Pré-incêndio

1 Capítulo 1 - Segura o forninho Dandael! Ou não...


Era sexta-feira e por isso eu já tinha dado todas as minhas aulas do dia e concluído as da semana na Ribalta. João havia ido para casa e eu caminhava sozinha em direção à escada da escola de artes para ir embora quando flagrei Gael e René, diferentemente da maioria das outras vezes em que os encontrei juntos, conversando. Pelo que parecia Gael estava me esperando e René eu tinha visto minutos antes e eles devem ter se cruzado no caminho enquanto ele descia as escadas. Ainda era possível ver claramente o clima de animosidade no ar, mas eles se cumprimentaram com educação como os dois adultos que eram. O que já era um grande e enorme passo.

– Que lindo! – exclamei do alto da escada e eles se viraram para me olhar – Vocês dois conversando assim tão civilizadamente!

– Também não exagera, né Dandara? – falou Gael sorrindo para mim. – Estava aqui te esperando – pausou enquanto lançava um olhar intimidante para o René. – e ele apareceu.

– É, eu já estou indo. O João já foi? – falou René.

Eu sorri para eles e informei ao René que havia liberado João para ir para casa pelo bom comportamento e ele aprovou, falando que nosso filho estava melhorando e já pensando em dá-lo algumas liberdades, mas eu discordei em parte. René estava sendo bonzinho demais com ele. Nós tínhamos que ver isso com calma, analisar se João estava realmente melhor ou se era apenas uma fase. E se ele estava realmente melhorando eu não sabia se seria uma boa idéia liberar o seu celular logo agora ou se deveríamos esperar mais um pouco. Essa situação do João com os video-games dele está se mostrando muito mais séria do que parecia há alguns meses atrás.

Com isso René foi embora e eu fui cumprimentar Gael.

– Oi, meu amor — dei-lhe um beijinho.

– E ai? – ele falou nos meus lábios. – Então quer dizer que você está sozinha hoje – comentou quando nos separamos entrelaçando o braço ao meu.

Eu concordei, imaginando que vinha alguma coisa por aí.

– Eu tenho uma idéia, a gente podia aproveitar isso. O que é que você acha?

– Oba. — sorri quando ele se inclinou para me dar um selinho e sussurrei em seus lábios. — Eu acho uma ótima idéia.

Gael riu e nós descemos as escadas.

– A gente podia ficar um pouco lá em casa. – ele afirmou. Mas foi logo emendando, o que eu achei uma graça. – Ou então dar uma passada no Perfeitão. – ele sugeriu visivelmente menos animado e eu também. – O que você prefere, amor? – ele perguntou.

Eu preferia uma coisa mais reservada. Não queria platéia, queria ficar sozinha com ele e namorar um pouquinho. Aproveitar esse meu namorado lutador e tirar uma lasquinha dele, e ele de mim também. Por que não?

– Ah não, não estou com fome, Gael. – falei. – Se é que você me entende – acrescentei como quem fala bom dia. O que eu queria realmente dizer era: eu quero ficar sozinha com você, vamos para a sua casa.

Agora foi ele quem soltou um: — Oba! Então vamos para a minha casa. – todo animado e rimos com vontade. Estava entusiasmada com a perspectiva de uma boa noite de sexta-feira. Andamos até a porta da Ribalta e atravessamos a praça num tempo recorde. Eu ria muito por conta da pressa dele e Gael riu comigo, se divertindo com a minha diversão. Já estávamos alegres quando chegamos a sua casa. Desentrançamos os braços apenas quando chegamos para poder passar pela porta. A residência estava vazia. Era quase um perigo, mas um perigo que eu pretendia correr. Sem “mas”, “porém”, “contudo” ou “todavia”, coloquei as minhas coisas em cima da mesa dele enquanto Gael ia para a cozinha.

– Quer um suco, Dandara? Ou comer alguma coisa? – ele perguntou educadamente.

Eu me sentei no sofá dele antes de responder.

– Só um suco está bom, Gael. – respondi também educadamente.

