Prazeres Sombrios - Indômita
17 Capítulo XVI - Mo Chroí
Notas iniciais
E... OBRIGADA!! Sério, vocês fizeram minha vida muito feliz com isso (sim, eu tenho uma vida conturbada e turbulenta, Miya que não me deixe mentir) e cada comentário me enlouqueceu de muita alegria.
Queria agradecer minha amiga russa por me ensinar russo, acompanhar minha história, me dar ideias e, enfim, ser minha amiga ;D E a angel, que posta comentários em todos os capítulos e... A todo mundo, enfim, tanto os que leem e os que leem e comentam simultaneamente. Isso é muito importante para mim, até porque me ajuda a ganhar confiança no que eu escrevo.
Sim, minha confiança é mínima e meus amigos me esquartejam diariamente por isso kkkk
Obrigada, pessoal !!! *ooooooo*
Enfim... Boa leitura !!
Esse é meu capítulo preferido. Li como uma louca para não escrever a cena HOT mais esperada de forma fria, ignorante e morna.... Sim, ALGO acontece entre Leonor e Duncan hahahaha
E adivinha??? A declaração da Leonor é única, escandalosa e inesquecível, como tudo nela kkkk
De toda a história, esse é meu capítulo mais amado, com muita emoção, surpresa e o melhor... O HOTOHOT do meu casal preferido /*-----------*
Espero que vocês gostem tanto quanto eu, que comentem com muito amor -- tanto quanto o amor que eu tive pra escrever (a Miya quase grita e chora quando leu isso na aula, foi engraçado kkk) -- e... Quem sabe um dia eu ganhe uma recomendação né kkkkk
CAPÍTULO DEZESSEIS
→ Mo chroí ←
Duncan afagou o focinho de seu corcel, recebendo um resfolego em seu cabelo. O jantar havia sido simplesmente agradável. O mais surpreendente era que Bessie, pela primeira vez, fizera uma refeição tão deliciosa, que ele teve de comer repetidas vezes. Tudo tinha adquirido um sabor novo e viciante, que ele logo percebeu que havia sido obra de sua esposa. Ela não só conquistara seus homens, como toda a aldeia.
Inferno, tinha de se desculpar com ela. Sempre se orgulhara de seu autocontrole, mas sempre o perdia quando estava perto dela. Pensara tolamente em traição, mas Iain lhe explicou certos segredinhos de sua esposa. Ainda não acreditava que ela coordenara o treino dos guerreiros e ainda se preocupara com o orgulho deles. Também se ocupou da contabilidade, dos balanços mensais de rendas e gastos, da distribuição da colheita... Ela cuidou dele como ninguém o fez.
-- O que eu faço?
A égua dela relinchou em sua baia, como se respondesse a sua pergunta.
Duncan nunca se desculpou com ninguém. Nem mesmo a Edgar dirigiu um mínimo sinto muito, então, não sabia como fazer as pazes com sua mulher. Percebeu que ela estava pálida e que seus movimentos, geralmente fluidos e graciosos, estavam forçados. Mesmo depois da forma rude que ele a tratou, ainda forçou um sorriso.
Eu não a mereço.
Sim, não merecia. Leonor era uma boa mulher e ele era o pior marido que poderia existir.
-- Suas lamúrias estão me dando dor de cabeça.
Olhou por sobre o ombro. Erik estava entrando no estábulo, seus revoltos cabelos de fogo despenteados para trás. Eles se conheciam desde crianças, na época que Duncan vivia nas Terras Altas da Escócia com sua mãe. Depois que foi morar com Lachlan, só foi voltar a vê-lo depois de assumir a chefia do clã, aos dezesseis anos.
-- Não sabia que você estava exercitando a capacidade de ler pensamentos – ironizou Duncan. Erik sorriu a seu modo.
-- Como acha que conquisto as moças? – brincou ele, aproximando-se da égua de Leonor, olhando-a com interesse – Um sangue-puro. – murmurou, esticando lentamente a mão para tocar a irascível criatura que só permitia que Leonor montasse. O pobre cavalariço recebeu uma mordida e perdeu três dedos por tentar doma-la. Sim, muito bem adestrada – É um belo animal. Dará ótimos potros.
-- É da minha esposa – grunhiu Duncan.
-- Imaginei.
Surpreendentemente, a égua permitiu que Erik a tocasse. Ele sempre teve jeito com animais, mas Duncan não esperava que fosse conquista-la apenas com a voz. Erik era um conquistador nato desde os três anos, não era de se admirar que até as éguas se encantassem por ele. Ele a afagou no pescoço, recebendo um resfolegar nos cabelos e uma cutucada no ombro. Vento Selvagem já se apaixonou por ele. Que Deus tivesse piedade do coração daquela égua.
Duncan encontrara Erik com um contingente de três homens Ferguson a cavalo em suas terras, fugindo dos McLeod. De acordo com Erik, o chefe McLeod o capturara por encontra-lo na cama com sua esposa, o que era bem merecido. A dita cuja o libertou do calabouço e ainda lhe disponibilizou cavalos, caindo de amores por ele. Mas Erik não ficava com uma única mulher e, como ele dizia: sentarei o traseiro em um pau antes de me ajoelhar por uma mulher. De acordo com Erik também, estavam em Edimburgo falando com Edgar, quando o chefe McLeod o flagrou e o levou para Skye. E Duncan o encontrou cavalgando em busca de ajuda. Claro, em nome de velhas amizades, ele não negaria proteção à cara de pau do Ferguson.
-- Não sei por que ainda falo com você – balbuciou um carrancudo Duncan.
-- Porque eu, assim como Niall, salvamos seu traseiro gordo e peludo de ser trespassado por uma lança milhares de vezes – Erik respondeu com um dar de ombros quase infantil – E é isso. Sua esposa me deve um agradecimento por permitir que você tenha um ligamento das pernas com o tronco.
-- Da última vez que você agradeceu uma mulher, o marido dela te fez sair correndo nu pela floresta – resmungou Duncan – Então, não, minha mulher não vai te agradecer de forma alguma.
A expressão de Erik se tornou travessa.
-- Gosta dela, verdade?
Duncan franziu as sobrancelhas.
-- Não – respondeu rapidamente, mas não sentiu sinceridade ao dizer aquilo. Sabia que a admirava muito, que gostava de sua companhia e de seus sorrisos e de seus beijos e de...
-- É um péssimo mentiroso.
-- Não estou mentindo.
-- É, e também não baba por ela – Erik revirou os olhos – Quase me afoguei com sua saliva cada vez que seus olhinhos reluziam alegremente ao ouvi-la falar de política – ele juntou as mãos diante do peito, batendo as pestanas de forma feminina e mudando a voz – Oh, Duncan, você nunca me disse que me amava!
-- Eu vou te esmurrar.
Leonor não falava daquela forma. A voz dela era suave e cadenciada, com uma leve rouquidão proporcionada por seu sotaque inglês, do tipo que o relaxaria até mesmo em uma guerra, não aquele agudo tom de voz que se assemelhava a um gemido que Erik imitava.
-- Admita quando bem lhe convier, irmão, mas não demore muito, as moças não gostam de esperar para ouvir que são amadas.
Duncan arqueou uma sobrancelha.
-- E você entende muito bem de mulheres, não é?
-- Sim – Erik abriu seu pícaro sorriso que fazia suspirar as moças. E também fazia os maridos delas se armarem. Mas logo sua expressão se tornou austera, tão rapidamente como ele sorriu, velozmente mudou para a seriedade – Os McDonald tentarão roubar suas terras de novo, por isso, aconselho a cuidar muito bem de sua esposa. Alasdair gosta de violar moças e não deixará a sua passar despercebida, ainda mais quando colocar os olhos nela. A corte de Edgar já fofocou por todo o mundo o quão bela Leonor é e eu não me surpreenderia se os sarracenos também viessem para rouba-la.
