Alice levantou-se no meio da noite para uma caminhada. Já passava da meia-noite e ela decidiu andar pelos arredores de sua casa. Fazia muito calor naquela noite de verão, o que tornava o clima agradável e ameno. Nas ruas diversos casais voltavam do cinema ou tomavam um sorvete. Os estabelecimentos, que em geral ficavam fechados, estavam todos abertos. A cidade completamente iluminada não deixava o clima sonolento e mórbido tomar conta de si; era uma cidade alegre, quente, viva, resplandecente. De certa forma era irônico.

A ruiva caminhava de braços cruzados, pensativa. Ela havia tido uma visão da morte de Pepper. Quase como Bobby, ela previu uma coisa antes de acontecer. Era assustador a situação em que se encontrava(m). Tremeu. Por que ela tinha sido amaldiçoada com a mesma praga de Bobby? Já não era suficientemente ruim um deles estar ficando maluco, agora seriam dois? Não, aquilo não era maluquice e disso Alice tinha certeza. Ela vira com clareza cada detalhe da morte de Pepper, mesmo sem ter presenciado nada daquilo. Mas por quê?

Retirou o celular do bolso e sentou-se em uma sorveteria que estava aberta. Pediu um sundae à garçonete e discou o número de Lily. A amiga atendeu.

— Te acordei?

Não, eu durmo tarde. Fala amiga.

Alice suspirou.

— Você pode me encontrar... Agora?

Houve o silêncio durante alguns segundos.

Tudo bem. – Lily respondeu, sem fazer perguntas.

Alice indicou a sorveteria onde estava e desligou, pensando em como Lily era uma boa amiga. Lembrou-se então de uma frase que proferiu logo após a morte de Roxy: “Ela era minha amiga. Minha única amiga”. Pensou em como aquilo deveria ter machucado Lily. Afinal, ela conhecia a garota há doze anos, e desde o primeiro dia da amizade ambas foram leais uma à outra. A ruiva não havia sido justa para com Lily. De repente seu sundae chegou. Alice agradeceu à garçonete e pôs-se a comer.

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Já passava da meia-noite e Bobby estava com a cara metida nos livros. Era a semana de provas finais e logo ele estaria formado. Queria esquecer a lista da morte, esquecer a morte de Naomi, Pepper... Esquecer. Escrevia com fúria, forçando-se ao limite. Não queria saber de nada. Mas a televisão ligada no noticiário o impediu:

Nesta tarde um fato curioso aconteceu, algo que intrigou à polícia da cidade. Uma garota chamada Sarah Milly Kane, de dezesseis anos, apareceu na delegacia do 17º distrito de polícia confessando um assassinato. Ela entregou a arma do crime, uma faca de cozinha, e deu a localização do corpo. A vítima, um andarilho ainda não identificado, parece ter sido sedado e logo em seguida apunhalado com a faca. As autoridades...

Bobby largou o lápis, com o queixo caído, ainda incrédulo. A tal Sarah que havia matado o andarilho no encontro do restinpieces.com se entregara a polícia. O rapaz suou frio: e se ela resolvesse contar sobre os outros jovens ali presentes? Ele poderia arranjar uma encrenca colossal por conta daquilo. Não queria pensar nisso, mas era inevitável. Então teve uma ideia. Uma estúpida ideia que começou a tomar conta de seu ser a ponto de não deixá-lo pensar em mais nada. Foi com maior incredulidade ainda que se viu pedindo autorização à mãe para ir até a cidade vizinha, sem dizer-lhe que iria visitar uma penitenciária feminina. É, estava decidido. Ele iria visitar Sarah no dia seguinte.

— Mas volte antes das quatro, por favor. É quando vamos levar sua irmã ao aeroporto. – Jane disse, em tom triste. A filha estava definitivamente mudando-se.

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Lily chegou em minutos à sorveteria, quando Alice já devorava seu segundo sundae.

— Cuidado com a dieta, Alice! – Foi a primeira coisa que disse, retirando a sobremesa da mão da amiga.

