Predestinada
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Vamos lá Marjorie, você consegue.
O sr. Sullivan estava sentando de uma forma negligente em sua cadeira, mas notei que se ajeitou rapidamente quando adentramos a sala. Resolvi secar disfarçadamente o suor que grudava na palma das minhas mãos em minha calça jeans, antes de esticá-la para cumprimentá-lo.
— Boa tarde senhorita… — ele fez uma pausa, como se esperasse que eu dissesse meu nome.
— Marjorie — completei, forçando um sorriso.
Empurrei a cadeira a minha frente para sentar, enquanto Alexia fazia a mesma coisa na outra ao lado.
— Está vendo papai, eu disse que ela era e simpática — disse, acomodando-se — Ela está apta para o cargo.
Ele apenas a lançou um olhar calmo, como se pedisse caridosamente que ficasse calada.
— Bom senhorita Marjorie — prosseguiu — Minha filha Alexia contou-me que você veio de longe para estudar em Drimalia.
Pisquei algumas vezes para voltar a realidade. No momento, eu só conseguia notar como Alexia e seu irmão são idênticos ao seu pai, principalmente a cor negra dos cabelos e o olhos castanho esverdeados.
— Sim, eu consegui uma bolsa para cursar moda — respondi, percebendo tarde demais que eu poderia ter escolhido outras palavras, pois havia dito o óbvio.
— Entendo. Eu confesso que fiquei bastante impressionado em ver uma jovem tão nova sair de casa para morar longe da família e viver em um lugar desconhecido.
— É um pouco difícil e com o tempo eu consegui a confiança do meu pai — falei, recordando-me — Ele tinha em mente que era meu sonho de infância.
O sr. Sullivan coçou o queixo, pensativo.
— Então vamos direto ao ponto. Alexia ficou impressionada com um de seus desenhos, você poderia me dar uma amostra deles?
Nesse momento olhei para Alexia que segurava a pasta com meus diversos desenhos dentro. Engoli em seco quando vi uma ruga indecifrável se formar na testa do sr. Sulivan ao observar o primeiro desenho, na qual foi o mesmo que Alexia havia ficado admirada. Depois de um suspiro, ele continuou a olhar meticulosamente cada detalhe dos outros desenhos, ainda sem dizer uma sequer palavra sobre o que havia achado. Segurei o impulso de roer as unhas, enquanto observava o ponteiro do relógio dando um novo som a sala, que agora havia ficado tácita por conta da tensão que pousara no ambiente, aumentando cada vez mais o meu sofrimento.
— Então, o que achou papai? — Alexia perguntou parecendo estar impaciente também.
Ele encarou-me por um momento antes de bebericar o chá que estava em cima da sua mesa.
— Você realmente não começou a faculdade? — perguntou com cetismo.
— Não, eu começo esse ano junto com Alexia.
— Bom, eu estou realmente impressionado — remexeu-se na cadeira, afrouxando o nó de sua gravata — Você tem muito talento para a sua idade.
Sorri, sem conter a felicidade.
— Obrigada.
Ele batucou a caneta que tinha em mãos na mesa e prendeu seu olhar novamente em meus desenhos por alguns segundos.
— Eu sei o quanto você precisa desse emprego — ele fez uma pausa e encarou-me seriamente — Você precisa do dinheiro para pagar um lugar em que possa viver durante o período da faculdade, certo?
Assenti, enquanto ele suspirou e coçou a cabeça inquieto.
— Não quero que me leve a mal — disse olhando-me nos olhos — Eu realmente estou encantado com os seus desenhos e tenho certeza que seriam úteis para a agência, mas não posso simplesmente contratá-la sem ter nenhuma experiência no ramo da moda, entende?
Engulo em seco e balanço a cabeça, percebendo Alexia suspirar profundamente, como se quisesse dizer algo, mas ficou calada.
— Portanto — continuou — Acho que seria bom que a tivéssemos como uma estagiaria durante o período da faculdade.
Eu podia sentir meus olhos brilharem. Eu tive que me segurar para não colocar a mão em meu peito e suspirar aliviada.
