Preconceito
6 Obrigações
Notas iniciais
Mas um capítulo tarde da noite ^^
Acho que me tornei uma corujinha ^^'
O Sol entrava pela janela aberta iluminando o quarto e trazendo consigo uma brisa leve e refrescante que acolhia o acompanhante de forma tranquila. O jovem loiro que ali, ora estava andando pelo quarto, ora ficava sentado. Quem o visse naquele momento ia perceber que ele tivera uma péssima noite de sono. Mas a verdade era que Dino não havia nem sequer dormido de tão nervoso que estava. Os vários copos de café que havia bebido para se manter acordado estavam espalhados pela mesinha ao seu lado. O motivo para ele estar ali era seu amante, que dormia na cama completamente dopado. Dino não acreditava em seu azar e se arrependia por deixar Hibari sozinho no Japão; "Se eu tivesse insistido mais ele estaria consciente agora” era claro que Dino se culpava por aquilo e pensava em milhares de formas para levar Hibari a um tratamento na Itália, não importando o quando custasse!
- Vai ficar tudo bem, Kyoya — murmurou ele enquanto acariciava o rosto do japonês.
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Romário esperava do lado de fora com outros subordinados do loiro. Era claro que depois de tanto tempo, seus subordinados soubessem sobre seu relacionamento com o Guardião da Nuvem dos Vongolas. Foi uma grande dor para todos quando foram informados sobre o ocorrido. Era triste pensar que talvez o chefe da família Cavallonne nunca mais voltasse a sorrir. Todos ali sabiam que Dino Cavallonne era um homem frio e cruel, que honrava as suas negociações, mas não perdoava traições. Quando Dino começou a se envolver com Hibari Kyoya, as coisas melhoraram um pouco. Ele parou de ser tão rígido e ficou amável com todos. Mas agora aquela alegria que havia aparecido talvez se extinguisse para sempre.
- Romário! — Um homem de cabelos castanhos e um belo terno negro amarrotado vinha correndo naquela direção.
Romário encarou o jovem e viu que com ele estava acompanhado de outro. Todos estavam cansados de correr e apavorados. Alguns até o olhavam de forma incrédula. Soltou um suspiro cansado — já que não havia dormido a noite inteira — e tentou sorrir para os Vongolas, algo impossível na ocasião em que se encontrava.
- É verdade? — As palavras do chefe Vongola saíram como as de uma mãe desesperada para ter notícias do filho sumido.
Romário não precisou falar nada. Apenas balançou a cabeça afirmativamente e encarou os "garotos".
Aquela ação foi o suficiente para que todos ficassem pálidos. Gokudera, o Guardião da Tempestade, praguejava em sua língua natal; o guardião da Chuva perdia o belo brilho que existia em seu olhar e sentava-se na cadeira ao lado do guardião do Sol, que por sua vez repetia as palavras: "Triste ao extremo" enquanto observava o chão. Mas era a expressão de Sawada Tsunayoshi, o Guardião do Céu que mais chamava a atenção. Suas feições eram um misto de tristeza e incompreensão, o que era aceitável pelo fato daquele garoto ser o líder da família. Ele sentia-se responsável pela dor de seus guardiões, querendo ou não.
- Qual é o estado dele? — As palavras do Guardião da Tempestade eram melancólicas. Como Braço Direito do Chefe, ele sabia melhor do que ninguém: Tsuna não estava em condições de falar.
- O médico disse que por enquanto seria melhor ele ficar em observação até poderem saber qual é a gravidade do problema — Romário não gostava de tocar naquele assunto, mas os Vongolas deviam saber sobre, afinal Hibari ainda era um deles.
- Entendo... — A voz do jovem Chefe Vongola saia de forma dolorosa — Há alguma coisa que possamos fazer?