— Por quê? Podemos morrer amanhã mesmo, me da esse sorvete aqui.

Lily negou e pôs-se a devorar a sobremesa.

— Bom, fico feliz que a sua aparente revolta com o mundo tenha te feito apenas largar mão da dieta. Antes sorvete do que álcool. – E entregou o sundae de volta à Alice.

A ruiva sorriu.

— Tem uma coisa que eu queria te perguntar. – Lily começou. E ao obter o consentimento da amiga, continuou: — O que foi aquilo no hospital?

— Aquilo o quê?

— O seu sonho. Você acordou e começou a dar diversas coordenadas confusas ao Bobby. O que era aquilo?

Alice fez cara de poucos amigos.

— Eu não sei. Eu apenas tive um sonho e vi um skatista morrer nele, do exato modo como o Pepper acabou morrendo. No sonho eu vi todos os passos que levaram ao fatal acidente, e quis que Bobby o impedisse antes de acontecer. Tal como ele havia feito conosco no trem, entende?

Lily maneou a cabeça positivamente.

— Você tem interesse em tentar descobrir a origem dessa sua visão? – Lily disse, um pouco insegura.

— O que você sugere? – Alice perguntou.

— Eu sei lá... Devem existir diversas organizações, religiosas ou não, que tentam explicar esse tipo de coisa...

— Macumbeiros? Ah não, Lily, muito obrigada.

— Você está sendo simplista e preconceituosa. – Lily retaliou. — Mas se não tem interesse...

— Não mesmo. Vai que eu descubro algo que não queria? Não acredito em Deus, diabo, inferno, céu ou fantasmas. Mas prefiro não mexer com eles, obrigada.

Lily fez uma careta. Quem sabe tivesse mais sorte com Bobby?

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Bobby dirigia o Impala ’74 de seu pai com cuidado. Ele estava aproveitando a ocasião para utilizar sua licença pela primeira vez. O pai emprestara seu carro num momento de emoção pela partida de Melissa. Afinal, era um item de colecionador, um automóvel que ficava guardado na garagem quase que o tempo todo. “Bobagem, é só um carro”, Bobby pensou. Mas sabia como o automóvel era importante para o pai.

A cidade vizinha ficava há algumas poucas milhas. A estrada estava deserta e Bobby dirigia lentamente, como a tomar coragem. O que ele iria dizer a garota? Sua ideia era pedir que ela não mencionasse a ele e nem a Lily em seu depoimento sobre a morte do mendigo. Mas hesitou: a conversa deles, muito provavelmente, seria completamente assistida, de modo que ele não deveria mencionar o assunto. O que fazer então?

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O automóvel parou exatamente em frente à penitenciária. Bobby checara o dia e horário de visitas e viu que chegara a tempo. Entrou e se dirigiu a uma recepcionista bastante ranzinza, que indicou a ele uma sala de esperas. No local, diversas pessoas, a maioria homens e crianças. A penitenciária tinha apenas mulheres, a maioria delas menores de idade. Quando soou o alarme, Bobby se dirigiu a uma sala e sentou, esperando. Sarah apareceu logo em seguida, aparentando estar bastante abatida.

Ela vestia um clássico macacão laranja e estava algemada. Dessa vez o rapaz observou-a com cuidado: os cabelos negros e curtos, os olhos azuis acinzentados e até mesmo sua doce beleza juvenil. Deus do céu, ela tinha dezesseis anos! Era triste a situação em que se encontrava.

— Ei, você é o Bimbo, não é? – Sarah disse, ao vê-lo.

— Sou sim. – Ele respondeu.

— Pois eu esperava meus pais.

O rapaz ficou em silêncio.

— O que você veio fazer aqui? Já viu o que aconteceu, minha consciência me pesou. Você previu isso também, parabéns.

— Não foi por isso que eu dirigi até aqui. Na verdade eu não sei bem por que vim... O que você sabe sobre sua sentença?

— Nada de concreto. O meu advogado me disse que com sorte eu pego dez anos com direito à condicional, por uma série de atenuantes.

