Preconceito
5 Tristeza e melancolia
Notas iniciais
"A leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos), geralmente, de origem desconhecida. Tem como principal característica o acúmulo de células jovens anormais na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais. A medula é o local de formação das células sanguíneas e ocupa a cavidade dos ossos, sendo popularmente conhecida por tutano. Nela são encontradas as células que dão origem aos glóbulos brancos, aos glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos) e às plaquetas."
Dino lia cada parágrafo como se levasse uma facada no coração, não queria acreditar naquilo, mas não tinha outra opção. Enquanto ia para o Japão ele lia tudo o que podia sobre a doença de seu amado, ele agora estava ficando cada vez mais nervoso. Romário e Lambo o acompanhavam em sua viagem, Romário achava triste e ele também estava preocupado com Kyoya, ele se lembrava de como era Dino antes do japonês, aquele jovem que não sabia fazer outra coisa a não ser trabalhar para ajudar a família, quando Reborn pediu para ele conhecer o décimo Vongola Dino foi para trabalho, e assim ia em todas as ocasiões que era exigida a sua presença, mas agora com Kyoya era um pouco diferente, Dino não apenas trabalhava como também se divertia. Por isso Romário gostava daquela relação, era bom para seu chefe e bom para a família, melhor do que levar Dino a casas de prostituição. Dino pouco se importava, ele queria descobrir um jeito de ajudar Hibari.
" Os principais sintomas da leucemia decorrem do acúmulo dessas células na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção dos glóbulos vermelhos (causando anemia), dos glóbulos brancos (causando infecções) e das plaquetas (causando hemorragias).Depois de instalada, a doença progride rapidamente, exigindo com isso que o tratamento seja iniciado logo após o diagnóstico e a classificação daleucemia."
Lambo voltava para a casa com um pouco de dor no coração, não queria ter ido a Itália buscar Dino, ele queria ter ficado no Japão e dado um jeito para que Hibari começa-se o tratamento, mas do jeito que conhecia o guardião da nuvem tinha certeza que ele não ia se render tão facilmente para as suplicas do menor, Lambo já tinha ideia de que quando Tsuna soube-se ia ser uma confusão então a melhor pessoa para isso era Dino Cavallonne, o cavalo selvagem, o único que pudia fazer com que Hibari voltasse a vida e aquela era a sua única esperança. Por isso tinha pegado o avião para Itália e ido falar com Dino, tudo bem que as palavras que foram usadas eram rudes e cruéis, mas ele não teve muito tempo para pensar direito, Hibari estava morrendo, o guardião mais forte de toda a família estava morrendo e ele, como guardião do trovão, não podia deixar isso ocorrer, afinal a família estava enfrentando sérios problemas com as familias da Yakuza, a máfia japonesa, e se perdessem Hibari naquele instante teriam problemas.
"Não existe uma causa única para todos os tipos de leucemias. Cada tipo de leucemia possui sua própria causa. Suspeita-se de ser causada por fatores diversos, dentre eles: herança genética, desencadeamento após contaminação por certos tipos de vírus, radiação, poluição, tratamento quimioterápico entre outros. Algumas vezes, pensa-se muito a respeito da baixa imunidade (onde células podem destruir células cancerígenas)ou alguma falha no sistema imunológico que fizesse com que alguma célula anormal não fosse destruída e se reproduzisse, dando início ao câncer. Não se pode determinar de forma exata como a leucemia se desencadeia em um indivíduo específico, mas é possível verificar através de seu próprio histórico a possível causa um hemograma para avaliar o grau de alteração nas várias séries do sangue. Dependendo do resultado, pode fazer-se necessária a internação hospitalar porque paciente com número muito baixo de plaquetas, por exemplo, corre risco de hemorragia no cérebro, nos olhos, no aparelho digestivo, ou pode precisar de transfusões. A necessidade dessa abordagem terapêutica faz da leucemia aguda uma doença mais dramática e assustadora. "
Ao ler aquela parte Dino gelou, um frio lhe percorreu por todo o corpo, aquilo estava sendo uma tortura para ele, as horas que mais pareciam eternidade, o vôo que não acabava nunca, o pensamento em Hibari, tudo parecia está contra ele naquele dia. Assim que a conversa com o Lambo havia acabado ele deu a ordem para arrumarem as coisas e irem para o Japão, Romário não se opôs a ordem do chefe naquele momento e pela primeira vez Romário pediu uma busca de tudo que podia sobre a doença de Hibari, pela primeira vez Romário assumiu seu posto não como braço direto, mas como amigo do chefe Cavallonne. Em menos de uma hora Dino já estava a caminho do aeroporto e agora lá estava ele sentado no avião lendo coisas para ajudar Hibari, a bebida que lhe era servida não era o vinho português e sim um bom café bem forte, a sua face ficava cada vez mais séria a cada parágrafo que lia, era um misto de dor, raiva e culpa. Sim, Dino se sentia culpado por deixar Hibari, até pensava que talvez Kyoya tinha ligado para pedir ajuda, mas quando souberá que estava em uma festa em negócios deve ter desistido para não estragar a noite dele, Dino não aguentava mais aquilo queria chegar logo no Japão para poder beijar e cuidar de seu passarinho que agora estava com a asa quebrada. Sentia raiva de si por não perceber que o menor passava mal e sentia raiva de Hibari por ele não ter contado quando ligou, Dino estava visívelmente confuso e perdido, nunca passou em sua mente que um dia isso podia vim a acontecer com alguém próximo então ele ainda estava em choque com tudo. Nem uma palavras era dita durante a viagem, pois ninguém ali sabia o que podia ser feito para amenizar aquela dor que sentiam.
