Power Rangers: Esquadrão Z
73 Confissões de uma Adolescente em Crise
Notas iniciais

Naquela noite, um grito agudo vindo do banheiro alertou Hayley, mãe de Jessie, que disparou até o corredor, tomando cuidado para não acordar Ryan, o pai.
— Jessie? Filha, tá tudo bem?
Ouviu-se um som de descarga, a Ranger Amarela logo saindo apressada.
— Ahn, mãe... Tá fazendo o quê aqui?
— Acordei ouvindo você gritar de medo. O que houve?
— Sabe, é que... tinha uma aranha no banheiro, bem em cima do vaso, mas mandei ela descarga abaixo, já passou. Tô com quase 13 anos, tava na hora de perder esse medinho de menininha.
— Querida, vem cá. — disse Hayley ao pega-la pela mão para abraça-la— Saiba que você é a garota mais forte e corajosa que eu conheço e tá caminhando pra se tornar uma mulher ainda melhor. Agora volta pra cama pra não acordar amanhã bem no horário do ônibus. Boa noite, filha.
— Pra você também, mãe. — respondeu Jessie, disfarçando o desconforto.
Ao entrar, o medo tomara sua face enquanto se encostava na porta e sentava, agarrando-se aos joelhos.
— O que eu faço? Como é que eu vou contar isso pra eles? — retraiu-se, deixando as lágrimas da dúvida e do temor rolarem ao fechar os olhos.
***
Pela manhã, Jessie bateu educadamente na porta escancarada do quarto de seus pais enquanto Hayley se arrumava para o trabalho. A mãe voltou-se a ela pondo brincos.
— Tem um minutinho pra falar de um assunto urgente?
— Já até imagino o que seja. Ouviu atrás da porta, não foi?
— Tá chegando o grande dia, né? Eu tinha que espionar as conversinhas secretas de vocês fazendo planos. Mas pelo que parece eu não sou a primeira opção. — declarou Jessie, entrando.
— Oh, minha querida, você sabe que eu largaria qualquer coisa pra tornar essa festa em realidade.
— Ele bem que podia fazer um esforço mínimo possível. Mas como sempre é trabalho em cima de trabalho, vocês nunca terão tempo suficiente pra estarem comigo nos momentos mais marcantes.
— Vem cá. — Hayley a pegou pela mão para aproxima-la de si, a tocando nos ombros —Quando você fizer 15 anos, eu te prometo que vamos dar uma festa de debutante pra ficar na história. — Era pra você e ele prometerem isso juntos. Mas também não quero forçar o papai a sacrificar a vaga dele no novo emprego por minha causa. Ele deve ter ficado super-confuso pra decidir, né? Ou foi fácil demais escolher?
— Não pense que ele ama mais as tarefas de trabalho do que a você, por mais que esses compromissos acabem afastando ele de sua vida. Você entende, não é?
Jessie expressou certo descontentamento, mas assentiu com a cabeça.
— Tá na minha hora. E da sua também, não vai se atrasar hein. — disse Hayley que logo saíra, deixando a porta entreaberta.
Jessie olhou rapidamente pela brecha vendo a mãe se distanciar, tendo segurança para ir até as gavetas da cômoda, puxando a primeira para procurar avidamente. Só na quarta e última gaveta que encontrou o item necessário para lidar com a mudança física iniciada na noite anterior. Colocara dentro da mochila, sem culpa.
Ao chegar no colégio, encontrara Zoe mexendo no armário
— Pelo quinto dia seguido, você chega antes de mim. — disse a Ranger Amarela com bom humor.
— Oh, e aí? Como andam os preparativos? — indagou Zoe, empolgada.
— Não sei do que você tá falando. — Jessie abriu seu armário, fingindo não se importar mais com a festa.
— Como não? Existe algum outro evento mais aguardado pro dia 14 de outubro?
Jessie a olhou de soslaio, logo se entregando de novo a chateação.
— Ai, eu tô odiando o que meus pais estão fazendo. Nenhum dos dois se planejou pra minha festa. Ficam presos nas próprias necessidades e sem tempo pra pensar nas minhas.
— Nossa, mas sua mãe sempre foi muito dedicada em nunca deixar seu aniversário sem uma festinha.
— Ela sempre se esforçou mais, só que esse ano, pelo visto, não vai rolar. Mas o pior de tudo é o papai, conseguiu uma vaga numa outra empresa e vai pra reunião de treinamento que acontece no mesmo horário que minha mãe quer fazer a festa.
— Aposto que eles estão sofrendo bem mais com esse conflito do que você imagina.
— Não mais do que eu. Eu sei que custaria muito sacrificar uma vaga de emprego por uma festinha de aniversário, mas... Ele arranja outra vaga em qualquer lugar.
— E se ele perdesse essa chance por você e não conseguisse arrumar outro emprego em pouco tempo?
— Puxa vida... Sou eu que tô sendo egoísta, não eles que só estão cumprindo responsabilidades de adultos. Não vou força-los a mudarem de ideia, mas... eles bem que podiam tratar disso comigo numa conversa olho no olho.
— Pode fazer isso hoje mesmo, colocar as cartas na mesa de uma vez por todas. — sugeriu Zoe.
— Não adianta, eles mentiriam pra mim porque devo ser muito sensível pra lidar com a verdade.
Por descuido, deixara cair da mochila o item que surrupiou da gaveta de Hayley. Zoe olhou de relance e se chocara.
— Jessie, isso aí por acaso é...
— Não é nada, tá legal? — Jessie guardou o pequeno pacote de absorventes às pressas no armário.
— Quer dizer que você...
— Shhhh, abaixa o volume. — pediu silêncio com dedo na boca. Inclinou-se para ela falando em seu ouvido secretamente.
— Jessie, você cometeu um grave erro em não ter conversado com sua mãe sobre isso e ainda por cima pegar escondido dela.
— Eu sei, tô me sentindo uma ladra descarada que não merece perdão.
— Disfarça. — recomendou Zoe em voz baixa com a boca torta.
— O quê? O que foi?
— Eles estão vindo aí.
Jessie virou-se depressa a direção oposta pela qual vinham Austin, Tim e Damian.
— Fala aí, meninas. Tudo beleza? — cumprimentou Austin.
— Claro, tudo ótimo. — disse Jessie, nervosa.
— Nem tudo. Os pais da Jessie não organizaram nada pra festa de 13 anos dela. — corrigiu Zoe.
