Pride and Joy

28 Capítulo 28 - FIM


Notas iniciais
N/A: Vocês já se perguntaram o porquê das "notas do autor"?
Eu já. Há quem diga que é uma tradição, outros dizem que é uma forma de tentar explicar o seu atraso para os leitores (já perceberam que a maioria das N/A's das fanfics possuem essa característica?). Mas eu acho que as notas nada passam de uma tentativa de iniciar uma página em branco.
Pois paginas em branco assustam mais do que vocês imaginam...
Uma N/A me faz criar coragem para começar, para tentar transparecer pelo menos 10% do que eu tinha em mente para o capítulo...
E o que eu tenho pra dizer nessa nota? Pedir desculpas pela demora?
Não dessa vez. Tudo que quero é agradecer a vocês por tudo. Absolutamente tudo.
Não estou mentindo quando digo isso: iniciarei o capítulo agora, mas estou chorando mais do que chorei em toda a minha vida. Eu mal posso acreditar que estou finalizando Pride and Joy. Eu achava que era impossível sentir tristeza e felicidade ao mesmo tempo, mas não é.
Estou feliz por conseguir finalizar uma fanfic com mais de cem mil palavras que nem ficou tão ruim assim, mas fico imensamente triste em saber que não vou mais planejar Pride and Joy nos meus momentos livres.
É estranho, é como terminar uma rotina na minha vida, uma rotina de quase doze meses. Essa foi a primeira fanfic que eu me dediquei de verdade, e que recebi opiniões em retorno. Foi a primeira que eu publiquei para dar a cara à tapa, pronta para ouvir as críticas e conviver com elas, e nem ganhei tantos tapas assim. Ganhei foram muitos afagos e palavras animadoras. Ganhei experiência, ganhei inspiração, ganhei amigos e leitores.
De qualquer maneira, agradeço a todos vocês que leram, independente de terem comentado ou não. Queria escrever mais nessa despedida, mas estou realmente emocionada pra isso.
Um beijo enorme a todos vocês, sem exceção alguma. Tudo isso seria impossível de ser feito sem o apoio de vocês...
E já vi que não vou parar de chorar tão cedo. =/
[N/A (17/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]
Música: Three Days Grace - Never Too Late (leiam ao som da música, por favor).

PRIDE AND JOY

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This world will never be

What I expected

And if I don't belong

Who would have guessed it

.

Esse mundo nunca será

O que eu esperava

Se eu não me encaixo

Quem iria adivinhar

.

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_ Eu vou arrebentar a cara dele.

_ Calma!

_ Eu vou destruir aquilo que ele chama de sorriso.

_ Itachi!

O irmão mais velho piscou, tentando dissipar a ira que o cegava momentaneamente, e fitou o olhar do caçula em seguida.

Sasuke cheirava fortemente a desinfetante e tinha os cabelos molhados e penteados para trás, deveria ter acabado de sair de um banho hospitalar. Seu braço estava envolto pelo gesso recém-colocado, e ele parecia bem ao olhar de leigos. Os médicos afirmavam que em poucos dias poderia retirar o gesso e não havia qualquer possibilidade de restarem sequelas da suposta "queda de bicicleta".

Mas Itachi sabia a verdade: isso ia muito mais além do que simples sequelas físicas. As sequelas que Fugaku deixava, pouco a pouco, na mente de seu irmãozinho há cada agressão não possuíam tamanho mensurável por medico algum.

Os olhos de Sasuke estavam assustados, e ele puxava a barra da camisa do primogênito com força, utilizando o braço bom, impedindo-o de sair do quarto.

_ Não faça nada.

_ Mas é lógico que eu vou fazer. Fugaku deveria ter pensado duas vezes antes de ter posto as mãos imundas em voc...

_ Se você fizer, eu vou te perder Nii-san.

Itachi encarou as feições sérias do irmão, compreendendo instantaneamente a sua forma de raciocínio.

Itachi, pouco depois de tornar-se maior de idade, saiu de casa para estudar fora, e desde então Fugaku passou a ferir o caçula mais do que o normal. Sasuke não compreendia o porquê de tantos castigos, acreditando estar realmente fazendo algo extremamente errado, mas Itachi sabia muito bem o que seu pai queria atingir agindo daquela forma:

Queria que ele, o primogênito, o gênio da família, revidasse e sujasse suas mãos com sangue.

Sasuke demonstrava todo santo dia a falta que sentia do irmão mais velho, e isso irritava profundamente o pai, que o castigava fisicamente praticamente toda semana. Se Itachi revidasse, ele teria um motivo para retirá-lo da herança e prestar queixa, de modo que o primogênito seria preso e mantido a distância de Sasuke, deixando o caminho disponível para que o líder Uchiha bagunçasse a mente instável de seu irmãozinho.

Seu irmão, apesar de não entender toda essa intenção de Fugaku, percebera que se Itachi reagisse seriam separados de vez.

Sasuke estava crescendo rapidamente, logo estaria na hora de tira-lo do convívio com o pai, antes que fosse tarde demais... Itachi sabia que precisava conseguir dinheiro o mais rápido possível.

O tempo estava correndo rápido demais.

_ Eu sei... Me desculpe. Eu vou resolver isso em breve, eu vou te levar comigo. Juro. – Itachi falou, abaixando-se para acariciar o rosto cansado do irmão. Sasuke fechou os olhos, sentindo-se imensamente mais calmo.

_ Eu só quero seu bem. – contestou, com a voz falha pelo cansaço, sentindo o efeito dos calmantes musculares intensificarem cada vez mais, o sono banhando-o aos poucos – Não se preocupe comigo... Siga sua vida Itachi, um dia eu vou conseguir sair de casa também.

Itachi observou seu irmãozinho fechar os olhos cansados, demorando alguns segundos para raciocinar antes de falar com a voz fraca algo que julgava ser a resposta de todos os questionamentos de Sasuke.

_ Será que mesmo depois de todos esses anos, você ainda não compreendeu que você é minha vida?

Mas Sasuke não respondeu, estava adormecido.

E esta foi mais uma das declarações que o caçula jamais tivera o prazer de ouvir.

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I will not leave alone

Everything that I own

To make you feel like it's not too late

It's never too late

.

Eu não vou abandonar

Tudo aquilo que eu possuo

Pra fazer você sentir como se não fosse tarde demais

Nunca é tarde demais

.

.

.

(***)

Itachi acordou, mas não abriu os olhos. Sentia o cheiro característico de hospital e os barulhos de aparelhos medidores de pulsação – talvez tais características o tivessem estimulado para sonhar com aquela memória.

Seus olhos estavam molhados, ele conseguia sentir. Estava chorando enquanto sonhava, e nem depois de ter acordado parara de chorar. Um choro silencioso, sentido, extremamente penoso...

Não queria abrir os olhos e enxergar um mundo sem o seu irmãozinho. Não tinha sequer um proposito viver em um mundo aonde sentia que sua alma havia sido sugada para longe de si. Ele nunca mentira quando falara em alto e bom som que Sasuke era, acima de qualquer coisa, a sua razão de viver.

Mikoto morrera, Izuna morrera... Tudo que ele tinha na vida desapareceu como um passe de mágica no mesmo instante que Sasuke foi posto em sua vida – e ele verdadeiramente se tornou sua vida.

Agora tudo que ele sentia era a falta de naturalidade do seu ser. Como poderia estar respirado sendo que sua vida fora retirada de si? Algo extremamente errado estava acontecendo.

_ Itachi Uchiha? – uma voz o chamou, fazendo-o abrir os olhos minimamente.

O médico o olhava com feições preocupadas.

_ Esta sentindo dor?

Mas Itachi não quis responder, fechando os olhos novamente e desligando-se de todo arredor.

Ele só queria morrer e encontrar Sasuke o quanto antes no outro mundo...

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Even if I say

It'll be alright

Still I hear you say

You want to end your life

Now and again we try

To just stay alive

Maybe we'll turn it all around

'Cause it's not too late

It's never too late

.

Até se eu disser

Que vai ficar tudo bem

Ainda te ouço dizer

Que você quer acabar com sua vida

Agora e mais uma vez nós tentamos

Apenas continuar vivos

Talvez iremos dar a volta por cima

Porque não é tarde demais

Nunca é tarde demais

.

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(***)

Os médicos haviam feito alguns exames. Tentaram conversar com ele e explicar seu quadro de desnutrição, deixando claro que estaria em condições de receber alta dentro de uma semana se cooperasse com o tratamento e se alimentasse corretamente.

