Predestinada

1 Capítulo 01


Notas iniciais
Espero que gostem e boa leitura.

Algumas folhas secas passavam farfalhando pelos meus pés, como se dançassem em meio ao vento que ecoava por toda a cidade. Fechei ainda mais o meu casaco na tentativa de me aquecer, enquanto a geada cortava minha pele e meu coração dava cambalhotas no peito.

Eu olhava ligeiramente estrábica o ambiente a minha volta. O meu consciente alertava-me que o brilho momentâneo depositado em meus olhos entregava toda a minha felicidade, não só por estar diante da estrutura enorme a minha frente, mas também, por tornar esse sonho possível. Não era segredo para ninguém que eu, Marjorie Marie, desde que me entendo por gente, sonhei e agora idealizo o prazer de cursar moda em uma das melhores universidades de Drimalia.

É claro que, ainda na minha infância, tudo isso não passava apenas de um dos meus caprichos diante dos olhos de meu pai. Só que com o tempo, a seu ver, eu teria talento por conta dos inúmeros desenhos de roupas e coleções que eu colava na parede do meu quarto. Confesso que tive que persuadi-lo, mostrando que as faculdades de Endora não tinham — e convenhamos, nunca teriam — o mesmo patamar que a universidade de Drimalia, pois ele ainda estava relutante em deixar sua única filha, com apenas dezoito anos de idade, viver longe de casa e sem um emprego para pagar as despesas.

Bom, cá estou eu em Drimalia, longe de casa e sem um emprego.

Na minha cabeça, os meus planos já estavam todos arquitetados. Eu terminaria de resolver o restante dos documentos do curso agora pela manhã e aproveitaria o período da tarde procurando um emprego como garçonete, já que ganhei experiência durante dois anos trabalhando em um dos restaurantes da minha antiga cidade. Embora minha vontade, nesse momento, seja estar deitada na cama do hotel em que estou hospedada, tenho em mente que preciso procurar um emprego o quanto antes, pois o dinheiro que tenho não durará por muito tempo sem que eu finalmente me estabilize na cidade.

Apertei minhas pastas contra o peito e respirei fundo antes de entrar pelas portas da universidade. Apesar de eu ter ido tão cedo para resolver o restante da papelada, havia muitas pessoas na recepção, fazendo-me deduzir que eu passaria boa parte da minha manhã presa ali dentro. Algumas pessoas conversavam animadamente e pensei que um deles poderiam estar na minha turma, o que me deixou ainda mais nervosa. Eu nunca fui uma pessoa de muitos amigos, pois sempre andava acompanhada do meu melhor amigo de infância, Dylan Cohen. Agora, mas do que nunca, eu estava a sós com minha própria sombra, sendo obrigada a encarar a vida sozinha por conta dos meus objetivos.

Acordei de meus pensamentos quando avistei um carro preto estacionar próximo a entrada. Pelo jeito eu não era a única pessoa que olhava curiosamente a garota que saia de dentro do carro com um misto de elegância. O vento estava ao seu favor, fazendo com que seus cabelos negros e ondulados dançassem para trás, enquanto propositalmente um sorriso alinhado e venusto esboçava-se em seu rosto. Os seus passos pareciam ser extremamente calculados, como se mantivesse o equilíbrio em seus pés. Sua roupa, apesar de simples, gostava de chamar a atenção. A calça jeans preta combinava com sua jaqueta de couro, assim como seu batom destacava sua pele branca como porcelana.

Céus, acho que minha autoestima sumiu por tempo. O pior de tudo foi vê-la caminhar até a recepção e atrapalhar o garoto que estava sendo atendido pela recepcionista, que a deixou passar na frente simplesmente por ter hora marcada e outras coisas mais importantes para resolver.

— Nome completo e qual o curso? — a recepcionista perguntou-lhe, enquanto digitava algo em seu computador.

— Alexandra Sulivan Borman, design de moda.

O meu estupor foi inevitável. Provavelmente estaremos na mesma turma, o que eu não sabia dizer se era bom ou ruim. Em nenhuma hipótese da minha vida escolar eu cheguei a julgar uma pessoa a primeira vista sem antes conhecer e trocar alguma ideia, mas acredito que ela não seria alguém com que eu teria vontade de me enturmar. Se Dylan estivesse aqui, sem dúvidas, ele diria que ela se encaixa no time “patricinhas da moda”, que é o que ele mais teme que eu me torne desde que lhe mostrei a minha carta de aprovação da universidade. Essa nunca foi a ideia que passou pela minha cabeça em relação a moda, apesar de saber que muitas pessoas têm esse tipo de pensamento sobre ela. O meu único desejo, é um dia ser reconhecida pelos meus desenhos, para que eles possam ser materializados por agências e indústrias importantes do mercado que vestem modelos de diferentes capas de revistas.