— Isso é de fácil resolução pra nós. — dissera Damian — Juntamos uma quantia modesta e fazemos uma festa intimista.
— Se eu não tô com mais cera de ouvido do que o normal... — disse Tim cutucando o ouvido direito com o dedo mindinho — Eu ouvi você falar que é uma ladra, Jessie. O que você roubou? Foi dos seus pais?
Jessie fechou a porta do armário com força.
— Não roubei nada. Você que não escutou direito, Tim. Tá precisando limpar mais os ouvidos.
— Ahn, Jessie... se você não tem nada a esconder, então por que fechou a porta do seu armário desse jeito? — estranhou Austin.
— A Jessie tem um segredinho cabeludo. — brincou Tim.
— Estão enganados, e-eu... Não esconderia nada de vocês. São meus melhores amigos, por que eu faria isso, né? Hehehe.
Owen viera do lado oposto, saído da biblioteca.
— De que segredo estão falando?
— Nenhum! — disseram Zoe e Jessie em uníssono, ambas com irritação nítida.
— Peraí, Jessie, você fala que não gosta de esconder nada da gente, mas alguns segredos só valem contar pra Zoe, né? — apontou Tim.
— Talvez você se descarregue desse peso contando pra eles. — sugeriu Zoe.
— Não, não vou contar, não posso.
— A nossa loirinha favorita não pode contar o quê? — indagou Mason acabando de chegar ao lado de Flint.
— A Jessie tem alguma coisa escondida no armário e que só a Zoe sabe. — provocou Tim.
— Acho que deduzi o que é. — disse Damian, recebendo um olhar de censura de Jessie.
— Ficamos sabendo que seu aniversário é amanhã. Não recebi meu convite. — comentou Flint.
— É porque não vai ter festa alguma. — rebateu Jessie.
Zoe tivera um lampejo.
— Gente, a Jessie tá mentindo, hahah. Tá bom, eu revelo o segredo: ela escondeu os convites de aniversário, é isso. Mas só vão ser entregues na véspera.
— Que é hoje, não? — disse Austin.
— Ahn... Eu só deixei guardado aqui porque vou aperfeiçoar eles mais tarde, ainda não estão prontos.
— Legal, quando você tiver terminado, manda pra todos nós primeiro. — incentivou Austin.
— Mas vai convidar toda a classe? Incluindo a Cindy? — indagou Owen.
— Ela e as cachorrinhas dela com certeza que não.
— Isso não tá nada coerente. Em que realidade alguém prestes a fazer aniversário esconderia convites dos amigos mais próximos? — questionou Damian.
— O CDF tem razão, não faz sentido isso. — concordou Flint.
— Entrega logo os convites do jeito que estão, não tem problema. — disse Mason.
O sinal tocou, salvando Jessie.
— Bem, a gente te ajuda a terminar os convites no intervalo, que tal? — propôs Austin.
— Sério? Oh, vocês são uns amores. Faz dias que eu tava pelejando pra terminar porque eu queria fazer tudo bem bonitinho.
— Combinado então. Vamos logo, pessoal. — disse o líder Ranger andando com os demais.
— Porque quem chegar por último depois da Srta. Paddleton vai receber dever de casa extra. — brincou Owen.
Enquanto os garotos se distanciavam, Jessie os olhava com aflição contida.
— Além de ladra, agora me sinto uma mentirosa terrível. Mas se eles descobrirem, vão me zoar pra sempre.
— Não vão, não. Eu já passei por isso também poucos dias antes do meu aniversário. Pra confessar, foi no acampamento de verão.
— No dia em que encaramos aquele feioso do Abram Ooze?! Por que não me contou?
— Eu também tive medo do que os meninos achariam, mas não achei importante contar pra você no meio de todo aquele caos. Depois me esqueci, desculpa.
— Tudo bem, não tô chateada. Mas... como foi que você lidou com isso? É tão... assustador, parece uma doença super-grave.
— É mesmo, tive a mesma visão. Mas depois que criei coragem pra ter uma conversa bem franca com a minha mãe, toda aquela insegurança foi embora no outro dia, me senti até mais forte. Por que você não tenta? Toda garota passa por isso, sua mãe também passou e ela vai te compreender.
As duas caminharam juntas lado a lado rumo a sala de aula.
— Vou me esforçar, como ela sempre fez. Sabe, ainda bem que ninguém nasceu com poder de ouvir pensamentos.
— Mas você bem que queria esse dom, né? Em relação aos seus pais.
— Se fosse por um dia, pelo menos pra saber se estão sendo honestos comigo... sim, eu queria, queria muito mesmo.
Lokknon estava atentamente assistindo à conversa, não deixando passar despercebida a fala de Jessie
— E o seu desejo pode ser atendido além das suas expectativas, Ranger Amarela, heheheh.
— O que idealizou dessa vez pra estragar o dia dos Rangers? — disse Enckantess na grande almofada ao lado de Aracna lendo junto a ela uma revista de moda.
— Da Ranger Amarela em particular. Imaginem o caótico cenário com ela tendo poderes telepáticos de alto nível que a fizessem descobrir os mais inconfessáveis segredos dos amigos.
— Mas que senso de ameaça isso carrega, afinal, mestre? — questionou Mudok.
— O monstro que concederá esses poderes a ela deve também inserir algum ímpeto de inconfidência.
— Quer dizer que esse novo soldado estimula seu alvo a revelar os segredos que capta, como um ato instintivo. — sintetizou Mudok — Brilhante como diamantes raros de Edenoi.
— Mas qual é a vantagem de criar um adversário pros pirralhos que dá seus poderes pra um deles? — perguntou Aracna temendo uma resposta áspera do imperador.
— O que ele fará não é uma transfusão de poder, mas uma extensão. Mas nada de pressa, Jessie deve sentir essa estranha telepatia crescendo devagar até que não tenha mais nenhum controle, hahahah.
— Mestre, já tratei de baixar dados referentes ao cérebro humano e a habilidade paranormal de ouvir pensamentos até o nível subconsciente!— disse Barooma frente ao seu painel
— Argh, que modelitos mais ultrapassados e bregas. — opinou Enckantess — Eu não vestiria isso nem numa festa a fantasia.
— Ei, os comentários quem faz sou eu, você é só a acompanhante de leitura. Meu senso de moda diz que... ahn, é... — fizera uma careta de desconforto — São horríveis mesmo. Próxima página. — passou a ponta do dedo na língua e virou a página.