Duncan cerrou os punhos. O inferno congelaria antes que outro homem que não fosse ele tocasse sua mulher. Leonor era sua esposa, de ninguém mais. Ele conhecia sua natureza, sua valentia, até mesmo sua loucura. Não permitiria que ninguém lhe fizesse mal. Enfrentaria ao próprio diabo se assim a fizesse feliz e segura. Alasdair que viesse com quem quisesse, mas voltaria com o rabo entre as pernas sem nem mesmo ter visto um fio de cabelo da sua inglesa.
-- Ele que venha – rosnou, fulminando Erik com o olhar estreito e ameaçador – Leonor não vai ser tocada por ninguém.
-- Se precisar de ajuda, eu e Niall forneceremos nossos exércitos o quanto antes.
-- Isso é uma aliança?
-- Sempre foi. Lembra-te de quando éramos mais novos? Duncan O Diabo, Niall O Pacificador e...
-- Erik O Destruidor. – completou. Os três sempre andavam juntos como sombras uns dos outros. Duncan e Niall apanharam centenas de vezes pelas travessuras de Erik, mas este sequer desconfiava disso. Uma das cicatrizes nas costas de Duncan foi feita por assumir a culpa por Erik ter destruído acidentalmente uma tapeçaria da mãe de Duncan. Ele sempre foi um menino travesso e cheio de vida, que gostava de correr pelo castelo, provocando as criadas e escalando árvores para comer frutas em seus galhos.
A tristeza abateu os olhos azuis do highlander, mas ele dissimulou com um sorriso. Niall costumava dizer que suspeitava que Erik descobrira que era protegido demais pelos mais velhos. Na época, Erik era muito pequeno e até uma moça era mais alta que ele. Franzino, baixinho e desengonçado, mas nunca teve um grama de feiura.
-- Se precisar de armas, McGregor, os highlanders estarão muito bem dispostos a lutar contigo contra os McDonald.
-- Mandarei uma missiva se o necessitar.
-- Será uma honra chutar o rabo do McDonald – ele abriu um sorriso sardônico – Mas Niall está mais manso.
-- Niall, manso?
Inacreditável.
-- Ele casou – como se isso explicasse tudo, Erik deu de ombros com indiferença – Com Amélia Sutherland. Juro, sairei correndo nu e dançando no dia que uma mulher me deixar com essa cara de cachorro babão de vocês dois.
-- Suas palavras serão lembradas, Ferguson.
Erik negou com a cabeça, afagando o pescoço da égua de Leonor.
Niall Ashenbert apaixonado era uma estranha imagem para se ter em mente, mas, dos três, era o mais fácil de se acreditar. Erik tinha suas próprias razões para recusar amar uma mulher por mais de um dia e Duncan... Duncan sequer conhecia o amor. Lachlan o criou para ser um assassino, não um homem. E sua mãe...
Agitou a cabeça, negando igualmente como Erik. Catarina foi uma mulher sem coração como Lachlan e ambos se mereciam, assim como Gillian, mãe de Arian e Drustan, a esposa oficial do antigo chefe. Os três não tiveram uma vida fácil.
De repente, alguém entrou no estábulo correndo. Instintivamente, os homens levaram as mãos aos cabos de suas espadas e se prepararam para uma luta, mas relaxaram ao ver uma Lady Mary despenteada e ofegante, com as bochechas rosadas e os olhos arregalados. Duncan rapidamente foi até onde ela estava, temendo a pior das notícias que poderia receber no meio da noite por uma mulher sem escolta. Mary o olhou como se visse um salvador, o que o deixou ainda mais apreensivo. Assim como sua esposa, Mary não temia o Mensageiro da Morte. Ela o via como um igual, um amigo digno de sua confiança. Ele e Erik avançaram para ela, esquadrinhando o barmkin em busca de algum inimigo, mas vendo apenas a noite.
O que estava acontecendo? Será que Leonor foi atacada enquanto ele pensava nos estábulos? Se algo acontecesse a ela...
-- O que houve, moça? – perguntou Erik, franzindo o cenho. Ela tomou ar antes de endireitar a postura.
-- Olha, eu sinto muito, não é por querer, foi um acidente...
-- Do que está falando? – Duncan grunhiu. Ela não se intimidou.
-- Ela trocou as taças e bebeu o que não devia, então...
-- Eu não estou entendendo nada, moça.
Ela ignorou Erik, para a surpresa dele. As mulheres nunca o ignoravam e encontrar duas que não se rendiam a seus encantos era surpreendente.
-- Leonor – Mary disse com impaciência – Recentemente descobrimos sua tolerância ao álcool. Acho que ela confundiu sua taça com a dela durante a refeição e... – suas bochechas esquentaram – Ela está alegre.
Duncan franziu profundamente as sobrancelhas e Erik dissimulou um sorriso.
-- Alegre? – grunhiu Duncan – O que há de mau nisso?
-- Ela está alegre – Mary repetiu. Ao ver a expressão aborrecida dele, revirou os olhos – Muito bêbada, entendeu?
-- Alguém a levou para o quarto? – perguntou Erik.
Mary parecia desconfortável e constrangida, fazendo Duncan se perguntar o que demônios estava acontecendo com Leonor.
-- Não. O problema é esse... – ela estava muito corada, quase desesperada – Ela não deixa ninguém se aproximar e está chamando por ti, Duncan. Os homens estão muito divertidos com a cena e ela quebrou uma travessa na cabeça de Iain quando tentou retira-la de... de... de cima da mesa.
Duncan pôs os olhos em branco. Leonor estava bêbada e em cima da mesa, com quinze homens se divertindo as suas custas e Iain jazia inconsciente por uma pancada na cabeça. Erik estalou em gargalhadas a seu lado. Ria porque não conhecia Leonor. Sua inglesa era forte e ele não se surpreenderia se Iain tivesse morrido como uma vítima dela. Por Deus, nunca mais ficaria longe dela, nem por um segundo. Leonor era uma criaturinha perigosa para o mundo.
-- Não acredito que Iain foi abatido por uma mulher tão doce – riu Erik. Mary arqueou uma sobrancelha para ele.
-- Você não faz ideia de como é minha prima, senhor.
-- Exatamente – anuiu Duncan – Você não tem ideia do que ela é capaz de fazer.
Duncan saiu em disparada pelo barmkin, completamente incrédulo. Lembrou-se de quando ela o salvou dos vikings. Intrépida e ardilosa como uma raposa. Ela era capaz de muitas coisas, pior seria estando bêbada. Duncan mataria aquele que a tocasse em sua vulnerabilidade... Na verdade, não achava que seria necessário. Sua inglesa confiava cegamente em Iain e quebrara uma travessa na cabeça dele, pior faria com alguém que não lhe era íntimo. Mary só iria em sua busca se realmente fosse algo urgente, que nem ela nem Arian pudessem resolver.
Mas ela lutara muito para obter o respeito do povo. Não queria que a vissem como uma tola apenas por ter confundido as taças. Em outra ocasião, ele poderia ter sorrido ante tal ideia, mas as circunstancias o impediam de fazê-lo agora.
Ele atravessou o barmkin rapidamente, com Erik e Mary em seus talões, quase voando pelas escadas. Empurrou as portas pesadas, entrando no grande salão e... sua boca caiu. Nunca teria imaginado uma cena daquela, nem se estivesse tão ébrio quanto Leonor. E lá estava sua fera, cambaleando sobre a mesa, entornando uma jarra de cerveja como um homem faria. Os guerreiros estavam de pé ao seu redor, olhando-a como lobos famintos, como se esperassem o momento oportuno para devora-la.
