Pray For Love

10 Capítulo 9 - Aquarius Let The Sunshine In


Notas iniciais
Um capítulo que espero que vocês tenham esperado ansiosamente, e lá vai! kkkk Boa leitura!! (Título: Aquário [Deixe a luz do sol entrar]) ➢ Dia 13: Aquarius (Let The Sunshine In) - 5th Dimension

Lucy estava dando a volta, como havia feito anteriormente, e por algum motivo o caminho parecia mais deserto do que o normal. Aquela parte da cidade tinha poucas decorações, as quais foram desmontadas mais rapidamente, então os moradores deviam estar ajudando o restante, resultando em ruas vazias e casas silenciosas.

Não que ela tivesse com o que se preocupar, mas da última vez que saíra sozinha para caminhar numa rua deserta, os membros da Phantom Lord a haviam capturado para chantagear seu pai. Más lembranças, realmente.

Soltou um suspiro, virando uma esquina. Estava começando a descer a rua quando um grupo que ainda não havia notado parou em sua frente. Lucy levantou uma sobrancelha, subindo o olhar. Eram aproximadamente quatro garotos, com aparência entre vinte e vinte e cinco anos, todos seguindo o parâmetro usual de trombadinha — calças largas, casaco com capuz e mão nos bolsos.

Quem diria, também havia pessoas mal encaradas naquela cidade.

— Você está carregando uma bolsa grandinha, hein? — comentou um deles, parecendo bem indiferente, embora seus olhos negros não deixassem a bolsa, provavelmente imaginando o que poderia haver em seu interior.

— Sim — concordou a garota, franzindo os lábios. Para uma bolsa que tinha seus únicos pertences em quilômetros, até que era bem pequena! Eles deviam achar que estava por aí passeando.

— Você não quer mostrar pra gente o que tem dentro dela? — perguntou ele, seus olhos ainda fixos no objeto, sem sequer piscar.

— Hm, não acho que é da conta de vocês... — afirmou, usando o mesmo tom indiferente que ele. A mão que não segurava a bolsa desceu rapidamente para suas chaves, presas em seu cinto, e isso sim pareceu captar a atenção dele.

— Que brilhante. É ouro?

— Você vai descobrir logo — comentou, puxando o molho de chaves do cinto e optando pela de Taurus. Levantou-as, preparada para começar, mas antes que tivesse tempo de ativar o encantamento, o rapaz bateu em sua mão, arrancando as chaves dela com brutalidade.

Lucy tropeçou para trás de olhos arregalados.

— Ei! — Franziu a testa e pulou para cima do garoto, esticando as mãos para seu pertence, mas ele foi mais rápido e se virou, dando-lhe uma cotovelada na altura do pescoço.

A loira caiu para trás, tossindo, e dessa vez seu traseiro fez contato com o chão. Sua traqueia doía horrores e cada lufada a fazia arder como se estivesse em chamas. Levantou a mão, tocando-a ainda surpresa, e antes que tivesse tempo de perceber, outro do garotos arrancou a bolsa de sua mão.

Levantou a cabeça com raiva, tossindo, e usou a mão sem a bolsa para se apoiar no piso e se erguer, ignorando o joelho que ralou um pouco durante a queda e alguns dos cortes em suas pernas do episódio do jantar em sua casa, que já estavam cicatrizando e abriram com o atrito. Retirou os dedos da traqueia, optando por ignorá-la ao menos por hora, e desceu-os até o chicote em seu cinto.

Puxou para fora, preparando o bote. O garoto com sua bolsa estava distraído abrindo-a para ver o conteúdo, o que chamou a atenção dos outros — eles estavam achando que ela ficaria apenas sentada chorando, era? —, e tomou isso como oportunidade para atirar o chicote, que prendeu ao redor do pulso do ladrão e o fez soltar sua bolsa no susto.

Felizmente nada lá dentro era quebrável, ela lembrou a si mesma, rangendo os dentes de ódio. O garoto soltou um palavrão em alguma língua estrangeira — será que não era de Fiore? — e se virou para ela com olhos injetados. Os outros três imediatamente seguiram seus exemplos. Parecia que não estavam muito acostumados à resistência das vítimas.

Lucy soltou o chicote de seu pulso, a fricção provavelmente fazendo-o arder, a julgar pelo modo como o garoto loiro se encolheu e sua expressão irritada vacilou por alguns segundos. A pele ao redor de seu pulso estava vermelha e logo um pequeno filete de sangue podia ser visto, proveniente de um corte bem fino causado pela ponta de seu chicote, que o arranhou enquanto o prendia e o soltava.

Ela não gostava muito de machucar os outros, mas naquele momento era definitivamente necessário.