Itachi nada respondeu, e os médicos se retiraram em silêncio ao mesmo tempo que uma nova pessoa entrava naquele agitado quarto de hospital.

_ Isumi.

Itachi fez um esforço extremamente grande para abrir os olhos e encarar seu ex-chefe. Não imaginava que ele seria o primeiro a visita-lo no hospital.

Não que ele estivesse esperando qualquer tipo de visitas.

De qualquer forma, Pain exibia o semblante profissional de sempre. Os cabelos alaranjados e piercings no rosto só mostravam o quanto ele lutara para construir uma carreira em uma área que não tolerava esse tipo de postura rebelde. Pain não era qualquer advogado, era o melhor criminalista do país, e ele podia se dar ao luxo de se vestir da maneira que bem entendesse: seu brilhantismo abafava qualquer polêmica nesse sentido.

_ Isumi, quero dizer, Itachi... Desejo assumir seu caso.

_ Não tenho como pagar. – Itachi respondeu com a voz rouca devido à falta de uso, fechando os olhos novamente com um ar miserável. Pain aproximou-se da cama e colocou um contrato e uma caneta no colo de Itachi, que abriu os olhos surpreso.

_ Seu caso é especial e polêmico, um verdadeiro desafio. O foco da mídia será estonteante. Pra mim será vantagem te defender na corte mesmo se você não me pagar pelos serviços, o retorno que eu receberei com o foco da mídia valerá cada minuto de esforço. Além do mais... Como eu vou ficar sem o meu estagiário na Akatsuki e Associados?

Itachi piscou atordoado, não compreendendo todas as palavras do ex-chefe.

_ Você... Você vai me manter no escritório? Mesmo eu me tornar réu de uma acusação de homicídio e falsidade ideológica?

_ Você é o melhor estagiário que eu tive, e infinitamente melhor do que todos os advogados contratados. Óbvio que te quero na minha equipe, agora como estagiário e depois como advogado padrão, e denúncia nenhuma mudaria isso. Não se preocupe quanto ao caso, será inocentado e trabalhará comigo por quanto tempo desejar.

Itachi abriu a boca. Pain estava oferecendo uma proposta de contratação? Àquela altura do campeonato?

_ Eu recuso. – Respondeu. Foi a vez do ex-chefe abrir a boca surpreso, não acreditando no que ouvia.

_ Peço que reconsidere.

_ É minha decisão final. Aceito que me defenda na corte, afinal isso realmente trará benefícios para você e todo o escritório, mas eu recuso a proposta de efetivação. – exibindo feições neutras, Itachi estendeu o braço e assinou o contrato, devolvendo-o para Pain. Encarou os olhos lilás de seu chefe, que ainda exibiam extrema descrença — Uma pessoa que não consegue sequer defender o próprio irmão não está apta a defender um cliente.

Pain piscou e retomou a compostura, guardando o contrato em sua pasta. Preparou-se para retirar do quarto, mas se permitiu olhar uma última vez para o moreno, exibindo um olhar de compreensão, deixando claro não julga-lo de qualquer maneira.

_ Eu sei que as coisas devem parecer complicadas nesse momento Itachi. Perder um ente familiar é algo extremamente horrível, ainda mais nas circunstâncias em que isso aconteceu com você. Mas deve entender que a vida continua... Minha oferta está feita, Akatsuki e Associados sempre terá as portas abertas para você caso mude de opinião.

Itachi não respondeu, sequer parecia ouvir o que o ruivo falava. Suspirando em derrota, Pain se retirou do quarto de hospital, fechando a porta com um click suave.

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No one will ever see

This side reflected

And if there's something wrong

Who would have guessed it

And I have left alone

Everything that I own

To make you feel like

It's not too late

It's never too late

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Ninguém nunca verá

Esse lado refletido

Se há algo errado

Quem iria adivinhar

E eu tenho abandonado

Tudo aquilo que eu possuo

Pra fazer você sentir

Como se não fosse tarde demais

Nunca é tarde demais

.

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(***)

Os próximos dias foram completamente irritantes. Itachi recebeu a visita de policiais, que coletaram alguns depoimentos sobre o ocorrido na noite da morte de Fugaku Uchiha e o relacionamento da família. O moreno respondeu o mínimo que podia, não prestando atenção nas informações que os policiais passavam a respeito de sua condição no caso de assassinato e demais questões referentes à herança.

Dois dias depois que acordara naquela cama de hospital, Naruto veio visitá-lo.

Entrou silenciosamente no quarto, sentando-se ao lado da cama de Itachi em uma cadeira. O silêncio desconfortável pendurou por quase cinco minutos.

_ Eu não pude ir ao enterro dele... – Itachi foi o primeiro a quebrar o silêncio, sentindo novamente o peso descomunal que sentia em seu coração ao pensar nesse fato.

Naruto fungou, respirou fundo e encarou os olhos de Itachi, com medo do que viria a seguir.

_ Eu sinto muito. Sasuke morreu por minha causa. – Os olhos azuis estavam matejados de lágrimas e avermelhados.

Mais um silêncio desconfortável se estendeu, até que Itachi sentiu seus próprios olhos começarem a lacrimejar. Não se importava se o loiro visse seu estado emocional deplorável. Bem verdade, não se importava com mais nada.

_ Não se culpe. Eu não te culpo... – Naruto concordou timidamente com a cabeça, sentindo seu coração ficar mais leve com as palavras de Itachi. Mas a dor da perda do melhor amigo ainda estava lá, sufocando-o cada vez mais.

_ Os enterros foram rápidos. Ambos de caixão fechado, o de Fugaku pelo estado em que você deixou o corpo, o de Sasuke a pedido de Gaara. Ele achava que o antipático do Teme não ia gostar de ser alvo de tantas fotos da mídia – Naruto riu de leve, deixando as lágrimas escorrerem, a piada apenas fazendo seu coração doer ainda mais – Acho que ele estava certo. De qualquer forma a mídia atrapalhou bastante, eu e Gaara sofremos com o assedio. Seu advogado fez certo em aconselha-lo a não ir.

_ Eu não deixei de ir por causa do conselho de Pein. Eu não consegui ir... – as lágrimas dos olhos de Itachi escorreram até seu queixo, pingando em seu colo em forma de grossas gotas de dor e desespero – Eu me recuso a me despedir de Sasuke. Eu sinto que Sasuke não se foi... Eu sinto que a qualquer minuto ele aparecera porta adentro.

_ Itachi...

Calou-se abruptamente, e encarou novamente os olhos azuis, vendo que as lágrimas de Naruto também rolavam livremente.

_ Eu não consigo viver sem ele. Há tantas coisas que eu deixei de falar, tantas coisas... Ele não pode ter ido sem ouvir. Nosso tempo juntos como amantes foi muito curto, eu não consegui dizer ou demonstrar tudo que deveria ser dito e feito. E eu nunca vou saber qual seria a resposta dele...

_ Você alguma vez na vida viu o pôr-do-sol e pensou "Nossa, é tão lindo" e desejou que pudesse ficar naquele entardecer para sempre? Só que você deixou isso pra lá, porque sabia que ia ter outro pôr-do-sol de novo no dia seguinte? — o loiro olhou perplexo para Itachi, este ainda olhava distraidamente pela janela enquanto falava – O que você acha que o sol faria se você falasse pra ele o quão belo ele é e como você adora observá-lo? Será que ele ficaria grato e te abraçaria, ou será que ele ficaria ofendido por você ter passado tanto tempo com esse sentimento e nunca se incomodado em dividir com ele? Você arriscaria o resto da sua vida sem o calor do sol ou continuaria a contemplá-lo em silêncio?

Deidara estava de boca aberta. Nunca, em todos esses meses, Itachi tinha falado tanto e com tanto sentimento no olhar por detrás da mascara da indiferença. Engoliu seco antes de responder.

_ E se o sol perdesse sua chama antes de você ter a chance de dizer a ele o quanto você o admira? Conseguiria você viver o resto da sua vida no escuro, sem saber a resposta dele, un?

... Não Deidara, não consigo...

