Pai...menos. Meu chefe e o meu COLEGA não precisam ter o almoço estragado pelos seus chiliques.” Cana estava acusando o pai porque aquilo era uma coisa que ele faria. “O Bacchus é meu amigo e precisa de um teto, não vou deixar ele ao relento. Sem falar que ele veio me visitar e foi atacado por dois imorais, sem vergonhas e cretinos que se aproveitaram da embriaguez dele para acabarem com ele.Nem adianta que eu não vou deixar ele desamparado!!!”
Laxus ficou furioso, mas não ia se exceder. Lógico, ele tinha quebrado a mesa, mas incrivelmente seu ídolo compartilhava da mesma aversão ao bêbado, tanto que até o ajudou inconscientemente. Entretanto, nunca imaginaria que Bacchus e Cana fossem tão próximos. Agradeceu intimamente por Gildarts estar ali, se não, jamais teria a oportunidade de escutar.
Ele sentiu ciúmes, claro. Quem não sentiria? Era o passado dela, mas ela não falava dele como se o amasse conjugalmente. O cara era irmão dela! A maneira como ela falava dele, esse cuidado estranho, era até de se duvidar que eles tivessem mesmo namorado, não havia desejo ali. E por mais que ela estivesse furiosa com ele, aquela faísca de desejo não tinha sumido. Aquele brilho que ele conhecia estava ali, aquele brilho de gata, aquela gata que quer brincar.
“Controle-se Laxus. Não pode dar uma de idiota agora! Nada de tentar agarrá-la. Olha de quem ela é filha. Será que essa mulher pode ficar ainda melhor?”
Enquanto Laxus estava nesses conflitos de pensamento, a briga rolava solta entre Cana e Gildarts, ele se intrometendo e ela retrucando, mas quando ela iria jogar na cara dele todos os anos de solidão que ela teve que aturar, se lembrou que ele estava ali por ela, resignou-se e disse.
“Pai, eu sei que você se preocupa comigo. Eu entendo, ou melhor, estou me esforçando pra entender. Mas você sabe como era a minha relação com o Bacchus, sabe que ela foi mais de amizade do que qualquer outra coisa e sabe que ele é o meu único amigo, ok, agora nem tanto, mas é o meu amigo mais antigo. Ele me ajudou da melhor maneira que pode, mesmo não podendo. Isso não é um sinal de que ele é um cara legal?”
Gildarts franziu o cenho o máximo que pode, para depois soltar um suspiro resignado. “Sim minha filha. Sim, isso prova que ele é um cara legal, mas ele não é legal o suficiente pra estar com você, na verdade ninguém é. O que eu quero é você feliz e se te faz feliz ajudar esse cara, eu vou ajudar você, mas por favor, não contamine a sua casa com aquele verme?”
Laxus estava nas alturas. O “sogro” estava concordando com ele, mas aquela estória de amigo ele não engolia, mas o que fazer? Pensou no que ouviu de Erza, em toda aquela confusão, no tapa que levou da Lisanna, tudo. Quem sabe era hora de simplesmente assentir e esperar? Aquilo não combinava com ele, no entanto, tem momentos que mudanças assim eram necessárias.
Enquanto Cana e o pai dialogavam e Laxus estava com a cara mais feliz do mundo, Jellal tentou de todas as maneiras sair dali, queria se preparar psicologicamente para o encontro com sua musa, mas não tinha jeito. Além de estar preso pelo pacto do melhor amigo, ainda tinha o fato que não tinham pago a conta, na verdade, não tinham nem comido e já estava tudo naquele drama pavoroso. Já que estava com fome e profundamente irritado, chamou o garçom para pedir a comida e enquanto ele estava anotando os pedidos, Cana, Gildarts e Laxus se voltaram a ele e tiveram a sapiência de tentar ir para outra mesa, já que a primeira estava fora de uso.
Sim, o garçom queria mesmo saber como que uma mesa dessas foi partida ao meio de uma maneira tão displicente, na verdade, o garçom estava um pouco alterado, vermelho e puxando os cabelos. O quarteto foi convidado a se retirar, de uma forma não muito educada. Laxus e Jellal estavam morrendo de vergonha, mas aparentemente, Cana e Gildarts acharam normal. Tanto que Gildarts sacou umas notas que provavelmente valiam mais do que todas as mesas daquele restaurante juntas e deu para o garçom com um sorriso no rosto.
