Pressure

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Apenas um pouco de angst para nosso Halloween, para que o PotterDay tivesse um pouquinho de conteúdo original e fresquinho dos nossos marotos que perderam tudo nesse dia 31.10.1981

A fic foi escrita (e escolhida entre as 6 vencedoras) para o concurso de fanfics realizado pela equipe de Marotos: Uma História, a WebSérie brasileira sobre a melhor geração de Hogwarts, e se você ainda não conhece o trabalho deles (que é todo voluntário e produzido através de doações), eu recomendo fortemente que vá dar seu streaming lá no YouTube.

Espero que gostem, eu não me responsabilizo por conta da terapia após a leitura rs. Comentários são muito bem vindos!

Agosto de 1978 — Pressure pushing down on me

Ninguém jamais tinha dito a qualquer aluno Hogwarts que se formar seria simples, nem dado qualquer expectativa de a vida fora dos muros da escola ser minimamente fácil, ao contrário, no entanto, nenhum professor também tinha sido tão específico quanto às dificuldades que poderiam haver. Especialmente as dificuldades daquele momento pontual, em que o mundo bruxo parecia virado de cabeça para baixo.

Não se tratava só de conseguirem emprego, ou começarem as carreiras, mas de serem capazes se manterem seguros e longe do recrutamento massivo de seguidores que Voldemort vinha empreendendo através de seus leais comensais.

— Vocês também se sentiram meio pressionados com essas cartas de Dumbledore?

— Sinceramente, Wormtail, quando que a gente não tem se sentido pressionado, ultimamente. — respondeu Sirius revirando os olhos e deixando um sorrisinho irônico brincar no rosto antes de esticar-se para dar um tapinha amigável no ombro dele. — Relaxe… ele só quer conversar.

— Olha só quem chegou! — comentou Lily empolgada, voltando da cozinha com um pote de biscoitos na mão.

Remus Lupin a acompanhava carregando um bule de porcelana cheio de chá, e xícaras em uma bandeja. O último dia de lua cheia fora na noite anterior, e havia alguns cortes bastante marcados e aparentes entre o rosto e o pescoço do rapaz, além do olhar abatido.

— Então Lily realmente falou sério sobre ter um batalhão de famintos na sala dela? — implicou Remus cumprimentando os amigos e colocando a bandeja na mesa.

— Famintos é exagero… mas Lily faz um chá tão bom que eu não dispensaria. — riu Alice, cuja mão estava enroscada na do recém-marido, Frank. — Como vai, Remus? Não ouvíamos de você desde o casamento!

Ele engoliu em seco enquanto se servia de chá e sentava na poltrona vazia da sala de Lily.

— É… eu estive meio… ocupado, nesse último mês. Depois que meus pais faleceram teve toda a questão da casa para resolver, e… bem, foi complicado. — sorriu constrangido. — E depois veio a lua cheia...

— Mas conseguiu resolver tudo, imagino? — perguntou Frank solícito. — Podemos ajudar com algo, se precisar.

— Ahm… eu acho que não tem muito o que fazer, Frank. O ministério tomou a casa por conta das dívidas, e eu não pretendo arranjar problemas financeiros antes de emprego. — respondeu, bebericando o chá.

Alice pareceu se arrepender da pergunta. Excetuados James e Sirius, nenhum deles ali era especialmente favorecido financeiramente, mas nenhum deles estava sem casa tampouco.

— Não se preocupem, por hora o Prongs está me mantendo longe das ruas. — brincou ele aliviando o clima.

— Se eu tiver casa, você tem casa, Moony. — James sorriu para ele, colocando o braço ao redor de Lily. — Certeza de que a carta de Dumbledore para você é arranjando um emprego de professor.

— Com tudo que tem acontecido, Prongs, eu duvido que mesmo Dumbledore queira empregar gente como eu.

— Então vão perder um ótimo professor! — disse Lily por fim, servindo-se de um biscoito. — Mudando de assunto, alguma ideia do porquê das cartas dele?

