Primeira Melodia
3 CAPÍTULO II – Primeira Melodia.
O auditório da British não perdia para o de nenhum teatro.
Era imenso, ao ponto de precisarem de um telão atrás do palco para exibir o foco das apresentações — evitando que os convidados que se sentavam ao fundo perdessem algo do show.
Damen Lopez tinha participado de todas as apresentações dos últimos sete anos, e o último lugar que queria estar, depois daquela semana terrível, era em um dos bancos vermelhos da primeira fileira — mesmo assim, lá estava ele.
Sabia que as chances de topar com os Montgomerys eram mínimas, dado o tamanho do lugar, mas só a ideia de um encontro o deixava mal-humorado.
Ally não se importaria se faltasse, já que se apresentava com destaque todos os anos… Mas aquela era a primeira vez em que Maya, sua melhor amiga, faria parte do evento.
Ela o tinha feito prometer que não só apareceria, como guardaria um bom lugar para que seu irmão — um médico muito ocupado, segundo suas palavras — conseguisse assistir.
Maya seria a primeira apresentação da noite, então estava em parafuso.
Todos sabiam que aparecer primeiro não era grande coisa, já que o mais esperado sempre ficava para o final — com a turma de música clássica ou teatro —, mas o primeiro ato era tudo o que a turma de canto tinha.
Damen tinha ocupado aquele lugar nos últimos dois anos, então sabia que a amiga não se importava com sua posição, desde que conseguisse cantar. Além disso, agora ela faria parte do seleto grupo de “Escolhidos” do festival de abertura.
No fim da tarde, Nicholau Renée — o famoso irmão médico — chegou quase tão cedo quanto ele próprio. Dam gostava de chamá-lo de “Dr. Certinho”, porque Nicho estava sempre dando lições de moral em Maya, mas até gostava do cara, embora não o conhecesse de fato.
O espetáculo começou no horário exato, como de costume, e os dois viram Maya adentrar no palco com um violão em mãos.
Sua amiga tinha cabelos loiros enrolados que a renderam o apelido de “Cachinhos Dourados”.
Em seu dia-a-dia, usava o uniforme da British com meias-arrastão, coturnos pesados e maquiagem forte, mas naquela noite, alguém a convencera a usar um vestido preto e elegante, com saltos finos em que ela não sabia andar direito.
Sentou-se sobre um banco solitário no centro do palco e espalhou a melodia de seu violão pelo ambiente. Sua música era agradável, mas a letra dolorida contava a história triste de uma garota que nunca se sentia o suficiente, até ser salva por alguém.
Ao lado dele, o Dr. Certinho se emocionou.
Nicholau não era filho da mãe de Maya, mas tinha deixado a França para resgatá-la da mãe narcisista, embora não fosse lá muito mais velho. Ele era um cara legal, um bom irmão.
O completo oposto de Damen.
Quando a música acabou, a Renée foi aplaudida em pé, e a emoção a fez se desmanchar em lágrimas que deviam ser muito inesperadas para os colegas.
Se era um choro feliz ou triste, ele não sabia dizer, mas ficou aliviado quando viu uma amiga subir ao palco para resgatá-la.
Isabella Seymour certamente levaria um puxão de orelha do professor de teatro por subir ao palco antes da hora, com o figurino que devia ser exibido apenas ao fim do espetáculo, mas não pareceu se importar.
Com o coração mais leve, Damen percebeu que aquele era um dos motivos pelo qual Bells era uma de suas pessoas favoritas ali.
Maya tomou o lugar de Nicholau minutos após sua apresentação, explicando que o Dr. Certinho precisava voltar ao hospital. Diferente do que tinha imaginado, ela parecia alegre, radiante… Mas se recusava a sair de lá até que Isabella se apresentasse.
Como consequência, Damen se viu preso ali por horas.
Eles passaram as apresentações rindo, zombando dos colegas na maior parte do tempo — em especial, da equipe de dança, sempre muito espalhafatosa em suas coreografias.
