Premonição 1- Compras Fatais
1 Capítulo 01-Como Se Fosse O Último Dia
Notas iniciais
André batucava o lápis na mesa, tentando achar a resposta da questão 13 da sua prova de biologia. Realmente ele não sabia achar conexões entre fungos, fotossíntese e “células da biodiversidade”. Olhou para o relógio em cima do quadro e viu que faltavam dois minutos para a aula acabar.
“Que droga André! Pensa, pensa, pensa!”, ele ordenava para si mesmo. Susi olhou para ele, com sua vontade clara em seu olhar: “Me ajuda, me ajuda!”. Mas André não podia ajudá-la. Ele não podia ajudar nem a si mesmo. Ambos não sabiam a resposta. “Alunos do segundo ano do ensino médio não sabiam a resposta de uma simples pergunta? Que coisa horrível!” a diretora reclamaria se estivesse na sala.
André tentou lembrar, mas não soube a resposta. O sinal tocou. Logo o professor escroto de biologia começou a pegar as provas. Pegou a de André, que se levantou, para sair da sala. Sua última visão foi de Susi tentando convencer o professor a dar mais alguns minutos para ela terminar a prova.
Enquanto saía com os demais alunos, André encontrou com seu amigo Thiago, um dos atletas da escola, que olhava tristemente para uma folha.
–Que foi cara?-André perguntou.
–Não acredito que tirei nota dois na prova de matemática!-Thiago reclamou e explicou ao mesmo tempo, enquanto andava pelo corredor em direção à saída.
–Se estudasse mais... –André disse sarcasticamente.
André e Thiago eram totalmente os opostos um do outro. André era moreno, Thiago era loiro. André era um pouco nerd, Thiago não era totalmente um burro, mas não era um gênio.
Os dois amigos estavam quase saindo, quando um grito os fez parar.
–Esperem por mim!-Susi gritava histericamente indo em direção dos amigos. Era ela linda, com cabelos louros que pareciam dourados a luz do sol. Desde nove anos, havia cuidado de seu corpo para um dia virar uma modelo famosa. Infelizmente, isso nunca aconteceu.
–Vamos logo, ainda tenho curso de inglês!-gritava alguém de dentro do ônibus, apressando os três.
–Já estamos indo!-Thiago gritou em resposta, recebendo um gesto nada educado.
–Eu não vou ir de ônibus. Preciso ir a algum mercado comprar umas coisas para meu projeto de química. Ou eu começo hoje, ou então não termino, tiro zero e minha mãe me mata. –André disse.
–Nós vamos com você!-Susi exclamou chegando perto dos amigos.
–Vamos?-Thiago perguntou indeciso. Ele realmente não queria fazer mais esforço físico, queria apenas chegar à sua casa, deitar no sofá e descansar. Sua manhã fora cansativa, teve muito treino no time.
–Claro cabeção!-Susi respondeu dando um tapa com força no ombro de Thiago.
–Au!
André teve que rir da situação.
–Pode ir tio! –André gritou para o motorista do ônibus, que logo foi embora cantando uma música-Vão mesmo me acompanhar? Só não vão se arrepender.
Jonnhy estava numa das cabines fedorentas do banheiro da escola. Havia matado as últimas duas aulas, que ele não se lembrava de qual matéria era.
Seu cabelo moicano cor de fogo era iluminado pela fraca iluminação do lugar, que tinha apenas uma lâmpada pendurada no teto, que estava piscando.
O isqueiro estava contra ele.
O seu fumo especial já estava preparado há horas, mas o garoto estava esperando o momento certo. Nem se lembrava direito qual droga estava enrolada ali. Mas não importava. O importante é que tinha alguma droga ali.
Há muito tempo Jonnhy havia perdido o autocontrole. Ou a maior parte dele. Nunca havia “explodido” em público, apenas em seu quarto, sozinho. Ninguém sabia que ele era viciado. Nem seus pais, sua namorada ou seus amigos.