Bobby suspirou.

— Ainda não entendo o que te levou a fazer aquilo.

— Não é? – Sarah desafiou-o. — Pois quer a história completa?

Ele nada disse. Sarah começou:

— Foi a mesma merda de todos. Um amigo meu teve uma premonição e nos salvou. Meus amigos começaram a morrer e blá, blá, blá. Eu fui salva por esse amigo, e achei que, enfim, estaria fora da lista. Mas não houve jeito. Depois que a morte o pegou, eu sabia que ela iria vir até mim. Arrisquei no restinpieces.com e encontrei com Jessica e os outros. Ouvi toda a maluquice que eles tinham em mente e pensei “por que não?”. Poderia ser uma boa solução. Na realidade, qualquer solução seria boa, naquele momento.

— Você se arrepende de ter feito isso? – Bobby perguntou, com sinceridade, tentando não soar moralista.

— E adianta de alguma coisa arrepender-se? O que está feito, está feito.

Bobby ficou em silêncio. A garota tinha razão.

— E por que você se entregou?

Sarah bufou.

— Você pode me dizer, já que, como eu disse, previu isso. Disse que eu não iria conseguir lidar com minha consciência. E de fato, foi isso o que aconteceu.

— Eu...

— Eu sei porque você veio aqui. Você tem medo que eu mencione você e sua amiga no meu julgamento não é? Pois fique sossegado. Não vou meter vocês nessa merda que eu fiz. Vocês podiam ter me denunciado, mas não o fizeram. Eu seria uma vadia sem alma se ferrasse com vocês.

Bobby não conseguiu esconder seu alívio, suspirando.

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No caminho para casa, o rapaz foi pensando em Sarah e em todo o ocorrido. Será que ele seria capaz de algo assim, no ápice da loucura? Não, jamais. Ele não teria coragem de matar ninguém, por mais desprezível que fosse sua vítima. Ao contrário de Sarah, sua humanidade vinha em primeiro lugar, não seus instintos.

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Lubo decidira naquele dia ir até a loja de antiguidades do seu avô, contrariando a sugestão de Lily e dos outros de que ele se mantivesse em casa, longe dos perigos. Usou a lógica de Pepper; corro tanto perigo aqui do que em casa. Atravessava as ruas com mais cuidado do que de costume, porém. A morte seria trapaceira se ela se aproveitasse de sua cegueira para lhe causar um acidente. Tinha esperanças de que ela viria de modo a deixar seus ouvidos atentos.

Entrou na loja e foi recebido com pompa por seu avô. O velho disse, sorrindo:

— Há tempo que não vem, Luther.

Luther. Seu avô era a única pessoa no mundo que o chamava pelo primeiro nome e não pelo apelido. “Luther Boye” era o seu nome de verdade. Ele não gostava, então pegou a primeira sílaba de cada um e formou seu apelido, “Lu-Bo”. Naquele momento, porém, ficou estranhamente feliz por, ali, ser o tal Boye e não o Lubo.

— Problemas, vovô. – Lubo sorriu. — O senhor não entenderia.

— Eu entendo mais do que imagina, meu rapaz.

E entendia. Naquelas feições emudecidas e rosto amassado pelo tempo, transbordava experiência. Ele era a sabedoria.

— Duvido muito.

Lubo ia caminhando pela loja, seguindo o avô. O teto estava forrado de antiguidades, muitas delas penduradas sob a cabeça do rapaz. Espadas antigas balançavam e tilintavam como pequenos sinos, pequenos brinquedos de colocar em berço de criança. O barulho dos metais tocando-se com delicadeza era um calmante poderoso.

— Eu estive sonhando com você essa noite, rapaz. – O avô disse. — Mas não foi um sonho bom, foi ruim. Eu senti meu coração apertado, sabe? Como se nunca mais fosse lhe ver.

O rapaz engoliu em seco. Seu avô não sabia de seus problemas, mas mesmo assim tinha sentido uma estranheza, um medo de perdê-lo. Será que ele realmente entendia?

