Pride and Joy

27 Capítulo 27


Notas iniciais
N/A: Sim, eu demorei mais do que o convencional para atualizar, mas vocês vão entender ao ler o capítulo. Foi o capítulo mais difícil de escrever de todas as minhas fanfics até hoje. Além disso, eu tive exame da OAB essa semana que passou e mais uns outros probleminhas, e tenho certeza que entenderão a minha demora.
Muitos personagens em uma cena só deixam a descrição mais maçante, é complicado e tenho que aperfeiçoar isso. Para vocês terem uma ideia, eu reduzi esse capítulo pela metade (exatamente metade) por, ao reler, perceber o quão maçante estava a leitura e eu sei que quando chegamos nessa altura da história nada encoraja uma descrição lenta e extremamente detalhada. Espero que tenha ficado bom e que todos consigam visualizar a cena. Como estou insegura quanto a isso, por favor, se desejarem deixar uma review me digam se eu consegui transparecer o que eu pretendia e foi uma leitura interessante...
Espero que gostem, de verdade! Teremos apenas mais um capítulo e, quem sabe, um epílogo (dependendo do tamanho do próximo capitulo). Não desistam da história por causa desse capítulo, peço encarecidamente a vocês que leiam o próximo ok?
Beijos!
[N/A (17/04/2012): Capítulo corrigido/revisado]

PRIDE AND JOY


Itachi tentava conter seu corpo, que tremia de raiva e desespero. Tinha que fazer alguma coisa, precisava fazer alguma coisa! Fugaku estava próximo demais de Sasuke, do seu Sasuke, do seu irmão! Tentou falar alguma coisa, qualquer coisa, mas sua voz não parecia mais funcionar corretamente, talvez pela falta de uso, talvez pelo simples desespero.

_ Sasuke... – Fugaku sussurrou muito baixo à altura da orelha do caçula, percebendo que este parara de respirar com a repentina aproximação – Abaixe os braços.

O Uchiha caçula reagiu como ordenado pelo pai de criação, abaixando os braços trêmulos, ainda encarando Itachi nos olhos. Podia perceber o desespero estampado no olhar do primogênito; este, porém, nada conseguia ler nos olhos de seu Otouto: Sasuke aperfeiçoara a expressão da apatia indecifrável em um grau inimaginável, nem mesmo Itachi seria capaz de manter a compostura e as emoções contidas daquela forma, principalmente sobre aquelas determinadas condições.

E isso, definitivamente, não era bom...

_ Então, no fim das contas, você realmente veio ao meu encontro. Como eu planejara... – Fugaku sibilou, mordiscando a orelha próxima de Sasuke, sem retirar nenhuma reação do Uchiha menor.

_ Afaste-se dele! – Itachi gritou, esganiçado pela falta de uso da voz, pondo-se de pé e cambaleando pelo grande tempo sem utilizar as pernas. Fugaku instantaneamente deu um passo para trás, olhando para seu filho surpreso pela instantânea reação e demonstração de força. Itachi deveria estar moribundo, e não capaz de se por de pé daquele jeito!

_ Definitivamente... Você é um Uchiha. – exclamou, sorrindo de canto de boca, incapaz de deixar de se orgulhar da atitude de Itachi. Era seu filho, afinal, e algo genial havia feito para ter forças depois de tanto tempo de cárcere e vigilância vinte quatro horas por dia.

Um verdadeiro Uchiha. Mas não tão genial quanto o líder. Pensou, sorrindo ainda mais maleficamente.

_ Afaste-se dele! – Itachi gritou novamente, andando o quanto pode devido as correntes que ainda o prendiam. Caminhou um metro e meio, praticamente arrastando seus pés, aproximando-se dos outros dois ocupantes da cela. Fugaku passou a ignora-lo.

_ Sasuke, filho meu...

_ CALE-SE! – Itachi gritou ainda mais alto, desesperado por saber a força do veneno de Fugaku. Sasuke não parecia repleto de sanidade, a mente do Uchiha menor era uma tela em branco e poderia ser pintada da forma mais conveniente para Fugaku. O líder Uchiha sabia, e aproveitava da fraqueza evidente do mais novo.

_ ... seja você também um verdadeiro Uchiha. – finalizou, encarando Itachi por cima dos ombros de Sasuke, a cada instante sorrindo mais abertamente.

_ NÃO DE OUVIDOS A ELE!

_ Mate Itachi. Acabe com aquele que destruiu sua vida, mentiu para nós dois. Destrua aquele que causou o grande ódio em nossos corações. Aquele que sempre soube a verdade, mas omitiu até o último instante por pura conveniência.