— Que venha com muita saúde! — Barooma baixou a alavanca com gosto, a máquina logo manifestando as luzes piscantes como relâmpagos e uma fumaça de vapor baixa como névoa.
A porta abriu-se dando passagem a um humanoide metálico com um cérebro visível sob um capacete de vidro.
— Mestre Lokknon, anseio por realizar a construção monumental de um novo mundo em que os habitantes se odeiem ao saberem tudo o que todos jamais diriam abertamente.
— Você visualiza, como eu, a beleza de um caos civil. — entusiasmou-se o imperador —
— Esse espetáculo pode ser orquestrado neste planeta, a Terra.
O monstro virou-se para o visualizador multifocal olhando imagens aleatórias das zoando urbanas da Alameda dos Anjos.
— Esse clima monótono vai desaparecer assim que todos receberem minhas ondas cerebrais de inserção telepática, ninguém estará imune, ninguém!
— E você terá como primeira vítima para um rápido teste esta garota. — disse Mudok com o controle remoto mudando para imagens de Jessie na sala de aula.
Aracna levantou-se junto com Enckantess, mas empurrou a aprendiz de feiticeira com o quadril de lado.
— Mindstorm, eu quero ser uma cobaia sua. Posso?
— Momozinho, ela me sabotou outra vez! Eu quem batizaria ele!
— Não há problema, minha estrela mística. Você pode fortalece-lo com um dos seus feitiços.
— Boa ideia, meu majestoso rei. Muito bem, fique parado. — disse Enckantess voltando-se a Mindstorm.
Disparou raios cor violetas contra o monstro que sentiu-se abastecido de uma nova carga de poder.
— Não senti nem cócegas, mas posso sentir uma energia incrivelmente fantástica que fez minhas sinapses acelerarem!
— Mas deve aguardar o momento oportuno para pegar a Ranger Amarela desprevenida. — disse Mudok.
Esqueceu que eu me ofereci como voluntária? — insistiu Aracna em tom severo.
— Vamos lá, esvazie sua mente.
Aracna fechou os olhos e tentou limpar sua mente de qualquer pensamento estressante. Mindstorm estendeu os braços e das suas mãos liberou feixes de ondas vibratórias direcionadas a cabeça dela.
— Está feito. Como se sente?
Aracna reabriu os olhos e fitou a todos ali presentes.
"Aracna é realmente uma estúpida emocionada se acha que poderá ler a minha mente", pensou Lokknon.
"Ah, eu posso ouvir sua voz, mestre, em alto e bom som. Mas não sou nenhuma estúpida.", respondeu ela mentalmente, tentando disfarçar chateação na face.
"O mestre parece dar mais crédito a Enckantess por amplificar o poder de Mindstorm do que a mim pela criação dele!", pensava Barooma.
"Pois é, Barooma, abre o seu olho. Ela já é a prioridade do mestre e vai manipula-lo até ele nos descartar depois do casamento. Agora você, Mudok. Espera aí... Ah é, parece que essa telepatia só funciona com mentes orgânicas e não numa lata velha feito você, que pena. Agora você, sua bruxinha metida...".
— Esse seu olhar tá me assustando, Aracna. Você suspeita de algo sobre mim?
— Não, não é possível... — surpreendeu-se Aracna — Por que eu não tô conseguindo ler sua mente?
— Enquanto eu fortalecia o Mindstorn, criei um escudo mental pra mim mesma.
— Mentira, você já tinha esse escudo muito antes! Mestre...
— Chega de escândalo, Aracna, não vou tolerar nenhuma suspeita contra minha amada futura rainha! Já para o seu quarto!
Aracna rosnou de cara feia para a bruxinha, logo caminhando para ir ao seu quarto conforme ordenado por Lokknon.
— Ele bloqueia as ondas telepáticas das minhas vítimas. No caso da Ranger Amarela, ela não conseguirá prever minha ações mesmo que sua telepatia chegue ao limite. Serei invencível! — disse Mindstorm.
Após chegar do colégio, Jessie foi rapidamente largando a mochila no sofá e indo até a cozinha a largos passos.
— Ei, mas que correria é essa?
— Foi mal chegar assim, mãe, mas é que... — disse Jessie abrindo a geladeira para pegar algumas coisas — .... marcamos um piquenique no parque ecológico pra hoje a tarde.
— Isso você não deixa pra depois, né? — disse Hayley que seguiu, porém travou ao ver a mochila da filha largada. Deixou as sacolas no chão visualizando uma deixa inescapável.
Abriu-a, confirmando uma teoria surgida numa simples conferida na gaveta da cômoda.
— Eu sabia, aconteceu. — sussurrou ela.
— Tudo pronto... Ahn, o que foi? — perguntou Jessie, desconfiada.
— Nada, iria levar essas sacolas pra Clea e... Eu vou indo, mais tarde teremos uma conversinha. Tchau.
— Tchau... — disse Jessie o olhar desconfiado ao ver Hayley saindo — Ela sabe... Eu tô ferrada.
***
No início da tarde, a Ranger Amarela chegava ao parque trazendo as guloseimas de casa bem como a toalha branca. Sentou-se à sombra de uma vigorosa árvore centenária após estender a toalha e colocar a cesta de comida sobre.
Contudo, a espera, o tédio e o cansaço a fizeram cochilar sob uma árvore. Nesse instante, Mindstorm surgira em teleporte num galho da árvore cravando os olhos na sua vítima n⁰ 1.
O monstro, oculto nos galhos, disparou suas ondas cerebrais.
— Aí está ela, vulnerável como uma folha seca no inverno. — vibrou o monstro enquanto as ondas adentravam a cabeça da Ranger.
Lokknon celebrava:
— Bravo, Mindstorm! Agora resta aguardar o momento da chegada dos outros Power-Pirralhos para vermos o festival de revelações indiscretas, hahahaha.
Quando Austin, Tim, Damian e Zoe chegaram, Jessie acordou sentindo-se estranha.
— Dormiu como uma pedra hein. — brincou Zoe.
— Já não era sem tempo. O que houve pra demorarem tanto? Ah não, peraí... Ah, então foi por sua causa, Tim. Você comprou a pasta de amendoim em cima da hora.
— Ahn... Como você sabe disso? — indagou o Ranger Azul, chocado.
— Sei lá, deve ser... meu sexto sentido.
— Com que você frequência você o usa? — perguntou Damian.
