Preconceito
3 Lembranças
Notas iniciais
Desculpem a demora para atualizar isso, houve um problema com a minha criatividade essa semana então se ficou ruim culpem ele, acho que ela só volta depois do natal xD
Romário estava parado em frente à porta de seu chefe. Ele estava nervoso e preocupado já que fazia dias que Dino não perguntava ou tocava no nome do guardião da nuvem dos Vongola, coisa que não era o natural do loiro. Dino estava sempre falando algo sobre o pequeno e fofo Kyoya. Bom, pequeno ele não era e nem fofo, Romário achava, mas o braço direito sabia que Dino não era pessoa de falar defeitos dos outros então aceitava os comentários românticos de seu chefe. Mas agora já estava ficando preocupado, não era apenas Dino que o deixava nervoso e sim o fato de dias atrás ele havia recebido uma ligação de Kusakabe, subordinado e braço direito do amante de Dino, dizendo que Hibari estava estranho e perguntando se eles haviam brigado, coisa que Romário não soube responder. Por isso ele se preocupava tanto com seu chefe, ele não queria que a alegria dele se fosse. Ouvindo um baixo "Pode entrar" Romário entrou no escritório do loiro.
– Bom dia senhor — Romário fez uma leve reverência e olhou para seu chefe.
– Bom dia — o ânimo de Dino não estava muito bom.
Para falar a verdade fazia três semanas que o Chefe dos Cavallone não sorria. Três longas semanas com dúvidas em sua mente sobre o seu amado Kyoya. Romário percebia o conflito em seu chefe, ele via isso em sua face e queria fazer algo para melhorar o humor do loiro, mas a única coisa que saiu de sua boca foi:
– Você não ia ligar para ele? — Romário se lembrava da noite de três semanas atrás que Dino disse que ligaria para Hibari.
– Tudo bem — Suspirou e pegou o telefone — Alô, Kyoya?
xxx
Hibari estava calmo, afinal não era a primeira vez que ele ficava doente então não achava que aquilo era motivo para se preocupar, por isso, achava uma completa idiotice Kusakabe ficar nervoso e preocupado com aquilo, ele não ia morrer por uma coisa tão banal. Escutou o telefone tocar e reconheceu o número, uma parte sua não quis atender, mas resolveu dar uma chance ao loiro e ouvir a besteira que ele ia dizer, mesmo já sabendo que ia ser algo idiota.
– O que foi, Cavallone? — Hibari disse indiferente deitando em sua cama.
–Eu apenas liguei porque eu quero saber... como você está? - estava preocupado com o namorado, sempre foi cuidadoso e se algo acontecesse a ele Dino não ia saber o que fazer.
– Eu estou bem — Hibari mentiu, mas ele realmente não queria falar que estava doente, seu orgulho não iria permitir isso. — Se era apenas isso vou desligar.
– Não! -Dino falou rápido e eufórico -O verdadeiromotivo de eu ter te ligado é que eu quero falar sobre aquilo– a voz do loiro ficou mais contida e Hibari podia jurar que o loiro estava triste, conhecia muito bem o seu amante.
– Eu não quero falar sobre isso, Cavallone! — Hibari se irritou odiava aquele assunto.
–Por que não? Por que eu não posso saber sobre a sua família? - ele estava irritado. Desde o início do relacionamento deles Dino tentava, inutilmente, fazer com o que o moreno contasse sobre a sua família -Hibari já estamos juntos há dez anos. Dez anos!
– E daí? — Hibari falou com a sua habitual frieza.
–E daí? Kyoya! Isso não é um simples caso então acho que já está mais do que na hora de conversamos sobre isso -Dino tentava contar a irritação presente em suas palavras, mas ficava cada vez mais difícil de conter.
– Cavallone, você sabe que eu odeio falar sobre a minha família. — Hibari tinha seus motivos, motivos para não falar a verdade a Dino, tudo o que ele menos queria era ver o loiro irritado com algo como aquilo.
–Eu sei Kyoya. -Dino soltou um suspiro abafado -Eu só achei que você e eu... Sabe? ... Poderíamos contar segredos uns para os outros. -Dino sorriu triste, odiava brigar com o moreno.
– Você pensou errado Cavallone. — Hibari simplesmente detestava tudo o que tinha haver com a sua família e não estava a fim de continuar aquela conversa.
