Carol andava pela estrada de terra completamente frustrada. Sua mente estava lotada de pensamentos ruins, não aguentava mais tanta pressão. Aquele mundo a destruíra e não havia mais volta.

Respirando fundo, percebeu o quão sozinha estava. Nenhum humano, Nenhum errante. Nada além do silêncio ao seu redor. Sentiu-se bem naquele momento, de uma forma estranha, mas genuinamente bem. Não que Carol não quisesse mais estar com seu grupo, porém, ela não lembrava-se da última vez que pode ficar sozinha consigo mesma e pensar de forma tão coerente.

O grupo, agora acampado na floresta, sequer havia percebido quando Carol deixou-os no meio daquela noite tensa. A mulher havia se esgueirado por entre as árvores até alcançar a estreita estrada. E por ali ela andava sem rumo algum, Carol apenas queria um instante para refletir sem a interferência de ninguém.

A noite sem estrelas estava um tanto quanto sombria, o clima entre todos do grupo não era o mesmo já fazia um bom tempo, mas naquele dia em especial, todos pareciam fechados em seus próprios mundos. E Carol, mais do que ninguém, precisava entender o que estava acontecendo.

Viver no fim dos tempos nunca fora fácil. Todos os dias piorava, na verdade. Sobreviver era o que todos desejavam, só que as pessoas tem seus limites. E geralmente isso acarreta na desistência.

Lembrava-se daqueles primeiros dias em Atlanta, de como ela tinha evoluído com o passar dos anos. Era realmente incrível, Carol sabia disso. Mas quanto mais competente ficava, mais pressão, tarefas e responsabilidades ela ganhava. Tinha dias que parecia impossível continuar. Entretanto, Carol sempre persistia; Tinha pelo que e por quem lutar!

Arrastou-se até a margem da rua, verificou rapidamente se continuava sozinha e sentou-se contra uma árvore. Os cheiros da natureza ao seu redor misturava-se com a podridão da morte sempre presente no ar. Cutucou com a ponta da bota uma pequena pedra, levando-a a rolar algumas vezes para longe.

Longe...

Essa era a palavra chave na mente de Carol. Assim que sentia que o grupo estava, longe. Muitos acontecimentos, perdas e sentimentos conflitantes explodindo em um mesmo momento fizeram o grupo se afastar. Toda aquela comunicação e união dos tempos da prisão não pareciam ter sobrevivido junto com cada um deles.

Desistir do grupo seria uma boa ideia?

Geralmente, ela diria que não. Com toda a convicção do mundo. Só que agora, algumas coisas pareciam piorar diariamente. E ela queria com muito desespero ter sua família de volta! Mas não podia obriga-los a serem uma pessoa que morreu dentro deles. E uma pessoa que ela também já não era.

Os olhos abertos quase nada enxergavam, turvos pelas lágrimas. Uma atitude bastante imprudente naquele momento, Carol não esquecera disso, porém, parecia impossível evitar. Estava lotada com tudo de pior, o peso do mundo sobre seus ombros diariamente era exaustivo e prosseguir era necessário.

Secou na manga da camisa puída as lagrimas que ainda insistiam em cair por sua face, grunhiu irritada consigo mesma. Como depois de tudo ela pode perder a esperança? Parecia impossível, mas talvez o dia em que Carol deixou de ter fé em sobreviver havia chegado. Ela sabia que precisava de algo para resgatar toda aquela vontade de viver, mesmo que naquele inferno, que tinha antigamente.

Levantou com rapidez, tirando a terra de suas calças, retornou a andar na estrada, fazendo o caminho inverso, voltando para seu ponto de partida: o acampamento.

Não seria difícil acha-lo, mas em seu peito a sensação de estar perdida era forte. Parou por um instante na entrada da floresta, os punhos cerrados, os olhos fechados com toda a imprudência que ela não podia ter.

- Vocês vão conseguir se recuperar! – Os nós dos dedos estavam brancos tamanha era a força que ela usava. Precisava sentir que aqueles pensamentos eram reais. – Você vai conseguir, porra!

Abriu os olhos, imaginando que poderia ver tudo de uma maneira mais positiva, mas decepcionada, teve que continuar seu caminho.

Chutou irritada alguns gravetos enquanto perguntava-se porque naquele dia precisava tanto de uma prova para continuar. Porque hoje?, pensava nervosa a cada passo que dava.

Levou alguns minutos para chegar onde o grupo estava. Ainda há alguns metros de distância, Carol os observava, todos pareciam ocupados. Só que dessa vez era diferente: Rick não estava com sua expressão cansada, observando pela milésima vez um mapa sujo, tentando traçar uma nova rota para longe do perigo, Daryl não entalhava de cara fechada suas flechas, Carl não se excluía do grupo...

Todos estavam juntos como antigamente.

Em volta da lareira, cantando baixinho, sorrindo. Carol não lembrava-se da última vez que algo assim havia acontecido. Com passos lentos e cuidadosos, se aproximou, não querendo chamar a atenção e acabar com o clima despreocupado que tanto precisavam.

Daryl foi o primeiro a nota-la, seus olhos desconfiados adquiriram um brilho intenso ao vê-la. Ela sorriu para ele, ganhando um sorriso tímido, mas autêntico de volta.

- Onde você estava? – Rick perguntou, sem aquele tom autoritário, havia preocupação genuína em sua voz. – Maggie disse que viu você se afastando, só por isso não saímos desesperados te procurando!

Carol sentou-se ao lado dele, pegando Judith sonolenta de seus braços.

- Eu apenas precisava ver uma coisa. – Sorriu para cada rosto ali, sentindo que Deus havia mandado o sinal que precisava para seguir em frente sem dúvida alguma. – Mas agora irei ficar aqui. Não pretendo ir á lugar algum.

Ninguém fez perguntas, todos pareciam contentes demais naquela noite. E Carol sentiu seu coração encher-se de amor e alegria ao ver a cena que tanto amava: sua família sendo novamente sua família.

Notas finais
Espero que tenham gostado, de verdade. Comentem e me deixem saber o que acharam, beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!