Notas iniciais
Olá queridos do meu coração! Após três anos e oito meses, finalmente Pra Você Guardei o Amor chega ao seu final. Foram duas grandes amigas que me incentivaram a postá-la: Mariana Abe – que embora não tenha muito tempo para ler pelo Nyah continuou acompanhando a história por word e Sion Neblina que inclusive por um tempo foi minha Beta. A ambas agradeço de coração pelo incentivo na época e durante todo o tempo que este humilde romance se estendeu. Houveram problemas de saúde meus, problemas de família, mudança de emprego e de cidade durante o percurso que a atrasaram mais do que eu gostaria e tenho consciência de que perdi muitos leitores por isso, mas fico feliz e imensamente agradecida por saber que tiveram pessoas que pacientemente aguardaram as atualizações e pessoas que se juntaram a mim nesta reta final. Nyulan minha querida, meu agradecimento especial a você por ter assumido tão amavelmente a betagem da história mesmo com tantos fatos acontecendo em sua vida e tendo inclusive parado seus próprios projetos. É um gesto de amizade que jamais esquecerei e que prometo buscar com muita dignidade retribuir como estiver ao meu alcance! Estas notas estavam escritas já desde ontem e chorei escrevendo-as, mas para fechar com chave de ouro esta história, ainda me emocionei com a generosa recomendação da Tapioka! Quanta gentileza em suas palavras; muito obrigada! E um gostinho a mais: mais uma leitora chegou! Ufa, que bom que deu tempo de lhe dar as boas vindas Mary_Maira! Obrigada por estar aqui! Sinta-se à vontade em conhecer o meu pequeno e humilde mundo de amores intensos e amizades profundas! Uma ótima leitura a todos e se preparem para mais emoções afinal, como dizem por aí: “A história só acaba quando termina” e ainda tem muita coisa para acontecer!

O trajeto foi feito em silêncio. Mikoto ainda processava toda a situação sem saber como reagir.

Itachi e Madara dançaram e se divertiram juntos e com o pessoal da Akatsuki e em determinado momento puxou Sasuke e a si para dançarem também. Sasuke estava leve e porque não dizer feliz e resolveu aproveitar a festa com o filho.

Quando Madara ofereceu seu lar para repousarem, ficou receosa em aceitar, mas seria uma boa oportunidade para conversar com ele e tirar suas dúvidas sobre o que realmente vinha acontecendo nestes três anos na vida de seu filho.

O caminho entre o local da festa e a residência de Madara foi feito no mais completo silêncio e quando lá chegaram, o clima que se instalou foi tenso à princípio.

— Itachi apresente nossa casa para sua mãe e seu irmão enquanto arrumo os quartos para eles, por favor?

— Claro. Vou preparar um chá para nós.

— Perfeito. Obrigado.

Mikoto assistiu Itachi acariciar o rosto de Madara e este lhe dar um beijo na mão antes de subir os degraus e sumir escada à cima.

Itachi suspirou e mordeu a boca antes de virar para sua mãe e seu irmão.

— Bem vindos a nossa casa... — disse dando de ombros e enfiando as mãos nos bolsos da calça — Espero que se sintam à vontade. São muito bem vindos.

— Que casa legal. — comentou Sasuke olhando em volta timidamente.

— Aqui é um lugar maravilhoso. Temos quatro suítes, uma cozinha imensa, sala de jantar para muita gente... Sabem como é... Akatsukis demais.

Sasuke riu e foi olhar por uma das imensas janelas de vidro.

— Deve ser muito silencioso aqui não é?

— Sempre. Só ouvimos pássaros e a cachoeira... Mas só ouvimos depois que chove muito e a queda d’água está mais forte.

— Muito legal...

— Mãe? — chamou Itachi notando-a ausente.

Mikoto a olhou e Itachi notou o quão perdida ela estava. Caminhou até a mãe e a abraçou forte.

— Está tudo bem mãe. Estou bem, estou feliz.

— Eu nunca imaginaria que era por Madara que estava apaixonado. — confessou num tom doloroso — Meu filho... Tem certeza de que é o que quer?

