Post-land: Hidden Library
1 Capítulo I - O Começo
Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=H2VjDHjqS-c
Boa Leitura!
Capítulo I — O Começo:
“O distrito onde tudo começa. 3º Distrito, o Distrito Uria”
O ano é 2197 e o planeta Terra está em um cenário pós-apocalíptico.
A Terra entrou em um combate frontal com a natureza, na verdade, os humanos entraram num confronto com a natureza, que, depois de milhares de anos, decidiram retomar aquilo que era seu por direito.
Mas, apesar dos acontecimentos naturais, como terremotos, expansão dos mares, chuvas intermináveis, secas de mais de 50 anos, erupções, entre outros, os humanos conseguiram sobreviver e se reorganizar novamente.
A vida não voltou a ser como era antes, mas os humanos que conseguiram sobreviver, cerca de 1 quarto da antiga população mundial, conseguiram se reorganizar novamente, em Distritos.
Cada distrito foi criado com sua determinada função para atender a população. Distritos residenciais, distritos industriais, distritos comerciais etc.
Os humanos conseguiram reorganizar suas vidas e esqueceram os problemas enfrentados pelas gerações passadas.
Há 40 anos a natureza não invadia os Distritos da Paz; distritos residenciais, de pesquisa, comércio, bélico e científico; e a população encontrava a paz mais uma vez, a paz que fora esquecida por anos, e que agora repousava sobre os pacatos cidadãos dos 7 primeiros distritos.
E essa história começa no Distrito Uria, o 3º Distrito.
Um jovem de 24 anos e de nome Dimitri di Parma, com cabelos aloirados, olhos castanhos, alto e com porte físico de um atleta. Possuía uma cicatriz em sua testa, que era frequentemente escondida pela franja de seus cabelos, preferia deixa-la assim. Carregava uma espada forjada nos tempos medievais, que ficava presa no cinto à sua cintura e que gostava de chamar de La Esperanza. Tinha um mau hábito de mexer nos cabelos quando ficava confuso, um jeito meio singelo de dizer que ele não tinha resposta para determinada pergunta.
Era um garoto determinado. Mas só determinação não era suficiente, por isso, ele tinha seus objetivos e ideais, um pouco infantis, mas que não deixavam de ser nobres e utópicos.
Ele tinha uma visão totalmente antagônica a dos cientistas que estudavam a origem do apocalipse. Não concordava com o jeito que eles tinham organizado as coisas, fazendo a maior parte da população se esconder enquanto apenas uma pequena parte dela ia à guerra. Não concordava também com o contentamento das pessoas diante da atual situação. Tinha um grande respeito pela natureza, mas pregava que teria de ter uma divisão igualitária para ambas às partes, o que não acontecia há muito tempo.
Dimitri conversava com uma jovem amiga sua, cujo nome era Hera Constanny. Ela tinha seus 22 anos e cabelos longos e castanhos claro, que brilhavam suavemente quando o Sol batia neles, além de olhos verdes, que davam um charme especial a seu rosto. Não era uma garota muito alta, estava no padrão. Tinha uma besta numa bolsa que levava nas costas, era uma excelente atiradora. Amava a natureza e os animais, mas escondia isso, pois achava que falar abertamente da natureza no atual estado do mundo lhe traria problemas.
Compartilhava dos mesmos ideais de Dimitri, mas gostava de contraria-lo apenas por prazer.
E, naquele momento, estavam justamente discutindo sobre os distritos, a natureza e as pessoas.
- Você não entende Dimitri, como você pode colocar a culpa do apocalipse na natureza? Ela não fez nada, só está tomando sua parte de volta.
- Acho que quem não entende aqui é você. Se houve um apocalipse, alguma coisa saiu dos padrões e se alguma coisa saiu dos padrões, algo que não devia ter acontecido aconteceu, dessa forma, a natureza avançou e pegou mais que “sua parte de volta” – Deu ênfase nessa frase, tentando desconcertar Hera.
- Claro que ela pegou mais. Sabe quanto tempo à natureza sofreu pela ação humana? Milhares de anos. Então, nada mais justo que pegar uma fatia maior já que passou mais tempo sem... Entende? – Olhava nos olhos de Dimitri. Desejava fortemente que ele mudasse de opinião.
- Não. Não estamos falando de um humano pegando uma coisa a mais de outro humano, estamos falando sobre a natureza, o que ela é? E ainda mais, por que ela não nos permite morar em seus territórios? Somos ameaças? E se somos mesmo ameaças, nós não podemos coexistir em paz, certo? Talvez seja por isso que há guerras contra os animais nos Distritos 10 e 11... Acho que a natureza quer engolir a Terra com todos nós dentro... Acho que ela quer nossa aniquilação.
- Está doido Dimmy? Sempre vivemos em paz com a natureza e nós voltaremos a viver em paz com ela de novo, algum dia, eu sei disso...
- Como tem certeza disso quando estamos lutando contra um possível novo apocalipse da natureza?