Ouvi o tilintar dos copos e da jarra de vidro e o barulho do líquido. Gael voltou e me entregou o recipiente antes de se sentar confortavelmente ao meu lado cruzando os pés sobre a mesa de centro. Com o meu suco na mão me aconcheguei mais a ele, dobrando as pernas para cima e sentando de lado no sofá. Nós apenas saboreamos a bebida em silêncio por um tempo. Quando já na metade do copo, ele inclinou-se para pegar o controle da televisão em cima da mesa e ligou-a, quebrando o silêncio confortável da casa e deixando o ambiente mais descontraído. Gael escolheu por qualquer canal e deixou o volume baixo enquanto eu terminava o meu suco. Coloquei o copo de vidro na mesa de madeira e voltei a me aconchegar ao seu corpo, passando o meu braço esquerdo sobre o seu ombro e apoiando a minha mão direita no seu peito largo enquanto dobrava as pernas para trás sobre o sofá novamente.

Gael terminou rapidamente a sua bebida e colocou o copo na mesa. Encostou-se de volta e os nossos olhos se encontraram. Sorri enquanto imaginava no que ele estava pensando. Gael sorriu de volta e subiu a mão aos meus cabelos, os acariciando.

Eu aproveitei o carinho gostoso que ele me fazia, não era muito do feitio dele.

– Dandara. – chamou enquanto a sua mão acariciava a minha nuca. Eu não tinha percebido que havia fechado os olhos e os abri.

– Oi. – sorri quando vi que estávamos a milímetros de distância.

Ele se inclinou para falar ao meu ouvido baixinho.

– Eu senti a sua falta. – beijou o meu cabelo. – Eu senti a falta do seu cheiro. – afundou o nariz no meu pescoço, me arrepiando. – Do seu cabelo. Da sua risada. – eu sorri, era bom saber disso tudo. – De você completamente e de todas as formas que você possa imaginar.

Eu o abracei contra mim enquanto sorria para o seu abajur. É tão bom ouvir que alguém sentiu a sua falta assim e de forma romântica é ainda melhor. E quando esse alguém não tem o costume de dizer palavras assim então era para fechar com chave de ouro.

– Eu também senti muito a sua falta, Gael. – ele não escondeu os seus sentimentos de mim e eu também não esconderia os meus dele – Eu senti principalmente a falta do seu cheiro, — ele se afastou para ver o meu rosto. – ficou no meu nariz a semana toda. Eu estava doida para sentir de você. – me inclinei em direção ao seu pescoço e inspirei com vontade o seu perfume.

Senti os tremores balançarem seu corpo quando Gael se arrepiou todo e eu ri, gostando da sua reação. Continuei a provocá-lo. – Hmmm! Que homem cheiroso, meu Deus. – encostei os meus lábios em sua pele e segurei a sua nuca. Está para nascer lutador mais cheiroso do que Gael. Eu queria pegar um pouquinho do seu perfume e borrifar no meu travesseiro. Os dedos dele se embolaram nos meus fios e agora fui eu quem se arrepiou quando ele puxou um pouco. De repente, havia ficado muito quente aqui.

– Ai, morena... Minha morena. Assim você me mata. – seus dedos puxaram os meus fios com um pouco mais de força sem me machucar, cumprindo com a intenção de me provocar mais arrepios e de que eu olhasse para ele.

Suas bochechas estavam levemente vermelhas e os seus olhos agora escuros eram penetrantes nos meus. O seu olhar aqueceu todo o meu corpo e tornou difícil respirar normalmente. Nós estávamos muito, muito próximos e a tensão sexual era palpável. Meu coração bateu forte quando ele lambeu os lábios enquanto mantinha os olhos fixos na minha boca.

– Sua boca... — ele sussurrou, me fazendo umedecer os lábios secos com a língua. Os olhos de Gael ficaram ainda mais dilatados enquanto acompanhavam o percurso da minha língua. — Senti muito a falta da sua boca. – ele se inclinou e puxou levemente o meu lábio inferior com os dentes, me fazendo ofegar. – Senti muito a falta do seu gosto, morena. – esse “morena” foi só para finalizar com um nocaute a minha pessoa.