Para a British, o conceito de “arte” era como uma árvore — cheia de galhos e ramificações, com possibilidades para todos os gostos… Mas não era segredo para ninguém que o “tronco” que sustentava a instituição eram os grupos de música e teatro, responsáveis pelos alunos mais bem sucedidos da história do lugar.
Kloe Smythe abriu o espaço da turma de teatro sozinha, com uma performance impecável de I Dreamed a Dream, de Os Miseráveis.
Enquanto cantava, Maya se esticou na direção do amigo para explicar que Kloe e Bells passaram meses disputando aquele papel, mas o senhor Smythe — sem surpreender ninguém — escolheu a filha como Fantine para a temporada.
— Puro nepotismo. — Ela acusou.
E embora tenha acenado em concordância, o Lopez não estava muito certo daquilo.
Isabella era, sem dúvidas, uma cantora mais competente do que Klo, mas também era infinitamente mais bonita. Era difícil imaginá-la no papel de uma heroína trágica, abandonada grávida pelo amante, quando qualquer homem na face da terra trocaria um braço pela chance de ficar com ela.
Kloe era linda, sem sombra de dúvidas, mas a maior parte de seu charme estava na esperteza, enquanto a caçula dos Seymour tinha uma beleza clássica, como anjos e sereias.
Ela tomou o lugar da rival em seguida, e só então Damen percebeu que as pessoas tinham parado para aplaudir a Smythe — ao seu lado, Maya interrompeu suas tentativas de vaia para prestar atenção na amiga.
Isabella tinha a difícil missão de manter as pessoas interessadas após a música mais famosa do teatro ser entoada com perfeição, mas Dam sabia que daria conta da missão. Ela ainda usava o vestido de mais cedo, quando resgatou a amiga do palco, mas os cabelos loiros tinham sido presos em uma trança lateral, jogada sobre seu ombro.
Era o retrato mais puro da inocência.
O microfone foi retirado do centro do palco e Bells tomou o lugar antes ocupado por Kloe e Maya, pousou a mão no peito e cantou sobre amores à primeira vista com tanta verdade que parecia ter se convertido na personagem.
— É engraçado ver a Isa cantando sobre amor, não é? — Maya estava rindo do seu lugar, comendo um salgadinho que só Deus sabia de onde tinha tirado. — Considerando que ela adora pisar no coração dos garotos do futebol.
Damen não deu atenção ao comentário.
Na verdade, não via nenhuma graça na canção, e se pegou inesperadamente concentrado não apenas na letra, como na atuação da garota Seymour — embora seu cérebro ignorasse as demais participações na música.
O ato acabou cedo demais, e as cinco estrelas escolhidas para representar a turma de teatro se juntaram para agradecer ao público em meio aos aplausos, enquanto Dam, inexplicavelmente paralisado pela apresentação, era arrastado pela amiga para fora do teatro.
♪
Dylan passou a maior parte da noite entediado.
As apresentações continuaram com canções, coreografias e afins — tudo barulhento e cansativo. Ele preferia estar dormindo em casa, ou pelo menos andando pelo colégio para dar mais uma olhada nos quadros de seus novos colegas, mas tia Dara estava animada.
Ria e aplaudia qualquer ser humano que subisse ao palco, então ele não podia fugir.
Dara era apenas quinze anos mais velha do que Dylan, e tinha perdido os últimos dez de sua juventude para criá-lo, abdicando da sua vida, de sua profissão e de relacionamentos pelo sobrinho — uma responsabilidade que caíra em seus ombros muito cedo.
O mínimo que podia fazer em retribuição era acompanhá-la em coisas que a fariam sorrir.
Como um bom rapaz, ele suportou todo o barulho muito bem.
Não esperava que, no final do evento, Alice subisse ao palco como a estrela da noite.
Ela usava um vestido claro e brilhante, e parecia…
Bem, não sabia ao certo o que ela parecia, mas as borboletas voltaram a se agitar em seu estômago, e ele deixou de escutar o que a tia tinha para dizer.