_ SASUKE! – Itachi gritou, tentando inutilmente esticar os braços e alcançar o corpo estático de seu irmão. Sasuke apenas começou a movimentar os lábios levemente, imitando o sorriso de pura insanidade de seu pai. Os olhos de Itachi arregalaram-se.

O caçula estendeu a mão direita à frente da face de Fugaku, e o Uchiha mais velho, sem jamais deixar de olhar para Itachi, colocou a joia nas mãos do caçula.

Horrorizado, Itachi parou de se mover. Parou de respirar, de andar, de viver. Seu mundo parecia ter congelado, e por um tempo que parecia uma grande eternidade nada aconteceu. Era como se existisse apenas Sasuke e Itachi naquela cela, simplesmente a conexão de seus olhares. As feições desesperadas do mais velho, e as apáticas do menor. Por favor, por favor – suplicava mentalmente.

Quando o tempo voltou a passar, de maneira lenta, Itachi visualizou a mão de Sasuke apunhalar a joia e aponta-la em direção ao seu peito, todo esse processo em câmera lenta. O sorriso de insanidade e vingança de Sasuke estava, ainda, a postos, assim como a pistola.

Itachi engoliu em seco, fechou os olhos, sabendo que seria incapaz de encarar o sorriso sádico de Sasuke enquanto morria. Não era assim que ele preferia relembrar a face do seu amor no outro mundo... Relaxou: não era morrer que o preocupava, e sim saber que Sasuke estaria a mercê da mente insana de Fugaku. Entretanto, antes que pudesse pensar mais a respeito uma súbita lembrança lhe veio à mente:

_ Me de um motivo Sasuke, um só, para eu não te matar agora. — Itachi falou, as orbes brilhando de uma maneira estranha. Sasuke chorava silenciosamente, seu corpo tremia, tanto de luxuria quanto de medo. Sentia-se doente por admitir que o comportamento de Itachi o estava excitando, por mais que temesse pela sua vida.

_ Itachi por favor... — mas ele apenas gargalhou auditivamente.

_ Vamos Sasuke! Um motivo!

_ Você não vai fazer isso Itachi. — Sasuke falou, ouvindo a falta de confiança expressa em sua voz. Itachi apenas sorriu, aproximando ainda mais o vidro cortado.

_ Você não vai fazer isso Sasuke. – O primogênito falou, com os olhos fechados. Ouviu Sasuke rir de maneira caçoadora e rápida.

_ E por que não?

_ E por que não?

_ Porque eu te amo – Sasuke sussurrou, implorando para todos os deuses do universo que fizessem com que Itachi voltasse a si. Itachi apenas alargou ainda mais o sorriso, o Uchiha menor não conseguia decidir se o sorriso expressava ferocidade ou outro sentimento. Talvez fossem vários.

_ Porque eu te amo.* – Itachi falou em tom firme, ainda mantendo os olhos fechados, um insight de compreensão fazendo-o sorrir de leve.

_ E...?

_ E...? — Itachi aproximou, desta vez, seu rosto ao de Itachi, não mais a garrafa, porem sem mover ela para longe. Sasuke fechou os olhos, mantendo-os assim por alguns segundos.

E então fez sentido – tudo, na verdade. Itachi estava cansado... cansado de tentar provar. Ele já havia provado diversas vezes e Sasuke sempre tornava a esquecer devido lembranças do passado. Itachi nunca faria isso, seja em plena consciência ou embriagado. Jamais. E ele queria que Sasuke percebesse, que desse o voto de confiança a ele por tudo que ele já fez, que retribuísse o mínimo.

Abriu os olhos, identificado o que o olhar do Uchiha mais velho demonstrava: esperança.

_ E porque você me ama.

_ E porque você me ama. – sussurrou audível o suficiente para que o caçula pudesse ouvir. Abriu os olhos, se deparando com o belo sorriso do Uchiha menor. Um sorriso verdadeiro, não aquele sorriso sádico recheado de pura insanidade que Sasuke exibia há poucos segundos atrás. Expirou, aliviado.

Sasuke girou o corpo com velocidade, pondo-se entre Itachi e Fugaku, antes mesmo que o mais velho pudesse se dar conta do que acontecia.

_ Exatamente, Nii-san. – apontou a joia para Fugaku e atirou, sem mais delongas. O Uchiha mais velho parecia atordoado, sem compreender o que acontecia, mas desviou da bala de Sasuke a tempo, apontando sua própria arma para Sasuke firmemente. O sorriso vingativo do caçula novamente estava a postos, mas agora direcionado a um novo alvo, protegendo Itachi da maneira que podia com seu próprio corpo.

_ Seu verme... Bastardo... – Fugaku parecia cuspir cada palavra sentindo asco das atitudes dos irmãos, os olhos exibindo pura fúria.

