Preconceito

10 Desejo contido


Notas iniciais
Olá!^^
Não vou explicar muita coisa, porque não quero preocupar vocês ^^

A sala de reunião Vongola era, com toda a certeza, o lugar mais freqüentado naquela casa, só perdendo para a cozinha. Naquela sala os Guardiões Vongolas conversavam sobre negócios, planos e formalidades.

E, como era de costume, a sala estava cheia, faltava apenas Hibari Kyoya, o guardião da nuvem, e Rokudo Mukuro, o guardião da névoa, mas todos na sala sabiam que ambos não iam vim, então realizava a reunião como um dia comum. Isso se o motivo fosse algo comum, o que logicamente não era.


– Não tem condições! Não é aceitável! — gritava o Guardião do Sol — Não podemos deixar isso acontecer!



– Onii-san, fique calmo, por favor — o chefe da "família" tentava, inutilmente, controlar o mais "extremo" de seus guardiões.



– Tsuna, ele está certo — disse o Guardião da Chuva, Yamamoto Tekashi — Devemos tomar uma posição e eu, particularmente, concordo com o Royhai.



– Yamamoto... — Tsuna ficou triste ao ouvir aquelas palavras, nunca se imaginou naquela situação e não tinha ideia de como se livrar dela.



Com as palavras do Guardião da Chuva — que chocou a todos — fez os outros membros da família entrar em discussão. Chrome falava que não precisava de tanto; Yamamoto dizia que aquele era o único jeito; enquanto Lambo se preparava para chorar. Tsuna não sabia controlar aquela situação, sua mente estava muito ocupada pensando sobre o que poderia acontecer.


Vendo o estado emocional de seu chefe o braço direito, Guardião da Tempestade, Gokudera Hayato, tomou uma posição.

Quando este socou a mesa, calaram-se todos e voltaram seus olhos para ele.


– Mesmo que Hibari seja um idiota ele nunca nos deixou sozinhos em uma batalha, sempre que lutamos e vencemos fazemos isso juntos!- a sua voz saía fria – Então porque querem excluí-lo da família?! — a raiva do albino era vista por todos, não ia permitir algo assim — Qual o problema de vocês? Nunca ficaram doentes?!



Aquelas palavras chocaram a todos, nunca imaginarão algo daquele tipo. Expulsar Hibari foi a decisão que tomaram devido as ocorrências recentes, mas nenhum deles queria realmente fazer isso. Por esse motivo, as palavras de Gokudera causaram muito efeito e todos perceberam o que estavam a fazer.



– Mas Hayato — falou Yamamoto — não há outra posição, nós não podemos levá-lo a missões com ele naquele estado — as palavras do moreno deixaram Gokudera abalado, no fundo sabia que o guardião da chuva tinha a razão.



O silêncio tomou conta do lugar, ninguém ali sabia o que devia fazer e todos os olhos caíram em cima de Sawada Tsunayoshi, o guardião do céu e líder Vongola.



– Tsuna está na hora de você tomar uma decisão — pronunciou Reborn para o ex-aluno.



xxx



Dino estava eufórico, não acreditava que depois de três longos dias ia poder vê o seu amado Kyoya. Era lógico que ele sabia sobre a visita do tio do mais novo e as conseqüências disso, tais pensamentos o deixavam irado, não gostou de saber o que havia ocorrido com o seu amado durante a sua ausência.


O loiro arrumava o terno em seu corpo, queria está perfeito para vê o seu amado. Não podia demonstrar a Hibari um pingo de imperfeição, afinal o outro ainda era o ex-presidente do comitê de disciplina, e aparecer com o uniforme desarrumado perto dele era algo muito estúpido e ruim a se fazer.

Quando terminou de se arrumar saiu do quarto de hotel — seu hotel predileto no Japão — e foi para a portaria, aonde um carro já lhe esperava.


– Yo Romário — pronunciou com um belo sorriso.



Seu braço direito riu daquilo, já havia se passado tantos anos e Dino estava sempre com um belo sorriso lhe cumprimentado. Entraram na limousine e foram ao hospital a onde o amante do Chefe Cavallonne estava internado.


Não havia mudado muita coisa desde a última visita de Dino ao local, na verdade não havia mudado nada. Mas Dino não se importou com isso, foi direto à recepção a onde encontrou com a mulher de cabelos vermelhos, a recepcionista.


– O paciente Hibari Kyoya, eu vim visitá-lo — Dino disse sorrindo, havia trazido presentes naquela vez.



– Aqui está — ela lhe passou o crachá de visitante e disse-lhe o número do quarto, mesmo não precisando já que Dino havia gravado.