Uma longa pausa se vez entre o casal. Hibari estava tendo um mês problemático e Dino estava brigando com ele ainda por cima? Francamente, aquele loiro não tinha mesmo ideia do que estava fazendo. O Chefe dos Cavallone soltou outro suspiro antes de continuar a falar, mas como ele desejava nunca ter dito nada...
–Kyoya, aquela mulher que apareceu no aeroporto e... -fez uma pausa curta -ela tem algo haver com isso?
As palavras do loiro foram como uma facada em Hibari, o moreno sabia que o loiro apesar de parecer idiota era mais inteligente e capaz do que qualquer um que já vira — menos Reborn, mas isso era outro caso — e ele, também, sabia que quando Dino cismava com algo era impossível tirar da cabeça dele, afinal foi por conta dessa teimosia que eles haviam feito primeira vez.
– Dino, faça o que quiser só me prometa que nunca chegará perto dela. — Hibari não estava com raiva de Dino por ele ter perguntado sobre Sakura, mas ele estava preocupado com o loiro, pois sabia o que aquela mulher podia fazer.
–Por quê? O que você está me escondendo Kyoya? -Dino notou que Hibari ficou mudo, mesmo assim ele continuou. -O que ela pode fazer? Por que tem tanto medo?
– Não é esse o motivo — Hibari tentava não se zangar com o loiro, uma discussão não ia ajudar. — Eu só quero que você me prometa que ficará longe daquela mulher.
–Porque tem tanto medo dela Kyoya? O que ela te fez? -Dino praticamente implorava por respostas que, certamente, nunca virão. -Eu apenas cumpro essa promessa se você me contar sobre a sua família.
Uma nova pausa foi feita e ambos refletiram sobre tudo o que tinha ouvido antes. Algumas lembranças passaram na mente do loiro, e algumas lembranças não tão boas estavam na mente do moreno.
– Não da para conversar com você, Cavallone. — Hibari disse aquilo muito irritado.
–Se é isso o que você acha Kyoya, podemos dar um tempo -Dino não queria falar aquilo, ele odiava a sensação de estar sem o seu amado, mas pelo visto não tinha outra maneira.
– Faça o que achar melhor — Hibari não queria falar aquilo, mas seu orgulho não ia permitir contar a verdade.
–Sabe Kyoya, eu sempre gostei de você -Dino começou a falar calmo -Quando eu te via dormindo no telhado da escola te achava lindo -Dino era um romântico de coração.
– Era só isso que você queria falar? — a voz fria do japonês não se comparava com a dor que ele sentia em seu peito.
–Eu te amo Kyoya, é tão difícil entender isso? -Dino estava triste, algo dentro dele dizia que aquela séria a última vez que ouviria a voz do seu amado.
– Já acabou? Boa noite Cavallone. — Hibari desligou o telefone, mas não de forma rude e sim com delicadeza, sua educação não ia deixar que destratasse Dino.
Ficou deitado em sua cama por um tempo, não sabia o que fazer com aquele loiro estúpido. Foi enquanto pensava nele que alguém bateu em sua porta.
– Entre — Hibari continuou deitado olhando para o teto.
– Eu vim saber se o senhor precisa de algo — o subordinado de Hibari estava preocupado com o chefe e é claro que ele também ouviu a pequena briga do casal.
– Eu não preciso de nada, a não ser se você me trouxer a cabeça de um loiro idiota, mas nada que você me ofereça vai me fazer feliz. — Hibari falou tão friamente que se não fosse seu braço direito ali parado na porta tomaria um susto.
– Você sabe que não estou falando disso — Kusakabe tentou não parecer triste pelo fora que havia levado.
– Eu me sinto bem. — Hibari sabia que Kusakabe nunca o deixaria em paz se adoecesse.
– Tem certeza? Se o senhor me quiser posso chamar um médico irmão de um amigo meu, ele é um bom médico... – O braço direito tentava convencer Hibari a ir ao hospital.
– Eu já disse que estou bem, não se preocupe — Hibari tentava tranquilizar o seu mais fiel subordinado — Agora saia.
Hibari não precisou repetir. Em menos de 1 minuto, Kusakabe já estava fora de seu quarto.
xxx
Após a conversa com o moreno Dino estava exausto, todos os subordinados percebiam a melancolia que estava pairando sobre o chefe da família Cavallone. E nada que alguém podia fazer ia melhorar o astral do loiro, Dino realmente estava bravo com o seu Kyoya.
Nem uma palavra sobre o moreno foi dita por dias. Durante todo aquele período, Dino apenas fazia seu trabalho como um robô, não havia risos naquela casa, a felicidade do chefe da família Cavallone não existia mais, ela tinha ficado no Japão com o frio moreno de olhos negros.
