Pregnancy Days
2 Capítulo 2 - Shut up or I won't love you anymore
Notas iniciais
Rivaille estava tendo uma noite horrível. Começara tudo com o chamado de Erwin, que queria conversar sobre alguns assuntos que não podiam ser escutados pelos ouvidos errados. Ele logo percebeu o humor péssimo de seu cabo, mas pareceu achar graça do fato.
Depois do que pareceram horas, mas que foram apenas trinta ou quarenta minutos, ele finalmente teve o prazer de voltar a seu quarto, até lembrar que ainda não havia tomado seu banho, que fora interrompido pelo louro.
*
– Espera, eu tinha interrompido o seu banho? Era por isso que o seu cabelo estava molhado? – Erwin riu-se, observando Rivaille. O cabo rodou os olhos, parecendo não achar tanta graça da situação.
– É, depois de gastar horas esperando Eren limpar direito a porcaria da cozinha – o moreno estremeceu quando seu superior o olhou de esguelha – eu finalmente voltei para o meu quarto. Hanji riu pra caramba da minha cara, ela disse que era culpa minha porque tinha mania de perfeição.
– Isso parece algo que ela diria – Armin soltou uma pequena risadinha, mas ficou quieto quando o cabo o fuzilou com o olhar. Acuado, desviou a atenção para suas mãos e nelas manteve-a, silencioso.
– Enfim, daí eu esquentei a água e entrei na banheira e depois ela bateu na porta do banheiro dizendo que você tinha mandado alguém me procurar porque precisava falar comigo – explicou o moreno, suspirando, por fim. – É, foi isso.
– Ahh, entendo – o capitão assentiu. – Bem que tinha achado estranho você com o cabelo molhado, geralmente você sempre se seca bem antes de sair.
Rivaille não se incomodou em perguntá-lo como ele sabia daquilo. Hanji devia tê-lo contado, como ela costumava fazer.
– Enfim, voltando...
*
Rivaille gastou um bom tempo esperando a água esquentar e então adentrou a banheira, irritado, e pela primeira vez a higiene pareceu-lhe um empecilho. Esfregou-se até ter certeza de que todos os germes estavam longe de sua pele de porcelana – porque, oh, se ia ter de fazer aquilo, pelo menos faria direito – e saiu, botando apenas a calça de seu pijama antes de se jogar na cama.
Hanji, cujos cabelos estavam espalhados pelo travesseiro, resmungava baixinho e ele franziu a testa, irritado por seu barulho. Fazia algum tempo que ela lhe dava noites pouco silenciosas e ele imaginava se tinha algo a ver com o bebê de seis meses em sua barriga. Tinha de admitir que ela nunca fora tão bela quanto naqueles momentos, com o grande ventre anunciando para o mundo que pertencia a ele e a mais ninguém, mas às vezes tornava-se algo extremamente inconveniente.
Puxou a ponta de seu próprio travesseiro, tampando os ouvidos. Ela estava de costas para ele, então o barulho não era muito alto, mas o bastante para irritá-lo. Demorou a conseguir cair no sono, satisfeito, ignorando que teria de acordar cedo no dia seguinte.
Tudo parecia ótimo até que aquela voz tomou seus ouvidos, interrompendo o silêncio que para ele pareceu tão curto quanto alguns minutos.
– Levi? – sua esposa o chamou pelo primeiro nome como ela não costumava fazer, o que deixava claro que ela estava querendo alguma coisa. Mas ele ignorou esse detalhe, gemendo baixinho para que a morena percebesse que não queria ser acordado.
Ela pareceu não se importar com sua irritação, o que só a tornava menos aceitável, mas ele já devia saber que ela nunca mudaria.
– Nee, nee, Levi – ela virou-se, fazendo com que o colchão fizesse um barulho irritante, e ele manteve os olhos fechados com força e a testa franzida. – Vamos, eu sei que você está acordado, Levi.