– Obrigado — Dino e seus subordinados foram até a porta do quarto do japonês e pararam na porta, o loiro precisava se preparar para a cena que ia vê.



Quando se sentiu pronto esboçou um belo sorriso e entrou na porta fazendo festa, da forma que sempre vez.



– Mi amoré!!! — o Chefe Cavallonne sabia muito bem que o menor odiava ser chamado daquela forma, mas gostava de provocá-lo.



Hibari estava sentado na cama olhando a janela quando o loiro entrou, sentiu uma vontade de esganar o loiro, mas não o fez. Ele não estava em condições para bater em Dino pelo atrevimento naquele momento.



– Olá — Hibari respondeu de forma fria e seca, e voltou a olhar para fora da janela.



Quando Dino viu o amado teve vontade de chorar. Hibari estava no soro e recebendo sangue, havia machucados por todo o seu corpo e a roupa de hospital não combinava com ele.


Hibari por sua vez olhava atentamente para o canário amarelo que voava no céu, e nem percebeu quando o mais velho se aproximou da cama para abraçá-lo.


– Me desculpa Kyoya — falou o loiro abalado — Me perdoe — repetiu.



O menor tomou um susto, por aquela ele não esperava. Se fosse em outra época Dino ia apanhar pelo atrevimento, mas naquele momento Hibari sentiu-se seguro e feliz, o loiro não ia deixá-lo por causa da doença. Um sorriso bobo formou-se nos lábios do ex-presidente do comitê disciplinar do colégio.


“A culpa não és tua" foi o que teve vontade de falar, mas graças ao seu grande orgulho a única coisa que disseste foi:


– Idiota — "eu te amo” novamente pensou em algo, que ele poderia dizer, "bobo".



– Mas eu devia ter cuidado melhor de você — o loiro se culpava, sentia que aquela era a última chance para falar sobre amor com o frio moreno.



"Não diga isso, eu fui feliz com você” por algum motivo Hibari tinha pensamentos dóceis naquele momento em relação ao seu amado loiro. Ficaram naquele silêncio por mais alguns minutos, nenhum dos dois estavam dispostos a voltar atrás, ambos se amavam demais para fazer qualquer coisa.


Dino fazia planos em sua mente para quando Hibari melhorasse, e Hibari não queria mais nada, apenas aproveitar esse momento com o seu amado loiro. Por mais estranho que possa parecer, quem quebrou o silencio foi o moreno.


– Cavallone... Quer dizer Dino – o moreno falava um pouco constrangido o nome do maior – Quando você irá embora?



Aquelas palavras chocaram o loiro, não imaginava algo assim, ele estava muito feliz. Por que o mais novo havia dito seu nome sem eles precisarem fazer sexo e depois vim com essa? Dino se assustou.



– Eu nunca irei te deixar! Eu te amo! Nunca te deixarei só, meu Kyoya – Dino apertou ainda mais o Guardião da Nuvem dos Vongolas – Nunca mais diga isso! – Sua voz podia sair irritada, mas ele estava chorando por dentro.



Hibari tentou sorrir, aquelas palavras deveriam aquecer o seu coração, certo? Mas algo dentro do Guardião da Nuvem dizia que aquilo não ia acontecer. Foi então que como um estalo, Dino pronunciou.



– A onde está seu anel Vongola, Kyoya? – Dino sabia que o outro não gostava de pertencer à família, mas também sabia que o mais novo cumpria com a palavra e ia usar aquele anel sempre.



Demorou um minuto para que Hibari respondesse a pergunta do loiro, o moreno analisava cada palavra antes de dizer e tentava escolher as que não iam dar um choque no namorado. Mas por fim pronunciou a sua sentença.



– Tsuna disse que não faço mais parte da família – sorriu triste, já havia se acostumado a viver com eles, tinha até gostado da companhia daqueles herbívoros inúteis.



Dino estremeceu, não imaginava uma resposta daquela. Porque Tsuna faria uma coisa dessas? O que levaria o honrado chefe da família Vongola a abandonar o seu guardião mais forte? A raiva tomou conta de Dino, uma raiva grande que na qual deu o desejo de matar Tsuna.


Reconhecendo aquela expressão na face do amado Hibari sorriu mais triste ainda e fez um carinho tímido em Dino.


– Ele fez a coisa certa, eu não sou útil para trabalhar mais, e se ele não fizesse eu mesmo faria – as palavras do moreno tinham um peso tão grande, mas reconhecendo aquele fogo no olhar Dino teve a certeza, aquele era o Hibari que ele amava.