Hera não conseguiu dizer nada. Na verdade, a televisão salvou o silêncio que iria assolar aquela discussão.
A televisão próxima a um dos prédios residenciais de Uria noticiou uma nova informação sobre o possível término do apocalipse.
- Atenção, telespectadores! Uma notícia urgente acaba de chegar do 7º Distrito, o Distrito Minevíc. Segundo estudos baseados na esfericidade e dos conhecimentos sobre a expansão da natureza e da Árvore Sagrada, os cientistas documentaram que, na própria Infinite Gardian, onde fica localizada a Grande Árvore Sagrada, há a solução para esse apocalipse... Segundo alguns estudos feitos pelos cientistas, há uma espécie de planta mágica no topo da Árvore Sagrada, que foi documentada como sendo a própria Mãe Natureza. Caso a planta seja retirada do centro da árvore, o apocalipse terá um final e nós não seremos mais afetados por esses fenômenos naturais que tanto destroem nossos lares. Uma equipe especial está sendo formada no Distrito Panic Central 01 e sairá numa caçada a essa planta. Voltamos depois com mais informações...
Uma notícia estava documentando uma nova forma, um novo jeito, uma nova maneira de parar o avanço dos desastres ecológicos da natureza e de evitar os animais gigantes que tem aos humanos como suas presas.
Aquilo era música para os ouvidos de Dimitri. Ele estava pronto para sair em busca da pequena esperança de reverter às coisas.
- Temos que ir até Infinite Gardian, Hera. Há uma chance de salvarmos nossa Terra desses acontecimentos ecológicos e trazermos de volta a paz dos antigos tempos – Dizia Dimitri empolgado com a ideia de levar os humanos de volta a seu ápice.
- Não é assim Dimmy, e você sabe bem disso. É impossível chegar a Infinite Gardian, ou você esqueceu os desafios antes de chegar lá? Nenhum humano jamais passou do End Circle, nem do 14º e nem sequer do 13º Distrito, sem contar que será praticamente impossível sairmos dos Distritos da Paz, devido a grande barreira que separa os Eixos de Guerra e os de Paz, ou se esqueceu disso também? – Ela tentava convence-lo de que aquilo era loucura, tudo em vão.
- Eu sei dos desafios Hera, acha que eu não pensei nisso? Mas nós não podemos ficar simplesmente parados confiando nessas equipes. Você sabe muito bem como eles mentem, logo irão abandonar a causa e nos farão acreditar que estamos bem aqui, e nós não estamos.
Ele estava começando a se exaltar de novo, pensava Hera. Quando isso acontecia, ela desistia de discutir e concordava com ele, esperando para poder dizer no final, quando tudo desse errado, um “Bem que eu te avisei”. Hera aderiu ao plano.
- Então tudo bem, Sr. Dimmy. O que sugere que façamos? – Dimitri estava tão empolgado que nem percebeu a ironia na fala de Hera.
- Bem... Pra início de conversa, temos que reunir algumas pessoas para criarmos nosso próprio grupo de exploração, com pessoas com diferentes habilidades. Eu serei o guerreiro com minha espada, a La Esperanza... Você será nossa atiradora à distância, com sua besta... E reuniremos mais pessoas que aderirem a nossa causa quando passarmos nos distritos... O que acha? – Terminou Dimitri todo eufórico, esperando uma resposta animadora de Hera, mas tudo que ouviu foi só um...
- Ok.
- O quê? – Dimitri parecia decepcionado – Será que pode pelo menos demonstrar um pouco mais de empolgação?
- O que posso fazer se tudo que eu acho desse seu plano é um “ok”.
Dizia Hera enquanto soltava uma gargalhada sem graça, o que irritou mais ainda Dimitri.
- Você verá... Esse será um ótimo plano, espere só pra ver.
~~Há alguns quilômetros dali, no 1º Distrito, o Distrito Utopic~~
- Estou cansado daqui, esse local é seguro, mas eu tenho meus objetivos, mãe. Vou para o Distrito Minevíc seguir meu sonho de ser um cientista.
- Como pode Mak...? Não pode deixar sua mãe aqui sozinha. Depois que seu pai morreu, eu só tenho você... Por favor, não vá.
- Desculpe mãe, mas já passou da hora... Tenho que seguir meu rumo. Não foi assim que me ensinou? A não abandonar meus sonhos? Já tenho 20 anos, está na hora mãe. Tenho que ir. Adeus, talvez um dia eu retorne.
- Você sabe filho... Uma vez fora de Utopic, você nunca mais pode voltar...
- Talvez eu consiga reverter isso mãe. Talvez eu consiga trazer a vida de volta ao que ela era... E aí poderei vê-la de novo. Por hora, esse é um adeus.
Os portões do Distrito Utopic se abrem e o garoto vai embora, em busca de seus objetivos e de suas próprias aventuras, enquanto sua mãe chora ao fundo. Ela pega um crucifixo e balbucia uma pequena oração...
- Deus proteja Mark Lumium, proteja meu filho.
Notas finais
~Ghost.
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