Duncan se recordou de quando a vira mais cedo com o pequeno John nos braços. Sua regata de linho estava erguida até a metade daquelas exuberantes coxas, revelando suas pernas pecaminosas e macias. A regata estava tão molhada que ficara transparente, revelando todas as partes de seu corpo para quem quisesse ver, inclusive os seios redondos e firmes que ele ainda podia sentir o gosto na boca. Sua juba revolta lhe dava um ar selvagem, feroz. Ele tinha ficado dolorosa e incomodamente excitado ao ver sua valkyria salvando a vida do menino, mas ficou furioso ao não ser o único agraciado com sua visão. Seus homens a engoliam com os olhos e ela sequer notara. Cegado por ciúmes, com a ideia da traição em mente, perdera o controle outra vez.
Agora, vendo como a olhavam de forma tão indecente, sua raiva voltou a aflorar.
Leonor soluçou ao terminar de beber a jarra e cambaleou para frente. Duncan, com os punhos cerrados ao lado do corpo, caminhou para ela, temendo que se machucasse.
-- O que está fazendo, esposa?
Os homens abriram passagem ante seu rugido, como o Mar Vermelho se abrindo para Moisés, mas não conseguiam sequer piscar para não deixar de admirar Leonor. Ela bateu um pé sobre a mesa e soluçou outra vez, apontando a jarra e o indicador da mesma mão para ele.
-- O que acha que estou fazendo? – ela falou arrastando as palavras e enrolando a língua. Os homens se debruçavam sobre a mesa, quase lambendo os lábios. – Estou com sede – fez uma careta – então, é natural que eu beba, não é?
-- Desça daí, Leonor – ordenou ele, esticando a mão para ela. No entanto, ao invés de lhe segurar a palma, entregou-lhe a jarra vazia e cambaleou para longe dele, tropeçando nos próprios pés, quase caindo. Deus, ela ia se machucar se continuasse brincando daquele jeito.
-- Você não manda em mim! – ela gritou. Erik reprimia um sorriso e Mary estava a ponto de subir na mesa com ela para tira-la dali – Bastardo arrogante – e se voltou para ele, enrugando aquele orgulhoso nariz inglês – Como se atreve a mandar em mim quando sequer cumpre com seus deveres maritais?
O silêncio que se seguiu foi carregado de tensão. Pela primeira vez, todos os homens e criados presentes olharam para ele boquiabertos, os olhos arregalados em choque. Duncan rugiu entre dentes e todos prenderam a respiração. Os que estavam mais ébrios começaram a cochichar sobre a incapacidade do diabo de se reproduzir, de sua inutilidade como marido. Duncan avançou para ela e o grupinho daquele lado da mesa se amontoou para fugir, arrastando os pés para o outro lado. Leonor começou a rir sem motivo algum, já com lágrimas nos olhos. Ele estava prestes a subir em um banco para puxa-la, quando ela cambaleou para longe, frustrando-o.
-- Cale a boca – rosnou ele. Ela fez uma careta e soluçou.
-- Não! – gritou mais alto do que devia – Eu não... Eu não... vou me calar, seu imbecil – e cuspiu no chão – Sabe quantas noites esperei que me procurasse naquela maldita cama? Não, claro que não, você não se importa! Se estou com essa sede – ela piscou, como se não estivesse vendo direito – que não acaba... Por que não acaba? – apontou para um soldado – Você, escória – gritou de forma aguda – quero beber alguma coisa e agora! – ele olhou para Duncan, que negou com a cabeça – Mova sua bunda até a cozinha e diga a Bessie que quero beber – ela arrotou e cobriu, muito tarde, a boca com as mãos – Que droga. A culpa é sua, McGregor. Tudo é culpa sua. Eu quero sua atenção e você grita comigo. Eu sei que não sou bonita, que sou estranha, minha mãe dizia muito isso, mas eu não sou tão ruim, sou? – ela encolheu os ombros e aquilo fez seu peito se apertar dolorosamente – Você não quer dormir comigo. Não faz amor comigo desde as bodas e eu sequer me lembro como foi... Maldito seja, minha feiura te impede de compartilhar um quarto comigo? Meu temperamento é tão terrível que você não pode passar um segundo sem rosnar? Se não me quer, me mande de volta! – ela gritou, fungando. – Não vou atacar suas terras, nem tenho exército para isso. Minha família inteira está morta, como posso ser de alguma ameaça?! Falo com Edgar, com Henrique, com o Papa se for preciso, deixo claro que estamos em paz, mas... Não me deixe assim.
-- Leonor...
-- Não! – ela voltou a gritar – Não quero sua compaixão! Isso é ridículo, sabia? Não vou ser humilhada por você, McGregor, nunca mais. Não vou passar noites em claro segurando uma adaga contra o peito por medo de ser morta enquanto durmo, não vou ficar esperando que me procure para dormir comigo, ou temendo que arranje uma amante para tirar da cabeça meu rosto estranho... A culpa é sua, só sua. – Ele contornou a mesa para se aproximar dela e os homens saíram de fininho de seu caminho, indo para o outro lado. Duncan subiu em um banco e esticou a mão para pega-la, mas ela se afastou e abraçou o próprio corpo, parecendo, pela primeira vez, frágil e vulnerável. Leonor parecia pequena, triste e desolada. Aquilo o atingiu a um nível incomensurável e rezava para que ela não chorasse. Duncan odiava lágrimas, mas quando se tratava dela, não queria que desmoronasse. Queria fazê-la forte, não ruir seu sustento. Gostava de privacidade e lhe incomodava que tantas pessoas presenciassem o desabafo de sua ébria esposa – Não me toque. Você é cruel, sabia? Muito cruel. Hedonista, misantrópico, circunspeto, frio, inalcançável, insondável... Um bastardo desavergonhado que não se importa comigo, que grita antes de me ouvir, que me subjuga... Desprezível, bruto, um selvagem rude e impiedoso... – ela cambaleou para trás, chutando algumas taças e pratos. Seus olhos brilhavam por lágrimas não derramadas que fizeram seu peito se apertar até ele esfregar a região dolorida, tentando fazer a dor ir embora – Atencioso, gentil e introspectivo... É o homem mais bonito que já vi, mas não deixa de ser cruel, porque me não me quer e não me deixa ir... – ele arregalou os olhos. Pela primeira vez na vida, Duncan corou – Você é tão distante, maldito seja, e eu te amo, por isso dói...
Ela continuou falando e arrastando as palavras, mas ele deixou de ouvir. Leonor dissera em alto e bom som que o amava. Ninguém jamais dissera aquelas palavras para ele, nem mesmo sua mãe. Nem Catarina foi capaz de amar o fruto de sua violação, nem seu pai, tampouco a esposa dele. Nem mesmo por mentira lhe disseram tais palavras. E sua esposa, a última pessoa no mundo que ele esperaria isso, disse que o amava para quem quisesse ouvir. Ela, uma Knightley, que deveria odiá-lo por existir... Ela o amava. Deus, ele poderia chorar. Mesmo ébria, ele sabia que ela era sincera. Leonor não mentia. Via as lágrimas em seus olhos e a sinceridade em suas arrastadas palavras e isso o comoveu profundamente. Ele se aferrou a sua declaração de todo o maldito coração que acreditou não ter. Duncan colocou um pé sobre a mesa e esticou a mão para segura-la, finalmente conseguindo alcançar sua mão. Torpemente, ela tentou se afastar, mas ele a puxou contra si. Importava-lhe um caroço o que pensavam os outros.