— O tempo todo. Servidos? — Jessie mostrou um pacote de nachos.
— Mas não com essa precisão toda. — contestou o Ranger Preto.
— É, Jessie, você literalmente adivinhou o que aconteceu. — falou Austin.
— Tô me sentindo meio esquisita... Como se ouvisse as mentes de vocês, parecem sussurros. Parem com isso, por favor! — ela tapou os ouvidos, atordoada pela cacofonia de pensamentos.
— Jessie, o que tá havendo com você? Pararmos com o quê? — perguntou Austin.
— Essa falação toda na cabeça de vocês, só... fiquem em silêncio!
— Mas vamos ficar em silêncio quando começarmos a abocanhar esse banquete. — disse Tim, esfomeado.
— Quis dizer silêncio na mente de vocês! Desculpa, gente, mas eu tô fora. — Jessie afastou-se, perturbada.
— Jessie, espera. — disse Zoe levantando para segui-la.
— O que tá pegando? — queria saber Tim.
— Eu deduzi corretamente: ela está entrando na próxima fase de crescimento. — falou Damian.
— Espera, isso quer dizer que... — Austin tinha uma boa noção do que significava — A Jessie chegou naqueles dias que toda mulher vive.
— O que ela escondeu no armário do colégio certamente não eram convites de aniversário. — falara Damian.
— Pensa na única coisa que só garotas usam quando estão nesse clima de... você sabe... — disse Austin.
O Ranger Azul que quase engasgou-se ao captar a mensagem com surpresa na face.
— Nossa, então é isso, a Jessie tá mudando!
Zoe alcançou a amiga próxima do lago.
— Volta pra lá, Jessie. Se estiver precisando conversar sobre aquilo...
— Será que ouvir pensamentos dos outros vem no pacote dessa transformação?
— Tá mesmo escutando tudo que pensamos? O universo atendeu o seu desejo.
— Não foi o universo... Você deve estar me achando uma tremenda maluca, né?
— Isso merece uma investigação bem analítica. — disse Zoe coçando levemente o queixo.
— Nem adianta negar, sei que pensou no Damian, eu vi o rosto dele... na sua mente.
— Verdade, pensei nele mesmo. Caramba, você realmente virou uma leitora de mentes. Como será que isso aconteceu?
— Não faço a menor ideia, acordei já me sentindo assim.
Flint vinha a caminho delas trazendo uma tupperware.
— Foi aqui onde combinaram de fazer um piquenique super-gostoso?
— O piquenique já era. — lamentou Jessie — E meu aniversário também.
— Deixou o Mason lá no dojo junto com o Owen? — perguntou Zoe.
— É, aproveitei pra dar uma escapulida e participar da reunião.
— Que feio, Flint, você trouxe pizza requentada da sua casa. — apontou Jessie — Pressa não é desculpa pra isso.
— Como que você sabe...
— A Jessie tá passando por um problema misterioso. — falou Zoe olhando mais firmemente para ela — E sei quem pode ajudar a desvendar.
A saída considerada por Zoe a fim de solucionar o mistério da telepatia de Jessie foi recorrer a Dickerson e Karen. Lá estavam os oito heróis na Central de Comando aguardando pacientemente a conclusão do exame. Dickerson viera voltando do laboratório. Nesse instante, Austin veio até ele.
— E aí, Sr. Dickerson, o que tem de errado com o cérebro da Jessie?
Antes que o mentor exprimisse alguma palavra, a Ranger Amarela tomou a palavra:
— Não tem nada de errado, o exame deu normal. Pode confirmar pra eles.
— Sim, é verdade... A tomografia não detectou nenhuma anomalia. — confirmou o mentor.
— E o mistério persiste. — disse Karen que logo tivera uma ideia súbita — Ou talvez não por muito tempo. — virou na cadeira giratória para o monitor, digitando.
Dickerson iria perguntar a tecnóloga:
— O que tá...
— Ela quer vasculhar imagens do radar pra ver se teve alguma manifestação enquanto eu dormia. — interrompeu Jessie novamente.
Enquanto isso, Tim cochichava com Damian sobre proteções contra telepatia.
— Aí, Damian, qual é a proteção contra telepatia? — indagou Tim em voz baixa perto do Ranger Preto.
— Chapéu de alumínio.
— Sério?
— Não, bobão.
— E agora? A Jessie tá sinistra, pior do que aquela vez em que...
— De quando eu virei uma garota revoltada e punk rock? — disse Jessie, voltando-se para a dupla — Vocês vão ter medo de mim agora?
— O mais perigoso é esse poder acabar se descontrolando. — alertou Zoe.
— Fato é que esse superpoder não veio do nada. — disse Karen pondo na tela central as imagens captadas — Vejam, eis o culpado. — ampliou a imagem congelada — O vídeo também registrou frequências ondulatórias anômalas saídas dele.
— Outro monstrengo feioso do Lokknon. — disse Jessie, completando o pensamento de Owen.
— Isso aí, tirou as palavras da minha boca. — falou o Ranger Verde — Quer dizer, da minha mente.
— Jessie, por que não tenta dar um freio nisso? — disse Mason.
— É, você meio que virou um problema pra gente. — disse Flint com sinceridade.
— Eu não consigo! Isso me faz revelar os segredos mais profundos de vocês. Tim, você passa meleca embaixo da carteira. Austin, você tá com uma meia furada. Damian, você analisa a quantidade de germes no vaso todo dia. Owen, você apaga fotos no espelho por não decidir qual ficou melhor. Flint... Oh-oh, Austin, nem vem, não me pede pra dar um tempo!
— Jessie, controle-se ou pelo menos se esforce. — disse Dickerson.
— Mostra logo essas tiaras bloqueadoras antes que tudo piore. — exigiu ela, lendo a mente do mentor.
O alarme soou alto indicando a ação de Mindstorm.
— O nosso meliante da vez está atacando. — disse Karen.
— Está propagando suas ondas telepáticas por toda a cidade. — aferiu Dickerson.
— Então é esse cara de cérebro? Bora lá fritar os miolos dele. — Tim se preparou.
— Só tem um probleminha... — disse Dickerson, mas logo Jessie agiu como porta-voz.
— As tiaras não estão prontas. Não me olhem como se eu fosse uma aberração.
— Não é uma aberração, Jessie. — disse Zoe dando as mãos a amiga — Nós só temos medo dessa telepatia sair do controle, não exatamente de você.