Dino virou a folha, finalmente havia chegado na parte que falava sobre Hibari.
"A leucemia aguda é caracterizada pelo crescimento rápido de células imaturas do sangue. O tratamento deve ser imediato pela rápida progressão e acumulo de células malignas que invadem a circulação periférica e outros órgãos. Geralmente acomete em crianças, adultos e jovens."
Fechou a apostila que Romário havia lhe entregado, não aguentava mais lê-la, pois a sua mente doia e seu coração apertava cada vez mais que ele se lembrava da bentida doença, as palavras "(...)faz da leucemia aguda uma doença mais dramática e assustadora" aquilo lhe doia muito apenas de imaginar como seria o que Hibari estivesse passando, se ele estava se alimentando bem ou se estava indo ao médico naquele momento, coisa pouco provável já que o moreno odiava lugar cheio e hospital sempre tinha muita gente, e tinha os agravantes de que o Japão tinha muitos terremotos e maremotos, então ele ia fazer de tudo para poder tratar de Hibari longe do Japão, podiam até chama-lo de louco, mas ele estava muito preocupado com aquilo.
– Faltam duas horas para a nossa aterrissagem — a aero-moça avisou para os viajantes — Por favor, se preparem.
Aquilo aliviou um pouco o coração de Dino, só em saber que logo estaria com Hibari já ajudava a diminuir a dor em seu coração, mesmo que ainda faltassem duas horas.
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Tsuna estava uma pilha de nervosos, dois de seus guardiões haviam sumido, simplesmente sumido, como um deles era Hibari, Tsuna não deu muita importância dele não ter aparecido na reunião, afinal todos já estavam cansados de saber que o guardião da nuvem odiava grupos, então não era de se admirar que o japonês, mas o que lhe preocupava era Lambo, o seu guardião mais novo, desde que entrou para a família Lambo nunca havia perdido uma reunião e nem deixado de atender o telefone, no início todos acharam que ele estava numa festa mais quando se completou um dia eles começaram a se preocupar, agora já fazia três dias que não viam Lambo e aquilo deixava a todos preocupados.
Por esse motivo Tsuna tinha pedido aos seus guardiões procurarem Lambo pela cidade. E agora lá estavam eles parados em frente a mesa do chefe com vergonha de falar que tinham fracassado.
– Nós procuramos por toda a cidade, mas não o encontramos — disse o albino — Nós desculpe.
– Você tem certeza? Não há sinal dele? — Tsuna estava preocupado com o pequeno.
– Não há, é como se ele estivesse sumido da cidade — Yamamoto falou baixo, era ruim admitir que tinha fracassado.
– Tudo bem, obrigado pela tentativa pessoal — Tsuna estava cansado e triste, Lambo era como um filho para ele.
Um frio silêncio se formou na sala, todos ali sentiam falta do pequeno encrenqueiro, até mesmo Mukuro sentia uma falta daquela vaquinha que sempre tratou bem a sua representante, Dokuro Chrome. Tsuna dispensou todos para que eles fizessem o que achassem melhor o resto do dia. Quando saíram pela porta todos tomaram seus rumos e foram para suas casas descansar, haviam virado a noite a procura do menor. Gokudera e Yamamoto andavam lado a lado.
– Aonde será que ele se meteu? — disse o albino que fumava seu cigarro.
– Não se preocupe, aposto que logo ele vai está aqui e falar que estava apenas em mais uma festa — Yamamoto quis levantar o astral do albino, mesmo sabendo que poderia está mentindo.