Sua mente voltou à realidade ao sentir a mão quente de Naruto apertar a sua, voltando a fitar os olhos azuis do amigo de seu irmão. Naruto sorria afetuosamente, não só com os lábios, mas com cada pedaço do seu corpo: o sorriso atingia seus olhos, transmitindo uma corrente de calor contagiante. Uma fagulha de esperança, iluminando todo o quarto – apesar de Itachi saber muito bem que ela se exauriria assim que o loiro não estivesse mais em sua companhia.

Itachi entendia o porquê de Sasuke ter sacrificado sua vida por alguém tão... único.

_ Você sabe muito bem a resposta dele pra tudo que você tinha a dizer Itachi. Ele te correspondia em todos os aspectos, nunca tenha duvidas disso.

Mas o moreno não conseguia assimilar as palavras de Naruto. Sua dor o impedia de ouvir qualquer coisa que não fosse o próprio lamentar.

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Even if I say

It'll be alright

Still I hear you say

You want to end your life

Now and again we try

To just stay alive

Maybe we'll turn it all around

'Cause it's not too late

It's never too late

.

Até se eu disser

Que vai ficar tudo bem

Ainda te ouço dizer

Que você quer acabar com sua vida

Agora e mais uma vez nós tentamos

Apenas continuar vivos

Talvez iremos dar a volta por cima

Porque não é tarde demais

Nunca é tarde demais

.

.

.

(***)

_ Você é um completo idiota Uchiha.

Itachi ouvia a voz conhecida de Gaara persuadi-lo, mas continuava na mesma posição, sem abrir os olhos ou responder qualquer comunicação à ele direcionada.

Ouviu barulho de passos e subitamente foi puxado para cima pela gola da roupa de hospital. O gesto brusco o fez abrir os olhos e fitar o rosto furioso de Gaara.

_ O que pensa que Sasuke acharia vendo você assim, se sentindo um grande miserável, hein?

_ Você não tem nada a ver com minha vida Sabaku, o que eu faço ou deixo de fazer não é de seu interesse.

Gaara soltou-o bruscamente e o moreno caiu de encontro à cama, o ar de seus pulmões foi expirado com o impacto bruto. Mas o moreno não parecia se incomodar.

_ Sasuke salvou Naruto, Naruto é tudo pra mim, e por isso sou extremamente grato. Sinto como se tivesse uma dívida eterna com ele, e por isso me esforcei para vir aqui conversar com você. E você vai ouvir, nem que eu tenha que te espancar pra isso.

Itachi não mais fechou os olhos, e passou a observar o ruivo com as feições indecifráveis de costume.

Para leigos, Itachi estava apenas colocando a mascara da indiferença que o protegia de tudo e todos. Mas Gaara sabia muito bem o que acontecia: Itachi sentia apenas o sofrimento, que estava tão enterrado em seu coração que sequer era expresso para o exterior... As feições indecifráveis não eram propositais, e sim a verdadeira ausência de qualquer emoção a ser exteriorizada.

O ruivo possuía grandes curativos na perna e usava muletas para se movimentar. A operação para a retirada da bala de sua perna fora um sucesso, mas ele ainda estava em fase de recuperação. Sua mão direita estava enfaixada, e Itachi mal conseguia se recordar o fato de que ele, também, havia quebrado um dedo no encontro com Fugaku Uchiha.

Gaara sentou-se bruscamente na cadeira que sempre se encontrava na lateral da cama de Itachi, e descansou as muletas no chão. Encarou o moreno por mais alguns instantes, até amaciar suas feições, suspirando e mostrando pela primeira vez o quão cansado estava.

_ Meu pai não quis aguentar o fardo de administrar o seu lado da empresa, o lado dos Uchiha. Por causa de toda polêmica envolvendo a vida de vocês, ele estava até pensando em vender a parcela dele da empresa, mas tudo estava paralisado me translações desse gênero até o herdeiro assumir as atividades das quotas majoritárias. O herdeiro, como deve saber, é você.

_ Não venha ate aqui falar de negócios.

_ Eu não vou falar de negócios, escute o que tenho pra dizer. – o ruivo o interrompeu, pigarreando antes de continuar – eu fui contra a opinião de meu pai e me prontifiquei a manter as coisas sobre controle até tudo estabilizar normalmente, ou seja, até seu julgamento. Meu pai reavaliou e decidiu me conceder a emancipação para que eu pudesse fazer qualquer negócio sem a intervenção dele com relação a suas cotas. Provavelmente vieram te informar isso, e você deveria estar ocupado demais se lamentando para ouvir, mas atualmente sou eu quem cuida do seu patrimônio.

_ Colocaram um moleque pra ser o meu curador? E Pain ainda acha que eu vou ser inocentado com uma justiça anormal como essa?

_ Não seja besta, é lógico que eu comprei Deus e o mundo pra conseguir virar seu curador. Justiça não existe quando se tem dinheiro envolvido. Você fez bem em arrebentar Fugaku Uchiha até a morte, ele provavelmente compraria o seu julgamento e o julgamento dele para resultar na maneira que bem entendesse.

Itachi estremeceu levemente de raiva, lembrar de Fugaku o fazia ter essa reação toda vez que recordava do acontecido.

Não houve mais uma briga após a morte de Sasuke, houve uma obliteração. Todos permaneceram estáticos, observando Itachi descontar toda raiva que sentia em Fugaku com socos certeiros, sangue espalhando para todos os lados, os gritos desesperados regados de pura ira de Itachi eram os únicos sons no recinto.

Fugaku já havia morrido há minutos atrás, mas Itachi não parava.

Lágrimas de raiva escorriam dos olhos do primogênito, pingando sobre o rosto desfigurado e completamente manchado de carmesim de Fugaku.

Depois do que pareceu uma eternidade, Itachi sentiu seu punho esquerdo ser segurado e imobilizado delicadamente. Olhou para trás, encarando os olhos assustados de Kakashi.

_ Já chega Itachi. – o grisalho falou com uma voz falha. Itachi olhou além do corpo do grisalho, encarando um Naruto assustado que abraçava o corpo inerte de Sasuke como se pretendesse protege-lo de qualquer insanidade daquele lugar.

Estavam com medo de Itachi, todos eles...

E Sasuke... Sasuke não mais se moveu.

Itachi perdeu qualquer força que, incrivelmente, o fizera agir até então. A adrenalina do corpo foi diminuindo, o desespero alcançando-o. Estava hiperventilando, e recordava apenas de Kakashi segurando-o pelo braço e retirando-o de cima do corpo destruído de Fugaku, até que perdeu completamente a consciência e adormeceu pelo cansaço emocional e físico.

_ O fato é que eu fiz isso pois sabia que qualquer outra pessoa que tomasse conta do seu dinheiro acabaria empregando-o mal. E não quero o mal da empresa.

Itachi nada respondeu. Gaara estava sendo um completo idiota, vindo até ele naquele exato momento, em seu luto, para conversar sobre o dinheiro.

_ Não quero a merda da empresa, assim que eu tiver acesso ao meu capital vou doar integralmente pra você as quotas da empresa, fique com elas e faça o que bem entender.

_ Não. Eu quero que você se recupere, pela empresa sim, afinal precisamos de alguém genial como você no topo.

_ Cale a boca! – Itachi gritou, perdendo completamente a compostura. Estava farto! – Eu não aguento mais! Eu nunca quis ser essa merda de gênio! Tudo que eu queria era ser normal! Viver com o meu irmão na vida que nos merecíamos ter, longe de tudo isso! E, advinha só, o grande gênio Itachi Uchiha falhou! Porque Sasuke está a vinte palmos abaixo da terra! Será que é tão difícil compreender a repulsa que eu tenho de tudo isso? A repulsa de ser quem eu sou? Porra!

Mal terminara de falar quando seu rosto foi bruscamente estapeado pelo ruivo com as costas da mão esquerda.

_ Como ousa! – Itachi gritou, e Gaara acertou a outra face com a palma da mão. Itachi abriu a boca, completamente surpreso pela ousadia do ruivo.

_ OLHE PARA VOCÊ! – o ruivo gritava, desprezo evidente em cada traço de seu rosto – Patético! Sasuke morreria de desgosto ao ver a sombra de si mesmo que você acabou se tornando! Era pra ter recebido alta há quinze dias, mas está se prejudicando tanto mentalmente que mal consegue levantar dessa cama! Deplorável! Seja lá onde Sasuke esta agora, com certeza está decepcionado. E saiba que se fosse ele no meu lugar, não seria um simples tapa que você receberia no rosto Uchiha, e você sabe muito bem disso! – Gaara abaixou-se para buscar suas muletas, e quando reapareceu no campo de visão de Itachi falou em tom de alerta – Acorde pra vida, ela não acabou. Sasuke fez tudo que fez para te salvar, não faça o sacrifício dele ter sido em vão.

