Premonição Chronicles 2
2 Capítulo 02: Tudo o Que Eu Quero
Notas iniciais
— Kris...
O jovem garoto ouviu Veronica chamá-lo antes de abrir a clínica. Ela tinha uma expressão simpática em seu rosto. Diferente dos outros dias. É difícil vê-la sorrir, já que praticamente todo dia ela age como se estivesse na TPM. Ela é durona, séria e diz pra todos que odeia sorrir, mas Kris sabe que isso não é verdade, já que ela solta um sorriso discreto sempre que está com ele. Ela acha que ele não percebe.
— Eu só queria te desejar uma boa viagem.
— Eu vou sair só por alguns dias... Você nem terá tempo de sentir minha falta.
— Eu contarei as horas até você voltar.
Veronica é uma colega e ajudante dele. Kris Lange, com 25 anos, veterinário mais conhecido da cidade, abriu uma clínica veterinária há pouco mais de um ano e quase todos os dias ele pensa: “Graças a Deus o meu negócio está indo bem”.
— Eu realmente espero que você faça amigos lá.
— Oops... Ideia já descartada.
Ele deu uma risada enquanto ela apenas olha para ele consideravelmente. Ele sabe o que ela quer dizer com esse olhar.
Ela abriu a porta e a primeira coisa que Kris viu foi a gaiola onde o seu papagaio Caio fica. Está vazia. Ele dá uma rápida olhada ao redor do lugar e então vê Caio pousado no balcão, bicando algum grão.
— Achei que tinha dito pra você colocá-lo na gaiola. — Ele disse.
— Isso seria maldade. O bichinho não pode passar uma noite inteira naquela solitária que você chama de gaiola.
Veronica pega o papagaio e começa a alisar suas penas. Kris passou por ela e vai até um “quarto”, onde vê os papéis desorganizados em cima da mesa. Ele olha para a pasta amarela e vê que o elástico que a mantinha fechada está arrebentado.
— Veronica, o papagaio destruiu outra pasta. — Kris é daqueles que amam exagerar. — Acho que a quantidade de pastas que já passou por aqui é maior que o número de bichos que eu já examinei.
Veronica permanece em silêncio. Num instante, ele volta a “sala principal” e encontra a garota pensativa no confortável sofá.
— Você me ouviu? — Ela imediatamente olha pra ele. — Eu dizia que...
— Bom, é que... Que hora os outros chegarão?
— Um deles virá apenas à tarde. O outro chega à umas dez da manhã.
Ela passa por ele.
Kris viveu em um orfanato até os meus 17 anos. Uma vez escreveu em seu caderno que foram os doze anos mais torturantes da sua vida. Aos cinco anos, foi deixado naquele lugar que seus pais juraram-no ser um dos melhores lugares por onde ele passaria. Foi um erro mortal ter acreditado nisso.
XXX
Assim que o relógio marcou 17 horas, Kris chegou em casa e pra sua surpresa o seu primo de segundo grau estava dormindo tranquilamente no sofá, num horário em que ele sempre ficava agitado e ia jogar Super Smash Brothers no notebook novinho que Kris havia comprado e colocado num canto da sala em que ninguém pudesse ver o que alguém estava fazendo.
— Oh, graças a Deus você já chegou! — A sua prima Jaqueline exclamou, mas logo abaixou a voz quando lembrou que o garoto dormia. — Agora, ele é problema seu.
— Você tá me achando com cara de babá?
— Enfim...
Jaqueline pegou a bolsa e começou a procurar algo. Ela tinha uma dificuldade enorme em encontrar algo naquela bolsa, algo que Kris nunca entendeu, até porque a bolsa era pequena. Parecia que a qualquer momento ela seria capaz de enfiar o braço inteiro dentro do objeto que parecia não ter um fundo.
Uma amiga de Jaque saiu do quarto dela. A garota olhou com pressa no relógio dourado em seu pulso e puxou Jaqueline pelo braço.
— Espera! Eu ainda estou esperando ele.
— Ele quem? — Kris indagou.
Jaque caminhou até a entrada da cozinha e então gritou:
— A gente tá com pressa, Yuri!
