Pretty Normal

14 Capítulo 14- Malas prontas


Notas iniciais
Ei, sentiram saudade? Desculpa a demora, tava tendo um mês de provas antes das férias. Então, como minhas férias começam hoje, eu decidi comemorar postando uns capítulos novos para vocês :)

Gostaram da ideia?

A Sexta-feira se arrastou como uma lesma e eu tive que usar metade do tempo que tinha disponível para organizar minhas malas- coisas básicas, eu estava voltando para casa, afinal-, o que me deixou com pouco tempo para me produzir para meu encontro com Ethan. Holly estava esparramada em minha cama, rindo de meu nervosismo. Sei que Kate gostaria de estar aqui também- seria a última vez que poderíamos nos ver antes da viajem-, mas seu novo emprego não permitiu. Tentei não ficar magoada com ela, mas, mesmo sem ter deixado a cidade, eu já sentia sua falta.

-Você fica engraçada nervosa desse jeito- Ela disse, o que me fez pular em frente ao espelho e verificar novamente se estava tudo certo com minha roupa. Minha maquiagem estava um pouco simples demais para meus padrões, mas eu tinha que tomar cuidado para não parecer demais com Lucy Black.- Tipo, você é uma superestrela e tudo mais, não é o tipo de gente que eu imaginaria ficando nervosa para um encontro.

Sorri nervosa para ela e sentei na beira da cama, esparramando meu vestido ao meu redor. Holly se apoiou sobre seus cotovelos, me observando com uma expressão sonhadora.

-Desculpe desapontá-la- murmurei, ainda com aquele sorriso estranho no rosto. Não resisti e encarei novamente meu reflexo no espelho. Será que Ethan aprovaria?

-Você gosta dele- Holly sussurrou, parecendo surpresa.- Ai, Meu Deus, você realmente gosta dele!

Eu me voltei para ela, apavorada.

-O quê? Não!- exclamei, mas já era tarde demais. Eu já podia ver o olhar malicioso que ela me dirigia.- Talvez um pouquinho- reconsiderei, tentando não corar. Ela gritou e jogou uma almofada rosa em mim, o que me fez gargalhar. Subitamente me lembrei de Elizabeth, que costumava fazer o mesmo, e acabei com a gargalhada na metade. Holly pareceu perceber, porque colocou a mão em meu braço e sussurrou:

-As coisas vão se acertar, L.- disse, mas ela não poderia saber.

Me levantei da cama, toda a raiva subitamente dominando meu corpo.

-As coisas não vão se acertar, Holly!- Gritei, sabia que não estava com raiva dela, mas não consegui evitar.- Eu e minha irmã nunca vamos ser as mesmas de novo, você entende? Ela me traiu com o cara que eu amava! Quer dizer, sim, eu tenho o Ethan agora e talvez ele goste de mim também, e isso muda um pouco as coisas...mas ainda está lá, Holly. Ainda dói e vai doer mais ainda conforme eu me aproximar de casa. Sei que vai.

Minha amiga se levantou e me abraçou.

-Sabe que eu não gosto de pessoas dramáticas, mas sei que você- infelizmente- não pode deixar tudo isso ir sem sofrer- Ela sorriu fraco para mim quando se afastou.- Kate seria bem melhor do que eu para te consolar, mas eu me importo. Não esquece, tá? Vai ser só uma semana e nós vamos ficar te esperando aqui.

Eu sorri com os olhos marejados, grata demais para confiar nas palavras. Eu nunca havia tido uma amizade como a dessas duas.

-Você pode dizer à minha mãe...-eu comecei, Holly assentiu e balançou as mãos no ar, em um gesto de desdém.

-Eu digo à Renesmee- ela riu.- Mal posso esperar para vê-la surtar, sabe que ela não é minha professora favorita.

Revirei meus olhos.

-Bem, eu volto, de qualquer forma- resmunguei. Lancei um olhar assassino para a garota que voltava a se esparramar em minha cama.- É bom que ela saiba disso.

Holly riu.

-Ah, ela vai saber.