_ Bastardo sim, filho de Izuna Uchiha e Mikoto Uchiha, com muito orgulho. É extremamente reconfortante saber que não possuo seu sangue nojento correndo entre minhas veias. Não leve para o pessoal, Aniki. – acrescentou de maneira provocativa, recebendo um olhar cada vez mais furioso de Fugaku em retorno.

_ Você não pode ser Madara. Madara sempre apreciou meu poder e controle das coisas, você é uma farsa, um impostor, um bastardo insolente! – Fugaku gritou. Sasuke riu sonoramente.

_ Madara? Eu? Você é mais louco do que eu imaginava... – Fugaku trincou os dentes com raiva pela insolência do menor e não pensou em nada mais: puxando o gatilho e acertou certeiramente o peito de Sasuke.

O caçula cuspiu sangue e piscou duas vezes, sentindo a força de suas pernas ser insuficiente para o peso de seu corpo, as pálpebras cada vez mais pesadas, deixando-se cair no colo de Itachi enquanto fechava os olhos, inerte.

_ Não... – Itachi sussurrou, puxando o corpo de Sasuke para si, caindo de joelhos com este no chão. Um fio de sangue manchava gradativamente sua camisa branca, escorrendo pela lateral do corpo do menor. O coração de Itachi batia tão forte que chegava a doer – Não... – sussurrou mais uma vez, sentindo as lágrimas se formarem em seus olhos – Não pode ser verdade! – Suas mãos tremiam, segurando Sasuke como se pretendesse segurar sua alma, mantê-la em seu devido lugar. Sasuke não podia morrer, Sasuke era sua vida!

_ Não me diga que o apático Itachi vai chorar? – Fugaku gargalhou sonoramente quando as primeiras duas lágrimas escorreram pelo rosto do primogênito Uchiha – Ora, e dessa vez ele nem está sendo arrombado como uma vadia que é! Inédito! Devo dizer, filho meu, suas lágrimas salgadas são uma delícia, ainda mais enquanto você me proporcionava tanto prazer com sua súplica de misericórdia.

Itachi não prestava atenção nas provocações de Fugaku, olhando para o sangue de Sasuke que ainda escorria e manchava sua camisa. Percebeu, apesar do desespero, que a quantidade do sangue não era a mesma que se esperaria ao levar um tiro: era muito inferior...

Antes que pudesse entender o que acontecia, percebeu que alguém em específico prestava atenção às provocações de Fugaku.

_ O que foi que disse? – uma voz furiosa e rouca foi ouvida, os outros dois Uchiha pousaram o olhar na face de Sasuke. Este abrira os olhos, que estavam em chamas: até mesmo uma coloração avermelhada no ônix podia ser vista, o olhar numa fúria descomunal. Sentou-se sem dificuldade no chão, deixando de encarar os olhos lacrimejantes e apavorados de Itachi, e girou a cabeça, até encarar Fugaku e sua súbita expressão de completa confusão – QUAL FOI A PORRA QUE VOCÊ DISSE?

_ SASUKE! – Itachi gritou surpreso quando o Uchiha caçula levantou com extrema velocidade e pulou para cima de Fugaku Uchiha, caindo sobre o seu corpo e imobilizando-o contra o chão antes mesmo que este fosse capaz de puxar mais uma vez o gatilho, fazendo sua arma voar para longe com o impacto.

Fugaku foi incapaz de reagir, observando a reação de Sasuke estático. O tiro fora certeiro! O que estava acontecendo? Não era para Sasuke conseguir acerta-lo com qualquer golpe. Não era para Sasuke estar vivo!

O Uchiha mais novo passou a socar a cabeça de Fugaku com os dois braços enquanto o imobilizava contra o chão com o peso de seu corpo.

_ COMO VOCE PODE! DESPREZIVEL! SEU NOJENTO! MISERÁVEL! – gritava com uma voz esganiçada, soco por soco, ate que pegou o Fugaku ensanguentado pela gola da camisa e o atirou longe para próximo da porta. O corpo do homem bateu com força contra a parede, Fugaku gemeu de dor, os olhos abertos e assustados – COMO PODE TOCAR NO MEU IRMÃO! – Começou a chuta-lo nos rins, fazendo Fugaku parar de respirar devido à dor – EU VOU TE BATER ATÉ VOCE IMPLORAR POR MISERICORDIA! E EU VOU TE CURAR, E TE BATER, E CURAR, E TE ARREBENTAR DE PORRADA, ATÉ VOCE IMPLORAR PELA MORTE!

_ S-Sasuke! – Itachi chamou o irmão, surpreso pelo momento de extremo frenesi do menor, tentando alcança-lo com o braço, em vão.