– Vai querer alguma coisa senhor? – Romário perguntou enquanto o seu chefe tomava chá.
– Não, eu já estou satisfeito Romário. – Dino começou a ler os jornais.
– Sabe chefe, faz anos que eu cuido de você e dessa família e acho que você está exagerando quando disse aquelas coisas para Hibari. – Romário olhava com um semblante serio para o menor, não queria que seu chefe ficasse chateado, mas não tinha outra escolha.
– O que você quer dizer com isso? – Dino encarou o mais velho por mais tempo.
– Quero dizer que talvez Hibari tenha bons motivos para não ter contar sobre a sua família. – Romário não sabia muito sobre o passado do moreno, mas talvez soubesse mais do que o próprio Dino. – Afinal para esconder uma coisa dessas deve se ter ótimos motivos.
– Mas nós somos namorados, ele devia me contar quando algo o perturba! – Dino estava nervoso e ia acabar descontando tudo em cima de seu subordinado, afinal ele tinha motivos para ficar daquele jeito.
– Talvez seja doloroso para ele chefe. – Romário tentava ajudar o jovem Dino – Todos nós temos algo no passado na qual não nos orgulhamos então deixe ele, quando estiver pronto ele vai contar.
– Mas eu já esperei dez anos! Dez anos! – repetia Dino confuso e irritado. — Eu sempre esperei que ele estivesse pronto, sempre deixei ele à vontade, mas eu realmente quero saber sobre isso.
– Senhor... — Romário estava espantado pelo comportamento do chefe.
– Romário eu sei que talvez você possa estar certo, mas eu apenas quero que ele se sinta seguro para falar sobre isso comigo. — Dino já havia pensado sobre aquilo, sabia muito bem que corria o risco da família do moreno não ser agradável, mas ele desejava saber — Eu não quero ver o Kyoya sofrendo e eu não posso fazer nada. — fez um silêncio e recomeçou. — eu quero cuidar dele e para isso preciso que confie em mim.
– Eu entendo chefe. — Romário se levantou e vez uma pequena referência indo para a porta, mas antes de se retirar disse — E o que pretende fazer com essa informação?
Dino gelou, ele nunca pensou como ia reagir com relação à história de Hibari. Ele achava que talvez a história séria trágica, mas quem sabe o que Hibari esconde seja bem mais do que um passado trágico e horrendo?
Dino deitou no pequeno sofá em seu escritório e pensou no Guardião da Nuvem. Ele se lembrava de que quando conheceu o menor achou o seu olhar frio e sombrio, mas foi vendo um garoto extremamente encantador. Hibari gostava de dormir no telhado, seu passarinho de estimação era muito fofo e tinha um jeito feroz de lidar com as coisas. Quando eles começaram a treinar, Dino pensou que japonês não passava de uma fera que precisava ser domada, mas aquilo séria hipocrisia afinal ele era o corcel selvagem da família Cavallone, então passou a vê-lo como um amigo que era tão livre quanto ele. Por esse motivo ficou surpreso quando se beijaram acidentalmente, mas tinha que admitir ele tinha amado e queria mais do que um beijo. Tudo bem que aquilo era muito imoral, mas que se exploda o mundo com as suas normas, ele tinha gostado e ia conseguir mais do que um simples beijo. Olhando agora para o passado achava graça de seus atos infantis, mas não reclamava afinal, Kyoya agora era seu.
xxx
– Eu já disse Tsunayoshi, eu não vou a festas. — Hibari estava recusando mais um convite de baile da família Vongola.
–Mas Hibari-san vai ser divertido. -o décimo Vongola tentava fazer com que o mais forte guardião saísse de seu casulo particular. -E você pode trazer quem quiser.
–A minha resposta ainda é não. — Hibari havia aprendido a respeitar o décimo Vongola, mas não iria as festas dadas por ele.
– Tudo bem então. -Tsuna não ficou triste com a recusa, já estava acostumado às excentricidades do Guardião da Nuvem. -Espero que esteja tudo bem aí, ou você precisa de algo?
–Eu não preciso de nada, fique tranquilo. — Hibari tentava ser educado e achava até engraçado o fato do menor se preocupar tanto com todos.