— Tenho certeza sim. Eu o amo mãe. Madara foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

— Filho ele é seu tio... Tem idade para ser seu pai!

— Mas não é! E sim, é meu tio e quando é do tio que preciso ele respeita isso.

— Mamãe... — começou Sasuke tentando ajudar — A senhora sempre foi grata pela forma como Tio... Como Madara cuidou com tanto amor do Itachi. Viu como ele o protegeu e ajudou a crescer apesar de tudo sem traumas e feliz. Não deixe tudo o que sempre achou tão lindo ser ofuscado por algo que não entende, porque amor... Amor não se explica mamãe. Amor se sente.

— Sasuke...?

— Olha pra eles. Eles se amam. Eles se completam. — disse do fundo do coração — Preferiria que Itachi ficasse preso a um casamento como o seu apenas por ser o considerado normal? Por ser socialmente correto?

Mikoto analisou bem as palavras do filho e refletiu com cuidado. Não! Não desejava para nenhum dos dois o casamento vazio e repleto de desamor que tinha. Mas não era o que uma mãe desejava para um filho, não mesmo.

— Eu... Eu não sei o que dizer. — falou honestamente.

Itachi se aproximou e segurou suas mãos com carinho.

— Mãe não pense em nada agora. — pediu entendendo o quão fadigada a mãe estava emocionalmente — Venha, vou fazer um chá para nós.

Madara no andar de cima sentia o coração esmigalhado no peito. Céus! Como uma noite que havia começado tão bem, tinha terminado daquele jeito? Estava sinceramente aliviado por agora todos saberem sobre ele e Itachi e de certa forma, foi melhor que todos soubessem de uma vez para evitar a angustiante espera pelo processamento da informação e aceitação, ou não do relacionamento de ambos um por vez. E certamente seria assim que comunicaria o pessoal da Akatsuki também.

Mas embora Madara fosse um filho da puta egoísta que não ligava para a opinião dos outros, Itachi estava nessa com ele, portanto se preocupava com a reação das pessoas por ele. Como naquele momento em que estava a ponto de enfartar por Mikoto e Sasuke estarem ali. Nunca imaginou que seria desse jeito a primeira visita deles ao seu lar e do seu menino.

Não o deixou sozinho com a mãe a o irmão para lançá-lo aos leões, apenas achou que Mikoto se sentiria mais calma se visse como Itachi era feliz e que aquela era realmente a casa dele. Isso a ajudaria a passar a noite ali mais relaxada.

Mas trataria de arrumar tudo o mais rapidamente possível e descer o quanto antes para não parecer que estava... Sei lá, se escondendo.

Abria o armário do quarto onde Mikoto passaria a noite para pegar lençóis e toalhas limpas quando seu celular tocou anunciando mensagem.

Era de Hidan.

VOCÊ CONSEGUE! SEJA VOCÊ MESMO E TUDO FICARÁ BEM.
AMO MUITO VOCÊ.

Madara sorriu e piscou algumas vezes sentindo os olhos encherem de lágrimas. Era bom ter Hidan de volta. Era melhor ainda tudo estar esclarecido e ele e Itachi bem um com o outro, jamais poderia agradecer ao sobrinho o suficiente por ter tornado isso possível. Agora era sua vez de ajudá-lo e ficar bem com quem amava.

Mikoto concordou e seguiu o filho. Ficou impressionada com a maravilhosa cozinha da casa de Madara. Era toda em inox e completamente funcional e organizada.

— Sentem-se. Vou colocar a água no fogo... — pediu Itachi muito à vontade apesar de tudo.

Pegou as xícaras, açucareiro e adoçante e uma elegante caixa com diversos tipos de chá, ajeitando tudo primorosamente no balcão. Poderia arrumar na mesa, claro. Mas acreditava que quanto mais informal melhor naquela situação.

— Sasuke ainda gosta de sequilhos?

— Gosto sim... E você?

Itachi sorriu e tirou um pote cheio do armário fazendo Sasuke sorrir genuinamente. Era tão bom descobrir que apesar de tudo... Ainda tinham algumas afinidades afinal.

Itachi mexeu e remexeu no armário procurando outro pote, mas não achou.

