Pride & Prejudice
5 Capítulo 5 — FINAL
"Looking back it's easy to see when a mistake has been made. But if we use our best judgment and listen to our hearts, we're more likely to see that we chose wisely and avoid the deepest most painful regret of them all: the regret that comes from letting something amazing pass you by." — Grey’s Anatomy S10E13.
“Olhando para trás é fácil ver quando um erro foi cometido. Mas se usarmos nosso melhor julgamento e ouvirmos nosso coração, veremos que escolhemos com sabedoria e evitamos o mais profundo e doloroso arrependimento: o arrependimento que vem ao deixar algo maravilhoso passar.” — Grey’s Anatomy S10E13.
Ele piscou várias vezes apenas para ter certeza de que não cochilara novamente.
Tudo parecia embaçado e as pessoas ao seu redor moviam-se em velocidade reduzida, como se fizessem parte de um filme em câmara lenta. Eu não posso dormir. Se eu dormir o professor me colocará de castigo e não poderei ir para casa do Muro-chin. Imaginar-se perdendo mais uma tarde limpando a sala de aula era um pensamento otimista se comparado ao cancelamento de seu encontro.
Murasakibara estava vivendo um momento completamente novo e inesperado em sua vida. Ele jamais achou que chegaria a hora em que alguma coisa seria mais importante que seus doces ou os minutos passados no completo ócio. Porém, em menos de três meses a existência de Himuro tornou-se indispensável a ponto de sentir que amadureceu como pessoa desde a conversa que tiveram na enfermaria.
Eu não gostei de saber que Muro-chin já havia feito certas coisas com outras pessoas, mas é algo que não posso evitar. Ele mesmo tinha consciência de que se fosse um garoto "normal", como Kise, por exemplo, as experiências teriam acontecido naturalmente e dificilmente teria chegado aos 16 anos sem nenhum contato humano.
Não obstante, o rapaz de cabelos roxos não se importava. Relacionamentos nunca foram prioridade em sua vida e por muitas vezes, ao ver os outros garotos de sua classe deprimidos e irritados por causa de namoradas, ele sentiu-se intimamente bem por não precisar lidar com aquele nível de aborrecimento. A vida já era cansativa e complicada por si, logo, não havia necessidade de adicionar nenhum elemento que pudesse torná-la ainda pior. Claro, essa opinião era pré-Himuro, já que, em sua atual situação, Murasakibara tinha certeza de que valeria a pena se deprimir pelo moreno, embora sentisse que havia dado sorte naquele campo da vida.
O sinal marcou o fim da aula de Matemática e ele espreguiçou-se longamente. Suas costas doíam por permanecer sentado em uma mesma posição e seu estômago estava parcialmente vazio. Os umaibou que foram escondidos embaixo da carteira acabaram na metade da aula e sua única e última guloseima era um pirulito de morango que estava dentro de seu estojo. O doce foi aberto com cuidado e pousou perfeitamente entre seus lábios. Agora, eu posso ver Muro-chin~
"Murasakibara-kun!" a voz feminina veio de algum lugar e seus olhos violetas correram a sala atrás de sua dona, "você tem visita!"
A dona da voz era uma garota de longos cabelos negros e laço amarelo e que estava sentada próxima a uma das portas. O aviso foi seguido por um apontar de dedos e a visita acenou do lado de fora da sala, iluminando o restante de seu dia. O caderno e o livro foram jogados de qualquer jeito dentro da mochila e o Pivô ficou em pé.
"Muro-chin~"
"Eu vim te buscar, Atsushi." Himuro tinha a mochila pendurada em seu ombro esquerdo. "Cheguei muito cedo?"
"Não, a aula já acabou."
O pirulito dançava em sua língua. As aulas haviam terminado e os corredores estavam abarrotados de alunos apressados e que gostariam de voltar para casa o mais rápido possível.
"Fukui disse que o treino começará um pouco mais tarde. Araki-san está em uma reunião e pediu para nos aquecermos enquanto isso."
"Ehh~" Ele suspirou. "Por que não podemos ir para casa? Eu não quero treinar~"
"Você não pode fazer isso, Atsushi. Na próxima semana jogaremos contra um colégio forte e precisamos dar o nosso melhor."
"Nós venceremos, Muro-chin, o que mais você quer?" Falar de basquete sempre deixava seu humor ruim e piorava ao pensar nas incontáveis possibilidades perdidas para aquele final de tarde. "Acho que vou para casa."
A mão tocou seu braço, puxando-o assim que chegaram ao térreo. O amante o guiou para a direita — direção contrária à massa de alunos — e Murasakibara não lutou, permitindo-se ser guiado e imaginando se sua companhia havia ficado irritada com seu comentário antibasquete.
Himuro deixou o prédio por uma das saídas laterais e em pouco tempo o rapaz de cabelos roxos entendeu para onde estava indo. Aquele era um dos caminhos para o ginásio, ainda que poucos alunos o utilizassem por ser mais longo.
"Eu preciso usar o banheiro." O Lançador ofereceu um meio sorriso.
"E por que eu preciso ir?"
Não houve resposta, somente mais um dos muitos enigmáticos meio sorrisos que Himuro adorava esboçar quando não queria responder. A porta do banheiro foi aberta sem resguardo e Murasakibara viu-se arrastado para dentro do local mesmo não tendo absolutamente vontade nenhuma de usá-lo. O moreno seguiu para o terceiro cubículo e ele assustou-se ao ser puxado com força. Suas costas bateram contra a dura parede de concreto e seus olhos tornaram-se sérios. O pirulito foi quebrado com força e o cabo jogado no lixo com fúria. Agora eu estou bravo!
"Oi, Mur—"
A mão subiu por seu peito e serviu de apoio para que Himuro pudesse quase literalmente escalá-lo. Os lábios se forçaram contra os dele e a língua invadiu sua boca, roubando uma parte do pirulito quebrado. A ira desapareceu instantaneamente e suas mãos seguraram a cintura contra a dele com possessividade. Então é por isso que ele quis vir neste banheiro. Muro-chin é esperto...
"Morango..." O amante passou a língua sobre os lábios e ergueu o único olho visível. "É meu favorito."
"Você nem ao menos gosta de doces, Muro-chin." Sua voz soou baixa e rouca. Um beijo. Um beijo era suficiente para deixar seu corpo em chamas e ansiando por mais.
"Eu gosto dos seus doces beijos, Atsushi." Os braços entrelaçaram seu pescoço e Himuro encostou-se a ele. "Achei que poderíamos passar algum tempo aqui. Talvez te animasse a treinar."
"Isso é tão injusto! Eu não me importo em ficar aqui para sempre, mas não quero treinar."
"Eu não posso fazer isso, Atsushi. Eu tenho que garantir que você vá ao treino e estou disposto a fazer qualquer coisa por isso."
"Qualquer coisa...?"
O Lançador sorriu e suas mãos desceram pelo largo peitoral. O olho azul esteve o tempo todo fixo em seus olhos violetas, até mesmo quando ele ajoelhou-se no chão e passou a desafivelar o cinto negro que prendia a calça do uniforme. Ele disse que não poderíamos fazer essas coisas no colégio... talvez não seja uma boa ideia.