-- Venha aqui, moça – ele disse o mais gentilmente possível, rodeando-a com os braços. Sua esposa era uma criatura peculiar e incompreensível, e surpreendentemente o amava. Mesmo que não devesse acreditar naquela declaração, uma parte dele queria se aferrar ao primeiro carinho que recebia, já cansado de tantas patadas. Grunhindo incoerências, ela o empurrou com uma força que não deveria pertencer a uma mulher e saiu cambaleando sobre a mesa, chutando taças e pratos, girando em sua própria insensatez. – Leonor.
Ela acabaria por cair e quebrar o pescoço. Girou para longe dele e Duncan saltou do banquinho para segui-la, enquanto as pessoas se afastavam dele, abrindo espaço para sua passagem.
-- Não me toque, estou vendo dois de você. Por acaso tem um irmão gêmeo? – ela disse lenta e asperamente, fazendo uma careta de desprezo. – Eu quero beber aquela porra, será que ninguém entendeu ainda?
Ela também tinha uma língua viperina imunda quando estava ébria.
Leonor cambaleou para trás, mas não havia mais mesa onde pisar. Antes que Duncan pudesse segura-la, ela caiu nos braços de um soldado ainda mais bêbedo que ela. Rodeou o pescoço dele com os braços e gargalhou sem motivo algum. O soldado riu com ela, bebendo cerveja de sua taça. Duncan estreitou os olhos ameaçadoramente, resistindo ao ímpeto de rosnar. Por algum estranho motivo, provavelmente instinto de posse, odiou mortalmente a proximidade deles e arrancaria as mãos do imbecil se a tocava. Marchou na direção deles, mas freou quando Leonor apontou um dedo trêmulo para Erik.
-- Você deixa sua esposa insatisfeita – resmungou ela. Erik arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços sobre o musculoso peito, divertido e intrigado com a situação. Duncan se aproximou dela, vendo como arrancava das mãos do soldado a taça e bebia todo o conteúdo de um único gole. – Inferno, estou com sede. McGregor, quero beber!
Sem preâmbulos, ele a arrancou dos braços do infeliz e, como já parecia um costume, jogou-a por sobre o ombro, carregando-a para as escadas. Leonor ria como uma criança, até que começou a se debater. Ao ver que não era capaz de conseguir um resultado satisfatório, cravou as unhas em suas nádegas e o mordeu nas costas. As criadas ofegaram, atingidas por uma onda de decoro que poucas realmente tinham. Arian tentou controlar a situação, ordenando que voltassem para suas casas, pois havia um ferido e uma bêbada para serem tratados.
Deus, aquelas unhas em seu traseiro poderiam tê-lo excitado se não causassem dor. Ela arrancaria sua carne sem perceber. Pensou em leva-la ao quarto dela, já que era mais próximo, pois mostraria a sua ébria esposa como poderia satisfazer a ambos de forma que ela nunca mais reclamasse, mas desejava privacidade, então, dirigiu-se pelo corredor da esquerda, sem realmente ver o caminho. Leonor já não lutava, mas grunhia incoerências enquanto o mordia nas costas e lhe agarrava fortemente as nádegas. Sua ferinha inglesa era irremediável. Antes que percebesse, já estava subindo as escadas para o terceiro andar, onde ficavam os quartos do lorde e da família principal. Os quartos ali eram grandes e luxuosos, tudo o que pouco importava a ele. Segurava-a pelas pernas e não resistiu a apertar as coxas formosas de Leonor. Ela gemeu alguma coisa. Ele empurrou pesadas portas duplas de carvalho, entrando no cômodo quase vazio que lhe pertencia, que outrora fora de Lachlan. Fechou-a com o pé e desceu cuidadosamente Leonor ao chão.
Ela pestanejou com inocência, erguendo o olhar para o dele. O quarto estava iluminado apenas pela lareira e pela luz da lua, que se infiltrava pela janela aberta. A juba de ébano estava revolta ao redor de seu precioso rosto, as mechas desprendendo-se da trança, dando-lhe uma aparência extremamente sedutora para ele, fazendo a mais infame parte de si se perguntar como ela aparentaria depois de fazer amor com ele. Levou uma mão à sua bochecha. A pele de marfim era macia como um veludo real, ruborizada pela bebedeira. Ela deitou o rosto em sua palma manhosamente, sem romper o contato visual.
Era estranho para ele, mas sempre que se olhavam aos olhos, sentia como se pertencesse a ela e ela lhe pertencesse, de corpo, alma e coração. Como se jamais pudesse deixa-la, nem por um segundo. Afagou sua bochecha com o polegar, sentindo a pressão no peito outra vez. Deslizou a mão por sua nuca sem pressa alguma, demorando-se o suficiente para seu tato gravar a um fogo febril em sua essência a textura de sua pele e de seu cabelo, descendo pela despenteada trança, soltando mecha por mecha, revelando os cachos rebeldes e escuros que caíam em uma gloriosa e perfumada cascata por suas costas. Ela suspirou de prazer.
Como não vira que ela era tão bela antes?
Segurou seu rosto entre as mãos, sem conseguir desviar os olhos dos dela, mas sabia que seus lábios rosados estavam entreabertos, esperando por um beijo, na expectativa de receber atenção.
Minha, seu corpo rugiu.
-- Eu sou feia para você? – franca e direta, como o habitual.
Ele baixou a cabeça para a dela.
-- É preciosa.
-- Mesmo com o meu bocão?
As comissuras dos lábios dele tremeram em um estranho sorriso... terno. Sim, era ternura, o que o assustava ainda mais, pois aquela mulher alta e gloriosa despertava nele um torvelinho de emoções inomináveis que até então ele desconhecia. Temia o poder que ela tinha sobre ele.
-- Mesmo com seu bocão – provocou.
Beijou o alto de sua cabeça. Seu aroma de canela preencheu suas narinas imediatamente, tão suave e delicioso quanto uma carícia. Ela pousou as mãos em seu peito em um toque suave, mas que lhe queimou a carne até os ossos. Quando seus lábios se encontraram, algo dentro dele se revolveu em uma admiração profunda por ela. Não podia ser possível que o amasse, certo? Sua madrasta disse até o dia em que a lepra a levou: ninguém jamais amará ao filho do diabo, nascido do pecado e deformado por suas máculas. Mas, se Leonor realmente dizia a verdade... Ele... Ele poderia tentar melhorar por ela. Queria ser digno de seu amor.
No entanto, seus pensamentos nublaram até se perderem em algum recôndito de seu subconsciente quando as línguas se encontraram, entrelaçando-se em um quente e sensual embate que lhe esquentava o sangue a um nível incompreensível. Leonor colou seu corpo ao dele, encaixando-se à perfeição, as mãos em seu peito acariciando timidamente seus músculos, conhecendo suas formas e durezas. O beijo lento e expressivo foi se tornando ainda mais intenso e envolvente, as línguas batalhando em uma dança mais antiga que o mar. Sustentou a cabeça dela com uma mão, descendo a outra por seu pescoço, seguindo uma trilha de fogo até o delicioso vale entre os seios. Podia sentir seu coração acelerado palpitando contra sua palma.
Ela suspirou em sua boca e ele lhe mordeu o lábio inferior.
-- O que quer de mim, moça? – sussurrou rente a seus lábios. As respirações se encontravam em uma mescla de calor e desejo.
-- Quero você inteiro, Duncan McGregor. Cada pedacinho seu. E se me recusar, vou pegar à força.
Ele arqueou uma sobrancelha.
-- Vai me violar?
Aquilo era absurdo, mas encontrou extremamente divertido.
Ela sorriu com picardia.
-- Se for necessário.
Mas não era. Com Leonor, ele sempre estava em dúvida se deveria mata-la ou beija-la até perderem o fôlego. E o pior era que, desde que a viu saindo daquele mar irlandês, vinha desejando-a como um corcel perto de uma égua no cio. Tanto desejo contido era doloroso, sofrível, mas não queria simplesmente saltar sobre ela e devora-la até a alma. Queria saboreá-la, senti-la.