— Já volto! – disse saindo rapidinho da cozinha.

Mikoto e Sasuke o ouviram gritar da escada:

— Madara? Cadê o pote de biscoito de linhaça e chia?

— No meu quarto. Eu levo quando descer. — respondeu com tom de riso.

— Por favor... — pediu rindo.

Mikoto e Sasuke trocaram um olhar e sorriram ao presenciar aquela cena tão doce.

Itachi entrou na cozinha dando de ombros.

— Ele é viciado nestas bolachinhas com café... — justificou.

— Aprendeu a cozinhar Itachi? — perguntou Sasuke interessado.

— Aprendi. — respondeu sorrindo — Madara é um grande cozinheiro. É fácil aprender com ele.

— É fácil ensinar você. — comentou Madara entrando na cozinha com o pote vazio, o pacote de biscoitinhos pela metade e mais a garrafa de café.

Itachi arqueou a sobrancelha e cruzou os braços.

— Que? — perguntou Madara com ar de desfio.

— Quando foi que levou o pacote para seu quarto?

— Acabaram os do pote e eu estava vendo um documentário enquanto você estudava...

— Isso foi... ?

— Quinta-feira. — respondeu dando de ombros — Sabe que ontem foi corrido.

Sasuke não aguentou e riu tapando a boca, chamando a atenção de Madara.

— Pensa que é fácil é? Seu irmão às vezes é pior que esposa com “toque”.

— Hey! — protestou Itachi tomando o pacote das mãos de Madara.

Sasuke gargalhou desta vez. E até Mikoto riu discretamente.

— Estou mentindo?

— Se eu sumir com o pacote de sequilhos você vai pegar no meu pé.

— Por que sequilhos engorda.

— Eu não tenho tendência a engordar. Mas café em excesso faz mal.

— Por que mesmo temos duas garrafas térmicas para café Itachi Uchiha? — perguntou arqueando a sobrancelha e fazendo Itachi abrir e fechar a boca duas vezes antes de responder.

— Xeque-mate...

— Um a zero tio Madara! — falou Sasuke se divertindo horrores com a cena e torcendo para que um dia ele e Juugo pudessem ser assim também.

Madara piscou para ele e foi para a pia lavar o pote.

Itachi foi para a pia secar o pote e Madara ao secar a mão lhe deu um beijo na testa ganhando um beijo no queixo. Pegou o pacote e roubou um biscoito dando outro na boca de Itachi. Nem se lembravam que não estavam a sós.

A água apitou e Itachi desligou a chaleira enquanto Madara colocava o apoio de panela na mesa. Era tudo tão sincronizado e doce entre eles que aos poucos Mikoto foi sendo vencida por aquele clima de companheirismo e amor que cercava os dois e conseguiu ser mais ela mesma durante o chá.

Itachi emprestou um pijama para Sasuke e Madara uma camisa com botões de um de seus pijamas para Mikoto, já que era bem maior que ela e serviria como camisola. Desejaram boa noite aos hóspedes e Mikoto ficou surpresa ao ouvir três portas se fechando, o que indicava que Madara e Itachi apesar de estarem juntos, não dividiam o mesmo quarto.

— Madara... — murmurou Mikoto suspirando e indo se deitar.

Quando acordou no dia seguinte, encontrou uma sacola ao lado da sua cama com uma muda de roupas. Abriu guiada por pura curiosidade e achou um adorável conjunto de agasalho de veludo rosa queimado e um tênis da mesma cor com detalhes brancos, juntamente com uma baby look, meias e roupas íntimas de algodão brancas. Olhou a numeração e espantou-se ao notar que eram seu número.

Resolveu tomar banho e se trocar e desceu sentindo-se nova em folha.

Desceu as escadas parando na grande janela da sala para apreciar o visual do bosque e espreguiçando agradeceu a Deus pela generosa acolhida de Madara a ela e seu filho caçula.

Sentiu um delicioso cheiro de café fresco e foi para a cozinha, encontrando o... Cunhado? Genro? Céus que confusão! Encostado a pia lendo jornal enquanto mastigava meia maçã.

— Bom dia. Dormiu bem? — perguntou lhe sorrindo e analisando seus trajes — Sasuke tem bom gosto.