Ah, Yuri. O namorado dela. Segundo Kris: “o sempre tão-tapado-e-lindo garotão com o cabelo ondulado dividido ao meio e que sempre cai um pouco sobre os olhos”.
— Eu já estou indo! — Ele disse, passando veterinário e acenando um breve “oi”. — Tchau, Kris.
— Até mais tarde! — Jaque disse. — Cuide bem do Alexandre.
Kris acenou de volta e quando a porta bateu, ele finalmente sentiu um pouco de paz.
O jovem tomou uma ducha rápida e nem sequer se importou em se vestir adequadamente. Aliás, ele estava na própria casa, que às vezes servia de abrigo pra sua prima, o namorado dela e Alexandre. O veterinário ainda esperava que eles voltassem para o interior logo.
XXX
Mais tarde naquela noite, Kris estava absolutamente sozinho. A prima já havia voltado com o namorado e ambos voltaram apenas para carregar Alexandre para a casa de uma amiga. Jaque havia dito que passaria uma noite “bem legal” na casa da amiga e que Alexandre também poderia adorar, já lá teriam mais duas crianças com quem ele poderia interagir.
Foi aí que Kris pensou: “Se ela pode se divertir, eu também posso”. E sorriu atrevidamente. “Diversão”, para ele nesse caso, significava muito sexo.
XXX
Kris estava terminando de se vestir quando outro jovem sem roupa sentou na cama. Ambos estavam num silêncio pesado, como se tivessem acabado de brigar. Mas eles não haviam brigado. Só tinham acabado de fazer sexo. Quando eles terminaram o outro jovem disse algo que de alguma forma tinha incomodado o veterinário.
— Vinicius. Sabe que isso é um sonho sendo realizado e que eu não posso largá-lo só pra ficar com você.
— Começamos esse relacionamento apenas há duas semanas e já parece que você não se importa.
— A culpa não é minha se uma grande realização chega no mesmo momento de um namoro. Eu nem pensaria duas vezes antes de escolher entre essa viagem e um namorado.
A expressão de espanto de Vinicius quase fez Kris engasgar. Ele soltou um “Oh!” cobrindo a boca com as mãos. O garoto pegou suas roupas, vestiu a cueca e a calça e saiu. Kris imediatamente o seguiu, se sentindo mal.
— Espera, Vinicius!
O veterinário tentou impedi-lo e então seu parceiro se virou cruzando os braços. Ele queria chorar, mas não queria mostrar a Kris que se ofendia fácil. Ele mordeu os lábios e desviou o olhar, enquanto Kris o sacudia pedindo que olhasse pra ele.
— Me desculpa, Vinicius. — Ele acariciou o rosto do parceiro, que finalmente deixou a lágrima cair. — Eu sou um estúpido. Eu sempre falo o que não devo.
Vinicius apenas acenou com a cabeça e virou-se para ir embora. Quando ele estava quase saindo, olhou de volta pra Kris, apontando o dedo indicador no rosto do rapaz. Considerou dizer algo, mas ficou quieto. Virou-se e dessa vez caminhou sem olhar para trás.
XXX
— Eu vou estar aqui te esperando!
Veronica já estava com lágrimas nos olhos. Uma das intenções dela era fazer que Kris desistisse da viagem. Mas ele dificilmente desistia de algo.
— Eu vou passar uns dias, não um mês! — Ele exclamou, fazendo Veronica soltar um “humpf”. — Tchau, colega.
— Eu ordeno que você me tire do posto de colega.
— Vou pensar nisso!
Ele riu, virando-se para entrar na lancha.
— Kris!
— Fale.
— Tome.
Veronica estendeu para ele uma fotografia em preto e branco. O jovem pegou a foto e automaticamente arregalou os olhos ao ver um homem sarado e sem camisa na fotografia. Seu rosto não aparecia, mas o veterinário sabia quem era.
— Quando ele mandou?
— Há uma hora. Ele quer que você se lembre dele, caso aconteça algo e você fique preso em qualquer lugar desolador e os investigadores não consigam te achar.