— Sua vadia — reclamou o garoto com suas chaves, perdendo a indiferença forçada que tinha antes. Jogou as chaves em seu bolso da frente e Lucy ouviu o tilintar enquanto eram comprimidas contra o tecido jeans, o que a fez torcer o nariz. Não devia tratar suas amadas chave desse jeito!

— Cala a boca — praguejou, preparando o chicote mais uma vez. Ao soltá-lo, acertou um dos garotos mais altos que até o momento estivera quieto, e os outros três começaram a circundá-la, como que tentando encurralar a loira. — Não vou deixar! — vociferou, andando para trás até que suas costas tocassem a parede, garantindo assim que nenhum ataque surpresa por trás seria uma preocupação.

— Tsc — resmungou o garoto alto que acabara de ser atingido, esfregando seu ombro, onde a blusa havia sido cortada pelo ataque da garota. — Temos que dar um jeito nessa vadiazinha.

— Parece que o vocabulário de vocês é meio limitado — zombou Lucy, dando outra chicotada no garoto que roubara sua bolsa. Dessa vez ele conseguiu se esquivar, indo para o lado.

Isso não era bom. Estava em desvantagem numérica e sem suas chaves, não tinha como usar seus poderes mágicos a seu favor. Eles eram todos mais altos que ela, e embora parecessem leigos em luta corporal, um soco ou dois bem dados seriam o suficiente para derrubá-la. Lucy nunca foi boa em usar seus punhos — esse era o talento e especialidade de Natsu.

Natsu... Será que ele ainda estava no hotel? Será que já encontrara os outros?

Foi retirada se seus pensamentos quando um deles tentou acertá-la com um chute. Lucy imitou o loiro e se moveu para o lado, evitando assim algum hematoma desconfortável, e aproveitou a deixa para usar seu chicote mais uma vez.

O garoto praguejou e mancou para trás, franzindo o nariz. Apoiou seu peso na outra perna e, para todos os efeitos, parecia incapaz de lutar de novo, pelo menos naquele momento. Os outros três a olharam feio e o garoto com suas chaves partiu para cima, só para receber uma chicotada no peito que o fez perder o fôlego e soltar um uivo de dor. Lucy franziu os lábios — aquele não era exatamente seu som favorito.

Era uma boa deixa para pegar as chaves de volta, aproveitando a confusão. Virou-se e atacou o garoto loiro com o chicote mais uma vez, e ele deu alguns passos para trás para desviar. Então pulou no moreno, alcançando seu bolso com entusiasmo enquanto ele urrava pasmo, e...

Uma mão agarrou seus cabelos, puxando-a para trás e a Heartfillia perdeu o fôlego, voltando ao chão. O garoto alto que acertara no braço um minuto antes a olhou possesso e, em meio aos gritinhos de felicitação dos outros membros, levantou o punho.

~*~

Natsu continuou a subir a rua, ignorando as pessoas ocupadas com a arrumação dos enfeites, o que ocasionou algumas reprimendas raivosas, tropeções e encontrões, mas para ele tanto fazia. Após gritar que iria procurar pela loira, voltava correndo até a pousada, esperançoso.

Assim que viu a porta da mesma, virou, adentrando e quase caindo no piso polido da recepção. A moça ao balcão arregalou os olhos, parecendo chocada com o que via: um garoto de cabelos rosa que acabara de sair voltando esbaforido. Ele andou até o balcão, tomando ar em grandes lufadas, e falou antes mesmo de ter recuperado o fôlego:

— Você sabe... Pra... Onde foi... A gar... Garota! Loira que... Tava comigo? — terminou, apoiando ambas as mãos no balcão e abaixando a cabeça. Seu diafragma estava ardendo, assim como seus músculos, obrigados a fazer fermentação para acompanhar o ritmo insano a que os submeteu.

— Ela saiu antes de você — respondeu a recepcionista, inclinando a cabeça para o lado. — Algum problema?

— Você sabe pra onde ela... Foi? — perguntou, ainda um pouco esbaforido.

— Ela disse que ia pra praça central — comentou a garota, franzindo os lábios com uma expressão de concentração. — Mas quando eu avisei que a rua que segue daqui até lá estava interditada, ela disse que tentaria ir por trás, porque foi o mesmo caminho que fez pra chegar aqui.

— Obrigado... — respondeu de modo sucinto, se virando para sair.

— Ah, senhor! — chamou, inclinando-se contra o balcão e estendendo uma mão. Natsu a olhou impaciente e ela entendeu o recado muito bem. — Vire à esquerda quando chegar no final deste quarteirão, ok? Esquerda! Foi pra esse lado que ela disse que ia.

— Ok, valeu! — agradeceu, levantando um polegar rapidamente antes de deixar o recinto. Seus passos eram tão rápidos que se perguntava se estava deixando uma trilha de fogo no chão. Não, claro que não, fogo não era tão fácil assim de ser produzido...