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Kusakabe estava tento mais um ataque de nervosos, era incrível a capacidade de Hibari para dizer "não", não queria ir ao médico, não queria comer, não queria sair para ver o sol ou a lua, tudo o que ele dizia era "não", aquilo o irritava e o preocupava, desde a briga com Dino, Hibari andava triste, havia aprendido a amar aquele loiro com todos os defeitos e qualidades então, quando brigavam, ambos ficavam mal. E agora lá estava ele batendo na porta de seu chefe com uma bandeja de comida na mão e um pouco de chá.
– Hibari-sama você tem que comer! — falava o subordinado — Vamos! Coma nem que seja um pouco, por favor.
– Eu não estou com vontade — disse o moreno, que abriu a porta naquele momento — Deixe em algum canto e depois eu comerei.
Kusakabe olhou para um lado do quarto aonde ficava a mesinha, e lá estava a bandeja cheia de comida que ele tinha posto ali para o café da manhã, aquilo preocupava ainda mais o subordinado.
– Hibari-sama — fez uma pequena pausa — Você não pode se entregar a doença — disse arrumando a bandeja na mesa — Você tem que se alimentar, que tal você ir ao...
– Não! — Hibari disse deitado em sua cama — Eu não quero!
– Então deixe-me avisar pelo menos o senhor Dino, talvez ele possa...
– Não! Dino não precisa saber disso — Hibari não queria contar ao loiro que estava doente, se o visse, agiria como se estivesse tudo bem.
– Mas Hibari-sama ...
– Eu já disse que não, nem Dino e nem os Vongolas! Não quero que ninguém saiba sobre isso!
– Como quiser Hibari-sama — Kusakabe fez uma referência e sai dali deixando-o sozinho.
Hibari se levantou e andou pelo templo, tudo o que ele tinha se resumia a o templo e Dino, talvez Dino não contasse, pois sabia que nesse momento Dino podia está sendo assediado por vadias italianas, aquelas mulheres com geito frágil e safadas que gostam de dar em cima dos homens alheios! Desde que conhecerá a sua tia tomou horror a mulheres fingidas, não tinha nada contra garotas, mas ele odiava aquelas vadias! Lembrava-se que quando foi expulso de casa sua vó, por parte de mãe, o levou para o templo dizendo a os outros que iria livra-lo daquelas "impurezas", mas o que sua vó realmente fez foi cuidar dele e ficar ao lado dele protegendo de Takahiro. Como ela era saserdotisa do templo quando morreu deixou ele cuidando de tudo, talvez Seja por esse motivo que ele sempre teve paciência com a Chrome, ela o lembrava a avó que sempre foi boa com todos, mas apenas tinha paciência nunca foi segado a ilusões e odiava qualquer um que fazia aquele tipo de coisa, mas achava que ela estava sendo enganada pelo Mukuro, então o que sentia realmente era pena e achava engraçado ela manter confiança naquele cara. Parou de andar na varanda e olhou para o céu azul.
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Já era noite quando Dino chegou no templo onde Hibari morava, as lanternas estava apagadas o que deu a impressão de abandono e descasso do morador, o que deixou Dino desconfiado de tudo, afinal Hibari nunca ia deixar de cuidar de sua casa. Deceram do carro Dino, Lambo e Romário para vê o que estava acontecendo, se depararam com as portas entre abertas, outra coisa estranha, e entraram na casa escura e fria.
– Kyoya — Dino chamou o nome do amado baixo, pois anos atrás Hibari disse que não queria gritos no templo — Você está aqui Kyoya? — falou novamente baixo entrando cada vez mais.
Andaram pelos corredores até Dino resolver ir para a varanda procurar Hibari, mas quando chegaram lá Dino entrou em pânico. Hibari estava no chão, desarcordado e gelado. Dino correu para perto dele e o segurou nos braços enquanto Romário checava os pulsos do moreno.
– Ele está vivo — Romário disse ageitando os óculos.
– Kyoya vai ficar tudo bem — Dino dizia para si mesmo, ele estava tentando se convencer que não ia da nada errado — Vou cuidar de você agora.
– Hibari-san ... — Lambo podia ser uma criança perto deles e talvez nem ao menos sabia a gravidade do problema, mas ele sabia que aquilo ia acabar com a família.
– Vamos leva-lo ao hospital mais próximo senhor — Romário sugeriu tentando não parecer indiferente aquele momento tão triste.
– Tem razão Romário — Dino levantou com Hibari nos braços e vai andando pela porta da frente — Vai ficar tudo bem — repetia.
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