"Eu entendo, Muro-chin..." Murasakibara segurou a pálida mão antes que ela abrisse o zíper da calça. Seria impossível descrever o quão difícil foi tomar tal decisão. "Eu vou ao treino. Você não precisa se esforçar desse jeito."
"Esforço?" Himuro riu baixo, utilizando a outra mão para abrir o zíper. "Quem falou em esforço, meu adorável Atsushi? Eu não estou aqui por obrigação. O treino foi somente uma desculpa para te trazer aqui."
"Ah..." O ex-jogador da Geração dos Milagres apertou os olhos. Normalmente ele detestava ser feito de idiota, mas aquela situação era boa demais para ser desperdiçada. "Você me trouxe propositalmente para esse banheiro escuro e esquecido, Muro-chin? Eu nunca pensei que você fosse assim."
"Eu sou pior do que você imagina, Atsushi. Os treinos estão puxados e está cada vez mais complicado criar uma oportunidade para nos encontrarmos." O tom sarcástico deu lugar a uma espécie de confissão não oficial. "Se eu não fosse te buscar em sua sala provavelmente passaríamos mais um dia nos encontrando apenas em quadra."
Muro-chin está se sentindo solitário? Era muito difícil acreditar nisso.
O moreno não aparentava ser o tipo de pessoa que sentia solidão, no entanto, uma parte do rapaz de cabelos roxos concordava com o comentário. Ele também se sentiu sozinho, mas vê-lo durante os treinos era suficiente para afastar a tristeza. Eu não fazia ideia de que Muro-chin gostava tanto de mim. Talvez eu tenha subestimado seus sentimentos.
"Eu entendi..."
Ele segurou os dois pulsos com uma única mão, puxando-o para cima e envolvendo-o pela cintura. O Lançador o olhou com surpresa e certa curiosidade, apesar de haver entendido o que aquela atitude significara.
"Não é justo que somente eu aproveite. Eu também senti sua falta, Muro-chin. Muito, todos os dias. Eu fui treinar apenas para poder ficar ao seu lado." A voz soava baixa. Ele mentiria se dissesse que não gostaria de fazer meia dúzia de perversões com seu amante, mas não naquele banheiro.
"Seria muito bom se você gostasse de basquete como gosta de mim, Atsushi." Himuro segurou seu rosto com as mãos.
"Impossível. Eu não dou a mínima para basquete!"
Os lábios estavam tão perigosamente próximos que ele arrependeu-se de ter recusado o que sua companhia parecia tão ávida a oferecer. Depois da noite passada no apartamento, eles deixaram o pudor de lado e permitiram que seus hormônios ditassem aquela relação, pelo menos quando estavam a sós. A primeira vez que Muro-chin fez aquilo eu achei que houvesse morrido e chegado ao céu.
Murasakibara nunca esqueceria a visão do moreno, ajoelhado entre suas pernas, recebendo-o em sua boca e encarando-o com o único olho visível. Os movimentos eram limitados, visto que Himuro não conseguia colocá-lo completamente entre seus lábios. Contudo, a sensação do ato só rivalizava com o depois, mais especificamente o instante em que ele engoliu o orgasmo e passou a língua sensualmente pelo canto da boca para garantir que nada fosse perdido. Muro-chin é tão pervertido.
O rapaz de cabelos roxos ainda não tivera a oportunidade de retribuir o favor. Nós não temos mais tempo livre; por causa dos treinos, aulas e testes nossos momentos juntos se tornaram raros. Eu quero fazer perversões com Muro-chin... As respirações se misturaram, entretanto, o inevitável beijo não aconteceu. Um toque alto roubou-lhes a atenção e o Lançador riu, apoiando a testa no largo peitoral. Seu momento havia terminado muito antes de começar.
"É Fukui..." o moreno retirou o celular do bolso e leu a mensagem, "ele disse que Araki-san saiu da reunião e está no ginásio."
Basquete... é sempre esse maldito basquete! Sua mão esquerda abaixou-se, segurando a alça da mochila.
"Eu sei que é difícil, mas é só por um tempo, está bem? Depois dos próximos dois jogos não precisaremos nos encontrar às escondidas." Ainda que tentasse parecer otimista, a voz denunciava que internamente seu interlocutor não tinha tantas esperanças.
Murasakibara não respondeu, ajeitando a alça em seu ombro e saindo do cubículo. Sua única vontade era passar aquela tarde na companhia do amante, todavia, até isso lhe fora negado. Se eu faltar ao treino e for para casa Muro-chin ficará bravo.
E, com um suspiro resignado, ele deixou o vazio banheiro, sentindo saudades dos momentos que teriam compartilhado naquele esquecido espaço.
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As duas semanas passaram chuvosas e cansativas. Os treinos diários se estenderam até o anoitecer e, como se o basquete não fosse suficiente, as matérias obrigatórias do dia a dia ocupavam o pouco tempo livre que o Pivô tinha em mãos. Não seria preciso mencionar que o encontro no banheiro não voltou a acontecer. As oportunidades se tornaram nulas e até mesmo as conversas nos corredores haviam se transformado em raros encontros que pareciam depender de muito mais do que sorte.
Aquela rotina não era inédita para ele, acostumado aos treinos espartanos de Teikou. Porém, naquela época Murasakibara não tinha Himuro em sua vida e sua rotina resumia-se a colégio-casa, casa-colégio. Vê-lo somente durante os treinos não estava fazendo bem para o coração, e sua paciência diminuía a cada dia a ponto de seu humor torna-se péssimo o bastante para que os professores evitassem chamá-lo para responder perguntas pertinentes à aula.
Yousen venceu o primeiro jogo e a segunda partida seria realizada dali cinco dias. Esses eram os dias cruciais e Araki-san não poupava nenhum dos jogadores. O treino daquela úmida quinta-feira iniciou-se entre raios e trovões, com direito a esporádicas piscadas de luzes. O ex-jogador da Geração dos Milagres permaneceu prostrado embaixo da cesta, amaldiçoando tudo e todos por estar ali naquele fim de tarde. O dia está sendo uma porcaria. Eu esqueci meu almoço, a cafeteria não vendeu meu pão com yakissoba e passei a tarde nesse treino inútil!
O moreno estava em seu time, mas aquele detalhe não parecia ajudar sua situação. Os passes que deveriam sair naturalmente em uma mútua busca pela vitória mais pareciam uma dança desconexa feita por dois dançarinos que nunca se viram antes e foram colocados juntos por falta de opção. Por duas vezes o Lançador perdeu os passes que foram feitos em sua direção e ficou a cargo do rapaz de cabelos roxos defender a cesta do ataque adversário.
Muro-chin está irritado, ele teve certeza disso ao notar o pesado olhar, mesmo que não fosse direcionado àquele lado da quadra. Araki-san fez um breve sinal com a mão esquerda e Himuro deu meia-volta, aproximando-se do garrafão, mas mantendo-se distante.
"Nee, Muro-chin..." O Pivô caminhou até onde ele estava, esticando a mão para tocar os fios negros.
"Agora não, Atsushi." A mão recebeu um tapa leve antes de tocá-lo. "Nós estamos jogando."