— Talvez seja melhor eu não ir. Austin, eu sei que você concorda.
— OK, mas se conseguirmos derrota-lo...
— Tá, já sei, eu vou ter que morfar pra formar o Abatedor Feroz.
— Isso aí. Derrotando esse monstro cerebral, tiramos você dessa e todos que forem afetados. — disse Austin sacando sua célula e morfador junto aos demais — Prontos? É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Gorila Esmeralda!
— Arraia Rósea!
— Leão Escarlate!
Os Rangers saltaram acrobáticos um por um chegando ao local de incidência crítica das ondas espalhadas por Mindstorm.
— Ele ainda tá lá em cima! — apontou Owen.
— Como se fosse uma antena emitindo ondas de não sei quantos gigahertz. — disse Damian.
— Atenção, pessoal, vamos pega-lo distraído. — definiu Austin sacando sua pistola Z ao que os outros também fizeram.
O monstro virou, logo avistando os heróis que dispararam uma chuva de lasers das pistolas.
— Que amadores! — disse ele ao gerar um escudo telepático transparente.
— Nossos ataques não penetram! — gritou Owen.
— Vou colocá-los no devido lugar: no chão! — Mindstorm expandiu a barreira, arremessando os heróis metros atrás.
Austin reergueu-se e saltou invocando seus punhos selvagens. O líder duelava contra Mindstorm desferindo socos potentes contra os quais o monstro defendia-se. Esquivou de um soco pela direita e de outro pela esquerda como em câmera lenta, depois bloqueando com os braços chutes que Austin dava intercalados com mais socos.
— Você é previsível como uma porta!
Damian percebeu a estratégia:
— Austin, ele está se antecipando ao ler sua mente!
O monstro revidou com ondas mentais, lançando Austin contra um carro que explodiu em faíscas. Owen e Zoe avançaram, mas Mindstorm os advertiu a não passarem ao disparar raios ópticos no chão que explodiram em faíscas, barrando-os.
Damian invocara sua marreta avalanche, prestes a bate-la no chão. Porém, Mindstorm mirou suas ondas nele, travando suas articulações antes do golpe no solo.
— Não posso me mover! Ele tá controlando minhas funções motoras!
Mindstorm forçou Damian a atacar Tim com a Marreta Avalanche. O Ranger Azul tentava desviar, confuso.
— Ei, amigão, qual foi? Endoidou?
— Não sou eu, é ele!
O Ranger Preto acertara um golpe em diagonal que mandou Tim rolando deitado no ar contra um estacionamento de bicicletas.
Zoe avançou junto de Owen, ambos com o ferrão de Arraia e o sabre Kong, respectivamente.
— Não venham! — Damian batera a marreta no solo gerando uma intensa onda de terra que os derrubou para os lados.
Austin disparou com o deflagrador Max pelas costas do monstro, mas o escudo telepático o protegeu sem que ele precisasse se virar.
— Nenhum impulso nervoso dos seus poucos neurônios me passa batido! Desistam! — disse ele voltando-se a Austin e lançando a energia do escudo direto ao líder que foi tirado do chão numa explosão de fogo.
No entanto, o esforço para se defender de Austin fez Mindstorm perder o controle sobre Damian.
— Recobrei meus movimentos! — notou o Ranger Preto, logo atacando o monstro com marreta, mandando uma onda terrosa e jogando-o sobre um veículo.
Tim, Zoe e Owen se juntaram ao Ranger Preto.
— Mandou bem, Damian! — disse o Ranger Verde.
— Eu não resisti, ele que se desconcentrou.
— Então essa é a desvantagem dele. — falou Austin aproximando-se correndo deles — Ele não pode prever os movimentos de um enquanto controla a mente de outro.
Mindstorm, levantando-se do outro lado do carro, decidiu recuar por ora.
— Serei paciente para ver o resultado do meu experimento social! — O monstro desapareceu em teleporte.
— Ele adiou pra amanhã... — disse Zoe.
— Esse experimento é pra gerar uma telepatia coletiva, já deve estar começando. — disse Damian.
— Amanhã a cidade vai ficar de ponta a cabeça. — previu Owen.
— Não se evitarmos um desastre maior. — falou Austin — Espero que o Lokknon esteja ouvindo isso!
— Ah, claramente estou ouvindo sim, Ranger Vermelho. Mas com uma única certeza eu afirmo: os cidadãos da Alameda dos Anjos amanhã entrarão em guerra, hahahaha!
***
A manhã na escola começou sob uma tensão insuportável. Dominada pelo impulso da telepatia, Jessie publicou uma edição especial do jornal escolar revelando os segredos mais íntimos de todos. A Ranger Amarela saía entregando as cópias impressas pelo refeitório bem na hora do intervalo.
— Extra, extra! Edição nova quentinha! Tem fofoca, boatos e segredos guardados a sete chaves!
À mesa, os Rangers assistiam à catástrofe. Cindy e suas fiéis companheiras vieram até Jessie com caras fechadas e passos firmes. A patricinha aproximou-se já derrubando agressiva a pilha de cópias das mãos de Jessie.
— Ei, tá maluca, garota? Tô fazendo meu trabalho de jornalista! Eu sei que você morre de inveja por eu ocupar esse cargo.
— Ninguém descobriria essas informações tão fácil! Você tá espalhando coisas íntimas das pessoas e isso não vai passar impune, pode acreditar!
Alunos em volta riam contidos ao ler a página que falava acerca do segredo da "abelha-rainha", a envergonhando.
— Você manchou o meu nome, sua suburbana enxerida! Estão todos me achando uma piada! — gritou Cindy.
— Que diferença faz? Você já era uma piada muito antes disso.
— Exijo uma retratação desmentindo tudo que escreveu sobre mim!
Brock e Stuart vieram até ela para questionar.
— Jessie, como ficou sabendo que eu e o Brock já nos beijamos por acidente?
— Não fala alto assim, seu palerma! — reprovou Brock.
— Já tá o colégio inteiro sabendo, cara!
O cerco de alunos furiosos aumentou, e a telepatia de Jessie ficava acentuada, afetando-se pela quantidade de pensamentos captados em simultâneo, deixando-a perturbada em puro nervosismo.
— Por favor, chega! Parem de falar... — disse Jessie com as mãos na cabeça e os olhos fechados, quase se agachando.
De repente, os comunicadores dos Rangers tocaram. Jessie ficou na ponta dos pés para conseguir ver os amigos em meio aos vários manifestantes irados. Austin e Zoe fizeram gestos de mão para chama-la.