Ao chegar ao final do quarteirão, virou à esquerda, correu, correu e correu.

~*~

Lucy tentou levantar o braço com o chicote para revidar após o primeiro soco, mas estava tão zonza que podia jurar que via estrelas, e o garoto mais do que rapidamente chutou a arma de sua mão. Então, aproveitando que ele a segurava parada pelos cabelos, o loiro se aproximou, dando um sorriso que em sua visão confusa parecia bem esnobe antes de preparar um chute e mirar em seu estômago.

A garota cuspiu saliva e ar, se inclinando sobre o abdômen. Estava sem fôlego e tinha certeza de que seus pobres pulmões haviam sofrido com esse golpe. Sua especulação foi confirmada quando tossiu e sentiu o metálico gosto de sangue na boca.

— Você sabe, não gosto de bater em mulheres — começou um deles, e pela voz ela podia reconhecer o garoto que estava com suas chaves. Em algum momento enquanto debatia seus danos internamente ele havia se aproximado, e agora parecia bem irritado. — Mas algumas cadelas como você precisam aprender bons modos.

E dizendo isso, desceu — um soco ou um chute, ela não sabia dizer, mas pela força diria que era um chute — um ataque contra sua nuca.

Ah, a nuca era golpe baixo. Essa região cerebral era responsável por controlar suas contrações inconscientes, como a respiração e, por Deus, seus batimentos cardíacos. Eles não tinham medo de matar?

Claro que Lucy pensou isso tudo mais tarde, porque naquele momento o que sentiu foi uma tontura muito forte e perdeu a consciência efetiva de seus músculos, sentindo-se uma boneca de pano. Caiu para frente e a única coisa que a impediu de ralar a cara nos paralelepípedos do chão foi a mão que segurava seus cabelos.

O mundo parecia preto. Tinha noção de que estava recebendo mais alguns golpes e xingamentos, mas sua mente não conseguia processá-los direito. Ao invés disso, se concentrava na única coisa que conseguia entender bem — o gosto de sangue em sua boca, que estava se intensificando cada vez mais.

E então parou.

Não a dor, nem a dormência e a confusão, muito menos os gritos, mas sim o ataque.

Quem quer que estivesse segurando seus cabelos, deixou-os ir, e ela sentiu o corpo leve. Ia se chocar contra o chão, mas algo a segurou, pressionando-a contra uma superfície quente e sólida, que não a machucava, arranhava ou parecia hostil.

— Luce? — Teve a impressão de ouvir, mas não estava entendendo direito. Podia visualizar a face de Natsu, mas o que estava acontecendo? Não conseguia ler sua expressão e aquilo tudo bem que estava parecendo um sonho. — O que vocês fizeram com ela?

Agora sua voz parecia irritada, e ela os ouviu resmungarem algo em retorno. Então Natsu disse o nome de algum de seus golpes pirotécnicos e os urros ecoaram confusos por seus ouvidos. Antes de qualquer outra coisa, algo alcançou seus lábios:

— Minhas chaves.

Natsu pareceu entender, e ela podia jurar que ele estava franzindo a testa.

— Devolvam as chaves dela.

Mais algumas discussões e então o tilintar das chaves alcançou o ouvido de Lucy. Virou o rosto instintivamente a tempo de ver o brilho dourado se instalar entre os paralelepípedos do piso. Se estivesse em condições, levantaria e gritaria por jogarem suas chaves no chão, mas não era o caso, então apenas fechou os olhos e suspirou aliviada para si mesma. Mais alguns sons e os garotos pareciam ter ido embora.

— Luce? Luce! Não desmaie — chamou Natsu, e ela sentiu uma mão dando tapinhas em seu rosto. Entreabriu um pouco os olhos a tempo de ver os lábios vindo em sua direção, e antes que sua mente tivesse tempo de processar, ele já a estava beijando.

Foi bem gentil, diferente do que ela havia feito com ele na noite anterior. Sua boca se moldava perfeitamente a dela, e estava seca e quebradiça, como se ele estivesse desidratado. Era suave, ainda assim, e por qualquer motivo que fosse, fez um calor se acender no estômago da maga.

Lucy suspirou suavemente quando se separaram e seus sentidos começaram a melhorar. Ele a estava olhando e seus olhos brilhavam, as sobrancelhas franzidas, assim como os lábios, em preocupação, e seus olhos pareciam levemente úmidos. Ele os fechou, encostando sua testa na dela.

— Sua idiota. Olha o que fizeram com você — murmurou, seu nariz tocando a lateral do da loira, e seus lábios se roçavam de vez em quando enquanto falava. Lucy fechou os olhos ainda se sentindo meio lenta, mas não tanto quanto antes.