O jogo recomeçou, os olhos violetas perderam momentaneamente o brilho inicial, e ele retornou para o seu posto embaixo da cesta. Himuro não deu nenhuma explicação para aquele inusitado comportamento, deixando-o apenas com suas desconfianças e um estranho gosto de rejeição em sua boca.
Murasakibara teve poucas chances de realmente jogar. O ataque de seu time era mais forte do que o do adversário, e o moreno não voltou a errar passes. Os tênis cessaram de correr pela quadra quando Araki-sensei soou o apito e ergueu uma das mãos. O martírio do dia havia oficialmente terminado.
O pedido de desculpas aconteceu, ou melhor, aconteceria depois do treino, como ele imaginou. O rapaz de cabelos roxos sabia que o amante não agia com arrogância gratuita, no entanto, infelizmente, ele também não estava em seus melhores dias. Aquela foi a primeira vez que eu o toquei nos últimos três dias. Muro-chin consegue ser bem insensível quando quer.
"Eu não quero ouvir agora, Muro-chin." Ele desfez o rabo de cavalo e afastou-se assim que o viu se aproximar.
O Lançador ficou boquiaberto por um instante, até abaixar a cabeça e meneá-la em positivo. O caminho até o vestiário foi silencioso e Murasakibara escolheu o chuveiro mais afastado possível. Himuro, por sua vez, não pareceu se importar, visto que, há alguns dias, também evitava que se banhassem próximos. Está ficando difícil, ele fechou os olhos enquanto enxaguava os cabelos, ficar próximo do Muro-chin... Eu quero beijá-lo, apertá-lo e fazer mil coisas com ele neste banheiro. O cheiro do shampoo de chicletes afastava os pensamentos mais impuros e o fazia lembrar-se de doces, bolos e coisas comíveis, porém, castas.
O rapaz de cabelos roxos era geralmente o último a deixar o vestiário. Os colegas de time o esperavam na maioria das vezes, contudo, com as tempestades diárias seria injusto colocar tal responsabilidade nas costas dos demais. Mas ele continua aqui... Ele sabia que o amante o esperava do lado de fora, embora seu ritmo não houvesse mudado. Os dois se encararam quando a porta foi aberta, mas não houve conversas. Os últimos jogadores eram responsáveis por fechar o ginásio, e juntos ambos apagaram as luzes e trancaram o grosso e pesado cadeado que prendia a porta dupla.
"Desculpe por aquela hora, Atsushi." Eles andavam um atrás do outro, aproveitando a parte coberta que os protegia da chuva.
"Eu disse que não quero ouvir, Muro-chin." Murasakibara ia à frente. Eles saíram do pátio e entraram no corredor que unia o ginásio ao prédio principal. Seguindo naquela direção acabariam no prédio principal.
Himuro manteve-se em silêncio, tomando a voz novamente ao chegarem à entrada.
"Você não precisa me desculpar se não quiser, mas eu vou fal—" O restante do discurso morreu em seus lábios quando o Pivô virou-se e o encarou de cima.
"Você trouxe guarda-chuva, Muro-chin?"
"N-Não..."
"Quer dividir o meu?"
"Não..."
"Então até amanhã."
O ex-jogador da Geração dos Milagres abriu seu guarda-chuva, pisando fora do prédio e escutando o som úmido que os sapatos faziam ao tocarem o chão molhado. Entretanto, ele não caminhou muito longe. Em seu quinto passo algo atingiu suas costas, fazendo-o parar e virar-se o suficiente para ver um tênis de basquete próximo aos seus pés. Sua mão livre abaixou-se para pegar o calçado, e seus pés retornaram até a entrada.
O moreno mantinha-se no mesmo local, o rosto extremamente vermelho e encarando-o com uma mistura de vergonha e puro ultraje.
"Eu acredito que isso seja seu, Muro-chin," ele colocou o tênis dentro da bolsa esportiva do amante, "não é legal atirar coisas nas pessoas, especialmente se elas estiverem de costas, nee~"
"Você não vai dizer nada?" O Lançador fechou o zíper da bolsa com mãos trêmulas.
"Eu não tenho nada a dizer," o rapaz de cabelos roxos deu mais um passo à frente, abaixando o rosto e mantendo-se na mesma altura de seu interlocutor, "mas a próxima vez que eu for atingido por um tênis eu vou jogá-lo beeem longe."
Himuro engoliu seco, mordendo o lábio inferior em uma clara tentativa de controlar sua ira. O esforço durou poucos segundos e o Pivô sentiu sua gravata ser puxada e com isso a distância entre eles diminuiu um pouco mais.
"Sabe, Muro-chin, eu sou uma pessoa paciente, mas estou no meu limite." Murasakibara segurou o rosto do moreno com uma única mão, apertando as bochechas e garantindo que ele não tivesse outro lugar para onde olhar. "Eu mal tive tempo de vê-lo nesses dias e, quando finalmente temos a chance de ficarmos próximos, você me enxota e me destrata como um cachorro na chuva. Eu não me importo se você me ignora pelos corredores ou atira sapatos nas minhas costas... apenas diga que nos veremos no final de semana. Eu não sei se consigo ficar mais nenhum dia longe de você."
O Lançador obviamente não esperava ouvir tais palavras, visto o modo como suas sobrancelhas se juntaram e seu único olho visível pareceu surpreso e incerto.
"O que você quer dizer, Atsushi?" A voz saia baixa e um pouco estranha, pois a mão em suas bochechas o impedia de falar normalmente.
"Eu quero dizer que faremos amor no final de semana, Muro-chin, e não pararemos até que eu esteja satisfeito."
O ex-jogador da Geração dos Milagres passou a ponta da língua pelos lábios rosados de seu amante, inclinando um pouco mais o rosto até atingir a altura da orelha esquerda, repetindo a carícia e arrancando um arrepio. A face de Himuro tornou-se ainda mais rubra e ele desvencilhou-se da mão que segurava suas bochechas. A franja fora colocada para trás e os olhos o encaravam com desafio.
"Você acha que é o único no limite? Você acha que eu estou alegre e feliz mal tendo tempo para ver meu namorado?" Ele voltou a puxá-lo pela gravata, "Não dê tanto crédito a si mesmo, Atsushi, porque aquele que não vai te deixar descansar serei eu. Você vai me implorar para descansar e eu não permitirei!"
"Você é quem vai implorar, Muro-chin!" Os olhos violetas se tornaram pequeninos. "Você vai até mesmo chorar! Sim, chorar!!"
"Eu? Chorar?" O moreno fingiu rir. "Você vai estar cansado demais para dar ordens, Atsushi!"
Murasakibara entreabriu os lábios para responder, todavia, o barulho da chuva o trouxe de volta à realidade. Ele não havia reparado, por exemplo, que estavam tão perigosamente próximos que suas respirações se misturavam; Himuro tinha o rosto vermelho e suas mãos apertavam o suéter encharcado. Isso é ruim...
"A-Atsushi..." O moreno balbuciou as palavras. "E... Eu falo sério... ficar próximo de você... nesse estado... não é saudável."