Correu até os amigos, os oito logo fugindo do exército liderado por Cindy Harper.
— Peguem essa jornalista de meia tigela! — bradou a patricinha.
Os Rangers escaparam pela saída do refeitório, correndo pelas imediações até chegarem próximo ao estacionamento após dobrarem. Se encostaram na parede. Damian dera uma espiada:
— Foram pro outro lado, na direção do ginásio.
Austin atendera a chamada:
— Na escuta, Sr. Dickerson.
— Rangers, Mindstorm retornou expandindo mais ondas telepáticas agora nas zonas leste e sul. Toda a cidade está condicionada a esse poder.
— Tá todo mundo lendo a mente de todo mundo?! Caramba, até onde isso pode parar? — falara Tim.
— Se o poder do Mindstorm se expandir globalmente, provável que a curto prazo teríamos uma nova guerra mundial. — ressaltou Damian.
— Será que a Jessie pode ir conosco? — indagou Austin — A telepatia dela fez com que ela revelasse segredos de toda a nossa classe através do jornal do colégio.
— E eu já sei que o senhor fez somente cinco tiaras, não deu tempo de completar oito.
— O seu alcance telepático aumentou bastante, Jessie. Você precisa manter o foco em Mindstorm na luta, senão não vai conseguir se concentrar ouvindo todos os pensamentos num raio de 20 km ou mais.
— Eu vou prever os movimentos dele e ele vai prever os meus... — falou Jessie pouco confiante — Como acontece uma luta dessas?
— É algo que você descobrirá na prática, não tenha medo.
— Crianças, Mudok está instalando uma antena para manter o estado telepático contínuo nas pessoas. — avisou Karen.
— Cuido de derrubar esse troço do Mudok. — disse Owen.
— Se só existem cinco tiaras, então o Flint e eu ficamos de fora, né? A Jessie não vai precisar. — destacou Mason.
— Exato, mas chamaremos vocês caso a situação aumente de tamanho e fique mais crítica. — dissera Dickerson — Vão, Rangers, depressa.
— OK, pessoal, área limpa, certo? Estão prontos? — disse Austin sacando sua célula e morfador — Hora de morfar!
Os heróis abordaram Mindstorm no terraço do prédio.
— Parou por aqui, Mindstorm! Chega de causar toda essa bagunça na mente das pessoas! — disse Austin com autoridade.
— É tarde demais pra evitarem que esses idiotas terráqueos façam uma guerra civil! Eu venci!
— Poder Ignnus! — bradou Austin, o escudo com ombreiras junto a capa relativo seu poder de guardião lendário surgiu quando avançou — Espada Ignnus! — a espada se materializou em fogo na mão direita.
Mindstorm criou o escudo telepático quando Austin desferiu um golpe da espada inflamada chocando-se contra a barreira transparente. O líder elevou a potência das chamas, o escudo telepático logo rompendo-se.
Em uma manobra arriscada, ele agarrou o monstro e executou a técnica denominada Meteoro Explosivo, caindo do edifício em uma bola de fogo. Os demais saltaram ao chão.
O impacto fora absurdo e tremendo, explodindo em fogo. Os Rangers pousaram juntos.
— Austin! — Jessie chamou, preocupada.
O líder felizmente saíra ileso da nuvem de poeira e fumaça, alegrando a Ranger Amarela que correu para abraçá-lo.
— Austin, eu não ouvi seu pensamento quando foi ataca-lo.
— Limpei minha mente e só ataquei com meu instinto. Parece que funcionou bem.
Mindstorm reerguia-se, mas o dissipar da fumaça revelou algo surpreendente. Os heróis se posicionaram, atentos.
— Caramba, olha pra ele! — disse Tim.
O monstro havia perdido todo seu corpo na queda explosiva, sobrando apenas sua cabeça sustentada por garras como as de um caranguejo.
— Só restou a cabeça?! Ótimo, essa é a chance pra formarmos o Abatedor Feroz! Nem vou precisar lutar!
— Não comemorem tão cedo! — disse Mindstorm que liberou fibras sintéticas como serpentes da base da cabeça cerebral, seu corpo reconstituindo inteiro a partir delas — O que acharam? Hahaha!
— O ponto fraco é a cabeça... digo, o cérebro... Ah, é tudo a mesma coisa! — falara Tim.
Mudok surgiu em teleporte.
— Mindstorm, siga alastrando sua telepatia em conjunto a minha antena. Ela replica suas ondas ao alcance de todo o território desta cidade.
O monstro assentiu e correu em fuga, porém Jessie saltou e pousou barrando seu caminho.
— De mim você não escapa! Garras Raptoras! — invocou suas armas e avançou.
Mudok lançara Psycho-Bots num pequeno grupo que rapidamente avançou contra os Rangers. Pilotando o Glady Motor Z já tingido de verde, Owen rumava para o prédio onde a antena emissora foi instalada. Psycho-Bots se revelaram barrando o caminho.
— Mas gostam de ser atropelados hein! Tá legal!
Owen disparou com os canhões de pulso de energia, derrubando alguns enquanto alguns outros atiraram, causando explosões de fogo que o veículo desviava.
— Owen, está logo a sua direita. — avisou Karen.
— Já tô vendo! Modo Sentinela!
O Glady Motor Z assumiu a forma humanoide, logo subindo o edifício como se corresse no solo. Alcançou o terraço e parou para mirar os canhões.
— Preparar, apontar... Fogo!
Os canhões dispararam as esferas de energia, porém Mudok surgira rebatendo com sua espada para os lados causando explosões fortes de faíscas e poeira. O androide disparou um raio vermelho da espada que o levantou prendendo-o como uma corrente.
— Modo Trovão! — acionou Mudok mudando para a forma elétrica e elevando a força do raio que tingiu de amarelo
Owen abandonou o Glady saltando antes da explosão causada pelo raio. Ao pousar, se preparou ao embate.
— Vou derrubar esse alfinete gigante! Colete Zoomorph! — a proteção corporal surgiu — Modo Fúria Animal, ativar! — a transformação contínua o traje base com as partes de armadura.
Ambos se colidiram num duelo físico ferrenho. Em paralelo, Mindstorm encarava Jessie, Austin e Damian sem dificuldades enquanto Tim e Zoe encarregavam-se dos Psycho-Bots.