O cigarro acendeu. Jonnhy comemorou silenciosamente, quando uma voz doce, como sempre, o chamou:
–Jonnhy? –a voz vinha do corredor perto do banheiro-Jonnhy, onde você tá?
“Droga!”, o rapaz pensou, dando um soco na parede.
Jogou o cigarro na privada e puxou a descarga, saindo do banheiro.
–Oi gata, tô aqui. –Jonnhy disse encontrando a namorada Carla. Ela era uma garota ruiva, extrovertida, doce e com finos traços do rosto.
–Oi... O que você estava fazendo no banheiro?-Carla perguntou desconfiada.
–Eu? Ah, estava passando meio mal... –Jonnhy respondeu fazendo cara de coitado.
–Sério? Será que meus beijinhos ajudam?-Carla disse enchendo Jonnhy de beijos e depois o puxou, para a saída da escola-Vambora!
“Ela não pode saber!” Jonnhy pensou.
Jessica andava triste pela calçada que conduzia os alunos da escola até a rua. Suas vestes completamente negras combinavam com seus cabelos repicados e se destacavam em sua pele pálida. Havia tido mais uma discussão com seu namorado... Ex-namorado... Futuro ex-namorado... Arg, ela não sabia mais o que Max era para ela.
Os dois haviam terminado? Ela não sabia. Os dois haviam brigado novamente? Ela tinha certeza.
Uma leve mão tocou seu ombro. A garota gótica virou-se rapidamente: era sua amiga Carla. E o namorado dela, Jonnhy, um garoto que parecia uma calopsita.
–Ah, oi Carla. –Jessica disse desanimada, ignorando o rapaz.
–O que aconteceu? Nem ouviu eu te chamar... –Carla observou.
–É, tô um pouco distraída... –Jessica disse olhando para o chão.
Carla percebeu que a amiga não estava bem. As duas haviam se tornado amigas naquele ano. Muitas pessoas estranhavam uma garota “princesinha” ser amiga de uma gótica com comportamentos estranhos. Todos achavam que era uma “amizade diferente”.
–Jonnhy, pode indo ao Dead Money na frente, preciso conversar com a Jessica. Em particular. –Carla pediu. Dead Money era o mercado — que parecia um mini shopping- mais perto da escola, em que Carla iria com Jonnhy para comprar algumas roupas que ela achava que precisava.
–Ah, claro. –Jonnhy franziu a testa, deu um beijo na namorada e continuou seu caminho.
As duas amigas, a ruiva e a morena, se encaminharam para baixo de uma árvore, que lançava uma sombra sobre elas.
–Me conta amiga, o que foi?-Carla disse.
–É o Max. –Jessica respondeu-De novo.
–O que ele fez dessa vez?-Carla perguntou intrigada. A ruiva sabia que Max era meio metido por ser filho de um grande dono de uma empresa, e por isso, achava que podia fazer tudo que quisesse. O que relativamente era verdade.
–Bem... Ele tá forçando a barra. –Jessica contou-A gente tava namorando escondido no ginásio um pouco antes da aula terminar. Os beijos e as pegadas estavam cada vez mais quentes... Carla, eu amo o Max, mas não estou preparada...
–Jessica, é claro que você não está preparada!-Carla a interrompeu-Nós temos dezesseis anos. É o Max que está apressadinho demais...
Carla revirou os olhos. Ela realmente não gostava de Max. Talvez isso fosse justificado pela relação que os dois tiveram no passado, ou a relação que poderiam ter no futuro.
A garota gótica deu um abraço forte na amiga ruiva. Jessica estava carente. E odiava admitir isso pra si mesma.
–Que tal se distrair um pouco?-Carla propôs à amiga.
–O que? Ah não... –Jessica reclamou prevendo tudo. Carla iria propor fazer compras, o que a garota odiava. Jessica pegava algumas roupas velhas, costurava, pintava ou remendava com alguma coisa e usava. Já Carla, fazia compras semanais necessárias para sua existência, de acordo com ela. Como eu disse, amizade diferente-Tudo menos isso!
