Pride and Joy
3 Capítulo 3
Notas iniciais
[N/A (15/03/2012): Capítulo corrigido/revisado]
PRIDE AND JOY
_ Deixa eu ver se eu entendi… fique quieto Nii-san! – Sasuke tentava limpar e por os curativos nos dedos da mão ferida do irmão. Itachi fazia caretas e puxava a mão toda vez que sentia a ardência dos remédios em contato com sua pele – Você se chama Isumi Hanako, tem vinte e dois anos, seus pais moram na América e você tem uma irmã mais velha... E o que mais?
_ Nada demais, tudo bem genérico para não criar dúvidas. – Itachi respondeu dando de ombros.
_ Hum... certo. Seus amigos sabem quem você é?
_ Não. Nenhum. Todos me conhecem como de Isumi, meus professores assim como todas as outras pessoas que me conhecem nessa cidade. Eu falei a um tempo atrás que traria um amigo para dividir as despesas do apartamento comigo, para que eu pudesse sair da quitinete.
_ E esse "amigo" seria eu, certo? – Sasuke perguntou, cortando o ultimo pedaço de micropore e deixando Itachi analisar a mão que mal se mexia de tantos curativos. Definitivamente Sasuke não tinha um dom para fazer curativos.
_ Uhum... – respondeu o mais velho, distraído com a própria mão.
_ Por que não podíamos ser irmãos nessa vida também? Nós somos muito parecidos.
_ Porque, além de ser bem mais caro conseguir documentos falsos entre familiares e conjugues, poderia levantar alguma suspeita. Cautela nunca é demais.
_ Acho que você se preocupa demais. – Sasuke levantou da mesa, indo até a pia e pegando um copo d'água – Fale sobre mim agora.
_ Seu nome é Hiro Takanawa, quinze anos, foi criado com a avó numa chácara do interior e é órfão de pai e mãe. Ao iniciar o ensino fundamental, sua avó o mandou para estudar em uma escola integral conhecida da capital, o histórico escolar esta em cima da mesa... e agora se mudou comigo pra cá, para cursar o ensino médio na Escola de Konoha.
_ E por que diabos você fez essa nova identidade mais velha do que você realmente é e me fez mais novo do que eu sou? – Sasuke perguntou cruzando os braços e sentindo-se contrariado. Itachi simplesmente sorriu de canto de boca.
_ Eu devia ter feito uma de cinco anos de idade pra você, com certeza acreditariam.
_ Hn.
_ Gostou do seu nome? Achei é bem genérico... prefiro Sasuke – Itachi pensou em voz alta, coçando a cabeça com os dedos enfaixados. Ao ouvir seu irmão falar do mais sobre seu nome permaneceu rígido, em silêncio. Falar de seu nome culminaria em falar sobre sua mãe, e esse sempre foi um tabu para os irmãos, principalmente o mais jovem que nada sabia da falecida Mikoto. Itachi percebeu a tensão do irmão – O que foi?
_ Por que minha mãe me deu esse nome? – Sasuke perguntou cautelosamente, como se esperasse que o irmão fosse evaporar ao tocar no assunto tabu. Como previsto, Itachi suspirou pesadamente, levantou-se e dirigiu-se para o corredor, mas, para surpresa de Sasuke, antes de sair da cozinha respondeu a pergunta que lhe fora feita.
_ Fui eu quem escolhi seu nome. – sua silhueta desapareceu na escuridão do cômodo ao lado e o adolescente sentiu seu peito aquecer com a informação.
_ Você? Por quê?
Itachi não respondeu, provavelmente sequer ouviu a ultima pergunta. Sasuke resolveu deixar esse assunto de lado, teriam que lidar com muitas coisas nas próximas semanas pra esse plano louco funcionasse, discutir o tabu não ajudaria em nada. Olhou novamente os documentos e os papeis em cima da mesa de longe.
La estava a nova certidão de nascimento, RG, CPF, passaporte, enfim, todos os documentos mais importantes na vida de um jovem. Havia também um histórico escolar, documentos de matrícula e uma carteirinha de estudante, inclusive com foto sua. Itachi pensou em tudo mesmo.
Sasuke se sentia ansioso para essa nova vida. Sem Fugaku, sem problemas escolares... era a chance que sempre pediu de recomeçar, e o melhor de tudo, recomeçar ao lado de seu irmão.