- Não, só esperar — A voz vinha do quarto, um homem loiro saia naquele momento — Não podemos fazer nada — O loiro estava em uma situação digna de pena. Por mais incrível que pareça, Dino Cavallonne estava infeliz. Ele não tinha mais aquele brilho aconchegante no olhar e nem sua voz saia de forma viva.
- Isso é loucura! — Exclamou o jovem Vongola — Não podemos deixar o Hibari desse jeito e não fazer nada para ajudá-lo!
- Concordo com você — A voz fria do homem moreno ecoou por todo o corredor — Mas aí é que está o problema: o que podemos fazer? — Reborn não admitia fraquezas, mas até mesmo ele sabia que em uma situação como aquela, se devia pensar sobre o assusto e não perder a calma.
Não havia vida naquele lugar. Todos só pensavam no Guardião da Nuvem, que dormia no quarto ao lado e como eles poderiam ajudá-lo, sendo que não havia formas de auxiliá-lo.
Como era de costume do hospital, os médicos faziam visitas aos quartos de seus pacientes e davam conselhos para a família responsáveis pelo enfermo. O médico responsável por aquela área era Misaki Kobuia. Misaki era um homem de trinta e nove anos, mas a sua idade não demonstrava a sua verdadeira experiência naqueles casos. Quando viu toda aquela gente reunida, soube que teria um dia cheio. Aproximando-se do quarto, passou por todos e abriu a porta sem dar explicações. Ele demorou quinze minutos lá dentro e quando saiu, tinha um ar triste.
- Vocês estão acompanhado esse paciente? — Por mais que ele tivesse um ar jovial em seus olhos, sua voz apresentava seriedade e frieza.
- Somos amigos dele — Tsuna disse levantando-se para comprimenta-lo, mas o médico não apertou sua mão e nem sorriu — Como ele está?
- Há três coisas muito importantes que devem saber agora — O doutor olhou para cada um com um semeblante sério. Ele sabia melhor que ninguém que não havia trabalho pior do que o portador de más notícias.
- Então me diga, por favor — O castanho suplicava por respostas.
- A primeira coisa é: Vocês sabem se há algum caso de leucemia na família do paciente? — A voz do médico saia quase robótica. Toda aquela burocracia que ele havia aprendido na faculdade era realizada com perfeição.
- Não — Dino sentia-se um completamente miserável por não saber algo como aquilo — O pouco que sei, duvido que seja suficiente — Era verdade. Dino havia pesquisado algumas, mas com certeza não eram satisfatórias.
Misaki suspirou fundo e por um breve momento permitiu-se ter pena daquele jovem que provavelmente já estava condenado.
- A segunda coisa é: O tratamento vai ser caro. Como geralmente é a família que faz isso...
- Dinheiro não será problema, doutor! Isso eu posso lhe garantir — Dino interrompeu a fala do médico com determinação. Se existisse uma chance de salvar o seu amado, ele pagaria sem pensar duas vezes.
- Então devo informar ao senhor os hospitais capacitados para tal? — Misaki encarou Dino. Aquela era mesmo uma situação delicada.
- Isso seria de grande ajuda, se o senhor puder... — Tsuna interveio. Hibari pertencia a sua família e ele também ajudaria no tratamento.
- Irei mandar a enfermeira lhe dar a relação dos nomes então — Misaki sorriu satisfeito com aquele belo ato — A terceira coisa é a mais complicada, pois não adianta tratar do paciente apenas, há também o fato dele querer viver.
- Desculpe-me pela ignorância, mas poderia explicar o que você disse? — Aquilo foi um espanto para Dino e seus subordinados.
- Estou dizendo que muitas doenças se agravam por causa do estado emocional do paciente; são várias como: hipertensão, sopro, diabetes entre várias outras. E o câncer não é diferente — Todos viam que o médico tentava usar palavras doces para explicar a situação do jovem japonês — Então às vezes é necessário o paciente ter alguma motivação para continuar a viver, senão o tratamento não irá adiantar.
