Primeiro Amor

1 Capítulo Único


– Meu amor... – A rainha repetia, passando os dedos por entre os cabelos rebeldes. – Terá que se acostumar com esses eventos se quiser ser rei.

– Isso é tudo muito chato! – O príncipe, com apenas 7 anos, franzia o cenho numa expressão contrariada.

– Você está lindo, Vegeta! – A mulher sorriu. – Só falta a capa.

O garoto virou de costas, enquanto sua mãe atrelava a capa vermelha à armadura que fora feita especialmente para ele. Normalmente, crianças não tinham roupas de gala, mas os garotos da família real sempre precisavam comparecer a eventos.

A armadura de Vegeta era branca, com o símbolo Saiyajin impresso ao peito em vermelho com detalhes dourados. Mesmo sendo uma roupa para festa, era feita dos mais resistentes materiais. Os saiyajins sempre estavam prontos para a batalha, mesmo que, muito provavelmente, ela não viesse.

– Está igualzinho a seu pai! – Sorriu. – Ele ficará orgulhoso!

O pequeno Vegeta não respondeu, mas sorriu internamente. Sabia que o pai tinha uma roupa igual em proporções maiores, e estava ligeiramente ansioso para ser fotografado lado a lado com o genitor. Já podia imaginar a imagem dos dois saindo nos jornais. Não ligava muito para publicidade, mas a mãe sempre vinha lhe mostrar as manchetes em que ele aparecia. “Príncipe Vegeta vence luta infantil”; “Príncipe se destaca em artes marciais”; “Príncipe dos Saiyajins, Vegeta é o mais novo a criar sua própria técnica de combate”. A população e a imprensa adoravam-no!

– Mamãe... A senhora também está linda. – Ele era doce quando não estava na presença do pai. A rainha o abraçou.

– Com essa barriga enorme, querido? – Ela suspirou. Estava se achando gordíssima.

– “Essa barriga enorme” é meu irmão, que governará Vegeta-sei ao meu lado. Olhe como fala do próximo príncipe! – Vegeta brincou.

Os dois riram e a rainha, que estava de joelhos, se levantou. Mesmo com a gravidez de risco, ela não deixava de fazer nada, nem deixava transparecer as dificuldades. Era uma saiyajin, afinal, e eles eram muito orgulhosos.

Àquele dia, em especial, a rainha estava muito bonita. Seus longos cabelos negros estavam presos em uma trança, que fora enfeitada com algumas flores. Usava um vestido verde, incrustado de pedras preciosas da mesma cor.

Apenas algumas mulheres do planeta podiam usar vestidos. A roupa padrão era armadura, mas a rainha e mulheres da alta-sociedade se encantaram pela vestimenta de outras culturas e acabaram trazendo para Vegeta-sei os vestidos de baile.De início a ideia não foi bem aceita, mas quando os guerreiros viram suas mulheres tão belas, acabaram por aceitar.

Os três integrantes da Família Real Saiyajin estavam prontos. Os avós de Vegeta chegariam depois, assim como três tios que ele tinha. Dificilmente uma família daquela raça tinha apenas um filho, então era normal que as crianças tivessem tios e tias.

Saíram do castelo. Nos jardins, uma grande comissão os esperava. Era um evento que Vegeta considerava muito idiota. Os anciãos do reino se reuniam para escolher o nome da criança que estava por vir. E, para isso, todos os nobres se reuniam. “Perda de tempo...” O pequeno príncipe cantarolava internamente.

Os dois Vegetas se posicionaram um de cada lado da rainha. Aquele era um evento que valorizava a mulher, coisa que era muito difícil. Normalmente, ela ficava atrás do marido nas convenções sociais.

– Rainha de Vegeta-sei, mãe do herdeiro. – Um velho muito velho chamou, e ela deu passos à frente.

Logo, três pares de mãos sobre a barriga da rainha. Velhas saiyajins recitavam um mantra baixinho, como se conversassem com a criança que se encontrava ali. A rainha sentiu chutes, e engoliu uma careta. O principezinho dentro de sua barriga parecia responder às anciãs.