Por que eles ainda estavam de roupa mesmo?
Movido pelo forte desejo que nutria por ela, deslizou suavemente as mãos por seu corpo, delineando cada curva, aprendendo cada ponto de prazer que a fazia suspirar de deleite, até encontrar as nádegas redondas e macias e toma-las nas mãos. Beijou a curva de seu pescoço e ela estremeceu, arrepiada. Sua língua deslizou por aquela região sensível e saborosa, traçando uma trilha até seu ombro, banhando-a a fogo lento.
Seu corpo urgia pelo dela, rijo e dolorido, implorando pelo alívio que apenas ela poderia lhe proporcionar, mas se controlou o suficiente para não toma-la no chão mesmo. Mordeu a suave pele de seu ombro, usando os dentes para afastar a manga do vestido. Suspirando prazenteiramente em seu cabelo, ela deslizou as mãos que estavam em seu peito até seu ventre, fazendo-o ficar tenso e ainda mais desejoso. Ela puxou a camisa de linho para cima com impaciência, tocando agora pele com pele. Duncan subiu as mãos por suas costas, desfazendo os laços do vestido. Não entendia por que uma mulher precisava usar tantas roupas. Era trabalhoso demais para tirar. Bom, não faria amor com ela pela primeira vez lhe erguendo as saias como se fosse uma rameira. Afastou-se o suficiente para ver como caiam ao chão as peças pesadas de sua simples e elegante vestimenta, deixando-a apenas vestida na regata de linho branca. Leonor tinha os olhos obscurecidos, mas brilhantes de um sentimento que ele não conhecia.
Seu cabelo caía desordenado por sobre seus ombros e pelas costas, encaracolando-se em escuros halos nas pontas, cobrindo seus seios de seus olhos. Deus, era preciosa. Não parecia ébria, mas ele sabia que estava. Ele tirou a pele de lobo dos ombros, jogando-a em qualquer lugar que fosse. Se caísse na lareira, pouco lhe importava. Ela avançou para ele, os quadris rebolando com uma sensualidade natural. Duncan a segurou pela cintura e a puxou bruscamente para si, colando suas pélvis, fazendo-a saber o quanto a desejava, o quanto a queria.
-- Não acredita quando digo que é bonito, não é?
-- Não – ele respondeu sinceramente. Era grande demais, cheio de cicatrizes, com os olhos de um demônio e... Não, não ele não era bonito. Se ela soubesse o que ele tinha passado, o que fora sua desgraçada vida, não diria que o achava bonito ou que o amava. Ele queria contar a ela, mas não queria ser rechaçado e ter ciência disso o fazia temer ainda mais os encantos daquela mulher.
Ela tomou seu rosto entre as mãos e abriu um sorriso carinhoso, lúcido demais para quem estava ébria.
-- Não se torne o que os outros queriam que você fosse, mo chroí.
Ele arqueou as sobrancelhas em choque. Não sabia que Leonor falava gaélico. Já tinha sido surpreendente que soubesse esgrimir uma claymore tão habilmente, mas ouvir a perfeição de seu sotaque cadenciado falando sua língua como se fosse naturalmente sua o deixou completamente sem reação. Meu coração, ela disse.
Como poderia haver tanto amor em sua inimiga?
Ela se esticou nas pontas dos pés e plantou um beijo casto e terno em seus lábios. Ele abriu a boca para falar, mas sequer sabia o que dizer. Leonor aproximou a boca de seu ouvido.
-- Mostre-me como Deus fez um homem para possuir uma mulher.
Ele não poderia voltar atrás nem se quisesse.
Leonor mal conseguia se manter de pé por causa da fraqueza em seus joelhos e a cabeça latejava de dor. Não se sentia dona de seu próprio corpo, como se alguém a manipulasse para que fizesse seus desejos, mas sua única certeza era de que iria dar a Duncan McGregor o que jamais daria a outro homem. E que nunca pensou que daria a ele. Logo a ele. Mas não estava preocupada com isso. Não tinha muita ciência de suas ações ou palavras, mas sentia como lava deslizando pela pele cada toque daquelas mãos calosas de guerreiro. Algo doía e pulsava entre suas pernas e ela sabia que apenas aquele homem poderia satisfazê-la. Torpe e lenta, começou a se livrar da camisa de linho, já impaciente por estarem tão impecavelmente vestidos. Vendo como seus dedos tremiam, ele mesmo se despiu da camisa. Tonta e vendo duas vezes de tudo naquele quarto enorme, permitiu que ele tirasse a própria roupa.
Daquela vez.
Ela prendeu o ar nos pulmões, lambendo inconscientemente os lábios ao vê-lo inteiramente nu e banhado pela prateada luz da lua, como um anjo vingador parado ao lado da cama, em um libidinoso convite para eternos prazeres sombrios, para um passeio pecaminoso ao ápice da união entre um homem e uma mulher. Seu cabelo castanho-escuro se encaracolava nas pontas, emoldurando aquele rosto de feições duras, de queixo levemente quadrado marcado por uma fina cicatriz, de olhos tão negros quanto a imensidão do desconhecido que a aguardava. Ele era alto, os ombros largos e fortes, o peito duro como o aço da armadura de um espartano, todo o corpo moldado por músculos delgados e desenvolvidos pela guerra e pelos treinos. Fazia-a sentir-se pequena e feminina como ela nunca havia se sentido. Seus quadris eram estreitos, as pernas longas e musculosas e aquilo que o tornava homem... Céus, estava ereto e olhando para ela. A primeira vez que viu aquela coisa sentiu repulsa e medo, mas agora... Um calor líquido desceu por seu ventre, concentrando-se na sensível região entre suas pernas. Estava excitada por sua visão e, não sabia se podia, mas queria toca-lo em todas as partes, até nas nádegas duras e firmes. Cicatrizes atravessavam seu peito, algumas feitas por lâminas, outras por látegos. Algumas dentadas, outras finas. Ela podia adivinhar as armas que as causaram, mas não como as conseguira.
Ele era bonito. Como podia duvidar disso? Ela mal conseguia respirar ao contempla-lo tão nu... Na verdade, acabara de perceber que nem estava respirando. Soltou o ar retido em seus pulmões e forçou-se a respirar para poder admira-lo mais um pouco. Era a visão mais bela que seus olhos já tiveram o prazer de contemplar e ele se achava tão bestial, que ela queria ter alguma forma de mostrar a ele como o via.
Um homem corajoso. Paciente, apesar de bruto. Mas nunca descontou a raiva nela – por mais merecida que fosse – nunca ergueu a mão para castiga-la. Gentil. Tinha um coração valente e terno que a comovia incomensuravelmente, capaz de se preocupar e de proteger à sua maneira, observador e atencioso, zeloso por aqueles que necessitam de seus cuidados, esforçado... Ela via uma pessoa admirável nele, desde quando apeou de seu cavalo de guerra para saber se ela estava bem, naquele dia na praia que parecia ter acontecido há muito tempo, como se anos tivessem passado. Ela não quis admitir o que havia debaixo da couraça de guerreiro, mas agora... Não sabia quando ou por que sua forma de vê-lo mudou, mas estava disposta a aceitar sua nova realidade.
Deus, ela queria o amor daquele homem. Sua família devia estar se revirando nas tumbas naquele momento e, provavelmente, fechariam as portas do paraíso para ela, mas Leonor não queria viver mais afogada em sofrimento e guerras que não lhe pertenciam. Não queria envelhecer como sua mãe, chorando e se lamuriando em resmungos, recusando-se a se levantar e seguir em frente. Leonor queria ter um pouco de felicidade, de paz, queria encontrar o amor que seus pais compartilharam no passado.