Ninguém parecia ter a menor ideia, embora as especulações mais esdrúxulas tivessem incluído uma festa de ex-alunos (aposta de Peter) e até mesmo um motim contra o ministério (Sirius estava certo disso). A tarde avançou para o anoitecer e os pais de Lily chegaram em casa, educadamente cumprimentando os demais, embora pedindo a ela que logo encerrasse a reunião, porque Petunia e o marido logo viriam para o jantar.

— Ainda difícil, Lily? — perguntou Alice, ajudando-a a recolher as xícaras com um aceno de varinha

— Nós viramos duas famílias agora, uma com meus pais, ela e Vernon, e outra dos meus pais comigo. — ela comentou, revirando os olhos em claro desagrado. — Me sinto pressionada a ir daqui embora, principalmente porque me sinto uma bomba relógio perto deles, e por mais que Tuney aja como se não ligasse, eu ligo.

James abraçou Lily, puxando a bandeja de louça para ele e beijando o topo da cabeça da garota.

— Todo mundo sabe que, na verdade, você está é ansiosa para vir morar comigo, Lily. — brincou, aliviando a tensão e fazendo os amigos rirem, e Lily revirar os olhos enquanto sorria.

— Claro, James, claro. Aliás! Sirius, você precisa arrastar James para comprar vestes novas para o casamento, porque eu já pedi vinte vezes e certas pessoas não me escutam! E eu não vou deixar você se casar com terno roto, James! — resmungou Lily dando um soquinho no ombro do noivo.

— De amanhã não passa sem arrastar você para a Madame Malkins, Prongs.

— Pads é mais empolgado que o noivo. — riu Remus, indo em direção à saída acompanhado dos amigos. — A gente se vê amanhã de noite na reunião com Dumbledore, então?

Alice assentiu, abraçando os amigos em despedida e aparatando com Frank no gramado de entrada da casa dos Evans. Peter, Remus e Sirius foram em seguida, programando uma cerveja amanteigada no Caldeirão Furado, e James levou mais algum tempo antes de ir embora.

— Certeza de que não quer vir com a gente? Você pode passar a noite lá em casa, para não ter problemas com a Petunia. — Lily negou com a cabeça. — Então, eu vejo a senhorita amanhã.

— Cuidado, Jay. E cuidado com Remus também… teve outro ataque em Londres ontem.

— Somos grandinhos, Lily. E eu gostaria de experimentar aquela azaração ferreteante em um comensal… — ele brincou, rindo, ao que Lily fez uma careta de reprovação. — É brincadeira, prometo que vamos tomar cuidado. Boa noite, querida.

Ele se despediu com um abraço e um beijo, e aparatou em seguida. Os tons sóbrios do sol se pondo, trazendo o escuro da noite, tinham passado a assustar Lily, porque pareciam presságios horrendos da movimentação dos comensais da morte, e mesmo sabendo que a casa de seus pais estava envolta em feitiços de proteção complexos, ela preferiu não ficar ali fora muito mais tempo.

A verdade é que era aterrorizador saber como o mundo bruxo estava, o que os seguidores de “Você-Sabe-Quem” eram capazes. As notícias de ataques eram cada vez mais recorrentes, e a impotência diante daquela guerra que corria solta era o sentimento que colocava todos sob pressão, o tempo inteiro. Uma ida ao Beco Diagonal era segura? Podia-se ficar na rua até mais tarde? Seus amigos chegariam seguros em casa, ou seriam seguidos por comensais da morte?

Naquela noite, Lily acordou encharcada em suor após um pesadelo em que via Alice e Frank serem torturados com a maldição cruciatus, e passou o resto da madrugada em claro, com os gritos da Alice do sonho ribombando dentro de sua cabeça até o nascer do sol.

Novembro de 1979 — It's the terror of knowing what the world is about

O tempo parecia ter voado naquele último ano, desde o recrutamento para a Ordem da Fênix. As cartas de Dumbledore, sigilosas e exclusivas a alguns poucos que ele considerava adequados ao convite, eram chamados para compor uma organização secreta que fundara para lutar contra Voldemort e seus Comensais da Morte.

