Príncipe Da Enganação
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tirem suas próprias conclusões.
Por nosso berço ser tão parecido
Forçam-me a chamar-te de amigo.
De um amor nascerá uma amizade,
Ou terei que sufocar minha vontade?
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Meu coração só se entristece
Quando verso de outro da tua boca floresce
E com um suspiro prolongado
Finges que ama sem ser amado
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Como pode um ser tão vazio
Dar às palavras sentimento doentio?
A quantos juraste o amor eterno?
Quantos provaram seu interior estéreo?
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Jure, que de tua voz dissimulada
Não ouvirei somente o que agrada
E que teus olhos falsos e sujos
Apenas para mim se mostrem puros.
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Meu príncipe da enganação,
Em verdade me diga:
Quão verdadeira é a tua confissão?
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Meu precioso farsante, não me diga
que profanaste a lei dos amantes
Jure em ante-mão que nossos segredos
Para sempre segredos serão.
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Nesses versos tristes e cálidos
Despojo-me de teus beijos e abraços,
Pois em teus lábios tem veneno
E no teu corpo só existe o obsceno
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As mãos, que lhe cobriram de afago,
Agora trazem a dor do escárnio.
Nada me comove o teu amor teatral,
Pois tuas lágrimas não têm sal.
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Mais sincero que teu suspiro,
Somente teu grito mais aflito.
E aquele que me é mais atrativo,
Poderá conceber meu último riso.
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E agora, de que te serve a glória?
Quantos ouvirão falar de tua história?
Se em vida foste o raio da alegria,
Na morte não passa de carne fria.
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Quando descobrirem que fui eu o culpado
Por teus dias na terra ter encurtado,
Alegre-se, meu belo irmão!
Pois talvez dai se faça nossa união!
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Por hora, só nos veremos no inferno,
Pois meu amor por ti passou do fraterno.
Se não me amou em terra, ainda há esperanças,
Nosso amor será feito, em meio a chamas.
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