Fazia quase um ano que Itachi havia se mudado da casa onde moravam com Fugaku. A vida dos dois não era das melhores com o pai, mas piorou consideravelmente para Sasuke depois que o irmão mais velho foi embora. Fugaku sempre tratou o primogênito com orgulho, exigindo o máximo do rapaz. Quando Itachi, no início o ensino médio, foi contra todas as expectativas do pai e anunciou que preferiria fazer faculdade ao invés de seguir o empreendimento familiar, Fugaku surtou (se é que antes já não era surtado).
Os anos seguintes foram difíceis, mas pioraram consideravelmente quando Itachi se mudou para fazer a faculdade de direito. Toda a ira do pai recaiu sobre o filho mais novo. Sasuke, algumas vezes, costumava pensar que se por ventura um dia fosse preso, não apanharia nem sequer metade na cadeia do que apanhou ao morar com o pai sozinho. Seu corpo tinha cicatrizes permanentes de cortes e machucados, seu braço fora quebrado no verão passado e o outro sofreu queimaduras de segundo grau... dentre outros "acidentes".
Obviamente Sasuke não era uma criança e teria força para se defender do pai. Mas, apesar disso, nunca o fez... o pai parecia uma pessoa muito infeliz, provavelmente traumatizado com a morte prematura da esposa. Sasuke tinha pena de Fugaku e isso o deixava incapaz de sequer segurar o braço do pai para se defender. Itachi costumava dizer ao irmão mais novo que lhe faltava ódio... mas Itachi parecia ter o ódio pelos dois.
Seu Aniki visitava com frequência. De quinze em quinze dias, no máximo, viajava mais de quatro estados para encontrar o irmão. Entretanto, pouquíssimas vezes ficou hospedado na casa com o pai e o irmão mais novo, preferia ficar em hotel ou albergues. Geralmente só ia para casa quando a situação de Sasuke estava muito crítica e isso culminava em brigas terríveis com o Fugaku. Sasuke conseguia sentir toda a ira no olhar do pai e o instinto protetor e, muitas vezes, assassino no olhar do seu irmão. Isso era deveras assustador... Sasuke quase levantou a mão aos céus e agradeceu por estarem em uma nova vida, porque se tivessem demorado muito um dos dois morreria. Fato.
Na escola sua vida não era muito melhor, mas mais pacifica. Estava sempre cercado de garotas que o irritavam profundamente. Os rapazes não gostavam muito de toda essa atenção que o Uchiha caçula recebia das meninas, entretanto nada faziam pois Sasuke nunca deu uma chance para qualquer uma das meninas. Sua rotina escolar baseava-se em estudar, fugir das garotas e compactuar o mutuo silêncio com os garotos. Pacifica mas tediosa, desmotivadora e envolta de grande solidão. Ainda mais sem Itachi esperando-o em casa.
Colocou o copo dentro da pia, passou a mão não enfaixada pelos cabelos, percebendo o quanto estavam bagunçado e imundos devido a correria dos últimos dois dias. Sabendo que iria cair em sono profundo em breve, preferiu tomar um banho antes. Saindo da sala com pressa, gritou em voz alta:
_ Itachi! Onde é o banheiro? – esperou o irmão responder enquanto atravessava a pequena copa – Nii-san! – tentou novamente, sem respostas. Caminhou até a primeira porta do corredor e a abriu, dando de cara com um quarto pequeno que cheirava ao irmão, o que o fez concluir se tratar do quarto do primogênito. Sasuke analisou o cômodo: uma cama de casal, um armário antigo, mas grande e uma escrivaninha cuidadosamente arrumada, repleta de papeis e livros da faculdade. No canto, ao lado da porta, havia um baú impecável, talhado a mão com um cadeado de ferro fechando sua abertura. O baú se destacava perante os moveis antigos do quarto, parecendo ser um objeto especial dentre os outros móveis de segunda mão. Sasuke se agachou para analisar melhor o baú, quando, subitamente, Itachi abriu a porta do quarto e se deparou com a cena.
