Preguiça - A Revolução

2 Capítulo 1 - Sensatez Pública


Notas iniciais
Hey, pipous, tudo bem com vcs? Espero q sim ✌ Então, felizmente (?) as atualizações dessa história não devem demorar muito, já que eu preciso apenas revisar os caps. Sem mais, tenham uma boa leitura ^^

Estávamos sentados, Mandy e eu, num pequeno sofá que havia no camarim, esperando que milagrosamente alguém batesse à porta anunciando que poderíamos participar do debate, o qual a essa altura já devia estar rolando e, portanto, provavelmente esperaríamos até o intervalo comercial.

Quietos, receosos e esperançosos, era a maneira que nos encontrávamos quando resolvi quebrar aquele silêncio ensurdecedor.

— E então, o que ele escreveu na carta? Eu não tive tempo de ler.

— Ah é? Então vai continuar sem saber. Sur-pre-sa! — Declarou, rindo de mim.

— Qual foi? Eu o vi escrevendo, tá? Isso não é justo, me conta, poxa! — Implorei emburrado.

— Se o viu escrevendo, poderia muito bem ter lido o quê ele escrevia! Não leu porque não quis, deu mole!

— Tenha dó, eu estava ocupado! Conta logo, por favor, eu tô pedindo educadamente ein! — Ameacei falsamente.

— Te orienta rapaz! Quem vê até pensa né. — Gargalhou. — Você não mata uma mosca!

— Não mato porque elas são muito rápidas, se eu pudesse, dizimava as moscas. E eu mato as formigas, tá bom? Formigas são torturadoras traiçoeiras!

— Valeu, senhor assassino sanguinário! Bem que você avisou; mil e uma utilidades né? Talvez eu te contrate para livrar meu doce lar dessas pragas malignas! — Deu uma risada gostosa, na qual não pude deixar de acompanhá-la. — Mas okay, o que eu posso te adiantar sobre a carta é que... — Já ia me revelando, quando um estagiário demasiado inconveniente bateu à porta e, assim que a Mandy deu permissão, a abriu. Ao menos ele trazia uma notícia bastante agradável aos nossos ouvidos: Kali Amel nos solicitava em sua sala.

O acompanhamos de prontidão. Ao chegarmos novamente à sala do diretor, deparamo-nos com a presença dele e de quatro outras pessoas: a codiretora, o tal estagiário e dois seguranças.

“Não poderíamos ser mais bem recebidos.”. — Pensei.

— Meus parabéns! Apelar para as redes sociais, uh? — Disse num tom sarcástico. — Eu subestimei vocês, foram mais audaciosos do que eu poderia imaginar, seus trapaceiros de merda! — Exasperou. Acho que alguém aqui não gosta de ser passado para trás.

— Wow! Não foi nada, senhor. Usamos as armas que estavam à nossa disposição. Um golpe de sorte, eu diria. Um tiro no escuro. E por pouco o senhor não nos supera com excelência, foi um concorrente à altura! — Disse risonho e estendi a mão ironicamente para cumprimentá-lo, não que eu acreditasse em um ato educado e de bom competidor daquele homem. E como esperado, ele a recusou e se virou, pondo-se a andar pela sala, com as mãos cruzadas atrás de seu corpo e a nos informar os procedimentos seguintes.

— Bem, como o desaforo de vocês não me rendeu bons frutos, não me vi com alternativa, senão abrir a tal enquete que os senhores sugeriram, a qual já foi aberta há alguns minutos e assim permanecerá até o fim do penúltimo bloco. — Declarou, e tive vontade de dar pulinhos, mas me contive, pois com certeza aquelas pessoas ali, com exceção da Mandy, não mereciam um show particular do meu corpo esbelto quase levitando. — Sendo assim, o resultado irá dizer se vocês poderão ou não ler a tal carta. E eu achei melhor não estendermos a discussão aos demais candidatos, com o intuito de poupar a minha paciência, que por pouquíssimo vocês ainda não conseguiram esgotar! Agora, me deem licença, pois eu preciso ir avisá-los a respeito das mudanças. — Concluiu e, assim que se retirou, eu virei para a Mandy e a abracei apertado, quando ela pulou em mim como uma rã. E com a situação dentro dos eixos, decidimos, então, ir assistir ao debate no set.

— Acha melhor avisarmos o Art?

— Deveríamos? — Questionou sarcástica. — Ele não se preocupou em deixar-me por dentro de seus planos. — Concluiu e dei de ombros.