— Eu ficaria muito feliz.
Alexia bateu palminhas e balançou as mãos em uma dancinha particular em sua cadeira, fazendo-me rir. O sr. Sullivan procurou um papel em meio as suas coisas e anotou algo rapidamente com a caneta que segurava.
— Esse seria o seu salário inicial — disse entregando-me a folha — O que acha?
O meu queixo caiu literalmente. Céus, aquilo era muito mais do que eu precisava.
— É melhor do que eu esperava, muito obrigada — falei ainda olhando para a folha, com meu peito gritando de felicidade.
— Seja bem-vinda à empresa Sullivan — Disse levantando-se e esticando uma de suas mãos para que eu apertasse.
Levantei e apertei firmemente sua mão, cada vez mais satisfeita com a história que o destino havia preparado para mim.
**
— Eu sabia que ele ficaria impressionado com os seus desenhos — Alexia falou radiante, assim que saímos da sala — Nós temos gostos em comum, então tenho certeza que ele conteve o choque só para manter sua pose de durão.
Eu ri.
— O meu coração quase saiu pela boca.
— Você se saiu muito bem, nem parecia estar nervosa.
— Aprendi isso com meu pai — falei sorridente — Ele sempre dizia para tentar esconder minhas expressões e sentimentos em momentos como esse.
— Aproveita e ligue para ele — sugeriu — Imagina só quando souber que a filha dele está trabalhando em uma agência de modelos!
— Devo isso a você Alexia.
—O mérito é todo seu, você tem talento — disse e pude ver em seus olhos a sinceridade — Além disso, é para isso que servem as amigas.
— Amigas? — ouvi alguém dizer por trás mim, fazendo-me colocar a mão no coração com o susto.
Alexia revirou os olhos assim que viramos para trás e demos de cara com Ethan, que nos olhava com uma sobrancelha arqueada e as mãos no bolso de sua calça jeans.
— Deixa eu adivinhar — coçou o queixo — Você esbarrou com ela na rua e decidiu que era perfeita para o seu grupinho “girly girls"?
Prendi o riso quando ele afinou a voz e fez aspas com as mãos para se referir ao grupo de amigas femininas de Alexia.
— Babaca — balbuciou irritada, como se ele tivesse acertado em cheio nas palavras — Eu não tenho nenhum grupinho de amigas com esse nome.
— Ainda — disse por fim — Acabei de dar a ideia de um nome que combine.
Ela cruzou os braços e apertou os olhos.
— Não venha falar das minhas amigas, pois você é o primeiro a atacá-las quando elas te dão corda.
— Eu só termino de fazer o serviço — deu de ombros.
Eu estava divertindo-me com a conversa até eles resolverem me colocar no meio dela.
— É melhor você deixá-la em paz, pois agora é a nova estagiaria da agência e não mais um motivo de diversão.
Ele riu.
— Assim você mancha minha imagem irmãzinha — disse olhando-me de cima em baixo meticulosamente — Nem passou pela minha cabeça.
Minhas bochechas pegaram fogo literalmente. Já Ethan continuava com a aquela cara de que eu sou um motivo de piada ao ficar sem graça e sem reação. O pior de tudo isso é que, eu nem ao menos conseguia dizer que mesmo que a intenção dele fosse essa, eu nunca iria lhe dar corda como as amigas de Alexia estão acostumadas a fazer. Tudo bem, eu confesso que aqueles olhos castanho esverdeado seduziram-me no primeiro momento que teve oportunidade, mas eu não seria mais uma garota a aumentar o seu ego de garanhão sedutor. Bom, se ele fizesse o favor de parar de rir com aqueles dentes venustos e me olhar com aquela cara de que é o único deus grego na linhagem mitológica grega, facilitaria — e muito — o meu psicológico sentimental.
Se controle Marjorie, se controle… — minha consciência implorava — Não degrade sua fama de menina comportada. Não se esquece que ele só é um bruto metido a engraçadinho.