Não aguardou por uma resposta, não que esperasse realmente receber uma. Colocou-se de pé, apoiando-se nas muletas com dificuldade, e saiu do quarto com a maior velocidade que conseguiu.

Itachi apenas continuou a fitar a porta fechada com a boca aberta.


(***)


Algo no discurso de Gaara fez as atitudes e Itachi modificarem nos dias que se seguiram.

Passou a se alimentar corretamente e atender as sessões de fisioterapia com mais disposição. Os médicos não sabiam o porquê da mudança de postura, mas preferiram não tocar no assunto, temendo que Itachi voltasse a agir como anteriormente.

Os dias passaram mais rapidamente, e dentro de uma semana o moreno recebeu alta, com a condição de voltar em dias intercalados para o tratamento fisioterápico. Por ser réu primário e estar em problemas de saúde considerado graves devido ao cárcere, não o prenderam em delegacia ou presídios até o julgamento. Itachi foi mantido em prisão domiciliar até seu julgamento, que demorou um mês para acontecer.

O julgamento, extremamente explorado pela mídia, ocorreu em três dias de júri popular. As testemunhas foram alguns subordinados de Fugaku, Gaara, Naruto e Kakashi. Mas a testemunha chave foi Sakura, que narrou todos os acontecimentos em grandes detalhes em troca de perdão judicial por cooperação com a justiça. Redundante dizer que com tamanho suporte testemunhal, aliados ao trabalho excepcional de Pain, Itachi fora absolvido por ausência de culpabilidade de todos os crimes.

_ Itachi-bastardo! Vamos comemorar! – o loiro gritava assim que colocaram os pés para fora do tribunal. Itachi passava as mãos pelo rosto, cansado.

_ Não tenho nada para comemorar Naruto...

O loiro parou de caminhar, observando Itachi se afastar aos poucos com passos lentos. Gaara se aproximou de Naruto, tomando sua mão direita com a sua esquerda e acariciando com ternura.

_ Deixe-o ir. – sussurrou.

_ Mas...! — o ruivo o interrompeu, entregando um papel para seu namorado. Naruto olhou os escritos em entender, os olhos arregalando em surpresa.

_ Há alguém que precisa te ver.

Naruto piscou e sorriu, agarrou o pescoço de Gaara e beijou-o intensamente. Ao desprender os lábios dos lábios do ruivo, correu em direção ao seu carro, gritando por cima de seu ombro.

_ Me espere Gaara! Me espere! Eu tenho algumas coisas para dizer a você quando voltar!

O ruivo sentiu um impulso incompreensível de sorrir, mas desta vez deixou que os sentimentos se exteriorizassem com o movimentar suave de lábios, respondendo pela segunda vez aquilo que sempre responderia ao se tratar de Naruto.

_ Eu vou sempre esperar Naruto. Sempre.

(***)

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.

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The world we knew

Won't come back

The time we've lost

Can't get back

The life we had

Won't be ours again

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O mundo que nós conhecíamos

Não vai voltar

O tempo que nós perdemos

Não podemos recuperar

A vida que tínhamos

Não vai ser nossa novamente

.

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Itachi encontrava-se de pé, observando a lápide de Sasuke com os olhos frios e incompreensíveis.

Não trouxera flores ou qualquer tipo de presente. Despedidas não combinam com troca de presentes...

_ Como você pode me deixar... – sussurrou para a pedra de granito, sentindo as primeiras lágrimas se formarem, as primeiras de muitas – Como Sasuke...

Não era a mesma coisa. Definitivamente não era.

Deixou o corpo padecer, caindo de joelhos sobre o túmulo de seu irmão, encostando a testa na grama molhada e chorando como nunca se permitira chorar.

Não conseguia compreender como as pessoas perdiam tanto tempo falando com os túmulos de seus entes queridos, como se estes pudessem ouvi-los à distância. Como se a lápide fosse um simples canal de comunicação com o mundo superior... Tolice, eram todos tolos.

A lápide não passava de uma bela pedra estúpida... Nada além disso.

E Itachi não conseguia se comunicar com uma pedra. Ele queria Sasuke, ele precisava ver Sasuke e dizer tudo àquilo que jamais foi dito.

_ Me espere... Eu estou indo... – sussurrou para a grama, sentindo a dor no coração aumentar cada vez mais, fincando as unhas na terra numa tentativa inútil de alcançar o corpo de Sasuke que tanto fazia falta em sua vida.

Não Deidara, eu definitivamente não consigo viver o resto da vida no escuro... Minha vida já foi tirada de mim, só basta o meu corpo deixar de funcionar.


(***)


A casa em que Itachi vivia era o antigo sobrado dos Uchiha, onde todo o inferno teve início. O apartamento que dividia com Sasuke fora devolvido ao proprietário enquanto o moreno encontrava-se hospitalizado, e seus objetos foram movidos para antiga moradia. Gaara, exercendo sua função de curador, havia questionado se Itachi preferiria vender esta casa e comprar um novo imóvel, evitar memórias desconfortáveis de surgirem em sua mente.

Itachi nem sequer se incomodou de responder essa pergunta... Não se importava com eu bem estar, em qualquer lugar que fosse morar se sentiria miserável da mesma maneira, não havia sentido em comprar uma nova casa.

Havia concentrado todos os objetos principais no quarto que costumava dividir com Sasuke, e ainda podia sentir o perfume do caçula cada vez que entrava naquele cômodo – mas sabia que provavelmente era uma grande alucinação da sua mente, a casa estava desocupada faziam meses.

Entrou e não se incomodou em retirar os sapatos para não sujar o chão. Andou com passos firmes até sua cama, segurando o pequeno frasco com uma das mãos. Sentou-se com as pernas cruzadas, respirando serenamente enquanto olhava com curiosidade para o conteúdo do objeto.

E assim permaneceu durante muito tempo, apenas encarando o pequeno recipiente com cautela.

.

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This world will never be

What I expected

And if I don't belong…

.

Esse mundo nunca será

O que eu esperava

E se eu não me encaixo...

.

.

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Dentro do vidro estava a solução para todos os seus problemas, para toda sua dor. Não sentiria mais nada caso colocasse seu conteúdo garganta abaixo... Estaria em paz, estaria feliz, estaria satisfeito.

Estaria com Sasuke.

Destampou o frasco, encarando a solução de Ricina* em pó com um verdadeiro fascínio, balançando o conteúdo do frasco à sua frente, pretendendo solver o pó em instantes.

Mas alguma coisa o impedia de levar o frasco à boca e ingerir até a última parcela, alguma força maior que ele desconhecia...

Pegou o frasco e jogou longe, acertando a outra parede com força e fazendo-o espatifar-se em caquinhos de vidro. Puxou seus joelhos e pernas para cima a cama, descansando a cabeça nestes, deixando a frustração exaurir através das lágrimas mais uma vez.

_ Eu não consigo Sasuke... Você vai ter que me esperar um pouco mais. – sussurrou para seus joelhos, se sentindo um completo inútil e covarde.

_ Que bom que não consegue Nii-san, mas não garanto que vá viver por muito tempo depois dessa.

O moreno abriu os olhos assustado e fitou a direção de onde ouvia a voz. Seu mundo parou de girar, seus pulmões não mais assimilavam o oxigênio. Nada mais fazia sentido, ou nada além daquilo que deveria ser relevante.

_ S-sasuke...

Sasuke, de carne e osso, estava encostado na porta do quarto. Os braços cruzados, apoiando-se lateralmente na porta com o ombro, uma pequena maleta estava depositada no chão, próximo aos seus pés. O rosto evidenciando uma leve irritação, olhando Itachi nos olhos.

E o mais surpreendente: vivo!

_ O que estava pensando em fazer Itachi?

_ Sasuke!

_ Você por um acaso pretendia tomar aquela porcaria? Porque eu te juro Itachi, que se você se suicidasse eu ia até o inferno encher você de porrada e... – não finalizou a ameaça, Itachi voara ao seu encontro e o beijava com uma quantidade dilacerante de amor e saudades. Suas mãos tremulas acariciavam o rosto do mais novo.