– Hm... – ele retirou lentamente o travesseiro de uma das orelhas, encarando-a irritado. Ela pareceu achar graça de seu humor tanto quanto Erwin, porque logo um sorriso se formou em seus lábios cheios. – O que você quer, caramba?
– Eu estou com um desejo – ela respondeu, observando-o esperançosa, por fim.
– Bom pra você – o cabo fechou os olhos outra vez, fazendo menção de puxar o travesseiro de novo, mas ela o deteve com a mão.
– É sério – a cientista rebateu e dessa vez sua voz soou menos divertida. Ele entreabriu os orbes inchados de sono para encará-la e suspirou ao vê-la observá-lo com seriedade. Soltou a mão da dela e passou-a pelos cabelos, resmungando baixinho antes de respondê-la.
– Tá bom, tá bom, o que você quer?
– Eu estou com um desejo – ela repetiu, deixando-o na expectativa antes de continuar. – Estou com desejo de titã.
– Você quer comer um titã? – ele a fitou alarmado. O que estava acontecendo com ela? Quer dizer, ele já sabia que ela era louca e tudo o mais, mas porque parecia que estava piorando?
– É claro que não, que ideia idiota – a resposta dela o fez irritar-se ainda mais, especialmente quando a morena rodou os olhos, como se sua pergunta fosse desnecessária. — Eu só quero um.
– Então isso não é um desejo – ele virou-se de costas antes que ela pudesse fazer algo, puxando o travesseiro de volta para o ouvido. – Me chame quando amanhecer.
– É claro que é um desejo! – foi o que ela disse, a voz soando-lhe abafada. – Eu quero um.
– Só conta como desejo se for comida e se você tiver por causa da gravidez – rebateu ácido. Ouviu-a reclamar irritada. – Até onde eu sei, você sempre quer um, então isso não conta. Agora cale a boca e me deixe dormir.
– Ahh, mas Leviiiiii... – ela estendeu o ‘i’ de seu nome, a voz manhosa, reconhecendo que irritá-lo não a ajudaria muito. – Eu ainda quero um, isso não muda nada!
– Tá, tá – ele jogou o travesseiro para o lado, virando-se para ela novamente, impaciente. – Certo, você nem pode trabalhar agora, a gente vê isso quando o bebê nascer, pode ser?
– Sério? – os olhos dela brilharam de um jeito estranho e ele percebeu que ia se arrepender daquela decisão no futuro. Mas não naquele momento, e estava com muito sono para tentar pensar com racionalidade no que estava acontecendo.
– É, é – resmungou. – Agora vamos dormir.
– Ok – ela cantarolou, aconchegando-se próxima ao cabo. Ele tornou-se consciente da barriga que batia contra seu torso e deu um sorriso pequeno, passando um braço pela cintura dela de modo protetor. – Eu te amo, sabia?
– Certo...
*
– Woow, você não disse eu te amo também? – Reiner o fitou espantado.
– Hm... – Rivaille olhou para o outro lado da sala, optando por ignorar a pergunta. Erwin riu-se, entendendo que ele provavelmente estava envergonhado demais para admitir e possivelmente estava manipulando a história. O cabo odiava como seu capitão parecia conhecê-lo tão bem.
– Quer dizer, essa maldita frase quase fez a Christa me mandar pro inferno – explicou o louro alto, apoiando a cabeça numa mão cujo cotovelo acomodou sobre a mesa de madeira, ignorando a educação e a etiqueta.
– Christa mandando as pessoas para o inferno? Conta outra – Jean riu-se, irônico. – Ela é quase um anjo, até parece que ela faria isso.
– É verdade! – defendeu-se o Braun, encarando o moreno a seu lado. — Ahh, a gravidez deixou ela muito alterada, ela queria arrancar a minha cabeça.
– Espera, essa merece ser ouvida – Bertholdt levantou as sobrancelhas, intrigado. – O que você fez exatamente?
– Bem, começou tudo com...
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