Ela não entendia como um homem podia ser predestinado a uma mulher, como deveria saber que aquele era seu parceiro, a pessoa adequada que completaria sua essência, como o yin-yang. Mas nunca sentira por ninguém o que sentia por Duncan McGregor. Era forte, atraía-a para ele, fazia-a desejar tentar fazê-lo sorrir ao menos uma vez, tirar o peso das responsabilidades de seus ombros e lhe mostrar que a vida não é simplesmente preto e branco. O que sentia por ele não era arritmia.
E... Deus a ajudasse, ela queria fazer amor com ele, entregar seu corpo – e seu coração, mas ele não precisava saber que ela estava apostando tão alto sem pensar nas consequências futuras caso fosse rejeitada – e talvez... Talvez... Talvez pudesse lhe dar um menininho de cabelos e olhos negros.
Ela estava perdida, e sabia disso, mas agora, olhando para aquelas profundidades tão escuras e insondáveis, tudo o que queria era lhe dar o mundo. Ama-lo como uma mulher foi feita para amar um homem.
Duncan a segurou pela cintura e a puxou contra seu peito, colando os corpos. Ela teve de tombar a cabeça levemente para trás para poder olha-lo nos olhos. Sentia os corações no mesmo ritmo, acelerados e ansiosos, na expectativa do que aconteceria no leito. Podia sentir sua masculinidade pressionada contra seu ventre, rija e pulsante de excitação e saber que o desejo dele era por ela a encheu de coragem. Leonor rodeou seu pescoço com os braços, pressionando os seios contra o forte peito dele. A sensação de ter pele contra pele era inominável.
Sem perceber, lambeu os lábios, avivando a vontade dele de copular, de tê-la devidamente como marido e mulher. O beijo que lhe deu foi terno, expressando as palavras que ele não era capaz de dizer, mostrando um doce carinho quase reverencial que a emocionou profundamente. Uma mão deslizou por sua cintura, acariciando a curva do quadril, apertando uma nádega, puxando-a de encontro ao que o corpo dela tanto ansiava. Quando sua língua entrou em sua boca, ela derreteu sobre ele, embevecida e excitada, perdida em seu sabor, em seu calor. Foi o beijo mais delicioso que tiveram, sem pressa, sem batalha, apenas lento e sensual, cheio de carinho. A mão deslizou para sua coxa e ele ergueu sua perna, enrolando-a em seu quadril estreito. Leonor gemeu e suspirou na boca dele quando o eixo de seu sexo a roçou tão intimamente, provocando, incitando, fazendo menção de penetra-la, mas mantendo-se longe de onde ela realmente queria que estivesse. Impaciente, esfregou-se contra ele, buscando alívio para seu desejo desenfreado, sentindo cada músculo do corpo dele se retesando contra ela, sob suas mãos, em todo o comprimento de seu ser. Estavam separados apenas pela maldita camisola dela.
-- Desejo-te, inglesa – Duncan sussurrou contra seus lábios, a voz rouca. Beijou-a, descendo a outra mão por sua perna, até eleva-la ao redor de seu quadril. Leonor sorriu de forma travessa, enganchando os calcanhares sobre a base de sua coluna, apertando-se contra o peito dele para não cair. Duncan a abraçou, enterrando o rosto em seu pescoço, a quente respiração arrepiando todos os pelos do corpo dela. Passou as unhas pela nuca dele, brincando com as pontas de seu cabelo – Preciso te dizer algo.
Ela realmente não queria conversar.
-- Diga.
Ele caminhou para a cama e a deitou suavemente sobre as peles, cobrindo-a com todo o seu corpo. Deus, a sensação do peso dele sobre ela era maravilhosa. O calor se fundindo, o aroma das peles se mesclando, carne contra carne, coração contra coração... Duncan beijou a curva de seu pescoço e ela tombou levemente a cabeça de lado para lhe dar mais acesso. O mundo poderia ruir e ela não se importaria. Não enquanto o tivesse consigo, deitado sobre ela, entre as coxas, tão perto e tão longe de consumar o ato que tanto desejavam...
Ele beijou seu ombro, mordiscando a pele em brasa e sensível. Então, afastou-se um pouco, apoiando-se nos cotovelos, olhando-a nos olhos com aquele brilho triste de quem espera ser rechaçado.
-- A noite de bodas – ele começou, franzindo as sobrancelhas, procurando as palavras – Eu não... Nós não... Quero dizer, não... Não aconteceu.
Leonor arqueou as sobrancelhas, completamente aturdida, chocada pelo o que ele lhe revelava. Abriu a boca para dizer algo, mas não encontrou a própria voz. Não tinha reação. Ele interpretou seu silêncio como uma negação e amaldiçoando entre dentes, levantou-se, deixando-a sozinha sobre o colchão.
Mas houvera sangue no lençol... E ela não se recordava de ter dormido com ele. Chegou a cogitar a ideia de que ele forjara as bodas, mas na época estava aferrada ao que sabia sobre ele: bestial, frio, impiedoso, sanguinário, bastardo... Ele a deixara dormir. Não a forçara. Respeitou o medo dela em todos os momentos desde quando se conheceram, quando podia simplesmente ter tomado o que era seu por direito, deixando-a entregar-se a ele por vontade própria.
Quando alguém foi mais amável com ela?
Ela desejou gritar para o mundo que amava aquele homem, fosse McGregor, Knightley ou alguém sem sobrenome. Ele era um guerreiro feroz, um homem ferido, com uma fama de gelar o sangue... Seus feitos eram famosos em todos os lugares, no entanto, eram seus pequenos feitos o que a fizeram ama-lo. Quando apeou do cavalo para ver se ela estava bem, quando voltou para salva-la dos vikings, quando a ajudou a resgatar Gengis Khan, quando a protegeu com o próprio corpo e agora, quando lhe revelou que manteve sua virgindade em respeito a ela. Por mais que ele se considerasse um monstro, ela sabia que ele não era. Não recusava o que diziam dele, mas zelava por sua gente e ela sabia que ele daria a vida por cada um deles, igual a ela fizera com John. Duncan McGregor podia dizer o quanto quisesse que só era porque ela era sua propriedade, mas Leonor sabia que era mentira.
Ele sentia algo por ela.
Leonor se sentou na cama, encolhendo os ombros. Viu as costas dele. Ele estava de frente para a lareira, longe dela, rígido e quieto como um leão encurralado. Ela não o tinha rejeitado. Tinha estado surpresa pela revelação, mas ainda o queria. Seu corpo clamava pelo dele. Mordeu o lábio inferior.
O que fizeram com ele para que sempre esperasse uma rejeição?
Teria sido alguma mulher? Ele se apaixonou e ela partiu seu coração? Olhou para as costas dele. Ou teria sido, de alguma forma, o pai dele? Ela não conhecia a história dele, mas nada que viesse de Lachlan McGregor era bom. Sabia que algo havia de errado com Duncan, mas não fazia ideia do que poderia ser. Deus, não podia deixar as coisas assim. Respirou fundo.
Duncan olhou para as chamas que crepitavam na lareira, deixando-se perder em pensamentos que não tivessem ligação com sua esposa, tentando esfriar seu sangue para não fazer amor com ela naquele exato momento. Entendia que ela não queria ficar com alguém repulsivo como ele, era de se esperar. Provavelmente só pedira para dormir com ele para cumprir seus deveres de esposa e porque estava muito bêbada, mas... Ainda assim, não diminuiu a estranha dor opressiva em seu peito.
Queria voltar para a cama, ficar sobre ela e penetra-la até os dois estarem completamente exaustos, mas não a forçaria, por mais monstruoso que fosse. Estava prestes a pegar suas roupas para sair do quarto, quando estancou onde estava.