Eu estava tão concentrada em meus devaneios que nem notei quando a garota foi embora e que a hora estava passando tão rapidamente. Em pouco tempo eu já estava do lado de fora da universidade, totalmente perdida, sem saber por onde eu poderia começar a procurar um emprego. Caminhei desnorteada pelas ruas com minha própria sombra, pastas e pensamentos até encontrar uma cafeteria próxima. Não era bem um ambiente em que eu estava acostumada a trabalhar, mas talvez estivessem precisando de alguém para servir um cafezinho. Eu jurei para o meu pai antes de ir embora de casa que não deixaria de espalhar o meu currículo por toda a cidade de Drimalia até conseguir um emprego, e é exatamente isso que vou fazer.

Acabei que fui parar em um restaurante para entregar um dos meus currículos justamente no horário de almoço. Confesso que quando entrei ali dentro minha intenção era também descolar um almoço, já que minha barriga estava se divertindo em me fazer passar vergonha na rua com suas roncadas altas. O ambiente era mediano e tão agradável com cheiro de comida que tive que me controlar para não ir direto para a parte do almoço em vez de ir até o homem que estava por trás de um galpão.

— Boa tarde — falei, fazendo-o interromper a leitura de um jornal que ele tinha em mãos — Eu gostaria de deixar um dos meus currículos aqui, pois estou procurando uma vaga de emprego e já tenho experiência como garçonete em…

— Não estamos precisando — disse e voltou a ler o jornal.

Eu quase fiquei boquiaberta diante de tanta arrogância. Quase.

— Bom, mas eu poderia deixar aqui caso vocês precisem um dia.

— Não gaste seu tempo, nós temos diversos currículos acumulados nessas gavetas com pessoas de experiência.

Droga. Que cara imbecil.

De qualquer forma, muito obrigada — agradeci em tom rude — Não pela arrogância é claro, mas por não me fazer perder tempo colocando um currículo em um lugar que não vale a pena trabalhar.

Assim que terminei de cuspir as palavras — até por que eu tenho uma dignidade a zelar — resolvi ir embora daquele lugar. Eu conseguia sentir as faíscas que saiam de seus olhos mesmo depois de ter virado as costas. Provavelmente ele matutava rapidamente uma resposta a altura das minhas acusações, então resolvi sair depressa sem lhe dar tempo de dizer algo, enquanto guardava meu currículo em uma das minhas pastas.

Bom, é claro que eu não podia deixar de chamar a atenção de todo o restaurante antes de ir embora, pois assim que estava pronta para sair pela porta, ela simplesmente se abriu e chocou totalmente contra mim, fazendo com que eu derrubasse minha pasta e espalhasse os papéis pelo chão. Comecei a pegar tudo desesperadamente e pude notar o homem se divertir com a cena com nada mais e nada menos que um sorriso estúpido e ardiloso nos lábios.

Que inferno, por que essas coisas só acontecem com você Marjorie?

Ah querida me desculpa — disse a voz feminina que foi responsável por abrir a porta no mesmo instante em que eu estava saindo — Deixa que eu te ajudo.

Ela começou a recolher os papéis e a colocar tudo novamente na pasta, mas pude notar que parou assim que pegou um dos meus desenhos de roupa na mão. Na verdade eu nem me lembrava como ele havia parado no meio de toda aquela papelada. Talvez se misturou em meio as minhas coisas para acabar com o meu psicológico, já que foi um dos desenhos que aprendi a fazer com a minha mãe, na qual faleceu há alguns anos.

Levantamos com tudo em seu devido lugar, mas ela ainda segurava meu desenho. Foi nessa hora que notei que era a mesma garota que eu vi na universidade mais cedo e ela pareceu me reconhecer também.

— Você se machucou? — perguntou franzindo o cenho.

— Não foi nada, é que eu costumo ser atrapalhada.

Ela sorriu e olhou novamente para o meu desenho antes de me devolver.

— Eu estou impressionada com o desenho, você que fez?

— Sim, obrigada — respondi sorridente — É uma das minhas paixões.

— Então temos paixões em comum, pois meu sonho é desenhar assim um dia — disse e pude perceber um lampejo em seus olhos, indicando que era realmente algo que ela sonhava — Eu vou começar a cursar moda esse ano na universidade de Drimalia e acho que já nos vimos por lá hoje.

Assenti, confirmando.

— Eu também vou começar esse ano, acho que seremos da mesma turma.