–Hibari lembre-se: nós somos a sua família e vamos está sempre aqui quando você precisar. -Tsuna não sabia o que estava acontecendo, mas a sua hiper intuição lhe dizia que algo ruim estava para acontecer. Após essas palavras o décimo Vongola desligou deixando Hibari ouvindo o canto de seu pássaro.
Uma estranha lembrança veio na mente do moreno, ele se lembrou de sua mãe, a única mulher que ele amou na vida, afinal, ela sempre o tratava com carinho e doçura, às vezes ela cantava para ele. Mas também se lembrou de Dino, ele sabia tudo sobre o loiro e talvez o cavalo selvagem precisasse saber um pouco sobre seu passado. Ele fora gentil consigo e Hibari realmente se sentia mal escondendo isso de Dino. Foi então que uma ideia, um pouco absurda, se formou em sua mente. Na próxima vez que Dino estiver no Japão Hibari contaria a ele sobre sua mãe.
xxx
Dino estava em um salão cercado de gente, ele estava em uma festa beneficente para as vítimas do furacão no Haiti, havia ido ali por que Romário tinha insistido para ele ir, coisa que ele havia recusado até o último momento, mas até que estava gostando da festa. Os vinhos servidos eram ótimos e a música era bela, e era claro que a sua presença na festa havia chamado a atenção de todos, o belo décimo Cavallone um dos mais ricos herdeiros da máfia que aparentemente vivia solteiro, era claro que tinham rumores sobre ele ter uma amante em algum lugar, mas todas ainda tinham esperanças em relação a o jovem Dino.
– Mas isso não é perigoso senhor Cavallone? — disse uma morena que estava sentada ao lado dele, apenas mais uma que o rodeava.
– Não, montar em cavalos é extremamente fácil, é como andar de bicicleta. — disse sorrindo para elas.
– Nossa você parece ser tão bom nisso. — falou uma ruiva. — Podia nos ensinar — um sorriso malicioso brotou em seus lábios vermelhos.
– Desculpem senhoritas, mas meu chefe tem uma pessoa importante no telefone e ele precisa atender. — Romário interveio, salvando o chefe da situação constrangedora.
– Tudo bem. — Dino se levantou em um pulo. — Até mais belas damas. — sorriu de forma sedutora para elas e partiu.
Desceu a escadaria rapidamente e foi em direção ao carro. Sendo seguido por seu braço direito.
– Obrigado Romário, eu estou mesmo cansado hoje e quero dormir. — agradeceu ao subordinado.
– Obrigado chefe, mas realmente tem uma pessoa de seu interesse ao telefone. — Romário viu Dino parar perto do carro.
– O que? — Dino sentiu um misto de profunda alegria e espanto, Hibari nunca tinha ligado para ele e era sempre Dino que procurava o moreno, nunca ao contrário.
Assim que entrou no carro ele pegou o celular que ali estava esperando por ele, rezou com todas as suas forças para que Hibari ainda estivesse lá esperando ele atender.
– Alô? Kyoya! — o sorriso de Dino quase se desfez quando não teve resposta, mas foi só prestar a atenção que ele ouviu a respiração do moreno.
Quando Dino deu seu número a Hibari ele achou que o moreno nunca ia usá-lo, e após anos esperando a ligação que nunca vinha acabou por desistir e chegou a até pensar que Hibari havia jogado fora o número dele, mas se ele estava recebendo aquela ligação então Kyoya realmente se importava com ele. Não trocaram uma palavra durante cinco minutos, foi então que o telefone foi desligado. Aquilo nem de longe foi algo romântico, mas Dino estava feliz, sabia o quanto era difícil Hibari ligar para alguém e por isso seu coração estava pulando de alegria. Aquela ia ser uma boa noite.
xxx
– Como foi a conversa? — Kusakabe estava sentado em frente à Hibari resolvendo uma revista de passatempos.
No entanto, este não respondeu, apenas olhou para o subordinado com uma áurea assassina, afinal Kusakabe tinha pegado o número do loiro ligado e o feito ouvir Dino. Aquilo era irritante. Hibari se levantou, mas a sua cabeça pesou e ele caiu.
– Hibari-sama! — Kusakabe correu para o encontro do chefe ajudando-o a se levantar.
Foi quando Hibari vomitou. Aquilo não iria chocar tanto eles se o vômito não fosse sangue. Hibari olhou apavorado para o sangue que saiu de sua boca e encarou seu subordinado.
– Vamos ao médico Hibari-sama!
Notas finais
Odiara?
Beijos ^^
P.s.: Depois eu corrigo se diver algum erro ^^
Fale com o autor