–Ah, qualé, você precisa se distrair!-Carla tentou convencê-la, já puxando a amiga.
–Eu posso me distrair dormindo numa cama gostosinha com um travesseiro fofinho... –Jessica disse, seguindo Carla.
Max acelerava com sua BMW preta com adesivos “rebeldes”. Havia tentando mais uma vez levar a relação dele com Jessica mais adiante. E havia falhado.
Mais uma vez.
Um som de rock vindo do rádio do veículo acompanhava seu caminho. A música aumentava sua adrenalina e sua raiva. O carro acelerava cada vez mais.
Num rápido olhar pelo espelho retrovisor, Max viu os bancos de trás. Aqueles bancos já tinham muitas histórias para contar. Duas garotas já haviam estado com Max neles, em noites calorosas e sedutoras. A garota mais recente ainda estava pregada na mente de Max, como uma culpa... Uma culpa que ele adorava, por sinal.
Por mais ou menos um milésimo de segundo, quase que o rapaz atropelou outro rapaz de bicicleta. O carro freou bruscamente e Max bateu a testa no para-brisa. O rapaz da bicicleta perdeu o equilíbrio e caiu no asfalto.
Max saiu enfurecido de seu carro. Várias pessoas já haviam se reunido perto da calçada para saber o que estava acontecendo. O cara da bicicleta se levantou.
–Max, seu babaca!-João Pettyson xingou enquanto examinava se sua bicicleta estava bem.
–Ah, então o jumento de bicicleta é você... –Max debochou.
–Droga, amassou minha bicicleta!-João reclamou passando a mão em uma parte da bicicleta. Realmente estava amassado.
–É bom que não tenha amassado uma parte do meu carro novo... –Max avisou virando-se e verificando o seu veículo. Estava intacto.
–Por que você é tão idiota?-João perguntou cerrando os punhos. Max se achava e isso irritava, muito, ele.
–Olha, o idiota daqui é você... Aliás, como vão as aulas de reforço?-Max soltou um riso provocativo.
–Você deveria saber... Ops, esqueci que seu pai paga para o diretor passar você. –João retrucou.
–Cala a boca!-Max disse irritado.
–Vem me fazer calar... Ou vai mandar seu papaizinho pagar para eu ficar quieto?!-João disse com um sorriso malicioso.
Num movimento rápido e irritado, Max desferiu um soco contra o rosto de João, que cambaleou um pouco para o lado, mas logo se recuperou e atacou Max, que caiu em cima de sua BMW.
A cada segundo, mais pessoas se amontoavam para ver uma briguinha boba de adolescentes, e claro, ninguém fazia o esforço de separá-los.
Max e João tentavam acertar um ao outro, mas ambos eram rápidos e desviavam dos golpes.
–Ei, vocês dois, parem!-Jonnhy gritou correndo e separando Max e João, que ainda tentavam se socar.
Tentando impedir que Max acerte João, Jonnhy acabou dando um leve empurrão em Max, que caiu no chão.
–Mas que merda vocês dois hein!-Jonnhy reclamou. Ele estudava na mesma sala que Max e Jonnhy. Já havia visto os dois trocarem farpas muitas vezes em sala, mas nunca haviam tido brigas físicas.
–Max?-uma voz fina chamou de longe. Era Jessica, que estava acompanhada de Carla. Vendo as duas, os batimentos cardíacos de Max aceleraram.
A gótica se ajoelhou perto do namorado caído e o ajudou a levantar.
–O que tá acontecendo aqui?-Carla perguntou.
–Esse idiota aí... –João respondeu apontando para Max.
Max avançou para dar inicio a mais uma briga, mas Jessica o impediu.
–Max, não... –Jessica disse-Leva a gente no Dead Money, é melhor do que ficar discutindo...
–Tá, por você... –Max respondeu dando um beijo na namorada.
O casal entrou na BMW preta.
–Você vem?-Carla perguntou para Jonnhy, que logo acompanhou os amigos.