— Sério? — perguntou animada — Então você pode me ensinar alguns de seus desenhos.

Apenas sorri, lembrando-me que mais cedo eu havia dito a mim mesma que ela não era alguém com quem eu estava acostumada a me enturmar.

— Qual o seu nome querida? — perguntou colocando uma mecha de seu cabelo para trás, enquanto parecia me analisar de cima a baixo, como se estivesse me notado só agora.

Tentei não ficar intimidada. Só tentei.

— Marjorie Marie e o seu? — perguntei mesmo tendo escutado o seu nome mais cedo na universidade.

— Alexandra, mas prefiro que me chamem só de Alexia.

Ela fez um gesto negligente em minha direção, colocando um dos seus braços por cima dos meus ombros, deixando-me totalmente surpresa com sua súbita aproximação.

— Você acredita em destino? — perguntou de repente.

— Como?

Ela riu com meu espanto.

— Como se algo estivesse predestinado a acontecer.

Dei de ombros. Nunca havia parado para pensar.

— E o que você acha de trabalhar em uma agência de modelos?

Agora eu que não pude conter a risada.

— É um dos meus sonhos depois de me formar, é claro.

— Estou dizendo sobre trabalhar agora, fazendo desenhos de roupas para vestir modelos — disse sem rodeios — O meu pai é dono de uma e está sempre precisando de alguém para auxiliar nos desenhos.

Engoli em seco. Não sabia definir o que se passava em minha cabeça naquele exato momento. Por um instante cheguei a perder o ar e achei que estava tendo alucinações por conta do meu desespero em achar um trabalho. Agora eu entendia sobre o que ela queria dizer em relação ao destino. Na cabeça dela, os nossos caminhos se cruzaram justamente por que uma vaga na agência do pai dela era algo que podia ser meu depois de ter visto um dos meus desenhos.

— Não vai me dizer nada? — ela me encarava meticulosamente — Se você já tiver outro emprego e não quiser aceitar eu entendo, mas é uma oferta que eu particularmente não recusaria.

— É claro que eu aceito — respondi de imediato — É que fiquei surpresa com a oferta repentina, para não dizer emocionada.

Ela sorriu e olhou o ambiente em volta.

— Você já almoçou? Podemos falar sobre isso em quanto pedimos algo.

Olhei para trás e flagrei o homem arrogante prestando atenção na nossa conversa. Ao notar que tinha sido pego no flagra bisbilhotando, desviou o olhar rapidamente e virou a página do seu maldito jornal.

— É claro — respondi em voz alta para que ele escutasse — Mas vamos em outro restaurante, esse aqui é o pior que já vi na minha vida.

Com um sorriso satisfeito nos lábios, dei as costas e sai com Alexia logo atrás. Naquele momento eu cheguei a conclusão que poderia sim, confiar plenamente no destino.

**

— E por que mesmo já trabalhando como modelo na agência do seu pai você resolveu cursar moda? — perguntei para Alexia, entrando no elevador da agência Sulivan Model cada vez mais admirada.

— Acho que por uma questão de querer saber mais sobre a moda — sorriu — Desfilar e tirar diversas fotos não fazem com que eu me sinta realizada.

— Entendo, eu me sinto da mesma forma — falei pensativa — Não quero apenas saber desenhar, mas também quero ter mais conhecimento sobre aquilo que estou rabiscando em um papel.

Ficamos em silêncio durante alguns segundos. Desde o dia anterior, quando conheci Alexia e passamos o restante do dia conversando, eu jurei a mim mesma que nunca mais julgaria alguém a primeira vista. Eu pude ver que ela não era apenas uma “patricinha da moda”, mas também é uma garota cheia de sonhos, carisma e um coração muito bom. Essa primeira impressão que ela causa em muitos é algo inevitável, pois foi criada desde pequena como uma modelo pública na agência de seu pai e vive cercada do mundo da moda.

— Você acha que seu pai vai me aceitar mesmo sem ter começado a faculdade? — Perguntei de repente.

— Não se preocupe com isso. Hoje mesmo está tendo uma nova seleção de modelos e estamos precisando confeccionar algumas roupas para as revistas. A nossa equipe é grande e sempre tem uma demanda de novos empregados para diversas funções, por isso somos mais privilegiados que outras agências.

Eu entendia perfeitamente o que Alexia queria dizer. Minha mãe sempre me dizia isso: “Quem mais se destaca, é quem mais produz minha filha, essa é a chave para o sucesso”.