Ainda que tivesse sido uma brincadeira, Dylan tinha mordido a língua ao insinuar que ela “não era tão boa”, porque aquela garota não era apenas boa no que fazia: era a melhor pianista que ele já tinha visto se apresentar.
Mesmo quando uma orquestra de estudantes se juntou à sua melodia, ao redor do palco, Alice Darcy ainda era a clara protagonista.
Para Dylan Montgomery, foi impossível enxergar qualquer coisa além da garota sentada no piano de cauda.
= ♫ =
Quando se encontraram nos fundos do auditório após o fim das apresentações, Maya correu até a melhor amiga e saltou em sua direção, agarrando Isabella em um abraço de urso enquanto cantava “Can people really fall in love so fast?”, como se a letra da música fosse uma grande piada.
Era exatamente por isso que Bells não queria aquele papel.
Os Miseráveis eram a peça principal daquele ano, e ela passaria os próximos seis meses se dedicando à Cosette.
Embora tivesse mil e um motivos para se identificar com a personagem, sabia que, independente de seu esforço, as pessoas resumiriam sua participação a um romance sem pé nem cabeça — como se Marius fosse sua única razão de ser na obra.
— Não devia zombar quando sabe que eu queria ser a Fantine.
Maya bufou.
— Malditos Smythes!
Isabella revirou os olhos com o grito da amiga, mas sorriu ao tapar a boca dela.
— Você é bonita demais para alguém acreditar que ia ser abandonada, Bells.
Damen se aproximou devagar — como um gato preguiçoso —, afundando as mãos nos bolsos da jaqueta de couro. Bella balançou a cabeça, dispensando aquela ideia.
— Fantine é a personagem mais bonita de Os Miseráveis, isso não cola. — Ela explicou, soltando um suspiro exasperado.
Começou a desfazer a trança que ainda pendia em seu ombro, e o Lopez se pegou inesperadamente concentrado naquela ação — observando silenciosamente os dedos finos soltando o emaranhado de ondas douradas do penteado.
— Devíamos fazer uma denúncia anônima. — Maya sugeriu com um sorrisinho malicioso. — Sobre Kloe sempre ficar com os melhores papéis.
— Kloe é uma ótima atriz. — Damen as lembrou.
Sorriu quando os olhos claros da Seymour — que ele não saberia dizer ao certo se eram azuis ou verdes — brilharam, cheios de ressentimento em sua direção.
— Você é melhor, é claro. — Pontuou.
— É claro! — Maya concordou em uníssono.
— Vamos lá… — Lopez deu um passo à frente, apenas para bagunçar os cabelos perfeitos da amiga. — Não pense tanto nisso. Sabe que não é por mal… Blake fica cego perto de qualquer um que estiver ao lado da filha.
Os lábios de Isabella se comprimiram em um beicinho adorável.
— Mesmo assim, ela não devia ficar com todas as protagonistas. — Resmungou.
Damen arqueou a sobrancelha escura, sem se convencer.
— Sempre pensei que a Cosette fosse a protagonista feminina de Os Miseráveis.
Um meio sorriso inconsciente brotou em sua boca quando o rosto da loira enrubesceu, ficando visivelmente vermelho mesmo na luz fraca da área externa dos bastidores do auditório.
— Chega de falar nisso.
Maya se colocou entre os dois, puxando a mão que Dam usava para afagar a cabeça da outra.
— Vamos comemorar! Finalmente faço parte dos Escolhidos, e isso merece champanhe, não é?!... Por favor?
Ela tinha começado a saltitar, fazendo os cachinhos dourados pularem com a ação.
Damen nunca dispensava uma farra, especialmente quando era um pedido desesperado de sua amiga mais antiga, mas olhou para Isabella — muito consciente de que a atriz não compartilhava dos mesmos gostos que os dois —, esperando que desse a resposta final.
Como era de se esperar, a Seymour estreitou os lábios e cruzou os braços.
Ele percebeu que ela estava discretamente afagando a própria pele em busca de calor, então tirou a jaqueta e jogou sobre seus ombros sem dizer nada.