João pegou sua bicicleta e foi embora. A rodinha de pessoas que assistiam a briga ainda olhava, esperando mais.
–O que foi, seus curiosos? Nunca viram não?-Jessica gritou enquanto Carla e Jonnhy embarcavam.
O carro acelerou, fazendo os pneus cantarem, em direção ao mercado. João, que observava tudo de longe, resolveu seguir o carro. Iria quebrar a cara de Max.
Os três caminharam algumas quadras, até o mercado chamado Dead Money.
–Ainda me arrepio com esse nome!-Susi disse com um pouco de medo
–Pior é o slogan deles!-André criticou.
–“Aqui seu dinheiro morrerá, e você pertences encherá”!-Thiago complementou rindo.
–Parece uma uruca de profeta... –Susi disse se arrepiando.
O mercado era bastante conhecido na cidade. Tinha dois andares. O de baixo servia como estacionamento, e nos cantos, tinha algumas lojinhas vendendo bijuterias ou revistas velhas. O segundo andar era o verdadeiro mercado, que de longe, era percebível que estava bastante movimentado.
Ao lado do mercado, um outdoor enorme anunciava que um circo iria chegar logo na cidade. Em letras grandes e chamativas, estava escrito: “Está vindo!”. O outdoor tinha uma homem vestido de preto e no rosto, um desenho de caveira. André sentiu um arrepio ao ver aquilo.
Continuaram a andar. Para as pessoas que não iam de carro, existia uma rampa lateral que os levava até as grandes portas de metais levantadas. André, Susi e Thiago subiram por ela.
A luz solar atravessava as grandes janelas e algumas partes do teto que era de vidro. Quase todas as filas estavam enormes.
–Acho que escolhemos a hora errada... –Susi disse.
–Ah, vamos lá... –Thiago disse. Os amigos recomeçaram a andar.
Susi reconheceu uma garota da sua escola que também era do segundo ano, só que de outra sala. Era Carla, na parte de roupas, que pegava várias e colocava em frente ao seu corpo em frente ao espelho. Jonnhy, seu namorado, carregava várias roupas, seguindo a garota.
Em um canto do mercado, quase escondidos do mundo, Thiago viu Jessica, uma garota gótica, e seu namorado riquinho Max, tendo uma mini discussão. A garota colocava a mão na testa e abaixava a cabeça, resistindo a tentação de chorar, enquanto Max argumentava algo.
–Do que você precisa?-Susi perguntou-Sabe, para seu projeto...
–Não sei. Estava querendo fazer um vulcão. –André disse.
–É, seria legal... –Thiago começou a dizer.
–Ah, qualé! Vulcão? Isso é coisa da quinta série!-Susi argumentou.
–E o que você recomenta, senhorita “atual”? –André fez aspas com o dedo.
–Sei lá, qualquer coisa menos vulcão... –Susi disse. Ela se mexeu e acabou dando uma cotovelada em uma garrafinha de água, que caiu e “explodiu”-Ops!
Ela olhou para os lados para ver se alguém viu, então chutou a garrafinha para debaixo de uma prateleira.
–Ninguém viu... –Susi disse.
Os três passam pelos caixas. Cada um possuía um número, que ia do 1 ao 40, ou seja, tinha quarenta caixas. Ao lado de cada número, havia uma lâmpada vermelha e redonda, caso o caixa precisasse da ajuda de algum superior.
–Tá, talvez você possa fazer algo com eletricidade... Ou batatas!-Susi disse pensativa.
–Batatas? O que alguém pode fazer com batatas?-Thiago perguntou.
–Matar você engasgado!-Susi retrucou.
Uma música começou a tocar no mercado. Era a música Earthquake, da banda The Used.
She had an earthquake on her mind
I almost heard her cry out as I left her far behind
and knew the world was crashing down around her
–Earthquake. –André reconheceu a música- Terremoto em inglês...
André se sentiu tonto ao dizer isso, mas acompanhou os amigos. Ao passar pelo caixa 18, André sente um arrepio. Ele olha para a lâmpada ao lado do número do caixa, que começou a piscar, parecendo um “0”.