_ E quando você implorar pela morte... – Sasuke sibilou, parando de atacar o mais velho e caminhando para trás ate que sentiu o toque de Itachi em sua pele, relaxando instantaneamente – Eu vou arrancar o sua pele, centímetro por centímetro, e enforca-lo com seu próprio couro.

Cuspiu uma mistura de sangue e saliva no rosto de Fugaku, e virou-se para Itachi, abraçando-o com força, soltando-o, e atingindo seu rosto com um golpe de punho fechado.

_ Outch! – Itachi reclamou de dor, mas Sasuke o puxou para próximo de si novamente antes que pudesse entender o que acontecia.

_ Como você pode esconder isso de mim! – o caçula falava tomando um Itachi zonzo pelo golpe em seus braços, envolvendo sua boca avermelhada pela coloração de sangue contra os de seu Nii-san, beijando-o com ternura e acariciando a região da face do Uchiha que ardia pelo soco. Apartou os lábios, e fitou o olhar de pura confusão do Uchiha, decidindo parar de falar para que este se pronunciasse. Itachi demorou a falar, abrindo e fechando a boca sem saber exatamente o que dizer.

_ Como... Sasuke... Você está vivo!

Sasuke riu, demonstrando extrema felicidade. Abriu levemente sua camisa, enfiando a mão por dentro do tecido e retirando o diário de Mikoto, que estava perfurado pela bala que deveria ter atingido seu coração. O impacto do tiro causara um corte no peito de Sasuke, que sangrava de leve, e apesar de ter sido um forte impacto ao ponto de fazê-lo perder as forças e cair no colo de Itachi devido a dor, não havia perfurado sequer a costela. Itachi suspirou, extremamente aliviado.

Poucos segundos depois, encontrou o diário de Mikoto, segurando-o como se fosse feito de um material extremamente delicado. Acariciou a sua borda, folheando as páginas sem lê-las, imerso num sentimento de nostalgia de um passado que sequer recordava em ter, que sequer teve, mas que poderia muito bem ter tido.

Apreciou mais demoradamente os detalhes do pequeno caderno de capa vermelha, se demorando em pormenores antes passados despercebidos: era um caderno simples, de coloração rubra, mas realmente pesado, envolto de algum metal forte, finalizado com um encapamento suave de cetim vermelho. Ao que tudo indicava, ele era realmente um caderno feito para não ser lido, e Itachi havia dado sorte de ter encontrado o diário sem o fecho, pois provavelmente seria necessário soldar o fecho para conseguir abri-lo. Era muito forte para um diário comum, Mikoto evidentemente prezou de todas as formas por sua segurança. Antes que seu corpo expressasse qualquer sentimento visível de tristeza, Sasuke fechou o diário bruscamente, colocando-o no bolso interno da camisa social que usava.

_ Nossa mãe conseguiu nos salvar dele, afinal. – Disse, entregando o diário com ternura para Itachi, que o recebeu com as mãos trêmulas, visualizando a bala pequena que destruíra o diário por completo.

Itachi sorriu, uma onda de extrema felicidade invadia seu corpo, e não se conteve em gargalhar sentindo extrema felicidade. Sasuke o encarava com sorriso a postos, e depois de alguns segundos não mais se conteve, beijando cada pedaço a mostra da pele de Itachi com ternura enquanto este afagava sua cabeça, ainda sorrindo, deixando o diário cair no chão em meio ao processo de carícias.

_ Não pense que eu esqueci o que o verme falou... Você ainda vai me explicar isso. – Sasuke falava entre os beijos. Itachi puxou sua cabeça, encarando seus olhos de perto e apreciando o quão lindo eles eram.

_ Shii! – Itachi pediu, calando Sasuke com um beijo mais profundo, sentindo o gosto de sangue e suor nos lábios do menor. Mas não se importava, como poderia se importar? Sasuke viera, Sasuke o salvara, e o mais importante: Sasuke estava a salvo!

Esse, definitivamente, era o melhor momento dos últimos 15 dias.

_ SASUKE! ITACHI! – ouviram a voz conhecida de Naruto Uzumaki ecoar pela cela. Viraram-se, encarando a figura de Naruto, que sorria em contentamento, ofegante por uma suposta corrida. Fugaku jazia, respirando forte devido aos machucados e choramingando, próximo a Naruto. Mas nenhum perigo oferecia a qualquer integrante da cela naquele estado – Graças a Deus...

_ NARUTO! – ouviram uma segunda voz gritar, aparecendo na cela poucos segundos depois. Gaara estava igualmente ofegante. O ruivo agarrou o punho de Naruto, colocando-se ao seu lado e encarando os irmãos Uchiha, relaxando seu instantâneo desespero e suspirando aliviado. Novos passos foram ouvidos, até que um homem de cabelos grisalhos passou a espiar a cena por cima do ombro de Gaara, não demonstrando qualquer perigo para os irmãos Uchiha.