Sasuke não pode manter sua raiva por muito mais tempo, retribuindo o beijo com fervor e também acariciando os cabelos sedosos do irmão que tanto sentira falta, o cheiro de sol de Itachi aquecendo seu corpo por dentro, como de costume.

_ Caham! – alguém pigarreou do corredor fazendo os irmãos interromperem o beijo. Kakashi chamou a atenção dos irmãos com uma das mãos, num gesto de despedida – Acho que já fiz a minha parte. Está entregue Sasuke.

_ Sim, obrigado Kakashi.

Observaram o grisalho girar os calcanhares e se retirar da casa despreocupado, assobiando alto e escondendo as mãos no bolso, sentindo uma boa sensação de dever cumprido enquanto se retirava.

_ Você... Sasuke... Você...! – o caçula encarou o irmão mais uma vez, vendo a quantidade enorme de lágrimas escorrer queixo abaixo. Sorriu, acariciando a pele molhada e retirando as gotículas com cuidado.

_ Pare de chorar Aniki, isso não combina com você.

_ Como...? – Itachi estendeu a mão para tocar no moreno mais novo novamente, mas Sasuke segurou-a antes que pudesse acariciar sua pele, e passou a beijar a ponta dos dedos trêmulos de seu irmão com ternura e paixão enquanto respondia.

_ Depois que você desmaiou, nos todos fomos resgatados pela Interpol. Eu também estava desmaiado, mas estava vivo, ao contrario do que você e os demais achavam. Fomos internados, eu precisei de transfusão de sangue e passei por uma cirurgia complicada, mas sobrevivi. Demorei para acordar, e quando acordei Kakashi foi o primeiro a me recepcionar, explicando a minha condição e a condição dos demais. Kakashi me explicou que se eu utilizasse meu nome verdadeiro eu seria preso, e que pelas condições dos meus crimes eu dificilmente seria absolvido. Por isso, ele ordenou que me transferissem para um hospital distante, onde me recuperei utilizando o nome Hiro e alegando ser vítima de um roubo. Kakashi, a pedido de Gaara, utilizou a sua influencia na Interpol e conseguiu que o meu caixão fosse enterrado vazio sem levantar suspeitas, sendo que apenas ele e Gaara sabiam da verdade. Umas duas semanas depois pedi para vê-lo, mas então foi Gaara quem veio ao meu encontro. – respirou fundo, pegando a outra mão de Itachi e passando a realizar o mesmo tratamento carinhoso — Gaara me explicou a sua condição, que você estava sendo julgado mas afirmou que o prospecto era bom, provavelmente seria inocentado. Disse o quanto você sofria, mas que estava começando a se recuperar emocionalmente, cooperando para a absolvição. Por fim me explicou que se eu me revelasse para você agora, você deixaria tudo de lado para ficar ao meu lado. Você fugiria comigo.

_ Mas, mas é logico que sim! Meu Deus Sasuke!

_ Acalme-se. – o moreno falou, sorrindo e desferindo um pequeno selinho nos lábios de Itachi para acalma-lo – Eu expliquei para Gaara que estava cansado de fugir, pedi pra ele me explicar trocentas vezes o seu quadro na justiça, e quando tive certeza de que Pain conseguiria inocentar você, relaxei e decidi esperar. Se você fugisse comigo, apenas estaria assinando sua confissão de culpa em um contrato de sangue... Seria não apenas caçado por Fugaku como antigamente, mas por todas as nações do mundo como um foragido da justiça, o que é muito pior.

_ Sasuke, como pode tomar esse tipo de decisão sem mim! – Itachi falou contrariado, recebendo outro selinho do irmão para que se calasse mais uma vez. Isso já estava começando a parecer um habito do casal.

_ Justamente por isso. Você está agindo completamente fora de si Itachi, você não me escutaria nem por um instante... Relaxe...

_ Foi muito arriscado! Podia não ter dado certo!

_ As vezes apenas correndo riscos conseguimos o que queremos. As vezes o que pra muitos pode parecer uma jogada desesperada é na verdade uma jogada muito bem planejada. — Itachi olhava incrédulo para o rosto sorridente de seu irmão, que riu de maneira suave e melodiosa – Não foi isso que você me ensinou pro Gaara?

_ Idiota... – o mais velho respondeu, segurando a cabeça de Sasuke e retribuindo o sorriso da mesma intensidade, passando a puxa-lo para mais perto de si e beijando cada centímetro a vista de sua pele com selinhos estalados e rápidos, causando cocegas no menor – Você vai pagar por isso, não sabe?

_ Hahahaha Itachi! Nii-san! Pára! – Sasuke suplicava entre os risos, enquanto o primogênito levantava o corpo de Sasuke como se fosse uma noiva, entrando novamente no quarto e empurrando a porta com o pé para que se fechasse atrás dos dois.

Finalmente, a sós.

.

.

.

Even if I say

It'll be alright

Still I hear you say

You want to end your life

Now and again we try

To just stay alive

Maybe we'll turn it all around

'Cause it's not too late

It's never too late

.

Até se eu disser

Que vai ficar tudo bem

Ainda te ouço dizer

Que você quer acabar com sua vida

Agora e mais uma vez nós tentamos

Apenas continuar vivos

Talvez iremos dar a volta por cima

Porque não é tarde demais

Nunca é tarde demais

.

.

.

(***)

_ Eu sabia Teme, eu sempre soube! – o loiro gritava, contentíssimo, correndo de encontro ao corpo de Sasuke no quarto de hotel, almejando abraçar o amigo, mas este apenas desviou o corpo fazendo com que o loiro perdesse o equilíbrio e caísse na cama. Naruto xingou alto e se levantou, e focalizou finalmente o olhar no rosto de Sasuke.

Sasuke estava extremamente desanimado, de uma maneira que chegava a dar pena.

_ Por que está agindo assim? – Naruto perguntou, uma leve irritação evidente em seu comportamento. Encarava o moreno com os braços cruzados, batendo o pé esquerdo freneticamente no chão enquanto colocava todo o peso do corpo no direito. Sasuke evitou olhar em seus olhos, focalizando um ponto na parede branca e serena antes de responder em tom monótono.

_ O que quer dizer?

Naruto levou as mãos a cabeça, agarrando as madeixas douradas antes de soltar um grunhido de frustação, pedindo mentalmente força e paciência para os deuses do céu. Respirou fundo algumas vezes antes de recomeçar, ficando na mesma posição e voltando ao tom de falsa calmaria.

_ Eu sei o que você fez Sasuke.

_ Do que diabos...

_ Eu não seria seu melhor amigo se não tivesse percebido. – Naruto o interrompeu, sorrindo firme. Sasuke arregalou o olhar, mas se recompôs rapidamente antes de continuar a falar.

_ Não me lembro em nenhum momento ter dito a você que é meu melhor amigo.

_ Suas ações falam por si só. – Naruto falou, aproximando-se de leve do moreno mentiroso e colocando de leve a mão esquerda nas costas do rapaz, ainda podendo sentir o curativo que tapava o ferimento causado pelo tiro. Sasuke cedeu, olhando em seus olhos e controlando-se para não retribuir o sorriso.

A quem ele queria enganar afinal? Naruto estava certo, só havia duas pessoas a quem ele daria a vida em troca nesse mundo: Ele e Itachi. Ninguém mais. Isso não significa que ele estava confortável em discutir esse tipo de coisa com o loiro, então, como de costume, exclamou em voz firme.

_ Não toque em mim. – Naruto retirou a mão de Sasuke, rindo baixo antes de puxar uma cadeira e sentar ao lado da cama de seu amigo ao mesmo tempo em que o moreno sentava-se na borda do colchão.

_ Eu sei o que você fez. Você queria que nós o encontrássemos. Gaara e Kakashi acharam que você e Kabuto esqueceram aquele bilhete na sua antiga casa, mas eu sei muito bem que você deixou de propósito.

_ Kabuto foi um completo incompetente por não perceber isso. Percebi que estava tudo ganho quando sai daquela casa sem ele sequer lembrar-se do bilhete amassado no chão. Acho que ele morreu sem nem se dar conta do grande deslize dele... – Sasuke concordou com a cabeça, falando mais para si mesmo do que para o loiro. Naruto mantinha o sorriso largo no rosto.

_ Você só agiu quando viu que alguém havia encontrado você, negociando com Orochimaru para que ele mandasse Kabuto até Fugaku e nós pudéssemos rastreá-lo e libertar Itachi. Você sabia que estávamos na jogada, não sabia? Afinal, Kakashi não é uma pessoa muito comum para passar por um civil não é? Ainda mais com essa estranha mania de esconder o rosto e aquela cicatriz no olho...