— Então pare de cercá-la como um canibal! — Alexia soltou essa antes de jogar seus cabelos na direção do rosto de seu irmão e sair desfilando para a porta no fim do estúdio.
Ficamos nos encarando por um instante, sem saber o que dizer até que eu me virasse rapidamente para ir atrás de Alexia. Como se não bastasse, ele ainda segurou meu braço e impediu-me de dar sequer mais um passo. Seu rosto, que antes estava se divertindo com toda a situação, tornou-se sombrio e fechado a qualquer expressão, já os seus olhos perderam qualquer resquício de brilho momentâneo. Encolhi um pouco os ombros, querendo me defender de algo que eu nem fazia ideia do que era.
— Eu só quero deixar avisado que se você for mais uma das amiguinhas que querem se tornar a sombra ou cópia da minha irmã por interesse — olhou seriamente dentro dos meus olhos — É melhor parar por aqui.
Engoli em seco, perplexa. Demorei uns segundos para assimilar suas palavras e tentar não demonstrar a forma como eu havia ficado ultrajada com suas palavras. Ele não falaria daquela forma comigo, não mesmo. Já basta toda a cena ridícula que passei mais cedo e ele nem se quer me pediu desculpas.
— Eu não preciso ser a sombra e nem a cópia de ninguém para conseguir algo — falei enervante — A minha personalidade própria já me faz capaz de conquistar o que eu quero.
Soltei meu braço de sua mão que segurava-me com força. Fiquei mais irritada ainda ao vê-lo simplesmente rir e cruzar os braços. Que garoto sem noção. O seu rosto voltou a ter aquela expressão de antes, assim como seus olhos brilhavam resignados por ter me atingido da forma que queria.
— Seja bem-vinda querida estagiaria — disse ironicamente, ainda com um sorriso de canto — Vai ser um prazer trabalhar com você.
Ignorei seu comentário e fui embora pisando fundo.
**
Eu rabiscava traços finos em meu sketchbook, forçando-me a ter alguma nova ideia, mas qualquer desenho que vinha em minha mente era em vão. Bom, o responsável por acabar com a minha criatividade e fazer com que a cada dez minutos eu jogue uma bolinha de papel no cesto de lixo, era nada mais e nada menos que Ethan Sulivan, acompanhado de suas palavras que vinham o tempo todo em minha cabeça, desde o momento em que sai da agência e vim para o hotel com Alexia.
— Você está estranha. — ela encarava-me, percebendo o quanto eu estava inquieta — O que aconteceu?
A minha vontade era de dizer tudo o que estava entalado em minha garganta, contar sobre o ocorrido que tive com seu irmão, mas minha consciência gritava para que eu ficasse calada. Eu provaria para Ethan que não sou o que ele está pensando. Se ele acha que vou me fazer de vítima para Alexia e fazer com que eu me sinta intimidada por ele, está muito enganado. Não vai ser ele que vai me comprometer com o meu novo emprego, mesmo que tenhamos que conviver todos os dias.
— É que falei com meu pai por telefone e acabei ficando com saudades de casa — menti, apesar de ser um pouco verdade.
— Você poderia chamá-lo para te visitar qualquer dia desses.
Respirei fundo, pensativa com a sua sugestão.
— Eu já havia pensado nessa possibilidade, mas confesso que não quero que isso aconteça tão cedo — falei, sentando-me ao seu lado na cama — Eu quero encontrar um lugar para morar primeiro e mostrar ao meu pai que consigo me virar sozinha.
— Acho que no seu lugar eu faria o mesmo, mas ainda não consegui a confiança do meu pai para morar sem ele — disse, folheando mais uma vez a minha pasta de desenhos, ela estava obcecada neles — Como aprendeu a desenhar tão bem?
Nessa hora meu coração apertou, fazendo-me ficar submersa em um milhão de lembranças. Naquele momento eu parei para refletir o por que de estar ali, longe da minha família, cidade e amigos. Sim, sempre foi um sonho, mas não era apenas meu. Não era apenas um mero capricho de infância, como meu pai estava acostumado a dizer, mas era uma questão de manter acanhada a dor que levo comigo a tanto tempo.