Gael finalmente, pelo amor de Deus, se inclinou e me beijou. Era um beijo cheio de paixão, saudade e entrega. Estava muito quente aqui! Quente e gostoso. Eu não sabia como havia conseguido ficar uma semana sem o beijo dele. Seus lábios eram frios na superfície por conta do suco que havíamos tomado e o interior da sua boca era quente e tinha o sabor de manga. Eu adorava o sabor do suco de manga. Rapidamente o beijo em que eram utilizados apenas os lábios evoluiu para um de língua cheio de invasão em ambas as partes.

Fui diminuindo o ritmo do beijo para que o nosso momento ali no sofá não acabasse muito rápido. Gael reclamou e segurou levemente o meu lábio inferior antes que eu me afastasse e eu finalizei aquele ósculo com um selinho.

– Você podia dormir aqui um dia desses, né? – ele falou e eu ri, me mexendo para ficar mais confortável no sofá. – Por exemplo: hoje. – ele falou enquanto beijava o canto da minha boca e passava a mão na minha perna coberta pela saia comprida.

– Hmmm. – Gael era até suave ao pedir para dormir comigo. Era gentil e deixava totalmente à minha escolha, diferente de alguns caras que eu tinha conhecido.

– Vai. Hum? – mas eu não podia dizer que ele não era insistente.

Gael continuou beijando o canto da minha boca enquanto eu considerava. Claro que eu queria dormir com ele, eu só não sabia se era "a" hora, sabe? O momento certo. Aí eu me lembrei do João e do que ele vem me aprontando. E de que ele já havia ido para casa e estava sozinho lá esse tempo todo.

Será que era o momento certo?

– Ai, Gael. – falei e ele parou de me beijar quando o olhei. – Eu não sei. João já passou muito tempo sozinho lá em casa hoje.

– Ah, morena. – lá vai ele me chamando de morena só para acabar com as minhas estruturas novamente. – Você não acha que exagera às vezes um pouco, não? — ele falou de forma suave. Suspirei. Eu sabia que não. Acho até que devo ter relaxado demais em algum momento para ele ser assim um menino tão rebelde. – Você e aquele safado não acabaram de falar que o João já tá melhor?

Certo, safado. Safado. René. René, pai do meu filho. Ok, isso não era novo.

– "Aquele safado", no caso, o pai do meu filho? – perguntei e ele concordou. Soltei um riso sem graça e deixei para lá. – Eu conheço o meu eleitorado, Gael. O João eu confio desconfiando, oh. — apontei para o meu olho, indicando que estava de olho nele.

– Você é uma mãe maravilhosa. – gostei do elogio e apesar de saber que ele só estava tentando me fazer ficar, parecia ser sincero. Não resisti quando ele me puxou pela nuca para um selinho mais demorado.

– Mas... — mais um beijinho antes de falar. – Voltando àquele assunto.

– Hum? — sobre dormir com ele. Deixei para lá qualquer problema com ou sobre René, não era hora para isso. Eu não deixaria que ele atrapalhasse qualquer relacionamento meu mesmo que indiretamente.

– Dorme aqui hoje, vai?

Eu sorri quase que envergonhada com a insistência dele.

– Meu Deus! Mas como assim, gente? – falei brincando para descontrair o clima.

Gael se inclinou e beijou a minha orelha, me fazendo inclinar sobre o seu peito ao me provocar cócegas. Com a mão em sua barriga de tanquinho o empurrei para trás e tentei voltar à minha posição inicial, mas ele não deixou. Segurando firme a minha nuca, manteve os nossos lábios próximos – Dorme, vai? – pediu com uma voz super manhosa e me beijou, começando a inclinar-se sobre mim. Eu comecei a rir quando senti a sua mão deslizar discretamente sobre o meu quadril. Seus dedos escorregaram pelas minhas curvas abaixo, acariciando o que alcançavam do meu bumbum e descendo pela parte inferior da minha coxa até o joelho enquanto sussurrava um “vem, vem, vem” de como quem promete coisas. Ele beijou o meu pescoço e se levantou.

– Vem. Vem. – continuou repetindo. – Vai, vai, vai. Vem – Segurei a sua mão e coloquei os pés no chão. A grande fenda na minha saia se abriu, exibindo a minha coxa morena. Flagrei os seus olhos ali enquanto me levantava e o puxei para mim, impedindo-o de me levar para o quarto imediatamente.