_ Eu não sabia que eram vocês, podia muito bem ser alguém da segurança nacional ou simples policia civil... Mas eu soube que se me encontraram foi por causa do bilhete, e se encontraram o bilhete estavam rastreando o celular de Kabuto e achariam Itachi quando Kabuto fosse para perto dele, então eu precisava fazer com que o Orochimaru mandasse o Kabuto até o local onde Itachi e Fugaku estavam, por isso negociei.

_ Então porque você foi atrás dele Sasuke? Por que você não esperou a gente libertar Itachi? Você sabia que estava indo pra guilhotina fazendo isso.

_ Eu... – o moreno suspirou na tentativa de não demonstrar fraqueza, tanto na voz quanto na umidade que se formava em seus olhos – Eu queria vê-lo, uma ultima vez.

_ Não seja tolo, você vai ver ele sempre, vai ver todos nós toda hora Sasuke.

_ Naruto... Cale a boca. – Sasuke suspirou, girando a abeca em negação – Eu posso ter usado o nome de Hiro até então e ter dado a sorte de ser tratado por médicos de cidade do interior que não assistem noticiários e tudo mais, mas e agora? Eu não tenho como continuar fugindo com esse nome, e não quero envolver Itachi nessa confusão. Eu acabei de ver no noticiário que ele foi inocentado, quero que ele siga a vida dela sem mim pra não precisar continuar fugindo.

_ Idiota, não fale asneiras. Você acha que eu vim até aqui só pra ver seus belos olhos?

_ Espero que não, você não faz meu tipo.

_ Convencido, como se você fizesse o meu. – Naruto deu um soco de brincadeira no braço de Sasuke, arrancando um sorriso do moreno – eu não gosto de caras que atiram em mim, sabe...

_ Ah... bom... sobre isso... – Sasuke tentou falar, sentindo-se imensamente envergonhado ao recordar dessa situação.

_ Eu sei, eu sei, foi pra gente entrar no jogo, assim como Kabuto e Orochimaru acreditarem que você estava cego de ódio, né?

_ Não, é porque eu te odeio mesmo Dobe.

_ Teme! – Sasuke sorriu, desviando do soco que não seria tão contido dessa vez.

_ É brincadeira. Lógico que foi por isso, eu ainda não sabia da existência de Kabuto e Orochimaru, mas imaginei que existissem inimigos de Fugaku querendo se aproveitar do que acontecia na nossa família, ainda mais depois de Fugaku ter deixado público que oferecia recompensa para quem encontrasse a mim ou Itachi... Eu tentei atirar em locais não vitais, me desculpe pela dor... E você devia ter prestado queixa contra mim Naruto, para que me encontrassem mais facilmente.

_ Bleh, eu não, eu achava que ainda podíamos salvar a sua identidade original se houvesse apenas o crime de falsidade ideológica... mas... né... O que nos leva ao segundo assunto: sua identidade.

_ O que quer dizer?

Naruto sorriu, pegando uma maleta que Sasuke não havia percebido estar na posse do loiro quando este entrou no quarto, entregando-a para o moreno e abrindo em seu colo.

Sasuke deixou de respirar.

_ Será que esse dinheiro compra uma identidade nova pra você?

_ N-Naruto! – exclamou, surpreso, sem saber exatamente o que falar diante de tanto dinheiro.

O loiro sorriu, explicando detalhadamente a procedência do dinheiro e o fato de tê-lo aceitado de Gaara para que conseguisse ajudar os irmãos Uchiha. Sasuke ouviu tudo calado, ainda com os olhos arregalados, e aguardou até a última frase ser finalizada para se pronunciar.

_ Não posso aceitar.

_ É seu por direito, faz parte da sua herança.

_ Mas você... Você ganhou, é seu! Eu sei que sua condição financeira não vai muito bem por causa da liberação da sua herança.

_ Tsk, Teme, me poupe. – Naruto fez um gesto de impaciência com as mãos, levantando-se em seguida – Eu vou completar a maioridade em breve, logo vou poder sacar toda minha herança e comprar tudo que eu quero!

_ Mas ate lá...

_ Até lá eu vou viver como sempre vivi: No apartamento que era dos meus pais e comendo o meu magnifico ramen e importunando o Gaara, o que mais eu ia querer?

Sasuke olhava para as notas verdes com a boca aberta. Seus pensamentos foram interrompidos ao sentir a mão de Naruto em seu obro, forcando-se a encarar os olhos azuis do amigo, que ainda sorria iluminando todo o ambiente ao seu redor.

_ Use esse dinheiro melhor do que eu usaria, eu provavelmente gastaria tudo em comida. Encontre Itachi, compre uma nova identidade e saiam do país pra morar em algum lugar tranquilo, longe dessa confusão. Gaara administra a parcela de vocês da empresa caso Itachi deixe uma procuração.

O loiro retirou a mão do ombro de Sasuke, pretendendo sair do quarto antes que o moreno recobrasse a consciência e voltasse a negar a ajuda, andando rapidamente até a porta. Virou-se ao alcançar a maçaneta, sorrindo em despedida.

_ E vê se dessa vez liga quando se ajeitar! Se não eu vou ser obrigado a ir atrás de vocês de novo!

Saiu, sentindo um gostoso sentimento de dever cumprido. Caminhou pelos corredores, passando pelo hall de entrada e caminhando até o seu adorável Porsche, que, ao menos, teve a ganancia de manter.

Sentiu o celular vibrar ao receber uma mensagem, e decidiu lê-la antes de dar a partida.

"Não acha que já me fez esperar demais Baka?"

O loiro riu sonoramente, teclando rapidamente a resposta.

"Acho sim. Já está passando da hora né? Estou indo, pra ser apenas seu. Me dê só mais quinze minutos."

Guardou o celular no bolso em seguida, dando a partida no carro e desaparecendo da vida dos Uchiha para ir viver a sua própria vida...

... Pelo menos enquanto os dois não se meterem em mais encrenca.

"Finalmente, a sós."


(***)


Itachi depositou o corpo de Sasuke com extrema delicadeza na cama, deitando-se lateralmente ao seu lado e puxando o corpo do menor para o mais próximo possível do seu. Sem jamais desgrudar o olhar dos belos olhos ônix de seu Otouto, acariciou cada traço de seu rosto com extrema delicadeza e carinho.

Primeiro os olhos, contornando-os com as pontas dos dedos trêmulos, passando em seguida para suas bochechas e finalizando nos lábios. Um toque suave, nada erótico, repleto de sentimentos extremamente intensos.

Sasuke o fitava levemente confuso, mas não falava, sabendo que o irmão estava tentando encontrar palavras certas para começar um discurso. Itachi pigarreou, respirando fundo para começar a falar.

_ Viver em um mundo sem você é extremamente ruim, mas é possível. — Retirou alguns fios de cabelo que caíram sobre os olhos do menor, colocando-os com cuidado atrás de sua orelha, aproveitando para acaricia-la da mesma maneira — Mas viver sem ter dito o que precisava ser dito é inviável.

_ O... O que quer dizer Aniki?

_ Gaara e Naruto tentaram me fazer perceber que a vida continuava mesmo com sua morte, eles estavam certos. Mas eles não conseguiam compreender uma coisa que é extremamente importante pra mim. Se eles, que hoje são um casal, perdessem um ao outro, todas as palavras já haviam sido ditas, todo o sentimento fora transmitido. Ninguém morreria engasgado com as palavras jamais ditas. Mas no nosso caso, não foi assim. Eu nunca... consegui falar o que eu sinto por ti.

_ Não seja besta, eu sei muito bem o que você sente por mim, você me am...

_ Você não consegue nem imaginar um décimo do que eu sinto por você Otouto... – Itachi passou um braço envolvendo a cintura do caçula, puxando-o de modo a friccionar seu corpo contra o corpo menor, fazendo-o engasgar-se de surpresa. A postura de Itachi passou de uma sinergia de adoração para algo extremamente erótico em questão de segundos. O mais velho aproximou sua boca ao ouvido do menor, sussurrando de forma luxuriosa – permita-me falar sem ser interrompido.

_ O-ok...

Itachi sorriu satisfeito e passou a mordiscar a orelha do menor, ouvindo os sons excitantes que saiam da boca de Sasuke e a sentindo temperatura de ambos os corpos aumentar consideravelmente.

