Notas iniciais
Visão do Lovino para o Feliciano.
Tirem suas próprias conclusões.

Por nosso berço ser tão parecido

Forçam-me a chamar-te de amigo.

De um amor nascerá uma amizade,

Ou terei que sufocar minha vontade?

_

Meu coração só se entristece

Quando verso de outro da tua boca floresce

E com um suspiro prolongado

Finges que ama sem ser amado

_

Como pode um ser tão vazio

Dar às palavras sentimento doentio?

A quantos juraste o amor eterno?

Quantos provaram seu interior estéreo?

_

Jure, que de tua voz dissimulada

Não ouvirei somente o que agrada

E que teus olhos falsos e sujos

Apenas para mim se mostrem puros.

_

Meu príncipe da enganação,

Em verdade me diga:

Quão verdadeira é a tua confissão?

_

Meu precioso farsante, não me diga

que profanaste a lei dos amantes

Jure em ante-mão que nossos segredos

Para sempre segredos serão.

_

Nesses versos tristes e cálidos

Despojo-me de teus beijos e abraços,

Pois em teus lábios tem veneno

E no teu corpo só existe o obsceno

_

As mãos, que lhe cobriram de afago,

Agora trazem a dor do escárnio.

Nada me comove o teu amor teatral,

Pois tuas lágrimas não têm sal.

_

Mais sincero que teu suspiro,

Somente teu grito mais aflito.

E aquele que me é mais atrativo,

Poderá conceber meu último riso.

_

E agora, de que te serve a glória?

Quantos ouvirão falar de tua história?

Se em vida foste o raio da alegria,

Na morte não passa de carne fria.

_

Quando descobrirem que fui eu o culpado

Por teus dias na terra ter encurtado,

Alegre-se, meu belo irmão!

Pois talvez dai se faça nossa união!

_

Por hora, só nos veremos no inferno,

Pois meu amor por ti passou do fraterno.

Se não me amou em terra, ainda há esperanças,

Nosso amor será feito, em meio a chamas.


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