— Eu venho nadando.
Ambos riram dessa vez. Kris entrou na lancha e acenou para a loira que implorava com o olhar para que ele não fosse. Ele apenas balançou a cabeça em negação, olhando para a colega como se dissesse “você não me comove”.
Ela apenas pensou: “Filho da puta”. E riu.
Quando a lancha de afastou, Kris rasgou a fotografia do ex-namorado. Ele olhou para trás. Veronica já havia ido embora.
XXX
Oh, aquilo parecia um paraíso. A ilha era uma das mais belas que ele já havia visitado e ela estava cheia. Sim, cheia.
Assim que ele desceu da lancha, ajeitou o cabelo que a ventania havia bagunçado. O piloto olhou pra ele e levantou o polegar. Kris observou enquanto a lancha de afastava e então colocou uma bolsa enorme nas costas, pegou as duas malas que estavam quase explodindo de tão cheias e passou pelas pessoas que olhavam curiosamente pra ele.
Ele chegou à recepção e uma mulher estilosa e coberta de jóias estava falando para a mulher atrás do balcão.
— Eu tive problemas com o banheiro! O regulador esquentou de repente e eu quase saí tostada dali. Quero que arrumem o mais rápido possível!
— Senhorita Vanessa... — A atendente tentava dizer. — Eu vou resolver o quanto antes, mas deixe-me atender aos novos hóspedes.
A mulher virou-se e viu uma fila que aumentava a cada minuto. Ela ficou vermelha como um pimentão, em seguida dando passagem para Kris que estava logo atrás dela. Ele notou a forma como Vanessa virou-se de modo esnobe, afastando-se como se estivesse numa passarela, rebolando sem parar. O veterinário quase vomitou vendo aquela cena, quando a atendente chamou a sua atenção, segurando a chave do quarto.
— O seu quarto é o de número 157. Aqui está a sua chave. Boa estadia.
O rapaz sorriu e pegou a chave. Quando saiu da fila, percebeu que um rapaz, jovem como ele, o olhava. O garoto desviou o olhar no mesmo momento. Kris se aproximou.
— Oi, meu nome é Kris Lange. Você pode me mostrar o quarto 157?
— Meu nome é Wendel.
Ambos ficaram se olhando por uns poucos segundos, até que Kris ergueu uma sobrancelha e Wendel se lembrou do que lhe foi pedido.
— Vamos, lhe mostrarei o quarto 157.
Os dois andaram, andaram, andaram e no caminho até o quarto viram duas garotas caminhando na direção oposta. Elas pareciam bem próximas.
— Oi, Ruth! Oi, Lena! — Wendel exclamou, fazendo Kris inexplicavelmente corar. — Tá marcado?
— Sim! — Elas responderam em uníssono.
— Okay, nos vemos lá na piscina em quinze minutos.
Quando finalmente chegaram ao quarto 157, antes mesmo que Kris pudesse tocar a maçaneta, Wendel abriu a porta fazendo um gesto para que o veterinário entrasse.
— Obrigado, Wendel.
O rapaz fez uma reverência, fazendo “tchau” com as mãos.
XXX
A jovem e loira Lis Araújo tinha acabado de sair do luxuoso banheiro, quando foi abordada pelo amigo Thomas. Ela estava apenas com a toalha cobrindo seu corpo belo e de cintura afinada. Lis recuou, tentando ao menos cobrir os seios pequenos, ficando vermelha ao olhar para Thomas.
— Tom!!!
O rapaz imediatamente virou-se para que a garota tivesse tempo de arrumar a toalha que no momento do susto quase caiu, expondo toda a sua beleza corporal para Thomas.
— Desculpe, Lis... Eu pensei que você já estivesse arrumada. Sabe que só tem uma hora e meia para ficar pronta, não é?
— Sei, agora saia. Não vou conseguir fazer nada com você aqui.
Ele apenas obedeceu, saindo de fininho, mas não antes de dar uma última olhada em Lis só para provocá-la.
— Sai!!! — Ele gritou, fazendo-o sair na velocidade um raio.