Não pude deixar de sorrir. Holly era irritante, mas de uma forma adorável. É o tipo de pessoa com quem todos fazem brincadeira quando está de mau-humor, porque é engraçado. Às vezes eu desejava ser como ela.

-Eu ligo todos os dias para saber das coisas aqui e para falar como são as coisas lá- disse, de repente parecendo uma mãe preocupada. Na verdade, eu me sentia carente. Por que nenhum dos meus amigos de Forks podia ir comigo?

Holly grunhiu como se estivesse ofendida.

-Eu ligaria se você não ligasse- ela retrucou, doce como sempre.

Uma buzina soou em frente à minha casa e nós duas corremos em direção à janela, chocando nossos corpos uma contra a outra no processo. A casa de meu avô só tinha um andar e meu quarto não estava diretamente voltado para a rua, por isso só pude ver uma pontinha azul do carro de Ethan, o que fez meu coração acelerar. Holly parou de me observar com malicia e ajeitou meus cabelos, tirando-os do rosto e dando um tapinha em minha bochecha.

-Isso, agora ajeite a droga da sua postura e me deixe orgulhosa- disse, como se eu fosse sua filha que estava se preparando para o baile.- E mais importante, Sarah, sexo só no quinto encontro.

Eu queria gritar e estapeá-la, até porque naquela hora Ethan surgiu na porta do meu quarto. Com os cantos dos olhos eu observei a bagunça que havíamos feito e mordi o lábio. Eu sabia que estava vermelha, mesmo sabendo que ele não deve ter ouvido nossa conversa. Que bela primeira impressão. Holly sorriu timidamente para ele e voltou a se jogar na minha cama, ligando a tevê logo em seguida.

-Seu avô me deixou entrar, ele está...- Ethan não concluiu, mas eu não precisava que ele o fizesse.

-De mau-humor, péssimo dia- comentei, pegando minha bolsa e tropeçando em direção à porta.- Ele não gosta de ficar sozinho, Holly disse que vai fazer companhia para ele enquanto eu não volto, mas não acho que ele tenha gostado muito.

Ethan riu.

-Eu também te amo, Sarah. Não volte muito tarde ou seu avô vai ficar preocupado. E é melhor encomendar alguma coisa para eu comer, tipo pizza.- a voz de minha amiga soou abafada porque eu já tinha fechado a porta. Revirei os olhos pensando no mico que estava pagando. Jamais levaria Ethan até minha casa novamente.

Despedi-me de meu avô, que resmungou alguma coisa sobre “o garoto Uley ser muito idiota e estar se preparando para morrer”, mas nós não demos muita bola e seguimos para o carro.

-Ah, me desculpe- eu disse.- Por ter te feito passar vergonha, minha família pode realmente me envergonhar quando quer.

Ele gargalhou, assentindo. O carro avançava rapidamente pela rodovia, nos levando em direção à Port Angeles. Estava frio dentro de seu carro, mas eu já estava acostumada com isso. Raramente é quente em Forks.

-Você devia ver como as coisas são na minha casa, minha irmã é uma sem-noção- comentou, sem parecer se incomodar. Eu me senti feliz por isso.

-Ah, que bom que pensa assim- respondi, depois percebi que havia falado besteira.- Quer dizer, que bom que você não se importou com meu avô e tudo mais, não que você acha sua irmã uma sem-noção. Eu nem conheço ela, mas não acho que...

Ele tirou uma das mãos do volante e pôs na minha perna e então me lançou um olhar de conforto.

-Ei, se acalma- me tranquilizou.- Se você quiser voltar para casa...

-Não!- exclamei.- Isso é um encontro, Ethan, não quero ir para casa. Eu quero ficar com você.

Depois de ficar completamente vermelha e Ethan começar a sorrir bastante, nós seguimos em silêncio. Em algum momento, Ethan ligou o rádio. A música soou por meus ouvidos e encheu meus olhos de lágrimas, então eu me virei para a janela para que ele não visse. Eu devia estar sendo uma companhia terrível. Mas a verdade é que eu não consigo ouvir nenhuma música do Keith Urban sem me lembrar de Seth. Eu teria que vê-lo amanhã, de qualquer maneira.