— Sasuke? Foi ele quem providenciou a roupa?

— Ele e Itachi mal dormiram. Quando acordei eles estavam voltando da cidade com mudas de roupas para ele e para você e algumas coisas para o café.

— Mas... Como ele pagou por elas?

— Itachi pagou. — respondeu notando os olhos arregalados de Mikoto — E não se preocupe, ele pode pagar por isso com o dinheiro dele.

Mikoto colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha e se abraçou. Madara a observou antes de se virar para pegar o café.

— Sente-se. Vou servir um café fresco para nós e podemos conversar enquanto fazemos companhia um ao outro durante o café.

— Onde estão os meninos? — perguntou se aproximando do balcão.

— Depois que Sasuke se trocou, tomaram café e foram explorar os arredores.

— Você não deve estar muito confortável com esta invasão à sua casa.

— Eu realmente estou feliz que estejam aqui apesar da situação.

Mikoto sorriu e concordou com a cabeça. Não podia negar que era bom amanhecer longe das paredes daquela casa que se tornara símbolo de opressão e maravilhoso poder tomar café ao lado de uma pessoa agradável como Madara, sem o mal humor eterno de Fugaku.

Madara lhe serviu suco de laranja e apontou para cada coisa que tinha na mesa para que ela se servisse conforme seu gosto.

Começaram a comer em silêncio, mas Madara começou a puxar assunto sobre coisas simples, como cultivo de flores que era uma paixão para Mikoto. Contou que até tentara ter um jardim de inverno com flores diversas, mas ficou com dó delas, que morreriam em uma semana.

Engataram uma conversa leve, divertida e aos poucos Mikoto foi se soltando, rindo se abrindo. Lembrou-se de como ela e Madara sempre se deram bem antes de casar-se com Fugaku e de que quando Itachi nasceu, de tanto todos falarem o quanto ele parecia com Madara, seu marido chegou a desconfiar que o menino era filho do mais velho e não dele. E lembrou-se que chegou a desejar ter escolhido Madara.

Será que sua paixonite secreta existente durante a gravidez de Itachi alimentou o amor do filho pelo tio? E quem poderia culpá-lo? Madara era um homem maravilhoso; sempre foi!

Viu-se falando abertamente com ele sobre como seu casamento estava acabado e que aguardava ansiosamente que Sasuke completasse dezoito anos para se divorciar. Mas deixou claro que não pretendia morar com o filho, que ele deveria seguir seu caminho e ela encontrar o dela. Claramente ela ainda não sabia sobre a sexualidade de Sasuke.

— Sabe que pode contar comigo e com Itachi quando chegar a hora, não sabe? — perguntou segurando-lhe a mão em apoio.

Mikoto analisou as mãos unidas e devolveu o toque gentilmente antes de responder.

— Você já fez demais por mim e meus filhos.

— Mikoto... Eu nunca imaginei que me apaixonaria por Itachi. — começou olhando para suas mãos unidas — Eu sempre o amei. Desde o memento que me contou que estava grávida. Mas quando o trouxe para cá, eu era o que você via em mim. Um tio preocupado.

— Como aconteceu?

— Eu não sei... Foi aos poucos sabe? Itachi sofreu muito. Sofria calado e aquilo me matava. Eu o fiz confiar em mim e se abrir aos poucos e ele foi ganhando confiança e força por si mesmo. Quando dei por mim... Acho que quando ele fez dezessete anos, eu estava completamente apaixonado por ele.

— Não deve ter sido fácil.

— Não foi. Eu me odiei a princípio. Ele era meu sobrinho e eu guardião dele. Era tão errado e parecia tão... Sujo pensar dessa maneira em alguém tão puro quanto Itachi. Hidan notou. Notou e entendeu minha dor. Me ajudou a perceber que eu não estava cometendo nenhum crime e a usar este amor para fazer sempre o melhor por Itachi.

— Hidan é um homem tão maravilhoso...

— Sim, ele é. Eu não seria nada do que sou hoje sem ele.

— Mas... Você não era... Bom não era...