_ O que você esta fazendo? – Itachi perguntou em tom baixo e monótono, e Sasuke sabia que estava encrencado. Levantou os olhos com cuidado para o irmão e prendeu a respiração. Itachi estava com o corpo e os cabelos molhados, que caiam sobre seus ombros e torso musculosos. Uma toalha envolvia sua cintura e suas pernas também estavam molhadas, era evidente que saíra do banho as pressas. O cheiro tão familiar do xampu do irmão invadiu as narinas de Sasuke sentiu seus receptores olfativos urrarem de contentamento. Percebeu, apreensivo, quando o irmão contraiu as sobrancelhas, olhando com raiva para a figura abaixada ao lado de seu precioso móvel secreto.
O moreno menor sabia que Itachi tinha seus segredos. Em todas as casas e apartamentos que moraram com o pai, Itachi possuía alguma coisa para guardar esses segredos. As vezes era uma porta de armário que permanecia trancada, ou uma gaveta. Desta vez, pelo visto, era o baú. Sasuke se lembrava da primeira vez em que seu pai havia tentado descobrir o segredo do primogênito...
_ Que diacho você tanto esconde nessa gaveta, hein pivete? — Fugaku falou chutando a escrivaninha do filho mais velho, fazendo com que todas as gavetas se abrissem com o impacto, menos aquela trancada. Itachi levantou os olhos do dever de casa e olhou profundamente nos olhos do progenitor.
_ Não dou motivos para esse tipo de comportamento. — falou calmamente.
_ Dá sim! Se esconde é porque é algo ruim! Me mostre agora! — Fugaku falou. Sasuke, que estava sentado em sua cama arrumando alguns papéis do dever de casa, passou a prestar atenção na conversa. Sentiu o cheiro de saquê no ar... Fugaku não estava em seu perfeito estado.
_ Papai... — falou baixinho, enquanto se levantava e andava com cautela para perto dos dois Uchiha contrariados, mas Fugaku pareceu não escutá-lo.
_ Anda! Mostra o que tem nessa gaveta de bosta, seu verme. — Itachi nada fez. Fugaku grunhiu em reprovação e arrancou a corrente do pescoço do filho mais velho, que ornava como pingente a chave prateada para a gaveta secreta. Itachi piscou.
_Não ouse! – rosnou, estreitando o olhar, fúria e ira transpassavam os olhos negros, colorindo-os de um tom que beirava ao vermelho. Fugaku pareceu intimidado, mas não daria um braço a torcer.
Maldito orgulho Uchiha.
_ Ah, ouso sim!
Colocou com rapidez a chave na fechadura e girou uma volta para a direita. Sasuke alcançou o pai antes que esse pudesse dar a segunda volta e segurou seu braço.
_Papai por fav...
Tudo ocorreu muito rapidamente, antes que pudesse finalizar o pedido. Fugaku retirou a mão da chave, deixando-o na fechadura e fechando a mão em um punho, direcionando-o ao filho mais novo que o irritava em atrapalhar sua conduta. Antes que esse o acertasse, porém, Itachi se levantou e puxou a manga do braço erguido do pai de uma maneira muito forte para um adolescente da sua idade. A roupa do homem mais velho chegou a rasgar tamanho a velocidade e força do movimento. Perdendo o equilíbrio e o impulso, Fugaku foi forçado a virar o corpo em direção ao filho mais velho para que seu braço não fosse quebrado.
E então o acontecimento seguinte surpreendeu a todos: assim que Fugaku virou o rosto em direção ao filho mais velho, um punho fechado o acertou em cheio na face, fazendo-o cair para trás.
Sasuke arregalou os olhos diante da cena. O nariz de seu pai havia quebrado e estava em um ângulo torto, com sangue escorrendo por sua extensão e sujando o carpete do quarto. Itachi estava lívido, os nódulos de seu punho estavam vermelhos e provavelmente ficariam roxos em alguns minutos. O olhar de raiva era imensamente mais intenso do que antes do pai ao tentar agredir Sasuke.
_ Tente, apenas tente, por um dedo nas minhas coisas ou no meu irmão... que eu terei o maior prazer em retirar sua vida. — o sussurro foi baixo, ríspido, porém nitidamente audível. Sasuke teve certeza que seu pai estremeceu diante da ameaça. Itachi, em fração de segundos, incorporou novamente a máscara da imparcialidade, retirando a chave com cautela da gaveta, guardando-a no bolso e voltando a escrever em seu dever de casa, deixando seu pai e seu irmão extasiados ao seu lado.
