Predadora

1 Sangue que escorre...


Notas iniciais
Espero que gostem!

Afundo meus dentes em minha bolsa térmica de sangue, fazendo com que a blusa de seda branca que Jacob comprou para mim fique respingada. Decido não me importar com a sujeira, afinal, quando caçar pela primeira vez amanhã tenho certeza de que minhas roupas ficarão em frangalhos. Estou treinando para morder com força suficiente, de modo que o sangue de minha primeira vítima venha com facilidade.

Meu nome é Isabella Swan e eu fui transformada em vampira há mais de cem anos. Amanhã fará cento e dezesseis, para ser mais exata, e eu não poderia estar mais entusiasmada. Acontece que na Corporação Vampírica Inglesa, da qual faço parte, há regras dizendo que um vampiro só pode sair para caçar quando completar seus cento e dezesseis anos. Essa regra é fundamental para que o segredo de nossa existência continue protegido e para que os recém-criados e vampiros novos aprendam a ter autocontrole antes de alimentarem-se de humanos. Enquanto esperamos nosso Dia da Caça chegar, a Corporação nos alimenta com bolsas de sangue humano coletado pelos líderes vampiros mais velhos.

Tenho o privilégio de dizer que vivo em um castelo e sou uma oficial em treinamento para proteger a família real Volturi. O meu Transformador – que é a pessoa que me deu uma nova vida e que zela por mim desde então – é Aro Volturi, o próprio líder da Corporação e rei dos vampiros aqui da Inglaterra. Ele me deu um posto como aprendiz de oficial e moveu uns pauzinhos para que eu pudesse morar na sede da Corporação com ele, a família real e a nobreza vampírica. Aro diz que meu dom é importantíssimo para proteger sua família e que sou valiosa demais para ele.

Vampiros têm dons. Não todos, a minoria. E, como se eu já não fosse sortuda o suficiente, sou parte dessa parcela de prodígios com meu escudo mental que bloqueia qualquer ataque movido pelos poderes da mente. Em um ambiente cujo seus companheiros podem ler seus pensamentos, causar-lhe ilusões mentais de dor e manipular suas ações com um comando mental, o meu dom é realmente valioso.

Nesse momento, estou na sala de jogos do castelo com Jacob, meu namorado, e Bree, minha melhor amiga. Jacob é meu instrutor de luta e vem de uma linhagem longa de vampiros do sul. Bree é filha do conde Tanner e uma das garotas mais belas da corte. Minhas pernas estão enroscadas nas de Jacob e, enquanto eu devoro o sangue da bolsa térmica, ele mordisca minha orelha enviando espasmos e calafrios por todo o meu corpo – sim, eu ainda sou capaz de sentir isso. De repente o sofá de couro em que estamos é pequeno demais para nós.

— Vá com calma – ele ri, erguendo meu queixo sujo de sangue. – Pescoços humanos não são muito mais resistentes do que espuma.

Jacob teve seu Dia da Caça há quase dez anos e me dá dicas o tempo todo de como devo agir diante de minha presa. Na maioria das vezes em que ele tenta me ensinar ou aconselhar, não resisto e me enrosco nele para alcançar o que realmente quero: seus lábios nos meus e seu corpo contra o meu. Ele é muito bonito. Quero dizer, todos aqui no castelo Volturi são belíssimos, mas Jacob é bonito também por dentro. Tem cabelos e olhos escuros, queixo firme e uma mandíbula irresistível. É quase dois palmos mais alto do que eu, musculoso e mais ágil do que uma pantera. Também é meu melhor amigo, confidente e meu porto seguro. Ele não tem medo de ser honesto comigo em momento algum e me beija de uma maneira que me faria perder o fôlego se eu fosse humana.

— Conte-me de novo como foi o seu Dia – peço, beijando sua mandíbula.

— Excitante – ele ri. – Talvez um dos melhores da minha pós-vida.

Afasto-me para encará-lo.

— Pós-vida – dou risada. – Parece o rei Aro falando.

— O rei Aro não tem a sorte de poder fazer isso.

Jacob acaricia meus cabelos se inclina para me beijar. Quando me dou conta, ele já está sobre mim, o quadril entre minhas coxas e as mãos explorando minhas costas.

Alguém pigarreia e nós nos afastamos. Esqueci que Bree está aqui também.

— Se vocês vão se pegar mesmo, sugiro que procurem um quarto – ela resmunga, virando a página do livro grosso que está lendo.

Olho para Jacob com desejo, mas ele se afasta, arrumando a camisa. Há sangue em seu rosto e seu pescoço, o que me faz imaginar o quanto devo estar lambuzada também.

— Acho melhor eu ir – diz Jacob. – Turma nova de recém-criados iniciados. Sabe como é.

— Sim, mas, à noite...

Jacob sorri com malícia.

— É, Bella, à noite nós... hum... conversamos.

— Vou vomitar – murmura Bree. – E nem mesmo sou fisicamente capaz disso, sabiam? Olhem o que estão fazendo comigo, seus pervertidos.

Jacob e eu nos entreolhamos e rimos. Alguém bate à porta e entra na sala. Um oficial.

— Senhorita Swan? – chama.

Limpo a boca com as costas da mão e me coloco de pé.

— Sim?

— O rei deseja vê-la imediatamente.

Notas finais
Continuem acompanhando. Tem muito mais vindo por aí!