Pray

21 Common Denominator


Notas iniciais
Sintam-se sortudas!
E então, antes que Josh pudesse dizer algo, Alice fechou a porta da cozinha com um barulho surdo, descendo desesperadamente as escadas, enquanto malditas lágrimas ousavam cair sobre seu rosto. Passou pela livraria discretamente e retirou-se dali rapidamente, colocando o capuz de sua blusa — digo, blusa de Josh — na tentativa de tapar seu rosto e acelerou os passos.

Por quê? Por que Justin tinha de deixar tudo mais difícil? Ela queria simplesmente sumir, ou trancar-se em uma redoma de vidro, onde nunca mais poderia sair. Parecia muito mais fácil, se isolar e fugir do mundo, do que enfrentar cada obstáculo, sorrir quando o mundo está caindo.

Alice precisava se acalmar, sentar, respirar fundo e pensar em tudo que estava acontecendo. Checou então o bolso de sua calça skinny, sentindo que seus quinze dólares ainda estavam alí. Olhou em volta e percebeu que havia uma lanchonete a cinco metros. Apertou os passos, secando suas lágrimas com as costas da mão. Adentrou na lanchonete tentando fazer a melhor cara possível, não, cara de choro simplesmente não seria a que faria. Sentou-se de frente a uma grande televisão de plasma, que se encontrava presa a parede.

Garçonetes zanzavam por todos os lados sem parar, e então, uma parou ao lado de Alice, cutucando-a levemente no ombro direito, fazendo-a despertar de seus devaneios. A garçonete tinha um olhar do tipo "Vai pedir ou não? Tenho clientes para atender garota lerda!" e mais coisas do tipo ameaçadoras. Alice apalpou a mesa, pegou o cardápio e o analisou.

— Um pão de quejo e um suco de laranja, por favor — Alice disse e a garçonete assentiu, saindo rebolando até a cozinha da lanchonete. Alice correu os olhos por todo estabelecimento, percebendo que um garoto a fitava, e ao que parecia, não podia perder um movimento sequer da garota. Ele pegou o copo que estava em sua mesa — provavelmente cheio de coca-cola — e deu-lhe um pequeno gole, sem tirar os olhos da garota.

Alice prefiriu achar que era apenas loucura, e olhou para seu lado, verificando se havia alguém alí, talvez aquele garoto estivesse fitando alguém de seu lado, mas então, percebeu que era apenas uma grande parede amarela. Suspirou, tentando voltar sua atenção para algum outro ponto, e então olhou para televisão, que havia sido ligada há uns dois minutos. Passava sobre Obama, Alice não quis saber mais, apenas virou sua atenção para o prato que a garçonete havia posto sobre sua mesa.

Agradeceu com a cabeça e pegou seu suco, dando um pequeno gole e colocando-o sobre a mesa. Pegou seu pão de queijo, tragando um pedaço pequeno do lanche.

— Ai uma entrevista do Justin! Aumenta aí Bruce! — Alice ouviu uma das garçonetes dizer, voltou sua atenção rapidamente, e até desesperadamente para a grande televisão de plasma a sua frente e seu coração sangrou, ao ver Justin alí, sorrindo. No canto da TV, estava marcando que a entrevista era ao vivo. Mas como?

Não o fato da entrevista, até aí tudo bem. Mas era ao vivo e ele estava sorrindo. Será que ele não estava sofrendo como ela estava? E aquela mensagem? O que quis dizer? Alice desligou-se completamente da entrevista, mordiscando seu pão de queijo, na tentativa de livra-se de todos aqueles pensamentos. Se o Justin já se superou, quem se importa?

Eu me importo — seu coração sussurrou, e então Alice nunca desejou tanto não ter um coração. Por que aquele maldito conseguia sorrir, enquanto ela estava com o mundo desabando? Como ele conseguia? Ele mentiu?

Droga, os pensamentos estão voltando! Alice se controla Alice, se controla! — disse para si mesma e terminou seu lanche. Tomou seu suco todo e suspirou aliviada, ao escutar Justin despedindo-se, estaria liberta daquilo tudo não é? Errado.

— E o que era aquele "A" no pulso dele? — ouviu-se uma voz de homem pronunciar-se.

— Deve ser Selena, colocou "A" para ser a última letra, nada muito óbvio. Você sabe, Justin é discreto quando o assunto é romances — disse uma das garçonetes.

Alice já não aguentava mais, não queria mais saber daquilo tudo. Recolheu suas coisas e deixou a nota sobre a mesa, saindo dalí desesperadamente. Ela sabia exatamente o significado desse A no pulso de Justin, Alice. Era seu nome. E então ele não a esquecera, ele ainda a amava, ainda pensava nela!

Seus passos aumentaram e seu coração pulava. Estava feliz? Mas ela deveria estar triste, ele ainda a ama, mas não podem ficar juntos! "Me odeie Justin!" — dizia para si mesma, mas seu coração dizia justamente o contrário, "Me ame!"

Sentiu seu celular vibrar, também no bolso de sua calça. Tirou-o do bolso, notando no visor um número desconhecido. Deu de ombros, mas o atendeu.

— Alice? É você? — era uma voz conhecida... Josh!

— Ah, oi Josh. Como conseguiu meu número? — disse caminhando lentamente.

— No seu currículo tem seu número bobinha — riu levemente. — Eu queria saber como estava. Saiu daqui tão rápido!

— Josh, sabe aquela mensagem que leu em voz alta? É do meu ex, e eu o amo demais ainda, mas não podemos ficar juntos. Isso me deixa mal.

— Já saquei que é um assunto delicado... Topa me encontrar na rua oito ás sete? Estou com tédio, quero sair e me distrair.

— Vai me usar como distração? — Alice fingiu drama e Josh riu — Tudo bem, ás sete estarei na rua oito, de frente a...

— De frente ao cinema. Eu pago.

— Tudo bem então — Alice riu, e parou de andar. Havia chegado em seu prédio — Vou desligar, vou tomar um banho. Até as sete.

— Até as sete.

Alice desligou o telefone e subiu rapidamente para o apartamento da Senhora White. Pegou Annabell e voltou-se para seu apartamento. Estirou-se no sofá, sentindo o cansaço chegar a tona. Sua irmã mal a olhou, indo direto ao quarto de Alice, voltando logo em seguida, segurando um buquê, quase maior que seu corpo.

— Lice — Annabell disse, já sendo sufocada pelas rosas. Alice deu um pulo do sofá e pegou o buquê das mãos de Annabell, vendo um cartão dentro dele. Pôs as rosas sobre a mesa e abriu o cartão.

"Querida Alice, eu não quero voltar a ser metade da equação. Entre o amor e eu, você é o denominador comum.

Com muito amor, Justin."