Saímos do elevador e demos de cara com uma sala agitada. Pessoas andavam se um lado para o outro e havia conversa paralela em todo o estúdio, com câmeras para todos os lados, garotas bonitas e araras de roupas. Realmente, o dia parecia estar um caos para todos ali dentro. Algumas pessoas passavam e cumprimentavam Alexia e depois a mim com um sorriso no rosto. Eu podia notar nos olhos das pessoas a forma como veneravam Alexia por ser filha do dono da agência.

— Vamos para a sala do meu pai, fica naquela porta ali — Alexia disse com o indicador em riste, fazendo-me voltar à realidade.

Assenti cada vez mais nervosa. Se eu não conseguir esse emprego a decepção será profunda e, além disso, terei que voltar a procurar um restaurante que aceite uma garçonete. Essa é a oportunidade de iniciar o meu sonho sem nem ao menos ter começado a universidade e não posso falhar agora. Andamos até a porta do escritório quando Alexia interrompeu-me e disse que era melhor que eu esperasse do lado de fora, enquanto conversava com o pai dela primeiro.

Eu concordei praticamente apavorada, pois notei que ela ainda nem havia falado com o pai dela sobre a entrevista que teria comigo. Depois que Alexia entrou, a porta do estúdio se abriu e vi novas garotas da seleção de modelos entrarem. Era garotas realmente muito bonitas, o que fazia quase impossível a escolha da melhor delas. Um homem alto, aparentemente uns nove anos mais velho que eu, conversa com elas como se estivesse instruindo cada uma sobre o que fazer.

Respirei fundo e tentei me concentrar na entrevista. Cheguei mais perto da porta e pude escutar as vozes quase inaudíveis vindo de lá de dentro, deixando claro que a conversa não fluía bem. Droga! As minhas suspeitas estavam confirmadas. Alexia não havia falado sobre mim e a tal entrevista e agora eles discutiam sobre o que fariam a meu respeito.

— Quantas vezes vou ter que dizer para não decidir as coisas por mim Alexia? — escutei a voz do sr. Sulivan perguntar exasperada.

— Eu não decidi nada por você papai, estou apenas te pedindo para dar uma chance a garota.

— Primeiro, eu não fiquei ciente sobre a entrevista marcada e segundo, você não pode querer contratar suas amigas apenas por que estão precisando de um emprego! É justamente por isso que digo que a agência não pode ficar no seu nome.

Fiquei surpresa com as palavras do pai de Alexia. Ela não seria a herdeira da agência e isso parecia mexer muito com ela só pelo silêncio que pairou lá dentro durante alguns segundos.

— Desculpa — murmurou e pelo seu tom de voz eu pude concluir que ela tinha mesmo ficado magoada — Eu fiquei impressionada com o talento dela, além disso, vamos estudar na mesma sala e acho que ela não faria bem só para a agência, mas para mim também.

— Tudo bem, eu estou um pouco estressado hoje por conta da nova seleção de modelos e acabei descontando em você — ele pareceu comovido com a reação de Alexia, para não dizer arrependido de suas palavras duras — Eu vou conceder a entrevista para sua amiga.

Encostei a cabeça na parede e fechei os olhos enquanto massageava minhas têmporas. Eu não queria escutar o restante da conversa, pois só de saber que agora eu teria que realmente impressionar o pai de Alexia para que ele não descontasse sua ira novamente nela já acabava com minha sanidade.

— O que está fazendo longe das outras garotas? — escutei alguém dizer — E por quê ainda não se trocou?

Abri os olhos e vi que era o instrutor das modelos.

— Como?

— Além disso, você não sabia que é feio escutar atrás das portas? Ainda mais a porta do dono da agência.

Aquele último comentário me deixou ruborizada. Eu já ia dizer que não estava escutando atrás da porta quando ele me puxou pelo braço em direção a sessão de fotos.

— Você vai ser a primeira — e foi então que minha ficha caiu — Mesmo que sua roupa não esteja adequada, são apenas algumas fotos para o teste.

Ele me olhou de cima em baixo, analisando minha roupa. Ok, eu concordo com ele que calça jeans, um casaco preto e tênis não era uma roupa de se usar em uma sessão de fotos, mas tudo não passava de um mal entendido.

— Acontece que eu… — tentei falar, mas ele apenas virou as costas e me deixou sozinha enquanto reclamava em meio as câmeras.

— Que droga! Aonde está Ethan? — perguntou para si mesmo, irritado.

Meu Deus, ele nem se quer me escuta. O pior de tudo é a demora de Alexia em vir me socorrer dessa enrascada que me meti sem esforço algum. Achei melhor reagir e ir atrás dele para explicar que eu não vim até para isso, mas um flash faz com que eu feche os meus olhos com força, jurando que tinha ficado cega.