— Olha quem você chama de idiota — sussurrou suavemente, tão baixo quanto um suspiro, e ele pareceu entender, mas mesmo assim não se afastou. Uma de suas mãos quentes parou na bochecha dela, acarinhando a região inchada gentilmente.

— Você diz todas aquelas bobagens e então vai embora e acaba desse jeito — contou, a voz acusadora. — Você é uma idiota, idiota.

— Bobagens? — resmungou. Era difícil ficar irritada, no entanto, quando ele estava sendo tão carinhoso. — Bobagem foi se esconder embaixo de um cobertor estúpido, idiota.

— Eu não queria que você visse a minha cara. Eu estava com vergonha — se justificou, parecendo um pouco alterado. — A culpa foi sua por me fazer me sentir confuso. Embora agora eu não me sinta mais assim.

E ao murmurar isso, deu um selinho rápido nela novamente e então se afastou, mudando suas posições para que pudesse colocar o nariz nos cabelos loiros da moça e inspirar profundamente. O que o recebeu foi o cheiro do xampu que impregnava o banheiro quando ela tomava banho, o aroma natural de sua pele, doce e discreto, e o odor característico de suor, provindo da luta.

Essa era Lucy. Sem desistir facilmente e quase morrendo no processo. Foi a mesma coisa que fez quando Gajeel a ameaçou ao ser capturada pela Phantom Lord, ou quando foi encurralada pelo guerreiro do purgatório da Grimoire Heart e se recusou a fugir, não importando o que acontecesse a ela.

Sorriu contra seus cabelos. Lucy sempre fora uma boa maga e uma boa amiga.

— Natsu... — ela murmurou após algum tempo de silêncio, se sentindo relativamente melhor em relação à tontura e à confusão. — Pode me sentar e pegar as minhas chaves pra mim? — pediu.

— Ok — assentiu ele, soltando-se lenta e relutantemente dela antes de puxá-la sentada, o que causou alguma tontura à maga, e se esticar até pegar o molho de chaves ao longe. Trouxe-o para perto e manteve uma mão na base das costas da loira para lhe dar apoio antes de colocar o objeto sobre suas mãos abertas.

Lucy as pegou e trouxe para perto do rosto. Remexeu até encontrar a chave de Áquario, e Natsu não se surpreendeu ao perceber a falta da tranca — ela já havia contado há muito tempo de seu pequeno sacrifício.

— Quando a lua está na sétima casa — ela começou a murmurar, seus olhos não deixando a chave. — e Júpiter se alinha com Marte, minha mãe disse que começa algo conhecido como Era de Aquário. De acordo com ela, nesse momento, o amor vai alcançar até mesmo as estrelas e o mundo pode se tornar utópico, com harmonia, felicidade, sinceridade...

— Hm — concordou, indicando que estava escutando.

— Quando estava sozinha, nesse último ano, eu fiz uma pesquisa. Marte e Júpiter realmente se alinham, e a lua realmente fica na sétima casa de rotação ao mesmo tempo. Isso acontece uma vez a cada setenta anos, quando a constelação de Aquário está no céu, em janeiro, este mês. Esse ano é o ano da Era de Aquário — explicou, passando os dedos sobre o símbolo da chave. — Eu acho que Aquarius estava me protegendo. Pra me proteger, ela realizou o meu desejo. Ela me mandou você.

Natsu arregalou os olhos, sentindo a respiração presa na garganta. Ela estava dizendo coisas que absolutamente não deviam fazer sentido, então porque ele sentia como se entendesse?

O sentimento entrou em sua mente como a luz do sol entra pela janela, sorrateiro, como se estivesse lá o tempo inteiro, e em sua falta era notado. Prendeu a respiração, inclinando-se e apoiando a cabeça no ombro de Lucy, que estremeceu ao toque.

Deixe o sol entrar, pensou, a respiração lenta. Como Igneel dissera, tinha que falar sobre o que iria fazer, tinha que aceitar, e isso se tornaria sua razão para viver. Ela estivera lá o tempo todo, a razão, só que ainda não sabia.

Aquilo não era um fim, mas de certa forma, Natsu sentia como se tivesse acabado de começar.

Notas finais
Eaê, gostaram? O Natsu é um fofo, né? ;D Correndo aqui kkkk Gente, vou ficar fora o dia inteiro amanhã! Estou tentando fazer o capítulo de amanhã aqui, mas não acho que está dando muito certo... Se eu conseguir, programo a postagem, senão eu posto no domingo. Não vejo necessidade em pular considerando que já comecei o capítulo e tudo o mais. Bem, enfim, não estranhem então se o capítulo surgir sem que eu tenha respondido os reviews de hoje, ok? ;D Obrigada, aliás, a todo mundo que está lendo, comentando, favoritando, acompanhando e etc! Beijitinhoooooooooooooos