Nua. Leonor estava completamente nua, a juba revolta lhe cobrindo os seios, o olhar baixo e submisso, sentada sobre as próprias pernas, as mãos juntas sobre o colo, como uma oferenda. Não parecia ela, não havia nenhum traço de sua rebeldia habitual. Sua moça intrépida estava enrubescida, quieta e... Linda. Sim, muito linda e muito nua, fazendo o corpo dele reagir de imediato. Algo entre suas pernas se erguia como um mastro só de vê-la. Timidamente, ela ergueu o olhar para o dele, silenciosa e sem qualquer indício de repulsa.
-- Duncan – ela disse sem titubear – Aonde vai?
Ele não sabia, porque seria muita idiotice abandona-la daquela forma. Sem perceber, seus pés se dirigiram para frente, como se ele sofresse de algum encanto que o controlasse.
Ele não conseguia sequer responder.
Quando esteve perto da cama, Leonor estendeu a mão para ele. Diabos, ela tinha se tornado absurdamente importante para ele e não seria capaz de lhe negar nada, fosse o que fosse. E naquele momento, ele realmente não negaria. Absolutamente. Ajoelhou-se na cama e tomou a mão que lhe oferecia, levando-a aos lábios. A pele era macia e fria.
-- Está com frio, inglesa?
Leonor tentou dissimular um sorriso, mas foi em vão.
-- Sim, marido. Vai fazer algo para remediar isso?
Ele não precisava responder. Deitou-a cuidadosamente na cama e, segurando-a pela cintura, puxou-a para o centro do colchão. Afastou o cabelo para os lados, vendo as mechas de ônix se abrindo em leque debaixo dela, revelando seu precioso corpo. Olhou-a sem qualquer pudor, quase reverenciando aquele corpo que lhe era entregue tão abertamente. Pousou uma mão sobre o ventre plano, sentindo a cálida maciez de sua pele acetinada. Leonor cobriu sua mão com a dela, os dedos delicados se entrelaçando aos dele. Era um gesto singelo e provavelmente sem importância, mas parecia incrível para ele. Ela era a primeira pessoa a lhe segurar a mão, a lhe oferecer algo sem pedir nada em troca.
Desconfortável, sentiu como se ela transpassasse bravamente com uma lança a couraça que ele tinha sobre a carne e chegasse ao coração gelado apenas por estar daquela forma tão íntima com ele. Quis lhe contar seu passado, quis mostrar a ela com que tipo de monstro estava casada, mas não queria conversar agora. Não queria ser rejeitado, não naquele momento, não quando ela parecia estar lhe oferecendo o amor que ele não teve. Ela o amava e ele não conseguia não acreditar. E nem queria.
Como se lesse seus pensamentos, ela guiou a mão dele sobre o ventre, subindo pelo vale entre os seios, até parar sobre o peito, onde o coração batia rápido e fortemente, cada vez mais acelerado.
-- Sente? – ela disse com a voz baixa e extremamente sedutora. Ele anuiu com a cabeça – É por ti, Duncan McGregor.
A garganta fechou. Sem saber o que dizer, ficou sobre ela e a beijou, provando a doçura de seus lábios, deleitando-se com a resposta ávida de sua língua. Mesmo que não a merecesse, ela era sua e não a deixaria ir nunca. Encheu as mãos com seu cabelo, puxando-a para si, deixando seu peso sobre ela sem esmaga-la, encaixando os corpos. Enquanto a beijava, usou os joelhos para lhe abrir as pernas, colocando-se lentamente entre suas coxas. Ela suspirou e gemeu em sua boca, o quadril ondulando, buscando o real encaixe, as unhas cravadas em suas costas como se fosse para impedi-lo de ir embora. Ele não a deixaria nem se Hugh Knightley aparecesse dos mortos com um exército de demônios. Mandá-los-ia esperar eternamente.
O beijo se tornou mais intenso, as línguas varrendo as bocas, entrelaçando-se em uma dança lasciva e desejosa. Duncan deslizou as mãos pelo corpo de Leonor, moldando suas curvas como um escultor faria com argila, já familiarizado com suas formas e com os lugares mais sensíveis que ela gostava de ser tocada. Entrelaçando suas mãos, ergueu-as lentamente acima da cabeça, sem conseguir parar de beija-la nem para respirar. Seu peito estava colado aos seios formosos que ele adoraria ter na boca outra vez, os ventres unidos, as respirações compassadas e ofegantes. Ele a penetrou devagar, deslizando em seu interior úmido e quente, absorvendo com os beijos cada ofego e gemido dela. Sua resposta era o que mais o excitava. Parou ao chegar à barreira de sua virgindade, mas, impaciente como ela era, plantou os pés sobre as peles e se impulsionou para cima, tentando recebê-lo, levando-o à loucura.
Queria entrar nela e bombear desesperadamente em seu interior, mas não podia fazer isso. Quer dizer, não queria machuca-la ainda mais. Usando toda a força que possuía, recuou um pouco. Leonor gemeu um protesto. Agradava a ele muito menos ter tanta paciência. Acariciou suas mãos antes de descê-las pelos braços. Beijou sua bochecha, o queixo, a garganta, mordeu a curva de seu pescoço, lambeu seu ombro, cada vez mais incitado com seus gemidos, com a forma como ela movia os quadris, buscando por ele. Tomou um seio na mão, excitando o mamilo com o polegar. Ela entreabriu os lábios e virou o rosto para o dele, enterrando as mãos em seu cabelo. Ele gostava de suas unhas na nuca, era uma sensação tranquilizadora.
-- Beije-me – ela ordenou, a voz baixa e rouca. – Agora, Duncan, beije-me.
Dane-se se era ordem ou não. Reivindicou seus lábios com uma posse animal, mas não precisou fazê-la responder, porque ela acompanhava seu ritmo sem dificuldade, ávida e selvagem como ele. Sugou sua língua entre os lábios, voltando a beija-la como se sugasse dali sua vida. Leonor rodeou seu quadril com as pernas, enganchando os calcanhares de forma que o prendia irrevogavelmente a ela. Abandonou o seio, deslizando a mão por seu ventre, deixando uma trilha de calor febril por cada parte que tocava.
Ele se sentia sendo escaldado pelo toque dela. A forma como suas unhas arranhavam seus ombros, suas costas, como ela respondia aos beijos, como ela ofegava e gemia, como roçava sua intimidade no eixo dele, a ponto de a dor em sua virilha ser insuportável... Por Deus, não podia aguentar mais. Ela estava pronta para ele e ele teria muitos outros dias para saborear cada pedacinho dela.
Com as mãos em concha, segurou as nádegas de Leonor, distraindo-a com beijos e mais beijos e, erguendo seu quadril da cama, penetrou-a completamente, desfazendo-se da barreira de sua virgindade de uma única vez. Ao contrário do que esperava, ela não gritou pela dor. Mas estava tão rígida debaixo dele que ele ficou sem saber o que fazer. Apoiou sua testa na dela, as respirações de ambos dificultosas.
-- Me desculpe – ele sussurrou, mas aquilo não amenizaria sua dor. Sabia que ela era uma guerreira, que superaria com orgulho, por isso achou que se enfrentasse a dor de uma única vez fosse ser melhor do que aguentá-la lentamente. Agora, queria lhe dizer qualquer coisa, mas não encontrava as palavras.
Esperou que ela se acostumasse com o tamanho dele, que seu corpo se amoldasse ao dele, encaixando. Ela era apertada e quente e isso o estava matando, porque não se moveria até ela estar bem. No entanto, ela permanecia petrificada debaixo dele, as unhas cravadas em suas costas como as garras de um gato furioso. Ele deixou de segurar suas nádegas para segurar seu rosto entre as mãos. Os olhos dela estavam entreabertos, sem qualquer traço da anterior paixão. Afagou sua bochecha e depositou um terno beijo em sua testa suada, afastando as escuras mechas de seu rosto.