Os olhos violetas o fitaram por um breve momento. Seu corpo deu meia volta e sua mão agarrou o pulso de seu amante, puxando-o para fora da área coberta. O guarda-chuva foi fechado e Murasakibara ignorava a chuva forte que caia sobre eles. Os passos eram largos e firmes e o entorno havia desaparecido.
Nada mais importava. Nada mais fazia sentido.
Himuro não fez perguntas e eles chegaram à estação no mais puro silêncio. O trem estava de saída e foi difícil encontrar um lugar livre, mas nenhum deles parecia se importar com espaços ou comodidade. Como de costume, ele ficou à frente, protegendo-o dos demais passageiros. As mãos haviam se entrelaçado assim que as portas se fecharam e durante vinte minutos elas permaneceram unidas. Vez ou outra o moreno movia os dedos, tocando a grande mão do ex-jogador de Teikou com certa sensualidade. Quando abaixava os olhos, porém, tudo o que ele via eram os cabelos negros.
Da estação ao apartamento era necessária uma caminhada de mais dez minutos, que também foi feita sem guarda-chuva. O Pivô estava completamente molhado ao chegar ao prédio, mas simplesmente não parecia se importar. Os degraus foram transpostos de dois em dois e, quando finalmente o corredor surgiu, Himuro enfiou a mão dentro da bolsa esportiva, retirando a chave com dedos trêmulos e uma pressa que não era típica de sua pessoa.
A porta foi aberta com força e fechada com um barulho estridente. As bolsas foram jogadas em um canto da entrada e Murasakibara não soube dizer quem iniciou o beijo. O Lançador foi prensado contra a parede enquanto as línguas e os lábios cumpriam seu papel como excelentes preliminares. As mãos se misturavam, procurando despir o outro o mais rápido possível. Botões foram estourados, camisas descosturadas e o curto corredor recebia as roupas que ficavam no caminho.
Não era assim que eu imaginei a nossa primeira vez. O pensamento cruzou sua mente quando o beijo foi interrompido. As janelas do quarto estavam fechadas e a única luz vinha da sala, que fora acessa por mero acidente quando as costas bateram de encontro ao interruptor. O futon que ficava embaixo da cama foi puxado e Himuro ajoelhou-se sobre ele, respirando com dificuldades e encarando-o com desejo.
O rapaz de cabelos roxos ajoelhou-se devagar, segurando o rosto de seu amante e voltando a beijá-lo. Eles estavam ensopados por causa da chuva, no entanto seus corpos ferviam e ansiavam pelo que estava fadado a acontecer naquele final de tarde. Os dedos do Pivô trilharam as costas, entrando discretamente pela apertada roupa de baixo negra e retirando-a com pressa. O Lançador sentou-se sobre o futon, deixando que a peça deslizasse por suas longas pernas e utilizando a oportunidade para deitar-se.
A visão encheu os olhos violetas. Himuro era provavelmente a pessoa mais erótica e sensual que ele já conhecera. A pele pálida, os olhos azuis e brilhantes, o charmoso cabelo negro sempre omitindo um lado do rosto, os lábios rosados que sorriam adoravelmente quando algo bom acontecia, a ousada e encantadora pinta embaixo do olho esquerdo... Não havia parte nenhuma que ele não amasse e, ali, observando o corpo desnudo e molhado, o restante de bom senso e autocontrole desapareceram. Seus olhos se abaixaram e ele decidiu guardar sua primeira vez romântica e perfeita em um lugar especial de seu coração. Nós teremos outras oportunidades.
As pernas foram afastadas sem avisos ou permissões. O rapaz de cabelos roxos inclinou-se no instante seguinte e sua boca envolveu a evidente ereção em um rápido movimento. O membro entrou por completo, tocando o fundo de sua garganta e tornando-se ainda mais rígido. Então essa é a sensação. Ele sempre imaginou como seria fazer algo daquela natureza, visto que o amante era quem continuamente o mimava com carícias eróticas e toques íntimos. A mão direita masturbava a base e a língua movia-se ao redor do membro, provocando-o e conseguindo reações inéditas.
Himuro se contorcia sobre o futon, gemendo alto enquanto puxava os cabelos roxos. Aquilo não chegava a incomodá-lo e foi uma questão de tempo até que ele começasse a entender a dinâmica do ato. Ele percebeu, por exemplo, que o moreno parecia gostar quando os dentes tocavam levemente seu sexo. O Pivô mantinha-se atento a todos os pequenos detalhes, provocando-o vez ou outra somente para vê-lo gemer docemente. O gosto do pré-orgasmo o surpreendeu, esperando algo amargo ou simplesmente sem gosto. É um pouco doce...
Por cerca de cinco minutos o ex-jogador da Geração dos Milagres se manteve concentrado na tarefa de oferecer prazer. Seus movimentos se tornaram precisos e ele sabia muito bem como mover lábios e língua, acostumado a ter sempre alguma coisa em sua boca. Em determinado momento sua atenção foi para outra parte do corpo de Himuro que merecia atenção. Um dos dedos tocou a entrada e o corpo que estava por baixo tremeu. A cabeça ergueu-se do futon e por um curto instante ele pareceu envergonhado.
Murasakibara voltou a dar atenção ao que fazia, provocando-o ao ameaçar invadi-lo de um modo mais íntimo. Aquele novo estimulado surtiu rápido efeito, pois o Lançador passou a gemer com mais afinco. O pré-orgasmo tornou-se mais denso e o rapaz de cabelos roxos soube quando seu amante atingira o orgasmo. Ele desceu por sua garganta em dois longos movimentos, arrepiando-o e excitando-o ainda mais. Muro-chin é delicioso... Os olhos violetas se ergueram, contudo, Himuro estava descomposto demais para devolver-lhe o olhar. Não é suficiente. Eu quero mais.
O Pivô ajoelhou-se sobre o futon e precisou apenas de um rápido movimento para virar o moreno, que pareceu confuso demais para pestanejar. Ele é tão perfeito. Tudo sobre Muro-chin é perfeito. Murasakibara curvou-se sobre ele, como um predador que precisava ter certeza de que sua indefesa presa não iria a lugar algum. Sua língua tocou o pescoço úmido, lambendo a pele e fazendo-o rir baixo enquanto falava que aquilo o fazia sentir cócegas. As grandes mãos contornaram os ombros, descendo pelas costas e apertando a cintura e o quadril.
O Lançador virou um pouco a cabeça e naquele breve segundo seus olhares se encontraram. Himuro apoiava o corpo sobre seus joelhos, exibindo um sensual meio sorriso que demonstrava que ele sabia o que seu amante pretendia fazer. O rapaz de cabelos roxos mordeu um dos ombros, deixando uma visível marca que ficaria por alguns dias na pálida pele. A língua desceu pelas costas e a saliva rivalizava com a água da chuva.
Ao chegar ao ponto que queria, ele moveu a língua como se provasse a mais saborosa das sobremesas. O corpo que estava por baixo tremeu e um baixo e diferente gemido chegou aos seus ouvidos. Murasakibara fechou os olhos, concentrando-se no que fazia e percebendo as mudanças gradativas que a carícia proporcionava. Ao contrário do momento anterior, o moreno soava muito mais manso, a ponto de parecer dócil. Eu não gosto disso, ele juntou as sobrancelhas e moveu a língua mais uma vez, penetrando a entrada e arrancando outro necessitado gemido.