– Como tem sido desde o início dos tempos, o segundo filho, como o primeiro, é macho! – Uma das saiyajins anunciou, e todos os nobres que assistiam aplaudiram.

Vegeta, que não tinha desviado o olhar da mãe por um segundo, virou-se para a plateia. Vários saiyajins vestidos em suas melhores roupas aplaudiam sua mãe, saudando o sexo do mais novo príncipe de Vegeta-sei.

E ali, na primeira fila, ele avistou uma coisa que achara ser um anjo.

Uma garotinha, parecia só um ano mais nova que ele. Deveria ter seis anos, pelo seu tamanho e suas vestes. Tinha os cabelos negros e lisos, assim como os da rainha, mas curtos, caindo-lhe sobre os ombros. Os olhos eram castanhos, coisa rara entre os saiyajins. Ela tinha o olhar entusiasmado, como se admirasse muito a mãe de quem agora a admirava. Suas mãozinhas delicadas chocando-se uma contra a outra, e um sorrisinho infantil nos lábios.

O príncipe ficou encantado com a garotinha. O vestido dela era branco, ela exalava pureza e inocência. Parecia tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. A cauda só dava um charme a mais, castanho-claro, da cor dos olhos. Ela balançava ao ar, não ficando enrolada na cintura como a da maioria das mulheres.

Vegeta percebeu que, agora, a própria cauda balançava ao ar. Ele normalmente mantinha a cauda como um cinto, mas a garotinha parecia tão natural que ele, inconscientemente, a tinha imitado.

O príncipe puxou um pouco a armadura do pai, fazendo-o se curvar para falar com o filho:

– O que foi, Vegeta?

– Pai... Quem é aquela? – Ele perguntou.

Vegeta não desviava os olhos da menina que chamara sua atenção, então não reparou o sorriso discreto que brotou nos lábios do pai.

– É filha de Epinard, um dos meus melhores soldados. Ele está em missão, mas sua esposa veio prestigiar a rainha e o novo príncipe, e trouxe junto Sparza, a garotinha.

Vegeta não disse mais nada, mas estava absorto em pensamentos. Queria dirigir a palavra àquela pequena saiyajin, quem sabe só um “Oi”. Poderia mostrar-lhe o castelo, poderia treinar junto com ela... Não... Sparza parecia delicada demais. Sparzie... Um ótimo apelido, ele pensava.

– O nome do seu irmão. – Rei Vegeta falou-lhe ao ouvido. – É Tarble.

Mas o rei não culparia seu filho pela falta de atenção. Reconheceu a admiração e o encanto em seus olhos, coisas que ele mesmo sentira anos atrás pela mulher que hoje era mãe de seus dois filhos. Ele sabia como a obsessão saiyajin era séria.

Vegeta abraçou a mãe, posou para as fotos, agiu como o príncipe que era. Tudo isso, sem tirar a garotinha da cabeça. Dava-lhe singelos olhares só para ter certeza que continuava ali. Ele queria se aproximar, dizer como eram bonitos seus olhos ou seu cabelo. Como ela lembrava ele da sua mãe.

Quando as atividades sociais nas quais ele estava incluído acabaram, Vegeta se afastou das câmeras e dos pais, se afastou das pessoas que vinham parabenizar pelo irmão. E foi, fingindo desinteresse, na direção de Sparza.

A garotinha estava com um copo de suco na mão, e ele esbarrou-lhe intencionalmente para chamar atenção. Infelizmente, derrubou no vestidinho branco que ela usava. Os olhos da garota se encheram de fúria e ela olhou para o garoto com raiva.

– Você não olha por onde anda? – Perguntou, desafiadora.

– E você, não sabe com quem está falando?

E ali nascia o primeiro amor de Vegeta. Não durou muito, não foi inesquecível... Mas, talvez, se Freeza não tivesse existido, Sparzie seria rainha e Vegeta seria rei.

Notas finais
Sparzha é alguma coisa em Russo que eu esqueci... E o pai dela tem o nome em francês.
Tudo de legumes. xD
Bjs.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!