– Então agora você estará sobe meus cuidados Kyoya – o chefe Cavallone sorriu brincalhão, não gostava do rumo que a conversa tinha tomado, mas não se importava ele conversaria com Tsuna e os outros mais tarde – Né Kyoya, você quer vê seus presentes agora?



– Está a achar que sou uma criança, para ficar recebendo presentes quando fica doente? – disse fingindo irritação.



– Nossa Kyoya, eu escolhi todos com tanto carinho – Dino amava “brigar” daquela forma, aquela falsa briguinha deles era algo divertido e amável.



As horas foram passando enquanto os tímidos risos eram dados. Dino já havia se aconchegado na cama do moreno, e trocava pequenas e tímidas carícias com ele. Não fazia nada de mais, apenas uns beijinhos e um toque ou dois no rosto do amado.


O tempo que ficava ali Dino pensava nas coisas, ele ainda não havia gostado da ideia de expulsar Hibari da família Vongola, e devia presumir o motivo disso; também não aceitava a ideia da família do moreno ser tão falha, qual era o problema dos dois se amarem? Não havia defeito no amor, eles não podiam ficar juntos? E a mãe de Hibari...Quando Dino pensava em Sora sentia pena da mulher, pena da dor que ela sentiu e devia sentir todos os dias, pena por toda a humilhação que ela devia ter passado.

Quando Hibari finalmente dormiu Dino resolveu que estava na hora de voltar para o hotel, não queria deixar o amante ali sozinho dormindo, mas se ele ficasse ia querer fazer outras coisas e ele sabia que essas coisas não podiam ser feitas ali, principalmente levando em conta o frágil estado de seu querido amante.


– Durma bem Kyoya – deu um beijo no rosto do menor e saiu do quarto – Romário – chamou seu subordinado de confiança – Leve-me até a casa do Sawada Tsunaoshi, o Líder Vongola!



– Sim chefe – Romário, primeiramente, não compreendeu aquelas palavras tão rudes saindo da boca de seu chefe, Dino sempre tratou Tsuna como um irmãozinho e aquela mudança de comportamento surpreendeu o mais velho.



Saíram do hospital com feições sérias, o subordinado do Cavallone percebeu que havia algo errado com seu chefe, mas não querendo piorar ainda mais o humor de Dino, preferiu se manter calado.


A viagem até a casa do castanho não foi longa, e sim deprimente. A cada minuto que passava Dino ficava cada vez mais inquieto e aquilo já estava incomodando Romário. O braço direito do Cavallone não queria se meter, pois sabia que ia acabar se arrependendo se fizesse isso, mas aquela face do chefe o deixava estressado.

Quando chegaram na casa Romário pôde perceber que o clima lá também estava pesado, aquele ia ser um dia difícil para todos. Os subordinados de Tsuna nem sequer olhavam para eles, até pareciam que estavam com vergonha de ser encarado pelo chefe Cavallone – o que era muito provável -, Romário percebeu mais uma coisa além da vergonha, medo talvez?


– Olá Dino-san, o boss está no escritório – Chrome Dokuro, a representante do Guardião da Névoa falou baixo, e saiu da frente para que ambos pudessem continuar seguindo até a sala de Tsuna.



Foi então que Romário pôde entender, era medo. Medo da reação de Dino, medo de olhar para o loiro e dizer que aquilo que estava acontecendo era real, medo de que Dino matasse um ali. Não precisou de mais nenhuma palavra para o Braço direito compreender o que estava ali ocorrendo, Tsuna e os Vongolas haviam decidido tirar Hibari da família, e agora Dino estava indo ali para conversar “amigavelmente” com o chefe da família, Sawada Tsunayoshi.


Pararam de andar quando chegaram em frente a porta do escritório. Dino, graças a sua excelente educação, bateu na porta de madeira duas vezes até ouvi o baixo “Entre” do jovem Guardião do Céu. Assim que a permissão foi dada Dino adentrou nos aposentos do menor. O escritório de Tsuna era o lugar mais arrumado da casa, o jovem líder tentava manter tudo organizado para ele mesmo não se perder naquela bagunça.


– Yo Dino-san – Tsuna tentava sorrir, mas era lógico que não estava em condições para tal coisa – O que faz aqui? Não devia está com o Hibari-san?



– Eu ia te perguntar a mesma coisa – Dino estava triste e confuso, ainda não acreditava que o seu “irmãozinho” havia abandonado o seu amante no momento que este mais precisava dele.



– Dino-san... -Tsuna não sabia o que responder, aquilo era muito complicado, não queria dizer que ele tinha preconceito com Hibari por este está doente, mas não sabia qual era a melhor resposta.