"Muro-chin..." O Pivô desviou os olhos e não ficou surpreso por ver a nova ereção de Himuro. "Não é a primeira vez que alguém faz isso com você, não é?"
O pensamento fazia seu estômago dar voltas. Imaginá-lo fazendo aquele tipo de coisa com outra pessoa era enervante.
O Lançador o encarou por um instante, mas virou o rosto para o lado, visivelmente desconcertado e envergonhado. A resposta acertou-o em cheio e, ainda que seu desejo não houvesse sido apaziguado, ele gostaria de nunca ter feito aquela pergunta.
"Você precisa me prometer, Muro-chin." A voz fez com que sua companhia voltasse a encará-lo. "Prometa que nunca mais deixará ninguém te tocar! Eu serei o único que poderá fazer essas coisas! Prometa, Muro-chin!"
Himuro permaneceu quieto por um instante, mas virou-se sobre o futon e uma baixa e sincera risada escapou rouca por entre seus lábios avermelhados. Sua resposta foi um menear de cabeça e o corpo de Murasakibara automaticamente deitou-se sobre ele. O beijo foi longo e o desejo retornou aos poucos, colocando fim às suas dúvidas pessoais. O moreno apontou para a escrivaninha e o ex-jogador da Geração dos Milagres só precisou esticar a mão para abrir uma das gavetas. Em seu interior havia um tubo novo de lubrificante e vários preservativos coloridos que conquistaram sua atenção imediatamente.
"Se quiser eu posso me preparar..."
"Eu posso fazer isso." Murasakibara abriu o tubo e colocou uma pequena quantidade sobre seus dedos. A consistência pegajosa o fez questionar se o produto cumpriria seu objetivo.
O Lançador voltou à antiga posição e apoiou o peso do corpo sobre seus joelhos mais uma vez, embora o rapaz de cabelos roxos tivesse pestanejado e afirmado que gostaria de vê-lo durante o ato. O moreno não cedeu, contra-argumentando que aquela posição seria mais confortável por ser a primeira vez entre eles.
"Comece com um dedo, depois outro e outro. Você vai saber quando eu estiver pronto."
Himuro afundou o rosto no travesseiro e o Pivô despejou um pouco mais de lubrificante nos dedos. O primeiro entrou sem dificuldades, despertando sua curiosidade sobre a relação entre dois homens. Ele sabia como os corpos se conectavam, entretanto, não conseguia imaginar como conseguiria entrar em um lugar tão apertado. Eu sei que Muro-chin tem um ponto especial... mas onde...
O segundo dedo foi adicionado após alguns minutos. O espaço ainda era restrito, mas o moreno começava a reagir e não foi difícil perceber quais movimentos conseguiam as melhores reações. Ele gosta quando eu vou fundo. A mão esquerda foi colocada sobre as costas pálidas enquanto os dedos da direita invadiam-no o mais profundo possível. O Lançador gemeu, movendo o quadril para trás e mostrando que havia aprovado a investida.
Quando o terceiro dedo entrou a postura do amante mudou. Sua cabeça afundou ainda mais no macio travesseiro e seus gemidos tornaram-se mais constantes e eróticos. O pré-orgasmo pingava sobre o lençol, atiçando a libido de Murasakibara e diminuindo sua paciência. Ainda não. Se eu tentar agora certamente vou machucá-lo... Ele havia se livrado de sua roupa de baixo branca e seu sexo implorava que a preparação terminasse o quanto antes para que pudesse senti-lo diretamente.
A cada movimento os músculos ao redor dos dedos pareciam relaxar, até conseguirem se mover com certa liberdade. Um quarto dedo poderia ser facilmente adicionado, todavia, aquilo seria impossível; ele não era tão controlado a ponto de fazer perdurar seu sofrimento além do necessário.
"A-Atsu... Atsushi." A voz era tão baixa que quase passou despercebida. O rosto havia se virado e ele o encarava com bochechas coradas. "Q-Quer fazer algo que nenhum deles jamais fez?"
Os olhos violetas se ergueram atentos. O bom senso havia evaporado de seu ser durante as preliminares e a única coisa que ele queria era invadi-lo e fazê-lo chorar, gemer e chamar seu nome insistentemente até que sua voz desaparecesse.
Himuro apontou para os preservativos ao lado do futon e moveu a cabeça para os lados em negativo. Murasakibara engoliu seco, apertando o tubo de lubrificante e despejando uma boa quantidade sobre sua ereção. A sensação o arrepiou, sensível ao menor dos estímulos. Seu corpo colocou-se atrás do de seu amante e uma das mãos segurou o quadril à medida que a outra guiava o membro na direção da entrada.
Apertado, foi a primeira coisa que ele pensou ao começar a invadi-la. O lubrificante tornava o ato mais simples, porém era fácil perceber que o rapaz de cabelos roxos era demais para o moreno. Eu acho que não conseguirei ir mais longe. As mãos apertaram o quadril e ele tentava se concentrar. Era difícil reprimir seu desejo de estar dentro daquele que tanto amava, mas nada no mundo o faria machucá-lo.
"Atsushi..." O Lançador tentou falar entre os gemidos.
"Desculpe, Muro-chin," ele abaixou o olhar "mas eu não acho que consiga ir mais fundo. Eu não quero te machucar."
"Não... Não..." Himuro tentava apoiar-se em seus cotovelos. "E-Eu ficarei bem, você pode continuar."
"Mas, Muro-chin..."
Ele suspirou e voltou a afundar o rosto no travesseiro e por um instante o Pivô achou que sua primeira vez terminara antes mesmo de começar.
"Eu tenho praticado," a voz soou abafada e as orelhas estavam rubras, "eu sabia que você era um pouco maior e teríamos dificuldades, então eu pratiquei... algumas vezes... sozinho."
Alguma coisa despertou em Murasakibara naquele momento.
Seria difícil explicar a série de imagens totalmente impuras que cruzaram sua mente em um único segundo. Expressões, gemidos e posições fizeram seu sangue subir e a preocupação em seu coração deu lugar a um dos mais básicos desejos humanos. As duas mãos apertaram o quadril de seu amante e com um único movimento ele o penetrou completamente. A língua umedeceu os lábios e o brilho em seus belos olhos violetas era qualquer coisa, menos inocente.
O rapaz de cabelos roxos tinha boa memória para o que lhe interessava. Quando Kiyoshi Teppei o questionou antes da partida, ele mentira ao dizer que não o reconhecia. O insuportável, feliz e cabeça de vento Pivô de Seirin jamais seria esquecido, por ser um dos tipos de pessoa que ele mais detestava. No entanto, o momento atual era diferente, ainda que também memorável. Não despertava ira ou desprezo, pelo contrário; seu peito estava transbordando um morno sentimento, que não tinha relação com o ato em si: era a mais pura realização de que, naquele vasto mundo, não havia ninguém com que ele gostaria de compartilhar aquele instante além de Himuro.
