Notas iniciais
Como eu disse, as coisas começariam a esquentar aqui. Aproveitem o segundo capítulo!

Às duas horas, todos estavam na delegacia. Um homem grande, aparentemente acima do peso, apareceu com uma prancheta.

'Martin Reynolds' Ele chamou Martin para o interrogatório. Ele entrou. Mas antes, deu uma longa olhada para trás. Ray estava paralisado; Harry estava ainda olhando para Martin como se estivesse vendo um fantasma; Derek, com os olhos arregalados e fixos, como se estivesse morto; Peter e Lisa estavam pálidos e pasmos; e Violet ainda estava vermelha de tanto chorar. Onde estava Dave? No hospital, ora! Não há como um adolescente com o braço parecendo mortadela cortada e ensanguentada esperar horas para ser interrogado! Ele então entrou.

‘Como assim?’ o homem perguntou. ‘É o que estão todos perguntando. Mas o que queremos hoje é a resposta. Como fez aquilo?’

Martin estava abalado com o que aconteceu. O acidente, a morte de muitos de seus amigos, o desespero dos sobreviventes...

Ele tomou fôlego, e respondeu:

‘Eu não sei. Eu só... vi. Os disjuntores pegaram fogo e a casa desabou e depois... BUM! Ela explodiu. Não consegui salvar meus amigos’.

‘Entendo’ o homem respondeu. ‘Mas como você viu? Você tomou algum aditivo? Você tem problemas com drogas?’

‘Me acha louco?’ Martin perguntou. O homem ficou em silêncio.

***

‘Aquela bicha ficou histérica e me deu um soco depois de eu fazer uma brincadeira com ele’ Peter disse, fazendo-se de coitado. ‘Aí, ele disse que sabia que a casa ia explodir’.

O homem, curioso, perguntou:

‘Ele é gay?’

***

‘Não, eu não sou’ Martin fora chamado de volta para responder a pergunta. ‘Eu... Gosto de uma garota’

‘Ela está aqui?’

Martin mexeu a cabeça, significando um “sim”.

‘Qual delas? Há duas: Lisa Chastain e Violet Douglas. Qual das duas?’

Martin ficou mudo a partir daquele momento.

***

‘A gente quase não se fala’ Ray disse. ‘Geralmente, ele me pede para passar cola na hora da prova. É só o que sei’.

***

‘Ele é um colega de infância. Só isso. Não namoramos nem um ano’, Violet explicou sobre seu relacionamento com Martin. ‘Eu gosto dele. Mas como amigo’.

***

‘Éramos amigos no Ensino Fundamental’ Lisa explicou. ‘Grandes amigos’.

***

Martin fora chamado novamente para comprovar o que Violet, Ray e Lisa disseram sobre ele. Era tudo verdade.

***

Após um tempo, foram mandados embora. Peter logo abriu uma chama. Era um cigarro que acendera. Martin pensava “Como esse otário consegue viver com isso? Melhor perguntar no dia em que ele estiver com os pulmões negros de tanta nicotina”. Logo em que pisou na estrada, ouviu um som alto. Uma buzina. Um caminhão passou rápido como se fosse a Apollo 11 em direção à Lua. Martin logo foi puxado por trás por alguém. Ambos caíram no chão e Martin pôde ver quem era: Violet, com parte do vestido vermelho caríssimo carbonizado devido à explosão. Não era grande coisa, mas já era suficiente para receber um bom sermão da mãe, principalmente pela hora em que chegara em casa.

‘Valeu’ Martin respondeu.

‘Disponha’ Violet respondeu. ‘Agora, estamos quites’.

Ambos se levantaram. Martin se limpou e olhou para o chão, notando seu iPhone largado no chão. Ele se abaixou e pegou o celular. Apertou o botão e viu uma foto: era um P, rabiscado em vermelho na cinzenta calçada. Então sentiu um calafrio. Olhou ao redor, e nada. Nenhuma alma viva, a não ser os policiais da delegacia. Ele foi embora. Queria se esquecer da noite. A única coisa que pensou foi:

“Como isso aconteceu?”

***

Peter Depp era um bruto. Era solitário, tinha apenas Lisa ao seu lado. Tinha um sério problema com drogas. Foi com um maço de cigarros de marca barata na boca da delegacia até em casa.

No caminho de casa, Peter viu algo. Um vulto. Uma sombra. Porém não havia dono dessa sombra. O que seria isso? Seria um provável efeito das drogas que estava lhe causando alucinações? Bem, seja lá o que fosse Peter ignorou e seguiu o caminho de casa. Após um tempo, Peter finalmente chegara a sua casa. Um luxuoso sobrado de dois andares. As paredes eram de um vermelho da cor de tijolos. Peter tentou abrir a porta, sem sucesso, pois estava trancada. Houve outra opção, mas era absurda: subir pela janela. Peter pouco ligara para sua saúde, pois estava muito chapado para dar valor à vida. Fazer o quê, né? Ele começou a subir pelo pilar da entrada da casa, em seguida, deu um pulo para alcançar a janela de seu quarto. Por muito pouco ele caía, mas conseguiu se segurar. Ele rastejou para dentro, derrubando um pedaço de madeira pontuda no chão. Na queda, acabou caindo, por coincidência, em um P semelhante ao visto por Martin, desenhado com giz vermelho na porta de casa.

***

Dentro do quarto, Peter estava quase desmaiando de tanto sono. Ele se sentou numa cadeira em frente ao PC. Achou um saquinho de pano e entornou seu conteúdo na mesa. E o que tinha dentro? Só um pozinho branco contrabandeado na escola. Pegou um cartão e os separou em retas horizontais. Pegou um canudinho e começou a cheirá-los. Pouco a pouco, os grãos de pó desapareciam como poeira sendo aspirada. A cada reta do pozinho cheirada, menos consciência Peter mantinha. Porém, um barulho o assustou. Foi um estrondo. Peter olhou para trás, chapadão. Sua espingarda havia caído, fazendo um enorme estrondo. Ele pegou-a e apoiou em uma escrivaninha próxima à cama e voltou. Dessa vez, havia perdido a consciência. Nem ligou para a espingarda que havia caído na perna da cama, derrubando um alfinete. Mas o estrondo chamou sua atenção. Ele andou cambaleando até a espingarda. Foi então que pisou no alfinete, furando seu pé.

Ele soltou um urro de dor. Ficou pulando até tropeçar na arma e estilhaçar a caríssima janela de vidro, voando para sua morte. Já estava certo o que aconteceria na hora em que atingisse o chão, então não comentarei. Então, o pesadelo começou...

Notas finais
E este é o início do fim...
Aguardem o terceiro capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.