Elisa Araújo Figueira Falcão tinha apenas 19 anos e era uma cantora famosa e uma sensação teen que a cada minuto saía em capas de revistas e tabloides. Ela tentava ao máximo se comportar em público para evitar que qualquer imagem constrangedora sua fosse divulgada. Seu figurino, seu cabelo e até suas unhas eram cuidadas de um modo impecável, porque sempre há alguém que observa todos os detalhes do seu corpo.
Ganhadora de um prêmio Grammy de melhor álbum pop, já tinha feito uma mini turnê e terminado o ensino médio. O seu álbum, após alguns meses fora das paradas musicais, retornou ao topo delas com mais de um milhão de cópias já vendidas mundialmente.
Depois de ter terminado uma mini turnê e se formado, a garota prometeu a si mesma que tiraria umas férias, pensando no que faria em seguida. Ela sempre se sentia completamente exausta, como se tivesse feito um show de duas horas pra milhares de pessoas. Uma vez, após um show em Nova York, ela se embriagou e acabou sendo retirada de lá por ninguém menos que Thomas, seu grande amigo atualmente e aquele que entrou no quarto surpreendendo-a de toalha.
Ela já havia deixado as malas prontas. Ela iria se apresentar num jantar beneficente numa ilha onde aconteceria um evento que provavelmente apenas aumentaria ainda mais o seu sucesso. Até na imprensa o evento sairia.
Pôs a roupas mais confortável que encontrou: uma camisa azul-escuro, uma calça jeans e um salto de plataforma. Tudo bem, um salto não era exatamente algo confortável, mas ela queria sair de casa e chegar ao cruzeiro se sentindo como uma garota que sabia sim andar em saltos.
Ela limpou seus inúmeros prêmios conseguidos em pouco mais de dois anos de carreira e arrumou o troféu do Grammy pela milésima vez antes de pegar as poucas malas que havia preparado e sair.
Ela encontrou seus pais olhando para ela no fim da escadaria. Ela pôs a bolsinha estilosa no ombro e fez um sinal para que os pais saíssem do caminho.
— Diego!!! — Era sempre assim, ela amava gritar. Quando estava em sua casa, então, todos tinham que aturar os seus berros, principalmente quando ela ensaiava uma música nova que tinha escrito com o violão velho e que ela amava.
O mordomo surgiu como num passe de mágica e teve que carregar as malas da garota até o carro. Ele apenas largou as malas dentro do carro, provocando um baque e a quase fúria de Lis, que o fuzilou com o olhar. Ela apenas suspirou, pois se qualquer dia desses o carro quebrasse, o seu pai, dono de uma gravadora famosíssima, poderia comprar outro.
XXX
Assim que saiu do navio, a maioria das pessoas olhou para Lis. Ela ficou vermelha como nunca, mesmo já estando acostumada a milhões de pessoas olhando para ela. O segurança de Lis permanecia a todo tempo atrás dela. Ela se sentia numa prisão.
— George, pegue a chave do meu quarto. Não quero mais atenção do que já tive só na entrada. — Ela disse, abaixando os óculos para olhar em volta.
O segurança fez o que ela disse e ela ficou parada olhando a movimentação. Ela olhou para o lado de fora e se perguntou onde estavam Ruth e Lena, as amigas que havia feito – ou tentou fazer – no cruzeiro. Foi então que as viu do lado de fora tendo alguns problemas com as malas, até que alguém se ofereceu para carregá-las até a recepção.
— Por favor, Deus. Diga-me que terei um quarto só pra mim.
O segurança voltou brincando com a chave, estendendo-a em seguida.
— Tome senhorita.
— Obrigado, George.
Ela olhou o número da chave: 054. O número quatro é o seu número da sorte, logo ela sorriu ao ver o algarismo impresso no objeto dourado.
XXX
Os dias passaram num piscar de olhos tanto para Lis. O campeonato de surfe, então, foi uma maravilha para elas, menos para Ruth e Lena, que faziam uma careta quando algum jovem tirava a parte de cima da roupa de surfista, expondo o peitoral.