Foi preciso alguns segundos para que Murasakibara voltasse a se mover. Seu corpo tremia e a sensação de estar dentro do moreno era simplesmente incomparável. Os músculos ao redor de seu membro pareciam ainda mais apertados e retirar-se momentaneamente só duplicou aquela sensação. A segunda estocada arrancou um novo gemido de Himuro. Sua voz ecoava por todo o cômodo, mas ele aumentava o tom todas as vezes que era penetrado, deixando à mostra um lado que o Pivô não fazia ideia de que pudesse existir.
Os antigos parceiros sexuais de seu amante desapareceram de sua mente. Não havia nada a não ser a busca por mútuo prazer. A quarta estocada marcou o início do ritmo e sua própria voz começou a ser ouvida. O Lançador parecia ter se acostumado à invasão, pois não demorou a mover o quadril para trás. Aqueles pequenos detalhes eróticos mexiam diretamente com as suas fantasias, principalmente por ele saber que se aproximava de seu limite. Eu sou um pirralho perto de Muro-chin. Não faz cinco minutos e já sinto que não aguentarei mais.
“T-Tatsuya...” Ele não conseguiu se controlar quando seu corpo começou a dar sinais de que estava muito próximo do clímax.
As mãos seguravam o quadril e as estocadas mais fortes aconteciam em um menor espaço de tempo. Murasakibara tinha a impressão de que estivera possuindo-o há horas, ainda que a prática fosse diferente e os cinco minutos não haviam passado quando o rouco gemido deixou seus lábios e ele moveu-se com o dobro de força enquanto seu sexo penetrava-o uma última vez.
Terminara... sua primeira vez havia oficialmente terminado.
Os joelhos de Himuro cederam e seu corpo caiu sobre o futon produzindo um oco som. O rapaz de cabelos roxos retirou-se devagar, contudo, permanecendo no mesmo lugar. A pessoa que estava por baixo moveu-se, virando-se e exibindo uma das cenas mais belas e sensuais que ele já vira na vida: a pele brilhava úmida com suor e vermelha devido ao exercício; a franja estava jogada para trás e os dois olhos azuis o encaravam diretamente. O principal, entretanto, era a visível ereção que retornara durante o sexo e o modo como a pálida mão a masturbava com leves movimentos.
Ninguém o instruiu naqueles assuntos, assim como ninguém havia dito que ele deveria ser o responsável por aliviar o corpo de seu amante. Todavia, O Pivô o fez. Os cabelos foram colocados atrás das orelhas e sua boca abriu-se conforme o membro a invadia. O moreno gemeu, movendo o corpo e afastando melhor as pernas para ele posicionar-se melhor entre elas. Murasakibara conseguiu envolver a ereção completamente em sua boca e sabia que agradava quando fazia aquilo. A língua deslizava desafiadora por sua extensão e encostava-se aos dentes que ficavam ao fundo. A provocação despertava reações peculiares e o incitavam cada vez mais em satisfazê-lo.
"Dedos... A-Atsushi, use seus dedos também, please..."
Ele não parou o que fazia, mas precisou de alguns instantes para entender o que aquele pedido queria dizer. Uma de suas mãos mantinha a ereção em uma mesma posição enquanto a outra desceu pelas pálidas coxas. Os três dedos invadiram a entrada sem dificuldade devido ao próprio orgasmo, causando a tão esperada reação. O moreno se contorceu, pedindo que ele fizesse novamente.
"Você é tão pervertido, Muro-chin." Murasakibara sussurrou ao tirar o membro momentaneamente de sua boca.
"Eu devo ser," a resposta foi dada de modo ofegante, "porque eu realmente... realmente quero você dentro de mim mais uma vez. Você é o melhor, Atsushi..."
Os olhos violetas se ergueram e ali permaneceram. Por um instante o tempo pareceu parar e as palavras ecoaram em sua mente incontáveis vezes com o mesmo tom suplicante e salpicado por uma sensualidade que somente Himuro possuía. O Pivô limpou a boca com as costas da mão, ajoelhando-se entre as pernas e não se surpreendendo ao vê-las se afastarem deliberadamente. O que chamou sua atenção, por outro lado, foi a maneira como o Lançador umedeceu os lábios, convidando-o a continuar. Eu não quero pensar nisso...
Ele guiou a nova ereção até a entrada e a penetrou em um único movimento. Não quero imaginar que Muro-chin já mostrou esse lado para outras pessoas. Não é justo! Eu deveria ser o único a vê-lo desse jeito! Muro-chin pervertido! Pervetido!
"Ah... Ah... Oh, Atsushi... yeah, right there... t-there."
As reações eram tão honestas que em determinado momento duas lágrimas correram pelos cantos dos olhos azuis. O pré-orgasmo escorria por sua ereção e Murasakibara decidiu que era hora de seu amante aproveitar aquele começo de noite. E infelizmente eu não aguentarei por mais tempo. Se eu fosse um pouco mais experiente poderia satisfazê-lo melhor...
Os dedos envolveram a ereção e passaram a masturbá-la no mesmo ritmo das estocadas.
“O-Oh Atsushi, so damn good.” O rapaz de cabelos roxos não era fluente em inglês, mas conseguia entender o que ouvia. Ele torna tudo pior falando essas perversões em outra língua. “Oh, yeah, hard... fuck me hard!” Muro-chin!!!
Himuro contorcia-se, chamando-o pelo primeiro nome e gemendo todas as vezes que se sentia penetrado. Os pedidos obscenos se tornaram tão constantes que em determinado momento Murasakibara simplesmente parou de pensar, possuindo-o profundamente e com força. Apertado... Ele ouviu o próprio gemido rouco quando a entrada apertou seu sexo. Aquela sensação fora sentida quando ele a invadiu durante a primeira vez, porém, devido à sensibilidade, a sensação parecia ter o dobro de intensidade.
O orgasmo do Lançador ficaria marcado em sua mente para sempre. Ele sentiu, primeiramente, os músculos apertarem sua ereção um pouco mais; em seguida, o membro em suas mãos tremeu e pintou parte do abdômen e peitoral. Whoa... Os olhos violetas se arregalaram ao fitarem a expressão de satisfação no rosto do amante. As sobrancelhas juntas, os lábios entreabertos, o rubor que subia pelo pescoço e alastrava-se pela face brilhando em suor... era perfeito.
Seu próprio clímax não demorou, mesmo que ele houvesse aguentado um pouco mais se comparado à vez anterior. A última estocada foi funda e o rapaz de cabelos roxos voltou a preenchê-lo. Eu estou exausto; muito mais cansado do que após uma partida. O membro foi retirado com cuidado e as mãos soltaram as pernas do moreno, que permanecia imóvel, encarando o teto de olhos fechados e respirando com dificuldade.
"Tatsuya...”
Himuro abriu os olhos ao ouvir seu nome e esticou os braços, chamando-o para se acomodar ao seu lado no futon. Murasakibara aceitou o mudo convite, deitando-se e sentindo o coração pular uma batida quando o Lançador virou-se para encará-lo.
"Eu fiz algo errado?"
"Não," a resposta foi seguida por dedos longos acariciando suas bochechas enquanto retiravam uma mecha roxa, "você fez tudo o que deveria ser feito."