— Okay… — Deixou um suspiro vencido escapar, ao mesmo tempo em que enfiava os braços magros nas mangas da jaqueta de couro. — Vamos, então.
Maya voltou a saltar e arrastou a amiga para o estacionamento.
— Hey! — Ela tentou parar. — Devíamos chamar a namorada dele!
Maya revirou os olhos castanhos.
— Como se a Santa Alice fosse capaz de se divertir com prazeres mortais…
Uma pontada de culpa apertou o coração de Damen quando Isabella o lançou um olhar curioso, que ele não sabia decifrar. Mas quando Maya se enfiou no carro dele, os dois a seguiram sem reclamar.
Seguindo as ordens de Maya, Damen estacionou o carro em frente ao prédio do Dr. Certinho.
Ela saiu do carro com a promessa de assaltar a adega particular de Nicholau, e ele se viu inevitavelmente sozinho com Isabella Seymour ao seu lado.
Bella causava reações estranhas em Damen.
Àquela altura, ele já tinha se acostumado com sua presença — eram os dois únicos amigos de Maya, então tinham ido a mais festas juntos do que separados ao longo dos anos —, mas ainda assim estar completamente sozinho ao lado dela era estranho.
Talvez fosse pelo fato de que eram semelhantes.
Antes de se envolver com Ally, Damen havia se tornado o maior conquistador da história da British. Tinha beijado mais bocas do que podia contar, e dormido em mais camas do que conseguia se lembrar, assim como Isabella — sendo a criatura mais bonita do universo — parecia fazer com os colegas do sexo oposto.
Estranhamente, nunca tinham se aproximado daquela forma.
Mesmo que fossem iguais, ao longo dos anos que passaram juntos, nem um mísero beijo havia sido trocado.
Aquilo não costumava incomodá-lo, porque eles eram amigos, e beijar Isabella Seymour devia ser tão estranho quanto beijar a própria Maya… Exceto que, naquele momento, ele não acharia tão estranho assim.
Talvez fosse pelo cigarro que tragava e deixava sua mente mais lenta, ou pelo maldito papel de Cosette, que trazia à garota uma energia de moça fraca inocente que não era nada parecida com a Isabella que ele conhecia.
— Acha que eu conseguiria a Fantine se o senhor Smythe não estivesse no comando?
Uma ruga fina apareceu entre as sobrancelhas claras, que se ergueram na direção de Damen — que deu uma última tragada antes de soltar a fumaça pela janela aberta.
— Se ele fosse justo, você seria a maldita protagonista. Jean Valjean com saias.
A boca rosada se comprimiu para conter uma risada, e Isabella quebrou o contato visual, baixando seus olhos misteriosos em um raro momento tímido.
Damen se viu obrigado a segurar o queixo delicado e erguer o rosto dela.
— Você estava… Perfeita. — Murmurou, tentando não se perder nas palavras. — Acho que uma centena de caras acabou se apaixonando enquanto cantava aquela música idiota.
Ele viu as pupilas dela dilatando, escondendo parte daqueles olhos curiosos, mas foi quando Isabella umedeceu os lábios, em um ato completamente inconsciente, que sentiu seu corpo se inclinar na direção dela.
Maya entrou de repente no banco de trás, erguendo três garrafas roubadas e gritando que deviam ir para o parque.
Graças a Deus.
= ♪ =
A última apresentação do festival foi ovacionada, encerrando o 45º festival de abertura da British Arts School com chave de ouro.
Os participantes da orquestra montada pela turma de música clássica se juntaram no meio do palco, deram as mãos e fizeram reverências em conjunto, orgulhosos de seu trabalho.
Alice sentia seu coração a mil.
O rosto queimava e seu estômago revirava pela adrenalina trazida pela aceitação do público, mas toda a alegria simplesmente morreu quando, ao chegar no camarim comunitário que dividia com seus pares, puxou o cartão que acompanhava as flores enviadas pelos pais.