- Pode deixar, nós vamos fazê-lo feliz — Tsuna sorriu e com resposta de sua decisão, o médico esboçou pela primeira vez, durante toda a conversa, um belo e verdadeiro sorriso.
- Bom, se me permitem, devo cuidar de outras coisas — O doutor se despediu e foi em direção ao outro lado do corredor.
Dino e Tsuna conversaram sobre as despesas dos hospitais e combinaram de fazer um revezamento nas contas (Dino pagaria uma vez enquanto Tsuna pagaria na próxima e assim sucessivamente). Quando ambos os lados estavam satisfeitos com o trato, Tsuna tocou em um assusto delicado. A família de seu guardião da nuvem. Todos ali sabiam muito pouco sobre os parentes do guardião mais forte dos Vongolas.
Tsuna tinha meios de conseguir a localização da família e Dino queria estar com ele quando o encontro acontecesse, um ponto que todos concordaram. Após os acordos de financiamento e do encontro com a família, Dino explicou melhor a situação do seu amado guardando para si as coisas que ele achava trival ou muito pessoal; os Vongolas debateram e às vezes até se confundiram com certas coisas, mas Dino teve a calma e paciência de explicar tudo.
Lambo — que não havia chegado junto da turma — apareceu por volta do meio dia com alguns obentos para todos, cujo tinha apenas o principal: arroz, peixe e macarrão. Não foi o melhor almoço da vida deles, pois poucos conseguiram comer tudo, mas Lambo estava feliz por ter ajudado.
Por volta das duas horas da tarde, Hibari finalmente acordou, fazendo um verdadeiro alvoroço entre seus "companheiros". Depois de responder milhares de vezes "Estou bem", pediu para falar com Dino em particular, desejo que foi realizado quase instantaneamente.
- Kyoya — Dino não contendo sua alegria, abraçou o mais novo dando-lhe beijos no rosto, sem se importar com o possível castigo.
- Quem me trouxe para cá? – Hibari, mesmo recebendo carinho e afeto, não entendia o que estava acontecendo, embora ele já tivesse uma vaga ideia de tudo.
- Lambo viajou até a Itália e me contou sobre a sua situação — Dino falou o suficiente. O loiro conhecia muito bem o mais novo e sabia que ele já devia ter previsto o que tinha acontecido.
- Há mais alguma coisa que queria fazer? — Hibari não ousava encarar Dino. Feria o seu orgulho de carnívoro.
- Kyoya, sobre o tratamento — As palavras que Dino tinha escolhido com tanto amor e carinho simplesmente haviam sumido — Eu quero dizer que não precisará se preocupar com isso.
- Eu não quero — As palavras do doente saíam com força e frieza.
- Hibari! — Pela primeira vez em anos, Dino elevou o tom com seu amado — Não quero que você morra sabendo que eu podia fazer algo para impedir! Então deixe de ser tão egoísta e coopere! — Dino saiu do quarto batendo a porta, deixando Hibari para trás.
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O caminho de volta para o hotel onde se hospedaria foi tranquilo. Enquanto estava no carro, Dino pensava em tudo o que havia acontecido nas últimas semanas e as suas possíveis soluções. Era claro para ele que Hibari resistiria até o último momento a ideia do tratamento, mas depois daquela conversa "amável", Hibari faria sem nenhum problema ou sacrifício. Afinal, ele não ia ver muitas pessoas e poderia ter um dia tranquilo no hospital. Mesmo que aquilo partisse seu coração em milhares de migalhas, Dino aceitava o sacrifício de ver seu amado Guardião da Nuvem internado.
- Chegamos, senhor — O braço direito dos Cavallonnes tentava ser cordial com seu chefe.
— Obrigado — disse Dino, enquanto descia do carro e entrava no hotel de luxo.