"Eu espero melhorar logo. Perto de você eu não sei nada..."
As sobrancelhas negras se juntaram e o sorriso tornou-se uma fina linha.
"Eu teria esperado, sabia?" A voz soou baixa e a franja escorregou para o seu lugar habitual, omitindo um dos belíssimos olhos azuis, "se eu soubesse que um dia te conheceria eu certamente teria esperado por você e jamais teria me envolvido com outras pessoas."
A parte das "outras pessoas" não lhe agradou, no entanto, Murasakibara sentiu o peito aquecido ao ouvir tal confissão. Para ele, alguém que nunca se interessou por qualquer outro ser humano, Himuro era mais do que sua "primeira vez". Eu nunca achei que um dia faria isso com outro homem... as mulheres em minhas fantasias eram sempre altas e com grandes seios. Havia certas coisas que ele gostaria de falar, mas nada parecia suficiente para definir aquele momento. Com Muro-chin tudo parece diferente, e eu nem sequer sinto falta dos seios...
"Sabe, Muro-chin," ele retomou após alguns segundos de silêncio. Ficar quieto estava fora de cogitação, contudo, não havia nenhum belo discurso pronto que poderia ser transmitido naquela situação, além de que palavras bonitas ou conversas sérias não combinavam com sua personalidade. "Eu nunca achei que estaria aqui, hoje, com você. Eu realmente te detestava."
"Eu sei," ele riu, "embora eu fosse teimoso demais para aceitar isso. Eu sempre fui simpático e capaz de fazer amigos com facilidade, mas, então, aparece você... uma muralha de indiferença que me trata como se eu tivesse menos valor do que um cabo de pirulito jogado no chão."
"Você não pode jogar coisas no chão, Muro-chin."
"Eu sei!" Himuro gargalhou, arrastando seu corpo para que ficassem um pouco mais próximos. "Você gostou? Foi do jeito que você imaginou? A primeira vez com outro homem pode ser um pouco... decepcionante."
"Eu gostei," Murasakibara tentou pensar se algum momento naquele fim de tarde houvesse sido decepcionante e não conseguia encontrar absolutamente nada, "na verdade, eu nunca dei muita importância para essas coisas. Quando eu sentia vontade tudo o que precisava era me masturbar. Nunca tive interesse em relacionamentos e sempre rejeitei as confissões que recebi. Eu não tinha tempo para garotas ou romances ou dramas... mas agora..."
"Mas agora...?" O moreno estava visivelmente interessado na resposta.
"Agora quando penso nesse tipo de coisa é o seu rosto que aparece na minha mente. Eu quero saber mais sobre você, Muro-chin, mesmo que seja drama e complicado e me faça perder noites de sono. Eu quero levá-lo para o parque, andar de mãos dadas e dividir um gigantesco algodão doce... depois voltaríamos para casa e faríamos amor pelo resto da noite."
O Lançador ouviu a tudo em silêncio, apesar de manter os olhos atentos.
Ao final, o sorriso foi acompanhado por duas bochechas coradas e dedos que gentilmente acariciaram seu rosto.
"O que me diz de tentarmos? Eu também quero saber mais sobre você, Atsushi, e esse seu prospecto de futuro me agrada imensamente."
"Eu quero tentar, Muro-chin, mas somente se você prometer que nunca mais deixará que ninguém te veja dessa forma. Só de pensar que você já dormiu com outras pessoas sinto vontade de destruir todos eles!"
"Dessa forma?" As sobrancelhas se juntaram.
"Sim... como eu te vi enquanto eu estava dentro de você. É enlouquecedor pensar que outros já te possuíram desse jeito e que eu sou apenas mais um que te viu dessa maneira."
"Meu tolo e precioso, Atsushi!" Himuro riu e apertou as bochechas com uma mistura de força e gentileza. "Eu nunca fiz sexo desse modo. Essa foi a primeira vez que deixei que alguém visse meu rosto. Eu jamais me soltei dessa forma."
"M-Mesmo?"
"Sim... Fazer sexo é extremamente simples. Você só precisa de alguém disposto a compartilhar aquele momento com você, mas isso não significa que vocês estejam diretamente na mesma página ou envolvidos um com o outro. Todas as minhas experiências passadas foram puramente físicas, então eu pouco me importava em agradar meus parceiros. Tudo o que eles queriam eram aqueles minutos dentro de mim e depois cada um seguia o seu caminho. Você foi o primeiro que permiti que me envolvesse assim... diretamente. Eu confio em você, Atsushi."
"Seu passado soa triste.” O rapaz de cabelos roxos não gostou de saber sobre os detalhes sexuais de seu amante, entretanto, o relato que ouvira deixou seu peito apertado. Eu gostaria de tê-lo conhecido antes. Eu definitivamente teria te protegido Muro-chin!
"Não foi triste, somente... vazio. Eu fazia o possível para manter distância das outras pessoas e todas as vezes que alguém tentava se aproximar eu não permitia. De certa forma, eu criei o hábito de me envolver com os outros sem permitir reciprocidade."
"Isso é verdade. Eu realmente não gostava quando você fingia que se interessava pelas coisas. Eu sempre soube que você era diferente, Muro-chin."
"Decepcionado?" A pergunta foi proferida com gracejo, embora Murasakibara soubesse que fora feita propositalmente.
"Não, você nunca me decepcionou." Eram raros os momentos em que ele se permitia uma reflexão profunda sobre qualquer coisa, mas ao lado de Himuro tudo parecia simples e até mesmo conversas triviais chamavam sua atenção.
A resposta pareceu satisfazê-lo, pois sua companhia esboçou um sincero meio sorriso.
Desde o inusitado beijo no vestiário os sorrisos do moreno nunca mais foram vagos ou falsos. Murasakibara era desleixado e relaxado demais para dar importância a certas coisas, todavia, era diferente dessa vez. O estrangeiro com o charmoso sotaque e personalidade fácil havia deixado de ser um incômodo para se transformar em uma das razões que o fazia acordar todas as manhãs.
E, olhando para trás, ele jamais se cansaria de questionar como teria sido sua vida, seu momento atual, se por ventura Himuro não houvesse retornado ao Japão. Ou se não tivéssemos nos beijado naquele vestiário... O rapaz de cabelos roxos sempre soube que a vida era feita de escolhas, embora ele fizesse o possível para deixar que as coisas simplesmente seguissem seu rumo. Teikou fora uma escolha, assim como fazer parte do time de basquete. Intimamente ele não assumiria tal coisa, principalmente por sentir que, com relação ao basquete, os acontecimentos foram meramente naturais e decorrentes de sua constituição física. Eu escolhi Yousen porque Araki-san foi pessoalmente a Teikou. Ela estava bonita...
Sua mão direita ergueu-se, afastando a franja do rosto de seu amante. Ele é tão bonito, não deveria esconder-se com o cabelo... embora talvez seja melhor que fique escondido. A decisão o fez menear a cabeça, pensando alto. O Lançador riu como se entendesse aquele silencioso embate mental. O corpo arrastou-se para cima e ele sentou-se sobre seu colo.
"Quer continuar?"
"Sim, mas não sei se devemos. Você parece cansado, Muro-chin."