— Com minha mãe — respondi apenas, mas Alexia resolveu insistir.
— Sério? — perguntou parecendo surpresa — Ela é formada em moda?
— Sim, ela também se formou em Drimalia a muito tempo atrás e me ensinava desde pequena a desenhar, pois queria que eu seguisse os seus passos.
— Então ela deve estar muito orgulhosa de você — disse, fechando a pasta e encarando-me— Mas você resolveu cursar moda por causa dela ou por quê também era seu sonho?
Ela mostrava a mesma expressão de todos em que eu dizia que faria moda. Todos ficavam surpresos dizendo que é algo que não combinava comigo e que eu só estava querendo fazer por causa da minha mãe.
— Eu não tinha muito certeza do que eu queria fazer — dei de ombros — Uma hora eu falava que queria ser delegada, depois veterinária e até mesmo dançarina, mesmo sem saber dançar.
Ela riu.
— Só que eu amava desenhar e amava mais ainda quando era minha mãe que me ensinava— fiz uma pausa e respirei fundo — Mas depois que ela morreu Alexia, eu não tive dúvidas que era algo que eu devia fazer, pois não era só uma paixão, mas também uma forma de estar ligada sempre a ela.
Ela levou a mão a cabeça.
—Ah meu Deus querida, eu não sabia — disse, arrependida de ter tocado no assunto.
— Não tem problema, faz tanto tempo que já estou acostumada a falar sobre isso.
Mentira, falar sobre aquilo ainda acabava comigo. Ficamos em silêncio por alguns segundos.
— E a sua família? Como ela é? — resolvi perguntar.
Pela forma como ela pareceu pensativa com a pergunta, eu deduzi que a situação também não era das melhores.
— Bom, quando eu tinha nove anos os meus pais se separaram e minha mãe mudou de país, então passei a viver somente com o meu pai e Ethan — focou sua visão em um ponto qualquer e fez uma pausa — Confesso que o divórcio dos dois foi a melhor fase da minha vida. No começo eu não entendia e chorava muito, mas Ethan sempre me consolava no final de cada briga, dizendo que tudo ficaria bem, mesmo sabendo que não ficaria. Na época ele tinha treze anos, então ele sabia o que estava acontecendo dentro de casa e que tudo era culpa da minha mãe, que só queria se aproveitar do dinheiro do meu pai com bebidas e festas e nos usava a seu favor, dizendo que sumiria com a gente pelo mundo para assustar meu pai.
Assimilei suas palavras e novamente peguei-me pensando em Ethan. Talvez, a separação dos seus pais fez com que ele ativasse esse seu modo de irmão protetor e a vontade de proteger Alexia de tudo e todo mundo que quisesse se aproveitar dela.
— Caramba, que história triste Alexia — comentei, jogando os meus pensamentos sobre Ethan para bem longe — Você tem notícias dela?
— As vezes ela liga ou vem nos visitar, mas não faço tanta questão de ser presente na vida dela, ainda mais agora que se casou novamente.
Apesar de Alexia demonstrar não se importar, eu sabia que sua mãe era uma ferida que ainda a machucava. Foi então que pude sentir que eu e Alexia temos um ponto fraco em comum diante de todas as circunstancias que nos tornavam diferentes uma da outra.
— Por quê seu pai resolveu ser dono de uma agência de modelos? — resolvi fazer a pergunta que mais martelava em minha cabeça.
— Na verdade a agência é só mais uma das heranças que minha avó nos deixou a alguns anos.
Lembei-me da conversa que escutei dela com seu pai na agência e decidi fazer outra pergunta, que apesar de já saber a resposta quando escutei os dois conversando, eu fazia questão de saber pela boca da própria Alexia.
— Então ela será passada para o seu nome futuramente?
Ela suspirou lentamente e coçou a cabeça.
— É um dos meus sonhos, mas meu pai me julga incapaz de administrar uma agência sozinha, então ele está pensando em deixar no nome de Ethan.