♦♦♦

Arthur's point of view

“Aquela teimosa da Mandy deve estar puta comigo e não querendo me dar notícias por pura birra!”. — Pensei divertido e curioso. O que eu poderia fazer, afinal? Contar meus planos para ela estava fora de cogitação, primeiro porque eu decidi de última hora o que faria e segundo porque ela tentaria me impedir a qualquer custo, e o fato de ter sido repentinamente só daria a ela mais argumentos e com os quais eu não saberia me contrapor convincentemente. Eu simplesmente sabia que precisava fazer isso, não tinha como explicar isso a ela, que, exatamente por me conhecer muitíssimo bem, nunca abandonara o medo das consequências de minhas ações e, portanto, sempre fazia de tudo para evitá-las antes que tivesse que remediá-las.

Ouvi a vinheta que anunciava o início do programa e me pus a prestar atenção ao que seria discutido pelos meus concorrentes. O apresentador, Wilson Danoner, elucidou detalhadamente como se daria o debate; em blocos, civilizadamente e toda aquela ladainha. Nada que eu já não soubesse e, portanto não via a hora dele abrir a merda da boca para anunciar unicamente o que eu queria saber. E assim foi, depois de assistir mais uma vez àquele circo de horrores, que eram os meus concorrentes metendo um o dedo na ferida do outro, o que não fazia sentido já que todos tinham um dedo metido na crise que se prolongava desde 2015, e que só piorou nos anos seguintes. Ao contrário das indevidas fortunas de nossos infelizes representantes, o estado dos cofres públicos era deplorável e, ao invés de tentar resolver isso, só importavam-se em apontar um culpado, um único maldito culpado no meio do toda aquela sujeira. Encontrar um político que estivesse minimamente envolvido em corrupção é a mesma coisa que encontrar heterossexuais no fandom harmonizer — até existem, mas não passam da minoria —. E o fato em si de não buscarem uma resolução que visasse o bem da nação já era digno de culpa.

Ao fim do primeiro intervalo comercial o apresentador informou que uma enquete online, decorrente da minha ausência física no debate, havia sido aberta no site da emissora e que o resultado dela determinaria se minha participação indireta ocorreria ou não. Só aquilo bastou para que eu me sentisse imensamente alegre, só não soltei fogos por um determinado orifício na parte traseira de meu corpo, porque o que eu havia ganhado não se tratava da eleição ainda, no entanto, aquela já era uma grande vitória, uma vez que eu tinha mais esperança no povo do que naquela mídia corruptível.

O debate seguia aflorado, eu podia notar nos semblantes de meus concorrentes o desagrado pela reviravolta que eu havia causado e que pretendia causar ainda mais, mas não com a específica intenção de chateá-los.

O que a preguiça não faz, não é? Nada? Será? Eu realmente esperava não estar tendo tanto trabalho em vão.

Eu já estava farto de toda aquela gente querendo mudar o mundo com suas ideias conservadoras e intolerantes. Todos aqueles fascistas que só sabiam levar o mundo, e consequentemente o Brasil, mais para a vala do universo.

Cada vez mais eu tinha a confirmação dos grandes hipócritas egoístas que eram. Seus interesses pessoais, mascarados de empatia pelas necessidades do povo, me repugnavam. Promessas e mais promessas ao vento. Aquilo estava bem errado e eu ao menos percebia isso, e devia muito à minha preguiça, pois ela me deu coragem de arriscar da maneira que eu tinha quase certeza de que mudaria as coisas de uma vez por todas e, finalmente, para melhor.

O cronometro na tela da TV finalmente mostrava que o tempo que o último candidato tinha para defender suas propostas havia encerrado. Wilson Danoner tomou a fala, fez os devidos agradecimentos aos participantes e informou o resultado da enquete:

— Com 53% dos votos, os representantes nomeados pelo candidato Arthur Medeiros ganharam o direito de expor uma última vez, antes da eleição que ocorrerá no próximo domingo, sete de outubro, as propostas de governo do partido. Para tal, terão o tempo máximo de 10 minutos. — O apresentador disse e eu não sabia se ficava contente ou raivoso. Não, lógico que eu estava contente por estarmos conseguindo, o povo não tinha me decepcionado mais uma vez e mesmo nas outras vezes, eu sabia que a culpa não era unicamente deles. O problema era que aquele bando de desgraçados podiam ter nos dado mais tempo. Humpf! Acarta nem era tão grande, mas deveria ser lida calmamente para a mensagem ser transmitida com sucesso. Agora me restava confiar na leitura da Mandy. Eu estava me preocupando a toa, talvez fosse apenas ansiedade. Não, com certeza era a ansiedade. Ansiedade e medo.

Notas finais
Continua...