180...
Um vento gelado passa por André, que se arrepia.
–André, tá tudo bem?-Susi perguntou.
–Tô. Vocês sentiram isso?-André disse.
–O quê? Eu não senti nada. –Thiago respondeu.
–Eu senti. Sei lá... Tem alguma coisa errada. –André disse.
Foi quando começou um tremor.
–Um terremoto! –alguém gritou na frente da fila do caixa 18.
Rachaduras começaram a tomar conta das paredes. As janelas se racharam. André, Thiago e Susi viram um desespero tomar conta do mercado, com pessoas correndo e compras caindo.
–Vou dar o fora daqui!- disse a caixa que estava no caixa 18, saindo do seu posto e correndo para a saída. Enquanto corria, tropeçou em algo e caiu em baixo da grande porta de metal, que com o tremor, caiu, arrancando brutalmente sua cabeça. As outras portas de metais começaram a cair, matando mais algumas pessoas.
–Temos que sair daqui!- André avisou.
Os três correram para a saída de emergência, perto da sessão de roupas do mercado. Uma mulher os ultrapassou, então uma prateleira começou a cair, e um faqueiro despencou sobre ela, jogando sangue para vários lados.
Várias pessoas corriam para as saídas de emergência, derrubando as araras e cabides de roupas. As janelas se racharam e finalmente se quebraram. Um grande pedaço de uma delas caiu sobre Max, esmagando. O sangue de seu corpo explodiu para os lados, deixando de cor vermelha várias roupas caídas.
–Max!-Jessica gritou desesperada.
–Jessica, nós temos que sair daqui!-Carla puxou a amiga e saiu correndo, junto com o namorado.
Uma parte do teto de vidro caiu sobre Jessica, fatiando seu corpo. Jonnhy não deixou a namorada se desesperar e a puxou, em direção da saída.
–Todos estão morrendo!-Thiago gritou.
–Não diga... –Susi disse acelerando sua corrida.
André e seus amigos desviavam das roupas caídas e dos corpos cheios de sangue.
Carla e Jonnhy estavam mais adiantados que os três. Ao tentarem sair pela saída de emergência, a placa luminosa que dizia justamente “SAÍDA DE EMERGÊNCIA”, que caíram sobre a escada, os três pulam sobre os dois, uma parte do teto cai e esmaga os dois, a parte continua a desabar cada vez mais, até que para.
–Ufa!-André fala aliviado, até que ele vê que um pedaço do teto caiu em cima de Susi, em sua perna, e também vê pernas de outra pessoa, morta e esmagada.
–Ai!-Susi grita com dor. O concreto havia transformado sua perna numa massa fina.
–Susi!-Thiago gritou.
Foi quando um fio de eletricidade, que estava nos restos do teto, cai, bem em cima de Susi, que morre eletrocutada.
–Nãããããão!-Thiago gritou desesperadamente.
–Temos que ir!-André puxou Thiago, vendo mais rachaduras se formarem nos restos do teto.
O terremoto parecia não ter fim. André e Thiago desceram as escadas rapidamente. A verdadeira saída de emergência estava cheia de escombros, impossível de passar. A única saída agora era o estacionamento, do outro lado.
–Vamos lá. –Thiago saiu correndo.
Algumas partes do segundo andar haviam caído e esmagado vários carros. André e Thiago desviavam das rachaduras e dos pedaços do segundo andar que continuavam a cair.
–Estamos quase chegando à saída!-Thiago disse esperançoso.
Eles estavam no meio do estacionamento quando uma parte do segundo andar desaba em cima de um carro, que explode, lançando outro carro na direção dos rapazes. O veículo destroça o corpo de Thiago.
O resto do segundo andar continua a desabar, como se perseguisse André. Até que o garoto tropeça numa pedra, caindo no chão. Ele se vira e vê pedaços caírem sobre ele, então se vê perto dos caixas. Suava frio.