Leonor recuou o quadril e a fricção o fez gemer, tanto de dor como de prazer. Ela avançou outra vez, recebendo-o dentro de si, gemendo em um suspiro. Pela expressão que tinha, parecia surpresa e perdida em um prazer desconhecido. Ele se retirou quase por completo dela, obtendo como resposta um protesto, as coxas o apertando com força, as pernas tentando puxa-lo de volta. Lentamente, penetrou-a. Por Deus, aquilo podia enlouquecer qualquer homem. A sensação era viciante, fazia querer se mover, bombear dentro dela desesperadamente até obter o alívio para aquela tortura deliciosa. Seus quadris se chocavam em embates ritmados, seguindo os movimentos mais antigos que o mundo, ondulando um para o outro. Ele segurou seu rosto entre as mãos e a beijou, precisando sentir seu sabor enquanto a penetrava, enquanto seus corpos se fundiam.
Ela se arqueou para ele, os mamilos eriçados contra seu peito, dando-lhe um ângulo ainda mais prazeroso para entrar nela, de forma que, a cada estocada, roçasse o centro de seu prazer. Absorveu os gemidos dela com os próprios, devorando-a com a língua e os lábios. A sensação de fazer amor com ela o deixava na beira de um abismo, levando-o ao ápice, como se fosse explodir em milhares de pedaços cada vez que entrava e saía de seu interior, suas aveludadas paredes internas o apertando, fazendo-o achar que o alívio estava próximo, para logo depois descobrir que ainda estava longe. A fricção íntima era completamente viciante, desesperadora, deliciosa e irrefreável.
Penetrou-a com mais força, recebendo sua resposta como uma chama que o enlouquecia. Leonor arranhou suas costas, suspirando seu nome, abrindo-se mais para recebê-lo por inteiro, buscando o próprio prazer com a mesma selvageria que ele. Deus, eles estavam perdendo o controle. Completamente enlouquecido pela forma como ela se movia, segurou-a pelas nádegas, puxando-a para si, penetrando-a com tudo o que tinha. Cada vez mais rápido e mais forte, fizeram amor sem restrições, expondo-se um ao outro sem necessitar de palavras. Sentiu quando o corpo dela começou a aperta-lo, quando os primeiros tremores do orgasmo a afligiram e ele logo a seguiu, estremecendo sobre ela, entrando e saindo mais intensamente. Ele bombeou dentro dela quase com desespero. Ela tomou sua semente até a última gota, o calor antes concentrado em seu tenso ventre agora se derramando nela até o limite. Sem fôlego e exausto, caiu sobre ela, enterrando o rosto na curva de seu pescoço, inspirando seu aroma, penetrando-a uma última vez.
Ele não teria força para mais nada nem se quisesse. Fechou os olhos, o coração acelerado no peito, a respiração ofegante. Sentiu os braços dela o rodeando em um abraço lânguido e carinhoso. Leonor beijou seu cabelo e descansou a bochecha ali.
Ela era tão delicada que, se não soubesse o quão forte sua mulher era, teria medo de quebra-la. Mas era uma guerreira valente e ele se orgulhava disso. Nunca pensou que admitiria isso alguma vez, mas Duncan não se arrependia de ter se casado com Anna Leonor Knightley de Westminster. Definitivamente, podia até mesmo se imaginar ficando velho ao lado dela, uma visão que o assombrava, porque não sabia até que ponto iam seus sentimentos por sua esposa.
Um homem apaixonado era um homem débil, certo?
-- Duncan – ela sussurrou em seu cabelo. Apoiando-se nos cotovelos, ergueu-se para olha-la nos olhos. Aquelas orbes azuis brilhavam como cristais na penumbra da noite, a luz prateada da lua iluminando o rosto dela – É sempre... bom assim? Digo, fazer amor... É... Assim?
A pergunta o pegou despreparado. Não havia razão para mentir para ela, orgulhava-se do que houve entre eles. Olhando naqueles olhos, sentiu-se forte e incrível, capaz de derrotar o mundo por ela. Inferno, o que havia de errado com ele?
-- Eu não... Eu não sei – respondeu com sinceridade. Ela franziu as sobrancelhas levemente.
-- Então essa...
-- Também foi minha primeira vez.
Leonor não conseguiu fazer outra coisa senão segurar o rosto dele entre as mãos antes que desviasse o olhar. Sorriu para ele. Não conseguia acreditar que eles perderam a virgindade juntos, mas isso a emocionou absurdamente. Tinha sido mágico o que tinham compartilhado naquela cama e ela não queria que acabasse nunca. Abraçou-o com as pernas e o fez manter a vista na dela. Queria que ele visse sua sinceridade, mas também queria respostas para suas dúvidas.
Ele é meu, suas células gritavam loucamente.
Afagou suas bochechas, levemente ásperas pela barba de um dia.
-- Por que você...?
-- Que mulher iria me querer, Leonor? – grunhiu ele asperamente, os olhos ainda mais escuros pela amargura de suas palavras, o que a fez ficar triste por ele – Eu sou um bastardo, fruto de um estupro, filho do próprio diabo... Nem o dinheiro me daria uma mulher. Não te lembra da tua reação quando soube quem eu era? Que mulher desejaria compartilhar a cama do demônio?
-- Eu – ela respondeu sem pensar, depois fez uma careta por suas próprias palavras. Plantando os pés na cama, impulsionou o corpo com todas as forças e o jogou sobre as peles. Quando ele caiu ao seu lado, ela rapidamente se sentou sobre ele, os joelhos emparelhados com seu quadril. Deitou sobre seu peito e voltou a agarrar seu rosto entre as mãos. Bruscamente, pressionou os lábios contra os dele, ignorando sua expressão aturdida e surpresa. Dane-se. – Você não é um monstro, seu grande imbecil – disse ela, franzindo profundamente as sobrancelhas como ele fazia – Não é um demônio, Duncan McGregor. Seu pai era. Você não. Está ouvindo bem? Diga de novo essas palavras e eu corto sua língua com sua própria espada e vou embora. Eu não conheço sua história, não sei como nasceu ou que fizeram contigo, mas conheço o teu coração, isso não é o bastante para você? – Porque ela nunca se entregaria a ele se não soubesse quem ele realmente era. – Me alegro de você não ter dormido com nenhuma outra, de ser sua primeira. Eu dormiria com você, todos os dias e horas, se me deixasse. O que tenho de fazer para que acredite em minhas malditas palavras?
Com uma mão em sua coxa, levou a outra para o rosto dela. Foi um toque tão gentil que ela teve vontade de gritar. Cumpriria sua promessa de viola-lo com muito orgulho. Para silencia-la, seduziu-a com um terno beijo, um reles roçar de lábios. Leonor derreteu sobre ele, já completamente esquecida do que estavam falando. Apertou sua coxa, subindo e descendo por sua perna, invadindo sua boca com a língua. Ela suspirou no meio do beijo, embevecida, encantada, perdida na bruma de desejo daquele beijo. Por Deus, deveria ser ilegal um homem beijar tão bem.
Ela achou tê-lo ouvido dizer obrigado, mo gra, mas estava muito ocupada beijando aqueles lábios tão pecaminosos. Se ele a chamou de meu amor, ou não, ela logo descobriria.
Notas finais
Até hoje ainda não acredito que o Duncan é... Duncan, não há palavras *-* Classificação taxonômica: Duncanus gustusus. PQP, EU AMO ESSE CAPÍTULO DE PAIXÃO, FOI LINDO KKKKKKK
Um comentário e ganhe uma noite de prazer com o personagem que quiser hahaha Eu tenho muitos em mente kkkkkk
Fale com o autor