A instituição existia há quase uma década, mas tinha ganhado força mais recentemente, com apoio de membros da seção de aurores, entre outros bruxos leais à causa contra Voldemort. Vários colegas de escola de Lily tinham se juntado à Ordem, como Marlene Mckinnon e Dédalo Diggle, além de outras pessoas que ela nunca tinha conhecido pessoalmente, embora tivessem frequentado Hogwarts na mesma época que ela.

Não apenas se reuniam para treinarem feitiços complexos e técnicas de combate contra a magia das trevas avançada, como também cumpriam missões na tentativa de desarticular o movimento de Voldemort. A cada um conforme suas habilidade e disponibilidade, Dumbledore conferia trabalhos de espionagem, proteção e escolta de pessoas relevantes, segurança do embarque e desembarque dos alunos de Hogwarts, além de recrutamento de reforços.

Quando a guerra se intensificou e o ministério se mostrou parcialmente infiltrado por pessoas sob domínio da Maldição Imperius, ficou óbvio para James e Lily que a Ordem da Fênix deveria ser prioridade, e ambos largaram seus empregos para dedicarem-se completamente à causa. Sirius passara a viver da herança da família Black, enquanto a maioria dos outros arranjava trabalhos que exigissem o mínimo e pagassem apenas o suficiente para sobreviverem.

O mundo todo parecia meio cinza e desanimado, e havia muito pouco o que celebrar na maior parte do tempo. Os encontros por puro lazer foram se tornando escassos, e o final das reuniões da Ordem pareciam os únicos momentos em que se permitiam alguma descontração, bebendo garrafas de uísque de fogo enquanto atualizavam-se das vidas uns dos outros, quase sempre apressados.

Não pareciam jovens de quase vinte anos. Sentiam-se como velhos, porque a guerra envelhecia todos eles rápido demais.

As missões da Ordem eram como uma espécie de Roleta Russa, e embora todos soubessem que estavam arriscando as próprias vidas ao entrarem na organização, ninguém era particularmente empolgado para um encontro com comensais da morte, ou mesmo Voldemort em pessoa, como James e Lily, e Frank e Alice tinham tido a infeliz oportunidade por duas vezes até então.

— Você está péssimo, Moony! — comentou Sirius rindo em uma ocasião, vendo o rosto inchado e cheio de cicatrizes.

— Lua cheia, seguida de um encontro com sua prima psicopata, obrigado, Pads. Bellatrix é muito boa com a cruciatus, sabia?

— Jesus! Isso foi tortura? — exclamou Lily, puxando um frasco de essência de ditamno do armário da sala. — Deixa eu cuidar dessa ferida, Remus, vem cá.

Cuidar uns dos outros tinha virado hábito, e apesar de poucos dos membros da Ordem serem curandeiros formados, todos rapidamente tinham conquistado habilidades com poções de cura e feitiços reparadores. Quando Lily e Alice descobriram, quase juntas, que estavam grávidas, houve uma comoção grande dentro da Ordem da Fênix, e virou uma espécie de motivação prestar carinho e cuidado às duas, que se mantinham irredutíveis em continuarem trabalhando e em missões.

Quando as barrigas gestantes começaram a ser aparentes, ficou óbvio também para os comensais da morte que a Ordem se preocuparia com as jovens futuras mães, de maneira que choveram ataques sobre Lily e Alice. O terceiro encontro do casal Potter com Voldemort fez Lily se afastar das missões em campo depois quase perder a criança, e Sirius contaria à Ordem que os gritos de dor e desespero da amiga, pedindo ajuda ao ser torturada, eram o tipo de coisa que ele seria incapaz de esquecer.

Maio de 1980 — Why can't we give ourselves one more chance?

— O que aconteceu? Por que esse clima? — perguntou Peter, quando chegou na reunião daquela semana, depois de Marlene ter verificado que ele era ele mesmo.

— Encontraram o Benjy. Assassinado em um uma rua paralela ao Beco Diagonal. — explicou Alastor Moody com frieza, estendendo um copo com uísque de fogo para o garoto, que empalidecera.