— Gay? Não sou gay, mas sou bissexual... Me envolvi na vida com homens e mulheres também. Quis o destino que eu me apaixonasse por um homem e ainda por cima meu sobrinho.

— Entendo... — comentou Mikoto pensativa.

Conhecia o caráter de Madara. Olhando pelo lado dele deve ter sido realmente aterrorizante descobrir-se fadado a um amor assim.

— Madara... Itachi é tão mais novo que você. Isso me preocupa.

— A mim também. Quando comecei a notar que ele sentia o mesmo por mim... Eu tentei de verdade evitar que acontecesse Mikoto, porque eu acima de tudo quero que Itachi seja feliz! Mas... Se convivesse mais com ele... Seu filho é tão adulto emocionalmente ainda seja um adolescente sentimentalmente.

— E como pode ter certeza de que é isso mesmo que ele quer? Que amanhã ou depois ele não vai descobrir que não era nada disso. Vai sofrer Madara. E não quero que nenhum dos dois sofra.

— Eu não tenho como ter esta certeza. — falou dando de ombros — E não quero pensar tão longe Mikoto. Quero viver o presente e construir uma vida maravilhosa para nós desfrutarmos agora e se for a vontade dele, no futuro. Mas não vou ficar me torturando pensando nisso.

— E vai deixa-lo ir? Se um dia essa for a vontade dele?

— Claro que sim! — falou indignado — Mikoto... Talvez seja difícil para você acreditar, mas eu não causei esta situação. Eu a refreei o quanto pude. Foi Itachi quem sempre deu os passos em minha direção.

Mikoto tentou não rir da situação, mas não conseguiu evitar.

— Está falando sério?

— Acredite, estou. — disse corando um tanto — Não é o tipo de coisa que eu deveria falar para você, mas seu filho me seduziu!

Mikoto respirou fundo e bebeu um gole de suco, mas acabou rindo livremente até estar gargalhando.

— Que graça tem nisso?

— Desculpe! — pediu tentando se conter — Mas é engraçado ouvir você falando isso.

— Não é engraçado! Ele me encostou na parede!

Mikoto riu mais e Madara realmente estava perplexo com isso. Cruzou os braços e aguardou a crise passar.

— Quer explicar agora qual é a graça? — pediu arqueando charmosamente a sobrancelha.

— Madara eu já vi você furioso! Você consegue colocar medo no Fugaku! — disse novamente com ar de rido — Ser “encostado na parede” pelo meu Itachi, um jovem de dezoito anos que eu imagino não deve ter muita experiência em relacionamentos... Tem de admitir é engraçado!

Madara olhou para Mikoto por um tempo e acabou rindo junto com ela. Pois é, realmente era engraçado... Para não dizer ridículo!

— Segura agora de que não vou machucar seu filho? — perguntou depois que passou a crise de riso.

— Muito mais. — disse concordado com a cabeça e pegando as mãos dele novamente — Mas cuidado com seu coração, por favor. Sei que Itachi não é inconstante e que jamais te machucaria propositalmente, mas apesar de ser um gênio, ele ainda é só um menino de dezoito anos.

— Eu sei disso. Fique tranquila.

— Eu desejo felicidades a vocês. De todo coração.

— Mesmo? — perguntou Madara sentindo o coração bater mais rápido.

— Mesmo. Depois de tudo o que fez pelo meu filho quando eu mesma não tive forças para fazer nada... Madara quem sou eu para dizer não a este amor?

— Obrigado Mikoto. Não sabe o quão importante é para nós sua benção.

Madara beijou suas mãos e Mikoto sorriu, entretanto seu sorriso morreu em seguida.

— Queria que Sasuke fosse feliz como Itachi está. Mas ele é tão fechado. Como vai encontrar alguém que o ame?

— Às vezes é o amor que nos encontra Mikoto e não nós a ele.

— Assim espero. Eu quero muito que meu filho encontre uma boa moça... Ou um bom rapaz e seja feliz.

— Converse com ele. Aproveite toda esta situação e tente fazê-lo se abrir. Sasuke pode ser surpreendente.

Mikoto fitou longamente Madara e concordou com a cabeça.