–Batatas? O que alguém pode fazer com batatas?-Thiago perguntou.
–Matar você engasgado!-Susi retrucou.
André achou tudo estranho. O que havia acontecido com ele? Havia sido um sonho, ou uma alucinação?
–Earthquake, da banda The Used... –André disse.
– O que?-Susi perguntou.
Uma música começou a tocar no mercado. Era a música Earthquake, da banda The Used, como André disse.
–Isso foi bem estranho... –Thiago disse-Virou vidente agora?
–André, você tá legal?-Susi perguntou.
–Nós temos que sair daqui... –André disse, depois gritou-Nós temos que sair daqui agora!
Todos do mercado pararam o que estavam fazendo para olhar para o garoto.
–Como é que é?-Thiago falou desconfiado.
–Vai acontecer um acidente, eu vi!-André gritou.
–André, tá todo mundo olhando pra gente... –Susi disse.
–Você teve o que, uma visão?-Thiago sugeriu.
–Isso! -André concordou-Eu vi... Vai haver um terremoto, todos vão morrer!
–Ei, isso não tem graça!-Max gritou ao ouvir o que André disse.
–Max, fica na tua... –Jessica pediu.
–É verdade, eu vi!-André disse.
–Vamos lá pra fora, você tem que respirar um pouco... –Susi disse. Ela e Thiago tiraram André.
Aurora, madrasta de Thiago, que estava em outro caixa, o viu saindo.
–Hey, Thiago, volta aqui!-Aurora disse saindo. Ela não se preocupava com Thiago, mas o pai dele se preocupava, então ela precisava se preocupar. A mulher saiu, cheias de sacola, atrás do enteado, para saber o que estava acontecendo.
–Ei, moça, você não pagou, volta aqui!-a caixa disse. Ela mandou os próximos da fila esperarem um pouco e foi atrás de Aurora.
–O que houve com André?-Carla perguntou.
–Não sei, deu um ataque de nervos... –Max respondeu.
–Quem vai ter um ataque de nervos é você, idiota!-João apareceu do nada e deu um soco em Max, que caiu.
Jessica não aguentou mais aquilo e pulou em cima de João. Vários seguranças apareceram para tirar os adolescentes brigões.
–Ei, larga eles, larga!-Carla protestou subindo nas costas do segurança.
–Carla, para com isso gata!-Jonnhy disse.
Do lado de fora, André tentava respirar e se acalmar, quando viu a madrasta de Thiago vindo na direção deles, seguida por uma funcionária do mercado, e por João, Max, Jessica, Carla e Jonnhy, que tinham sido expulsos por alguns seguranças.
–O que foi que... –Susi começou a dizer, quando tudo começou a tremer.
–Meu Deus!-gritou Carla, abraçando Jonnhy.
–Eu disse!-gritou André desesperado-Eu avisei que ia acontecer!
Todos ficaram abismados, ao ver o acidente acontecer e destruir o mercado. Pessoas corriam desesperadas, procurando algum lugar seguro. Parte por parte, o mercado veio abaixo. André sentou desesperado no meio da rua, perto dos seus amigos. Algum tempo depois, a área estava interditada e com várias ambulâncias, policiais e bombeiros.
–Aconteceu... Realmente aconteceu!-André repetia consigo mesmo.
–Filho!-a mãe de André gritou desesperada, chegando no local e abraçando-o.
André percebeu que os outros estavam indo embora com seus pais. Thiago ia embora com seu pai e com sua madrasta Aurora, que estava em estado de choque. Susi lançou para André um último olhar, que mostrava que ela estava com várias dúvidas.
Chegando à sua casa, André comeu algo da geladeira, tomou um pouco de água, e foi para cima. Tomou um banho, colocou uma roupa leve.
–Acabou, salvei meus amigos!-disse para si mesmo-Não sei como aconteceu, mas acabou!
Um vento entrou pela janela, e algo dizia para André que isso tinha acabado de começar, e vinha muita coisa pela frente. Coisas assustadoras...
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