— E ele quer ser o dono?
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Essa é a vontade do meu pai e não a de Ethan, mas como ele sempre teve essa pose de independente e cheio de si, acabou despertando em meu pai a ideia de que ele tem mais potencial do que eu.
— Isso não está certo Alexia, você não pode dar o braço a torcer — incentivei — Se é o seu sonho e não é vontade de Ethan ser o dono, então lute e mostre que você é capaz de também ser independente.
Ela pegou o travesseiro da minha cama e colocou no rosto, mostrando sua frustração.
— Eu tento isso todos os dias Mar, está até me sufocando — falou e colocou o travesseiro novamente na cama — A verdade é que Ethan sempre foi mais responsável, maduro e eficiente. Além disso, conseguiu sua própria independência e liberdade quando enfrentou o meu pai e foi morar sozinho, sem precisar da ajuda e dinheiro de ninguém.
As suas palavras, a forma e a admiração com que ela falou de Ethan me surpreenderam. Segurei o impulso de perguntar o por que ele havia saído de casa para morar sozinho e consolei Alexia mais uma vez. A verdade é que eu podia ver potencial em Alexia, mas ela ainda parece muito insegura de si, vivendo em seu mundo paralelo e tentando chamar a atenção de seu pai de diversas formas.
— Eu te admiro muito Mar — falou encarando-me — Com dezoito anos você se mudou para uma cidade distante e entrou na universidade dos seus sonhos com o seu próprio esforço.
— Você não faz ideia de como foi difícil chegar até aqui — falei recordando-me — Se não fosse pela minha madrasta que me ajudou a fazer a cabeça do meu pai e o incentivo do meu melhor amigo para que eu não desistisse, acredito que não teria conseguido.
— Então o seu pai casou-se novamente? — perguntou, mudando totalmente o foco da conversa — Ah meu Deus, você não faz ideia de como eu digo para o meu pai fazer o mesmo.
— No começo não foi fácil ver outra mulher ocupando o lugar da minha mãe, mas Audrey foi um anjo que apareceu na minha vida e insistiu muito para ficar.
— Essa é a prova que existem boas madrastas — disse e eu assenti sorridente — E o seu melhor amigo? Era alguma paixão secreta?
Não tive como não cair na gargalhada.
— Essa é uma pergunta frequente que eu e Dylan estamos acostumados — expliquei — Bom, mas sabe qual é a verdade? Eu e Dylan nunca passamos de verdadeiros irmãos e doí intensamente saber que não vou poder vê-lo todos os dias como antes.
— Eu consigo ver isso só pela forma que você fala dele.
Suspirei. É a mesma dor de não poder ver alguém da minha própria família.
— Para você ter uma ideia — joguei-me na cama — Uma vez eu terminei um namoro de um ano por causa de Dylan e essa irmandade que temos.
Ela franziu o cenho, sem entender.
— Eu tinha uma paixão por um garoto chamado Scott Jones na época do ensino médio, mas eu nunca havia namorado com ninguém antes e por isso não tinha coragem de me aproximar — expliquei — Foi então que Dylan me ajudou como sempre fazia e fez com que Scott me notasse. Nosso namoro durou um ano, até que ele começasse a ter crise de ciúmes por causa da intimidade que eu tinha com Dylan e eu resolvi terminar de uma vez.
— Caramba, relação com ciúmes excessivo é o pior tipo de relação — comentou, levando as mão ao rosto — Falo isso por experiência própria, a maioria dos caras que namorei o término foi por conta disso.
Dei risada da forma em que ela falava de seus relacionamentos antigos. Bom, já era de se imaginar que Alexia era uma garota namoradeira, só pelo fato de ser muito bonita e carismática. Confesso que eu até tinha alguns pretendentes, mas foram poucos os que me chamavam atenção de verdade e os que chamava não passava de uma paixão boba.
A verdade é que nunca amei alguém com intensidade e para mim, existe uma grande diferença entre amar alguém ou nutrir uma paixão por ela.
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