Ainda almoçaram juntos com Itachi e Madara cozinhando para os quatro e só ao final da tarde retornaram para à residência de Fugaku e ainda assim, somente após prometerem a Madara que que se ele tentasse lhes ameaçar ou intimidar, ligariam e voltariam para casa com ele e Itachi que por via das dúvidas tinham ido em carros separados leva-los.

Quando chegaram em casa rindo e conversando. Fugaku estava sentado em sua poltrona bebendo uísque com o ar carregado de sempre. Estreitou os olhos ao notar os trajes da esposa e filho, mas não comentou nada.

— Boa noite Fugaku. — cumprimentou educadamente Mikoto sem receber resposta. Sasuke nem se deu ao trabalho de lhe cumprimentar em função desta atitude.

Seguiram para as escadas conversando e rindo e subiram tranquilamente até alcançarem os últimos degraus.

— Acham que é assim que funciona? Me traem na frente de todos, passam a noite fora, chegam com roupas que certamente não foram compradas com meu dinheiro e esperam que tudo fique bem?

Ambos pararam e se olharam. Estava demorando. Resolveram seguir seu caminho e ignorar as acusações, mas Fugaku tomou isso como algo pessoal e foi atrás deles.

— Onde pensam que estão para me tratar com tal descaso? Esta ainda é minha casa e vocês me devem respeito!

— Faça-me o favor! Respeito, respeito! — comentou Sasuke com sarcasmo — Você nos abandonou na festa ontem e vem nos falar de respeito? Respeite para ser respeitado pai!

— Eu o fiz para castigar vocês por terem se juntado aquele bando de desavergonhados contra mim! Já não basta aquele ingrato do Itachi.

— Ingrato? Oh não! Te garanto que ele é muito grato a você pelo que fez. — falou rindo ironicamente — Não sabe o quanto ele vive feliz com o tio Madara. Nós tivemos a chance de presenciar isso.

— Itachi se vendeu ao Madara! Virou seu puto particular! Quem vai se relacionar com um maldito veado por livre e espontânea vontade?

— O Itachi sem dúvida... E eu também! — declarou sem medo algum.

— Do que... Do que fala Sasuke?

— Simples: eu também sou gay! Também me relaciono com outro homem. Tenho um namorado que amo e que pretende morar comigo assim que eu fizer dezoito anos!

Fugaku enfureceu-se. Subiu a escada numa velocidade assustadora e jogou Mikoto longe. Aproveitou-se da distração de Sasuke que tentou socorrer a mãe, o pegou pelos cabelos e o levou para a beira da escadaria.

— É como eu disse ao seu maldito irmão...

— FUGAKU NÃO! — gritou Mikoto desesperada ao entender a intenção do marido.

—... Antes morto do que uma maldita bicha.

Sasuke rolou escadaria abaixo e já chegou ao final dela inconsciente.

Sentia a cabeça, ao pescoço e as costas doerem miseravelmente, mas ainda assim lutou para abrir os olhos. Assim que o fez, encontrou Itachi adormecido segurando sua mão.

‘Tachi? — chamou baixinho.

Itachi levantou a cabeça e sorriu.

— Hey... Como se sente?

— Quebrado. O que houve?

— Não se lembra?

Sasuke pensou um pouco e então se lembrou.

— Meu Deus! — sussurrou — Ele tentou me matar!

— Tentou. Mamãe quando viu o que ele ia fazer ligou para Madara e enquanto íamos para casa ele chamou a polícia.

— Então... Acabou?

— Acabou. Fugaku foi preso em flagrante e... Sasuke se não tivéssemos agido rápido você poderia ter morrido.

— E a mamãe?

— Está com Madara. Tudo isso está tendo uma repercussão louca na imprensa. A Uchiha está perdendo muitos clientes... Não sei se vai sobreviver a esta crise.

Sasuke fechou os olhos e passou a língua pelos lábios.

— Melhor assim. Prefiro assumir uma empresa decaída onde os princípios de Fugaku não existam mais e reconstruí-la do zero. — disse abrindo enfim os olhos — Se você e o Tio Madara me ajudarem claro.