Essa fora a primeira vez que Fugaku havia tentado bater em Sasuke (o que foi seguido de tentativas muito mais eficientes no decorrer dos anos). Também havia sido a primeira vez que Itachi havia enfrentado o pai pelo irmão. Fugaku nunca tinha conseguido bater em Sasuke enquanto Itachi estava por perto, mas o irmão não raras vezes descobria os hematomas e machucados. Sempre que podia, Sasuke escondia de Itachi... pois sabia que seu Nii-san não ameaçaria algo, muito menos a morte, jogando verde. Seja como fosse, seria pra valer. Itachi não sabia nem da metade de tudo que passara nas mãos do pai.
_ Sasuke! — o Uchiha contrariado retirou o sonhador de seu devaneio. Sasuke focalizou novamente o rosto irado do irmão, levantando-se com rapidez.
_ Eu... só... eu só estava vendo o baú Nii-san! Eu juro! Eu achei bonito! — Falou com pressa e medo.
_ Você sabe que não gosto que fucem nas minhas coisas! — Itachi respondeu, estreitando ainda mais os olhos de maneira predadora. O mais novo engoliu em seco.
_ Por favor Itachi, eu juro que não tentei abrir! — andou vagarosamente para trás ate que suas costas encostaram-se à parede, estava mortificado. Itachi acompanhou seus passos, colocando uma mão em cada lado dos braços do mais novo, para que esse não escapasse.
_ Você merece ser punido, Sasuke... — sussurrou no ouvido do menor, que sentiu sua pele arrepiar. Essa foi uma reação estranha de seu corpo... Sasuke não estava sentindo apenas medo, havia outro sentimento que não conseguia identificar. Itachi deu um sorriso maléfico, levantando um punho ao lado de sua cabeça, pegou impulso e...
… fez cócegas?
_ Itachi! Hahahaha! Para, não! Hahahaha! — a risada ecoava pelo cômodo, e Itachi não parecia ter a mínima vontade de parar. Suas feições amoleceram num sorriso divertido e sádico enquanto via o irmão se contorcer tentando fugir de suas mãos. Sasuke conseguiu se desvencilhar do irmão parcialmente, correndo para o outro lado do quarto, apenas para posteriormente ser jogado na cama por seu predador.
Itachi apoiou seus joelhos nas pernas do irmão, impedindo-o de se mexer, e continuou o castigo sem misericórdia.
_ Hahahahha paaara! Não consigo respirar! Não consigo respirar! — Itachi parou ao perceber que seu irmão começava a tomar a tonalidade arroxeada. Riu de leve, vendo o mais novo recuperar o folego com força.
_ Isso, Otouto, é por você ser imbecil o suficiente de achar que eu ia bater em você. Francamente Sasuke, eu não sou o Fugaku... — Itachi cutucou novamente uma costela, retirando uma risada breve do irmão.
_ EU SEI EU SEI hahahaha! Já entendi para! — Itachi parou novamente, sem a intenção de recomeçar a tortura. Observou Sasuke recuperar o fôlego e se acalmar, voltando a sua cor normal. Sasuke, assim que se recompôs, percebeu que o irmão ainda estava acima de si, imobilizando-o contra a cama – Nii-san?
_ Oi? — Respondeu Itachi, distraído, provavelmente perdido em pensamentos, pois seu olhar estava longe e o brilho que seus orbes ornavam podia ser visto a distância.
_ Ahm... — Sasuke tentou novamente movimentar o corpo. Itachi percebeu a posição em que se encontrava e pulou para longe da cama, como se os lençóis estivessem em chamas.
_ Desculpe, eu... é... desculpe. — virou-se de costas para o irmão, mas Sasuke foi capaz de notar que o irmão havia adquirido um leve colorido avermelhado nas bochechas... vergonha? Ele nunca havia visto seu irmão sentir vergonha! Vergonha de quê? O que era isso agora? — Sasuke, deixe eu me trocar... o banheiro é no fim do corredor.
_ Ah... tá, tá bom. — Sasuke se dirigiu para porta, percebendo que o irmão voltou sua atenção toda a um quadro na parede oposta, provavelmente para evitar olhar para ele. Sasuke franziu o cenho diante deste comportamento, mas antes que pudesse falar algo, Itachi bateu a porta atrás assim que atingiu o corredor, trancando-a em seguida e deixando o Uchiha mais novo para fora do quarto, perdido em pensamentos.
… continua...
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