Fazia tempo, muito tempo, que se relacionaram daquela maneira pela ultima vez.

Céus, quanta falta ele sentia do corpo de Sasuke...

_ Dizer "eu te amo" são apenas três palavras tão tolas para resumir tudo que sinto por você, por isso preste atenção em tudo que vou dizer.

Itachi girou o corpo de Sasuke com rapidez, fazendo-o ficar deitado de barriga para cima. Sentou-se sobre as pernas do menor, com cuidado para não machuca-lo. Igualmente cauteloso, sem jamais deixar de fita-lo nos olhos, passou a desabotoar cada botão de sua própria camisa com delicadeza e calma.

_ Por você sinto soberba, verdadeira vaidade, desmedida e inconsequente. Sinto vontade de seduzi-lo, de ser belo aos seus olhos, para causar em ti o mesmo desejo que eu sinto. – As pupilas de Sasuke se dilataram em excitação, acompanhando a forma sensual que Itachi retirava as próprias vestes, cada movimento gracioso e extremamente excitante. Foi incapaz de deixar de lamber os próprios lábios em deleite, ganhando um sorriso sacana do mais velho em retorno. Esticou um dos braços, liberando o prendedor de cabelo que sempre o impedia de sentir os fios sedosos do mais velho, jogando-o de qualquer maneira para o outro lado do quarto.

_ Por você sinto avareza, não por dinheiro, mas por ganância de ter tudo para tudo te oferecer, passando desde conhecimento até força e segurança. Tudo, apenas para você. – terminou de retirar a própria camisa, jogando-o longe, em cima dos cacos quebrados à parede oposta. Sasuke tratou ele mesmo de tirar sua camiseta, antes mesmo de Itachi ordena-lo para tal. Feliz com a iniciativa, Itachi empurrou o tronco do menor novamente e encontro a cama, acariciando o peitoral nu do caçula com as duas mãos, arranhando-o de maneira selvagem e ganhando um suspiro fundo em retorno.

_ Por você sinto ira, verdadeira raiva, toda vez que percebo o qual vulnerável sou quando se trata de você. O quanto você me tem comendo na palma de sua mão, o quanto me domina.

_ E-eu te tenho na... Ahh... Palma da mão? – Sasuke perguntou, não se contendo mais em manter o silêncio. Itachi sorriu perigosamente, abaixando o rosto e mordendo de leve seu mamilo esquerdo antes de responder.

_ Vai dizer que nunca tinha percebido? – respondeu, assoprando a pele machucada e fazendo Sasuke delirar com o estimulo, rebolando abaixo do corpo de Itachi, estimulando assim as duas ereções ainda cobertas. Não tinha forças para responder, respirando tão descompassadamente como se houvesse acabado de correr uma maratona.

As palavras de Itachi o estavam excitando demais.

_ Por você sinto inveja, não de você, mas por você: ciúmes, sentimento de posse desmedido, não consigo te dividir, seja de maneira saudável como dividi-lo eventualmente com Naruto, ou dividi-lo com Fugaku. Sinto inveja de todos aqueles que conseguem adquiri, quer seja minimamente, a sua atenção para com eles. – Itachi desceu ainda mais as suas mãos, alcançando a cintura do jeans escuro que Sasuke trajava, abrindo o cinto e o zíper sem grande cerimonia. Sasuke gemeu alto quando sentiu a mão de seu irmão sobre a sua ereção encoberta, passando a apoiar o seu corpo com os cotovelos, se permitindo ter uma boa visão do que viria a seguir.

Itachi, adorando a curiosidade do menor, saiu de cima das pernas dele e desceu seu corpo ainda mais na cama, ficando à altura da virilidade de Sasuke.

Sasuke mordia o lábio inferior, impedindo os sons de prazer de serem exteriorizados. E Itachi não gostava disso.

Sem mais delongas, puxou a caça e a cueca do menor até o fim, retirando-as e jogando para o mesmo lugar onde a parte de cima das roupas de ambos jaziam. Sasuke gemeu quando sentiu o ar frio em contato com sua virilidade, mas continuou a ser forte e olhar cada ato que Itachi realizava com completa e total admiração.

O mais velho o acariciou, inicialmente na parte interna das cochas, subindo até sua masculinidade e circundando-a com sua mão direita, iniciando um vai-e-vem de velocidade lenta e provocante.

_ Ahnn... Nii-san... – Sasuke suspirou, fechando os olhos em completo deleite, apurando os ouvidos para ouvir as próximas palavras.

_ Por você sinto gula... Vontade intensa de devorá-lo...

_ Itachi... – gemeu alto quando sentiu a boca de Itachi envolver totalmente seu pênis até a base, sugando seu membro com avidez. Agarrou os cabelos de seu irmão, não se contendo em empurrar cada vez mais sua virilidade para dentro da garganta de seu amado. Itachi não contestou, gemendo em retorno e parecendo extremamente satisfeito em saber que estava proporcionando tamanho prazer para o irmão. Iniciou acelerava cada vez mais a carícia, estimulando-o sem parar com a língua e lábios.

Quando sentiu que o moreno mais novo estava próximo a atingir o orgasmo, retirou o membro de Sasuke de sua boca, sorriu mais uma vez, encarando o rosto corado do menor, e virou-o de bruços com extrema velocidade.

_ Mas, o quê! – Sasuke perguntou sem fôlego. Calou-se ao perceber aonde as mãos de Itachi se encontravam: cada uma em uma nádega, puxando-as para permitir que visualizasse seu ânus.

_ Devorá-lo por completo Sasuke... – falou, antes de atacar seu orifício com a boca e língua, estimulando-o por dentro.

_ AHH! Itachiii...

O primogênito mantinha uma punheta ritmada ao mesmo tempo que o estimulava por trás, e dentro de instantes Sasuke perdeu qualquer forma coerente de raciocínio, atingindo o orgasmo antes do que imaginara, sujando a mão direita de Itachi com sua essência.

Aproveitando o esperma de Sasuke, utilizou-o como lubrificante, inserindo um dedo no canal do menor e fazendo um trajeto de beijos por toda as costas do garoto, até atingir sua nuca e beija-la explicitamente, enquanto inseria um segundo dedo.

A respiração de ambos estava extremamente acelerada, o suor banhando os dois corpos como se estivessem debaixo de um chuveiro quente. A temperatura do ambiente parecia muito mais elevada do que as outras vezes que fizeram amor. Talvez por tudo que haviam passado até chegar ali, talvez pelas palavras de Itachi, talvez pela saudade que possuíam um pelo corpo do outro, talvez pelo tempo de separação...

Jamais saberiam ao certo, mas podiam afirmar sem medo de errar: aquele seria o melhor sexo de suas vidas.

Itachi iniciava o vai-e-vem com dois dedos de maneira rápida, atingindo a próstata de Sasuke sem nem sequer precisar procurar, fazendo o menor gritar em êxtase. Mordeu o ombro do garoto, grunhido, ao sentir prazer sem nem ao menos estar sendo estimulado fisicamente.

_ Itachi... Vai... Vai logo, para de me enrolar... Eu... AHH, PORRA!... Eu preciso de você. – o caçula implorava, tentando impedir a mão de Itachi de ir cada vez mais fundo, esticando seu próprio braço e segurando o pulso do primogênito, fazendo-o para de se mover.

Não queria chegar ao orgasmo assim, queria Itachi por completo, dentro de si.

_ Vire-se. – ordenou o mais velho com uma voz rouca de tesão, e Sasuke girou o corpo com velocidade, encarando novamente o rosto excitado e corado de Itachi.

O moreno mais velho estava sentado em cima de seus próprios joelhos, os cabelos longos encobriam seu peitoral e costas, ainda penteados, mas levemente úmidos pelo suor. Com a mão esquerda tratava de abrir as próprias caças, com dificuldade devido o leve estremecer dos dedos, resultado do intenso prazer. Com a mão esquerda puxou o braço de Sasuke, fazendo-o engatinhar até ficar próximo de seu corpo.

Itachi conseguiu liberar sua masculinidade e Sasuke instantaneamente sentiu uma extrema vontade de fazer sexo oral no membro que tanto prazer o dava, abaixando o rosto para captura-lo com os lábios.