Ruth ficou super feliz por ter ficado no mesmo quarto que Lena naquela ilha. Sinceramente, ela não aguentou passar a noite com Vanessa naquele cruzeiro. A socialite passou horas insuportáveis folheando revistas de moda que estavam jogadas em cima da mesa do quarto. Poucos minutos antes do cruzeiro chegar ao destino, Ruth havia pensado: “Quando chegarmos à ilha, eu espero que eu divida um quarto com a Lena”. Ela preferia tudo, menos passar mais algum minuto ao lado de Vanessa.
XXX
Na noite do tão esperado jantar beneficente, a ilha estava numa clima de paz admirável. Muitos achavam que só aconteceriam coisas boas naquele dia. Lis estava tremendo, tremendo de nervosismo. Ela não sabia o que estava acontecendo, pois nunca tinha se sentindo assim antes. Uma sensação ruim invadia a sua mente. Um vento leve soprou seu cabelo e ela olhou em volta, confusa.
— Vai dar tudo certo. Vai dar tudo certo.
Ela tinha colocado a sua melhor roupa, mas talvez o gloss brilhante nos seus lábios fosse chamar mais atenção do que qualquer coisa. Ela pegou um lenço e limpou o gloss.
— Isso, bem melhor assim.
— Elisa, já está pronta?
— Sim, George. Eu já vou.
Ela deu uma última olhada no espelho e correu porta a fora.
XXX
Ela olhou pelas cortinas bem discretamente. O público já estava todo lá, um mar de gente gritava pelo seu nome, se perdendo nas próprias vozes, pessoas em roupas de grife enfeitadas com joias que se refletidas na luz poderiam cegar alguém, e muito mais pessoas com vestimentas "leves". Outras adolescentes em grupos formados com faixas coloridas, onde seu nome escrito chamava atenção.
— Eu estou bonita, George?
— Está sim, senhorita.
— Ora, pare de me chamar de “senhorita”. Você só está me deixando mais nervosa. Tá bom.
— Por que está nervosa? Já fez isso mais vezes, certo?
— Sim. Mas, algo está me incomodando. Hoje não achei minha pulseira dourada. Eu estava com tanta pressa pra ficar pronta. Deve estar jogada embaixo das minhas roupas. Enfim...
— Você entrará em alguns minutos. Boa sorte.
— Obrigado!
Ela suspirou.
XXX
— Que hora a Lis vai entrar? — Ruth questionou.
Wendel estava bem do lado de Ruth, segurando uma bebida que só pela aparência parecia ruim.
— Wendel, se beber isso, prometa que não vai vomitar.
— Ué, meu estômago pode não querer concordar. — Ele riu, Ruth fez um careta. — Kris, quer um pouco?
— Não, obrigado. Vou pegar outra bebida. Uma que não me faça vomitar. Voltarei já.
— Shh... As cortinas abriram.
Lis estava lá no palco, segurando seu violão e começou a cantar. Nem parecia estar nervosa de verdade. Ela correu o olhar por todos os lugares enquanto cantava, sorrindo.
Storms are coming, I feel it underneath my skin
SOS on my bedroom floor
See, I see a lighthouse even when it's still so dark out
I know I'll make it to the shore
Ruth olhou para Anna Clara, que estava bem ao seu lado. Ela tinha uma expressão assustada. Lágrimas estavam caindo pela sua face. Anna Clara agarrou o braço de Ruth.
— Temos que sair daqui.
— O quê?
— O vulcão.
Tudo começou a tremer. Primeiro começou com uma pequena vibração e logo se tornou um verdadeiro tremor. Quase todos se entreolharam, buscando a fonte do que poderia ser o começo de um terremoto. Lis parou de tocar, Wendel quase se engasgou com a bebida. A comoção foi quase geral. Mulheres começaram a gritar.
— SAIAM, SAIAM!!!
Quando as primeiras evidências, como pequenas lascas de rochas super aquecidas começaram a decolar e cair gradativamente sobre as pessoas, ninguém ficou no lugar. Todo mundo correu. Uma multidão tentando sair de uma só vez por várias direções. Anna Clara gritou em desespero.
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