— Não deve pensar nisso agora, mas tenha certeza de que estaremos com você. — Itachi olhou para a porta e sorriu — Mas agora vou deixar você com alguém que realmente está mais carente de sua companhia que eu.

Sasuke notou Juugo parado a porta e sorriu.

Itachi saiu e os deixou a sós matando a saudade.

Sasuke ficou desacordado por três longos dias. A pancada na cabeça havia sido forte e os médicos preferiram deixá-lo sedado até ter certeza de que ele não tinha sofrido nenhuma sequela.

Fugaku foi preso, mas por ser réu primário, e por não ter ceifado a vida de Sasuke, depois de pagar uma quantia absurda, foi solto para responder o processo em liberdade, mas o estrago já estava feito. Por ser uma empresa de segurança, a Uchiha perdeu muitos clientes que não queriam ter seus nomes ligados a uma empresa cujo dono deserdara um filho e tentara assassinar o outro.

O Sr. Sandaine não cancelou o contrato por pensar em Mikoto e Sasuke, mas conseguiu garantia de que Fugaku fosse afastado da empresa ou também o rescindiria.

Seis meses se passaram. Itachi e Madara acordaram num sábado gelado sentindo um delicioso aroma de café e bolo preencher a casa.

Madara olhou no relógio e sorriu.

— Hoje ela realmente se superou.

— Que horas são? — perguntou Itachi sonolento.

— Sete da manhã.

— O que minha mãe faz acordada a esta hora?

— Pelo cheiro bolo, café... E algo mais que não consegui identificar...

— Pão caseiro! — comentou Itachi acordando completamente.

Madara riu e se espreguiçou.

— Pelo jeito sem chance de ter você mais tempo nessa cama comigo né?

Itachi pensou e sorriu deitando por cima de Madara.

— Pensando bem, ela não vai nos acordar antes das nove então, acho que podemos aproveitar um pouquinho.

Duas horas depois estavam tomando banho entre beijos e carícias nada santas, sendo brutalmente interrompidos por Sasuke que batia com força na porta do banheiro enquanto falava a alto e bom tom.

— Olha só casal, eu sei que está cedo e tal, mas eu estou com fome e sei que estão acordados há um bom tempo afinal Itachi não consegue ser silencioso o tempo todo então, será que podem parar de acabar com a água do mundo e vir tomar café?

Madara revirou os olhos e Itachi sorriu.

— Foi você quem insistiu! — falou com olhar de quem se desculpa pelo irmão.

— Não ia deixar sua mãe e seu irmão passarem o Natal sozinhos! A noite foi tão maravilhosa...

— Eu sei disso e eu te amo ainda mais por ter guardado no coração tanta generosidade apesar de tudo.

— Não tem um apesar. Estou feliz que estejam aqui, juro!

— Itachi? Madara? E aí é para hoje? — chamou agora Hidan — Minato está chegando com Naruto e Juugo está com cara de serial Killer olhando para o pão caseiro enquanto o estômago dele ronca mais alto que um t-rex rugindo!

Itachi gargalhou enquanto Madara fechava os olhos e massageava as têmporas.

— O que ia dizendo sobre mim mesmo?

— Que fico feliz que tenha guardado tanta generosidade no seu coração.

Madara desligou o chuveiro e puxou a toalha passando pelas costas de Itachi e o puxando para si beijando-o.

— Não foi a única coisa que guardei.

— Não?

— Não. Guardei algo para você também. Algo muito especial...

— Que seria?

— Pra você guardei o amo que eu nunca tive e que eu nunca soube dar...

Itachi ficou mudo perante a declaração do mais velho e o beijou profundamente.

— Eu te amo Madara... Muito.

— E eu a você Itachi... Muito e para sempre.

Trocados desceram enfim para encontrar já acomodados na mesa Mikoto, Sasuke e Juugo. Hidan chegava carregando um falante Naruto em seus braços enquanto Minato carregava panetones e chocotones, além de presentes em sacolas.

Tomando café Madara assistia em silêncio a confraternização que acontecia em sua mesa. Mikoto conversava alegremente com Itachi enquanto Juugo levava um pedaço de bolo aos lábios de Sasuke lhe roubando um beijo em seguida e Hidan passava manteiga numa fatia de pão para Naruto que bebia leite no colo do pai, hoje um grande e presente amigo deste.