Os cinco se olharam, sorrindo em felicitação. Sasuke voltou a abraçar Itachi, colando sua testa a dele e encarando os olhos daquele que tanto sentia falta, e tanto fingiu não sentir.

_ Me desculpe pela nossa briga... – tentou começar um discurso, mas Itachi desferiu um selinho nos lábios do menor, calando-o mais uma vez.

_ Nem comece. Nem sei do que você esta falando. Tudo que sei é que você esta aqui, vivo... Eu não podia pedir mais nada. – Sussurrou para o garoto, apreciando a beleza do sorriso que há tanto tempo não tinha o prazer de observar.

_ Teme, vamos embora. – Naruto falou, colocando a mão no obro de Sasuke e puxando-o para trás, apartando o contato físico dos Uchiha – Vamos te tirar daqui Itachi. – finalizou, sorrindo para o moreno, que agradeceu com um gesto de cabeça.

_ Ainda não chegamos ao fim. – ouviram a voz rouca e sem folego de Fugaku Uchiha falar. Todos os ocupantes da cela, anteriormente distraídos com a movimentação dos irmãos, olharam para Fugaku, que se levantava com uma das armas de Sasuke que haviam sido jogadas no chão em mãos. O moreno mais novo estremeceu, não havia reparado que o corpo de Fugaku caíra próximo das armas, não acreditava que havia sido tão descuidado ao ponto de deixar isso passar. O Uchiha estava gravemente machucado, sangue escorria pela lateral de sua boca e ele se apoiava na parede com dificuldade, mas ainda sim segurava a arma com extrema firmeza e determinação.

Gaara instantaneamente sacou a arma que estava presa na cintura de Kakashi, pronto para atirar em Fugaku, mas o Uchiha foi mais rápido. O ruivo soltou a arma com um grito de dor e agonia, e Fugaku finalizou a investida com um segundo tiro na panturrilha do ruivo, que caiu sentado no chão, abraçando a mão machucada e envolvendo a outra mão na perna que sangrava.

_ GAARA! – Naruto gritou, abaixando-se a altura do ruivo para segura-lo, o medo evidente em seu olhar. Tomou a mão do ruivo à sua, percebendo que a bala não o atingira diretamente e sim a arma, mas o impacto o havia quebrado o dedo que segurava o gatilho. Olhou para a perna ferida e passou a apertar o local para tentar estancar o sangramento e diminuir a quantidade de sangue que saia da ferida, manchando o chão de maneira assustadora.

Kakashi olhou de relance os ferimentos do ruivo, e ao perceber que não eram severos fez um barulho de impaciência com os lábios, sentindo-se extremamente incomodado por um problema que já deveria estar sido resolvido ter evoluído àquele ponto.

_ Aceite a derrota Fugaku, você está ferido e em menor número.

Sorriu o sorriso torto de confiança, analisando as feições de cada presente com rapidez.

_ Estar em menor número e ferido não é problema. Tudo que devo fazer para ter sucesso é agir com a melhor estratégia. – Surpreendendo a todos os ocupantes no cômodo, apontou a arma para Naruto, que arregalou o olhar da mesma maneira que os demais – Você é a melhor estratégia, loirinho.

_ NARUTO! – Gaara e Sasuke gritaram em uníssono, Kakashi fez menção de se mover para cima de Fugaku, mas o ruivo o impediu de se mover com o braço, falando em voz alta – Não se mexa! Naruto esta na mira dele!

_ Mas...

_ Não se mexa! – Sasuke gritou do outro lado da cela, desesperado. Itachi o segurava firmemente pelo braço, impedindo seu irmão de fazer qualquer coisa tola.

_ Ora, ora, foi apenas um chute... Mas acho que acertei. – Fugaku caçoou, engatilhando a arma. Naruto estremecia na mesma posição, não sabendo o que fazer e o que agir, encarando ora Gaara, ora Sasuke – Vamos negociar, por sim? Oi, loirinho, para trás.

Naruto encarava Fugaku sem entender, sabendo que seria desprovido da capacidade de se movimentar na situação em que se encontrava. Impaciente, Fugaku atirou próximo ao seu pé, indicando que não estava para brincadeiras. Engoliu em seco, dando passos trêmulos para trás, ficando mais longe de todos os outros membros do recinto, encostando as costas na parede.