– Diga-me o motivo – o loiro continuava nervoso, aquilo era um absurdo!



– Não havia o porquê de continuar com ele na família, você sabe muito bem disso Dino-san – aquelas palavras eram tudo o que Dino não queria ouvir, mas Tsuna tinha que responder a verdade então soltou aquilo.



No fundo Dino sabia que o mais novo estava certo, mesmo não querendo admitir ele ia fazer a mesma coisa se estivesse no lugar de Tsuna.


O loiro, já cansado, sentou-se na poltrona que estava mais perto e ficou a pensar, Dino queria tomar a decisão certa, mas não tinha ideia de como ele ia resolver aquela situação.


– Sabe Dino-san — Tsuna falou de forma triste e doce — já estão usando o transplante de medula óssea para o tratamento de câncer, principalmente, na parte da leucemia, talvez o Hibari consiga se sair bem nessa cirurgia.



– Não sei não Tsuna — Dino disse também triste — mesmo que ele seja forte você ouviu o médico, não há sangue suficiente nos bancos de sangue e mesmo que Hibari possa fazer a cirurgia só vai depender dos sentimentos dele — Dino estava muito abalado, ainda não acreditava que o seu Kyoya tinha leucemia.



Tsuna resolveu sentar em sua cadeira, se continuasse em pé com certeza ia desabar. As palavras do mais velho faziam sentido, mesmo que Hibari sobrevivesse a cirurgia ainda tinha o emocional do Guardião da Nuvem, afinal ele ficara doente; reencontrou a família; e ainda estava brigado com Dino, afinal todos ali sabiam que o romance deles estava esfriando.


Depois de muito pensar Tsuna falou: — mas ele tem você, e isso é importante para ele.


Dino fitou Tsuna por um tempo considerável, não havia imaginado aquela resposta. Um bobo sorriso formou-se em seu rosto.



– Você tem razão, Hibari ainda tem a mim, e eu vou cuidar bem dele — graças as palavras de Tsuna Dino levantou-se num pulo e foi para a porta — Tsuna obrigado — saiu da sala rindo, aquela conversa havia lhe animado novamente.



– Não Dino, eu que lhe agradeço — Tsuna falou baixo quando o maior saiu, estava feliz que Dino não ia deixar Hibari e quando olhou para a janela não gostou do que viu.



–Algum problema Boss? — disse Chrome, que entrara na sala naquele momento com um bandeja trazendo o chá.



– Não, não é nada de mais — Tsuna sorriu forçado — eu apenas notei que o céu está ficando mais escuro.



Xxx



Hibari acordou sozinho, ele não havia esperado aquilo, achava que Dino ia está ali com ele quando acordasse. Olhou para um lado da sala e viu um ursinho de pelúcia com balões ao seu lado direito e em seu lado esquerdo tinha uma caixa de chocolate.


Aquilo fez com que Hibari sorrisse, amava aquele jeito impulsivo de Dino, era tão quente e alegre que o moreno chegava a invejar aquele belo sorriso. Lembrava-se bem que uma das primeiras coisas que passou por sua cabeça quando começou a treinar com Dino era que ele também queria ser feliz daquela forma. Naquela época Hibari não sabia sobre amor, sobre sexo com carinho e sobre ser feliz.


– Dino — acabou resmungado o nome do mais velho enquanto deitava na cama.



Hibari achava engraçado o fato de sempre acabar lembrando-se do loiro e de como ele era lindo e maravilhoso, mesmo nunca admitindo em voz alta. Mas algo estava errado, Hibari sentia isso, o moreno só não sabia explicar o que era. De repente uma estranha lembrança veio em sua mente, não demorou muito para que sua face ficasse séria e pegou o telefone o mais rápido que pôde, discando o número conhecido e esperando ser atendido, ao mesmo tempo em que temia a verdade ele queria saber.



– Tsunayoshi! – falou o nome do ex-chefe e amigo – Preciso que veja uma coisa para mim – Era certo que Hibari odiava pedir ajuda, mas ele não estava pedindo ajuda, ele estava apenas requisitando um reforço para a sua pesquisa.



– Olá Hibari-san, em que posso ser útil? – Tsuna já havia se acostumado ao jeito do mais velho, por isso nem se importava com aquela ligação.



– Quero que investigue Hibari Azumi – Aquilo havia deixado Hibari desconfiado, afinal ele sabia bem que seu tio não podia ter filhos, pois ouvira seu pai conversando sobre isso com sua mãe, então quem seria o pai daquela japonesa?


Notas finais
Gostaram? Deixem comentários, por favor.
Beijos ;3