-Chegamos- Ethan anunciou, desligando o rádio. Eu pus um sorriso no rosto e me virei para ele, que não estava mais sentado no banco do motorista. Olhei ao redor, sem encontra-lo, e então a minha porta foi aberta e ele me estendeu a mão.- Senhorita Black, bem-vinda.

Eu gargalhei de sua tentativa falha de parecer um gentleman, esquecendo toda a tristeza. Essa era minha oportunidade de seguir em frente. Eu realmente gostava de Ethan, então tentaria fazer isso dar certo. Peguei sua mão e saí do carro, ele fechou a porta, acionou o alarme, e nós caminhamos até o restaurante. Era uma pizzaria, na verdade, o que me surpreendeu um pouco. Será que Matt havia contado à ele que eu era viciada em pizza?

Pegamos uma mesa próxima à janela e nos sentamos. Olhei ao redor e percebi que o lugar em que estávamos era bem bonito e antigo, o que me lembrava o estilo vitoriano. Ethan pareceu ficar satisfeito ao ver o quão maravilhada eu estava. Os garçons logo começaram a trazer as pizzas.

-Então, me fala sobre o seu pai- Ethan pediu.

Eu me engasguei com a pizza, por isso bebi apressadamente meu refrigerante.

-Não acho que você se interessaria por ele, na verdade- comentei.- Meu pai costumava ser um cara legal, mas os filmes foram aumentando e...

-Filmes?

Eu percebi que novamente havia falado besteira, Ethan agora me observava, desconfiado. Eu limpei a garganta e pus minha cabeça para trabalhar.

-É...é- gaguejei.- Ele tem uma empresa que revela fotos, e em uns clientes que levam filmes- negativo- muito velhos e esperam que ele faça mágica. Isso meio que estressa ele porque meu pai é um bom fotógrafo e ama o que faz. Então, conforme os filmes foram aumentando e a empresa crescendo, ele se tornou um cara muito ocupado e mandão- não devo ter parecido muito convincente, mas Ethan pareceu acreditar.- De qualquer forma, ele é meu pai. Não posso simplesmente me livrar dele.

Ethan assentiu, como se realmente me compreendesse.

-Sei como é, às vezes também quero me livrar do meu pai- disse, rindo.- Principalmente quando ele começa a falar sobre o passado e resmungar o quanto detesta o seu tio e tudo mais.

Engoli meu refrigerante com dificuldade.

-Meu tio?- tentei parecer surpresa.- Por que seu pai odeia meu tio Jacob?

Ethan batucou os dedos na mesa, como se estivesse considerando se responderia ou não.

-Bem, parece que foi seu tio que causou as cicatrizes que minha mãe tem no rosto- Eu o fitei, completamente transtornada e incrédula.- Quer dizer, ele não pegou uma faca e retalhou o rosto dela. Aconteceu um acidente anos atrás, uns dez anos, ou doze. Eu não lembro, era bem pequeno. Sei que o carro de seu tio bateu no carro do meu pai, a esposa de seu tio perdeu o bebê e minha mãe ficou com o rosto machucado. Meu pai nunca perdoou seu tio por isso.

-Renesmee...-sussurrei.- Quem era a esposa de meu p...tio?

Ele coçou o queixo, como se tentar lembrar exercesse sobre ele um esforço descomunal.

-Não tenho ideia, a mesma de sempre, acho- respondeu, voltando a comer.- Seu tio nunca foi muito querido por aqui, por isso se mandou. O acidente em que ele se meteu com meu pai foi a gota d’água.

Eu respirei fundo, tentando acalmar meus pensamentos.

-Ei, você está bem?- Ethan parecia verdadeiramente preocupado, e eu não queria isso, por isso apenas assenti.

-Eu...eu sinto muito por sua mãe- balbuciei, virando o copo de refrigerante e engolindo todo o conteúdo.

Ethan sorriu.

-Não é como se fosse culpa sua, Sarah- respondeu, pegando minha mãe por cima da mesa.- Família é algo que a gente não pode escolher.