"Eu estou e, honestamente, acredito que amanhã não conseguirei sair da cama."
"Então vamos parar."
"... ou eu poderia ficar de cama e você me faria companhia."
"E quanto ao colégio?" A ideia já havia sido aceita. Era tentadora demais para deixá-la passar.
"Eu ligarei e avisarei que fiquei doente e você, como um ótimo e prestativo colega, passou o dia me fazendo companhia!"
"Eu nem ao menos sou da sua classe, Muro-chin..."
"Detalhes, Atsushi, detalhes..." As mãos subiram pelo peitoral pálido e o corpo pendeu para baixo. "É sua primeira vez, então apenas aproveite, está bem?"
"Ah~..." Ele abaixou os olhos violetas. Aquela posição havia enchido seus olhos com um estranho fascínio. "Eu não sabia desse seu lado pervertido, Muro-chin."
Himuro riu e ofereceu uma enigmática piscadela.
Não havia mais nada que pudesse ser dito naquela noite. Seus sentimentos estavam finalmente na mesma página, e as dúvidas e problemas futuros seriam resolvidos aos poucos e conforme surgissem.
Murasakibara já havia decidido que passaria o restante de sua vida conhecendo as várias facetas daquela pessoa.
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Himuro estava certo quando disse que mal conseguiria sair da cama no dia seguinte.
Ele acordou exausto, ainda que preferisse caminhar sozinho até o banheiro. O Pivô estava disposto a permanecer o tempo ao seu lado, esperando-o acordar para que o segurasse em seus braços. Contra suas expectativas, o moreno escorou-se pelas paredes, entrou no banheiro e só o chamou ao desligar o chuveiro, quando pediu pela primeira vez por ajuda.
"Nós deveríamos ter parado." O rapaz de cabelos roxos o auxiliou a se enxugar e se vestir, levando-o pelo ombro até o quarto. A roupa de cama havia sido trocada e a cama arrumada.
"Eu ficarei bem em algumas horas." Himuro deitou-se e fez sinal para que sua companhia fizesse o mesmo.
"É sempre assim, Muro-chin? Sempre que fizermos sexo você ficará desse jeito?"
Murasakibara tornou-se sério.
Certo, a noite passada havia sido facilmente a melhor de sua vida e ele estava confiante que estar dentro de Himuro era muito mais saboroso que uma barra de chocolate, mas seu peito estava suficientemente apertado com a situação para fazê-lo ponderar se alguns minutos de prazer valiam aquele alto preço.
"Não, apenas no começo." O moreno não pareceu aborrecido. "Até que meu corpo se acostume ao seu, pelo menos."
"Talvez devêssemos ir mais devagar."
"Se você não gostou de fazer sexo comigo, Atsushi, diga." As sobrancelhas escuras se juntaram e havia uma pitada de irritação em sua voz.
"Não desvie o assunto, Muro-chin. Se eu não tivesse gostado jamais teríamos feito o que fizemos... quatro vezes. Eu estou preocupado com você.”
"Eu sei, eu sei, e ficarei bem. Mais algumas vezes e eu não precisarei passar horas me recuperando."
"Você promete?"
"Prometo!"
Murasakibara apertou os olhos, esperando alguma retificação, porém suspirou ao notar que não havia nenhuma. Sua grande mão afagou os cabelos negros e ele ajeitou o cobertor sobre o amante antes de apagar a luz e sair do quarto. Eu estou faminto. O próximo cômodo era a pequena cozinha e ele separava os ovos enquanto falava ao telefone. Comunicar o colégio sobre a situação de Himuro fora mais fácil do que ele imaginou e o professor até mesmo desejou melhoras. Araki-san, por outro lado, pareceu bem menos compreensiva e avisou que a ausência no treino daquela tarde acarretaria punições... duplas!
A despensa do Lançador era basicamente americana. Ao contrário dos típicos cafés da manhã que ele estava acostumado a tomar em casa, o ex-jogador da Geração dos Milagres sabia que ali precisaria usar a imaginação. Ele detestava café preto, por achar amargo e forte demais, embora não negasse quando lhe era oferecido um fraco cappuccino.
Naquela manhã ele teria de se contentar com ovos mexidos e torradas. O arroz demoraria para ficar pronto, e seria impossível preparar a sopa missô sem os ingredientes básicos. As torradas foram para a torradeira enquanto ele virava os dois ovos na frigideira. Havia suco de laranja dentro da geladeira e seu café da manhã foi calmo e silencioso. A vizinhança era tranquila e o prédio basicamente familiar.
A louça foi lavada e deixada no escorredor. Murasakibara espreguiçou-se ao deixar a cozinha, fazendo o mínimo de barulho possível. O quarto estava quieto, com exceção da baixa respiração de Himuro. Ele deve estar exausto. O rapaz de cabelos roxos aproximou-se devagar, deitando-se na cama e surpreendendo-se quando o moreno arrastou-se até ele, afundando o rosto em seu peito e utilizando o braço esquerdo como travesseiro. Muro-chin parece tão... indefeso.
Era difícil vê-lo daquela maneira. Em quadra Himuro movia-se com delicadeza, enganando o oponente com seus movimentos e arrancando suspiros das garotas que assistiam à partida. No dia a dia ele era somente um mero garoto, popular demais para o seu próprio bem, mas que sempre se mantinha distante dos demais.
Uma parte de Murasakibara ainda não compreendia porque ele. Porque, de todas as pessoas que o Lançador havia se envolvido, justamente ele fora capaz de atravessar a máscara de indiferença e ver um lado que provavelmente ninguém jamais vira.
Talvez eu não seja o único. Os olhos violetas se abaixaram e ele fitou a corrente prateada pendurada no pescoço de Himuro. Na ponta havia um anel pequeno demais para seus dedos, mas que aparentemente era precioso o suficiente para que estivesse sempre presente. Até mesmo enquanto estávamos juntos ontem à noite Muro-chin permaneceu com essa corrente. Ele sabia a história por trás do anel, no entanto, havia alguma coisa no relato que o incomodava. Eu tenho a impressão de que o irmão de Muro-chin me dará trabalho.
"Atsushi..." Os devaneios cessaram e aquele chamado conquistou sua total atenção. A voz soou rouca e quase inaudível.
"Hm?"
"Você... não pode comer... isso..."
As sobrancelhas negras se juntaram e os lábios voltaram a se entreabrir. Murasakibara se manteve imóvel, tentando assimilar o que acabara de ver. Em sua mente era difícil imaginar um Himuro que não fosse o aluno perfeito, o rapaz sorridente e popular. Se as fãs do Muro-chin soubessem que ele fala dormindo e, pior, fala sobre mim.
Seus lábios se repuxaram em um meio sorriso e seu corpo virou-se melhor, acomodando-o totalmente em seus braços. Seus olhos se fecharam e, enquanto permitia que o sono chegasse e relaxasse seu corpo, Murasakibara só conseguia pensar que a partir daquele dia sua vida seria completamente diferente. Não importa, realmente. Contanto que eu possa acordar todos os dias ao lado de Muro-chin nada mais importa. Ele foi a melhor escolha da minha vida.
– FIM.
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