Mas Itachi o impediu, puxando-o pelos cabelos ate que ficasse cara-a-cara com Sasuke, ouvindo um gemido de dor do menor. Beijou-o com extrema brutalidade, mas ainda sim deixando Sasuke cada vez mais e mais excitado, correspondendo o beijo com volúpia e avidez.

Itachi largou os cabelos de Sasuke, levando as mãos ate sua cintura, acariciando-a com delicadeza antes de fincar as unhas na pele pálida do rapaz e puxa-lo para que se aproximasse de seu corpo, penetrando seu membro no canal previamente preparado de seu Otouto, fazendo-o sentar em seu copo de maneira a atingir prontamente sua próstata logo na primeira penetração.

Sasuke, sentindo o extremo prazer de uma só vez, liberou os lábios de Itachi, gemendo alto e guturalmente para os céus.

_ Por você eu sinto luxuria... – o mais velho sibilou, antes de morder com força o pescoço de Sasuke.

_ Mnn... Ahh... – Sasuke respondeu, começando a rebolar no membro de Itachi, subindo e descendo, enquanto este continuava a mordiscar e beijar cada pedaço a mostra de sua pele.

_ Sinto vontade de te possuir todo instante que meus olhos fitam a sua pele. Tudo em você me excita: seu cheiro, sua pele, seu sorriso, seus lábios, seu corpo, sua forma de pensar, sua violência, sua sede por controle, a brutalidade de seus atos, suas palavras doces, assim como as ríspidas.

_ I... Ahh... Itaaa...

Itachi, atendendo ao pedido jamais dito por Sasuke, começou a investir forte e precisamente, depositando seu corpo na cama novamente. O moreno mais novo entrelaçou suas pernas na cintura do mais velho, e abriu os olhos, fitando os orbes predatórios daquele que tanto amava.

_ Se você soubesse o controle que você tem sobre mim... E ainda há idiotas por aí que acham que sou eu quem te domina...

_ Ahh... Itachiii... Que delícia! – Sasuke mordeu o lábio inferior de Itachi com força, enquanto esse investia cada vez mais forte e fundo dentro de si, fazendo ambos gemerem cada vez mais e mais de prazer. Itachi riu baixo quando sentiu o gosto de sangue em sua boca, provavelmente o canino de Sasuke o havia ferido minimamente.

_ É disso que eu estou falando... – suspirou, segurando a cabeça de Sasuke e forçando-o a olhar em seus olhos – Eu sou seu Sasuke, seu servo, para fazer o que você bem entender.

_ Então me come porra! Mais forte!

Não foi preciso falar duas vezes, Itachi acelerou a velocidade e a intensidade das estocadas de maneira progressivamente rápida. Sasuke batia a cabeça na cabeceira da cama, mas não podia se importar, tudo que sentia era prazer. Agarrou os cabelos de Itachi, puxando-o para um beijo intenso e profundo, enquanto os dois chegaram ao ápice do prazer juntos, gemendo em uníssono o nome de cada um deles, som este abafado pelos lábios alheios.

Respirando fundo e tentando diminuir a velocidade dos batimentos de seus corações, os irmãos Uchiha desprenderam os seus corpos, Itachi deitando ao lado do menor. Sasuke tentava retirar os próprios cabelos dos olhos, estavam encharcados de suor devido a intensidade do ato sexual.

O mais velho se movimentou e impediu Sasuke de continuar a retirar os cabelos dos olhos, passando ele mesmo a acariciar as madeixas e coloca-las em seu devido lugar. Aproximou-se do corpo do menor e passou um braço embaixo do pescoço deste, que instantaneamente se aconchegou em seu peito.

_ Por você eu sinto preguiça, vontade imensa de ficar na cama contigo sempre, desta maneira, abraçado, sem se preocupar com mais nada a não ser com a paz que nossos corpos geram nesse estado de relaxamento.

_ Humm... Você é muito pecador, não é? – Sasuke provocou, brincando com uma mecha dos cabelos soltos de Itachi, fazendo-o rir.

_ Bom Otouto, eu sou incestuoso não sou? – Itachi beijou a testa do irmão, esperando uma resposta que jamais veio. Percebendo que Sasuke provavelmente o entendera mal, continuou a falar – Os sete pecados fazem parte da vida humana, e você sendo minha vida em todos os sentidos é inevitável que seja a causa de todos eles. Mas por você eu sinto carinho, vontade de cuidar, de zelar pelo bem. Sinto vontade até mesmo de brincar com você. Você mexe com meu lado sexual, meu lado pessoal, familiar, profissional, lúdico... Quando eu digo que você é minha vida, é porque você me empurra diariamente para viver. Você é o combustível que me encoraja a continuar. Eu jamais seria o prodígio Uchiha se não houvesse você em minha vida, guiando meus passos e me apoiando. Você desperta tudo de ruim e tudo de bom em mim ao mesmo tempo... E por despertar tudo em mim ao mesmo tempo, me faz tomar a decisão mais correta que o ser humano pode fazer: agir com prudência, medindo os atos em uma balança. A prudência para fazer as boas escolhas, e a balança para manter a mente equilibrada. E por isso, dizer apenas que te amo é uma ofensa a tudo que sua pessoa significa pra mim. Pois vai muito além do que o amor, por maior que esse amor seja.

Sasuke olhou para cima, fitando os olhos e o sorriso suave de Itachi. Forçou seu corpo até a altura do mais velho, beijando-o docemente por alguns instantes, acariciando os cabelos do mais velho com ternura.

Apartaram os beijos e continuaram as caricias, ora com beijos, ora com risinhos e cócegas carinhosas, e por fim aceitaram de bom grado a paz e o cansaço em seus corpos, sentindo que finalmente estavam aonde deveriam estar: cada qual nos braços um do outro.

_ Aniki... – sussurrou, com um sorriso nos lábios, sem abrir os olhos. Sentia o sono invadindo-o na mesma proporção que a felicidade expulsava todo e qualquer orgulho de seu corpo.

_ Oi. – Itachi respondeu, igualmente sonolento.

_ Não te ensinaram que coisas óbvias não precisam ser ditas?

Itachi correspondeu o sorriso de Sasuke, ainda de olhos fechados, sem poder visualiza-lo, mas sabendo que estava lá, provocante, emoldurando os lábios da criatura mais importante deste mundo.

Aquela criatura que a muito tempo já havia expulsado o orgulho de seu corpo em nome da felicidade.

_ Ah... Mas dizer uma vez só não faz mal, não é?

.

.

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Maybe we'll turn it all around

'Cause it's not too late

It's never too late (It's never too late)

It's not too late

It's never too late

.

Talvez iremos dar a volta por cima

Porque não é tarde demais

Nunca é tarde demais (Nunca é tarde demais)

Não é tarde demais

Nunca é tarde demais

.

.

.

FIM


Notas finais
Nota Final: Esse capitulo tem zilhões de quotes de outros capítulos (lol, eu adoro fazer isso). Eu pensei em demarcar todos, mas ia ficar cansativo e chato, daria bem mais de dez =P. Se vocês já leram os anteriores, devem relembrar as cenas...
E ai, gostaram? Querem um epílogo? Eu tenho um em mente, que conta o que aconteceu com os casais e tudo mais, mas ainda não escrevi. Caso vocês queiram que eu escreva e poste, me digam por review. Só farei se for requisitado, caso contrário vou tomar o silêncio como uma possível satisfação com esse capítulo, sem a necessidade de epílogo.
Sobre o casal Naruto x Gaara: eu sei que vocês que gostam do casal, e principalmente aqueles que eu fiz gostar com essa fanfic, querem um lemon (principalmente pra descobrir quem é o seme e quem é o uke). Mas eu não iria conseguir encaixar um lemon dos dois nesse capítulo final, que é totalmente voltado para o Itachi, pois ficaria completamente sem pé nem cabeça. Eu posso colocar esse esperado lemon no epílogo (se ele for requisitado) ou em uma side-fic one-shot... Prefiro a segunda opção, mas quero opiniões nesse sentido.
Não se preocupem, é óbvio que vocês vão ganhar um lemon do Naruto e Gaara hahahaha.
* Ricina é, obviamente, um veneno natural. Eu não entendo muito de venenos, não sou suicida hahaha. No entanto, quando eu era pequena eu perdi um coleguinha na escola porque ele foi envenenado por Ricina, que é encontrada na semente das mamonas, sendo assim bem fácil de encontrar. Garanto que vocês nunca souberam o porquê de "mamonas assassinas" né? =P