Austin investiria com a espada por trás, mas Mindstorm virou depressa emitindo ondas cerebrais da cabeça que atordoaram o Ranger Vermelho.
— Não é possível... Eu ataquei usando mais o instinto do que a razão!
— Idiota! Minha telepatia lê o nível mais baixo do seu subconsciente! Você teria que agir sem pensar em absolutamente nada, mas você não consegue!
Caída, Jessie compreendeu o desafio final.
— Agir sem pensar... Deixar que o corpo faça independente dos pensamentos... Só com minha força de vontade e minha garra selvagem.
Tim e Zoe destruíam os Psycho-Bots restantes com ataques sincronizados de suas armas.
— Colete Zoomorph! Modo Fúria Animal, ativar! — Jesise ativara o power-up e abriu as asas de rapina, logo girando como pião e disparando a chuva de penas que caiam como projéteis, explodindo faíscas, assim salvando Austin da tortura mental.
— Austin, você tá legal, né?
— Não devia perguntar se já soube pela minha mente. Mas valeu, Jessie.
— É minha vez de pegar ele usando aquele lance.
Jessie disparou em um voo rasante, capturando Mindstorm com as garras dos pés e arrastando-o pelo perímetro até arremessá-lo contra a placa de um restaurante. Sem dar trégua, ela o encurralou contra o poste da placa, desferindo uma sequência de golpes velozes com as garras raptoras.
Mindstorm revidou com uma onda telepática massiva, mas Jessie esquivou-se subindo no ar, deixando que a explosão atingisse um carro estacionado. No mergulho de volta, ela desceu com um golpe duplo devastador, fazendo o corpo do monstro explodir em pedaços.
— Inacreditável! — gritou Mindstorm, reduzido apenas à cabeça voadora protegida pelo capacete — Você ainda consegue antecipar meus movimentos!
— Cansei de duvidar das minhas capacidades, então resolvi tentar! Agora que sei como se faz, vai ser moleza acabar com você. — ergueu as garras da mão direita para destruí-lo — Aaaaaaah!
Mindstorm acionou propulsores a jato na base do capacete e voou baixo, derrubando Jessie com ondas cerebrais antes de fugir pela rua.
— Meu corpo não se reconstrói automaticamente, posso controla-lo sem restrições como minha própria mente!
— Fugindo como um covarde, né? — Jessie reergueu-se e alçou voo — Mas não vai se esconder!
No alto do prédio, Owen travava um duelo físico ferrenho com Mudok. O androide desferiu cortes que estouraram em faíscas no traje do Ranger Verde, logo agarrando seus punhos primatas para emanar uma aura elétrica.
— Sabia que posso drenar cada partícula de energia do seu modo de combate até fazê-lo voltar a forma patética de terráqueo?
— Tá enganado se pensa que vai sugar minha força até o limite sem eu resistir!
Os punhos de Owen se energizaram de tal forma que Mudok começou a tremer sob o risco de uma sobrecarga. Um pulso de energia violento repeliu o androide contra a antena de Lokknon, partindo o emissor ao meio.
— Não, o emissor de frequência! — lamentou Mudok, caído entre faíscas.
— Fúria Animal, desativar! Foi um baita aquecimento, Mudok! Outro dia repetimos a dose, fui! — Owen saltou do prédio em supervelocidade.
Utilizando o sensor de localização de seu visor, Jessie rastreou a cabeça-cérebro de Mindstorm.
— Te peguei. — disse ela que logo se impulsionou acelerando para baixo — Modo Super Fúria Animal, ativar!
Assumindo a forma total de águia, ela capturou o vilão e o lançou ao chão como um pedaço de lixo.
— Se já estava difícil ler sua mente naquela forma, isso aumentou quando passou a agir como um pássaro caçador de verdade! — grunhiu o monstro, quicando no asfalto.
— Pra sua sorte, dura pouco tempo! — respondeu Jessie, voltando à forma base — Mas posso te dar um fim com um simples tiro.
Em um movimento desesperado, Mindstorm projetou tentáculos e se fixou ao capacete de Jessie.
— Sai de cima de mim! Desgruda da minha cabeça!
— Hahahahaha, só depois que eu derreter seu cérebro!
O monstro começou a fundir suas ondas às de Jessie, forçando-a a receber uma carga excessiva de milhões de pensamentos alheios. Na Central, Karen entrou em pânico.
— Mindstorm está se alimentando da atividade elétrica do cérebro dela! Se não for impedido, Jessie pode sofrer uma sobrecarga sensorial e...
— Aguente firme, Jessie. — disse Dickerson, tenso.
— Hahaha, a eletricidade saborosa do seu cérebro me fará reconstruir meu corpo ainda mais forte!
Porém, um tiro laser vermelho o atingiu certeiro, o removendo da cabeça de Jessie rapidamente. O disparou partira do deflagrador Max de Austin que viera junto aos demais.
— Na mosca! — celebrou o líder.
— Pessoal! — Jessie correu até eles — Vocês são meus anjos da guarda, pensei que ia pirar com tanto pensamento vindo como uma tsunami.
— Ei, o Austin retribuiu o favor. — disse Zoe — O anjo da guarda foi ele.
— Eu tava em dívida com você, não ia deixar passar a oportunidade.
Mindstorm começou a reconstruir seu torso e membros fibra por fibra.
— A carga que absorvi é o bastante pra fortificar minha defesa corporal! Serei indestrutível!
— Vamos aproveitar essa chance, galera! Combinar armas! — bradou Austin.
Os cinco Rangers invocaram seus armamentos e os conectaram para formar o Abatedor Feroz.
— Acho até que ele não pode ler mentes enquanto tá se reformando. — comentou Jessie.
— Vamos lá, pessoal! Um, dois, três... Disparar!
O laser duplo laranja atingiu Mindstorm antes que ele completasse sua forma, desintegrando-o em uma explosão fatal.
— Laser regenerador! — ordenou Lokknon apontando para Barooma.
— Com prazer, milorde! — disse o cientista que bateu no botão vermelho.
O raio verde retilíneo foi disparado sobre os restos de Mindstorm, revivendo-o ao tamanho colossal.
— Agora o mundo todo estará sob meu controle mental!
Owen viera correndo juntando-se a eles.
— Cheguei tarde? É, acho que não.
Mindstorm lançou ondas telepáticas contra os Rangers, os jogando ao chão. Os Rangers caíram facilmente, mas levantavam depressa.