— Bobagem, vô. O senhor sempre irá me ver.

Lubo caminhou de costas, esbarrando em alguns objetos. Eles caíram, fazendo um barulho ensurdecedor. O velho abaixou-se para recolhê-los, mas Lubo pediu que o homem deixasse com ele, afinal fora ele o causador da bagunça. Recolheu os objetos com dificuldade, tateando onde colocá-los de volta. As espadas pendiam sob sua cabeça. O avô não o impediu, já que sabia do orgulho do neto. Terminou e disse triunfante:

— Não há nada que os olhos vejam e que eu não possa executar melhor com minhas mãos e meus ouvidos.

E ouviu a hora em que uma cliente entrou, batendo com força a porta da lojinha. As espadas balançaram mais forte, encontrando-se e desequilibrando-se. O velho nada pôde fazer, embora visse a cena em câmera lenta. As espadas caíram em um segundo demorado, perfurando Lubo por inteiro. Uma delas atingiu o topo de sua cabeça, enquanto duas lhe caíram sob os ombros. O rapaz ajoelhou-se, já morto, e caiu. O barulho das espadas chocando-se contra o chão não foi audível, pois o avô e a cliente gritavam feito loucos. O sangue escorria aos montes. O rosto de Lubo parecia calmo, mas isso era deveras suspeito.

Lubo era sempre calmo.

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Melissa terminava de arrumar as malas quando Bobby entrou em seu quarto.

— Você tem certeza de que isso é o melhor, Mel?

A garota sorriu.

— Tenho sim, Bimbo. A não ser que... Você precise de mim.

Ah! A maturidade...

— A mamãe precisa de você.

Melissa abriu um sorriso triste.

— Ela tem a você, ao Jimmy, ao Luke. Além disso, é uma experiência: apenas um semestre. E eu volto para a sua formatura, para o natal...

Bobby abraçou a irmã, sem saber direito o que dizer.

— Eu te amo, Mel.

— Eu também te amo, Bimbo.

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A família toda estava no aeroporto. Melissa, Michael, Jane, Jimmy, Luke e Bobby. A garota despediu-se de todos e entrou no avião, arrastando sua mala de rodinha. Bobby segurou as lágrimas, mas viu-se apavorado quando o pássaro de metal explodiu no ar, levando Melissa consigo. Gritou.

Acordou. A cena era sua conhecida. Melissa despedia-se, arrastando sua mala de rodinha, enquanto ele segurava as lágrimas. Não mais.

— Mel, não entra nesse avião!

A família toda olhou pra ele.

— Ele vai explodir, não entra nesse avião!

Bobby estava histérico, chorando e gritando. Os pais o olhavam, assustados, enquanto alguns passantes faziam cara de censura. O rapaz não se deu por vencido e correu até a estação de embarque. Ignorou a mulher que lhe pediu a passagem e, já dentro do avião, fez seu discurso aos berros:

— Esse avião vai explodir, vocês precisam sair daqui. Ele vai explodir, eu juro, eu...

Não continuou sua frase, pois dois seguranças enormes o carregavam para fora contra sua vontade. Michael pedia calma dos homens, enquanto Jane gritava aos berros para que soltassem seu filho. Melissa estava estática. Não entrou no vôo.

Já mais calmo, Bobby tomava um copo d’água no exato momento em que o avião decolou. Sentiu seu coração apertado. Voo 180, voo 180. Aquela era a única coisa em sua cabeça. Um déjà vu de algo que nunca lhe acontecera. Alex Browning previra, vários anos antes, um acidente de avião exatamente igual àquele. Por que tudo estava se repetindo? Tapou os ouvidos. Nada aconteceu.

O avião decolou calmamente e não explodiu. Melissa suspirou, aliviada. Isso porque ela acreditava no irmão, tinha medo de que a coisa realmente explodisse.

Mas nada aconteceu.

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A notícia da morte de Lubo não veio. Seus amigos ligavam para ele, mas ninguém atendia. A casa estava vazia todas as vezes que os amigos tentavam contatá-lo. Era agonizante aquela espera.