O bilhete carregava um pedido de desculpas por sua ausência.
Ela tentou entender — o senhor Darcy estava ocupado trabalhando em uma peça de verdade, depois de um ano sabático, e a senhora Darcy sempre estava ocupada com alguma coisa no trabalho.
Tentou não ficar sentida.
Há anos apresentava-se com destaque naquele mesmo evento, então é claro que os Darcy não dariam tanta importância a não aparecer uma única vez…
Mas não eram para isso que os pais serviam, no fim do dia?
Para parabenizar os filhos pelas conquistas, por menores que fossem.
Alice apoiou o rosto na penteadeira reservada para ela e esperou no camarim até ter certeza de que a maioria das pessoas tinha partido, porque não queria que ninguém a parasse no corredor.
Já era tarde quando deixou a escola, torcendo para que pelo menos um táxi tivesse restado da fila que ficava na entrada da British em dias de evento.
Sozinha, precisou escolher entre carregar as flores dos pais, ou a caixa do vestido branco e brilhante que Amélia Woodsen, sua atual melhor amiga, trouxera da França especialmente para a ocasião.
Diferente dos Darcy, a amiga tinha conseguido um lugar na primeira fileira para prestigiá-la, então a escolha não foi lá muito difícil.
Abraçada na caixa grande que carregava seu vestido de anjo, Ally seguiu pelo campus da British com Chopin tocando em seus ouvidos. Ela dedilhava a caixa no ritmo da música, tentando se afastar dos pensamentos desagradáveis trazidos por aquela noite solitária.
Entrou em um dos três últimos carros que esperavam na entrada da escola, afastando o fone apenas para orientar o motorista de bigode, e enquanto o Black Cab seguia pelas ruas, puxou o celular da bolsa para checar as ligações.
Não havia nenhum aviso de ligação perdida, nem mensagens não lidas.
Percebeu que Damen devia estar ocupado com Maya.
Era o grande ano da senhorita Renée, afinal, enquanto para Ally, apenas mais uma apresentação… E se nem os Darcy tinham perdido seu tempo estando presentes, porque seu namorado daria alguma importância?
Ela guardou o aparelho de volta à bolsa e voltou a encarar a noite lá fora, deixando que a música em seus ouvidos a levasse para qualquer lugar longe daquele táxi.
♪
Dylan pensou que sonharia com Alice naquela noite.
Ele tentou, mas não a encontrou na saída dos bastidores do auditório.
Voltou para casa com a cabeça a mil, e o coração estupidamente acelerado, sentindo-se tão tolo que não conseguiu se importar com as piadas de Dara — que o conhecia bem demais para deixar de notar a atenção exagerada para uma colega praticamente desconhecida.
A situação beirava o ridículo.
Dylan nunca tinha se importado com garotas ou com a ideia de romance no geral, e de repente, lá estava ele, com borboletas no estômago e as veias pulsando na garganta por uma pessoa com quem tinha conversado por dez minutos.
Mas ele acreditava em paixões à primeira vista.
Seus pais tinham caído um pelo outro desde o primeiro olhar, e a história de Byron e Dianna tinha se tornado lendária entre os Montgomery: um romance verdadeiro dentro de uma família repleta de casamentos por conveniência, ou falidos.
Quando afundou a cabeça no travesseiro, imaginou Alice fazendo o mesmo em sua cama.
Ela tinha um suave cheiro de flores, e ele quase conseguia sentir o perfume em seu travesseiro, então quando conseguiu adormecer, estava certo de que teria sua primeira boa noite de sono em dias.
Não podia estar mais enganado.
Sonhou com um lago escuro, com braços erguendo seu corpo e gritos abafados na água.
— Nade! Nade! Você tem que...
Acordou de repente, com o despertador abençoadamente gritando em seu ouvido.
Apoiou-se trêmulo na cama, sentando-se enquanto tentava recuperar o fôlego que perdera ao longo do pesadelo e se situar no presente, na realidade.
Era só um sonho.
Nada mais que um sonho.
~ ♫ ~
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