— Terá que fazer bem pior do que isso! — falou Austin — Precisamos do poder Megazord agora!
As máquinas animais saíram dos hangares e rumaram ao campo de batalha. Os Rangers saltaram para os cockpits e pegaram suas chaves.
— Chave de Comando! — inseriram e giraram — Ligado!
— Inciar sequência Megazord! — bradou Austin.
Os zords ligaram-se uns aos outros, formando o Megazord Z que pousou para a luta.
— Sabre Selvagem! — chamara Austin pela espada que caiu na mão direita do robô e foi manejada para um golpe diagonal energizado.
Mindstorm bloqueou o ataque com um escudo telepático que empurrou fortemente contra o Megazord, derrubando-o.
— Hora do meu parceiro entrar na arena! — disse Owen sacando a adaga Kong e soprando o apito em chamado ao Gorila Esmeralda que saiu do seu hangar na caverna batendo no peito e rugindo.
Owen saltou para o cockpit quando o símio robótico veio, logo fazendo-o disparar as tropigranadas. Mindstorm rambém o neutralizou com sua força mental.
— Fiquem sabendo que posso até controlar seus bichinhos de lata! — Mindstorm emitiu ondas que paralisararam Megazord.
— Controles inoperantes! — alertou Damian.
— Deu pane, travou tudo! — reforçou Tim, aflito.
— Desmontei o brinquedo de vocês! — Mindstorm moveu as mãos, fazendo o Megazord se separar à força, os zords aindo aos lados.
— Rangers, os zords possuem inteligência artificial. A telepatia de Mindstorm nesse tamanho é capaz de controlar até mesmo máquinas praticamente autossuficientes. — avisara Dickerson.
— Nesse caso, sei quem vai dar conta! — disse Tum que logo saiu do cockpit e ficara sobre a cabeça do Tubarão Cobalto — Magna Link! — o relógio comunicador surgiu em seu pulso esquerdo — Magna Drago, te convoco a batalha, venha!
O dragão cibernético sairá de KO-35 e cruzou o espaço na velocidade da luz chegando a Terra. Tim saltou para a cabine de pilotagem.
— Sentiu saudades, amigão?
— A sua noção de tempo é um tanto engraçada, Tim. O inimigo está a nossa frente, me dê o comando!
Mindstorn emitiu suas ondas que frearam Magna Drago.
— Não recua! Vai pra cima!
— Tim, essa frequência de vibração está influenciando minha unidade de processamento, estou sendo forçado a agir como se sentisse medo e muita vontade de fugir!
— Tim, mantém o Magna Drago sob controle! — disse Jessie que pilotou sua águia avançando em voo.
Jessie e Owen agiram em conjunto, disparando penas e tropigranadas nos olhos do monstro. A distração quebrou o vínculo mental.
— A influência desapareceu! — avisou Magna Drago — Já posso agir!
— Beleza! Manda ver com o Magna Sopro!
O dragão liberou uma rajada de fogo azulado diretamente na cabeça-cérebro de Mindstorm, derretendo a proteção de vidro. O monstro cambaleou, consumido pelas labaredas azuis, até cair e explodir definitivamente.
No espaço, Lokknon se largou no trono.
— Traga minha aspirina, Mudok, rápido! Agora é meu cérebro que está queimando! Malditos Rangers!
— Oh, se eu soubesse um feitiço medicinal que curasse meu momozinho... — lamentou Enckantess, afagando o imperador dramático.
***
Na manhã daquele sábado, Jessie e Zoe entraram na Cantina do Earl. O silêncio incomum do lugar deixou a Ranger Amarela intrigada.
— Eu sei que nos fins de semana não tem tanto movimento, mas todo esse silêncio... deixa tudo meio estranho, não acha?
— Ainda é cedo. Você, eu e o resto da turma somos os primeiros clientes do dia. — justificou Zoe.
— Se eles já chegaram... Então por que tá tão silencioso? A voz do Tim dá pra ouvir do estacionamento.
Zoe mudou de assunto, buscando desviar a atenção:
— Você conversou com sua mãe sobre aquele assunto íntimo?
— Ontem a noite. Eu confessei o que fiz e o que aconteceu, daí ela me desculpou. Abriu minha mente pra uma nova visão e até me inspirou a ser uma mulher tão forte e segura do que quer como ela.
— Foi como me senti também. É a sua mãe, a melhor pessoa que te entenderia num momento confuso como esse.
— O problema agora vai ser limpar meu nome no colégio. Estão todos me odiando, até o diretor Brewster que com certeza vai me expulsar do jornal.
— Desde que não expulse você da escola pra ficar longe de nós, tá tudo certo.
Jessie abraçou a amiga, emocionada. Ao entrarem no salão principal, as luzes estavam apagadas.
— Nossa, nem parece que o Earl abriu hoje. Cadê ele? Cadê todo mundo?
— Ele não fecharia num sábado tão especial como esse. — sorriu Zoe.
Subitamente, as luzes se acenderam e toda a turma surgiu de trás do balcão cantando "Parabéns pra Você". Jessie cobriu a boca, as lágrimas de alegria substituindo o pasmo. Austin entregou o bolo de glacê amarelo para Zoe, que o levou até a aniversariante.
— Vai, faz um pedido.
Jessie tomou fôlego e soprou as velas sob os aplausos do grupo.
— Feliz aniversário, Jessie. — disse Austin — Seus pais podem estar ocupados demais pra comemorar, mas nós não temos desculpa.
— Podíamos estar atolados de deveres que não íamos abrir mão dessa festinha. — falou Damian.
— Por nada desse mundo. — reforçou Mason — Você merece isso e muito mais.
— Adivinha quem quase madrugou cuidando do bolo, hehehe. — gabou-se Earl.
— Ai, Earl, você não existe. Todos vocês são a melhor família de amigos que alguém poderia ter. Eu não mereço vocês, obrigada, muito mesmo.
Após o discurso, a curiosidade de Tim aflorou:
— Ei, Jessie, conta pra gente que pedido você fez.
— Hum... Não, é segredo. Vamos logo repartir o bolo?
Enquanto caminhava para a mesa, os amigos insistiam em descobrir o desejo secreto.
— Se continuarem insistindo, vou comer todinho hein. — brincou Jessie, ameaçando dar uma mordida gigante no bolo.
Earl ria ao fundo, orgulhoso de se divertir com aqueles considerava mais do que apenas seus clientes assíduos favoritos.
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