Remus estava sentado em um dos sofás do quartel general, com Lily a seu lado, com uma enorme barriga gestante, chorando em silêncio. James e Sirius discutiam algo com Kingsley Shacklebolt no fundo da sala, e Moody parecia irritado, sentado em uma poltrona, com uma garrafa de uísque quase vazia a seu lado. Todos já tinham tomado alguma dose para ajudar a engolir a notícia ruim.

— Mas… mas como fo-

— Torturado até o fim com a cruciatus, e depois picado alguns zilhões de vezes por aquela cobra esquisita de Voldemort. — rosnou o chefe dos aurores. — O problema, Pettigrew, é o que isso significa!

— E o que isso significa? — perguntou ele, aparentemente confuso, sentando-se ao lado de Frank e Alice.

— Que tem um espião. — murmurou Remus de cabeça baixa.

Houve silêncio na sala, porque nenhuma das pessoas ali queria comentar sobre aquilo, principalmente pela descrença de que algum deles fosse capaz de trair a causa.

— Ninguém além da Ordem sabia aonde Fenwick iria estar, ou o que ia fazer, e então ele simplesmente aparece morto…

— E o que ele ia fazer? — perguntou Peter, olhando de Marlene para Moody. — Eu estava de vigia na última reuniã-

— Ele estava espionando o Ranhoso, Wormtail. — disse Sirius.

— Fenwick tinha ordens de Dumbledore para seguir Snape, e estava usando a polissuco, e sabe o que fizeram com ele? Sabe como achamos ele? Quer que eu conte como ele estava? — ralhou Moody, o olho mágico girando rápido na órbita e esquadrinhando cada um dos presentes na sala.

— Moody, não! — pediu Lily, fazendo um esforço para sentar-se mais ereta. — Temos que confiar uns nos outros, estamos todos unidos na mesma causa.

— Há menos de um mês foram os gêmeos Prewett, então Dearborn desapareceu, e agora Benjy Fenwick… não são coincidências, Lily. Eu queria acreditar que fossem, que todos nós estamos juntos nisso. Mas fica cada dia mais difícil, e mesmo Dumbledore suspeita de coisas. Por que acha que ele não vem mais às reuniões? — perguntou Dorcas Meadowes, girando a varinha nos dedos e olhando firme para Lily.

Ninguém comentou nada por algum tempo, e Lily jogou a cabeça para trás, cansada, prendendo os cabelos com alguma violência.

— Porque é confortável para Dumbledore ficar só planejando tudo, e nos colocando como peões da linha de frente. — retrucou Sirius depois de um tempo, conjurando uma cadeira para se sentar.

— Sirius, não. Dumbledore é um grande bruxo, não dig-

— Claro que é, Moony, claro que é. Mas Pads tá certo, Dumbledore não suja as mãos como nós, não arrisca o pescoço como nós. É fácil acusar de haver um impostor quando se fica só dentro do seu escritório do Hogwarts, arquitetando coisas… — disse James, levantando a cabeça e olhando de maneira firme para os demais. — Não. Precisamos confiar uns nos outros. Sei que se alguma informação escapou não foi de propósito, e que ninguém aqui entregaria qualquer um de nós a Voldemort.

— Falou bem, Prongs! — disse Peter.

— Apoiado, Potter, apoiado! — concordou Dédalo Diggle, virando mais uísque de fogo em seu copo e bebendo em um gole.

— Ninguém aqui quer ver qualquer um morto. — acrescentou Marlene. — Se ficarmos uns contra os outros, aí é que não teremos chance.

Momentaneamente houve alguma animação, e a certeza de que todos lutavam pela mesma causa aqueceu os corações deles, fazendo a memória de Benjy Fenwick ser honrada. Moody terminou a garrafa de uísque em dois goles, olhando rígido para James, o esperado da postura do Auror.

— Falou bem, Potter. — ele fez uma pausa e então rosnou. — Espero que esse seu excesso de confiança e otimismo não leve você cedo demais para debaixo da terra.