Não havia nada de diferente dos outros milhares de hotéis que Dino Cavallonne já conhecera. O hall da entrada era lindo e muito bem iluminado. As paredes eram decoradas por quadros espetaculares e o tapete era tão fofo que nem parecia estar andando sobre o chão duro. Dino se perguntava se era certo gastar tanto dinheiro num hotel daqueles, enquanto milhares de pessoas morriam por coisas mais graves e lhe doeu o coração ao saber que um dia ele foi uma dessas pessoas.
Enquanto ia para seu quarto, teve a leve impressão de que era um incompetente como Hibari vivia falando. Mas não deixou tal coisa o abalar, balançando a cabeça e seguindo em frente. Seu quarto estava arrumando de forma simples e elegante. Não quis ficar enrolado, tomou um banho e deitou, dormindo logo em seguida.
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- Tem certeza disso, Tsuna? — Os olhos de Dino brilhavam tamanha a felicidade que sentia — Tem mesmo?
- Sim! Passei a noite aqui e o médico acabou de me informar sobre isso- Tsuna estava radiante. Havia passado a noite em claro e quando recebeu a notícia, correu para contar logo a Dino — Ele pode sair amanhã cedo!
- Obrigado, Tsuna — Dino não continha sua felicidade — Estou indo agora mesmo!
- Não! — Exclamou o jovem Chefe Vongola, mas não tardou em explicar-se — Você precisa descansar, Dino-san. Passou muitas noites em claro e não se alimentou adequadamente. Acho melhor você só vir para cá quando estiver descansando, e mesmo assim, quem passará a noite aqui será um dos meus! — Tsuna não queria mais ninguém doente e tinha certeza absoluta que seus guardiões não iam se importar com isso.
- Tudo bem então, Tsuna — Um alegre e carinhoso sorriso se formou no rosto do Chefe Cavallonne. Ele sabia que Tsuna também se preocupava com sua saúde e para não contrariá-lo, aceitou sua oferta — mas irei passar ai pela tarde apenas para saber.
- Hay — Tsuna desligou o telefone mais tranquilo. Aquela boa notícia havia feito seu coração, já abalado pela doença, saltitar de felicidades.
Dino saiu gritando do quarto por sua felicidade e contando aos seus subordinados a boa nova. Aquilo ia fazer todos felizes e acalmaria o coração de muitos.
Nas horas que se seguiram, Dino não continha sorrisos e até parecia que toda a recomendação do jovem chefe Vongola não fizera efeito no "maduro" chefe Cavallonne. Dino não havia comido direito e nem adormecido para descansar da viagem. Era lógico que havia dado folga para seus subordinados que amavam vir ao Japão, mas isso não o impedia de ficar andando de um lado pelo outro no quarto ou olhando a todo o momento seu relógio de pulso.
Quando estava quase no horário de visitas, Dino já estava parado ao lado de Tsuna olhando para a porta. Como Tsuna havia tornado-se um mafioso conhecido — e temido — foi fácil para Dino entrar naquela área e ganhar minutos extras com o seu amado sem ser interrompido.
Dino entrou no quarto e viu Hibari olhando para a janela, especificamente, para o seu belo canário que voava ali perto. Dino tinha que admitir. Hibird era o pássaro mais esperto que já havia visto.
- Está tudo bem, Kyoya? — Dino sorriu mesmo sabendo que o outro ainda estava zangado pelas brigas recentes.
- Sempre achei incrível esse seu lado — Hibari falou ainda sem desviar a atenção do pássaro.
- Como? — Dino não sabia o que aquilo podia significar.
- Você sempre conseguiu se fingir de bonzinho, mas no fundo é um carnívoro tão cruel quanto eu — Hibari encarou Dino e completou em sua mente: "Talvez seja por isso que eu tenha gostado de você".
- Obrigado pelo elogio — Dino estava feliz por ter recebido tal coisa de seu amado -, mas ainda não compreendo o que quer dizer com isso.
- Sente-se. — Ordenou o mais jovem — Vou lhe contar sobre minha família e não desejo repetir.
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