Olhou de soslaio o jornal meio escondido e reconheceu a foto de Fugaku. Pegou o celular e acessou a página do jornal, descobrindo que seu irmão fora condenado a cinco anos de prisão numa instituição prisional para pessoas com problemas psiquiátricos.

Suspirou. Aquilo já era esperado. O ano havia sido difícil, mas os desafios haviam sido superados graças ao amor que cada um guardou dentro de si para usar no momento de maior precisão.

É... Amor... Esta força misteriosa e abstrata que nos torna gigantes perante os problemas e os medos, apenas por nos sabermos amados nem que seja por uma única pessoa. Ele Madara era tão afortunado!

Quando pequeno se sentia sozinho por não encontrar amor em sua família, mas então veio Hidan e depois dele tantas pessoas importantes até que finalmente surgiu Itachi para iluminar sua vida e agora, como se um ciclo tivesse sido quebrado, aparecia alguém para que a vida de Hidan pudesse voltar a se iluminar, mesmo que na forma de uma profunda — e por que não acrescentar — apaixonante amizade.

Olhou para Itachi e Sasuke. Dois irmãos separados pela loucura do pai, cujo amor falou mais alto e os uniu novamente e agora em definitivo.

Itachi sentia-se naquele momento pleno. Jamais imaginaria há três anos trás quando fora traído por seu irmão, escorraçado e deserdado por seu pai e sofrido com a inércia de sua mãe, que poderia ser tão feliz. Quantas pessoas em seu lugar não se tornavam amargas e vingativas ao passarem por estas coisas? Quantas não reprimiam ou abandonavam tudo o que eram para tentar suportar a dor imensa que este tipo de situação gerava?

Há três anos tinha medo de chuva e trovão; hoje amadurecido, havia ajudado Madara e Hidan a superar a pior tempestade de sua amizade. Há três anos tivera seu coração e sua alma despedaçados por sua família; hoje, era seu amor e sua força interior que estavam juntando os cacos do que restara dela. Há três anos se sentia sozinho, sem qualquer importância na vida de qualquer pessoa; hoje solidão era termo distante e sabia-se reconhecido por pessoas que conquistara pelo que era, ou melhor, pelo que não deixara de ser apesar de tudo.

A lição que fica? Não importa quantas mágoas, tombos e tropeços a vida ou as pessoas possam lhe dar. Se dentro de você existir amor, e este você souber guardar e no tempo certo cultivar, pode até demorar, mas um amor igual ou maior que o que você traz dentro de você, você vai encontrar...

FIM

Notas finais
E FIM!!! / / / É com alegria que termino mais este romance e de coração agradeço a cada leitor que compartilhou seu tempo comigo durante estes quase quatro anos lendo, comentando, recomendando... Muito obrigada a todos! Meu agradecimento especial embora anônimo aos criadores de cada fanart encantadora de Itachi&Madara que me inspiraram neste romance tão delicioso. No máximo até a próxima semana, TODOS os reviews serão respondidos, então, podem aguardar meu muito obrigada individual a cada um de maneira muito especial! Para aqueles que torceram pelo inusitado romance entre Hidan e Minato, não seria uma coisa que aconteceria de um dia para o outro, desta forma, preferi registrar a amizade crescente entre eles, no entanto, pode acontecer, por que não? Deixo a cargo da imaginação de cada um de vocês ok? Para quem acompanha minhas histórias, minha meta agora é terminar ENCONTRO DE ALMAS – fandon CDZ. DESEJO A TODOS UM FELIZ NATAL, REPLETO DE HARMONIA E PAZ E UM ANO NOVO ESPETACULAR, COM 2015 MOTIVOS PARA LUTAR POR SEUS SONHOS E SEREM FELIZES! Que os Anjos do Céu e os Seres Elementais da Natureza, protejam, guiem e iluminem a todos vocês e aqueles que lhes são caros! Até a próxima! * *Gaara&Naruto = VERDADEIRAMENTE, LOUCAMENTE, INTENSAMENTE*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!