— Se eu não puder confiar nos meus amigos, então eu deveria estar lutando sozinho, Olho-Tonto. — retrucou ele, sentindo o sangue ferver em irritação e constrangimento, indo dar atenção para Lily.

30 de outubro de 1981 — Cause love is such and old fashioned word

— Harry finalmente dormiu. — comentou Lily com um sorriso sutil, descendo as escadas vagarosamente.

Sentado no sofá, brincando com uma chama que conjurara com a varinha, James sorriu virando-se para observá-la. O gato laranja, ainda sem nome, esfregou-se na perna da calça de James e então se aninhou nos pés dele, logo depois de Lily juntar-se aos dois no conforto da sala.

— Que pena não podermos levar Harry para buscar doces amanhã… — o tom de James era meio amargo, enquanto a atenção se concentrava na chama da varinha. — Pads se divertiria com fotos do Harry fantasiado, não acha?

— Acho que todos nós nos divertiríamos, Jay. — ela sorriu com alguma condescendência, aninhando-se no colo do marido. — Vamos ter um pouquinho de paciência a mais, só… mal temos uma semana escondidos. Muitos comensais estão sendo presos, e deve faltar pouco para as coisas se acalmarem.

James grunhiu algo que poderia ser um resmungo como uma concordância, e Lily preferiu apenas começar uma espécie de carinho no cabelo dele, cogitando planos para o futuro, seu passatempo favorito recentemente enquanto passavam o dia inteiro escondidos em casa, em Godric's Hollow.

— Quem sabe no Natal possamos chamar Sirius, Remus e Peter para um almoço. E até Alice e Frank, talvez. Harry gostaria de uma companhia para brincar… e podemos trocar presentes em um amigo surpresa, comer tortinhas de abóbora… uhm?

Ele sorriu triste, passando a mão carinhosamente pelo cabelo ruivo de Lily.

— Podemos comprar uma goles de pelúcia para o Harry, e quem sabe Moony pudesse cuidar dele em uma noite, para sairmos juntos. Dar uma volta no vilarejo. — James riu com a ideia. — Faz tempo que não saímos em um encontro, Evans.

Lily deu um soquinho nele, sentindo os olhos encherem-se de água. Eram bons planos, e ajudavam a afastar o medo que sentiam, a pressão de estarem sendo perseguidos.

— Não faça sair ser um problema. — ela acenou com a varinha e fez o radinho sob o aparador começar a tocar música lenta, levantando-se e estendendo a mão para James.

Achando graça, ele enlaçou a cintura de Lily e deixou que ela deitasse a cabeça sobre o ombro dele, balançando de um lado para o outro em uma cadência monótona e gostosa na mesma medida.

— Parece idiota, mas eu acredito quando Dumbledore fala sobre amor ser a única magia que vai nos tirar disso. — ela sussurrou algum tempo depois, sem encarar James, sentindo os olhos arderem.

Ele concordou em silêncio, e levou um tempo para finalmente também falar algo.

— Entendo o que diz... amor parece uma palavra antiquada para motivar alguém durante uma guerra. Mas sim, também acredito que é o que vai nos tirar dessa… é o que faz nos importarmos com os outros.

— É o que faz a gente se enfiar na Ordem, e nessas missões… mesmo que doa. Por que, né? — Lily perguntou, se afastando um pouco, ainda envolta no abraço de James, os olhos parecendo úmidos, mesmo que ela lutasse contra.

Era tão fácil se deixar ser levada pelo medo que Lily evitava pensar em coisas negativas, se contentando em pensar na Ordem lutando do lado de fora, e em Peter fazendo aquele sacrifício de protegê-los. Ela seria grata eternamente.

— Porque desafia nosso jeito de cuidar de nós mesmos, Lil. Amor desafia nosso jeito de cuidar de nós, mesmo sob pressão.

O som do radinho embalou os dois por um momento, enquanto poderavam a profundidade do que James dissera.

— Mesmo sob pressão… — ela repetiu.

James beijou a testa dela em seguida, puxando-a para um abraço.

This is our last dance

This is ourselves under pressure

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