_ Naruto... Naruto... – Gaara resmungava em voz baixa, seu corpo tremia em desespero, e ele não impedia as lágrimas de pavor de escorrerem em seus olhos. Olhava freneticamente ao redor, a procura de uma solução, um milagre. A arma de Kakashi caíra muito distante de seu corpo e se ele conseguisse a façanha de se movimentar, ao menos um pouco, Fugaku perceberia e o impediria. Céus, Fugaku poderia se irritar caso o ruivo tentasse reagir e atirar em Naruto! E o loiro não podia ser baleado novamente, desta vez com certeza seria fatal. A terceira tentativa sempre é pra valer...

_ Fugaku Uchiha, mesmo se você atirar em Naruto nada vai mudar o fato de que será capturado e passará o resto de sua vida preso. Atirar em Naruto nada mais é do que acrescentar mais um crime para a sua lista, e mesmo que os outros presentes aqui caiam nas suas ameaças, eu não vou deixar você escapar. Eu sou um profissional. – os olhos Kakashi demonstravam raiva e impaciência, não estava gostando da situação, apesar da voz confiante que soava de seus lábios.

E a teoria de Kakashi se confirmou assim que ouviu Fugaku gargalhar em voz alta: não há razão no mundo que combata a mais pura insanidade.

_ Escapar? Escapar! – gritava entre as risadas, seu corpo chocalhando devido ao riso descontrolado. As mãos de Itachi apertavam com força o ombro de Sasuke, temendo uma movimentação abrupta devido a imensa provocação de Fugaku – E que disse que eu, algum dia, quis escapar? Sasuke não é Marada como imaginei erroneamente todos esses anos. Pouco me interessa qualquer outra coisa na vida. – o tom de voz mudou consideravelmente, para algo mais sério e cruel, o olhar irritado voltado para o Uchiha caçula com verdadeiro desprezo – Nada mais me prende a liberdade, ou a vida, ou qualquer babaquice do gênero. Mas eu não vou deixar tudo isso escapar antes de, ao menos, ter a minha vingança.

A respiração ofegante de Gaara era o único som em toda aquela casa. Fugaku encarou Sasuke com raiva por mais alguns segundos, depois de voltar seu olhar para o primogênito, o olhar triplicando em insanidade.

_ Itachi, você merece viver, viver com a culpa de todas as mortes que você provocou.

_ Você é lunático. Como pode apontar uma arma pra alguém e declarar que a culpa disso é minha?

_ Porque é. – Fugaku voltou o olhar para Naruto em quanto continuava a falar com Itachi – Sua relação com Izuna fez sua mãe se aproximar dele, me trair e gerar toda essa conspiração contra mim. Foi tudo planejado, não foi? Para destruir nosso casamento, fugir com aquele que preferiria ser seu pai, sendo essas palavras suas: você mesmo disse isso Itachi.

_ Você é ridículo! Como pode achar que uma criança conseguiria planejar algo assim? Você é quem nunca aceitou o fato de matar Madara com suas próprias mãos. Quem fez tudo isso foi você! Sua personalidade terrível, desprezível, foi quem criou essa bola de neve. Não fui eu. – Itachi replicou com a voz extremamente fraca. Por mais que falasse abertamente tais fatos que eram extremamente racionais, estava claro no seu tom de voz a dúvida que sentia. Era real, Itachi sempre sentira sua parcela de culpa nisso tudo.

_ Não deixe ele te atingir – Sasuke, sabendo o que se passava na mente do mais velho, sussurrou baixo o suficiente apenas para Itachi ouvir.

_ Declare o que quiser, finja que acredita em suas palavras, invente mais um motivo para tudo isso que está acontecendo. Mas saiba Itachi: a morte de Naruto é inegavelmente culpa sua e de Sasuke. Nada disso teria acontecido se vocês não tivessem me traído e desaparecido de meu olhar de um dia para o outro.

Sasuke tencionou abaixo da mão de Itachi, Gaara parou abruptamente de respirar. Naruto arregalou o olhar, assim como Kakashi, que tentou, inutilmente, correr de encontro à Fugaku para impedi-lo de atirar.

Sasuke, percebendo que não conseguiram ganhar o tempo necessário, soltou-se rapidamente dos braços de Itachi, correndo em direção ao loiro ao mesmo tempo que Kakashi corria para Fugaku.

_ Convivam com isso. – Foi tudo que ouviram Fugaku falar antes do barulho de tiro ressonar pela cela, assim como um grito alto de dor e agonia do ferido.


(***)


Naruto não entendia o que acontecia. Sasuke corria a seu encontro, Kakashi corria ao encontro de Fugaku e, sem mais nem menos, o moreno parecia ter perdido a passada de seus pés, tropeçando um no outro e caindo em sua direção. Como reação, estendeu os braços e aparatou o amigo com um abraço, envolvendo seu tronco superior e visualizando por cima da cabeça de Sasuke que Fugaku fora imobilizado por Kakashi.