Os quatro saíram do restaurante, mas continuavam com fome. Foi quando Laxus teve a brilhante (só que não) ideia de chamá-los para almoçar em sua casa, coisa que foi prontamente aprovada por Gildarts que tinha desenvolvido um apreço pelo garoto. Mal sabia ele que esse era o cara que agarrou sua linda filhinha.
“Ah, pai. Eu acho melhor eu voltar para o hospital então, não quero te atrapalhar. Sem falar que eu e o Laxus não somos tão íntimos assim pra eu ir na casa dele, né?” Cana falou com toda a cara de pau que possuía. Não pode deixar de ruborizar depois dessa mentira absurda.
“Cana, eu vou falar com você mais tarde sobre isso, mas lembra do nosso acordo. Você tem que almoçar comigo e eu quero almoçar com o rapaz. Vamos logo.” Gildarts disse contrariado. Ele sabia que a filha mentia, já que o rubor não deixou suas faces. Também reparou no rosto do loiro quando a viu. Ali tinha coisa.
Chegaram na casa de Laxus para encontrar o maior desastre que já viram e Jellal desatou a rir.
“Laxus, como você chama visitas pra sua casa, sendo que tá esse pardieiro aqui?” Jellal gargalhava.
“Por que você não me lembrou, seu idiota?”
“Quem ficou falando na minha orelha pra comprar mobília foi você, sua anta.”
E quando as coisas não poderiam ficar piores, Gildarts quer descontrair o ambiente.
“Então vocês dois pretendem morar juntos?? São um casal?!”
Os dois pararam de discutir, olharam bem para Gildarts e começaram a chorar copiosamente.
“Pai, não. Eles não são gays.”
“Filha, eu sei que não, pelo menos o loiro tá bem interessado em você e eu nem estou pensando em matá-lo. Olha só que lindo. Mas foi para eles pararem de brigar.”
Depois de uns minutos e com Cana e Gildarts observando, Laxus fala para os dois irem para o quarto dele, ou ainda pega umas cadeiras que sobraram. Ajeitam-se nos restos da mobília enquanto Jellal e Laxus vão preparar o almoço.
Nesse meio tempo, Cana começa a olhar o desastre que se abateu naquele apartamento, e como as coisas eram estranhas. Primeiro: tinha uma parede com estampa de leopardo. Ele não parecia tão chegado a animal print, mas como se comporta, não era de se estranhar essa ligação com os animais selvagens.
O tapete também era de animal print, mas de zebra. Uma combinação super bizarra, mas divertida. O sofá era roxo. “Deus, como ele aguenta ficar dentro dessa casa? Essas cores mandam as pessoas pra fora mesmo. Será que ele traz muitas garotas pra cá? Será que tinha alguma aqui quando ele fez isso? Será que ele é ainda melhor no sexo????” Cana não se cabia de curiosidade.
Outro que também não se refreava era Gildarts que perguntou o que tinha se abatido ali. Laxus respondeu que teve um ataque de nervos e a resposta foi tão imediata que ninguém teve como questionar.
“Mas ataque por que?” Gildarts falou.
“Bom, porque eu sou um idiota.” Laxus respondeu.
Cana não ia duvidar, né? Mas ficou passada por ele ter feito isso. Destruiu a própria casa!
Depois de mais alguns minutos, eles almoçaram. Laxus era realmente um excelente cozinheiro. Aquela comida era um manjar. A pessoa que ficasse com ele comeria muito bem, obrigada.
Eles foram comprar a tal mobília e entraram em uma loja. Cana não sabia por que estava junto deles. Seu pai parecia um velho babão. Sério! Será que era desejo de ter um menino? Será que se ela tivesse nascido um garoto as coisas seriam mais simples?
O que não foi simples de assimilar foi uma mulher morena dando um beijo estalado bem nos lábios do bonitão.
“Kagura? Mas o que é isso?”
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