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Às três da tarde de uma ensolarada segunda-feira chegou um telegrama à casa de Bobby. A mãe leu-o, incrédula. Era destinado a Bobby. Janet então reuniu toda a família. A carta dizia:

Caro Sr. Davies

Venho através dessa carta, agradecer a atitude estranha e honorável que o senhor teve. Na sexta-feira passada, o senhor alertou, de modo inusitado, admito, sobre uma falha no sistema do nosso avião. Medidas foram tomadas, inicialmente levando em conta a teoria de que o senhor poderia ser talvez um terrorista. Encontramos o problema mecânico, simples, embora fatal. Ele foi consertado e então pudemos prosseguir com o voo. A perícia posterior descobriu se tratar de um relapso do mecânico que cuida de nossa frota, e medidas cabíveis foram tomadas. Não sabemos como o senhor sabia da falha, e, devido às consequências de sua atitude, não estamos interessados em saber. O senhor salvou centenas de vidas e essa é uma atitude que não pode passar em branco. Em algum tempo breve deve estar chegando um presente de nossa companhia ao senhor. Pedimos que mantenha discrição quanto ao caso, já que seria ruim uma repercussão maior do causo, tanto para nós quanto para o senhor.

Atenciosamente,

Edward Chilson

A assinatura era do dono da companhia de aviões.

— Como ele sabia o nosso endereço? – Melissa indagou.

— Seus dados ficaram no aeroporto, querida. – Michael esclareceu.

Era óbvio que os pais de Bobby queriam saber como diabos ele previu o tal acidente, mas não tinham coragem de perguntar. Talvez temessem que houvesse resposta positiva quanto à maluquice do rapaz. Era melhor deixar tudo como estava.

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Uma semana depois chegou a notícia da morte de Lubo. O funeral já havia corrido, em outra cidade, sem avisarem nenhum dos amigos do rapaz. Quem contou tudo fora a dona Ginger, mãe de Lily. Ela fora informada por um conhecido qualquer, vizinho dos pais de Lubo. A cerimônia fora uma coisa discreta e totalmente desrespeitosa com os amigos, mas eles não seriam capazes de julgar os pais do rapaz.

Bobby foi à casa de Lily naquele dia. Tocou a campainha. Ginger atendeu e, sem nenhum tipo de implicância que lhe era peculiar, indicou onde a filha estava. Lily tinha os olhos vermelhos. Ao ver Bobby o abraçou forte. E então chorou.

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Bobby decidiu-se por esquecer o incidente do avião e não contá-lo a ninguém. Não tinha tempo, paciência, ânimo... Queria apenas esquecer.

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Matt suspirou. Estava diante de seus pais, que aguardavam a notícia que ele iria dar, ansiosos. Assim que soube da morte de Lubo, o rapaz percebeu que chegara a hora. Ele não podia esconder a gravidez de Jamie por muito mais tempo. Era agora ou nunca.

— Eu engravidei uma garota.

Um silêncio pairou no ar por agonizantes cinco segundos. Foi quando o pai de Matt caiu na gargalhada.

— Você nos assustou, filho.

Matt olhava-os com incredulidade.

— Não é brincadeira, gente. Eu vou ter um filho.

A mãe de Matt empalideceu. Desmaiou, caindo no colo do marido. O homem ordenou que o filho trouxesse água à mãe.

Quando ela recobrou os sentidos, Matt contou a história com detalhes.

— O que você tinha na cabeça, seu retardado mental? Você não consegue cuidar da droga do seu cachorro que fica todo o tempo chorando de fome. Como você pretende cuidar da porcaria de uma criança? – O pai de Matt estava naturalmente furioso.

A mãe concordava com o pai, ainda abalada.

— Ai meu Deus, eu não mereço ser avó tão nova!

Os dois continuaram o esporro. Para evitar maiores complicações, Matt só concordava. Afinal, eles estavam certos. Ele fora imprudente. Abriu os ouvidos e a mente para absorver a punição. Ele merecia.