Finalmente, finalmente! Tudo ficaria bem!

_ Depois eu que sou desastrado Teme. – Falou em voz baixa, o alivio presente em seu tom de voz independente de qualquer provocação de chacota. Sorria, sorria como jamais sorrira na vida.

Mas Sasuke não respondeu.

Piscou, atordoado, percebendo alguns por menores que não havia notado há poucos segundos atrás.

Fugaku novamente gargalhava, lágrimas de felicidade insana escorriam pelo seu rosto. Kakashi gritava, ameaçando-o o Uchiha a se calar, raiva muito mais evidente em seu olhar do que anteriormente. Gaara, ao contrario do que Naruto imaginara, não estava olhando para o loiro, e sim para Sasuke com uma expressão de pena e tristeza.

Mas o pior, o mais esclarecedor, era Itachi. Itachi o olhava nos olhos, com completo e puro desespero em cada milímetro de sua íris. Não respirava, as mãos estavam soltas na lateral de seu corpo e ele tremia de tal forma que as correntes as quais o prendiam contra a parede faziam um barulho metálico pelo impacto entre cada um dos elos.

Itachi estava em choque.

_ Não... – Naruto sussurrou, abaixando o olhar para o moreno em seus braços, percebendo o liquido carmesim que agora sujara suas mãos ao segurar Sasuke em seu colo – Não! – girou o corpo do moreno com delicadeza, encarando os olhos semicerrados de Sasuke com lágrimas que turvavam sua visão – Sasuke... Por quê? – sussurrou em voz baixa.

Sasuke parecia tentar falar, mas tossiu sangue em grande quantidade. As lágrimas de Naruto começaram a escorrer, caindo em pingos grossos e molhando a face do amigo, levando consigo os vestígios avermelhados que escorriam em direção ao seu queixo. Sasuke teve forças o suficiente para sorrir, respirar fundo e falar com uma voz que exibia uma dor maior do que imaginava estar sentido.

_ Meu corpo se moveu sozinho.

Naruto sussurrava seu nome, abraçando-o e segurando a ferida nas costas do moreno com as mãos, sentindo o sangue escorrer cada vez mais e mais, molhando a roupa dos dois e inundando o ar com o cheiro metálico.

_ Seu... Idiota... Por quê? – Naruto falava enquanto chorava, não sabendo ao certo se perguntava para Sasuke ou para Deus. Por que isso teve que acontecer, por quê? Isso não estava certo, Sasuke não podia, não merecia...

_ Itachi... ele... – Sasuke tentava falar, mas engasgou-se com o sangue que saia de sua boca, tossindo e cuspindo para poder continuar a falar. Encarou Naruto mais uma vez com os olhos entristecidos, deixando claro que gostaria de, ao menos, poder ver Itachi antes de morrer.

Em circunstâncias como essa foi impossível Naruto não entender o que Sasuke pedia. Girou levemente o corpo de Sasuke, que gemeu de dor. Mas foi o suficiente, pois agora os dois olhares ônix tão semelhantes se cruzaram.

Sasuke observava o desespero estampado no rosto do irmão, sentindo-se culpado por fazê-lo se sentir assim, mas não se arrependeu do que fizera. Afinal de contas, Naruto era alguém muito importante que merecia viver. Sorriu, encorajando seu irmão e amante, olhando-o com muita ternura ao sussurrar de maneira tão suave que o fez sentir raiva de si próprio por não ter forças o suficiente falar em voz alta, temendo que Itachi fosse incapaz de ouvi-lo.

_ Eu te amo. – fechou os olhos, deixando o peso cair por completo no corpo de Naruto, que ainda chorava sem parar, silenciosamente.

Itachi sentiu o primeiro sopro de ar entrar em seu pulmão arder como se houvessem séculos que não respirara. Junto com o oxigênio, veio a dor da compreensão, uma dor tão forte em seu peito que o fez cair de joelhos no chão, seus braços ainda inertes na lateral de seu corpo, seu olhar nunca deixando de encarar as pálpebras fechadas de seu Otouto, como se esse simples gesto fosse capaz de fazê-las abrir para que ele pudesse, novamente, ver os olhos escuros que tanto desejava observar.

O ônix que precisava ver... Que seria o certo ver... E não todo aquele vermelho... Aquele sangue deveria estar dentro do corpo de Sasuke, escondido de qualquer olhar. Não havia lógica, o que estava acontecendo?

Aguardou uma nova reação de Sasuke, qualquer uma. Mas nada aconteceu.