– Vem cá. – o puxei pela nuca.

– Hã? O quê? – ele parecia deslumbrado pelo que viu. Gostei disso. De pé eu o beijei e Gael me abraçou apertado contra si. Suas mãos envolveram a minha cintura e fizeram a minha blusa de tecido fino subir um pouco, exibindo a pele das minhas costas. Senti alguns dedos por aquela região ir por debaixo da minha roupa e eu involuntariamente sorri em seus lábios. Gael levou isso como um "pode avançar mais".

A verdade é que eu não tinha decidido ainda, iria deixar rolar e ver como as coisas iam. Ele foi nos girando pela sua casa sem desgrudar os nossos lábios e sem enxergar o caminho. Eu ri muito quando ele calculou errado a distância e se chocou contra a lateral da sua poltrona marrom, separando os nossos lábios quando se desequilibrou. Gael se endireitou e olhou para a cadeira com ódio, o que me provocou uma séria crise de risos. Ele me olhou feio, mas não aguentou e acabou rindo comigo. Ele me abraçou e beijou o meu pescoço, voltando a nos girar pela casa enquanto eu gargalhava. Dessa vez o senti errar e nos chocar contra o corredor, me pressionando contra a parede. Isso, pelo contrário, me pareceu bem calculado quando ele me empurrou com a força certa. Minha tese foi confirmada assim que ele fixou os olhos nos meus. Gael capturou os meus lábios e me beijou com desejo, pressionando inteiramente o seu corpo grande e musculoso contra o meu. Assim ficava difícil resistir. Que calor, meu Deus! Ele encaixou muito bem os nossos quadris e mesmo com a saia longa eu conseguia sentir o seu... As suas... As suas coxas longas e fortes. E bota fortes nisso.

Nós ficávamos quase que da mesma altura por conta dos meus saltos, o que eu acho muito bom, porque a gente se encaixa muito bem. Eu acho a altura uma característica quase que primordial num cara. Como eu não sou baixa, mas também não sou extremamente alta e ainda gosto de usar salto alto, homens baixinhos não funcionam muito bem comigo. Dos medianos para os altos são os que me atraem mais. Questão puramente biológica, todos nós procuramos por pessoas que tenham o perfil físico parecido com o nosso.

Ele usava um moletom preto e cinza e com um pouco de dificuldade devido à proximidade eu puxei o seu zíper para baixo, abrindo o casaco. Gael não deu muita atenção a isso, ele envolveu a minha cintura enquanto adentrava cheio de vontade o língua na minha boca em um beijo molhado. Uma das suas mãos subiu pelas minhas costas e segurou a minha nuca com possessividade. Ele encaixou uma coxa entre as minhas e eu separei os meus lábios dos dele com um pouco de dificuldade.

Gemi quando ele abaixou a boca para o meu pescoço e o mordiscou.

– Gael. – tentei falar ofegante.

– Hum? – agora ele deslizou a língua pela região e eu quase esqueci o que ia falar.

– Gael. – repeti. Mas ele começou a chupar o meu pescoço e eu gemi de novo. – Deus do céu, Gael. – a minha voz não estava das melhores, quanto mais eu o chamava, melhor ele ficava em suas ministrações.

Meu namorado finalizou o chupão em meu pescoço e subiu os lábios para o meu ouvido.

– O quê? – a sua voz estava rouca e a sua respiração, quente.

– As meninas podem chegar. – soltei. Ele mordeu a minha orelha, me provocando mais arrepios.

– Então vamos para o meu quarto? – ele perguntou um pouco ofegante. Seus lábios beijaram o cantinho da minha orelha e foram em direção à minha nuca. A minha nuca era o meu ponto fraco. Era quase covardia comigo. A minha mente simplesmente não funcionava direito quando alguém me beijava ali da maneira certa. Naquele momento, João era o melhor filho do mundo e nunca iria tocar fogo em meu apartamento. Eu me rendi.

(Continua)

Notas finais
Tem bastante escrito aqui! Continuo na próxima semana. Vocês imaginaram assim também? Imaginaram como? Beeijos, Cella.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.