Quem foi o maldito que tirou essa foto?

Abro os olhos lentamente, ainda atordoada por conta da luz. Percebo por trás da câmera um par de olhos castanho esverdeados, acompanhado de um sorriso de canto indicando que ele se divertia com a situação que havia me deixado. A minha cara de boba mostrava como eu estava intimidada ao vê-lo me encarar de uma forma tão veemente. Seus cabelos negros caiam levemente em frente aos olhos, deixando-o com um aspecto um tanto enigmático.

— Gregory, pelo jeito o dia vai ser difícil — disse, referindo-se ao instrutor na mesma hora em que eu me obrigava a me recompor — É a primeira modelo da seleção que você me traz para fotografar e ela não sabe nem se portar diante da câmera.

O rubor em minha face atingiu-me em cheio. O choque não foi apenas ouvi-lo dizer isso em alto e bom som, mas ver também as risadinhas de contentamento das outras modelos ao notar uma a menos no caminho delas.

Ok, que cena patética eu havia acabado de passar.

Eu estava pensando em dizer algo para o tal fotografo, mas as palavras faltaram. Então Alexia saiu pela porta do escritório para salvar a pátria.

— Mar? O quê está fazendo ai? — perguntou aproximando-se.

— Bom, houve um engano e eu acabei parando aqui.

— Céus, como vocês são burros — disse levando as mãos a cabeça — Mar é uma amiga minha que venho para uma entrevista de emprego e não para a seleção de modelos.

Gregory, o responsável por me fazer pagar o pato na frente de todo mundo pareceu ficar envergonhado.

— Desculpa, eu realmente pensei que você fosse uma das modelos — encarou-me — É tão nova e bonita.

— Obrigado — respondi — Não tem problema, eu não consegui te alertar.

Mentira, a minha vontade era de matá-lo ali mesmo. Ao menos ele pediu desculpas, já o tal fotógrafo continuou com aquela cara de que tudo estava muito engraçado. Como se não bastasse isso, ele ainda teve a audácia de atirar mais um dos seus disparates que soaram como um sussurro, quase inaudível para o tal Gregory quando Alexia foi procurar algo em sua bolsa.

— A coitadinha ainda é tapada — e os dois riram.

— O meu pai está te esperando — Alexia voltou, envolvendo seu braço ao meu, sem que eu tivesse tempo de dizer algo e questionar a mim mesma qual o tipo de criação que o povo de Drimalia teve, pois era uma pessoa arrogante atrás da outra que eu conhecia, exceto Alexia.

Andamos em direção ao escritório, mas não pude deixar de notar por cima de meu ombro, um olhar um tanto intimidador e curioso quando dei às costas.

O quê está acontecendo com você Mar? Parece até que se esqueceu como se deve caminhar.

— Você ainda está babando — Alexia balbuciou.

— O quê?

Ela riu.

— Ele é meu irmão.

— Mas eu não estava…

— Você estava secando o meu irmão — disparou sorridente — Não pense que eu sou boba. Eu vi como você o olhava inconformada por ter passado aquele mico na frente dele.

Engoli em seco. Eu não tenho nem a capacidade de disfarçar as minhas expressões. Se ela não tivesse me falado, eu logo notaria que eles tinham algum parentesco, pois são muito parecidos.

— Ele se chama Ethan — falou, parecendo se divertir ao me ver sem graça — É um dos melhores fotógrafos aqui da agência.

Fiquei em silêncio por um tempo, lembrando-me da forma como instigava-me a crer que ele é um bruto metido a engraçadinho.

— Caramba Alexia, além dele dizer que não sei nem me portar diante da câmera, ele me chamou de tapada — falei levando as mãos ao rosto — Tem ideia da cena patética que passei?

Ela soltou uma gargalhada.

— Bom, esse é apenas Ethan sendo Ethan, acredite.

Ela havia acabado de confirmar minhas dúvidas. Ele é realmente um bruto metido a engraçadinho.

— Você pode entrar comigo? Acho que vou me sentir mais segura — pedi assim que paramos em frente a porta do escritório.

— Tudo bem querida, eu já havia deixado avisado que ficaria aqui com você.

Suspirei aliviada e forcei um sorriso. Bati levemente na porta e girei calmamente a maçaneta com o coração na mão. Nenhum dono de restaurante ignorante, modelos e até mesmo um garoto engraçadinho me importava agora.

Cá está o meu martírio: a entrevista.

Notas finais
Não se esqueçam de clicar em acompanhar e dizem o que acharam, por favorzinho. O próximo capitulo está programado para amanhã bem cedo, com aproximadamente o mesmo número de palavras contidos nesse.