A vista de Itachi se tornara turva pela quantidade de tempo que encarara Sasuke sem piscar, ou talvez devido a dor estonteante em seu peito. Não acreditava que isso estava acontecendo mais uma vez, da mesma maneira:

Primeiro, em circunstâncias extremamente parecidas, Fugaku tirara a vida de Madara diante de seus olhos. Mas agora era alguém extremamente mais importante do que Madara, era Sasuke. Era o amor de sua vida, o irmãozinho que admirava e que daria a vida para proteger, mas que não fora capaz por causa daquele homem.

Daquele maldito homem. Do desprezível Fugaku Uchiha.

Uma intensa onda e adrenalina invadiu sua corrente sanguínea, fazendo estremecer mais intensamente. Finalmente os sons do local se fizeram perceptíveis aos seus ouvidos, e a risada tenebrosa de Fugaku passou a ferir seus tímpanos com crueldade.

O Primogênito não achava que fosse capaz alguém sentir tanta tristeza e tanto ódio ao mesmo tempo. Não parecia caber dentro do corpo de um ser humano essa proporção descomunal de sentimentos que o envolviam nesse exato momento. Levantou-se lentamente, deixando as lágrimas silenciosas e expeças escorrerem pelo rosto enquanto girava o olhar para encarar Fugaku nos olhos.

Se possível, a visão do sorriso insano de seu pai vez o ódio triplicar em questão de instantes.

Talvez pela adrenalina, talvez pelo desespero, Itachi sentia-se forte. Extremamente forte. Caminhou lentamente em direção ao corpo de Fugaku, mas as correntes o impediram de aproximar-se mais.

Forçou-as. Um rangido metálico se ouviu. Forçou-as ainda mais, e a corrente direita falhou em algum elo, e se partiu, caindo no chão com um estrondo metálico que ecoou e chamou a atenção de todos os ocupantes da cela.

Fugaku parou de rir, e isso irritou ainda mais Itachi, que com um puxão forte conseguiu partir a corrente esquerda.

Kakashi, Naruto e Gaara analisavam a reação do primogênito com descrença total. Não entendiam como Itachi conseguira se libertar de algo tão forte, ainda mais debilitado da maneira que estava. Fugaku estremeceu abaixo do toque de Kakashi, que tratou de se levantar e recuar a cada passo que Itachi andava em direção aos dois.

Isso era um acerto de contas entre os Uchiha, e Kakashi sabia muito bem seu devido lugar nessa ocasião.

As feições do ex-prisioneiro, apesar dos expressos caminhos de lágrimas que ainda molhavam sua pele, estavam frias e indecifráveis. Todos os presentes sabiam muito bem o perigo que isso significava.

Quando chegou a altura de Fugaku, abaixou-se, não prestando qualquer atenção nos demais presentes da cela. Segurou-o pela gola da camisa, erguendo uns bons centímetros acima do solo com uma forca que era impossível possuir naquelas condições em que havia sido submetido.

_ Vai se vingar Itachi? Cadê toda sua superioridade? – falava em tom de chacota da maneira que conseguia, se apoiando no braço de Itachi com as duas mãos – Você definitivamente é um Uchiha! – gargalhou novamente.

Itachi fechou os olhos, e quando abriu não mais tentou esconder suas emoções. A fúria estava presente, o frenesi de pura raiva e intenção assassina. Fugaku estremeceu, não havia visto essas feições jamais em sua vida. Calou-se, temeroso, sentindo como se o olhar de Itachi acabasse de congelar seus músculos e seu sangue, não sendo capaz de falar ou fazer qualquer outra coisa.

Itachi o ergueu ainda mais para cima, antes de joga-lo com toda sua força no chão, o som de osso sendo quebrado ecoou pelo recinto, a fratura na perna de Fugaku estava exposta ao olhar de todos. O Uchiha mais velho gritou de dor, e Naruto fechou os olhos incapaz de encarar a cena por mais um segundo.

Itachi o puxou seu pai pelos cabelos, forçando-o a olhar em seus olhos antes de falar com uma voz verdadeiramente perigosa.

_ Não é uma questão de vingança. É justiça.


... continua...


Notas finais
* Apenas para constar, pois eu não sei se algum de vocês percebeu isso... Mas Sasuke nunca ouviu Itachi dizer que o amava, em nenhum capítulo da fanfic até então. Itachi falou "eu te amo" no dia que foi castigado por Fugaku, mas Sasuke estava adormecido e não ouviu. Obviamente, com o flashback vocês devem ter relembrado que Sasuke já havia dito uma vez para Itachi que o amava. Então, oficialmente, esta é a única vez que o Uchiha primogênito disse as três palavrinhas magicas para Sasuke. E eu guardei isso pra esse momento de proposito, sim, sim! Parecia apropriado. ^^